segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

CENA BAURUENSE (155)


LEVEI O MAIOR SUSTO HOJE NA CÂMARA...

Comecei a suar frio, pois de uma hora para outra começaram a chegar no recinto um monte de gente engalanada com muitas divisas, um fardamento muito do esquisito, todo colorido e cheio de condecorações variadas e múltiplas. Cheguei a pensar serem escoteiros, mas esse os achei mais coloridos. Entraram em bloco e ocuparam todos os espaços vazios. Não tinha mais para onde ir, pois me rodearam e já estava a ponto de pular pela janela, quando tomei coragem e me dirigi a uma distinta senhora, com medalhas de cima embaixo (já a estava comparando com algum general) e perguntei: "De que se trata? O que vem a ser isso?" Foi quando o presidente da Câmara os anunciou, são da Assembléia de Deus de Não sei Onde e assim se vestem, segundo ela, para incentivar a garotada a fazer a coisa bem feita na vida. Vivem buscando doações para entidades assistidas pela igreja e hoje estavam na Câmara para que os jovens tomassem conhecimento de como se dá o trabalhos dos vereadores. Tinham a visita como uma tarefa e no dia seguinte seriam submetidos a uma prova, onde demonstrariam o conhecimento adquirido. Ela, muito simpática, tentou falar mais, mas foi contida pela fala vinda lá da frente da Câmara que os saudavam. Voltei a sentar, limpei o suor da testa (aliás encharquei o surrado paninho), pois estava prestes a acreditar estar diante de alguma milícia e ao saber do que de fato se sucedia, acalmado pelas circunstâncias, fiquei a olhar e querendo entender o significado de cada uma daquelas medalhas pregadas na faixa da distinta senhora. Tinha uma representando um computador, outra uma folhagem esquisita e tudo o mais. E ela sorria para mim e eu tentava retribuir. Ainda bem, vieram em missão de paz. Já pensaram esses todos vindo para cima de nós e propondo a revolução? Estava em minoria e seria trucidado. São de paz. Ufa!

domingo, 4 de dezembro de 2016

UM LUGAR POR AÍ (89)


RESISTINDO A AVACALHAÇÃO DO BRASIL - TUDO COMEÇA NA FEIRA...
Enquanto na Getúlio Vargas os "sem noção" faziam um protesto que nem eles entendiam direito, pois inicialmente eram a favor do Temer e hoje, se amarelam todos e voltam pras ruas gritando o que gritávamos tempos atrás, um "Fora Temer!' travado, bestializado por interesses vis e a demonstrar apoiarem algo muito pior do que somente a saída do golpista, mas uma eleição indireta vindo aí. São os mesmo que apoiam desbragadamente o juiz Sergio Moro e todos seus privilégios, até mesmo o alto salário dele e dos seus, querendo se institucionalizar acima de tudo e de todos. Esses amarelinhos de plantão estavam sempre prontos para criticarem o Bolsa Família, o Minha Casa Minha Vida, o FIES e tudo o mais que pudesse beneficiar pobres e hoje, se calam, ou melhor, aplaudem tudo, até mesmo um juiz ganhar aproximadamente R$ 100 mil reais e ainda ter uma auxílio moradia, pois esse valor não é plenamente suficiente. Escancarados nessa atitudes contraditórias, ainda pedem para que participemos todos, formando uma grande união nacional. Devem pensar que somos bestas e que não sabemos o lado onde estão metidos até o pescoço.

Diante disso tudo ocorrendo lá pelos lados da Zona Sul da cidade, um grupo resolveu mostrar a cara na feira dominical. Uma formação também homogênea, porém consciente, lúcida do que quer e como quer. Todos ali são absolutamente contra o (des)Governo do golpista Temer, mas não querem sua saída e no lugar uma eleição indireta, sendo ali colocado alguém do PSDB ou mesmo do STF. As opções são claras: Ou Volta Dilma ou Eleições livres com todos podendo concorrer e Já. O lado de lá se borra de eleições gerais, pois seus candidatos são pífios e eles sabem disso, daí apostam em esmerdalhar tudo, colocando alguém lá respaldado pelo Congresso, Senado, STF e Judiciário de uma forma geral, com amplo apoio de uma mídia ao lado do que de pior temos.

