segunda-feira, 21 de maio de 2018

ALFINETADA (165)


NO DIA DA POSSE DO NOVO BISPO CATÓLICO, A LEMBRANÇA DE DOIS PADRES E A QUASE NULA POSSIBILIDADE DE UMA APROXIMAÇÃO COM OS ANSEIOS E NECESSIDADES DO POVÃO
Escrevo sobre a grande movimentação no seio (sic) da igreja católica ocorrendo hoje em Bauru com a posse de um novo bispo na Diocese de Bauru, o carmelita dom Rubens Sevilha. Com todos os que falei a respeito, nenhum nega, é até mais conservador do que o que se aposenta, o pirajuiense dom Caetano. Sei não mais existirem bispos e religiosos como nos meus tempos de moleque, com a resistência de um cardeal Arns, Helder Câmara, Casaldaliga, ou mesmo frei Beto, os irmãos Boff, Tito, para ficar nesses exemplos. Existir existem, mas são poucos e cada vez mais isolados, desaconselhados a emitir opiniões ou, na melhor das hipóteses, ofuscados.

Aqui em Bauru tivemos um bispo de resistência durante o regime militar, com uma história ainda pouco conhecida, dom Padim. O tempo passou e hoje não consigo vislumbrar nenhum padre na atual diocese que tenha uma ação social consistente e atuando na lida ao lado dos fracos e oprimidos. Na diocese de Bauru, pelo que saiba, nenhum. Conheço só um padre na região pelo qual coloco a mão no fogo, o Severino, de Promissão, morando num catre junto da igreja central, mas ficando a maior parte do seu tempo junto dos assentados rurais. Esse sim é de luta, comprovado pelos seus atos. Desconheço outros. Agora mesmo, vejo foto na capa do jornal do padre lá da paróquia do Gasparini, reduto suburbano desta cidade, Edson Codato, motoqueiro, cabelo rabo de cavalo, ontem e hoje à frente de um Encontro Regional de Motoqueiros em Tibiriçá, mas sem aquela pegada da luta naquelas tais de CEBS – Comunidades Eclesiais de Base. Não emite opinião sobre esses temas contundentes do momento atual, preferindo as trivialidades e vejo, ele tinha tudo para balançar a roseira e chacoalhar as estruturas. Possui até o biotipo, com as sandálias sujas de terrão.

A igreja de hoje é desanimadora e em sua maioria, todas suas instâncias não seguem o que o atual papa, o argentino Francisco diz, prega e segue. A maioria está em outra, faz vista grossa para o atual papa e seguem numa linha conservadora até a medula. Fui ler a entrevista no Jornal da Cidade, edição de hoje, do bispo que chega em Bauru e lá duas fotos marcam o texto, ele ao lado de dois papas, João Paulo II e Bento XVI. Não aparece ou não quer aparecer junto do atual papa. Algo significativo, muito significativo e que deveria merecer até uma cobrança por parte dos fiéis. Mas cobrar o que, se até os fiéis, ou a maioria deles, fazem o mesmo, se dizem católicos de quatro costados, dizem adorar o papa, mas quando o assunto é seguir o que ele está a dizer, fogem dessa ação como o diabo foge da cruz.

Hoje ocorre uma festa na praça Rui Barbosa e por lá dizem, devem passar durante o dia de hoje mais de 2000 pessoas, todas reverenciado a chegada do novo bispo. O país vive um dos seus momentos mais delicados desde que me conheço por gente, uma instabilidade mais do que comprovada e se for pedir algo desses por lá a respeito da prisão do ex-presidente Lula, da chegada dos golpistas ao poder, capaz da decepção ser maior que a esperança. Sei que se o quadro é de pavor com transformações dentro de uma igreja que outrora fez muito na resistência ao golpe militar, atualmente não espero mais nada, nem dessa igreja, muito menos das demais. Nessa ainda vejo um nome ou outro espalhado pela aí a resistir, mas nas demais nem isso. Falei dos padres e volto ao assunto para encerrar esse texto: que padre aqui desta cidade é de luta hoje? Não espero mais nada desses que chegam, pois se nem o que o papa faz consegue alterar sua rotina, não seria um escrito mequetrefe como o meu que os iria tocar. A perdição grassa e diante de tudo o que presencio, não sei como esse papa consegue se sustentar diante de tudo o que rola nas esferas abaixo dele. Ainda existiria a CEBS?

