segunda-feira, 16 de julho de 2018

O QUE FAZER EM BAURU E NAS REDONDEZAS (103)


O QUE FOI O “JULGAMENTO DE SÓCRATES”, COM TONICO PEREIRA EM BAURU NA NOITE DE DOMINGO?
Platéia surpreendida por Tonico.
Essa a peça que TONICO PEREIRA trouxe para Bauru na noite do último domingo, 15/7, causa comoção na plateia lotando o Teatro Municipal de Bauru. Evidente a interligação com fatos atuais, com esse cruel e insano momento vivido pelo Brasil. Tonico faz isso com maestria e expõe em pouco mais de uma hora de interpretação solo algo a doer às vísceras de quem assiste. Plateia atenta e lotando os quase 600 lugares percebe, só depois do espetáculo já ter tido início que, ali no palco algo mais do que um ator global. Muitos vieram para ver o tal ator, mas se surpreenderam com a intenção da trama teatral, a de expor, jogar na cara da plateia algo mais, escancarar a hipocrisia reinante nos tempos atuais, nessa incestuosa relação dos homens com as tais leis de mercado. Para muitos foi um sonoro soco no estomago, dado ao vivo e a cores, não possibilidades de desistir de ver tudo até o final. Foi divertido constatar isso, a intenção de muitos em ali estar para presenciar um ator global, mas quando ali dentro do teatro, foram surpreendidos com um soco no estomago, um toque de realidade que não esperavam. Tonico saiu vencedor e ao transpor o Julgamento de Sócrates para nossos dias, mostra os vários Sócrates fazendo parte de sua vida e, por fim, faz a tão necessária alusão com o momento presente. No final do espetáculo, inevitável os gritos de “Lula Livre” vindos da plateia e a expressão de espanto da maioria dos presentes, ainda não acreditando no que viam. Muitos engoliram em seco, não tiveram como reagir negativamente, pois tudo havia siso escancarado em suas caras. Foi lindo demais da conta e para finalizar, nada melhor do que explicar o que venha a ser esse julgamento. As alusões com o nosso presente ficam mais do que evidentes e necessárias. Gravar com ele no final do espetáculo, a compreensão do ator diante de alguns atores da cena política local foi a extensão natural para uma peça tão insólita, real e recheada de realidade. Foi algo inolvidável para a cena teatral bauruense.
Ator entre Lázaro Carneiro e Rubens Colacino.


O que venha a ser o JULGAMENTO DE SÓCRATES? Entenda: “Diante do tribunal popular, Sócrates é acusado pelo poeta Meleto, pelo rico curtidor de peles, influente orador e político Anitos, e por Licão personagem de pouca importância. A acusação era grave: não reconhecer os deuses do Estado, introduzir novas divindades e corromper a juventude. O relato do julgamento feito por Platão (428-348 a.C.) a Apologia de Sócrates, é geralmente tido como bastante fiel aos fatos e apresenta-se dividido em três partes. Na primeira, Sócrates examina e refuta as acusações que pairam sobre ele, retraçando sua própria vida e procurando mostrar o verdadeiro significado de sua "missão". E proclama aos cidadãos que deveriam julga-lo: "Não tenho outra ocupação senão a de vos persuadir a todos, tanto velhos como novos, de que cuideis menos de vossos corpos e de vossos bens do que da perfeição de vossas almas, e a vos dizer que a virtude não provém da riqueza, mas sim que é a virtude que traz a riqueza ou qualquer outra coisa útil aos homens, quer na vida pública quer na vida privada. Se, dizendo isso, eu estou a corromper a juventude, tanto pior; mas, se alguém afirmar que digo outra coisa, mente". Noutro momento de sua defesa, Sócrates dialoga com um de seus acusadores, Meleto, deixando-o embaraçado quanto ao significado da acusação que lhe imputava - "corromper a juventude". Demonstra que estava sendo acusado por Meleto de algo que o próprio Meleto não sabia bem explicar o que era, já não conseguia definir com clareza o que era bom e o que era mau para os jovens.
Com o iluminador Silvio Selva, altos papos.

Em nenhum momento de sua defesa - segundo relato platônico - Sócrates apela para a bajulação ou tenta captar a misericórdia daqueles que o julgavam. Sua linguagem é serena - linguagem de quem fala em nome da própria consciência e não reconhece em si mesmo nenhuma culpa. Chega a justificar o tom de sua autodefesa: "Parece-me não ser justo rogar ao juiz e fazer-se absorver por meio de súplicas; é preciso esclarecê-lo e convence-lo". Embora a demonstração pública da inconsistência dos argumentos de seus acusadores e embora a tranqüila e reiterada declaração de inocência - e talvez justamente por mais essas manifestações de altaneira independência de espírito -, Sócrates foi condenado. Mesmo para uma democracia como a ateniense, ele era uma ameaça e um escândalo: a encarnação, para a mentalidade vulgar, do "escândalo filosófico" que, ali mesmo em Atenas, acarretara a perseguição de Anaxágoras de Clazômena, que se viu obrigado a fugir.
Agradecer ao ator pelo ali propiciado.

