segunda-feira, 18 de setembro de 2017

BEIRA DE ESTRADA (82)


TRISTES FUNÇÕES, EMPREGOS DESSES NOVOS TEMPOS

A tristeza de certa forma se abate sobre nós, os pobres mortais. Inexorável isso. Quem ainda não percebeu o baú de maldades despejado sobre nossas cabeças e o fim de um ciclo onde o trabalho como até então conhecido se esvai nos dedos, percebo algo bem nítido nesse sentido nas escapulidas cidade afora.

Toda vez que desço pela rua Araújo Lite, voltando no sentido centro/bairro, logo depois da passagem pelo elevado em cima dos trilhos da ferrovia, na quadra que antecede à igreja Nossa Senhora Aparecida e o Poupatempo, uma cena me choca.
No quarteirão, antecedendo a rua Inconfidência, existem ali dois estacionamentos para autos, ambos funcionando pelo alto fluxo de pessoas circulando por ali, em decorrência do Poupatempo. Diante da entrada de ambos, vejo funcionários acenando no meio do trânsito, com aquelas roupas refratárias coloridas, muito utilizadas pelo moto-taxistas, tudo para convencer os motoristas a adentrarem seus estabelecimentos.

Não permanecem nem mais nas calçadas. O esforço deles é chamar a atenção e trazer público para os estacionamentos onde prestam serviço. Seus corpos ficam ali expostos ao sol, chuva e tudo o mais. Gesticulam placas com os preços promocionais. É uma espécie de vale-tudo para conseguir clientes.

É a forma como os proprietários de ambos os locais encontraram para tentar se manter vivos e também não fecharem suas portas. Passei hoje pelo local por três vezes, duas a pé e em todas a mesma cena. Numa delas paro e fico a observar de como isso deve ser de uma atroz tristeza para quem o pratica. Na aproximação de um veículo, eles saem em disparada, braços levantados, placas em movimento e os dois, cada um na porta do seu local de trabalho, tentam ao seu modo e jeito cumprir a missão a eles designada. Se o local não tiver no final do dia um número mínimo, o estacionamento pode não ter mais necessidade de existir e eles ficariam sem emprego.

Podem me dizer que estão ganhando o seu de forma honesta, ou seja, o que encontraram para fazer na vida e ainda conseguirem um salário, um soldo. é isso mesmo. Mas, me pergunto, seriam essas as profissões do futuro? Não vejo problema nenhum no que fazem, mas o que choca é isso das entranhas do mundo capitalista, onde a pessoa tem que se submeter às novas formas de emprego. E ainda sei que ouvirei de alguns: “Que se deem por satisfeitos, pois o mar não está pra peixe”. Será que de agora em diante viveremos mais e mais das rebarbas de tudo isso que a gente vê anunciado como as benesses do capitalismo? Eles venceram, creio eu, e aos perdedores resta levantar e abanar as placas nas esquinas da vida. E isso ainda é fichinha perto do que vem por aí. Estejamos preparados.

domingo, 17 de setembro de 2017

MÚSICA (152)


FURDUNÇO EM TIBIRIÇÁ
Foi ontem, sábado 16/09/2017, lá no distrito de Tibiriçá, distante 15 km desta "sem limites" Bauru.

Uma tarde de sábado e um convite para uma feijoada feita pela família Cosmo, ou os Baté, como também são mundialmente conhecidos. Anualmente eles encontram um jeito de reunir diletos amigos e fazer a devida reverência, medalhando todos os presentes e quando as medalhas acabam, entregam flores do campo e até a própria roupa do corpo, tudo para verem a felicidade estampada na fisionomia dos visitantes.

No convite deles “Feijoada em pról do bloco Estrela do Samba regado com muito Samba”, R$ 20,00, local: Centro Rural de Tibiriçá.

O fazem sempre com muito samba, dos bons, alegria e uma feijoada. Bato cartão e o faço em turma, pois viver em coletividade é sempre muito mais alvissareiro do que viver isolado.