Sentar na feira e ir vendo a banda passar, o povo numa manhã lusco fusco, eles todos ali, bem longe do que acontece na Getúlio é pra lá de conspiratório. Assunto não falta na mesa formada ali no Bar da Feira, um democrático espaço criado pelo Barba, o sanfoneiro dono do lugar, que democraticamente cede um lugar à sombra e domingo após domingo, ali se reúne um grupo de pessoas palatáveis, propositores da boa e necessária discussão, sem o arrivismo bestial do entreguismo sendo definido nos gabinetes atuais. Podem rir e dizer que somos poucos, que não dá nem para sacudir a poeira, mas de uma coisa tenham todos que pensam isso a certeza: ninguém ganha de nenhum de nós na boa discussão, pois os argumentos ali levantados são consistentes. Ninguém ali é entreguista, golpista e muito menos facilitador ou favorecedor de negociatas de grupelhos no poder. A conversa flui, o chopp idem, o tomate bem vermelho é comprado ali na banca do lado, servido com azeite (cedido pelo Barba) e as coxinhas, quando oferecidas (só tinham nove), foram todas galhardamente consumidas entre risadas e sarcasmo.

É assim que esse povo resiste, na cancha de luta, no exato lugar da maior concentração popular hoje de Bauru, a sua feira dominical e ali junto de outro belo espaço democrático dessa cidade, a Feira do Rolo. As horas foram passando, as conversam foram diluídas junto ao chopp gelado e todos e todas saíram dali recarregados, prontos para os próximos embates, os próximos confrontos com os bestiais sempre de plantão por esse mundo afora. Nada melhor do esses reencontros, para juntos irmos propondo ais e mais estarmos colados uns nos outros. Mesas como essa precisam ser incentivadas, exaltadas ao vento e com elas, que mais e mais pessoas saiam de suas tocas e venham conversar entre si, promover a boa conversa, sem aquelas baboseiras muito habituais hoje nas redes sociais. Se você acabou não vindo nesse domingo, vai contando nos dedos e compareça no próximo, no mesmo lugar e horário. Bauru precisa resistir à bestificação proposta por uns e não encampada por todos. Os resistentes dão seu jeito de colocarem o bloco na rua, como hoje na feira. Foi bom demais.

sábado, 3 de dezembro de 2016

CHARGE ESCOLHIDA A DEDO (115)


PORQUE EU NÃO VOU À MANIFESTAÇÃO DE AMANHÃ, DIA 4, DOMINGO, NAS RUAS CONTRA TEMER – TRATA-SE DO GOLPE NO GOLPE


Primeiro posto três fortes argumentos, todos de gente amiga e com a mesma linha de pensamento que a minha:

1 - “Alguém tentou num post dizer/se justificar que devemos ir à passeata do dia 4, que não podemos nos dividir, que temos de nos unir... Mas a divisão É a tônica. Os incautos estão DE NOVO sendo vítimas de sua ânsia por um país melhor... só que melhor pra quem, cara pálida? Se unir a quem já incitou e foi massa de manobra de um golpe para tentar OUTRO golpe (que já está programado!)? Então que marchassem com objetivo claro, pelas DIRETAS JÁ, pelas DIRETAS AGORA! Mas não, querem apoio pra sacar fora o não-presidente-golpista para eleger indiretamente em 2017 um Aécio? Um FHC. JAMAIS! Jamais me misturarei a essa patuléia. Eu vou pra rua DE NOVO só se for pra gritar (de novo) DIRETAS JÁ COM REFORMA POLÍTICA. AMANHÃ EU NÃO VOU!”, Fábio Campos, músico, Rio de Janeiro.

2 – “Passeata em favor da LavaJato significa pedir punição para Serra, Aécio, Renan, Jucá... Temer... para todos os maus empresários e maus homens públicos do legislativo, executivo e judiciário? Ou é só pra pedir a punição de Lula e fazer campanha para o Sérgio Moro? Perguntar não ofende!”, Reginaldo Tech, professor, Bauru SP.