Diante disso tudo, só tenho algo a declarar, a posse do novo bispo me é indiferente, pois pelo que vejo, tudo continuará como dantes no quartel de Abrantes. Dizem até, com muitas possibilidades de piorar. Finalizo com um VIVA AO PAPA, até para se contrapor à toda louvação ocorrendo aqui bem próximo de casa, de onde já ouço os folguedos festivos.
Este é o padre Severino, um alento para essa região desprovida de religiosos ao lado do povo.

domingo, 20 de maio de 2018

CARTAS (188)


ESTÃO SACRIFICANDO SEU ÚNICO SALVADOR*

*Missiva deste mafuento escrevinhador publicada hoje na Tribuna do Leitor do Jornal da Cidade - Bauru SP. A ideia deste texto me foi apresentada inicialmente por Roque Ferreira, depois encampada e ampliada. Vale a pena uma boa discussão em torno do tema:

Que o momento atual do país já ultrapassou as raias do surreal, disto ninguém tem mais a mínima dúvida. O país de pernas para o ar e as instituições, inclusive as que possuíam alguma credibilidade, tudo numa danação de dar gosto. E a tendência é só piorar.

Alguém em sã consciência crê em alguma possibilidade de o país entrar nos eixos com Bolsonaro? Vai é acelerar sua decrepitude. Qual outro candidato possui a característica de aglutinar o país e reconduzi-lo à normalidade de anos atrás? A resposta é mais que óbvia, basta querer enxergar. Alckmin não conterá os movimentos sociais, Marina levará o país para o fim do estado laico, elevando os de sua Congregação como condutores do país e o Ciro Gomes com seu jeito esquentado vai acelerar a fermentação do país. Faça o mesmo com qualquer outro nome dentre os ditos com possibilidades e compare com o país que ele terá pela frente. Viveremos dias de caos, piores que os atuais. E as elites, essas que junto com a mídia e o Judiciário foram os artífices do golpe vigente, colocando Temer como mero executor do que decidem, essas se fossem menos estúpidas, teriam parado há muito tempo a marcha da insensatez. Sim, o que vemos rolando no país hoje é a mais insana Marcha da Insensatez que se tem notícia na História do Brasil.


Deram seu jeito de prender o ex-presidente Lula, mas não darão jeito no Brasil. A mistura de imediatismo e ódio nos trouxe ao fundo do poço, a um impasse do qual parece não haver saída. Ela existe e se chama Lula. Como todos sabem Lula nunca foi revolucionário e soube conciliar gregos com troianos, esquerda com direita, promovendo composições onde o país avançou como nunca dantes. Segurou as rédeas para não deixar a coisa ir para a esquerda e soube conter os da direita nos seus arroubos. A elite lá no fundo sabe que para os seus negócios o melhor neste momento é Lula, pois é o único em condições de ao assumir um novo governo, saberá como estancar os excessos de um lado e de outro. Nenhum outro conseguirá isso. Bom para todos.

Como é sabido, nos seus anos de governo todos os capitalistas ganharam muito e viveram felizes. Os movimentos sociais tiveram algo de suas reivindicações atendidas, os mais necessitados idem, não ocorreram retrocessos e a máquina andou, gerando progresso, estabilidade política, econômica e social. A única liderança que a maioria do País respeita está encarcerada e não existe outra neste momento em condições de normalizar os males onde estamos enfurnados. Com ele no poder não teremos revolução, convulsão social, desestabilidade financeira e sim acordos entre todas as partes, as possíveis e até as inimagináveis.

Basta olhar para trás, vejam o que o cara conseguiu fazer. Seguindo na mesma linha, ótimo. A esquerda chiará, a direita idem, o centro vai querer cargos, o povão vai ter suas prioridades atendidas, a oposição não vai ficar a ver navios e com tudo isso, mais um período de tranquilidade. Já, se a opção for convulsão, simples, mantenham o homem preso e deixem a coisa rolar, depois lá na frente, me contem o que se sucedeu. Pensando só um pouquinho, melhor soltarem logo Lula e o reconduzirem ao poder, pois ninguém aguenta mais o país sem perspectivas como nesse momento. E dai, vão querer que tudo piore ou estão a fim de ver a coisa entrar nos eixos, país recupando soberania e confiança? Questão de escolhas.