Lá estivemos e nos misturamos todos os presentes na festa, comilança e cantoria. Primeiro os ritmistas lá do bloco carnavalesco "Estrela do Samba", uma reunião de sambistas espalhados pela parte periférica bauruense e depois, quando da chegada de Jô Moura, a chamam e ela canta junto deles, para deleite de todos e todas presentes.

O gostoso da festança por lá é essa união de gente de tudo quanto é lado de Bauru, gente que gosta de samba, de mato, de comida caseira e de se socializar coletivamente.

Eu, nos intervalos da comilança, bebelança, pajelança e sambança, me dei a fotografar as cenas, as pessoas e aqui posto um bocadinho do que lá foi vivenciado coletivamente. Enfim, já escrevi demais da conta. Fiquemos com as imagens, pois elas dizem muito disso tudo de botar o bloco na rua e ser feliz sem isso de ficar ruminando ódio pelas ventas.

Estamos aí pro que der e vier. “Nóis semos assim”, uai e como estava escrito num cartaz que passou bom tempo lá colado no mafuá: "A gente faz festa, mas está puto da vida". E nem por causa disso deixamos de nos reunir. É nesses momentos onde precisamos nos reunir mais e mais e expor nossa face, sem medo de dizer que não fazemos parte do grupo dos que vivem como manada.

NÓIS GOSTA DE SAMBA DESSA FORMA E JEITO
Ontem na festa do "Estrela do Samba", bloco carnavalesco dos Baté lá no distrito de Tibiriçá. É furdunço para mais de metro. Desopilei o fígado e hoje estou curtindo uma lenta recuperação. HPA (só na água mineral). Vejam o link: https://www.facebook.com/henrique.perazzideaquino/videos/vb.100000600555767/1834091743287493/?type=2&theater

REUNIÃO DE SAMBISTAS, CULMINANDO COM SAMBA DE PRIMEIRA E NA VOZ DE JÔ MOURA... E tendo como pano de fundo o Mafuá do HPA. Depois de muita conversa entre os sambistas, boa discussão sobre o tema, nada como uma cantoria antes do grupo se dispersar. Na despedida, quando muitos já haviam levantando/arriado a bandeira, os resistentes insistem em não querer ir embora. Eu já coloquei a vassoura atrás da porta, em três portas diferentes, mas esse povo não quer ir embora de jeito nenhum. Não sei mais o que fazer. Acho que vou acabar aderindo. Vejam o link: https://www.facebook.com/henrique.perazzideaquino/videos/1834603936569607/

O dia de ontem foi encerrado aqui pelos lados do mafuá, com uma inusitada reuniã ode sambistas bauruenses e uma proposta de união de interesses. O espaço mafuento cai como uma luva para essas atividades e nesses dez anos, com a concretização de um local onde possa reunir amigos, boa discussão e propiciar algo de novo para esta Bauru, eis o motivo para desmedida felicidade. O convite, bolado e divulgado pela cantante Jô Moura sai aqui publicado como espécie de reconhecimento para com o Mafuá, mais um prêmio nesses dez anos de atividade.

sábado, 16 de setembro de 2017

PALANQUE - USE SEU MEGAFONE (103)


MAFUÁ DO HPA EM FESTA: 10 ANOS DE ININTERRUPTAS ATIVIDADES

Chegou o grande dia e quase que ia me esquecendo. Sou mesmo desligado, mas impossível não dar o breque e comemorar, enfim, não é todo dia que se comemora dez anos de escrevinhações múltiplas e variadas. Em 14/09/2007 publiquei isso em algo alinhavado pela minha cabeça, a explosão, publicar tudo o que me vinha pela cabeça: “MEUS CAROS - AGUARDEM SÓ MAIS UM POUQUINHO, POIS OS ÚLTIMOS AJUSTES ESTÃO SENDO FEITOS PARA ADENTRARMOS O GRAMADO. A PELEJA JÁ VAI SE INICIAR. AINDA ESTOU CALÇANDO AS CHUTEIRAS, MAS COMO ESTOU UM TANTO DESTREINADO, ISSO DEMORA UM BOCADINHO. HENRIQUE PERAZZI DE AQUINO”.

