quarta-feira, 26 de fevereiro de 2020

DIÁRIO DE CUBA (117)


TROFÉU INSENSATEZ CARNAVALESCA
Com o final do Carnaval, chegado o momento das premiações. Campeões são revelados. Esse da Insensatez vai sem concorrência e necessidade de eleição para o diretor da rádio Jovem Pan Bauru, ops, digo, Velha Klan, Alexandre Pittolli, pois o mesmo tenta se mostrar favorável ao Carnaval, mas na verdade faz o jogo do conservadorismo mais retrógrado deste país, o apostando todas suas fichas num país sem festas populares, dizendo somente amém para o avanço disso tudo degraçando com o país. Explico. Ele, que não aparece no Sambódromo e em locais onde esteja rolando algo relacionado com o Carnaval, pois além de rejeitado, terá que se explicar dos motivos de saber exatamente o que está em curso e mesmo assim se posicionar ao lado da insensatez, emburrecimento de mentes. Rejeitado por parcela significativa de jornalistas, atua praticamente isolado, pois produz ataques ao estilo metralhadora giratória, merecendo de todos o escárnio, ou seja, nem circular nos meios de sua área de atuação consegue mais. Junto isso com o que apóia, hoje a rádio fazendo uma declarada, explícita e falaciosa campanha para o vereador Meira em futura candidatura para prefeito, um declaradamente apostando todas suas fichas em leis, projetos e atuação contrária aos interesses populares, um desses, não só a destinação de dinheiro público para engrandecer a festa, mas a própria realização da festa carnavalesca. E por que o Troféu Insensatez Carnavalesca? Ele, que já detém uma espécie de Hours Concurs do Prêmio Desatenção, premiação do bloco farsesco, burlesco e algumas vezes carnavalesco, o Bauru Sem Tomate é MiXto, leva mais essa, pelo conjunto e continuidade da obra. Lobo em pele de cordeiro, se diz defensor do povo, mas age na contramão desses interesses, pois é pessoa ciente de como se dá a divisão de valores, as importâncias destinadas para cada Secretaria dentro de uma administração pública, mas assim mesmo insiste em continuar pregando contra a pequena verba destinada para a Cultura no Carnaval e sua utilização em outras instâncias, algo incompreensível para quem conhece os tramites legais públicos.
Ele é mais que que ciente que esse valor de ajuda ao Carnaval, fonte de imenso retorno para a cidade, terá ínfimo significativo no restauro da cidade, pois para isso existem as fontes já definidas para essa finalidade. Sabe como tudo isso se dá no intestino da esfera pública, mas como aposta suas fichas num candidato pregando a favor do conservadorismo, continua tentando incutir na mente dos incautos o que sabe não ser possível, nem plausível, muito menos legal. Se seus colegas de trabalho já o rejeitam quase na unanimidade, falta só os ouvintes abrirem os olhos e enxergarem que o trabalho na rádio possui um lado, feito para atender interesses bem definidos, nunca os desse povo. A ficha dos ainda iludidos um dia vai cair, tomara seja muito em breve. Não há mentira que perdure para sempre...

O TEXTO QUE GOSTARIA DE TER ESCRITO, MAS SÓ MESMO QUEM VIVENCIOU O PROBLEMA POR DENTRO DA MÁQUINA PODERIA FAZÊ-LO:
"Ninguém é obrigado a gostar ou participar do Carnaval. Tem gente boa que procede dessa forma. Por outro lado, quem MILITA CONTRA O CARNAVAL, em 100% DOS CASOS, é gente detestável, canalha e imbecil. É gente recalcada, que não tolera o prazer alheio. No Brasil, isso é pior. Quem milita contra o Carnaval tenta impedir de acontecer um dos raros momentos em que o pobre é protagonista. No Carnaval de 2010, estive de plantão pelo Jornal da Cidade de Bauru, na retomada dos desfiles no Sambódromo. Fazia 8 anos que a festa não era realizada na avenida e havia um grande ressentimento do povão com aquela situação, até porque a cidade tinha tradição com as escolas de samba. A retomada deu-se meio que no improviso (tanto na estrutura física do Sambódromo quanto nas próprias escolas), mas com muita força de vontade. Uma das escolas que desfilaram na primeira noite foi a Azulão do Morro, do Jaraguá.
Nem sei se a escola ainda desfila, mas seus integrantes fizeram um esforço imenso para ressuscitar o Carnaval de Bauru. Além de desfilar na avenida, no dia seguinte, os membros da escola fizeram uma festa nas ruas do Parque Jaraguá, para o povão da Zona Noroeste de Bauru. Esse povo sofrido, que muitas vezes não tem acesso aos serviços básicos, que o Estado deveria oferecer. Aquele era o Carnaval que tínhamos para cobrir. Aquele foi o Carnaval que pudemos narrar em nossas reportagens. No dia seguinte, um sujeito que se dizia advogado mandou um e-mail para a redação, furioso. Além de enviar para a chefia, encaminhou também aos proletários da notícia, inclusive eu. O sujeito estava possesso pelo espaço imenso que o jornal havia dado aos desfiles. Ele vociferava todos esses preconceitos que os conservadores de araque bradam contra qualquer festa popular. Mas ele demonstrava um ressentimento especial em relação à Azulão do Morro. Ele não entendia a razão de termos dado tanto espaço a uma das únicas escolas que se dispuseram a fazer carros alegóricos, fantasias e compor samba-enredo para desfilar naquele ano. O sangue subiu, desceu e subiu de novo. Como eu havia sido provocado, respondi em meu nome. Queria ter acesso ao texto exato do e-mail da resposta, mas não tenho mais, porque era uma conta corporativa. Em todo caso, vou resumir. Agradeci pelo contato. Expliquei que a situação valia a cobertura, já que dezenas que milhares de pessoas haviam ido ao Sambódromo prestigiar o esforço dos sambistas. Mas, então, disse que estranhava nunca ter recebido e-mail do advogado nas centenas de vezes, ao longo do ano, em que noticiamos sobre o Jaraguá. Lembrei que, na quase totalidade dos casos, as menções eram relacionadas a miséria, violência e outras mazelas sociais. E observei que ele apenas achou de reclamar no dia em que moradores negros, daquele bairro pobre da periferia, viraram protagonistas por uma coisa positiva. Viraram reis, numa cidade que, muitas vezes, não os reconhece como cidadãos. É revoltante pensar que aquele advogado recalcado queria tomar até aquela glória efêmera que o homem e a mulher do povo podem sentir numa festa que é de todos - e, por isso mesmo, é tão perseguida. Então, fica a conclusão deste texto longo: Deixa o povo sambar. Deixa o povo gozar. Deixa o povo ser feliz. Deixa o povo ser protagonista deste país. Um viva ao Azulão, que, na verdade, é todo o povo perseguido e humilhado deste país!", jornalista Rodrigo Ferrari, nascido em Iacanga, já tendo atuado no bauruense Jornal da Cidade e hoje atuando pelos lados de Catanduva.

