terça-feira, 30 de agosto de 2016

INTERVENÇÕES DO SUPER-HERÓI BAURUENSE (95)


SE MEU VICE FALASSE...

Dilma Rousseff acreditou que seu vice do PMDB pudesse trilhar ao seu lado pelo caminho democrático e, dessa forma, Michel Temer foi escolhido duas vezes. Com a reviravolta conservadora e retrógrada patrocinada por Eduardo Cunha, o vice-presidente deixa claro de que lado está e trai a confiança nele depositada. Esse o enredo vivido hoje quando o país está na eminência da efetivação de um golpe de estado.

Diante desses fatos, Guardião, o super-herói bauruense (criação do artista do traço Leandro Gonçalez, com pitacos deste HPA) resolve investir no tema, diante de um fato ocorrido na campanha eleitoral à prefeito de Bauru. “Algo ocorreu e o sinal de alerta com os vices deve ser ligado e a sirene acionada. Um candidato, segundo a Entrelinhas do Jornal da Cidade, deixa de comparecer, mesmo tendo vontade, à Parada da Diversidade 2016, ocorrida no último domingo na Nações Unidas. A alegação para o não comparecimento foi: respeito ao seu vice, no caso, evangélico. Mais do que preocupante. Se deixa de comparecer, imaginem os senhores e senhoras como agirá diante de decisões onde seu vice evangélico não se sente à vontade. Sinal de retrocesso, desrespeito ao estado laico e vou mais além, será que com essa mentalidade teríamos Carnaval na cidade? Isso é só o começo”, comenta.
Nas suas elucubrações viaja para outra candidatura e observa que outro vice já foi dirigente do Esporte Clube Noroeste e, contrariando os interesses da torcida e de parte da comunidade, quer dispor do complexo do estádio e repassá-lo para a Prefeitura. Guardião segue na mesma linha “Como prefeito agiria? Cederia aos interesses do seu vice e nem discutiria com a comunidade? O fato mais do que explícito é que para compor as chapas nas eleições ocorrem as maiores barbaridades ideológicas, linhas de pensamento antagônicas, porém facilitadoras eleitorais. Pensem nos eleitores petistas indo atrás do vice que hoje apoia seu partido (sic), quando de uma ocupação de terras. Esse, tempos atrás foi quem reprimia essas ações e hoje, pasmem todos, é vice dos interesses dos petistas locais”.

Dilma se deu muito mal com sua escolha e outros seguem na mesma linha, daí Guardião conclui: “Rodrigo Agostinho, o atual prefeito, até tentou trabalhar ao lado de sua vice, mas é notório que nos oito anos de mandato não tirou sequer um dia de férias e o motivo mais do que evidente foi não deixar sua vice assumir sequer um dia. Dar as costas ao vice é outra alternativa”. Daí, inesperadamente Guardião alça voo e deixa todos a refletirem sobre isso dos vices e suas atuações nos mandatos, algo mais do que preocupante.

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

BEIRA DE ESTRADA (67)


A PARADA DA DIVERSIDADE 2016 EM BAURU – ESTIVE LÁ E CONTO ALGO A RESPEITO: CADÊ O POVO BAURUENSE?
Primeiro uma frase, essa dita por Adilson dos Reis, alguém que, segundo diz, passou por lá num mero acaso, junto das filhas pequenas: “Passando próximo das Nações Unidas sem saber desse evento, não tive muita dificuldade em explicar para minha filha sobre um casal de meninas se beijando, mas um homem de cueca e cinta liga foi bem mais difícil”.

Passadas nove Paradas da Diversidade, acreditava eu que, não mais teria que me defrontar com questiúnculas dessa natureza. Elas continuam e, pelo visto, terão prosseguimento ad eternum. Não quero mais entrar no mérito dessas questões. Muito já foi dito, escrito e está por aí para quem quiser consultar e tomar conhecimento, de amplo debate sobre esses probleminhas de forno, ou seja, questões menores dentro da amplitude de um estado de coisas muito maior. Perderia tempo em voltar a analisar um a um dos motivos de sair de cueca na rua, de se trocar um caloroso beijo entre barbudos em praça pública ou de meninas estarem andando pelas nossas calçadas de mãos dadas.

