quinta-feira, 27 de julho de 2017

RETRATOS DE BAURU (203)


VANDERLEI, O PORTUGUÊS, FERROVIÁRIO SEMPRE EM ESTADO DE ALERTA
Ontem mais uma lição. Conto primeiro dela e depois descrevo quem a propiciou. A luta a favor do trabalhador é sempre cheia de encantos mil. Dos desencantos e decepções é melhor nem tocar, para que a decepção com esse mundo não exceda os limites do tolerável. Lá ontem no embuste que foi a expulsão do Paulinho, do antes de luta Sindicato dos Bancários mais uma lição entre os presentes ali na calçada e conclamando sua solidariedade para o sindicalista ferido pela traição. Um senhor, aposentado tempos atrás, sem acesso às redes sociais, toma conhecimento do fato pelo boca a boca e faz o que sempre fez a vida inteira, me diz numa conversa informal, para lá se dirigiu e foi prestar seu apoio de companheiro para outro igual a ele. Não era bancário, mas de luta e também segundo me diz: “Como não atender a um chamado desses e deixar de vir defender um irmão na luta e precisando de apoio e solidariedade? Vim e me coloco à disposição para a luta”. Comovente vê-lo falando sobre isso de não conseguir permanecer em casa quando um igual a ele está em perigo.

VANDERLEI é ferroviário da hoje extinta Noroeste do Brasil. Lá na lida o chamavam de PORTUGUÊS e o apelido o acompanha desde então. Suas histórias de resistência, greves, trabalho madrugada adentro e a luta inclemente por melhores salários para sua categoria e todas as demais é dessas que te faz sentar e ficar ouvindo, lições de uma vida inteira, contadas por quem sempre foi protagonista da história. Bauruense, mas deslocado pelo Sindicato dos Ferroviários, atuou por décadas no trecho férreo entre Três Lagoas a Campo Grande, no Mato Grosso. Percebe-se ser desses, sem muita teoria, mas com a prática e a sapiência de saber muito bem o lado onde deve estar e se posicionar. Desses que não muda de lado nem que a vaca tussa. Um bravo, na acepção da palavra. No ajuntamento de gente a defender Paulinho, quando da montada artimanha que o defenestrou do Sindicato, lugar onde atuou uma vida inteira, de forma íntegra, soberana e altaneira, lá estava Português, desses que, para ali se dirigiu, sem necessidade de ser convocado, pois isso para ele é algo inerente à sua linha de pensamento e ação. Vem e está sempre em lugares assim por pura convicção. Quando ficou sabendo, também já conhecendo o Paulo, imediatamente deixou tudo o mais de lado e foi lá se juntar a outros com a mesma disposição. E quando ocorreu um confronto, não arredou pé e com seus 70 anos, se postou na linha de frente. Levou um esfregão no braço e permaneceu sangrando por bom tempo, mas dali não saiu até sua missão estar terminada, ou seja, ficou até o fim, um dos últimos a ir embora. E assim foi, é e continuará sendo sua vida, construída na luta, perseverante e altaneiro, desses briosos, que qualquer um encara e sabe ser dos inflexíveis. Hoje, quando enalteço a resistência da qual participei de forma modesta ontem, ressalto ele, alguém a dignificar qualquer luta. Se todos fossemos como ele não levaríamos golpes e mais golpes nos costados.

quarta-feira, 26 de julho de 2017

ALFINETADA (158)


DESENCONTROS DE ECONOMISTAS E AS LEIS DO MERCADO – DE COMO FALI POR SEGUIR CONSELHOS DIÁRIOS DE UM DESSES*
* Esse texto sai também publicado como 10º na edição virtual d'O Alfinete, da vizinha Pirajuí

O país sob comando dos golpistas não consegue encontrar saídas palatáveis para nada, mas economistas aliados ao que lhes impõe as tais Leis do Mercado, continuam insuflando as massas para outro lado. Dizem, apregoam descaradamente que, algo está sendo feito e que o país volta a querer caminhar, sair do atoleiro e uma luz sendo observada no final do túnel. Será? Claro que não? No meu caso, venho publicamente confessar algo e mais do que preocupante. Fui confiar num economista, um que escreve no jornal e fala num programa de rádio. Foi a pior besteira de minha vida.