AMARFANHADO PAPEL NO MEU BOLSO E O JORNAL DOIS
Revendo o que juntei nos bolsos na festa carnavalesca, eis esse papel, dodrado, amassado, amarfanhado até não mais poder, porém guardado, pois percebi seu valor e finalidade desde o momento do recebimento. Trata-se de um pedido de socorro, como aqueles lançados ao mar numa garrafa e a espera de ser encontrado. O projeto e concepção do Jornal Dois em Bauru vai na contramão da mídia convencional, a massiva, feita para atender os interesses da mão única, caolha por opção. Esse pessoal do Jornal Dois navegam exatamente no contrário, pregando e praticando um jornalismo plural, para atender os reais interesses desses tando sendo ludibriados por uma mídia perversa, excludente e traquinas. No pequeno folder, impresso em copiadora, quase se apagando pela permanência no meu bolso, a clareza dos objetivos e da necessidade de contar com ajuda dos sensatos, dos ainda apostando suas fichas numa informação confiável, lúcida, atuando dentro da verdade dos fatos. A explicação está bem sintetizada, curta e grossa: ou defendemos a existência de algo assim os valorizando e ajundando a se firmarem ou eles fenecerão e voltaremos a ter informações somente pelas vias muito bem já conhecidas dos meios convencionais. Eu sempre gostei e muito do pessoal do Jornal Dois e os contatos estão explicitados no folheto, desde fones, como os virtuais. Vale a consciência de cada um, a prioridade para os próximos passos, o que queremos e teremos para se informar daqui por diante. Eu vou junto deles e aposto na linda proposta de jornalismo livre, independente e sem mentiras. O JORNAL DOIS precisa continuar existindo.

OBS. FINAL: Me utilizo do nome Diário de Cuba lá no alto, pois novamente, pela milionésima vez, um insensato comenta num dos textos de minha lavra, dos motivos pelos quais não vou pra Cuba. Cansado de explicar, peço passagem (podendo ser só de ida), mas na verdade, ele quer mesmo me provocar, não enxergando um palmo diante do nariz, justamente neste momento, quando o desGoverno brasileiro, após tentar preencher as vagas com médicos brasileiros para atuar nos grotões, pensa em trazer de volta os cubanos. E eles é que são os ruins? Viva Cuba!

terça-feira, 25 de fevereiro de 2020

RETRATOS DE BAURU (237)


HISTÓRIAS CARNAVALESCAS RECOLHIDAS NA E DA SARJETA

1.) ROSE BARRENHA E SEU PATINETE
Rose foi funcionária pública municipal, primeiro da área da Saúde (é psicóloga desde os tempos do bloco Loucos por Alegria) e depois, até quando se aposentou na Cultura. Acumulou irrerevência, picardia e o jeito de fazer tudo o que muitos outros achavam custoso demais. Encerrou suas atividades dentro de uma biblioteca de bairro, num dos tantos altos pontos dentro de sua nada conformada vida. Foi tentar algo novo pelos lados de Piraju, onde dá prosseguimento ao seu modo de tratar o semelhante dentro de uma igualdade não mais tolerada hoje. Por causa disto, seguidos murros em ponta de faca. O tempo passou, Rose sendo para-raios foi juntando energias diferenciadas em seus costados e chega neste momento de sua vida sem muitas condições físicas de descer o Calçadão da Batista junto do bloco Bauru Sem Tomate é MiXto. O pessoal do bloco, todos da mesma laia e lida onde ela navega e toca sua vida, não a deixou desistir. Ela disse daria seu jeito e desfilaria, mesmo cheia de dores, apregoando sem condições de bailar nas sete quadras do Calçadão. Dias antes do Carnaval visita parente e por lá vê dentre as coisas do filho do casal um largo patinete motorizado e o estalo surge assim de bate pronto. "É com isso que irei desfilar", pensa. E assim o faz, para deleite e alegria dos tantos amigos tomateiros. Ver Rose flanando, navegando, sobrevoando, pairando no ar junto aos demais foliões foi mesmo para ter a mais absoluta certeza: esse bloco é mesmo, não só desconsertante, como consertante. Rose, hoje passados três dias do desfile, reclama das dores, mas não se arrepende do feito e feliz da vida, dessa forma e jeito dá vai contornando os problemas, driblando as depressões e dores, tocando o barco, mesmo quando o vento sopra ao contrário. É de gente como Rose no e com o Tomate, o seu motor gerador, o grande motivo dele resistir, persistir e insistir por oito anos nas ruas de Bauru, sendo, fazendo e acontecendo. Sem gente como Rose não seríamos merda nenhuma.

2.) GILBERTO TRUIJO E O ESFORÇO PARA TOMATEAR
O advogado Gilberto Truijo faz história em Bauru, primeiro como o mais alto nome dentro de todas as Comissões de Direitos Humanos que a OAB regional já teve nestas plagas. Dignificou a função pela forma como a executou, sempre ao lado dos menos favorecidos. Em seu portão, até hoje, muitos sem condições de pagar honorários e o faz por escambo, trocando, por exemplo, leitoa pelo serviço executado. Truijo tem uma das pernas atrofiada, anda com pesadas botas, muleta e para descompensar mais, perdeu anos atrás sua companheira de todas as horas. Uma das válvulas de escape foi se juntar ao pessoal do bloco Bauru Sem Tomate é MiXto, guarida para embalar e dar sentido para a continuidade da vida. Mais do que integrado ao grupo, segue participando de tudo, mesmo hoje, acometido de probleminhas de alcova, ou seja, alguns outros de ordem médica, impossibilitado de bebericar álcool e consumir muita gordura. É também diabético, o que lhe restringe mais os movimentos. Neste Carnaval queria descer, tentou várias formas, desde alugar uma cadeira de rodas, como o fazer dentro do banco do carona do carro de som. Não deu certo nem coisa, nem outra. Juntou forças, tomou seu mais forte fortificante, passou sebo nas canelas, cheirou um pó de mico e chega para a desfile de Uber, desce, pedindo somente algo para os organizadores: "Desçam devagar, não quero tropicar". E assim foi feito, muitos se escorando uns nos outros, todos chegaram ao final do percurso, sãos e salvos, alguns com escoriações, contusões e mais dores, mas todos alegres, contentinhos por estarem unidos e coesos, junto de grupo provocador, contestador e o único a levantar a voz no Carnaval bauruense contra os desmandos desta cidade dita e vista como "sem limites". Truijo é uma das tantas caras alvissareiras deste agrupamento humano, uma onde cada membro ativo (ui! cadê esses?) consegue tocar o barco adiante por se escorar um no ombro doutro. Assim seguem fortalecidos e tentando passar por esses bicudos tempos sem ninguém soltar da mão do outro.