3 – “Espera aí!!! Os caras passaram os últimos anos me chamando de "Comedor de Pão com Mortadela", Petralha, Ladrão.... Derrubaram Dilma, mesmo sabendo que Romero Jucá havia dito que a derrubada de Dilma seria uma necessidade para colocar o Michel Temer no poder, estancar a sangria que a Lava jato estava causando no meio corrupto dos políticos, fizeram de tudo para promover a prisão arbitrária do ex-presidente Lula. Inventaram Triplex, Sítio, avião, fazenda.... O cacete a quatro contra Lula e o PT.... Sabiam que a Democracia do Brasil estava sendo ameaçada... Que iriam explodir a República.... E agora, quando a merda cobre, quando tudo o que nós avisamos está acontecendo, vem chamar a gente para, juntos como irmãos em socorro do "nosso querido Brasil" sairmos em Manifestação convocada pelo Movimento Vem Pra Rua (O mesmo que agiu aguerridamente para que acontecesse tudo isso) em uma manhã ensolarada de domingo???? Nem a pau, Juvenal!!! Quem pariu Mateus que o balance!!! Eu vou à praia!!! Meu coração é verde/amarelo, mas a camisa que o veste é vermelha de luta!! Não me junto a traidores da Pátria que só focavam nos seus direitos esquecendo dos direitos da Classe Trabalhadora! #Fora_Temer e #Volta_Dilma. Empunhem estas duas bandeiras que a gente conversa!!”, Giovani de Morae e Silva, jornalista, Recife PE.

HPA LACRA O SEPULCRO DOS GOLPISTAS E ESCANCARA SUAS INTENÇÕES: Não participo de ato organizado por quem participou do golpe e fecha os olhos para o desmonte do Estado e das políticas sociais. Esse o princípio básico. Tenho por base algo bem simples e ao seguir esse lema, sempre acerto: Se a TV Globo segue por ali, o certo é seguir pelo lado contrário. Isso é básico. Para mim, o cara ir no ato marcado por todos aqueles envolvidos no golpe contra a democracia, das duas uma, ou é muito ingênuo e compra gato por lebre e entra regularmente de gaito em navios de bandeiras desconhecidas ou sabe o que está fazendo e apoia mais uma vez outra sacanagem contra a democracia. Tudo está muito claro límpido e transparente. Estará nas ruas amanhã, não só os favoráveis a derrubada de Temer, mas principalmente os favoráveis à solução de tirar o incompetente golpista e seu corrupto agrupamento espoliador e dar um jeito sacana para os destinos do país, colocando no poder, num mandato tampão, por via indireta alguém ligado ao tucanato ou mesmo do STF. Concordar com isso é estar de acordo com as grandes sacanagens dos bastidores desse país, as que mais infelicitaram a todos nós nesses últimos meses. Se fosse para ir às ruas amanhã, talvez me veriam parado numa esquina e com uma baita de um estandarte desses grandões e com os dizeres:

“FORA TEMER E ABAIXO SOLUÇÃO PELA VIA INDIRETA” “ENQUADRAMENTO DO JUDICIÁRIO À CONSTITUIÇÃO”
“VOLTA DILMA, O MANDATO AINDA É TEU, OS QUE LHE ROUBARAM O PODER SE MOSTRARAM MUITO PIORES”
“Ô DE AMARELO, TU É A FAVOR DO MOCINHO OU DO BANDIDO? SE DECIDA PÔ!”.




VAI QUEM QUER, MAS QUEM FOR NÃO ESTÁ INDO PORQUE É CONTRA O GOLPE E SIM PORQUE ESTÁ QUERENDO APLICAR OUTRO GOLPE NA NAÇÃO.
Você vai fazer papel de palhaço amanhã nas ruas?
Cair no conto do vigário pela segunda vez é burrice, hemn!!!
https://www.facebook.com/photo.php?fbid=1189421717815745&set=a.341512945939964.78272.100002437843810&type=3&theater

NÓS SABEMOS QUEM SÃO OS GOLPISTAS DE SEMPRE - OUÇA A AULA DO JORNALISTA FERNANDO MORAIS E ENTENDA QUEM SÃO E O QUE FAZEM UMA VIDA TODA ESSES QUE DESGRAÇAM O PAÍS
https://www.facebook.com/causame.especie/videos/578916382316740/

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

PERGUNTAR NÃO OFENDE ou QUE SAUDADE DE ERNESTO VARELA (118)


INSTITUIÇÕES PRECISAM SER RESPEITADAS E REPRESENTANTES DESSAS MESMAS INSTITUIÇÕES PRECISAM TAMBÉM RESPEITAR A CONSTITUIÇÃO – PELO FIM DE TODOS OS AUTORITARISMOS, INCLUSIVE O DE ALGUNS JUÍZES.
Observo com muita atenção a grita geral de juízes ontem aqui em Bauru e alhures. Adoro participar de manifestações justas contra injustiças, aconteçam onde acontecerem. Se puder e tiver pernas (não as arranquem, por favor), lá estarei e, lado a lado dos que clamam em voz alta. Fizeram um ato de grande pompa, com ampla divulgação pela mídia. Deu no rádio, vi na TV e o jornal estampou na primeira página. De uma coisa eles todos e qualquer outro segmento precisam entender de uma vez por todas: Basta de privilégios, onde eles existirem.