Como era de praxe, após o veredicto da condenação, Sócrates foi convidado a fixar sua pena. Meleto havia pedido para o acusado a pena de morte. Mas seria fácil para Sócrates salvar-se: bastava propor outra penalidade, por exemplo pagar uma multa, como chegaram a lhe sugerir os amigos. Afinal, fora difícil obter um veredicto de culpabilidade: havia sido condenado por uma margem de apenas sessenta votos. Qualquer pena moderada que ele mesmo propusesse seria certamente acatada com alívio por aquela assembléia constrangida por condenar um cidadão que, apesar de suas excentricidades e de suas atitudes muitas vezes irreverentes e incomodas, apresentava aspectos de indiscutível valor. Afinal, era aquele o Sócrates que não se havia deixado corromper pelos tiranos, inimigos da democracia, e que lutara bravamente na guerra por sua cidade e por seu povo. Bastava que declarasse estar disposto a pagar algumas moedas - e todos sairiam dali satisfeitos consigo mesmos, por terem cumprido o "dever" de punir um cidadão suspeito de atividades nocivas a cidade, e mais contentes ainda por se sentirem magnânimos, ao permitirem que continuasse vivendo.
Claudio Lago e este HPA o entrevistam sobre o momento atual.

Mas Sócrates não faz concessões. Propor-se a cumprir qualquer pena, mesmo pagar uma multa, por menor que fosse, seria aceitar a culpa de que não o acusava a própria consciência. Na segunda parte da Apologia, Platão descreve o momento em que, novamente diante de seus juízes, Sócrates estabelece a pena que julgava merecer. Nem exílio, nem multa. "Ora, o homem (Meleto) propões a sentença de morte. Bem; e eu, que pena vos hei de propor em troca, Atenienses? A que mereço, não é claro? Qual será? Que sentença corporal ou pecuniária mereço, eu que entendi de não levar uma vida quieta? Eu que, negligenciando o de que cuida toda gente - riquezas, negócios, postos militares, tribunas e funções públicas, conchavos e lutas que ocorrem na política, coisas em que me considero de fato por demais pundonoroso para me imiscuir sem me perder -, não me dediquei àquilo a que, se me dedicasse, haveria de ser completamente inútil para vós e para mim? Eu que me entreguei à procura de cada um de vós em particular, a fim de proporcionar-lhe o que declaro o maior dos benefícios, tentando persuadir cada um de vós a cuidar menos do que é seu do que de si próprio, para a ser quanto melhor e mais sensato, menos dos interesses do povo que do próprio povo, adotado o mesmo princípio nos demais cuidados? Que sentença mereço por ser assim? Algo de bom, Atenienses, se há de ser a sentença verdadeiramente proporcionada ao mérito; não só, mas algo de bom adequado a minha pessoa. O que é adequado a um benfeitor pobre, que precisa de lazeres para vos viver exortando? Nada tão adequado a tal homem, Atenienses, como ser sustentado no Pritaneu; muito mais do que a um de vós que haja vencido, nas Olimpíadas, uma corrida de cavalos, de bigas ou quadrigas. Esse vos dá a impressão da felicidade; eu, a felicidade; ele não carece de sustento, eu careço. Se, pois, cumpre que sentenciam com justiça e em proporção ao mérito, eu proponho o sustento no Pritaneu."
Sócrates não deixava saída para seus juízes. Ou a pena de morte, pedida por Meleto, ou ser alimentado no Pritaneu, enquanto fosse vivo, como herói ou benemérito da cidade. Impossível voltar atrás, desfazer a condenação, inocentar o acusado. Entre a morte e as impossíveis recompensas, ou juízes ficaram sem alternativa real. Para não abrir mão de sua própria consciência, Sócrates optara pela morte. Que então morresse”, Immanuel Kant, Introdução à crítica do juízo. 2 ed, [Tradução Rubens Rodrigues Torres Filho], São Paulo: Abril Cultural, 1984 (Os Pensadores).



Abaixo a gravação, curta e grossa, sem edição, permitida pelo ator nos bastidores, na saída do espetáculo teatral, um bate bola entre esse HPA e Cláudio Lago com Tonico e das relações da peça com o momento atual. Um registro mais que histórico:

domingo, 15 de julho de 2018

MEMÓRIA ORAL (226)


REENCONTROS NA FEIRA E A HISTÓRIA DE UM REENCONTRADO

Gosto muito de escrevinhar algo dos meus diletos amigos. A cada dia escolho um e o coloco no paredão. Hoje na feira matinal reencontro um desses, oriundo de Pompéia, ali do lado de Marília. Nos anos 80 trabalhamos juntos na Bradescor e dali nasceu uma amizade a perdurar para todo o sempre (toc toc toc). Hamilton Suaiden é o popular TURCO e alguns anos depois do episódio Bradesco, ele estudando Direito em Bauru (concluiu o curso e nunca advogou, mas é formado pela ITE) quis ser candidato a vereador e fizemos juntos um folheto de campanha escrito à mão e com uma ilustração da Graúna no rodapé. Inovamos e ele teve mais de 200 votos, algo muito legal para um recém chegado na cidade.

O Turco possui uma característica só dele, própria dos libaneses, do qual é oriundo. Ele é entrão, mas não aquele entrão chato que se mete em tudo, ele é um hábil vendedor, desses desavergonhados para a prática do negócio de saber passar adiante algo. Sabe oferecer e o faz com maestria. Sempre babei de vê-lo vender qualquer coisa que lhe pusessem nas mãos. Quando qualquer outro se mostra acanhado, ele é arrojado e vende de tudo. Durante mais de uma década foi um dos maiores vendedores de assinatura de revistas deste país. Aliás, conheceu o país inteiro vendendo revistas, de norte a sul e só voltou lá do Nordeste por pura opção pessoal, pois estava mais do que famoso e bem estabelecido. Após rodar o país inteiro bateu aquela saudade dos seus filhos, apeou da estrada e voltou para Bauru onde esses residem.