A partir disso a coisa foi explodindo, mais e mais e chegou a essa quase obrigação (uma tortura) de ir, pelo menos, publicando no blog um texto por dia. Todos meus textos de Memória Oral (que um dia vai virar livro e já tenho o prefácio de Ignácio Loyola Brandão), os Retratos de Bauru (que depois no facebook se transformaram no Personagens sem Carimbo – O Lado B de Bauru e já passam dos 900 personagens), os Drops – Histórias realmente acontecidas, a Charge Escolhida a Dedo, Bauru por Aí, Frases de um Livro lido e por aí afora. Quando comecei ainda estava trabalhando nas hostes da Cultura Municipal e a ideia do mafuá me veio de uma conversa com Sivaldo Camargo, quando comentávamos que nossa compartilhada sala de trabalho parecia mesmo um “mafuá”. A ideia pegou e hoje, passados dez anos, não é difícil alguém do outro lado da rua gritar: “Diz aí, Mafuá”. Virei o próprio.

A princípio o mafuá era uma ideia na cabeça e tudo o que tinha guardado em pastas ir sendo disponibilizado no blog. Não existia isso de um lugar fixo, apesar de a casa onde morava com meus pais (voltei a viver com eles após minha separação da Cleo) e para cá trouxe tudo, desde livros, LPs, CDs e papéis de toda natureza. O tempo passou e ocupei quase todos os espaço da casa. Minha mãe se foi, depois meu pai e acabei herdando a casa e por fim, denominei o lugar de Mafuá. Virou o espaço físico. Há oito anos e pouco vivo muito bem com a Ana Bia, mas num apartamento ainda pequeno, que mal cabem o mafuá lá dela (professora carioca e chegando com uma tralha igual a minha). No apartamento cabe o que é dela e aqui na Baixada, o meu mafuá, onde tento manter as minhas, quando as cheias do ribeirão Bauru permitem. Muito já foi levado pelas águas. Quando não levanto tudo, perco uma parte, mas isso só ocorre em janeiro e em cada um, sufoco danado. Vigia de papéis, pois molhados não viram.

E daí, agora se completam DEZ ANOS de escrevinhação e aporrinhação dos diletos amigos e amigas. Tudo o que vai pela minha cabeça eu posto e deixo registrado no Mafuá (www.mafuadohpa.blogspot.com). Foram tantas coisas boas (algumas ruins), que temo esquecer de muitas se for me dar a lembrar, querer citar algumas. O fato é que hoje, quando coloco Bauru no google, surgem inevitáveis citações de algo publicado no mafuá. Fotos por mim tiradas se espalham com o vento e são reproduzidas por tudo quanto é lugar, algumas com citação de fonte, outras não. Gente me descobre e faz contato de longe para saber mais de alguma coisa publicada. Alguém se lembra do mendigo Juscelino, que apareceu no meu portão e vieram busca-la lá de Itaqui RS, divisa com a Argentina. A tal da derrubada do totem da Havan, o com a Estátua da Liberdade na entrada da cidade rendeu de tudo, até uma entrevista feita pelo celular, quando estava em viagem em Buenos Aires. Adoro entrar numa boa polêmica e foram tantas, mas em nenhuma algo fútil, sem sentido, pois tento manter essa desregrada vida no caminho de retidão (não seria perdição?).

Eu não tenho regra pra nada. Escrevo o que me dá na telha, mas sempre da minha linha de pensamento e ação. Agrado a alguns e desagrado a outros tantos. Ótimo isso, faz parte da vida. Imaginem a chatice de agradar a todos. Prefiro ser essa inconstância que todos a compartilhar de minha amizade sabem inata, grudada em mim. Sigo em frente como posso, na maioria das vezes aos trancos e barrancos. Adro escrever de Bauru e dos seus, mas com a minha pegada. Não sou dado a adular poderosos (mesmo gostando de uns poucos dos providos de grana na cidade), preferindo sempre ter em meus textos os do dito Lado B, os que não saem na mídia massiva e quando o fazem, el algo depreciativo. Toco meu barco assim, Ana me entende até onde pode, meus amigos idem, eu sigo sobrevivendo mal e porcamente com caraminguás vendidos ao estilo camelô e nas horas vagas escrevo. Tenho umas pastas por aqui onde no título já a percepção do seu conteúdo: “Tudo”. Vou juntando tudo o que escrevo ou penso em escrever.