Se um político ou funcionário público erram, que sejam julgados e punidos e se algum juiz passar dos limites, idem. Enfim, eles fazem parte do mesmo balaio de gatos brasileiros. Ou vivem num mundo a parte e não sabemos? O privilégio maior, além de buscarem se isentarem dos erros é já possuírem salários acima do que reza nossa Carta Magna. Não existem os mais perfeitos, muito puros, nem os beatificados, santificados da República. Se existe algo assim, uma aberração. Quando renunciarem aos privilégios já concedidos de forma irregular, uma boa pedida para cobrar do resto do país o respeito pelas leis e tudo o mais.

Claro que os juízes devem reclamar do que ocorreu essa semana lá em Brasília, quando matreiros políticos deram aquele famoso “jeitinho” para diminuir a chance deles serem enquadrados e caírem nas garras da lei. Achei lindo a declaração de um deles, corroborada por tantos outros, de que com Dilma ou Lula, não havia essa intenção e com Temer não existe só a intenção, como a estão concretizando. Daí subtende-se que: o (des)Governo atual é muito pior que o os anteriores. Os juízes, a imensa maioria apoiou a derrubada de Dilma, mesmo cientes de que todo o processo era viciado, ilegal e insano, mas agora, passados poucos meses dos golpistas no poder, fichas caindo, estão botando as mãos todas na consciência e querendo colocar as manguinhas de fora. "Vai piorar", ouço eles dizendo. Sim, como se eles não soubessem.

Nada contra, pois entrar em “erradas” faz parte da vida, o que não pode e não deve ocorrer é eles insistirem em enxergar esse erro e, por exemplo, continuarem apoiando o que o juiz de primeira instância, Sergio Moro fez na Lava Jato, naquele foro privilegiado de Curitiba, passando por cima da lei vigente em diversas oportunidades e privilegiando com a isenção de cana para um grupo e isentando outro. Justo isso? Se existe a intenção do Judiciário em manter a isenção e tentar livrar a decência do Judiciário, nada melhor do que restabelecer a dignidade em tudo. A credibilidade deles todos está também em jogo e eles sabem muito bem disso. Se mostram contra a politicagem de Brasília podando-lhes os dedos, mas por outro lado, fazem vista grossa para o que Gilmar Mendes e o STF, além de Moro andam fazendo? Ouço dizer que a dissidência entre eles cresce a olhos vistos. Muito bom que isso ocorra.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

RELATOS PORTENHOS / LATINOS (33)


A FALA DO RADIALISTA DA AURI VERDE, OS COLOMBIANOS, A CHAPECOENSE E A SOLIDARIEDADE ENTRE LATINOS
O ocorrido com o time inteiro da Chapecoense é mesmo de doer, chorar, lamentar muito e também repudiar, pois teve muito de irresponsabilidade. A causa principal foi falta de combustível e uma empresa andando no fio da navalha. Um dia o fio arrebentou, poderia ter sido com a seleção da Argentina, com o próprio time colombiano que também já viajou com eles ou com qualquer outro, pois eram especialistas em transportar equipes de futebol em voos fretados. Foi com a Chape. Muito já foi dito e lido. Acrescentaria pouco, mesmo em forma de crônica, como li algumas, belíssimas, dolorosas, sentidas. Prefiro ir por outra vertente. Conto abaixo.