Minha intenção com esse curto escrito é ir além. Dar um passo adiante. Tive o prazer de estar no staf da 1ª Parada da Diversidade em Bauru, administração de Tuga Angerami e tendo como secretário de Cultura, meu amigo José Vinagre. A mais bela recordação que tenho daquela tarde de domingo é a de ver nas ruas ou nos seus entornos, boa parte da população. Não sei se movidas pela curiosidade, mas famílias inteiras estavam nas ruas, vendo e aplaudindo a passagem do cortejo. No entorno existia tanta gente quanto a desfilar. As fotos daquela época estão aí e não me deixam mentir.

Passados nove anos, vida que segue, estamos diante hoje da eminência do Senado da República oficializar um cruel e insano Golpe de Estado sobre nossas vidas e destituir uma presidenta legalmente eleita e sem ter cometido crime algum. Mera vingança de políticos que, reunidos a tiram do poder e em seu lugar oficializam o golpista Michel Temer. Com ele, evidentes sinais de muitos retrocessos no ar, não mais como balões de ensaio, mas como algo sendo institucionalizado pouco a pouco na vida nacional. Leis são revistas, legislação jogada na lata do lixo, país sendo dilapidado, privatização alcançando índices estratosféricos e, pior que tudo, uma massa verde-amarelo nas ruas batendo palmas para o que representou o regime militar, o endurecimento político e institucional e a reboque o conservadorismo, não mais botando as asinhas de fora, mas já impondo padrões. O estado laico está indo pras cucuias e conquistas do movimento LGBT que, ontem esteve nas ruas, tenham certeza, serão violentamente ultrajadas.

Querem um belo exemplo do que está por vir? Hoje na Entrelinhas do Jornal da Cidade, numa nota, está lá para quem quiser ler: o prefeitável Raul, médico que não trabalha por mixaria, disse textualmente que não apareceu por lá em respeito ao seu vice, Arildo, do PSDB e pelo fato dele ser evangélico. Para bom entendedor só isso já basta para ver como, se Raul chegando a ser prefeito, atuará em relação à essa questão, ao Carnaval, aos shows ainda bancados pela Prefeitura, aos encaminhamentos culturais, etc. Não os realizará em respeito ao seu vice. Um grande perigo nos espreita. Do slogan da Parada, “Eu Voto contra o Preconceito”, algo muito sério, primeiro porque não existe nenhuma liga entre ser contra o preconceito e votar em quem apoia o golpe. Impossível conciliação.

Para finalizar, reitero o que ontem ouvi de Cláudio Lago, militante da causa social e que, comigo desceu (junto também Tatiana Calmon e Luzia Aparecida Siscar) a avenida segurando uma faixa contra o golpe. Disse ele: “Henrique, cadê a população de Bauru na Parada? Não vejo quase ninguém, um ou outro gato pingado, mais ninguém. Esse movimento está restrito aos seus, nada mais. Nem os curiosos temos mais”. Desci olhando para os lados e tristemente constatei a veracidade do dito pelo amigo. Das duas uma, ou o interesse se esvaiu naturalmente ou nosso mundo está mesmo mais conservador, pois as bundas sempre estiveram expostas (hoje bem menos, vi poucas esse ano), assim como as cintas ligas? Deixo essa interrogação como necessária reflexão para tudo, todas e todos os envolvidos e os não envolvidos com a questão. Pensemos conjuntamente no assunto.

sábado, 27 de agosto de 2016

RETRATOS DE BAURU (191)


JOSÉ ALVES E SUA DUPLA JORNADA DE TRABALHO

O trabalhador brasileiro não foge da raia e faz das tripas coração para tentar manter um padrão de vida razoável dentro desse mundo onde vivemos. Desdobrar-se faz parte do enredo a que estamos submetidos. Uns mais, outros menos. Esse negócio de dupla jornada de trabalho, horas extras à exaustão ou mesmo dois ou até mais empregos não é um luxo, longe disso, e sim, necessidade. Quem não gostaria de exercer uma só atividade, ela lhe preencher todas as necessidades e usar o resto de seu tempo para lazer e outros quetais? Todos e todas. Mas nem sempre é assim. Conto aqui e agora uma história de um batalhador, pessoa muito conhecida no centro da cidade de Bauru.