Hoje o blog quase não tem mais comentários, mas sei que muitos continuam acessando e lendo o que ali sai registrado. Ou mesmo, entram para pesquisar algo. Tudo o que sai hoje no blog, sai também no meu facebook pessoal, ali com mais comentário, diversão e até pauleira. No face a postagem some rapidamente e lá no blog, pelo menos por enquanto está disponibilizada para pesquisa e de fácil localização. Não pretendo parar, o que descontenta meus detratores, mas como não represento perigo nenhum, não vai ser um escrito chinfrim deste mafuento que vai abalar alguma estrutura pela aí. No mais, quero continuar gerando debates. Como não sei se irei viver mais dez anos (meus amigos estão todos indo muito cedo - a boêmia fenece), permaneço por esse mesmo batcanal, escrevendo e expondo meus escritos para apreciação pública. Seguidor da filosofia do ex-presidente corintiano Vicente Matheus, “quem entra na chuva é para se queimar”, sei que escritos são para gerar algo, provocar, instigar e fomentar efervescência. Do contrário, seria tudo sem sentido.

Estou feliz por ter conseguido permanecer no ar por esses dez anos e tentarei ao meu modo e jeito tocar o barco. Conto com a ajuda e colaboração de tudo, todas e todos. Sem você eu não seria nada (mas eu não sou um nada?). Preciso da muleta de todos vocês.

Muito Grato e feliz como pinto no lixo.

Abracitos sinceros do HPA

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

COMENTÁRIO QUALQUER (167)


O PAÍS EMBURRECIDO E ANDANDO PARA TRÁS
O emburrecimento brasileiro tem nome: PT. Tudo o que possa levar o nome PT é execrado em praça pública por parcela dos brasileiros. E tudo pode ser uma grandiosíssima merda, não levando nada que lembre o PT, passa incólume. Levandoo nome do PT, trava, empaca e dá-lhe patadas, inconsequência e admoestações. Trata-se de uma boçal perseguição, insuflada por uma mídia massiva com muita culpa no cartório. E tudo hoje, após anos de lavagem cerebral na cabeça de um povo que não lê mais nem bula de receita médica, quanto mais coisa séria. São os que se informam somente pelas vias do que lhe passam no celular ou via TV Globo. Foi um pulo chegar ao cruel intento com esses teleguiados. O PT virou o grande vilão do país. Não adianta nada mais ser feito e mesmo diante da roubalheira nunca vista, como a desse golpista momento, a culpa de tudo é somente uma: de Lula e do PT.

Triste constatação, necessitando ser feita: Caso de burrice aguda. Agora virou moda descer a lenha em exposições e obras de arte com temática sexual. Virou moda onda de conservadores intervir e fechar esses lugares. Muitas podem ser de gosto duvidoso, mas o que se vê acontecendo é a bestialidade indo na onda das proibições, como se isso fosse problema de ordem pública. Sexo em exposição e mostras sempre existiu, mas hoje com a onda moralista conservadora, emburrecedora e castradora em ascensão, virou moda impedir, fechar, lacrar e os argumentos, pífios, os mais lamentáveis possíveis. Arte, pelo pouco que sei, é algo abstrato, se gosta ou não, se entende ou não. Botar moralidade e bons costumes no meio disso é uma aberração medieval. Mais triste ainda é ler que quem faz arte desse jeito só pode ser esquerdista, portanto petista. Aí já é burrice elevada à sua máxima potência.