Suas histórias são todas cheias de ricos detalhes, desses do sujeito parar diante de quem as conte e babar na fronha. Impossível não se deixar levar com alguém tão rico em belas histórias. Posso não concordar com ele na totalidade de suas ideias (como de fato não concordo), mas não consigo também me manter distante da boa conversa toda vez que revejo pela aí. Desde quando voltou, matutou muito até encontrar algo para fazer da vida e mesmo sem nenhum experiência, abriu uma pastelaria na rua Primeiro de Agosto, quase esquina com a Treze de Maio e ali está sabendo sobreviver e reunir amigos, considerados, desocupados, desorientados e toda uma legião de novos e velhos clientes. O pastel é bom, melhorou com o tempo e o que o faz ir tocando o barco sempre pra frente é o seu jeito malemolente, algo diferenciado na forma de cativar as pessoas.

Eu passo em frente e já quero entrar para o bate papo. Sempre foi assim. Tenho inúmeros amigos dos tempos do banco, mas esse é realmente diferente, um que, pelo jeito ,sempre seremos uma espécie de unha e carne. Já tentei discutir como gajo, mas isso me dói muito e daí, reconsidero e tocamos o barco com as divergências todas. Turco é um dos poucos amigos que possuo, profundo conhecedor das quebradas do mundaréu do mundo da jogatina nesta cidade. Conhece todos os pontos de bilhar da cidade e os mais incrementados de carteado. Conhece também os ainda funcionando para o jogo da bocha. Histórias das mais interessantes rolam nesse meio de campo e para saber das últimas, mesmo ele estando um tanto desligado e destreinado, continua sabendo de tudo. Quando de suas viagens país afora trouxe consigo na algibeira o conhecimento dos lugares onde isso tudo rola solto no resto do país.


O gostoso quando ao seu lado é ir provocando e, a partir daí, ele vai sacando histórias do fundo do baú. Hoje estava na feira para comprar verduras para seus acepipes e quitutes na pastelaria, mas como sabe onde me encontrar e também não consegue vir na feira e deixar de botar os pés (e as mãos também) nos seus cantos mais sórdidos. Sentamos um bocadinho curto de tempo, proseamos na medida quase exata, em algo onde sempre na despedida, a nítida e certeira impressão de ter sobrado assunto e faltado tempo. Cada amigo em especial possui uma particularidade mais que especial, esse possui o dom de te atrair pelo jeitão simples de tocar sua vida, de enfrentar todos seus problemas, de entrar e sair das situações e só por causa disso, como não querer ouvir as últimas, penúltimas e todas as outras histórias de algibeira guardadas para ocasiões como essa.


Quer uma relevante história a envolver o Turco e sua pastelaria? Conto uma, dentre tantas, uma dignificante. Coração de ouro. Quem está trabalhando com ele, uma espécie de faz tudo na cozinha, mão de ouro, podendo demonstrar suas habilidades nos quitutes é o NETO, o ex-companheiro de todas as horas do saudoso Paulo Keller. Neto já fez de tudo após a passagem do Paulo, tento o buffet, mas bateu cabeça e quem lhe deu a possibilidade de continuar atuando pela aí foi o Turco. Esse conta das habilidades do contratado na cozinha e das delícias que saem de suas hábeis mãos. Como todos nós, Neto não é uma pessoa fácil (mas quem o é?). O gostoso dessa vida, diria até saboroso é ir descobrindo como foi possível reabilitar a mão nunca perdida de alguém distante da cozinha por um tempo, mas dessas nunca a perder o traquejo. Um sabe ir conduzindo o outro e assim, seguem juntos, cada um ajudando o outro no que pode. Noutro dia que passei por lá, uns salgados diferenciados expostos e ao perguntar, tomo conhecimento, tudo possível pela mão do Neto. E ele ali ao lado para receber o elogio.

Eu tenho amigos que suas histórias merecem um livro. Eis um deles. Esse digno representante da família Suaiden, apelidado de Turco por causa desse imenso nariz e o jeito de ser de toda uma raça, uma que aqui aportou alguns séculos atrás, conseguiu fazer deste país o mundo deles e seguem adiante construindo aos trancos e barrancos belas histórias de vida. Todos já tivemos momentos melhores, muito mais alvissareiros que os de hoje, mas se olharmos para trás, principalmente quando diante de gente da estirpe deste Turco, dá para se traçar um belo perfil de vida. Qualquer dia laço esse Turco e gravo parte de suas histórias, seus relatos de viagens, as indescritíveis andanças de um que, num certo momento de sua vida, criou coragem, saiu de sua zona de conforto, deixou seu mundo para trás e foi dar de cara com o mundo. E foi bem sucedido, o que rende conversas pra lá de saborosas. E gente com histórias saborosas na ponta da língua são merecedoras de toda a atenção do mundo.

sábado, 14 de julho de 2018

MÚSICA (162)