JOSÉ ALVES ALMEIDA FILHO, o Jotinha, ou mesmo só José Alves, como é muito conhecido pelo centro da cidade é moto taxista desde que a atividade foi regulamentada na cidade. Na sua face as marcas do inclemente sol, depois de mais de uma década ali na lida. Morador do José Regino, casado, cinco filhos, três do segundo casamento, vive de extremos, um já completou 34 e dois de 4 anos de idade, esses gêmeos. Áureos tempos ele recorda dos tempos quando trabalhou no Lauro de Souza Lima, depois foi ser bancário, no Bradesco, de 1982 a 1987 e, por fim, também atuou nas hostes da Polícia Militar, por curtos três anos, 1987 a 1990. De lá, ingressou como agente em uma de nossas tantas penitenciárias, já completando 22 anos de serviço público. Paralelo a isso, sempre teve atividades nas ruas, primeiro quando entregou jornais, a Folha de SP para a Nova Mídia. Sempre de moto, fez cobranças, vendeu pequenas máquinas e descobriu-se como moto taxista. Primeiro num ponto na Rio Branco com a Primeiro de Agosto, onde deitou fama pela forma atenciosa com que trata sempre a todos e hoje, ainda na rua Primeiro, mas na esquina com a Gustavo Maciel. Voltando de um acidente de moto que o tirou das ruas por exatos 120 dias, de abril a agosto desse ano, sua perna o impede de dar aquelas corridinhas atrás de alguma pelota, mas não de recomeçar e fazer algo do qual não se vê mais como se distanciar, as ruas de Bauru. Quem circula pelo centro da cidade dificilmente não conhece José Alves, sujeito pra lá de boa praça, conversa agradável e fonte de informações, afinal conhece todos os cantos bauruenses.

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

FRASES DE UM LIVRO LIDO (106)



QUERO CRER QUE O DITO NESSE VÍDEO POSSA SER VERDADE:

https://www.facebook.com/henrique.perazzideaquino/posts/1387055681324437?pnref=story
Existe alguma possibilidade da Direção do PT intervir na coligação feita pelo provisório Diretório Municipal de Bauru com um declarado e explícito partido apoiador do golpe, o PRB?
O aqui declarante demonstra que SIM.
Veremos se o dito aqui corresponde à verdade ou é mais uma falácia, dentre tantas que tenho ouvido e presenciado nos últimos tempos.
Aguardando ansioso pela necessária oxigenação dentro desse outrora partido de luta. Ainda é tempo para sonhar com algo novo e transformador ou isso é coisa do passado?
HPA - de pavio meio curto nessa sexta-feira

EXPOSIÇÃO DO ARTISTA JULIO FURTADO

É só até hoje lá Casa Ponce Paz. Um trabalho grandioso onde o artista mostra através do traço e pintura como entende isso dos grandes centros urbanos, essas construções umas ao lado das outras, sem muito espaço para nós, o povo. "A CIDADE DOS MEUS OLHOS" é algo merecedor de mais do que uma rápida passada. Merece ser curtida em todos seus detalhes. Fui ontem à noite, vi e me encantei, principalmente com os dois murais. Vai ser muito triste vê-los apagados. Tirei fotos minhas tendo os dois ao fundo e queria muito um aqui na área do mafuá, eternizando para sempre a belezura do que percebi sendo feito. Viva Júlio e sua verve criativa...
Corra, pois a exposição se encerra hoje. Clamemos todos para o Paulinho Sá Barreto estender tudo por mais alguns dias.





BAURU - CIDADE SEM LIMITES
Eram quase 21h e me lembrei que na noite de ontem ocorria o lançamento de mais um livro da amiga e historiadora Márcia Regina Nava Sobreira, desta feita em conjunto com outra historiadora, a paulistana radicada em Bauru, Sandra de Cássio Ribeiro. Ambas hoje professoras da rede estadual de ensino. O tema é essa nossa aldeia bauruense, com o título BAURU - UMA CIDADE SEM LIMITES, editado pela competente Canal 6 editora. Corri e deu tempo, fui o último a comprar o danado. O último gole de vinho foi também meu. O tema me instiga a ler de uma só sentada, pois penso em utilizá-lo em algo no meu mestrado. Elas abordam a História e a Geografia de Bauru para adolescentes e com um "entendimento das causas e consequências dos fatos nos diferentes tempos". Sim, elas abodam o passado e os jogam no presente. Serve não só para adolescentes, estudantes, mas para principiantes nessas coisas de Bauru. Reencontro o marido de Márcia, Hamilton, um advogado das pequenas causas, batalhador incansável, criador de uma ONG, a SOS CERRADO, que ajudei a criar e depois, por absoluta falta de tempo, deixei de frequentar. Colocamos um pouco das conversas em dia. Revi minha grata amiga Neli Maria Fonseca Viotto, por quem tenho grande apreço e admiração. E saio de lá com o livro debaixo do braço, lendo trechos em cada parada do carro nas sinaleiras da vida, saboreando cada detalhe. Cheguei tarde, mas cheguei...