O cara diz e escreve regularmente que, o país está se safando, está voltando a respirar e eu acreditei. Apostei minhas fichas e cheguei a investir tudo o que tinha como reservas no que ia ouvindo. Hoje, passados poucos meses não tenho mais nada, perdi tudo e o cara continua dizendo que tudo vai bem, que falta pouco, que esse dia de luz chegará, mas só agora, quando perdi todas minhas economias percebi o embuste. Essa tal de lei de Mercado não é para mim, o povo, aqueles que juntam com grande esforço alguma economia e sim, para uns poucos, aqueles que abandonaram investir dinheiro em produção e trabalho e hoje, o fazem só em aplicações. Esse me parecem ganham dinheiro e nós, o restante do povo, nos danamos.


Mas o que ouvia e lia era para todos nós, como se pudéssemos acompanhar a loucura dos que pararam de investir no país e hoje só investem em ações disso e daquilo, pouco se lixando para a grande massa de desvalidos. Me danei e faço aqui minha mea culpa. É o que dá crer piamente no que diz um economista, um que está a serviço desse tal de mercado e não do grosso das massas. Como fui cair nessa? Mas a fala dele era tão bonitinha, fala tudo tão certinho, escreve com todas as vírgulas no lugar correto, achei que estava realmente me orientando a sair da crise.

Hoje enxergo, o desemprego foi obra das teorias e práticas do ajuste que desajusta. A maioria dos economistas, todos muito alinhados defendendo isso que chamam de leis de mercado e não entendia muito bem, estão todos à mercê da lâmina afiada que vem cortando, sem dó e piedade, os postos de trabalho e as esperanças. Desdenham do sofrimento da população de uma maneira vil. Hoje, os vejo como espertalhões e não estão nem aí com o o sofrimento dos cidadãos de carne e osso, lançados no torvelinho da insegurança e do desespero. Estão a serviço da minoria que oprime a maioria, quando falam só o fazem para enaltecer aquilo tudo a beneficiar quem os mantém com bufunfudos vencimentos.

Para esses,os empregos brotam do chão. São formadores de opinião da pior espécie, míopes e impulsionadores da desgraça coletiva. Propagandistas das reformas trabalhistas e previdenciária, apresentadas como salvação da lavoura, antes de uma séria discussão, sendo portanto, os responsáveis pela destruição da base industrial da economia brasileira. O tal Mercado parece ser mais importante que tudo o mais. Nós não valemos nada para eles e nos enganam a cada instante, a cada nova fala. Muito da indústria do passado já não existe mais, vai sendo moída, enquanto esses corvos afirmam o contrário. Os empregos desapareceram e não voltarão como antes, enquanto persistir esse incentivo ao arcado como solução para tudo. Criamos sim, empregos em outros países e desestruturando os daqui, tudo incentivado por esses bocas moles.

E por que mentem descaradamente na nossa fuça? Eu já perdi o que tinha por acreditar nesses bestiais. No discurso bonitinho que possuem engambelam os incautos, como eu, e depois, descaradamente, dizem nada ter a ver com isso. Mas hoje sei, perdi tudo por não enxergar o que estava diante dos meus olhos e não queria crer, os espertalhões estão nadando de braçada diante de todos nós, os bocós. Portanto, quanto cruzar com um desses, engomadinhos, fala fácil, puxando saco de poderosos, atravesse a calçada e apresse o passo. Eles são bons de conversa e te enganam que é uma beleza.