3.) HELENA AQUINO ESQUECEU DAS DORES JUNTO DO BLOCO
O tempo passa, o tempo e algo além dos aviões de carreira vai tentando se colar junto da gente. Helena Aquino que o diga. Advogada de formação, toca sua vida, hoje aposentada e lendo tarot, algo a mover desde muito tempo, quando trocou o exercício da profissão pelas cartas na mesa. Não se arrepende, vive só numa casa em região perto do centro da cidade, sai com amigos pela aí, tenta curtir a vida ao seu modo e jeito. De uns tempos para cá a reclamação é somente uma, dores nas pernas e a impossibilidade de continuar saindo como dantes. A vontade continua dentro de si, mas as dores a restringem de botar o bloco na rua. Sua salvaguarda sempre foram os livros, sua tábua de salvação para desde a insônia, como para continuar sendo essa pessoa a entender o mundo sem se deixar levar pelo ressentimento homofóbico. Quem lê muito não pode mesmo ser alguém a defender o esmerdalhamento do país nesses tempos bolonaristas e milicanos. Ela toca sua vida, reclama das dores, mas insiste. Quase declinou de sair este ano como bloco Bauru Sem Tomate é Mixto, mas buscou forças lá no fundo, pediu um vestido, fez nele umas intervenções, deixando-o mais carnavalesco e assim surgiu de Uber junto do bloco. Não me peçam para descrever como se safou das dores, mas deve ter incovado alguma força interior, superior, raízes da natureza e o faz leve, límpida, fagueira e esbanjando alegria, abraçando a tudo e todos. O bloco neste ano foi também muito disto, essa reunião do que tinham tudo e mais um pouco de motivos para permenecerem em suas casas, mas não resistiram, deram seu jeito e barbartizaram, numa clara demonstração de garra, disposição e de muita forma interior. Helena é tomateira desde o início da coisa, esteve e estará junto ao grupo, remando contra esses tantos moinhos de vento querendo e fazendo de tudo para nos atrapalhar a caminhada e a vida. Não existe nada igual a essa demonstração de força de vontade de tantos como ela, os tais imprescindíveis para o fortalecimento do Tomate.

4.) OSCAR VEIO DE CAJADO E COM O FILHO A TIRACOLO
Oscar Fernandes da Cunha é professor de História na rede pública e padece nos últimos tempos de problemas nas pernas, causadas pelo peso atual da constituição corpórea a sustentá-lo em pé. É um dos fundadores do bloco Bauru Sem Tomate é MiXto e dele não arreda pé, pois ciente de estar dentre tantos outros com a mesma verve da resistência instalada junto ao motorzinho do corpo. Está difícil dar aulas em pé, mas resiste e em casa, a terapia é continuar em pé, desta feita diante do fogão, produzindo pães artesanais, sua especialidade, depois do desagravo ao momento atual vivido pelo país. Resiste, insiste e persiste, pois como sabe muito bem, depois de certo tempo de quilometros rodados, a vida não mais permite peças de reposição se sim, só de manutenção. E assim, recauchutando daqui e dali, apertando uns parafusos, soltando outros, afrouxando a repinboca da parafuseta, segue a vida. Pediu uma camiseta especial, tamanho dito por ele mesmo como M, longe de Médio, mas sim, de Mamute. Ri do dito, apregoava das dificuldades que teria para descer o Calçadão, mas daria seu jeito. Deu e foi lindo vê-lo chegando junto do filho, esse sua muleta, a escora necessária para chegar lá na outra ponta com a certeza de o fazê-lo sem percalços. Oscar já desceu esse mesmo Calçadão com fantasias homéricas, como a do Homem Borracha, envolto numa bóia gigante, câmara de ar de caminhão, tudo para desdizer das enchentes na cidade. Hoje o faz mais comedido, com um cajado às mãos, porém sua verve nunca está totalmente recolhida, prometendo preparo mais provocativo para os próximos encontros. Churrasqueiro de mão cheia, abrilhanta os convescotes do bloco, com seu avental sempre impecável e seu jeito nobre, cheio de categoria na forma como trata um assado. Presença obrigatória no bloco, desses que o grupo trará para o desfile nem que for de maca, ele comparece e ao ser visto, a certeza do bloco sobreviver, dando o seu jeito. Ele não é o único com problemas de forno na descida do Tomate, já sendo pensado uma ala reunindo os com junta avariada e com pouca graxa nas juntas.

5.) MARCIA PESTANA MOTA DEU A VOLTA POR CIMA NO BLOCO
Inesquecível, irretocável e incontornável a passagem de Marcia Pestana Motta pela Casa dos Conselhos, quando ainda num imóvel atrás da Beneficência Portuguesa. Ela sabia como ninguém receber e tratar todos os assuntos ali encaminhados, com a devida sapiência e maestria. Deitou fama por causa de sua forma elegante, sincera para com tudo e todos. O tempo passou, ela se aposentou e a Casa dos Conselhos foi pras cucuias, desmobilizada por quem não aposta em Conselhos Municipais propondo a transformação de uma cidade. Isso uma coisa, outra os percalços da vida e a necessidade que todos possuem em algum momento da vida de dar um breque, desacelerar, ficar na moite, esperar a coisa melhorar e só depois voltar a carga. Com Márcia assim se deu. Anos atrás foi muito ativa junto ao bloco, estando em várias de suas atividades, mas pelos problemas de sempre, esses que nos impedem de barbarizar nas ruas, a saúde, se afastou e agora, neste ano, volta à carga com tudo renovado. Ninguém a segurou este ano, estando em tudo o que aconteceu e foi marcado para acontecer, tendo como chancela o nome do Tomate. Foi das primeiras a comprar a camiseta e das primeiras a chegar na praça, local da concentração dos tomateiros antes da descida do Calçadão. Está literalmente tirando o atraso, recolocando as coisas no seu devido lugar. Linda pessoa humana, sincera até as vísceras, dessas a dizer na lata de algo pelo qual não se sinta confortável, tendo no bloco um dos locais de descarrego, com a certeza de estar junto a tantos outros da mesma laia e opinião. Vê-la sorridente, flanando entre tudo e todos é a mais absoluta certeza deste bloco ter uma missão e ela estar sendo devidamente cumprida, a de trazer e propiciar a alegria entre esses tantos que, num momento como esse, quando o país se emburrece de forma conservadora, os iguais de juntam e unidos se fortalecem, seguem a justa caminhada. Sem portos seguros de ancoragem, seríamos todos muitos mais tristes, desconsertados e perdidos nesse mundão cada vez mais insano. Quando diante de agrupamento de iguais, a caminhada segue seu ciclo com menos percalços. Márcia descobriu isso e é feliz da vida.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2020

ALGO DA INTERNET (161) e UM LUGAR POR AÍ (133)