GENTE QUE RESPEITO NO SENADO

https://www.facebook.com/VanessaGrazziotin/videos/1017326045031570/?pnref=story
Senadora Vanessa Grazziotin, de um PC do B que existe em Brasília, mas não nos grotões, como esse onde moro. Lá em Brasília, ela luta contra o impedimento de Dilma e aqui e alhures, os ditos comunistas se fundem, aliam e fazem troca-troca com golpistas. Assim fica difícil, mas por sorte ainda temos algumas Grazziotin's espalhadas pela aí. HPA

A FARSA MONTADA NO SENADO TEM INÍCIO...
Eles estão todos lá e por alguns dias dominarão o cenário nacional, com suas carapuças expostas e sua verborragia difundida via rede nacional, tudo para referendar o que foi estabelecido pelos tais Donos do Poder local, ou seja, a presidenta que nada fez, terá que ser afastada pela turma que tudo fez. E assim, esse varonil país atinge o seu estágio mais salafra, alto do pico do pilantrismo e aceito por todos. Se os malefícios grudados eapregoados ao PT em período recente servissem de exemplo, hoje deveríamos estar nas ruas e levantando não só a voz, mas se digladiando contra tudo o que esses golpistas de plantão estão impingindo ao país: um retrocesso sem precedentes em nossa História. O Brasil construído e com conquistas duramente sendo implementadas está ruindo e no seu lugar um verdadeiro retrocesso que, nos levará para mais um longo período de pura Idade Média. Nem sei se terei o prazer de ver o país vicejar novamente e daí me pedem para se aliar a alguns ditos golpistas, pois se não o fizer corremos o risco de perder tudo mais rapidamente. Se aliando a esses, se não perdermos já, perderemos logo mais na curva da esquina, pois será inexorável isso. Já está mais do que comprovado. Você se alia a algum deles hoje, tudo bem, seu tempo de vida aumenta, uma sobrevida curta, porém, eles te passarão a perna e te descartarão lá na frente. Cansei disso tudo e o que me resta nesse momento é levantar a voz e dizer em alto e bom som: FORA GOLPISTAS! e FORA TEMER! Se tínhamos imensos problemas com Dilma no poder, com Temer eles foram multiplicados e ampliados numa proporção sem tamanho e ainda sem mensuração possível. Não estou engajado em nenhum outra campanha que não a do resto de esperança pelo retorno de Dilma ao poder. Esqueçam de mim para outras coisas. E se perdermos essa batalha, diria mesmo, guerra, como nem sei o que vai ser de nossas vidas daqui por diante, não permanecerei um só dia sequer sem denunciar as mazelas e o desmantelamento desse país como nação independente e soberana, ou até quando isso ainda for permitido. nem isso sabemos ao certo se poderá continuar sendo feito livremente. Abomino isso tudo sendo engendrado pelo Senado da República, com apoio incondicional do STF, que no comando da ação está referendando e dando suporte para que a bestialidade se oficialize e se institucionalize. É como me vejo diante dos próximos acontecimentos. Desejo sorte a tudo, todas e todos, pois luta mesmo, vejo que não ocorrerá e assistiremos tudo sentadinhos em nossas poltronas.
HPA - sexta mais que trágica

O PRIMEIRO A RIR DAS ÚLTIMAS (28)


QUERO ESCREVER DE UM CARA: EDUARDO FRANCISCO, FALECIDO ANTEONTEM

EDUARDO FRANCISCO não é uma pessoa de meias palavras. Funcionário público graduado atuou mais incisivamente num cargo de maior visibilidade na administração do ex-prefeito Nilson Costa. O tempo ali passado lhe dava até hoje tremendas dores de cabeça, pois já havia até sido condenado pela Justiça, supostas irregularidades na aquisição de produtos, como feijão e vinha protelando desde certo tempo a consumação do motivador dos seus tormentos. Tinha uma longa explicação para o ocorrido, cheio de maus entendidos. Vivia entre a cruz e a espada, mas não entregava os pontos. Grandalhão, muito inteligente, leitor desses de devorar tudo o que encontra pela frente, estava sempre muito antenado com os últimos acontecimentos. Um gigante no tamanho, bravo, bom de briga e desses que não fugia do pau. Enfrentava todos seus algozes de peito aberto.