MAIS SEIS ARTIGOS PUBLICADOS NO MESMO O ALFINETE, ANO DE 2005:
Edição 344 – nº 268 – Racista, eu? De jeito nenhum... – 15.10.2005
Edição 345 – nº 269 – Caímos na arapuca muito facilmente – 22.10.2005
Edição 346 – nº 270 – Gente do Lado de Cá 10: Fernando, do Templo – 29.10.2005
Edição 347 – nº 271 – Mentira, foi tanta mentira que você contou... – 05.11.2005
Edição 348 – nº 272 – De que lado você está? – 12.11.2005
Edição 349 – nº 273 – Embates, revezes, confirmações e até sugestões – 19.11.2005

terça-feira, 25 de julho de 2017

PRECONCEITO AO SAPO BARBUDO (116)


PRIMEIRO TOMARAM O SINDICATO DOS BANCÁRIOS, AGORA EXPULSAM PAULINHO – DIA 26 VAMOS DEFENDÊ-LO
Primeiro uma explicação. O PSTU, que por décadas esteve à frente do Sindicato dos Bancários de Bauru e região era até bem pouco tempo o partido político no comando de sua Diretoria. Não querendo se associarem à militantes de outros segmentos de esquerda (como a própria CUT, petistas e quetais), abriram a guarda e propiciaram na última eleição a entrada de militantes sem nenhuma bandeira de luta. Ganharam novamente mais um mandato, mas perceberam logo a seguir terem entregue o sindicato para a oposição, agora unida, em maioria e contra eles. Ou seja, de lá para cá estão todos enfurnados num inferno astral de dar gosto. A bola da vez é o militante de reconhecida luta, o Paulinho, aquele bravo guerreiro que todos vêm defronte as agências bancárias nas manifestações e com o caminhão de som do sindicato. Isso tudo está prestes a ter fim e por um simples motivo: aqueles que hoje estão à frente do sindicato, encurralaram todos os do PSTU na parede e o próximo ato será expulsar das fileiras de sua diretoria os ainda alinhados com as "velhas" bandeiras de luta. Vejam o MANIFESTO recebido ainda a pouco e, pela amizade e honestidade de luta demonstrada pelo Paulinho ao longo de décadas de incessante luta, faço questão de reproduzir e espalhar. Dia 26/7, amanhã, quarta é dia de irmos todos lá para a frente do Sindicato dos Bancários repudiar o que pretendem fazer com o bravo Paulinho:

“Carta aberta em defesa da moral de um trabalhador e lutador bancário Paulinho (Paulo Sergio Martins), bancário, atual diretor do Sindicato dos Bancários de Bauru e Região, direção do Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado - Liga Internacional dos Trabalhadores (PSTU-LIT) da cidade de Bauru-SP está sendo covardemente atacado e perseguido politicamente pela direção majoritária do Sindicato dos Bancários de Bauru e Região, a qual convoca uma assembleia da categoria bancária para expulsá-lo da entidade sindical. Essa pauta que se baseia em questões burocráticas não justifica sua expulsão, na realidade, tem o objetivo de varrer do Sindicato àqueles que lutam permanentemente em defesa dos direitos dos trabalhadores bancários e que se posicionam contra os ataques dos banqueiros e dos governos que ano a ano exploram e oprimem a classe trabalhadora e a juventude. É público que Paulinho sempre esteve presente ativamente nas greves bancárias, em apoio às mobilizações populares, ao movimento estudantil, ao movimento de combate às opressões e dedica parte de sua vida em construir uma sociedade justa e igualitária. Nesse sentido, é visível que o ataque covarde à figura de Paulinho significa claramente um ataque a todos/as os/as lutadores/as. Por isso se faz um chamado urgente para que organizações nacionais e internacionais, partidos, movimentos, coletivos, pessoas de esquerda e a própria categoria bancária se solidarizem em defesa de sua moral, participando da Assembleia do dia 26/07, quarta-feira, às 18h, no Sindicato dos Bancários de Bauru (Marcondes Salgado, 4-44, Centro) e denunciando essa perseguição política que se faz dentro de um sindicato que é um símbolo histórico de luta e resistência no país. Toda solidariedade ao Paulinho! Em defesa dos trabalhadores que se organizam e lutam!”.

Eu, mesmo divergindo do PSTU na forma como agem e promovem a luta em defesa dos trabalhadores, me coloco à disposição para estar ao lado do Paulinho. Vamos nessa?