BLOCO É SUBVERSÃO - O CARNAVAL TEM MUITO SENTIDO QUANDO SAI EMBALADO POR ESSA VERTENTE - O RESGATE DO "CHAVE DE OURO"
 
Aqui em Bauru neste Carnaval 2020, volto das ruas, dois dias de Sambódromo e uma constatação: a única transgressão ou protesto ocorreu com o bloco farsesco, burlesco e algumas vezes carnavalesco, o Bauru Sem Tomate é MiXto. Pipocaram pelo país afora protestos contra o desGoverno em curso, mas nenhum outro bloco ou escola de samba bauruense levou nada para o Sambódromo ou para as ruas com essa pegada. Como nos anos anteriores, quem faz isso com sapiência e a galhardia mais que necessária é o Tomate. Daí, impossível não relembrar o que já representou dentro do contexto dos carnavais de rua, o Chave de Ouro, histórico bloco do subúrbio carioca. Eu mesmo sabia quase nada dele e ao ser presenteado pelo técnico de som, Marcos Ali, com a edição de antiga revista Época, o faz só para que tome conhecimento da história de resistência e subversão desse bloco carioca. Guardadas as devidas diferenças, proporções e distâncias, posso afirmar sem errar, que mesmo sem o saber, o Tomate bebe da mesma água do Chave de Ouro. Sintam da leitura abaixo, algo dessa semelhança. Para os tomateiros, não existe sentido nenhum em festar nas ruas se não for para protestar, pura subversão festiva, que todos torcem para um dia se transformar num estopim a incendiar esser país e devolvê-lo à normalidade.

Cadê o bloco Chave de Ouro? - Monica Pinheiro (*)
É quarta-feira de cinzas e a pergunta não sai da minha cabeça: o que foi que aconteceu com o Chave de Ouro? Procuro alguma nota nos jornais, mas não vejo sequer menção do nome daquele famoso bloco do Rio de Janeiro, que durante décadas forneceu assunto para a notícia mais aguardada e divertida no finalzinho do carnaval.

Criado em 1943 no subúrbio carioca, entre o Méier e o Engenho de Dentro, o Chave de Ouro só saía às ruas quando a festa já tinha acabado. O bloco era formado em grande parte por foliões inconformados com o rígido horário de encerramento do carnaval de rua, inapelavelmente marcado para o meio-dia da quarta-feira. Depois das doze badaladas do relógio, era hora da folia terminar e todo o mundo voltar ao batente.

Numa demonstração de total descaso pelas determinações do poder público, a turma do Chave de Ouro continuava pulando animadamente pelo centro do Rio, cantarolando marchinhas cheias de malícia, como se não houvesse amanhã. Eram em geral carnavalescos que se haviam excedido na bebida ou haviam sido surpreendidos em atos reprováveis para os padrões da época e, por isso, eram devidamente encarcerados no xilindró durante o reinado de Momo.

Longe de acalmá-los, os dias de prisão pareciam incendiar ainda mais aquela paixão pelo carnaval. Na quarta-feira de cinzas, os foliões da fuzarca eram soltos e imediatamente retornavam às ruas, cambaleantes mas cheios de energia reprimida, na ânsia de recuperar o tempo perdido. E assim o desfile do Chave de Ouro se repetia todos os anos, bem nas barbas dos defensores da lei.

Não é difícil prever o resultado do confronto. A força policial – na época também chamada de “radiopatrulha” – corria atrás dos integrantes do Chave de Ouro, que por sua vez se esgueiravam por entre os carros ou se escondiam pelos bares do centro da cidade, para voltar às mesmíssimas ruas assim que a polícia desaparecia da vista.

A cada ano que passava, o bloco só aumentava de tamanho. Um número cada vez maior de pessoas se agregava ao Chave de Ouro, muitas delas só para assistir de perto ao corre-corre e à pancadaria geral. Além dos foliões, policiais e curiosos, havia também outro grupo infalível – o dos repórteres fotográficos, que ziguezagueavam por todos os lados, em busca da imagem gloriosa que seria manchete no dia seguinte.

Esse “ritual” carioca começou a ganhar fama no início da década de 50 e se repetiu até o final dos anos 70. Virou tradição do carnaval carioca. Aos poucos, sem alarde, os jornais deixaram de falar no bloco. Vieram outras atrações carnavalescas, construíram o sambódromo na Marquês de Sapucaí, sofisticaram os sistemas de som dos blocos de rua. Mas, sem o Chave de Ouro, o Carnaval de rua do Rio nunca mais foi o mesmo.

A curiosidade me leva a navegar pela internet em busca de alguma explicação para o sumiço das notícias do bloco. Encontro uma reportagem da TV Globo de fevereiro de 1981, que noticia o retorno do Chave de Ouro depois de anos sem desfilar. As imagens do bloco são melancólicas. Falta brilho e sobra apreensão nas ruas de Engenho de Dentro por onde passa o bloco, em que comerciantes correm a fechar as portas de suas lojas para não serem saqueadas pelos foliões. A reportagem termina com a informação de que, como agora o Chave de Ouro tinha permissão oficial para desfilar na quarta-feira, no ano seguinte eles iriam sair na quinta-feira.
Marcos Ali me apresentou ao "Chave de Ouro"

Se o bloco saiu na quarta ou na quinta-feira daquele ano, ninguém sabe, ninguém viu. Em 2013, diversos jornais anunciaram a volta do Chave de Ouro às ruas do Rio, mas, no final, o bloco acabou desistindo de desfilar porque “não teve a logística necessária”. O fato é que o bloco mais transgressor da história do carnaval carioca simplesmente perdeu a graça com o fim da repressão. Mudaram os tempos. Agora, dentro e fora do reinado de Momo, tem-se a impressão de que tudo o que é estritamente proibido é ligeiramente permitido.

Leio no noticiário que hoje existe um bloco com um nome aparentemente definitivo: Sepulta Carnaval. Engana-se quem pensa que ele vai enterrar a folia na quarta-feira de cinzas. O bloco só vai sair no sábado depois dos feriados. Para quem, como eu, ainda não tinha reparado, esclareço que o carnaval carioca de 2015 só termina oficialmente no final de fevereiro.

E à turma do Sepulta cumpro o doloroso dever de informar que outros foliões lhe passaram a perna. A gloria de sepultar o Carnaval carioca este ano não caberá a eles, como sugere o lúgubre nome. É que, consultando o calendário oficial da cidade, vejo que vários outros blocos já garantiram seu direito de jogar a pá de cal na folia no último domingo de fevereiro, ainda que com nomes menos sepulcrais.

Renascerão das cinzas os blocos Broxadão a Hora é Essa (praia de Copacabana), Boka de Espuma (Botafogo), Caldo Beleza (Flamengo) e Galinha do Meio-Dia (praia de Ipanema).

Evoé, carnavalescos indomáveis do Rio de Janeiro! A festa vai continuar.