MEDICAMENTOS PARA DORMIR


SEGUNDA: O BRASIL ESTÁ MESMO PELA HORA DA MORTE E EU SÓ CONSIGO DORMIR APÓS TOMAR MEUS MEDICAMENTOS
Hoje, por exemplo, enquanto não revi o curto vídeo do Aldir Blanc cantando num botequim pé sujo na Tijuca, sentado e escorado pela sua inseparável bengala, a sua música mais famosa, não teria como dormir. Ao ir ouvindo, fui me desligando das atrocidades cometidas nesse país doente e senil, daí fui relaxando, a tremedeira desapareceu e entrei no clima. Rodeado daquele conversê só possível em quem chafurda pelos botequins mais sórdidos desse mundo, só assim, com essa medicação na medida exata, deito e durmo. Do contrário, nem com sonífero sossega leão. É o que me mantém vivo. Sobrevivo assim... Eis o link: https://www.youtube.com/watch?v=M0Z1kDVI_xI

TERÇA: AH, O QUE SERIA DESSE POBRE MORTAL SEM SEU NOTURNICO MEDICAMENTO...
São doses certeiras, consumidas dentro da exata quantidade e após um dia inteiro de intensa estupefação, eis que na noite o estado febril se avoluma. O corpo padece demais da conta nesses tempos, onde tudo está mais que dominado. Para dormir só mesmo algo como "Milonga pra loco", do gaúcho Bebeto Alves, um a me fazer esquecer das bestialidades lidas, sentidas e sofridas nos embates diários. Vou ouvindo a milonga, ela invade meu quarto e acaba por expulsar os retrógrados que me acompanharam o dia inteiro. Quando a judiaria estava se exaurindo, a batidinha do violão me acalma, a fala loca do cantante me leva pra nanar e só então durmo. Eis meu medicamento: https://www.youtube.com/watch?v=TQlk89KPyCg. Quem disse que a música não é curativa?

QUARTA: NÃO PENSEM TER DORMIDO SEM MEU MEDICAMENTO
Não o faço mais, virou a única forma de conseguir pregar os olhos. As barbaridades são tantas, tamanhas que, sem a dose diária, regulada na medida exata e indicada por acertadas receitas, prescritas muito longe de consultórios médicos. Cabem na medida para as dores que sinto dentro do peito. Querendo continuar lendo e participando das barbáries cometidas por esse tal de doente crônico denominado facebook, a tal terra de ninguém, nadamelhor do que no final do dia, quando tudo está lá de uma certa forma concentrado na mente do gajo, ele fique estático, petrificado e mesmo diante do irremediável cansaço, o sono não vem. A mente em ebulição não permite. O que ainda permitem (não se sabe até quando) é colocar na vitrolinha aquele som ameno, aquele que te faz voar sem tirar os pés do chão, daí com a música penetrando nas suas entranhas mais profundas, você se dá por vencido e quando percebe ronca. Nessa noite passada só consegui a minha dose de Diazepan com UM TREM PRAS ESTRELAS - CAZUZA. Experimentem: https://www.youtube.com/watch?v=sr8WspaGvHw.

QUINTA: O SONO NÃO VEM - PUDERA, ESTAVA ESQUECENDO DO MEU MEDICAMENTO...
Não estão sendo dias fáceis. Esse golpe danificou a mente dos brasileiros, já um tanto avariada com o que a mídia foi produzindo ao longo dos últimos tempos na mente dos desavisados. O país acabou por se transformar numa terra de ninguém, tudo às avessas. Alguns, dentre eles os mais simples não se deixaram perder de todo. Conto algo. Um encanador aqui em casa consertando um estrago no banheiro me diz da música que ouvia. Me diz ser triste, mas muito bonita, quer saber quem é. Falo que só ouço a Unesp FM e que esse a cantar é o João Bosco, não o da dupla sertaneja, mas um mineiro. Ele me diz conhecê-lo. Conto a história da música, "SINHÁ", do Chico Buarque, mas que na voz e violão do João são mesmo eletrizantes. O sinhozinho está prestes a cegar o escravo, tudo por ele ter supostamente olhado a patroa tomar banho nua na cachoeira. O pedido de clemência do negro é de doer a alma. Não falamos mais nada até o final da canção. "Eu choro em yorubá, mas oro por Jesus, por que que vosmicê me tira a luz?", diz a letra e nós dois ali sem voz. Eis o link: https://www.youtube.com/watch?v=ZhLAig0uOL0. Neste momento, 23h25, corpo mais que cansado, acho Sinhá no youtube e com ele rolando na vitrolinha, o corpo vai amolecendo, medicamento fazendo efeito e durmo sentado, misturando a crueldade daqueles tempos com a desse nosso tempo. A música é linda, mas as histórias são tristes demais. Prometo que vou tentar acordar amanhã cedo, mas não sei se conseguirei.

SEXTA: ME CONVIDARAM PRA SAIR, MAS SEM O MEDICAMENTO, VOU NÃO
Está frio, algo pra lá dos conformes bauruenses, quando estamos acostumados com temperaturas bem mais amenas. Os embates diários continuam fervendo a moleira dos sensatos e uma brigaiada sem nexo, muito da desconexa pipoca pelas redes sociais, bolsonarizando a cabeça dos incautos. Melhor ficar de fora desse triste momento da vida nacional, mas quando chega uma hora dessas, corpo cansado e sem conseguir o devido descanso por causa dos encostos se aproximando durante a refrega do dia. Vou na estante, acho um CD da Joyce Moreno e depois de ver que a Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro, loteada de caducos e abilolados comandados por Crivella lhe salvam a vida, escolho algo bem na contramão do que pregam esses boçais para ver se o corpo volta ao normal: "O samba da Zona". Eis o link: https://www.youtube.com/watch?v=Xwu1MpEA0es. Enquanto o parlamentar quer curar a paraplégica deputada pela força de sua banal e sacana oração, prefiro dançar na Zona, algo muito mais edificante. Ouvindo a boa música e com recordações de antanho, dos tempos quando existia zona em Bauru, consigo me acalmar e vou lentamente me recolhendo aos meus modestos aposentos. Só assim...