Diante de tudo, abro as redes sociais em busca de um algo mais e lá na página do Sensacionalista, algo para se pensar: “Deus adia o apocalipse em um século após ver homenagem de colombianos ao Chapecoense” -http://www.sensacionalista.com.br/…/deus-adia-o-apocalipse…/. Pode parecer brincadeira, mas é a mais pura verdade, estamos todos também derretidos pela sensibilidade colombiana. Nas entrelinhas do que está no título, presenciei algo ontem. Estava no carro final de tarde e sintonizei a indefectível rádio bauruense, a Auri Verde (toc toc toc), onde confabulavam Alexandre Pittoli, o diretor da emissora e hoje seu mais importante comunicador, Rafael Antonio. Pittoli num certo momento fala algo, que não discordo, pois sei ser o conhecimento que a maioria da população brasileira possui dos países latinos. Disse mais ou menos isso: “Sabe aquilo do europeu dizer que a capital do Brasil é Buenos Aires, que convivemos com macacos e cobras circulando livremente em nossas ruas, pois bem esse desconhecimento lá deles é o mesmo que sinto hoje. Confesso, sabia muito pouco da Colômbia além de que lá é a terra das FARCs, do narcotráfico e do Pablo Escobar. Hoje conheci algo mais e me espantei, vi pela TV algo encantador, uma cidade muito bela, tudo no lugar e mais que isso, com o que fizeram ontem a noite lá no estádio onde ocorreria a partida, uma solidariedade que não vejo igual faz muito tempo”.

Tenho desavenças pessoais com o Pittoli, pois o vejo defensor do golpe, golpistas e um anti-esquerdista inveterado, inclusive abrindo espaço na rádio para somente uma linha de pensamento expor suas ideias, principalmente no quesito colunistas fixos. Isso é uma coisa, outra foi seu comentário ontem. Veio tabém com uma pitada de conservadorismo, pois nele embutido algo de que o Brasil está anos luz à frente de todos os demais países latinos, mas foi sincera. Pelo visto, a ficha deu uma caída ontem e deve ter sido ótimo. O fato é que o que os colombianos fizeram lá, com aquele gesto de lotarem o estádio, demonstrando de forma sincera, sofrida, o quanto estavam também combalidos, como todos os brasileiros foi um gesto bem latino. Um gesto latino e até então pouco entendido pelos brasileiros, principalmente os que nos enxergam como os primos ricos do continente. Talvez com isso ele entenda dos motivos de Lula e Dilma terem tratado de igual para igual o Evo Morales lá na questão do gás boliviano, quando ouvi pelas ondas da mesma rádio, que devíamos ter sido duros, implacáveis. Enfim, somos irmãos ou não?

Finalizo com algo sobre essa necessidade de uma melhor compreensão entre nós, seres humanos e vivendo no mesmo continente. O ocorrido com a Chapecoense nos traz de volta para a realidade brasileira. Na noite em que o país estava estarrecido com o ocorrido e as TVs despejavam em nossas casas imagens da tragédia (espero que não intencionais e aliadas aos malfeitores da nação), em Brasília, uma cambada de políticos decretava o endurecimento da vida para toda sua classe trabalhadora. Corda no pescoço pelos próximos vinte anos. Foram cruéis até a medula, insensíveis e insanos. Nada de novo, mas escolheram um dia onde poucos estavam atentos às suas ações. Bateram também desbragadamente no povo diante do Palácio do Planalto, como nunca foi visto nos últimos treze anos. E daí, me volto para o povo de Chapecó e o lá da Colômbia. A fraternidade está hoje mais presente nas ações dos povos latinos, com o Brasil ainda de fora, esse mais duro, querendo mais se parecer com o norte-americano do que com o seu vizinho parede meia. Até quando? Se Pittoli percebeu algo a ponto de tecer os comentários ouvidos, outros tantos devem ter se tocado. Pois que, esse toque sirva para transformar nossas relações para com todos à nossa volta, primeiro com os de classe inferiores à nossa e depois para com todos, indistintamente. A fala dele poderia ser um marco, até para ele mesmo se redirecionar e tantos outros, enfim, todos nós, brasileiros enfurnados nesse ódio que nos divide e nos afunda num atoleiro sem eira e nem beira. Será que esse episódio tão triste, não poderia servir desse algo novo tão necessário para fazer desse país algo bem mais palatável? Torço para que sim.

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

BAURU POR AÍ (133)