(*) Monica Cotrim Pinheiro é jornalista. Edita e anima o Blog da Monipin.

domingo, 23 de fevereiro de 2020

MEMÓRIA ORAL (251)


O QUE VI NO "PROIBIDO" BLOQUINHO, O PERSISTENTE PÉ DE CACHAÇA NO PARQUE VITÓRIA RÉGIA EM BAURU
A proibição estava estampada numa nota divulgada pela Prefeitura Municipal de Bauru, sob as bênçãos da Polícia Militar e do Ministério Público, com divulgação pelos meios de comunicação disponíveis. A notícia correu de boca em boca: estava decretada a proibição do bloco estar nas ruas e de tudo o mais no local, isso dois dias antes do evento ocorrer. A história vem de longa data, quando um grupo de estudantes começa a fazer um roteiro entre as muitas repúblicas existentes no entorno do parque. Desse cortejo nasceu o Pé de Cachaça, mais conhecido como Bloquinho, hoje o maior bloco de rua da cidade, tendo já conseguido em alguns anos atingir mais de 8 mil participantes. O bloco explodiu, cresceu demais, deixou de ter o caráter anterior e passou a ser regido por outra ordem, quando alguns dele passaram a ter lucros. Vendiam canecas, abadás e as bebidas, culminando com o fato de ano passado tentar cercar o parque com tapumes e lá dentro promover a distribuição de bebidas, para quem pagasse pelas canecas. Foram impedidos, porém, sem conseguirem impedir o acesso da multidão de jovens ao local. Esses já entronizaram em suas mentes o fato de, nas tardes de domingo, ali ocorrer algo sui generis, um Carnaval dentro dos seus moldes, o de jovens e adolescentes querendo estar nas ruas nesses dias. Para muitos, a única opção de lazer, ou mesmo Carnaval nesses dias. Legalizado ou não, isso precisa ser levado em consideração.

Existem muitos lados na mesma questão e todos precisam ser levados em consideração. São poucas as opções de lazer para jovens, os daqui e de toda região, pois a afluência deixou também de ser local, atraindo jovens de toda região, esses chegando ao local de vans e ônibus. O bloco deixando de ter o caráter meramente festivo, tendo gente lucrando, nada como tirar desses a colocação dos banheiros químicos, limpeza e segurança no local. Pelo que vejo, o impasse se dá nesses quesitos. Negociação não avançando, proibição decretada, porém do outro lado, a imensa massa humana se dirigindo ao local, sem saber desses detalhes e ali encontrando bloqueio de ruas, policiais por todos os lugares, helicópteros sobrevoando o parque, proibição de ambulantes venderem seus produtos e um clima de bomba relógio prestes a explodir pairando no ar. Tudo foi feito para dispersar a massa humana, mas ela veio, não arredou pé, lotou o lugar e mesmo sem som, sem os ambulantes, ficou perambulando pelo lugar, dando o seu jeito de festar. Foram chegando aos poucos, logo depois das 13h e ali permaneceram até por volta das 23h, sem incidentes, muito vigiados, numa exposição de algo como uma fratura mais do que exposta dentro dos festejos carnavalescos na cidade. Como regulamentar essa festa dominical sem tentar dar cabo na livre manifestação desses jovens? Os mais conservadores insistem no viés da proibição, legislando nesse sentido, com leis aprovadas inviabilizando festas populares, concentrações humanas de grande vulto, opens bar e afins. Pressionada a Prefeitura cede, porém, os jovens nas ruas evidenciam a necessidade de uma solução para, não proibir, mas resolver a questão.

Circulei pelo local e questionei alguns dos jovens. Na chegada de um grupo, perguntei dos motivos de virem a pé de tão longe, pra lá do São Geraldo, mais de 6 km de distância. A resposta foi simples: “Vindo de ônibus não teríamos para beber”. Confesso, minha geração fez o mesmo décadas atrás. Quantos não vinham em grupo do Redentor, Nova Esperança, mesmo São Geraldo a pé para as boates do centro. Iam e voltavam assim, tudo para ter o contado dinheirinho, entrar e conseguir consumir algo. Nada mudou. Até o visual continua parecido. Hoje os meninos de bermudões e as meninas de shortinhos curtos. Ao vê-los caminhando para o parque, bateu o revival na mente, estalo de repetição de algo a ocorrer desde que me conheço por gente. Os tempos mudaram, mas as condições continuam as mesmas, as caras são outras, mas a mensagem cifrada sendo passada das ruas é mais do que parecida. No público concentrado nas ruas, meninos e meninas menores de idade, todos em busca de momentos de festa coletiva. Sem entrar em discussões outras, enxergo sob o prisma deles todos estarem buscando forma de estar juntos e isso não pode ser cerceado, ainda mais por imposição de legislação caolha, enxergando que tudo se resolve somente com proibições, impedimentos, restrições e repressão.

Agora me volto para as soluções. Um amigo da Cultura local me diz não entender como a negociação não ocorreu até a exaustão. “Faltou tato, gente qualificada para tanto e opções. A minha seria oferecer para tudo ocorrer no recinto do Sambódromo ou mesmo do Mello Moraes”. Outro ao ouvir me responde: “Não daria certo. Carnaval é pra ser feito nas ruas, se confinar num lugar fechado ele morre. Não sei porque, mas sempre que isso foi feito, ele fenece. Tem que deixar acontecer nas ruas”. Não tenho a resposta, nem a solução para o impasse, mas de algo existe a mais plena certeza, a proibição é a pior solução. Existe um público de aproximadamente 10 mil pessoas envolvidas e isso, por si só, denota entender dos motivos deles estarem nas ruas, procurando atender o clamor irradiado dessa concentração. A negociação precisa ser feita com os tais dirigentes do evento e se nada for conseguido, por que não a Prefeitura encampar para si o evento e dele auferir os lucros, não financeiros, mas de atendimento a reinvindicação popular? Sem acordo com a parte contrária, ela, a Prefeitura assumir a realização deste Carnaval, já mais do que consolidado, dando condições dele ocorrer sem os percalços atuais. Seria auspicioso para a cidade, para camada significativa dos jovens, dos comerciantes envolvidos, da cidade num todo. Bauru poderia se torna referência nessa festa de jovens no domingo de Carnaval, um dia praticamente morto na cidade dentro do evento carnavalesco. Todos ganhariam e o evento seria incluído no Calendário de Eventos Anuais.