Tudo tem que ter o PT no meio. Até no terreiro que foi recentemente depredado, leio que essas “religiões do diabo” são todas coisas de esquerdistas, dos vermelhos, portanto, do PT. Sendo do PT está justificada a depredação. Essa bestialidade já extrapolou a questão do Fla x Flu entre petista e tucano, entre esquerda e direita, entre o certo e o errado. Existem grupelhos bestiais espalhando e insuflando esse acirramento e como estamos rodeados de néscios inconsequentes, daí para tudo descambar pra violência, um mero pulo. Faz mais de um ano que Temer está no governo, mas muitos veem a mão petista na reforma da Previdência que danou o país. E botam a culpa de tudo no PT. Não aceitam dar o braço a torcer e ter que apoiar algo onde o tal do PT estiver junto. Preferem ver o país destruído neste mar de corrupção do que aceitar que, o momento atual é infinitamente pior do que tudo aquilo pelo qual saíram às ruas. Seguem suas vidas de mamadas, teleguiados, cada vez mais conservadores e sempre culpando só o PT por tudo. Fato consumado.

Vá ser burro na casa do chapéu.

OBS.: O PT tem lá suas culpas, muitas, diga-se de passagem, mas nem por causa disso é culpado de tudo. Existem piores, muito piores e esses todos são paparicados e isentos de culpa pelos emburrecidos. O país desandou e está ladeira abaixo.

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

CARTAS (179)


AS MANCHETES DESMENTEM FIESP E CAFEO*

* Antes de lerem o texto da carta, reproduzida abaixo, publicação de hoje na Tribuna do Leitor do JC, algumas explicações. A comprovação do que escrevo está nas próprias manchetes do JC. O tal economista diz que tudo se recupera e na macnhete lá está: "Microempreendedor acumula dívidas de quase 50 milhões". Ou seja, o certo sou eu ou o Cafeo? Hoje, na manhã na 94FM, ele estava bufando e disse num certo momento: "Existem uns aí que não entendem nada, não analisam a floresta e sim, somente uma árvore". Ele, Cafeo, defende os rentistas e as leis do mercado, que representam 1% da população, sendo que 99% estão penando e feio, todos quebrados e sem nenhuma esperança de recuperação. O que é árvore e floresta neste imbróglio todo, me digam? Leiam minha carta abaixo:


"Hipocrisia cansa. Abro a edição do JC e em página dupla de 12/9, a FIESP pede explicações pela quantidade de desempregados, sendo ter sido ela uma das culpadas por ter apoiado (e continua a fazê-lo) o cruel e insano golpe sobre os costados da imensa maioria do povo brasileiro. Ligo o rádio e lá o economista Reinaldo Cafeo, na fala diária no rádio e nos textos semanais para o próprio JC (“Economia volta a crescer”, 7/9), insiste em dizer que o país se recupera, a inflação estanca e estamos superando a crise. Mas como? Deslavada mentira, comprovada pela manchete de hoje aqui mesmo no JC, “Em meio à crise econômica, ‘crimes inusitados’ já proliferam em Bauru”. Outro dia algo de igual teor com “Número de feirantes dobra em Bauru”, 4/9 e “IPMet manifesta preocupação sobre continuidade de atividades do órgão”, 06/9. Simples. O povo está cada vez mais danado, complicado e num beco sem saída e para gente como a FIESP e Cafeo, tudo caminha bem. Deslavada mentira. Boa a situação está para quem segue as leis deste tal de “mercado”, o que de mais nefasto existe hoje. O mercado regulamenta a lei régia do neoliberalismo predador, um que age com poucos personagens, uma ínfima parcela, menos de 1% da população. Se está bom para esses, para o restante da população, os tais 99%, como se comprova pela ação das ruas, a saída é a proliferação de ações desvairadas, de um povo cada vez desesperado. As próprias manchetes do jornal desmentem o que dizem esses economistas e aves de mau agouro. A economia pode melhorar segundo a visão destes, mas com tudo precarizado, com o trabalhador de mãos atadas, submisso e sem legislação a lhe defender. A ladainha desses é totalmente contrária aos interesses do povo brasileiro. Lacaios. Enfim, como todos repetem, "tudo culpa de Lula".