Isso o marcou profundamente no fim da vida, calou fundo. Nem por isso fugia das ruas. Da última vez que o vi, na loja de rações do amigo em comum, o Lúcio, ali na Baixada do Silvino (ótimo ponto de encontro), como não privo de sua amizade, fiquei na minha, quieto. Ele se aproximou e puxou conversa. Somos amigos internéticos. Citou alguns de meus textos já lidos por ele e disse produzirmos a luta de forma errada, essa contra o impedimento de Dilma e o massacre de Lula. Faz uma citação de um amigo em comum, Silvio Selva e falando sério, diante desse aumento expressivo do tacanho conservadorismo, os tais verde-amarelos que ainda pululavam nas ruas (hoje não mais): “Silvão age errado se propondo a rachar a cabeça com um taco de beisebol, sempre na bolsa, de quem vier lhe encher o saco nas ruas. Vai pegar um só, muito pouco para o que precisa ser feito. Ele precisaria conhecer a técnica das tachinhas e pregos numa bomba que faria um serviço amplo, geral e muito mais ampliado”. Rimos e depois contei a história para o Silvio. Mais risos.

Nesse mesmo dia lá na loja do Lúcio, ele me pede para acompanha-lo até seu carro e ao abrir o porta-malas, vejo por ali muitos livros. Pede para escolher três. Tinha títulos para todos os gostos. Demorei, mas o fiz. Quando terminei, pega outro e diz que esse era para levar pro Silvio Selva, seu velho colega de trabalho na Prefeitura, alguém que admirava à distância. Era sobre iluminação teatral. “Vai ser muito mais útil nas mãos dele, pois ele agora pegou gosto por isso lá no teatro. Os seus também, cansei de guardar livros”, disse. Dias depois encontro o Silvio e entrego o mimo. Não me lembro de sua resposta, mas daquele largo sorriso aberto quando revelo o autor do presente.

Ainda daquele dia, ele me faz saber que estudou junto de minha irmã, Helena, lá no Moraes Pacheco. Conta coisas de sua época de juventude e de como foi pegando gosto pela leitura e pelos pensadores mais à esquerda. Não era dia para eu falar nada, pois ele, pelo visto queria desabafar, falar, botar algo para fora. Falou pelos cotovelos e eu que, havia ido na pressa buscar ração para o cão e acreditando voltaria no máximo nuns quinze minutos para o mafuá, fiquei lá bem quase umas duas horas. Lúcio queria fechar a loja, era um sábado, próximo horário almoço e nós ali, ainda consumindo suas cervejas. Ele num certo momento me disse que muitos cortavam volta dele, mas ele não estava mais nem aí com isso, pois tinha a consciência tranquila. Descreveu como era seu trabalho nos tempos da Prefeitura, o que fazia e o que não fazia. Por fim, não sei se ele queria que eu escrevesse algo sobre aquilo tudo, algo que não o fiz e nem o farei, mas deixou claro manter consigo uma pá de documentos, muitos não considerados pela Justiça quando de seu julgamento. Sua mágoa residia também no fato de estar afastado do trabalho. Acho que continuava recebendo o soldo, mas não podia exercer suas funções. Queria continuar sendo útil e não conseguia.

Enfim, ontem ao tomar conhecimento de sua morte, pelo mesmo motivo a levar quase todos à nossa volta (nossa hora está chegando), um enfarte, desses sempre agravados pelos tantos problemas acumulados dentro do corpo humano, tensões e distensões, acredito não ter entendido o recado dado por ele a mim quando daquele encontro. Ele queria prosear mais, botar mais coisas para fora e depois, uma pena, não nos vimos mais. O corpo humano resiste cada vez menos a essas tensões dantescas a que somos submetidos e deixamos de existir assim num “pluft”. Melhor assim, Eduardão já sofria em silêncio com muita coisa e não suportaria permanecer confinado em camas pela aí. Sua história devia ter um algo mais ainda não conhecido naquilo tudo onde esteve envolvido e se agora ele se foi, acho mais pertinente tudo ir-se com ele e não revirar mais nada.