ESSA AQUI VAI COM LOUVOR PARA TODOS OS "BABACAS" AINDA INSISTINDO QUE NÃO HOUVE GOLPE
Aquele bando de verde-amarelo nas ruas, ou eram muito babacas em acreditar no que lhe impunha a TV ou todos estavam ali cientes de que a intenção era só uma, derrubar Dilma, acabar com o PT e depois se lambuzar com a festança de deixar os piores deste país tomarem conta de tudo. Se ainda existe alguma dúvida, ela começa a se desmanchar com declarações como essa. A História já os julgou: o povão de verde-amarelo nas ruas ajudou a cravar a estaca no peito do trabalhador brasileiro e devolveu o país à sua época de Colônia, regime escravocrata. Você ainda tem dúvida disso?

segunda-feira, 24 de julho de 2017

PALANQUE - USE SEU MEGAFONE (101)


MAFUÁ É PROCURADO PARA DENÚNCIA SOBRE IRREGULARIDADES NO JARDIM BOTÂNICO
Sou procurado na sexta aqui no mafuá por antiga conhecida: "Henrique, como faço para enviar uma denúncia de forma anônima para a Tribuna do Leitor do JC?". A partir daí ela me deixa a par do assunto e lhe digo que, eles não publicam nada anônimo, mas se quiser pode enviar para os e-mails do jornal e solicitar apuração na denúncia, o que poderia gerar matéria. Me diz ser um caminho muito longo e pede para que publique pela minha via sua carta em anexo, algo que faço neste momento, primeiro em consideração a tão considerada pessoa. De minha parte, conto com as explicações dos envolvidos para dirimir todas as dúvidas e da parte da denunciante, confirma ter em seu poder placas dos veículos e mais detalhes de sua denúncia, prontas para serem divulgadas se forem necessárias. Vamos à carta recebida:

"JARDIM BOTÂNICO E O POÇO DE VAIDADES
Conforme anunciado pela mídia em 2015, o Jardim Botânico perfurou um poço profundo em suas terras procurando assim maior autonomia no abastecimento de água, bem dispensável, além do sol, para o cultivo das plantas. No entanto, em várias das minhas visitas ao JB notei o uso indevido desse bem tão precioso. Meus filhos há anos participam do programa “Férias no Botânico”, época de alegrias e amizades para eles. Levando-os pela manhã ou buscando-os à tarde, notei funcionário utilizando um lava jato amarelo para lavagem de carros.
Pensei fossem viaturas públicas, mas as cores dos veículos e as placas desmentiam isso. Conversando com um dos funcionários indaguei se a água disponível era tratada, a resposta afirmava que em todas as torneiras do recinto jorrava água limpa, tratada e clorada do referido poço. Disse ainda o funcionário que para regar as plantas utilizava-se água da lagoa do zoo.

Imaginem, usaram meus impostos para perfurar um poço, cuja água limpa lava carros particulares e às plantas resta a água suja do lago. A esses funcionários eu diria para serem corretos e lavarem seus carros com água e luz da casa deles, aliás, usem balde como fazemos nós em casa. O fato é que em um único fim de tarde, observei quatro diferentes carros sendo lavados (tenho placa, cor e marca desses carros). Um único funcionário lavou dois carros ao mesmo tempo. Ele ganha dinheiro fazendo isso? E com o meu imposto?

Com a palavra, o Prefeito, a Secretária do Meio Ambiente e o Diretor do JB.

PS.: Uso o anonimato para que meus filhos continuem com suas férias no Botânico na diversão e alegria.

Obrigada".

domingo, 23 de julho de 2017

MÚSICA (150)


A FELICIDADE É TOCAR A VIDA PELAS REBARBAS: "A ÚNICA QUE EU SEI"
Por enquanto é isto, Estevan, o sanfoneiro dono do Bar do Barba, na ENCRUZILHADA da Feira, limite entre a Feira do Rolo e a feira tradicional dominical do centro de Bauru SP, num arroubo de felicidade sai detrás do balcão e se arremessa diante de todos os amigos do lado de fora da choperia da feira e ali toca e canta com todos. Cliquem no link a seguir e desfrutem deste inenarrável momento de puro êxtase:

sábado, 22 de julho de 2017

DROPS - HISTÓRIAS REALMENTE ACONTECIDAS (145)