sábado, 19 de maio de 2018

UM LUGAR POR AÍ (108)


TROPICÁLIA NO TEATRO E O PREFEITO POR POUCO NÃO PRESENCIA O GRANDE FEITO DO GRUPO BAURUENSE - NOITE DE SEXTA
Foi ontem a noite. Marcado para começar às 20h, mais uma apresentação em Bauru do espetáculo "Tropicália - Bananas ao Vento", adaptação do versátil bailarino bauruense Sivaldo Camargo para a Companhia Estável de Dança de Bauru. Chego pouco depois do horário previsto, encontro dificuldades para estacionar o automóvel e já me alegro, ôba, dia de casa cheia. Subo as escadas e lá vejo que na Galeria de Artes algo com casa cheia. Descubro ser a abertura de uma exposição com acervo da FAAC UNESP, com obras de peso. Olho lá para dentro e vejo a diretora da FAAC e o prefeito numa solenidade se desenrolando. O espetáculo musical vai começar e adentro o teatro com amigos. Tudo mais que lindo, deslumbrante seria até o termo mais correto. Imagino o prefeitão tendo o prazer de ver uma cena onde um personagem, bem típico do momento da Tropicália perguntando ao distinto público, sobre a diferença entre as vacas e a classe média (perguntem ao Sivaldo sobre a resposta dada em cena), ou mesmo a lembrança de um estudante morto em maio de 68, o Edson Luís (onde mesmo? por que? como?) e, por que não, do lindo momento quando o bailarino Marcos Arantes levanta o cartaz, "É Proibido Proibir". E as músicas todas nos fazendo voltar no tempo e espaço, com aquela pegada que não me saiu da cabeça durante o espetáculo: como são atuais. Imaginava que o Gazzetta poderia ter no término da tal exposição ocorrendo ao lado, ter dado uma entradinha no recinto escuro do Teatro.

Descubro que não o fez. No teatro, casa quase pela metade, entre 150 e 200 pessoas, o que não deixa de ser um grande feito. Comento sobre a peça e o que seja isso de reviver a loucura do que foi um dia a Tropicália com duas diletas amigas, Regina Ramos e Luiza Carvalho, duas grandes damas que faço questão de fotografar. Que pena, o prefeito novamente perde a oportunidade de botar os olhos em algo feito, produzido e bancado pelo erário público municipal, instigante, provocante e por que não, revolucionário (diante das imbecilidades rolando mundo afora hoje em dia). Ele veio somente ao local atendendo convocação para evento mais glamouroso e não vai poder nem comentar nas rodas pela aí sobre as andanças da Cia de Dança pelas cidades da região e se tudo der certo, Ouro Preto, muito em breve. Do staff direcionativo da Cultura local não vi nginguém, nem num, nem noutro lugar, mas vi o prefeitão e sei ter ele perdido mais uma oportunidade de "tropicalizar" e assim sendo, até poder constatar in loco como o ar condicionado agora está mais do que nos trinques.

Circulo pela galeria, olho as obras, algumas de grande valor, nomes ilustres em algo que permanecerá por bom tempo ali exposto. Voltarei com Ana Bia Andrade em breve, até por ter encontrado ali exposto uma obra de amiga pessoal sua, a carioca Milhazes, de uma família toda transpirando Cultura. Bato mais um papo, revejo amigos, desço as escadas e vou ao encontro de minha cara metade na saída de suas aulas noturnicas de sexta. De lá, ninguém é de ferro, encontro com amigos do DNA (Lula Livre), reunião política, cerveja, churrasco e salada de Ora pro Nóbis. Algo possibilitado pela horta, cultivo pessoal de um brilhante amigo Guilherme Reis, transformando seu quintal num quadro bonito, igual ao pintado pela brilhante Milhazes. A noite rolou livre, leve e solta, mesmo o ex-presidente Lula continuando detindo irregularmente na masmorra curitibana e o prefeito não ter nem ao menos espiado o Tropicália na sua versão bauruense. Eu já vi umas três vezes e quero ver outras. Vou até Piraju (agilize isso Rosangela Maria Barrenha) em breve, rever a cidade, amigos de lá e novamente com Tropicália no palco.