SÁBADO: A cada dia um medicamento diferente. Imaginem o que poderia me salvar e fazer dormir na noite de sábado?

sexta-feira, 13 de julho de 2018

DICAS (174)


DOIS ATORES DA MAIOR RESPONSA ENTRE NÓS – VAMOS VÊ-LOS? IMPERDÍVEIS E LIBERTÁRIOS...
Hoje, sexta 13, duas notícias dessas mais que ótimas, para espantar o azar reinante nesse país golpeado por malversações diárias.

São dois da melhor cepa, desses que a rara oportunidade pede para o breque mais que obrigatório, reunião de possibilidades, junção de caraminguás, sendo feito de tudo e mais um pouco com o intuito de ir vê-los pessoalmente e se possível, até um papo, certamente dos mais agradáveis, pois ambos fazem parte do segmento dos arejáveis tupiniquins. Escrevo de ambos.

Dia 15/7, domingo, aqui em Bauru a presença de TONICO PEREIRA. Um desses atores na acepção da palavra, bom demais da conta e com um poder de interpretação a me fazer babar na fronha. Ator de uma TV cada vez mais massificada e massificante, consegue se sobressair e com seu trabalho irradia para todos os ventos do que é ser independente, possuir ideias próprias. Dos poucos que não se deixa levar e mesmo atuando na TV Globo consegue corajosamente expor o que pensa e não se cala diante dos fatos atormentando o país. Toma partido e o faz ao lado da defesa de LULA LIVRE e pelo fim desse cruel e insano golpe. Estará no teatro Municipal de Bauru com a peça “O julgamento de Sócrates”, release: ‘A história é uma adaptação do livro Apologia de Sócrates, de Platão, realizada pelo premiado autor Ivan Fernandes em forma de monólogo, com o ator Tonico Pereira no papel título. O espetáculo dramatiza a defesa de Sócrates no julgamento que o condenou à morte por envenenamento. É talvez o primeiro grande caso na história da humanidade de um homem ser condenado por ter ideias diferentes do estabelecido pela sociedade. Através desse caso, a peça debate a liberdade de expressão e o pensamento no mundo contemporâneo”. Outro dia vi Tonico dar um depoimento sobre a arbitrária prisão de Lula e além de tudo, por não ser guiado como manada nesse país cada vez mais servil, merece todo nosso respeito e consideração.

Dia 20/7, sexta que vem, exato uma semana, quem estará em Lençóis Paulista será PAULO BETTI, o ator assumidamente caipira, pois nascido em Sorocaba, faz questão de não perder o sotaque e a picardia da rebeldia, sempre presente em seu trabalho. Paulo é um homem de esquerda, já tendo gravado no passado inúmeros depoimentos para programas eleitorais do PT. Tenho uma coincidência enorme de vida com ele. O trouxemos em Bauru no período do governo Tuga por duas vezes e por fim, foi quem me apresentou a esposa Ana Bia, sendo, portanto o cupido do meu relacionamento conjugal. Muito já escrevi disso no meu Mafuá (https://mafuadohpa.blogspot.com/search?q=paulo+betti), tudo sempre recordado com o maior carinho. Se Bauru não o traz, já fomos em Sorocaba, São Carlos e agora estaremos em Lençóis Paulista para rever o amigo, que um dia trouxe aqui para lançar o seu filme, Cafundó. Ele vem para apresentar seu monólogo, Autobiografia Autorizada. Release: “Décimo quinto filho de uma camponesa analfabeta que trabalhava como doméstica no interior de São Paulo e de um pai esquizofrênico, Paulo Betti saiu do mundo rural para ser um ator aclamado no país (participou de quase 70 telenovelas e atuou em cerca de 30 filmes), mas, na peça, ele conta sua trajetória anterior ao sucesso e as histórias de sua família de origem italiana. O ator mostra, entre outros itens, a faca que a avó usava para matar porcos e um caderno onde costumava tomar notas e cujo material ali escrito ajudou na concepção da peça. Monólogo com iluminação, figurino, trilha sonora, cenário e belas projeções”.

Conhecer Tonico Pereira e rever Paulo Betti serão duas possibilidades mais que alvissareiras, ainda mais diante desse país lacrando suas saídas. Em tempos sombrios, quando diante de artistas resistindo bravamente às imposições do sistema, demonstrando a existência de uma outra possibilidade, uma alternativa ainda possível, daí só mesmo ir vê-los e com o aplauso em pé, a reverência necessária para que continuem seus trabalhos, pois sempre terá do lado de cá gente como eu e tantos outros, os que acreditam piamente que ser manada e dizer amém é algo muito triste. Dessa feita registro depoimento de ambos e depois conto por aqui. O escrito serve como convite para outros estarem conosco nessa jornada.

quinta-feira, 12 de julho de 2018

BAURU POR AÍ (154)