A VELHA, SUA PROMESSA, OS FRANGOS E OS QUEIJOS – HPA PACIENTEMENTE ESPERA, O TEMPO QUE FOR NECESSÁRIO
Essa história eu não poderia deixar de contar aqui. Fiquei remoendo com os meus botões sobre a melhor forma de passá-la adiante sem ferir a imagem de tão boníssima pessoa no meu portão. Tentei e se ocorreu algum deslize, me crucifiquem, pois réu confesso, sou merecedor de padecimentos sem dó e piedade. Semana passada, mais precisamente sexta-feira, 14/07, por volta das 11h toca a campainha aqui no mafuá. Corro para atender e do lado de fora das grades uma velhinha, com aquele jeito mais agradável deste mundo;

- Bom dia, meu filho, poderia falar com sua esposa?

- Sinto muito, estou só, eu e meu cão. O que deseja?

A partir daí uma longa história e a tenho relatado a diversos amigos durante esses dias. Ainda crendo piamente no desfecho mais apropriado como desenlace, fechamento com “chave de ouro”, conto como o fato se sucedeu. A senhora dessas fotos, se identificando com nome e referências, 84 anos, se apresenta como moradora de um pequeno sítio, lá nas imediações do bairro Gasparini, estrada Bauru/Marília, família de procedência italiana (“minha família possui hotéis na Itália e na região do largo do Paissandu, em São Paulo”). Contou do lugar onde vive, um sítio e ali, ao lado do marido, criam muitos animais, desde galinhas, porcos e algumas vaquinhas. Plantam também e assim tocam a vida, com os filhos já criados. Para sua tristeza, uma das filhas adoeceu e ela, desesperada, fez uma promessa pelo seu pronto restabelecimento:

- Eu não preciso pedir esmola, tenho tudo o que necessito, mas fiz uma promessa. Sou católica (perguntou se eu religioso e para não desapontá-la mudei logo de assunto), frequento aqui o Santuário de Aparecida e pedi aos santos todos que, se ela ficasse boa, sairia pedindo esmola em exatas dez residências, dez pessoas. Ela foi se recuperando e hoje está boa e agora, cumpro minha promessa.

Chora comigo no portão, eu inebriado com seu relato. A questiono sobre sua idade e sair por aí. Me diz sempre ter andado muito de ônibus e quando vem à igreja, aproveita para visitar as casas e concluir sua promessa, a qual não pode deixar de cumprir, religiosa que é. Procuro pela minha carteira e, infelizmente, justo naquele dia, quase nada, pouca coisa, algo em torno de uns R$ 18 reais (se tivesse R$ 50, R$ 100 a teria dado). Ofereço a ela e insiste que faz isso, por causa da promessa e que ninguém sabe, algo só dela e dos santos. Mais envergonhada ainda me diz que, nunca havia feito pedido semelhante a um homem, pois sempre se dirige às mulheres das residências, mas me achou tão simpático. Chegou a contar algo mais de sua vida, fico gratificado e a conversa se prolonga:

- O que são esses cartazes na área de sua casa?

Explico o que venha a ser o mafuá, as cadeiras para nossos encontros e da faixa “Fora Temer”. Ele diz entender da dureza desses tempos, das dificuldades todas, dinheiro cada vez mais excasso. Trocamos confidências sobre os malefícios dos golpistas nos cravando a estaca no peito. Por fim, ela num gesto de retribuição, me oferece algo mais:

- Gostei demais do senhor e quero lhe propor algo, mas não quero que se magoe. Lá no sítio crio muitas galinhas e também faço queijos. Na segunda vou trazer pro senhor três galinhas e dois queijos para que use nos encontros aqui realizados.

Agradeci, disse não ser necessário, ela insiste, disse que, se trouxer pago por eles. Ela diz que não poderá aceitar mais dinheiro de minha parte, enfim, aceito e assim ficamos. Peço para tirar umas fotos, ela permite, mas diz que seu marido, o italiano, é muito ciumento, bebe e se souber que andou tirando fotos por aí, vão acabar discutindo. Por fim tiro, ela sorri, eu admirado, já seu fã. Queria beijá-la na despedida, mas fiquei só na vontade, uma pena da qual me arrependo.