TRÊS CARTAZES E UM GRAFITE NAS PAREDES DA UNESP BAURU E CHAMANDO A ATENÇÃO DESTE MAFUENTO HPA
Sabe aquele chavão do Jogo do Bicho, o "vale o escrito", pois bem, o ali escrito valem boas discussões sobre tudo o que nos cerca.

sexta-feira, 18 de maio de 2018

ALGO DA INTERNET (140)


KEVIN, O ESTUDANTE DE MUITO LONGE E SE INTERESSANDO PELAS COISAS DA ALDEIA BAURUENSE

Passo ontem pela banca da Ilda, aquela lá ao lado do autêntico, original e não falsificado aeroporto bauruense, o na avenida Octávio Pinheiro Brisola e ela me apresenta um rapaz nipônico. Foi muito rápido, apertamos as mãos e ele bate asas. Fico conversando e ela me diz o que venha a ser. Fala de uma matéria feita por ele envolvendo o que descobriu frequentando sua banca, tudo para aproveitamento no curso de Comunicação na FAAC Unesp onde estuda. Ilda me passou os dados e fui conferir. Gosto disso, de estudantes que não divagam e mesmo vindo de longe, como é o caso do KEVIN ACCIOLY KAMADA, Campinas, se debruçou sobre um tema local, da aldeia onde estuda e o destrinchou. Ficou ótimo.

Antes de reproduzir o texto, escrevo algo mais sobre isso, o fato dos estudantes viajarem na maionese em suas dissertações, TCCs, mestrados e mesmo teses de doutorado. Quem me abriu os olhos para algo sobre isso da pessoa estar desplugada do lugar onde vive foi, quando do meu mestrado, minha orientadora e alguns outros mestres. “Surgem os temas para trabalhos os mais tresloucados possíveis e poucos, raros sobre algo do local, pesquisa envolvendo coisas da aldeia onde estamos situados. Preferem falar de coisas pequenas, distantes, vagas, sem repercussão e raramente fazem citações de mestres daqui, preferindo fazê-lo com os de longe, gente conhecida mundialmente. O que quer dizer isso? Primeiro que poucos leem de fato o que se escreve e se publica aqui na cidade, depois ainda vale muito o dito de que ao fazer citação de gente graúda, o trabalho cresce em consistência. Ledo engano, mas...”, foi o comentário feito a mim várias vezes e por vários doutores da universidade.

Kevin chegou aqui faz pouco tempo, ano passado e em tão pouco tempo descobriu algo grandioso, o brilho proveniente de uma banca mais que iluminada, a da Ilda. Escreveu dela e aqui reproduzo o link para quem estiver interessado num texto pra lá de saboroso, o “Entre os jornais e as nuvens – Jornaleira do aeroclube resiste com uma das últimas bancas de Bauru”: http://www.kevinkamada.com.br/…/entre-os-jornais-e-as-nuven…

Ele não é único e o que faz serve como alento para um desabrochar de escritos variados e múltiplos explorando essa terra varonil, também dita como “terra branca”, lugar de instigantes personagens, assim como Ilda, com um algo mais por detrás do que fazem. O exemplo dele é gratificante. Leio e faço questão de divulgar.


UM ARGENTINO TOCANDO PARA BRASILEIROS EM BUENOS AIRES MUITOS ANOS ANTES DOS NEOLIBERAIS QUEBRAREM AQUELE PAÍS E OUTROS DA MESMA LAIA DAREM UM GOLPE NOS NOSSOS COSTADOS
A Argentina em sua versão neoliberal quebrou e feio, com o retorno ao FMI, depois de Nestor Kirchner ter conseguido dez anos atrás, a duras penas pagar tudo e deixar o país de fora desse insano clube, o dos que ficam de quatro pros endinheirados do mundo. Aqui neste vídeo, ano de 2014, quando Cristina Kirchner reinava naquele país e ele era bem diferente do que é hoje, uma turma de brasileiros num bar em Palermo, o La Peña del Colorado, muito bem integrados com os argentinos e esses tocam duas músicas brasileiras para integrar os dois países, com dignos representantes dos dois lados, cantando e dançando em tempos mais alegres, arejados e com alguma dignidade no modo de viver e de deixar viver. Hoje, eles quebrados, nós com um golpe de doer os ossos nos costados e caminhando a passos largos para a mesma situação do país hermano. Relembro com a devida emoção aquela passagem, neste vídeo gravado por mim e ao revê-lo quase choro. O bar de música rural argentina, onde por anos seguidos compareci na estada anual, o La Peña fechou suas portas e a melancolia hoje grassa como praga entre nós. Vale relembrar o quanto éramos felizes e não sabíamos. O neoliberalismo acaba com nossos sonhos, esperanças e alegria de viver. Como ir parea Buenos Aires e quere festar num momento como este? Impossível. Cabeça quente pela situação de ambos os países. Danaram com a vida da Argentina e do Brasil e a culpa é exclusiva da perversidade do neoliberalismo. Cliquem para assistir ao vídeo: https://www.facebook.com/henrique.perazzideaquino/videos/2107807452582586/