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

AMIGOS DO PEITO (137)


A AMIGA MAYSA BLAY E O AMIGO HOLMES, O LELO:
Escrevo hoje de dois amigos, uma de longe do Rio, tendo escrito algo contundente, compartilhado aqui com louvor e o outro, um amigo falecido hoje pela manhã, parte e deixa saudades:

QUANDO ALGUÉM VIER ATACAR O QUE REPRESENTOU O GOVERNO LULA, EIS UMA RESPOSTA COMO DEVE SER DADA:

“Primeiro, querido (você sabe quem!), o governo Lula/Dilma não foi um governo comunista. Por favor! Longe disto. Foi sim um governo de "programas socializantes", inovadores, voltados para uma grande parcela do povo, para a qual nada, ou muito pouco de bom havia sido feito em 503 anos de história do Brasil. Programas que de tão bons e inovadores chamaram a atenção do mundo ao Brasil, como o Bolsa Família (que movimentou direta e indiretamente a vida de 60 milhões de brasileiros), programas de ingresso de estudantes em desvantagem nas universidades, o Mais Médicos, o Minha Casa Minha Vida, e muitos outros.

Segundo, querido (você sabe quem), o conceito de esquerda não é um conceito monolítico (como certas cabeças). Esquerda não é só USSR ou Cuba. Países lindos maravilhosos como Alemanha, Holanda, países nórdicos e até o Japão tem programas ALTAMENTE socializantes em seus governos. O que você acha que são escolas públicas de qualidade para todos? Ou um sistema público de saúde que abrange a todos? Ou transporte público de alto nível gerido pelo governo e com tarifas justas? Ou ainda programas de habitação popular? Ou salário desemprego e programas de alimentação para pessoas com baixa renda? O que você acha que é tudo isto? Você acha que são programas capitalistas selvagens, plataformas vagabundas neoliberais? NÃO. São programas de países de primeiríssimo mundo com um forte investimento de governo - sim, interferência do governo, "mão" dos governos - no amparo e na equalização de suas populações. Estes governos são muito mais de "esquerda" que os governos de Lula/Dilma. E neles, como aqui foi, a inciativa privada não é tolhida, mas estimulada.


Num outro sentido, (você sabe quem), veja o que um país selvagemente capitalista, comandado por empresas, tem a oferecer a seu povo. Veja os EUA, onde a questão da saúde pública é sofrível. Não se chegou ali ao dedo mindinho dos sistemas existentes no Canadá, em Portugal, nos países listados acima, ou mesmo ao nível de CUBA!!!!. Mais de 60 milhões de americanos não tem acesso a um mero Posto de Saúde. E o sonhado e embrionário Obamacare está sendo desmontado por Trump. Já o sistema de ensino americano, que é mega abrangente, uma decisão maravilhosa (embora muito criticado pela qualidade) da década de 60, está agora sofrendo ataques silenciosos do governo atual.

Portanto, (você sabe quem), não é difícil ver qual é o melhor dos mundos. Não é preciso ver que este mundo bom que pode existir, é também um mundo em que os cidadãos caminham, através dos serviços públicos de qualidade e abrangentes, para uma equalização do padrão básico de vida. Com oportunidades equilibradas, não precisam de cotas em universidades, não precisam ganhar fortunas para ter vidas decentes, não precisam passar por cima dos vizinhos para sobreviver, não precisam de grades e de carros blindados. É simples, querido (você sabe quem). Pare de ler e assistir mentiras no e na Globo, na Veja, Folha ou Estadão. Se quiser, lhe passo uma lista de autores e blogs que são honestos em suas colocações”, MAYSA BLAY, amiga carioca, trabalha no INPI – Instituto Nacional de Propriedade Industrial, na cidade do Rio de Janeiro RJ e esse seu texto precisava estar aqui, no dia de mais um depoimento de Lula junto à Lava Jato.