Hoje, sábado, 22/07, se passaram mais de uma semana do ocorrido e estou desolado com meu inquilino, parede meia aqui com o mafuá. Eu, como sabem saio muito, pouco fico por aqui e ao sair o deixo sempre tomando conta da casa e atento para receber os frangos e os queijos. O danado é relapso, sai muito e por causa dele, tenho absoluta certeza, minha amiga já deve ter passado várias vezes por aqui e não encontrando ninguém, volta para seu sítio com minha prenda na sacola. Estou desolado, culpo meu inquilino e creio que ela voltará, insistirá até me reencontrar. Muitos riem de mim, nem dou bola.

Essa linda história só pode ter um final, feliz como o do país quando se livrar desses cruéis e insanos golpistas. Hoje, amanhã e pelos próximos meses, permanecerei em vigília aguardando seu retorno, o que devolveria todas minhas esperanças de que esse mundo é mesmo de uma lindeza sem fim. Tenho comigo, essa senhora, representa para mim, a versatilidade e ousadia, tão necessários nesses tempos bicudos, para ir driblando as adversidades e conseguindo, dia após dia, sobreviver. A admiro muito, mas muito mesmo. Quero fortemente abraçá-la no reencontro, seja onde for, aqui no meu portão ou trombando, sem querer, por uma rua qualquer desta cidade. Ela foi a coisa mais linda que me apareceu no portão nos últimos tempos. Estou apaixonado por ela e sua história.

sexta-feira, 21 de julho de 2017

CHARGE ESCOLHIDA A DEDO (122)


O QUE ME TOCA SÃO OS SENSÍVEIS DO TRAÇO - UM TRABALHO ACADÊMICO ENVOLVENDO REP E HENFIL NA ARGENTINA
Miguel Rep, um desses com suas tiras diárias para o melhor jornal diário da América Latina, o Página 12 (também com problemas financeiros, pois quando são assumidas posições ao lado do povo e dentro de um governo neoliberal como o de Macri, os anunciantes somem e o jornal tenta sobreviver da ação dos seus leitores).
Eu coleciono as tiras do Rep. Montei uma pasta só para ir colecionando e ainda não contei pra quase ninguém e o faço publicamente agora, pela primeira vez. Viajo pra Argentina dia 29/7 (fico em Buenos Aires com Ana Bia Andrade até 5/8) e estarei apresentando um trabalho acadêmico no Congresso de Design exatamente sobre a obra de Miguel Rep e Henfil, um argentino e um brasileiro, ambos com a mesma pegada, essa sensibilidade pelos das "calles", pelos que tentei denominar de "invisíveis" no meu mestrado, mas fui chamado a atenção por gente que admiro, como o professor Juarez Xavier, me dizendo que "são mais do que visíveis, são é IGNORADOS", o que concorda minha orientadora Maria Cristina Gobbi.

Lá em Palermo, numa universidade privada, tive aprovado um trabalho junto com a professora carioca Ana Rebello (tem trabalhos lindos sobre a ação dos cartunistas ao longo do tempo e no momento devora um livro sobre o assunto, escrito por Maringoni Gilberto e emprestado a ela por mim). Vamos juntar esses dois sensíveis do mundo do traço e descrever num Congresso bem abrangente, envolvendo gente do desenho e do design de toda América Latina, mostrando como isso é possível, o que os move e desse toque para tratar desses temas tão envolventes.
Tive o prazer de tempos atrás conhecer pessoalmente Rep em seu estúdio em Buenos Aires e do encontro publiquei um texto sobre ele, apresentando-o para os leitores de Carta Capital. Não consigo mais ficar sem toda manhã abrir o site do Página 12 e salvar a tira dele em uma pasta específica, como fazia com as charges do Henfil no Jornal dos Sports, nas revistinhas que publicava e hoje, por tudo o que encontro nas redes sociais. Já fiz isso também com o Maringoni, dos áureos tempos quando do lançamento do Caderno 2 do Estadão (hoje uma merda), tempos do Emediato no comando da coisa e um privilégio de ver uma pá de gente do traço ali valorizada. Guardei e tenho até hoje as tirinhas do amigo bauruense Maringoni aqui guardadas, como tenho de todos os que possuem essa sensibilidade por enxergar os tais ignorados.