O exemplo dos jovens ontem nas ruas é algo para ser não só registrado, mas entendido. Não ocorreram incidentes, mesmo eles sofrendo espécie de acompanhamento ao pé do ouvido da Polícia Militar, essa solicitada para ali estar e resolver a questão do que havia sido decretado em salas com ar refrigerado. Os jovens permaneceram no lugar, passaram pelas revistas, estiveram vigiados o tempo todo e só festaram, nada mais. Seria mais do que irracional parir da concentração ocorrida algo descambando para a violência. Tudo transcorreu dentro da normalidade, guardadas as devidas ressalvas, pois música, quando ocorreu, foi incipiente para atender a todos. Bauru e seus governantes vão ter que resolver esse imbróglio de uma vez por todas. Ou se dá uma conotação de autoritarismo, cara de quem resolve tudo na base da repressão ou se abre um diálogo desde já e para o próximo ano, a festa legalizada e bancada pela Prefeitura, essa verdadeiramente olhando para a cidade, sua gente e entendendo que essa parcela da população precisa ser olhada com outros olhos. A existência de pressão pelo lado mais conservador precisa ser vencida por ações ousadas, quando a população a ser atendida dará o respaldo e a resposta no momento exato.

O Pé de Cachaça é algo sem volta, esse Bloquinho é nossa maior manifestação de carnaval de rua, livre e espontânea, nasceu incipiente e hoje, precisa ser abraçado pela cidade. Os acertos para seu funcionamento são detalhes, todos eles podem ser resolvidos numa ampla mesa de negociação. Enfim, povo nas ruas é sempre salutar. Muitos abominam isso, medo mais que latente, mas é daí que nasce um Governo com olhos sensíveis, voltados para todos os segmentos de uma cidade. Falta isso nesse exato momento, mas ainda dá tempo de consertar. Basta querer...

sábado, 22 de fevereiro de 2020

O QUE FAZER EM BAURU E NAS REDONDEZAS (122)


DESFILE DO TOMATE 2020

Bloco farsesco, burlesco e algumas vezes carnavalesco, o BAURU SEM TOMATE É MIXTO, primeiro se concentrou na praça Rui Barbosa, depois desceu o Calçadão da Batista e, por fim, encerrou desfile na praça Machado de Mello, na tarde de ontem, sábado, 22/02/2020 com "Bauru - A Cannã das Capivaras". Nas fotos a crônica urbana pela lente deste intrépito e inépto fotográfo, HPA. São mais de duzentas fotos. Eis o link para ir vendo aos poucos: https://www.facebook.com/henrique.perazzideaquino/media_set?set=a.3266871556676164&type=3


CONSIDERAÇÕES CARNAVALESCAS
Cris e a alfaia deste HPA.
Sai neste sábado numa única Escola de Samba no Sambódromo bauruense, a Coroa Imperial e junto de Claudio Lago, Lu e Goreti Bernardes, além de um casal de Marília, que conheci na hora e que haviam saído na Dragões, depois tirei algumas poucas fotos de Ana Bia Andrade como baiana ao lado da professoras Paula, Design Unesp. Foi entristecedor e também com alegria que revi na avenida o casal que dirigia a Escola de Samba Azulão do Morro, do Jaraguá, envergando a camisa da agremiação, Cidinha Caleda e marido, depois a então carnavalesca do Azulão, Cristiane Ludgerio, ontem desfilando como rainha da bateria da Estação Primavera, do jardim Redentor e me agraciando com algo pelo qual jamais me esquecerei: ela e Adilio Nascimento, o presidente do bloco me pediram a alfaia do Mafuá (obra do capoeirista Alberto Lula Pereira) emprestada para o desfile e para minha surpresa ela embutida na mais linda coreografia da noite de ontem, quando um ritmista a carrega na última fila da bateria, sem nela bater, mas diante dos jurados, por quatro vezes na avenida, a bateria se vira para o público, a rainha sai do seu lugar e se posiciona com frente voltada para os jurados, o ritmista traz a alfaia a deposita no asfalto, a rainha vem sambando, a pendura num cordão no pescoço e produz algo pelo qual muito me emocionei. Cristiane aprendeu em poucos dias tocar o instrumento e arrasou. Gravei num vídeo e para mim, essa foi a grande cena da primeira noite do Carnaval. Ana Bia, sempre muito contida em julgamentos e avaliações com o sangue quente, me diz: "Foi o que de melhor vi na noite". Na cena, a amiga Cris e a alfaia mafuenta, ambas em destaque na avenida, para deleite deste que vos escreve entre lágrimas. Conheci e revi gente pelas quais só o Carnaval me possibilita e isso não possui preço. Eis o link da Cris na avenida: https://www.facebook.com/henrique.perazzideaquino/videos/3265768610119792/

ACORDANDO NO DOMINGO...
Qual seria a manchete mais adequada? Tomate deu no jornal ou Tomate deu pro jornal?

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

DICAS (193) e MÚSICA (183)


DECRETARAM O FIM DO "PÉ DE CACHAÇA", O MAIOR BLOCO DE RUA DE BAURU

Foi através de um decreto, triste e histórica canetada, mais do que evidente, debaixo de muita pressão. Eu aqui de longe imagino o que deve ter ocorrido nos bastidores até o prefeito assinar e decretar que o "Pé de Cachaça, o maior bloco de rua desta terra "sem limites" não possa mais sair. Tento compor aqui na memória a trajetória de como deve ter sido a cena pelos corredores do 3º andar do Palácio das Cerejeiras e a pressão para se chegar a esse desfecho. Alertei quando estive na SMC - Secretaria Municipal de Cultura para assinar documento agora obrigatório, que o principal motivo da regulamentação e obrigatoriedade de se fazer um fichamento dos blocos de rua era, em primeiro lugar, perseguir o Pé de Cachaça, mas na sequência algo mais viria. Por enquanto, neste ano só eles, mas para um futuro bem breve, algo mais e talvez, com um desGoverno pouco mais conservador, a proibição do Bauru Sem Tomate é MiXto. Nunca proibirão o "Agora ou Nunca", pois esse representa algo pelo qual "eles", o poder público, não ousam tocar sem se tosquear. Fico triste, imaginando para onde estamos caminhando e prevendo o que pode acontecer nas ruas desta cidade no próximo domingo, quando aquela massa humana, mais de 5 mil pessoas se dirigirem ao parque Vitória Régia em busca de festar no Carnaval. Faltou aqui um prefeito saber impor regras, saber cobrar, acompanhar, dialogar até a exaustão e não se deixar levar pelo lado conservador desta cidade, o que quer o fim de festas populares nos bairros, open bares, festas em repúblicas e agora o Carnaval, ou seja, baita medo possuem de muita gente nas ruas, pois isso pode acabar se transformando em algo incontrolável, talvez um princípio de revolução (imagine que delícia se isso viesse a acontecer). Algo eu tiro tiro disso tudo: os poderosos se borram de medo de povo nas ruas, seja pelo motivo que for. E pior, no caso bauruense, nem o nome do bloco foram capazes de citar no publicado, quando comunicaram a proibição, o fazendo por insinuação.

"TEM QUE SER SELADO, REGISTRADO, CARIMBADO, AVALIADO, ROTULADO SE QUISER VOAR!"