BAURU EM TRÊS MOMENTOS DISTINTOS E MUITO ESCLARECEDORES

1.) MOÇÃO DE APLAUSO NA CÂMARA DE BAURU É BOÇALIZADA - FAZEM VISTA GROSSA PARA DONA HILDA

Quando dizem pela aí ser essa atual Câmara de Vereadores de Bauru a mais surreal de toda sua história, alguns dizem existir exageros na afirmação, mas quando se vai conferir passo a passo o que ali ocorre, não só a confirmação, como a constatação da regressão daquela antiga Casa de Leis, hoje servindo com seus atos para boçalizar os procedimentos, ocorrências e os homenageados pelos atuais edis. As tais Moções de Aplauso são escolhidas a dedo para levantar a moral do vereador que a indica e pouco vale para realçar algo do homenageado. Por ali a maior representação de pastores evangélicos homenageados por metro quadrado da face da Terra. Bastou completar um ano de púlpito, pronto recebe a honraria, mas nada de ação social que o façam de fato serem merecedores de algo pomposo. A última foi uma piada. A PM faz seu trabalho nas ruas e em alguns casos são merecedores de rasgados elogios, em outros cumprem a obrigação, nada além disso. Muitos dos seus membros já foram homenageados, mas desta feita algo estranho. Um PM ganha a honraria por parar a viatura e ajudar uma idosa a atravessar uma rua. Ato louvável? Claro. Não só policiais fazem isso. Eu mesmo já o fiz, outros idem. Por ter vindo de um carro da PM, nenhum estranhamento, ou seja, natural quem se comova e ajude os semelhantes. Desta feita quem o fez ganhou Moção de Aplauso. Eis o link: https://www.facebook.com/fabio.manfrinato.9/posts/1196577517148815. A PM não precisa disso, a Câmara idem. Fico triste, pois enquanto isso, dona Hilda, do alto dos seus quase 80 anos, continua recolhendo o lixo reciclável do centro da cidade com seu carrinho de mão e nem é lembrada. Ela ajuda toda uma cidade a se ver livre do inservível e não a enxergam. Nenhum vereador, creio eu, nunca a enxergou e, portanto, ela nunca poderá ter o prazer de entrar uma única vez no recinto da Câmara de Vereadores com os seus e receber uma Moção de Aplauso. Algo dela: https://mafuadohpa.blogspot.com/search?q=dona+Hilda. Eu não tenho nada contra o policial ter parado o carro e ajudado a senhora atravessar a rua, mas tenho muito a ver dos motivos de Bauru não enxergar e valorizar gente com dona Hilda.

2.) "VOU TRABALHAR PRO DÓRIA", ME DIZ UM AMIGO - DOU MINHA OPINIÃO
O desespero de causa dos sem trabalho e sem ter mais onde buscar fontes de renda só aumenta. A cada virada de esquina as histórias se repetem e sem saída, alguns buscam o que lhes restam de alternativas ainda possíveis nesses tempos mais que sombrios. O golpe e tudo o que veio depois dele fechou portas, lacrou possibilidades e estagnou o país, tornando os miseráveis ainda mais dependentes das migalhas desse cruel e insano sistema neoliberal predatório. Entendo o desespero de causa do amigo e quando me diz, diante de todas as portas fechadas, tendo que viver praticamente de favor, clamando até por um prato de comida, não tenho como lhe apunhalar e virar as costas. Sento com ele e tento dar minha modesta opinião:

- Veja bem, tanto eu como você sabemos muito bem o que representa esse João Dória na política. Ele não nos engana, aliás é muito transparente. Veio para fazer o serviço sujo da elite, um que não tem nenhuma dó de nós, os que lutamos por direitos coletivos e movimentos sociais. Tendo isso bem claro e diante de uma oferta de trabalho temporário na sua campanha política e da sua situação pessoal no momento presente, ao aceitar e começar a receber, poder continuar sobrevivendo com algum no bolso, vejo que poderia fazê-lo da seguinte forma. Faça o mesmo que ele faz conosco. Ele finge que defende os interesses do povo. Todos dizem isso, mas sabemos quem de fato o faz. Esse não faz, mas da boca para fora diz que faz. Mente. Minta para ele também, simples assim, vá lá e faça de conta que trabalhe. Na frente dos que lhe pagam seja um ótimo ator, desempenhe o papel a lhe render os cobres no final do dia, mas quando distante deles, continue a ser quem sempre foi. Estará conseguindo algum e ao ludibriar gente como ele, certamente não estará fazendo nada de tão errado. Errado mesmo é a situação vivida pelo país, com tudo pela hora da morte e o povo num mato sem cachorro. Tente ao menos agir dessa forma, para ser ao menos original e verdadeiro com o seu eu interior.

3.) ACORDO E COMO SEMPRE, NO PÁGINA 12, ALGO SOBRE O QUE ACABEI DE SONHAR - RICO NÃO PAGA SUA CONTA DO DAE
https://www.pagina12.com.ar/127866-el-rico-no-paga
Fui ontem a noite ver o lançamento da candidatura do amigo Roque Ferreira para deputado federal no próximo pleito eleitoral. Ele insiste e vê-lo defender seus belos argumentos é motivo suficiente para não sair da lida. No meio de sua fala algo a me fazer sonhar. Ele dizia, sem sei porque citou isso, mas minha mente se apropriou e sonhei com o tema. É sobre os grandes devedores de água de Bauru, os endinheirados que devem muito ao DAE - Departamento de Água e Esgoto e não pagam suas contas. Dizem que um dos maiores é a ARCO - Associação da Expo Bauru. Ele brinca: "Vai você, caro Nicola (e cita um dos presente) dever alguns meses e verá o que lhe acontece. Já os caras devem há anos e nem são citados. Por que isso acontece?". Bastou para virar sonho, ou melhor, pesadelo.