quinta-feira, 17 de maio de 2018

PALANQUE - USE SEU MEGAFONE (112)


COMO OS COM MENOS RECURSOS VÃO DANDO UM JEITO EM SUAS VIDAS – CARTÃO DE ZONA AZUL, CAMELÔ E ESTE ESCRIBA NUMA RUA DE BAURU
Contei aqui neste espaço meses atrás de como a Ilda, a dona da banca de revistas já junto ao Aeroclube de Bauru (o original e autêntico aeroporto desta aldeia) se virou quando ficou ausente, motivada por cirurgia, de seu posto de trabalho por mais de um mês. Seus amigos se reuniram e no sistema de rodizio mantiveram a banca aberta. Perguntei na época e volta a refazer a pergunta: Quem dentre os abonados de papel moeda fazem algo assim e buscam soluções tão simples para dar continuidade ao que fazem? Nenhum. Rico não confia em mais ninguém para dar prosseguimento ao que tão bem soube edificar (sic). Já o pobre se desdobra e tudo flui num mundo com mais esperanças. As relações humanas são mais transparentes, francas, simples e sensatas.

Conto algo bem simples ocorrido comigo no começo desta semana, num exemplo dos mais bobos, mas servindo para demonstrar como uns se resolvem como podem e outros, os tais da dita elite se isolam. Estacionei meu carro numa área de Zona Azul na rua Treze de Maio, entre a Batista e a Primeiro de Agosto, coloquei o talão e fui fazer o que havia me levado ao local. Demorei no máximo vinte minutos e ao voltar, quando abria a porta do carro sou abordado por uma das vendedoras camelôs da quadra, muito simpática, com um pedido: “O senhor vai jogar fora a sua folha do talão? Pode me dar, pois essas mais de meia hora me serão muito úteis”. Abro o carro, estendo a ela a folha e mais que a entrega, iniciamos uma conversação, não possível se não fosse a abertura dada com seu pedido.

E falamos de tudo um pouco, das dificuldades de quem está trabalhando nas ruas nos tempos atuais, da crise, do comércio bauruense e, principalmente, do antes e do hoje. Conversa das mais reveladoras e instigantes. Escrever sobre o que se passa com os vendedores ambulantes, os camelôs e todos os demais abrindo e fechando seus pequenos negócios, os que movimentam suas vidas nas calçadas não é possível ser feito quando mantida uma distância entre quem escreve e quem de fato vivencia a rua. Por causa disso, paro regularmente na Banca do Adilson, o Chamorro, na quadra debaixo, pois se alguém quer de fato saber algo sobre o que ocorre no centro da cidade, além de circular pelas ruas centrais, se faz necessário trocar ideias com ele, uma espécie de gerente, ou melhor, síndico da “massa falida” do local.

Escrevo tudo isso só para confirmar algo que já tinha como certeza dentro de mim, a de que o pobre é de uma sapiência singular. Ele dribla as adversidades ao seu modo e jeito. Se está difícil manter seu carro, o meio de transporte que usa para carregar suas mercadorias, estacionado e pagando a Zona Azul, nada como dar seu jeito de amenizar suas despesas. Um pouco aqui, outro ali e no final do dia, na somatória dos caraminguás, uma economia. Faz isso com tudo e os respeito cada vez mais exatamente por causa dessas pequenas ações. Isso sim é uma medida econômica de grande repercussão para seus negócios. Aprendo com todos eles.

