domingo, 28 de maio de 2017

COMENDO PELAS BEIRADAS (40)


DOMINGO PEDE RUA

1.) E PARA NÃO DIZER QUE NÃO FALEI DE FLORES...

Hoje, daqui pouco, logo mais, na feira dominical da rua Gustavo Maciel, a maior concentração popular e cultural de Bauru, ocorrerá ali nas esquinas das ruas Julio Prestes e Gustavo, junto ao Bar do Barba, outra concentração, a dos que estarão ali reunidos para dizer em alto e bom som um FORA TEMER!. Junto dele estaremos reunindo as possibilidades do que virá pela frente, com um VOLTA DILMA, ELEIÇÕES JÀ, ELEIÇÕES ANO QUE VEM ou mesmo, o mais viável, uma VIRADA DE MESA e com o povo nas ruas, derrubando tudo o que estiver pela frente e reconstruindo esse país em moldes mais palatáveis e vivíveis.10 hs, começa o furdunço lá pelos lados da entrada da feira do Rolo e depois só mesmo quem preve o futuro pode garantir o que acontecerá, desde nada até tudo. Traga cartazes, megafones, apitos, dinheiro no bolso (para pastéis e chopp), bandeiras, estandartes, pincéis, grito entalado na garganta e venha cheio de boa vontade para produzir história e espernear, pois ninguém aguenta mais esse temeroso e sua thurma no poder. Pode ser que apareçam somente umas dez pessoas e a gente não consiga nem estralar um sonoro peido coletivo, mas pode ser que surjam mais de 50, vindos de todos os lugares e a gente suba e desça a feira cheio de gás. Vai depender de todos nós. Extensivo a tudo, todas e todos os ainda sensíveis deste país. Você vem???
HPA e todos os Fora Temistas deste mundo.

2.) RUA E FEIRA, UMA MISTURA QUE SEMPRE DÁ MUITO CERTO
Lá estivemos ao lado dessas rebordosas pessoas e foi uma alvissareira manhã dominical,quando além do sempre presente FORA TEMER, a real e concreta possibilidade de papos estrepidantes e peripatéticos. Permanecendo em casa, nada disso seria possível, daí a certeza de que, rua é mesmo o melhor negócio. Pelas fotos, uma certeza, todos não suportam mais o país comandado pelos golpistas capitaneados pelo ilegítimo Temer e mais que isso, outra certeza, a solução só sairá nas ruas e não nos desvãos de imundos palacetes, como nos querem fazer aceitar. Nós, aos assumidos rueiros buscamos uma alternativa que saia do anseio advindos das ruas, onde o povo se encontra. Confesso não termos chegado a conclusão alguma, mas o assunto foi muito bem discutido. E continuará logo mais nos próximos encontros, pois mais e mais, tentando e insistindo, assim chegaremos a um denominador comum (ou até mesmo fora dele).
HPA - reflexões tiradas sob o efeito de uma pequena dose de cevada gelada...

3.) ESSA FALA DO REQUIÃO É PRA LEVAR MUITO A SÉRIO
O desGoverno golpista do ilegítimo Michel Temer jogou a soberania brasileira na lata do lixo. Pelo que o senador paranaense Requião, um dos únicos do PMDB ainda confiáveis, uma declaração não polêmica (dos golpistas sempre esperei tudo de ruim), mas demonstrando que o baú de maldades está se comprovando: entregaram o país de vez para os EUA decidir nosso destino. Voltamos a ser quintal deles e a subserviência predomina, com entrega de tudo o que nos resta para nosso maior algoz. E diante disso tudo, como continuar indiferente e não querer voar na goela desses entreguistas de merda? Aldir Blanc disse dia desses a frase que me guia para as próximas ações: "Não se derruba governo sujo com rosas".
HPA - entrando em estado de permanente alerta para o que de e vier...

4.) "FORA TEMER" EM COPACABANA E BAURUENSE JOÃO BIANO NO PALCO
Diante da imensa manifestação montada hoje na praia de Copacabana pelo FORA TEMER, quem acaba de cantar foi a banda Monobloco, do Pedro Luís e nela quem canta junto do líder do grupo, dividindo o centro do palco. Nada menos que João Biano, nosso baita negão, voz mais que aprumada e com um grito entalado na garganta. Biano não precisa provar mais nada pra ninguém, pois já está com seu nome consolidado no cenário da música brasileira e, como vejo agora, sempre antenado e ao lado das mudanças tão necessárias para devolver a normalidade ao país. Sobe no mesmo palco onde já cantou agorinha mesmo Caetano Veloso e Milton Nascimento. Um viva para esse bauruense que nos representa na grande manifestação contra esse desGoverno necessitando ser tirado na marra do poder. Enquanto minha TV aberta e mesmo nos canais por assinatura só passavam filmes, futebol e um falso noticiário, fui buscar pelas vias alternativas assistir o que movimenta o país hoje, a repulsa aos temerários, o grito vindo lá do Rio de Janeiro. E Biano gritou bem alto lá do palco: "FORA TEMER!".
Ontem em Zurique, Suíça e com bauruense no meio, a "M".