Acordo com os olhos esbugalhados e como faço toda manhã (vício bendito), não saio de casa sem ler a edição virtual do melhor jornal diário da América Latina, um ainda possível, o argentino Página 12 (www.pagina12.com.ar). Dentre outras coisas, algo sobre o motivo do meu sonho e a pergunta que não quer calar: Por que o pobre é obrigado a pagar sua conta e se não o faz tem o serviço sumariamente cortado e o rico, o que possui capital para pagar não o faz e nem molestado é? Como a resposta para isso não vou encontrar na mídia massiva bauruense, só mesmo na independente ou na isenta estrangeira, o faço e reproduzo para conhecimento de tudo, todas e todos. E novamente o assunto poderia voltar à baila. Por que mesmo, hem? Sendo os pobres maioria, daí outra pergunta, por que permitem isso?

quarta-feira, 11 de julho de 2018

CHARGE ESCOLHIDA A DEDO (136)


SERVIÇO PÚBLICO: É UM TAL DE FAZER ACORDO COM A PARTE CONTRÁRIA
Trabalhar no serviço público deveria ser motivo de orgulho. Sei que para muitos o é e assim deveria ser com todos. Infelizmente não o é e para entender isso, talvez só analisando algo da formação do brasileiro. Nem quero seguir por essa linha. Escrevo sobre esses a depreciar a belezura que é o profissional ser chamado/lembrado para prestar seus serviços, algo em prol dos seus e dos bens públicos. Repare da grandiosidade de um profissional atuando na iniciativa privada e num dado momento ser convidado para, por durante certo tempo, emprestar seus conhecimentos para governos, sejam eles municipais, estaduais ou federais. Ao aceitar, sendo remunerado para tanto, deveria estar imbuído de algo incomensurável dentro de sua vida. A oportunidade de mostrar algo mais e coletivamente. E quando lá no cargo, uma real possibilidade de transformar, provando na prática com a realização de iniciativas auspiciosas, como nem tudo está perdido. Lindo isso, algo como uma missão, mas nem sempre é assim.

Por todos os lugares exemplos nada dignos de pessoas se impondo aos cargos, algo imposto por partidos políticos fazendo parte da administração e precisando lotear os cargos para os seus. Muitos são alocados em lugares onde não possuem a mínima qualificação. E aceitam numa boa, sem ao menos ousar dizer a quem os ali colocou: “Desculpe, não estou qualificado para tanto. Minha especialidade é outra. Nada sei disso onde me coloca para trabalhar”. Trabalho todos precisam de um para si e sei, cada vez mais difícil ocorrer a recusa, ainda mais sob a alegação sugerida por mim. As histórias dos tantos atuando em lugares onde desconhecem o mínimo daquela função é mato e continuará a ocorrer, pelo menos enquanto o país tiver mantida sua forma de se resolver politicamente. Nem adianta reclamar disso. No país os cargos sempre foram ocupados dessa forma e jeito. Entra governo, sai governo, mudam-se os nomes, não a forma de loteamento dos cargos. Uma escancarada e escarrada vergonha, dando uma substancial ajuda para a degradação da coisa pública.

Lembrava hoje com um amigo o fato de antigamente, para algumas funções não era permitido ao servidor trabalhar em nenhum outra. Juiz era assim. Só podia dar aula, nada mais. Hoje fazem de tudo. Não era tolerado ao servidor que atuou numa função onde obteve informações privilegiadas, sair e já ingressar de imediato numa atividade onde pudesse extrair privilégios dela. O cargo de ministro exigia essa lisura no comportamento. A ética exigia um período de carência para adentrar o mercado normal. Hoje, além da vista grossa, pois a lei ainda não permite, mas o cara está lá na função e de lá mesmo faz indicações para si e os seus, beneficiando-se descaradamente das informações recebidas, numa avacalhação sem precedentes. A pessoa aceita trabalhar no serviço público e ao invés de se doar para dar o melhor de sai na função, entra e já começa a atuar para benefício próprio.

Boas histórias de tantos valorizando o serviço e a função pululam pela aí e do outro lado, circulam até com maior intensidade as tantas a denegrir a função. Cargo de confiança, o próprio nome já diz tudo, trata-se de confiança de alguém, mas nem por isso deve ser ocupado por um parente próximo e sem qualificação. Enfim, todo cargo deve exigir uma qualificação mínima. Hoje até se vê em alguns lugares, aqui mesmo foi tentado isso, li algo no passado, mas não vingou, que para assumir qualquer cargo o indicado teria que comprovar sua qualificação, até com currículo. No Brasil atual isso não vinga, pois a exigência e fome por cargos em quem é eleito é incomensurável. Ganhou e foi empossado é praxe, começa a lotear não de qualificados, mas os apaniguados. Atender, sob pressão, todos os que o ajudaram a chegar aos píncaros da glória é algo imediato, faz até parte da cultura nacional.