O Bloco do Tomate teve que seguir as regras e carimbar documento para poder desfilar no Calçadão da Batista, algo agora obrigatório. A amiga Karen Romano lembra que, isso coisa já prevista por RAUL SEIXAS em O CARIMBADOR MALUCO, tirado do LP do mesmo nome, selo Eldorado, 1983. São as tais exigências burocráticas desta vida... Enfim, é preciso de um carimbo dizendo sim, sim, sim, sim... Eis o link: https://www.youtube.com/watch?v=KV38MHX4ALw

A Letra: "5... 4... 3... 2 Parem! Esperem aí Onde é que vocês pensam que vão? Plunct Plact Zum Não vai a lugar nenhum!! Plunct Plact Zum Não vai a lugar nenhum!!/ Tem que ser selado, registrado, carimbado/ Avaliado, rotulado se quiser voar!/ Se quiser voar/ Pra Lua: a taxa é alta/ Pro Sol: identidade/ Mas já pro seu foguete viajar pelo universo/ É preciso meu carimbo dando o sim/ Sim, sim, sim/ O seu Plunct Plact Zum/Não vai a lugar nenhum!/ Plunct Plact Zum/ Não vai a lugar nenhum!/ Mas ora, vejam só, já estou gostando de vocês/ Aventura como essa eu nunca experimentei!/ O que eu queria mesmo era ir com vocês/ Mas já que eu não posso/ Boa viagem, até outra vez/ Agora O Plunct Plact Zum/ Pode partir sem problema algum/ Plunct Plact Zum/ Pode partir sem problema algum/ (Boa viagem, meninos Boa viagem)".

"DERRUBAR AS PRATELEIRAS, AS ESTÁTUAS, AS ESTANTES, AS VIDRAÇAS, LOUÇAS, LIVROS SIM"
No dia em que a Prefeitura Municipal de Bauru, através do prefeito Gazzetta cede à pressão do conservadorismo e decreta o fim do maior bloco carnavalesco de rua, o Pé de Cachaça, impossível não associar o ocorrido com algo previsto por CAETANO VELOSO bem lá atrás, quase início dos anos 70, ditadura militar nas ruas, com isso a ocorrer agora. A canção É PROIBIDO PROIBIR diz muito, isso tudo é um tanto profético nesse momento onde portas se fecham, enquanto outras são escancaradas para o que de pior temos, o conservadorismo ocupando espaços antes reservados para a livre circulação de pessoas e principalmente de ideias. Eu tenho essa música em vários LPs e CDs, mas escolho essa de um LP coletânea de muito sucesso décadas atrás, quando até a editora Abril, hoje esse excremento a céu aberto, publicava algo da boa música brasileira e vendia em bancas de jornais. Os tempos mudaram e muito, e para pior. Muito pior. Eis o link: https://www.youtube.com/watch?v=7hYxfP5q5og

A letra: "A mãe da virgem diz que não/ E o anúncio da televisão/ Estava escrito no portão/ E o maestro ergueu o dedo/ E além da porta/ Há o porteiro, sim/ E eu digo não/ E eu digo não ao não/ Eu digo/ É! Proibido proibir/ É proibido proibir/ É proibido proibir/ É proibido proibir/ Me dê um beijo, meu amor/ Eles estão nos esperando/ Os automóveis ardem em chamas/ Derrubar as prateleiras/ As estantes, as estátuas/ As vidraças, louças, livros, sim/ E eu digo sim/ E eu digo não ao não/ E eu digo/ É! Proibido proibir/ É proibido proibir/ É proibido proibir/ É proibido proibir/ É proibido proibir./ Caí no areal na hora adversa que Deus concede aos seus/ Para o intervalo em que esteja a alma imersa em sonhos/ Que são Deus/ Que importa o areal, a morte, a desventura, se com Deus/ Me guardei/ É o que me sonhei, que eterno dura/ É esse que regressarei/ Me dê um beijo meu amor/ Eles estão nos esperando/ Os automóveis ardem em chamas/ Derrubar as prateleiras/ As estátuas, as estantes/ As vidraças, louças, livros, sim/ E eu digo sim/ E eu digo não ao não/ E eu digo: É!/ Proibido proibir/ É proibido proibir/ É proibido proibir/ É proibido proibir/ É proibido proibir".

MEUS CAROS E CARAS - O TOMATE E A RESISTÊNCIA NECESSÁRIA
Dia 22/02, próximo sábado, às 12h o bloco Bauru Sem Tomate é Mixto desce o Calçadão e precisa muito contar com seu apoio e participação. Estamos vivenciando tempos ásperos, duros e onde grassa o medo, receio até em desfilar e marcar posição contra os desmandos em curso. A proposta do bloco sempre foi a de escancarar nossas mazelas, pagamos o preço e é sempre mais que bom que o desfile ocorra com ampla participação, demonstração evidente de força, união em torno da causa comum a nos unir. Estar juntos é primordial e desta forma, conclamamos por sua presença e divulgação. Venha para a rua neste sábado, se junte a nós, engrosse nossa voz e assim seremos cada vez mais fortes. Eu me uno ali, você aqui, nós todos juntos, gritando bem alto. Sem a sua presença, seremos um a menos e isso faz muita falta. Não deixe de vir. Estaremos a tua espera, com ou sem a camiseta do bloco, mas cheio de gás, não só por causa do Carnaval, mas pelos evidentes motivos pelos quais precisamos estar nas ruas e lutas, hoje, amanhã e sempre. Você vem? Venha como quiser, puder e lhe convier, mas venha...
HPA, pelos tomateiros de plantão

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020

DOCUMENTOS DO FUNDO DO BAÚ (140)


ESSO MACIEL, SEUS CÃES, LIXO, HOMOSSEXUALIDADE E VIZINHOS
Esso foi servidor municipal lotado no Gabinete de antigos prefeitos. Cumpriu sua missão, se aposentou e foi cuidar da sua vida. Sempre bonitão, nunca escondeu de ninguém sua homossexualidade e assim tocou sua vida, aberta e dentro dos limites estabelecidos por ele mesmo. Fez e aconteceu nessa cidade, sempre muito falado, porém respeitado, pois nunca misturou alhos com bugalhos. Morador da vila Falcão, rua Campos Salles, fez de sua casa o lar de cães desamparados e do bom trato com as plantas. No muro fronteiriço de sua casa um hera de grandes proporções toma conta de tudo e no portão de entrada, inscrições feitas por ele, artista plástico renomado, deixando bem claro ser ali a residência desse diferenciado cidadão. Vive praticamente isolado do mundo, num casulo só seu, um oásis só dele e assim tenta ir levando a vida adiante, sem interferir na vida de ninguém. A pessoa por ser diferente de todas as demais à sua volta já merece um olhar de esgueio, ele sabe disso, mas nem por causa disso pretende mudar algo. Só quer ser feliz ao seu modo e jeito. Ele só quer paz para cuidar de seus cães, cuidar de suas plantas, da saúde e continuar fazendo o que gosta, assistir bons filmes, ir à feira aos domingos, circular livremente pelas ruas do bairro onde sempre morou.