A GREVE NA SAÚDE E O MEDO DAS DEMISSÕES DE QUEM DENUNCIA A SITUAÇÃO, COISAS DA FAMESP, GOVERNO DO ESTADO, REPRESSORES E GOLPISTAS
Recebo um texto compartilhado/escrito por Tatiana Calmon Karnaval com a seguinte introdução:
"Olá amigo - Envio por aqui porque não podemos curtir, nem publicar, nem compartilhador sob risco de demissão, como ocorreu semana passada com alguns colegas de trabalho..... É a reforma trabalhista. Demissão por justa causa. O texto reflete a realidade bauruense, paulista e bvrasileira pós golpe, com os trabalhadores totalmente desprotegidos".

EIS O TEXTO DENÚNCIA:
Os trabalhadores da Saúde estão em greve, buscando melhores condições de trabalho, salariais e de vida. As faixas com os valores do que recebem por mês estão expostas na frente do Hospital Estadual, da maternidade e do Hospital de Base. Salários indignos, muito inferiores aos auxílios moradias recebidos pelo judiciário.
E por falar em Judiciário, fiquei impressionada com a agilidade e destreza, no tocante a greve dos trabalhadores da saúde. O promotor pediu e o juiz concedeu liminar, em menos de 3 horas após a decretação da greve, para que setores como a UTI tenham 100% de trabalhadores e outros setores com 70% e 51% de atividade, para que não haja prejuízo da população....
Essa mesma agilidade e destreza não se observa quando as pessoas ficam esperando vagas que o Estado não fornece. Em um ano mais de 120 mortes em nossa cidade, por falta de vagas. Morte na fila de espera.
Cade agilidade para apurar a falta de remédios, fraldas, dietas, falta de suplementos, insulina e etc nas unidades básicas?
Cade agilidade para fazer com que o Estado forneça ou conserte equipamentos que vivem quebrados, fazendo com que exames sejam constantemente adiados?
Os trabalhadores da saúde fazem parte da população também?
A falta de pessoal faz com que nenhum setor opere 100% no dia a dia, levando quem esta no trabalho a jornadas estressantes, exaustivas e com salários que beiram a indecência.
As condições de trabalho, de material e salarial impactam diretamente na qualidade do serviço prestado. Ou seja, constantemente, a população tem péssimo serviço e nessas horas, cade a agilidade do Judiciário?
Os trabalhadores da saúde e seus familiares tem acesso à saúde? Nao!!!

TC 14-5-18".

quarta-feira, 16 de maio de 2018

BAURU POR AÍ (152)


O GRANEL LÁ DO GASPA SOUBE DAR A VOLTA POR CIMA – ADORO O COMÉRCIO DOS BAIRROS
Eu sempre gostei muito de fazer compras em mercados e vendas de bairros. Primeiro porque sei que os custos destes são menores e daí uma grande possibilidade dos preços serem mais convidativos. Podem me dizer que, esses não conseguem concorrer com os grandões, pois esses compram mercadorias de caminhões fechados e os pequenos de atravessadores, em muito menor quantidade. Sei disto, mas o que me encanta nesta vida é ver a vida fluindo para os pequenos, os que conseguem abrir uma pequena venda e dela fazem o negócio de suas vidas. Tudo gira em torno daquele negócio, muitas vezes localizado em bairros periféricos e num lugar onde todos se conhecem. Até o pagamento fiado ainda existe e vence o tempo, pois quando um conhece o outro, conhece seus hábitos, o dia quando recebe, um confia no outro e a coisa rola de uma forma impossível num grande negócio, onde não existe isso do dono do negócio estar ali presente e acompanhar todas as fases da venda, desde a compra, por exemplo, dos hortifrútis no Ceasa, até a colocação da mercadoria na gondola, depois a venda e também o depósito no banco.