O que fica do grandão são alguns dos seus últimos posts lá no seu facebook. Por ali já dá para ter uma noção de quem era e como agia. Se tinha que te falar algo, não perdia a oportunidade e tascava na cara logo no primeiro encontro, pois não tinha mais nada a perder. Tinha feito uma bela caminhada e depois, quando obrigado a retroceder, perdeu muito da paciência e, mesmo brincalhão e jocoso, o pavio curto era também outra forte característica. Não o julgo por tudo aquilo onde se meteu e nem tenho esse direito. Quero mais é continuar me lembrando daquele gigante cheio de uma ótima conversa, bate papo para mais de metro e no frigir dos ovos, empreendendo a boa luta contra esse grande mal nos comendo pouco a pouco, dilacerando nosso ímpeto de lutar e até de viver. Naquele dia ainda me disse no meio da conversa que o “mundo está só piorando, cada vez mais. Cada um que pode lutar se unindo acabam brigando, ocorre o contrário, com um distanciamento crescente uns dos outros”. Isso mesmo, Eduardo sacou isso. A direita unida e se fortalecendo e a dita esquerda cada vez brigando entre si e se fragilizando. Esse é mais um onde a conversa fluía de forma gostosa numa mesa qualquer e com sua ida, um a menos para encaraminholar nossas mentes com provocações tão necessárias.
PS Final: Essa tira do Miguel Rep publicada ontem no diário argentino Página 12 é bem a cara da luta empreendida por, ainda uma pá de gente. Insiro Eduardo nesse rol, ao seu modo e jeito.

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

CENA BAURUENSE (151)


UM INCÊNDIO, FAMÍLIA DESABRIGADA, FOTOS E A HISTÓRIA DO CARROCEIRO...

Um relato de algo vivenciado por mim no dia de ontem. Primeiro vi uma postagem no facebook de um baita fotógrafo, Alex Mita e diante do que vi escrevo e publico isso:

FOTOS PARA DILACERAR A GENTE POR DENTRO...

Nessa sequência de fotos do profissional do Jornal da Cidade, Alex Mita, algo dessas coisas que nos fazem lacrimejar os olhos. A dor humana do semelhante quando estampada de uma forma nua e crua, num registro como se fosse um cenário de guerra, deixa bem evidente como somos pequenos diante de algumas adversidades que nos transformam a vida toda de um momento para outro. Um incêndio na morada desse senhor e como resultado a perda de tudo o que tinha como seu porto seguro, o canto onde todos precisam se escorar, recarregar energias. Na matéria do JC uma hipótese, a de que o incêndio possa ter ocorrido por causa de maritacas terem roído os fios do forro da antiga casa e provocado um curto circuito.
Leiam mais clicando a seguir: http://www.jcnet.com.br/…/maritaca-pode-ter-gerado-incendio…. Isso pouco importa, pois ele agora não tem mais nada. Quando algo assim, uma situação dessa envergadura cai nas mãos de um baita profissional, ele torna o fato ainda mais doloroso, pois ressalta todos os detalhes nas imagens. Se o trabalho do chipriota Alex, ainda radicado em Bauru é excelente, também a dor de quem o observa nos mínimos detalhes. São flashes feitos para chorar, dura realidade sendo retratada em todos os seus ângulos.

ESTIVE LÁ E POSTEI ISSO: Ele e sua família já recebeu um provisório abrigo, adivinhem de quem? Um grupo espírita. O dono do imóvel (agora quase só terreno) quer a devolução quase imediata do que sobrou e quem o amparou de imediato, sem nenhum tipo de divulgação foi o Lar Chico Xavier, aqui perto do mafuá, junto ao CIPs, Provisoriamente estão recebendo doações no local, rua Maria Rosa 2-62 Jd Noroeste (vila Independência), próximo a escola Henrique Bertolucci. Contato através da neta Daniela 998563731.

HORAS DEPOIS FUI ALERTADO POR ISSO: Fátima Schroeder me escreveu: “Henrique, este senhor é carroceiro e foi acusado de ter cometido crime de maus tratos em relação ao seu cavalo (em julho de 2.014) e em setembro de 2.015, também acusado de ter matado seu cachorro a chutes!!!!!!!. Veja meu post: https://www.facebook.com/fatima.schroeder.96/posts/1034084500021127?pnref=story”.