Diante de tudo isso, a belezura que é a pessoa se doar, dar o seu quinhão de participação, ensinar o que sabe, passar algo dos seus conhecimentos para os demais, cai por terra. E no mundo de hoje, interesses pessoais extrapolados, individualismo exacerbado e incentivado, leis do mercado predominando sob tudo o mais, a luta para ocupar cargos continua das mais intensas e o que menos importa é a real qualificação da pessoa. Daí, como cobrar eficiência desses governos, se o que vale mesmo é a ocupação sem nenhum critério dos cargos? E alguns ainda chegam lá e acabam por se beneficiar de outros subterfúgios e privilégios, tudo para enricar o quanto antes, enquanto persistir a oportunidade. Mercado em franca expansão é um para atender essa demanda, a de informações privilegiadas recebidas de quem está lá dentro, em firmas variadas e múltiplas, muitas delas, hoje sem o despudor de esconder quem sejam os sócios. Nomes se cruzam, gente dali de dentro em cargos direcionais nessas empresas. A fiscalização deveria existir, mas a impunidade está tão em alta que, muito melhor correr o risco e driblar os percalços. Está valendo tudo, onde misturar o público com o privado é só a ponta de um imenso iceberg. Não é aqui, nem só ali ou acolá, mas tudo espalhado como praga, vicejando por tudo quanto é lugar.

terça-feira, 10 de julho de 2018

PRECONCEITO AO SAPO BARBUDO (129)


A BOATARIA CORRE SOLTA E INCAUTOS CAEM QUE É UMA BELEZURA

Muito cuidado nessa hora, me diz um dileto amigo, mas ele mesmo acabou caindo numa arapuca logo após o imbróglio de domingo, quando a insanidade tomando conta deste país impediu de soltar Lula, nem que por instantes. Que o país está doente, lelé da cuca, disso não existe a menor dúvida e num momento como esse a rede de boatos dos marginais à serviço do caos se espalha que é uma belezura.

Meu amigo me liga e diz:

- Olha o que estão espalhando, fonte digna de respeito. É a foto do juiz Favreto em Cuba junto a Fidel Castro.

- Oba! - disse eu. Se o cara esteve em Cuba e admira Fidel, ponto para ele, deve ser humanista, sensível e gente da melhor confiança. Isso só enaltece a pessoa, o fato de admirar e ter estado com Fidel.

Olho a foto e a carinha do sujeito ali ao lado do Fidel é de outra pessoa, hoje um jornalista alinhado com o golpe, o Ricardo Noblat, do Correio Braziliense. deve ser da época mais joivem, quando até o Aloysio Nunes já foi até guerrilheiro e depois se perdeu de vez ao descobrir os descaminhos do neoliberalismo predatório. A farsa foi desmontada, mas algum estrago já estava feito. A foto estava dissimulada pela rede social e a compartilhavam como se Fidel fosse o próprio capeta (e quem disse que capeta é coisa ruim?).

Outro amigo me liga e me pede para olhar meu Whatshapp, onde havia me enviado um vídeo escabroso, o da filha do Lula bêbada num aeroporto em Porto Alegre e brigando com o Jair Bolsonaro. Já tentei dizer pra ele da impossibilidade do fato, mas fui ver a peça. Respondo a ele:

- Puxa, me espanta como ainda cai numa dessas. Evidente que não é a filha do Lula e mesmo se fosse, que mal tem em interpelar essa salafra colocando-lhe o dedo na cara? Eu mesmo se o encontrasse, chapado ou não, lhe diria umas boas.

Ele ainda me pede para olhar melhor e diante disso vejo o quanto as pessoas estão todas fragilizadas, enloquecidas e entraram no clima da doideira tomando conta de tudo. Acreditam em tudo Papai Noel, na Igreja Universal e até em história de carochinha, quanto mais em algo para desmerecer Lula.


Eu mesmo caio em uma. Leio em algum lugar que o juiz Moro, de férias em Portugal havia fretado um avião e veio diretamente de lá para resolver a questão da não soltura do Lula, tudso pago por um famoso banco. E mais, lá também mais uma estória, a de que o juiz que deu a sabugada final de não soltar o preso político Lula, também de férias e este havia alugado em helicóptero em Porto Alegre e foi direto despachar no território do Moro em Curitiba. Conto isso para um amigo e ele me chama à razão:


- Meu caro, muita calma nessa hora. A viagem de Portugal para cá demoraria no mínimo umas cinco horas e se ele pode despachar de lá, de dentro do hotel onde está hospedado, por que viria para cá? O mesmo se dá com o outro juiz. Ele deu seu despacho lá de Porto Alegre mesmo. Cuidado com o que rola por aí.

Sim. Uma bobeada e caímos como patinho o faz numa lagoa. E por fim, alogo mais do que surreeal,mas muitos repetindo e se divertindo muito com a confusão geral. Num post bestial estava traçado o plano macabro de Lula, o de logo ao sair embarcar num jatinho e fugir pra bem longe. O cara fez até o plano de voo. Esse deletei de cara. Não vou buscar as fontes disso tudo, pois não quero ficar espalhanbdoi essa merda mais do que já o foi. O fato é que ninguém está isento de cair numa armação mais do que ilimitada e acabar dando pano pra manga e ajudar a espalhar mentiras. Até as pedras do reino mineral sabem de onde despontam isso tudo e qual o intuito, mas como desconheço quem esteja hoje com a cabeça totalmente arejada, todo cuidado é pouco. Melhor que tudo foi o conselho recebido de um mais que dileto amigo, esse cito o nome, o qual reencontrei na feira domingo retrasado e me aconselhou a parar de responder as provocações, pois isso só atrairia coisas negativas para mim:

- Não fique dando espaço para esses mal nascidos perante a vida. O que faz, seus escritos devem estar muito além dessa briguinha besta. Fuja desses, delete logo de cara e não perca tempo. Essa terra de ninguém não traz nada de bom.

Pronto, sigo prontamente seu conselho e se encontrarem conversações deletadas aos montes nos meus posts, saiba de antemão, a vida é muito curta para perder tempo com quem está aí só para complicar as coisas. Vida que segue.