Tenho afeto especial por um mercado de bairro e dele escrevo umas poucas linhas. Trata-se do GRANEL SUPERMERCADO, lá no coração do Gasparini. O Mauro, seu proprietário é um batalhador. Começou pequeno, numa portinha e foi crescendo. Conseguiu até comprar uma fazenda, criar gado, mas foi enganado por ladrões que, lhe passaram a perna. Foi triste demais acompanhar a penúria do Mauro e de sua família após o feito. Sabe o que fizeram? Se enfiaram novamente no trabalho, trabalharam dia e noite, algo ininterrupto e nessa semana quando passo novamente por lá tenho uma belíssima surpresa. O mercadinho voltou a ser um mercado de responsa, desses de encher os olhos e dignificar o lugar. Se pudesse só compraria o que preciso para sobreviver em mercados tipo o do Mauro, pois sei o quanto suaram para chegar onde estão. Essa volta por cima foi das mais dolorosas. Ele sabe desse negócio de mercado, cresceu e perdeu tudo. Foi quando fechou os olhos, acreditou no pessoal do seu bairro, os à sua volta e pouco a pouco foi reconquistando tudo. Creio eu hoje, se ele tem que reconhecer alguém pela belezura do que vejo lá no Granel isso se deve em grande parte ao povo do Gaspa que acreditou neles todos e o fizeram dar a volta por cima.

Quem ganhou foi a população do bairro, pois hoje, quando ele está novamente firme, todos ganham. Mauro e sua esposa, ela sempre no caixa, pegando no pesado com ele, seu filho e parentes próximos são os belos exemplos de criatividade e de como algo montado num distante bairro pode dar certo e vicejar de forma altaneira. Tenho certeza que os moradores estão orgulhosos e contentes pelo tipo de mercado que o Mauro propicia aos seus, não devendo nada para os grandões da cidade. Ele tem de tudo, o pão é ótimo, o açougue bem uma pessoa especializada no corte de carnes, nas bancas de verdura tem de tudo e o caminhão do Granel está de madrugada buscando tudo no Ceasa e com outros fornecedores. Eu não ganho nada escrevendo e contando histórias como a da família do Mauro, nem ele sabe que estou escrevendo dele, mas me enche de prazer fazê-lo, pois acompanhei sua luta, abnegação e sei, hoje ele está mais atento, não se deixará enganar pelos aproveitadores que surgem assim do nada, nos oferecem vantagens, preços não existentes no mercado, mas no fundo querem mesmo é nos passar a perna.

Coisa pra me deixar contente é ver esses mercados de bairro dando certo. Em Bauru tem muitos com tudo em cima. Juntando o tino comercial, com a necessidade do local, na junção disso tudo uma grande possibilidade desses terem sucesso e os do bairro não irem em debandada comprar em lugares distantes. Tenho certeza que o povo do Gaspa gosta muito do Granel. É um dos locais dos mais agradáveis por lá e para quem não conhece vale a pena. Os bairros de Bauru possuem lugares inacreditáveis de saborosos. Em cada um, algo diferente, cheio de vida, pulsando e irradiando algo de bom. Não me canso de enxerga-los e ir contando algo por aqui.

A APROPAGANDA GOLPISTA APUNHALA ELES MESMOS
'O Brasil voltou, 20 anos em 2', diz convite de comemoração do governo Temer
Temer, o insano golpista e sua thurma são mesmo ruins da cabeça e doentes do pé. Paga para uma agência de publicidade fazer um anúncio com o slogan acima e a divulga sem sacar a imensa pisada de bola. O cara assume publicamente que fez uma merda mais que danada com o país. Nisso ele acertou na mosca, o país voltou vinte anos em apenas dois e estamos no fundo do poço. Daqui pra frente, só merda.

terça-feira, 15 de maio de 2018

DOCUMENTOS DO FUNDO DO BAÚ (115)


MOREIRA E OS EXEMPLOS DE ANTANHO PARA SER O QUE É HOJE - BAITA SER HUMANO
João Carlos Dias Moreira ou simplesmente MOREIRA, como todos o chamam, faz aquilo que gostaria de fazer na vida, ser CAIXEIRO VIAJANTE nesse insólito século XXI, beiradas do XXII. Ele revende produtos como faziam os antepassados vendedores, indo de local em local, conhecendo as pessoas, vendo os clientes nos olhos, apertando suas mãos, bebericando uma com cada um deles, algo já meio inimaginável nesses tempos ditos modernosos. Acabou por se especializar em comercializar produtos na beiradas de vilas, barrancas mais profundas deste país, principalmente em bares e armazéns da zona rural, num raio de 100 km da aldeia bauruense. Viaja diariamente para lugares perdidos no tempo e no espaço, come muito poeira, mas vive com o pé na estrada e faz o que poucos hoje fazem, une o útil ao agradável, conseguindo conciliar o serviço, o ganha pão com algo prazeroso. Moreira nos mata de inveja, mas aquela inveja gostosa. Bater um papo com ele é viajar sem ao menos ter saído de casa, algo lúdico, encantos mil.