O PROJETO PARA COLOCAR FIM NAS TAIS FESTAS CLANDESTINAS (E TAMBÉM POPULARES) EM BAURU
Estive ontem na Câmara observando e querendo entender melhor do motivador dos que apresentaram o projeto de lei instituindo a proibição de festas em residências, repúblicas e lugares públicos, mas conduzidas por particulares. Entendo essa proibição como algo dos mais perigosos, bem dentro da atual conjuntura, onde tudo fazem para cercear mais e mais os direitos de muitos em detrimento de uns poucos.
Sentado ao meu lado um advogado e pelo que fiquei sabendo, ele foi o autor do texto quer os dois vereadores estavam defendendo da Tribuna da Câmara (mais o que faltou a sessão, que dizem ser o mentor de criação do tal projeto). Ouvi as justificativas apresentadas pelo vereador Paulo Eduardo (que um dia se disse socialista) e achei um tanto forçado ele fazer um relato que foi buscar ajuda junto aos Consegs, a Polícia Militar, órgãos públicos, como Ministério Público e mesmo a Prefeitura Municipal (faltou só dizer que procurou também as tais Forças Vivas). Falou com todos, ouviu suas justificativas e depois, na tribuna disse defender o interesse dos estudantes, mas ali a grande desconexão: não ouviu os estudantes, nem os trabalhadores que fazem festas em suas casas, vilas diversas.

Para a Polícia Militar, entendo assim, muito simples trabalhar com tudo controlado e submetido à sua prévia autorização. Eliminam uma boa parte do seu trabalho, pelo qual são regiamente pagos para executar. Ciente de onde acontecem festas, existiria a possibilidade das autorizadas serem somente aquelas consideradas com menos tipo de problemas. Ou seja, atuariam somente no “mamão no mel”. Mais que isso, teriam pleno controle da cidade e mapeamento completo de tudo o que ocorre de festas nos mais variados locais da cidade, desde um mero pagode que alguém faça e convide um grupo musical, até as tais festas de repúblicas, algo ocorrendo na cidade desde que me conheço por gente. Estamos em pleno século XXI e deveríamos avançar em algo novo, pleno atendimento das reivindicações populares, avanços e o que vemos são recuos. Os bancos fecham suas agências para atendimento fora do expediente às 18h e antes cerravam suas portas às 22h. Pelo que estou entendendo, ao invés de novas conquistas, estamos a perder as que duramente conquistamos.

Proibir o estudante de fazer festas nesse rico período de suas vidas é algo vindo contrário à própria concepção humana. Agrupamento de jovens são alegres, desprendidos e sempre agiram dessa forma. Não se reservam a consumir somente em lugares autorizados, como as tais boates e casas noturnas. Nem todos possuem condições para fazê-lo dessa forma e reunir pessoas em casa é algo que vejo acontecer desde que o homem é homem. Que me diriam os tais legisladores dos antigos saraus? Estariam também impedidos? Quem como eu já passou dos 50 anos, tem grata lembrança das brincadeiras dançantes, todas realizadas nas áreas das residências lá pelos idos dos 70. Pelo visto, algo dessa natureza estaria devidamente proibido.

Ao meu lado lá na Câmara vejo uma pessoa confabular com o advogado criador do draconiano texto e lhe faz per4guntas, todas com a resposta na ponta da língua: “E quando ao lado de residência com idosos, esses barulhos não podem passar de certo horário? Residência foi feita para simples moradia, nada mais, querer transformá-las em lugares de festa é pernicioso para a cidade. Isso tudo são antros de barulho, confusão e até mesmo de drogas”. Todos os argumentos não justificam a criação da lei proibitiva e colocando fim em todo tipo de festa. Já existe uma lei com as limitações de horários. Basta, na base do consenso, estudando caso por caso, resolver problema por problema. Já querer resolver tudo, juntando as boas festas e as onde os decibéis passam dos limites é algo pernicioso e perigoso. Hoje se abre um precedente aqui, amanhã outro ali e quando ao tentar corrigir algo, a percepção ode que tudo está dominado, mãos totalmente atados e todos vivendo como manada, conduzidos ao bel prazer por leis que não levam em conta princípios básicos comunitários de convivência.

Falta bom senso, essa a minha percepção. Tudo foi feito de cima para baixo e para beneficiar uns poucos, os donos de casa noturna e a ação policial, mais facilitada com a aprovação. Por sorte nessa legislatura ainda temos um vereador com os olhos voltados para os interesses mais comuns, os ditos populares, periféricos, dos trabalhadores, estudantes e afins. Por ação dele, foi conseguido o adiamento na votação e o melhor de tudo, o convite para os maiores interessados, estudantes e festeiros de uma forma geral, participarem do processo. Ficou mais palatável, sensato, justo e honesto.

OBS.: Todas as fotos são de autoria da assessoria parlamentar do vereador Roque Ferreira PSOL.

ALFINETADA (152)

MEUS TEXTOS N'O ALFINETE DE PIRAJUÍ, COMEÇO DE 2005