LELO BATIA UM BOLÃO E ERA ÓTIMO PAPO*
* Esse texto do Lelo tem que estar aqui hoje, pois ele, mesmo não tendo nada de esquerdista, sabia ouvir. Ouvia e debatia, um gentleman na acepção da palavra.
No dia em que o ex-presidente Lula se apresenta diante do inquisidor mór da nação lá em Curitiba, o Sergio Moro para uma segunda audiência frente a frente, uma pessoa por quem tenho grande admiração vem a falecer. Mas que raio de relação tem o depoimento de Lula com a morte do seu amigo?, poderiam me perguntar incautos de plantão. Explico. Esse amigo morto era dos poucos pelos quais não tínhamos nenhuma afinidade política, campos exatamente opostos, mas nem por causa disso saímos nos engrimando pela aí. Nunca fizemos isso, sempre existiu o máximo de respeito e consideração. Constantemente o via pelas ruas da cidade e a conversa fluia como poucas. Esse o motivo da imensa saudade e dor sentida pelo seu passamento. Faltam pessoas sesnsatas nos dias de hoje, dessas que ouvem, sabem ouvir e não só falar. Esse que hoje se foi era desse time e batíamos um bolão juntos, papo de longas horas. E foi um jogador de bola desses de encher o olhos.

Holmes Rodolfo Martins, o Lelo, de 66 anos, foi um dos zagueiros do meu time dos sonhos do Esporte Clube Noroeste, o time da aldeia onde nasci, cresci e vivo e o único time ainda me fazer chorar. Ao lado de outro, pelo qual nutro inenarráveis lances na memória, o Marco Antonio, formou uma dupla de zaga nunca mais vista lá pelos lados do Alfredo de Castilho. Ele morreu hoje vítima de câncer, após um tempo internado no hospital São Lucas aqui mesmo em Bauru. Se não me engano Holmes era advogado, mas trabalhava nas hostes da Prefeitura Municipal de Bauru, no CAPs, ali na Azarias Leite defronte o consultório do dr Ivan Segura.

Nas idas ao médico, nosso ponto de papo era na calçada e ali esquecíamos da vida. O conhecia como jogador de bola e tempos depois ele se apresentou a mim numa festa noroestina, quando me disse ler o que escrevia e queria muito me conhecer. Ficamos amigos na lata, de imediato. Daí por diante, sempre que o via, o papo rolava e não arrefeceu nem quando essa desgraceira do golpe se abateu sobre o país. Ele, influenciado pela mídia massiva se dizia contra a esquerda, mas conversava muito, não fugia do pau e o papo sempre rendia, pois ele nunca foi agressivo como a maioria o é hoje. Nos entendíamos ao nosso modo e jeito, como bons e verdadeiros noroestinos, bauruenses, amigos e respeitadores da opinião alheia. Eu sempre terei baita admiração por tudo o que jogou e me proporcionou nas idas vê-lo esmerilhar com a bola. Lelo se foi muito novo, acometido por essa doença que arrebata a gente antes da hora e quem perde são os conversadores de calçada, como eu e ele, pois de hoje em diante será um a menos para os afetos desses papos difíceis de encontrar. Essas duas fotos dele são minhas e foram tiradas no dia do lançamento do livro do Noroeste, escrito pelo Paulo Sérgio Simonetti, lá no saguão da rádio 94FM, coisa de uns cinco anos atrás. Vai deixar bruta saudades nesse noroestino e vermelho cidadão.

terça-feira, 12 de setembro de 2017

COMENDO PELAS BEIRADAS (44)


“CRIMES INUSITADOS” OCORREM EM BAURU - JÁ COMETEU O SEU HOJE?

Eu cito aqui regularmente manchetes do Jornal da Cidade e isso é a coisa mais normal deste mundo. Esse o único jornal impresso da aldeia bauruense e daí fonte de todos os olhares, atenção exclusiva. Pelo sim e pelo não, está nas minhas mãos diariamente. Leio, releio e em muitos casos, cito algo do que ali sai publicado. Hoje novamente o faço e por causa da manchete de primeira página, “Em meio à crise econômica, ‘crimes inusitados’ já proliferam em Bauru”. Que seria isso de ‘crimes inusitados’? Fui ler e me deparei com algo corriqueiro em momento de desespero como os vividos pelo país após o golpe jurídico midiático dado por Michel Temer em dona Dilma Rousseff. Nada mais do que o jeito que a população sem emprego, sem eira nem beira, sem recursos, mandada pro olho da rua pelos empresários apoiadores do pato da FIESP e sem saber como pagar suas contas, resolvem invencionar meios de ganhar algum e assim honrar o pagamento de contas e continuar sobrevivendo, comprando o gás doméstico, colocando combustível em conta gotas no tanque dos seus veículos, pagando a continha pendente no armazém do amigo que lhe confiou fiado e por aí afora.