Moreira passou em casa semana passada por dois dias seguidos e nos dois sentamos e ganhei muito, pois consegui se surrupiar algumas histórias. Ele as tem demais da conta. Conta uma inicial, sobre essa tal de TV Globo, uma que nos faz de bobos sem esboçarmos reação. Dizia ele, quando conversávamos sobre o mal que o neoliberalismo produz na mente do ser humano e alguns querem ser mais realistas que o rei. Ele havia acabado de assistir no dia seguinte no telejornal Hoje, aquele da hora do almoço uma matéria sobre a quebradeira geral da Argentina, o fundo do poço em que o salafra do Macri enfiou seu país, com um dólar chegando a valer $ 25 pesos e o tudo sendo entregue para o FMI tomar conta, ou seja danar a vida do povão, com sacrifícios mil. E querem fazer o povão enxergar que o culpado é o governo anterior, o dos Kirchner, um que tirou o país do FMI e, assim como Lula fez aqui, atendia anseios populares. Daí entra o Moreira com sua sapiência e me diz: “Primeiro mostram a derrocada da Argentina e para enganar o povão, mostram a seguir uma matéria sobre o Paraguai e como por lá a coisa neoliberal acontece, ressaltando das indústrias brasileiras indo se instalar por lá. Querem induzir que o culpado do fracasso de um e o sucesso de outro não é o neoliberalismo. Enganam só os trouxas, mas enganam, pois hoje tem trouxa até demais por aí”.

Isso foi só um aperitivo, pois na sequência veio o melhor de tudo, com duas historinhas de levantar poeira. Ele me dizia ter crescido em Garça e viveu sua infância vendo o avô trabalhar numa venda rural, lugar onde os graúdos, os fazendeiros e os endinheirados se reuniam no final da tarde para contar seus feitos, as vantagens conseguidas durante o dia. Ali bebiam e falavam de tudo e ele ali vendo a cena, aqueles senhores gordões, de suspensório, fumando cigarros de marca, botinas de cano longo, eles num canto e os pobres noutra, quase sempre do lado de fora. Num desses dias, um desses enxerga o garoto num canto e lhe pergunta: “O que quer ser na vida garoto?”. Ficou todo sem jeito e por causa disso não respondeu. O avô lhe veio em socorro e disse que o neto era tímido, não era dado a falar assim com gente importante. Logo acabou novamente esquecido num canto do lugar. Ele relembra e me rememora o que gostaria de ter respondido para aqueles todos, não o fez e hoje se arrepende. “O que gostaria de responder era que poderia ser muita coisa na vida, nada muito certo, mas de uma coisa tinha certeza, de não querer ser pessoas iguais aqueles senhores. Aquele jeito deles me causava repulsa, sentia por eles algo repugnante”.

Conta outra do mesmo local, algo vivido nas beiradas de Garça, onde desde menino ia na igreja do bairro e lá, ele mesmo me disse assim textualmente, “vivenciava as diferenças proporcionadas pela luta de classes”. A igreja aos domingos lotada e nos principais lugares os graúdos do lugar, esses chegavam e sentavam em lugares a eles já estabelecidos, sem existir a necessidade de ninguém guardar lugar, pois os da frente eram dos caras. O povão ficava ou em pé, rodeando os graúdos, encostados na parede ou quando tinham sorte sentados nos últimos bancos, bem ao fundo. Sua lembrança vai para um dia quando o padre carrega na homília e fala sobre os males deste mundo, das diferenças existentes e do lugar onde cada um deve estar na sociedade. Diz ser inesquecível, dessas coisas lembradas sempre, o olhar que esses deram para tudo o mais, como a dizer aos simplões, os pés rapados, como a confirmar o dito pelo padre: “Isso é para vocês, não para nós. Obedecer é o que lhes resta nesta vida”.

Isso tudo o foi modelando ao longo da vida e o fez ser o belíssimo ser humano de hoje em dia. Moreira vale mais, tanto no que faz, como nos exemplos de vida, na forma como toca a sua e conduz os seus, do que esses graúdos todos que se dizem os donos de tudo.