COMENTEI DESSA FORMA: Verdade? Nossa. Veja como são as coisas. Não aceito que o ocorrido agora tenha vindo como punição. Longe disso, foi uma fatalidade. Mas serve sempre também como lição, para ver como em ações humanitárias, a vida pode transcorrer mais amena, singela e boa. Ele vai refletir sobre tudo isso diante de sua horrorosa tragédia atual. Eu e tantos outros que lá estivemos para prestar-lhe ajuda não pensamos no passado (enfim, não o conhecíamos), mas no presente. Tudo serve de reflexão...

LUCIANA FRANZOLIN, ESPOSA DO ALEX, TAMBÉM FOTÓGRAFA, COMENTA ISSO: “Diante dos fatos levantados pela Fátima Schroeder, ontem também fiquei a pensar sobre a responsabilidade do fotojornalista e sobre como fotografias são um poderosíssimo meio de comunicação. As fotos de Alex Mita registram sem julgamento prévio. Sem filtros imagéticos ou ideológicos. Uma qualidade rara no jornalismo hoje em dia. Também não aceito que a fatalidade seja interpretada como punição e não aceito maus tratos com animais. Não vamos esquecer que uma família inteira, incluindo a criança que ele abraça, vivia na casa.”.

TENTO ENCERRAR A QUESTÃO COM ISSO: Exato e o que fiz está feito, fiz a minha parte. E credito que foi ótimo que a tenha feito antes de tomar conhecimento desse outro lado, pois o fiz de todo coração. Vida que segue...

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

COMENDO PELAS BEIRADAS (24)


EU FAÇO A DIFERENÇA – O DIA SEGUINTE, CONSIDERAÇÕES DE QUEM ESTEVE LÁ

Então, como havia dito, fui um dos agraciados com o troféu EU FAÇO A DIFERENÇA, premiação anual da Associação Bauru pela Diversidade, abrindo a Semana da Diversidade de Bauru, cujo tema esse ano é EU VOTO CONTRA O PRECONCEITO. Recebi o troféu junto com mais sete personalidades e duas entidades, todas com algo nesse quesito, o da luta contra a discriminação. Nem tinha ideia de como deveria me trajar num dia como esse, mas ao abrir meu guarda-roupas dou de cara com uma camiseta do Che Guevara e uma alpargata argentina com as cores do arco íris. Seguir com elas nesse exato momento do país é também algo contra todas os preconceitos e discriminações do mundo atual.

Relembro aqui dois textos. No primeiro, meu perfil, lido pela Celinha, assessora parlamentar do vereador Markinhos da Diversidade, um dos idealizadores da Semana e da Premiação:


Tem 56 anos, nasceu em Bauru, na vila Falcão e cresceu na região da Baixada do Silvino, onde reside até hoje. Viveu boa parte de sua vida ouvindo o barulho dos trens, com pai e avô ferroviários, por pouco não seguiu o mesmo caminho. Foi aprendiz de cinteiro aos 13 anos, cursou a Escolinha da Rede, trabalhou na antiga Fundação Educacional de Bauru e por mais de uma década na Bradescor, corretora de seguros do famoso banco, quando morou em Bariri, Marília e Jaú. Estudou nas escolas públicas, Madureira e Christino Cabral, cursou História na USC, quando se interessou pela militância social, incentivado por colegas, a maioria amigos até hoje. Educado com a influência do semanário O Pasquim, nunca mais abandonou a leitura diária de jornais e revistas. Lecionou pouco, seguindo um ditame do jornalista Mino Carta: "criador de caso, criou seu próprio emprego". De dono de restaurante foi ser caixeiro viajante com a HPA Chancelas, conhecendo boa parte do país. De 2005 a 2008 exerceu seu único emprego público, o de Diretor de Proteção ao Patrimônio Cultural na Secretaria Municipal de Cultura de Bauru, acumulando a presidência do CODEPAC – Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural e do Conselho Deliberativo do Museu Ferroviário Regional de Bauru, o primeiro por oito anos. Afirma que escreve desde que se conhece por gente, tendo textos seus publicados em todos os jornais e revistas de Bauru, além de publicações como a revista Carta Capital. Manteve coluna no jornal Bom Dia, a Formador de Opinião, de 2008 até a última edição desse jornal na cidade. Mantém desde 2007, com publicações diárias, o blog Mafuá do HPA, onde publica sua necessidade de escrever. Tem como companheira a professora Ana Bia Pereira de Andrade e tem um único filho, Henrique Aquino. Milita na Esquerda, e aos 56 anos cursa Mestrado em Comunicação na UNESP Bauru. Como ele diz”, cabelo e barba brancos, contorna como pode a diabetes, a calvície, o volume da barriga, o pouco saldo bancário e algo que muito o incomoda, o aumento do preconceito e da discriminação nos tempos atuais”.