No mesmo jornal alguns dos seus colunistas insistem em dizer que o país está melhorando, saindo da crise, sem inflação, resolvendo seus problemas e se safando das agruras. Ladainha mentirosa de gente envolvida com o que lhes rege as tais leis de mercado, o nefasto crime neoliberal a endeusar os 1% rentistas, que vivem só de aplicações e não querem mais saber de investir dinheiro em trabalho, só em papéis. Para esses, a coisa pode ter melhorado, mas para os 99% restantes está que só piora. E não vai melhorar enquanto esses cruéis e insanos golpistas continuarem a nos sacanear. O que os colunistas do jornal dizem nos textos assinados do jornal, as próprias manchetes desmentem. Essa de hoje uma delas. Se para os ricos está um “mar de rosas”, para o povão está um “deus no acuda”, verdadeiro “salve-se quem puder”.

Isso de “crimes inusitados” é mesmo do balacobaco. Fui ver a relação dos tais para ver os que já apliquei e os que ainda posso vir a aplicar, pois como após o golpe, cada dia é um novo dia de padecimento, ao conseguir algo para hoje, deito e levantando, tudo começa de novo. Haja plano mirabolante para vencer as atribuições do outro dia, quando se continua sem emprego, sem dinheiro e sem esperanças. Só mesmo fazendo uso desses tais ‘crimes inusitados”. Gostei do termo e fui ver do que se trata. O jornal explica. São pequenos “furtos e roubos”. Conta o causo de um cliente de bar que levou o celular do garçon e do ladrão que antes de levar o produto do roubo pede desculpas à vitima. A aflição faz a pessoa cometer loucuras, muitas delas explica o jornal, “para suprir necessidades básicas”, já outros, sacanas contumazes. É o tal do comumente difundido como “a ocasião faz o ladrão”, ou seja, estou roubando só agora, mas depois volto ao normal, mas só se a coisa se normalizar e se isso não ocorrer, posso acabar me especializando em delitos e daí, já que aprendi novo ofício, nele permaneço. Melhor que dar aulas.

Sarah Fernandes, minha estimada amiga lá do Mary Dota relata algo assim ocorrido com ela essa semana. Aparece lá no seu salão um cliente novo, nunca havia estado por lá e enquanto ela se descuida ele lhe subtrai o celular. Terá o sujeito usado o aparelho para comprar gás em sua casa? Sei lá, o fato é que isso agora é denominado de inusitado. Eu, no meu caso, confesso que teria outro procedimento. Se entrasse para esse ramo, não lesaria ninguém também em situação difícil, escolhendo os mais abastados para a prática do delito. Pobre roubando de pobre não é inusitado, é ladrãozinho de merda.

Encerro com algo bíblico: quem rouba ladrão tem cem anos de perdão. Pobre lesar pobre, algo imperdoável, já lesar rico, perdoado com louvor divino. Está lá no capítulo tal, versículo tal. Conto algo que aconteceu com amigo meu. Uma senhora comprou na lojinha dele. Pegou e levou, pagou uma parte e a outra ficou para outra semana. Foi receber e ela lhe disse descaradamente: “Meu deus já me perdoou por eu não pagar o senhor. Pedi a ele, expliquei a situação, meu pastor também aprovou e como não tenho, não lhe pago e ele não me punirá, estou perdoada, graças a deus”. Inusitado isso?

Cuidado comigo, pois sempre fui e sempre serei uma inustitada pessoa. Recomendo manter certa distância.