Escrever deles é a forma que encontro de denunciar essa vergonha presenciada nas "calles" de todas nossas cidades. Espero rever logo mais o Rep lá na Argentina e conseguir transmitir algo das minhas intenções na ousadia de escrever sobre esse tema tão instigante. Rep, Henfil, Maringoni e tantos outros sabem muito bem ser impossível ser feliz num mundo onde exista tamanha diferença social. A cada tira dele sobre esse tema eu vou solidificando essa minha escolha por escrever, mais e mais, sobre esses das ruas e, dessa forma, tentar dar meu quinhão de contribuição para ir dando toques aqui e ali, mudando a forma como muitos ainda deixam de querer enxergar o que está ali diante dos olhos de todos.
Obs.: Escrito num momento em que uma vereadora de Bauru apresenta um projeto para transportar animais em ônibus públicos, mas nunca se importou com o preço das passagens, como o passe aos idosos está sendo dificultado, como esse serviço é deficitário nos lugares mais distantes da cidade, etc. Adoro os animais, tenho um inseparável cão ao meu lado, mas abomino os que adoram somente eles e pulam por cima dos mendigos nas ruas.
HPA - escrevendo e escrevendo

SEXTA É DIA DE DIVULGAR A CAPA DA NOVA EDIÇÃO DE "CARTA CAPITAL" - UM SALVE TAMBÉM PARA BRASILEIROS E CAROS AMIGOS
Ela sai nas bancas paulistanas hoje, mas chega à bancas bauruenses só no domingo pela manhã. Ouço a historia contada pelo jornaleiro, meu amigo Gustavo Mangili de que ela já está nas cidades no sábado à tarde, por volta das 15h, mas nesse horário a distribuidora se encontra fechada e não atende mais as bancas, daí sua distribuição pode ser feita a partir das 3h da manhã de domingo, quando chega o funcionário para começar distribuição de jornais e revistas no domingo. Um dia é muito para uma revista semanal, mas tudo bem, domingo pela manhã em todas as bancas da cidade. Na capa desta semana algo mais sobre os altos custos para o país em continuar mantendo um desGoverno como o de Temer, comprando tudo e todos à sua volta para poder continuar respirando. E da intempestiva ação do juiz Sergio Moro, acertadamente comparado aos inquisidores da Idade Média. Ler é o melhor remédio para não se permitir ser enganado. A melhor revista semanal deste nosso mundo segue sua sina e tenta sobreviver, com a ajuda dos seus leitores.
O diário argentino, o melhor jornal diário da América Latina, o Página 12 segue na mesma sina, com dificuldades financeiras, pois a cada dia despontam aqui e ali os sinais da implacável perseguição aos que defendem minimamente os questões sociais e a causa da maioria da população, a do povo. desaparecem os anunciantes e pipocam as dificuldades. A saída são essas campanhas de valorização da boa leitura, imprescindíveis, principalmente nesses tempos onde a verdade dos fatos é distorcida ao bel prazer por uma imprensa cada vez mais dominada pelos interesses das minorias, que as sustentam. Carta Capital um alento, diante de um mar de mediocridade. Caros Amigos padece do mesmo mal e só resiste graças à ação dos Nabucos (Araí e seus irmãos) e a revista Brasileiros, tão linda e límpida, obra inicialmente pensada por Ricardo Kotscho e hoje sob o comando do brilhante jornalista e fotógrafo, Hélio Campos Mello entra no terceiro mês sem conseguir chegar às bancas e nem sei se vai mais conseguir (resistem pela forma virtual). Carta Capital resiste como pode e (toc toc toc), segue sendo a luz no final do túnel da imprensa brasileira.