Quando chega o momento de falar (me deixaram por último), recebo das mãos do amigo, advogado Gilberto Truijo o Troféu APOIADOR DA DIVERSIDADE. Todos os agraciados fazem uso da palavra. Faço uma breve referência de como é saboroso ser lembrado por algo feito, sem que você ao menos imagine receber tal láurea. Deixo para o final da fala um sonoro PRIMEIRAMENTE, FORA TEMER, recebido sob os apupos dos presentes. Minha fala está registrada nessa foto, uma colinha que saco do bolso e leio aos presentes. Depois de encerrado o ato, fui me lembrar de algo que, deveria ter sido mencionado: Neste ano a 9ª Parada da Diversidade (próximo domingo) e tudo começou no Governo Tuga Angerami no ano de 2008, com Zé Vinagre como Secretário de Cultural, Sivaldo Camargo como Diretor de Ação Cultural e eu como Diretor Defesa do Patrimônio Cultural e o hoje prefeito Rodrigo Agostinho, como vereador e incentivador. Passou batido lá, não aqui.

Dentre os dez, o que mais me emocionou foi o Troféu entregue para o servidor municipal, Nelson Xavier da Silva, na categoria AMIGO DA DIVERSIDADE. Uma pessoa muito simples e dentro dessa sua simplicidade, ao pegar o microfone nas mãos, acabou se estendendo numa infinidade de agradecimentos, muitos desses pelas oportunidades que teve ao longo de sua vida e por estar atuando no serviço público. Emocionante. Ele, é motorista da SEBES – A Secretaria do Bem Estar Social e circula pelos pontos de atendimento social, levando e buscando funcionários e também tendo contato direto com todos os grandes problemas do setor, principalmente nas ruas, nos locais onde se encontram. Diante de professores, doutores, jornalistas, engravatados, diplomados, nada como alguém saído do meio mais simples para emocionar os presentes. Ponto alto da noite.

Por fim, algo mais no após a premiação. Estavam a planejar uma festa surpresa no Mafuá. Foi impossível manter em segredo algo assim no lugar onde moro, pois a movimentação foi intensa. Na Câmara, uma legião de amigos e amigas lá estiveram e formaram o maior grupo de pessoas próximas a algum homenageado. Isso para mim, demonstra, principalmente algo muito bom, o fato de não caminhar sozinho nas coisas que faço. Contar com esse respaldo, além de ser gratificante é de uma baita responsabilidade. Depois, ao sair dali e chegar em casa, por volta das 22h20, a casa cheia, mais de cinquenta pessoas, com música ao vivo e tudo compartilhado. Cada um dos presentes trouxe bebida e uma carne. As festas a envolver meu nome, todas elas possuem esse “descaramento”. Não pago sozinho as despesas e nem teria condições para tanto. Esse agir coletivo, com cada um também desempenhando uma função, alguns na churrasqueira, outros na retaguarda da cozinha, bastidores para tudo e esse que vos escreve como uma barata tonta no meio de tudo, todas e todos. Diante de tanta gente, tantos abraços, tanto calor humano, mesmo com o baita frio de ontem a noite, confesso, não senti um pingo de frio e nem poderia, pois estive ocupado a todo instante.

Já de minha efetiva participação e merecimento pela premiação, só posso dizer algo: tudo ocorreu por causa dos meus escritos. Devo tudo a eles. Se notaram algo de bom e salutar no que escrevo, a ponto de merecer ser lembrado, sinal de que devo seguir em frente. É o que farei...


Eis o vídeo gravado por Ana Bia e aqui postado do momento de minha fala: https://www.facebook.com/ana.b.andrade/videos/vb.591353817/10154378227053818/?type=2&theater