Nos últimos tempos isso tudo está um bocadinho mais complicado. Esso é acumulador e isso não vai mudar na cabeça de um senhor beirando os oitenta anos. Hoje tem em sua casa/quintal aproximadamente quarenta cães. Alguns ele pegou na rua, outros vieram de formas inusitadas e outros, os mais recentes são despejados do alto do muro para dentro de seu quintal. Seu salário, como tudo neste país, está retraído e mal dá para a sua alimentação, assim ele conta com ajuda de várias pessoas, dentre elas Tatiana Calmon Karnaval e outros. Seu problema hoje não são os cães, o amor de sua vida, mas a incompreensão de vizinhos e gente que mal o conhece, mas o julga. Impossível, por exemplo, seu lixo não exalar mau cheiro, pois ali resíduos dos seus animais, folhas, etc. Alguns vizinhos reclamam e ali na calçada, são jogados outras espécies de lixo, não provenientes de sua casa. Ele não quer discutir com ninguém, quer tocar sua vida, mas nem isso deixam. Brigam com ele, o impedem de continuar deixando o lixo em sua própria calçada, fazendo com que o deixe quase duzentos metros adiante. Diz ter sido agredido, ultrajado, ofendido e por fim com algo repugnante: "Viado tem mais é que morrer. Merecem mesmo umas balas".

Inconsolável não tem a quem recorrer. O faz comigo, liga e conta em detalhes seu padecer. Está com medo de sair às ruas, pois segundo me diz, "os caras do Bolsonaro se acham e de uns tempos para cá estão mais ousados, sem nenhum medo de não só ameaçar, como colocar o dedo na nossa cara". A intolerância viceja, como se sabe, por todos os lados, poros e maneiras e está se manifestando em lugares nunca dante imaginados. A paz do Esso para tocar o que lhe resta de vida e também de saúde está mais do que comprometida. Não pretende alterar seu ritmo de vida, pois se o fizer, me diz, estará se rendendo à bestialidade dos tempos atuais, algo pelo qual diz não ter feito em nenhum momento de sua vida. Eu aqui defendo gente como Esso Maciel, pois gosto dele e o respeito acima de tudo. Não posso me furtar em produzir esse doído relato e espalhar com o vento. Que isso chegue a outros sensíveis e possamos fazer algo contra esse espírito odiento querendo tomar conta de tudo e todos. O país necessita de mais e mais tolerância para com todos seus segmentos. Os desprotegidos, isolados e sem guarida são os que mais padecem, pois já são impedidos de fazer o que gostam. Que o grito desse artista ecoe por todos os lugares e alcance uma solução de compreensão entre os humanos, algo já em falta no Brasil dos desGoverno bolsonarista. Ele só precisa e quer PAZ, mas é exatamente isso o que menos se encontra nesse aturdido e descontrolado país, já percorrendo o caminho ladeira abaixo, destruição sob o comando dos piores que podíamos ter encontrado.

GANHADORES DO PRÊMIO DESATENÇÃO 2020, TEXTO DE ROQUE FERREIRA, A MAIS ALTA PREMIAÇÃO DO BLOCO BAURU SEM TOMATE É MIXTO
Este ano havia muitos concorrentes para receberem o Prêmio Desatenção. A disputa foi acirrada, mas os que cruzaram “disco de chegada” foram:
Desenhista GREIFO fez a ilustração a pedido do Tomate.

1º Colocado - O prefeito Clodoaldo Gazzetta. Durante 25 anos circulou por vários partidos políticos com o objetivo de se eleger prefeito da cidade de Bauru. Em 2016 filiado ao PSD (partido de direita) e numa aliança com PP, PTB, PSB, DEM, PROS, PC do B, PSC, PEN e REDE no primeiro turno, e com a adesão do PDT. PSB e MDB no segundo conseguiu realizar seu sonho e ser eleito prefeito de Bauru. Pela aliança partidária já era possível imaginar quais seriam as prioridades deste governo. De fato destravou a cidade para atender os interesses dos grupos econômicos que apoiaram sua candidatura (as forças vivas bauruenses que estavam distribuídas em todos estes partidos). Abriu as APAS para receberem parcelamento, ampliou o perímetro urbano para facilitara a vida de construtores e incorporadas, não reformou o Pronto Socorro, não reformou o PAI- Pronto Atendimento Infantil, continuou a usar uma planilha de reajuste do transporte urbano que favorece as empresas privadas, publicou decreto ilegal concedendo o uso do Recinto Melo de Morais para a ARCO por decreto o que é ilegal, não respeitou os servidores públicos. Incentivou a privatização de serviços públicos, não consegui garantir vagas nas Escolas de Ensino Infantil, e por último vai para o PSDB partido de Dória que apóia Bolsonaro. Gazzetta definitivamente traiu os setores populares e da juventude que “acreditaram no seu discurso e em suas promessas”. Sabia que não poderia realizar o que estava prometendo, mas no vale tudo para ganhar as eleições mentir é uma arte. Faz José ao primeiro lugar, como um dos piores prefeitos que a cidade já teve...por enquanto.

2º Colocado - O deputado federal Rodrigo Agostinho, em razão de ter votado a favor do Projeto de Lei de Bolsonaro, que reformou a previdência e retirou vários direitos das trabalhadoras e dos trabalhadores, além de praticamente impossibilitar a aposentadoria de milhões de brasileiros. Rodrigo Agostinho tem responsabilidade direta por tudo que estamos vendo nos meios de comunicação em relação à destruição da Previdência Social e aos segurados. Foi um dos que ajudou a construir a arma que esta ferindo de morte milhões de brasileiros. Como aprender o que não presta é fácil, depois de participar um crime de alta magnitude, parece aqui em bauru e outras cidades da região “com cheques propagandas” de verbas e emendas parlamentares liberadas por Bolsonaro para os deputados que votaram a favor da reforma. Oportunismo e populismo que desgraçadamente será pago pela maioria da classe trabalhadora e da juventude.

3º Colocado - Edison Gasparini Jr, ex- presidente da COHAB desde 2005 pego na Operação “João de Barro”, por desvio de recursos da COHAB, por realizar acordos com construtoras prejudiciais ao município. Em sua casa foram apreendidos no dia da operação R$ 1.607.000,00. Com o fim do sigilo imposto ao processo, foi possível verificar o crescimento do patrimônio da família. São 15 imóveis sendo alguns no Villaggio III, loteamento residencial de luxo em Bauru, em torno de oito veículos e empresas voltadas para o setor agropecuário. Foi articulador e conselheiro político dos prefeitos Rodrigo Agostinho e do atual.

O Prêmio será entregue, dia 22 às 11 horas na Praça Rui Barbosa - Bauru - Compareçam para saudar os homenageados!