sábado, 27 de maio de 2017

PERGUNTAR NÃO OFENDE ou QUE SAUDADE DE ERNESTO VARELA (123)


“CRÔNICA DA DEMOLIÇÃO”, UM VÍDEO MAIS QUE PERTURBADOR – BAURU NA JOGADA


Quem procura acha. Não fico atento ao que rola somente num canal de TV, numa emissora de rádio, num jornal. Quem se prende a somente uma linha de pensamento, acaba repetindo ad eternum coisas impostas e o sujeito deixa de pensar. As ideias ficam cada vez mais lentas. Com o tempo, nem mudar de canal ele mais consegue. Estará definitivamente perdido e dominado. Pois bem, fuçando aqui e ali descobri que está sendo lançado um documentário do diretor Eduardo Ades, o “Crônica da Demolição”. Trata de edificações grandiosas espalhadas país afora e que, por motivos ditos para alavancar esse tal de “progresso” são colocados abaixo. Os motivos da destruição do passado são muitos e vão desde a especulação imobiliária pós ditadura-civil-militar, o poder de destruição do meio de condução/locomoção denominado automóvel e na conjunção disso tudo, algumas edificações passam a ser considerados velhos demais (ou lucrativos de menos) e são descartados da paisagem urbana brasileira.


Bauru tem exemplos grandiosos nesse quesito, como não podia deixar de ser. Enfim, estamos inseridos nesse contexto de que sem o tal do “mercado”, não nos resta outra alternativa de vida. Em Bauru um economista dita isso como regra de vida, repete isso o dia todo, em artigos de jornais e na fala diária numa de nossas rádios. Sem o mercado o caos, prega e repete como mantra. Bestial demais isso, viver submisso a uma lei onde o trabalho está totalmente desprezado e o que vale é investir, auferir lucros, especular e que se dane o resto. Daí, para derrubar edificações antigas é um pulo. Aqui na cidade já colocaram abaixo um modelo de praça, como o da antiga praça Rui Barbosa, tudo para dar lugar a espaço vazios, onde é mais fácil fazer a segurança das pessoas (sic). A nossa Polícia Militar pensa desta forma e jeito. Os ditos progressistas gostam muito de concreto exposto e ar livre, daí, ponha-se abaixo prédios antigos, cheirando a mofo. O Automóvel Clube que se cuide. O Aeroclube vai ser motivo de continuado assédio até conseguirem o intento daquilo tudo estar loteado de prédios e mais prédios, todos arranhando os céus e pondo uma cá de cal no passado.


Volto para o documentário. Sua estreia ocorre num momento em que o Brasil é implodido mais uma vez. O prefeito paulistano derruba paredes tombadas pelo patrimônio histórico, numa edificação com gente dentro, tudo para varrer do mapa os indesejáveis mendigos e drogados, párias humanas no caminho do progresso. Pois bem, não podia ser mais oportuno. Crônica da Demolição desponta ali para demonstrar o quanto existe de bestialidade nas atitudes humanas. Disputa entre poderosos são ininteligíveis. O filme retrata isso, mais uma fria e crua história de poderosos contra poderosos, com um olhar sobre uma peça de renomado valor sendo colocado abaixo no ano de 1976, o Palácio Monroe no Rio de Janeiro. Era majestoso, mas estava no caminho do metrô. Foi impiedosamente derrubado e o metrô não passou debaixo daquela área e nem seria preciso tal atrocidade, mas já está feita.
Aeroclube Bauru: Para especulação imobiliária isso aqui não diz nada...


Bauru vê se aproximando a queda dos seus ainda em pé Palácios Monroe (antiga sede da Câmara dos Deputados e Senado da República). Já citei aqui o Automóvel Clube e o Aero Clube. Quanto tempo resistirão? O que menos vale hoje com esses insanos no poder são o respeito a leis de patrimônio. Passam por cima destas com trator e tudo. Que se cuide a Estação da NOB, a da Cia Paulista, a Panela de Pressão (ainda útil, mas até conseguirem o tal novo Ginásio), o barracão da Cia Paulista defronte a Feira do Rolo (lugar ideal para o hoje proposto Mercadão), pois se tornando obstáculos, virarão pó. Fiquemos com o documentário, podendo ser utilizado como alerta. Eis o trailer do filme:https://vimeo.com/141722942. Ali numa fala isso, sobre o que aconteceu com o Rio de Janeiro: “A cidade passou a ser tratada como um pasto de negócios, de interesses financeiros e interesses políticos”. Vejam esse vídeo de Carlos Nepomucemo descoberto no google: https://www.youtube.com/watch?v=V7T_SP4DJG8.

Existe entre nós, embutida e encravada na própria concepção de vida a que estamos submetidos uma tal de “eugenia predial”. Destrói-se o velho para colocar no lugar o novo, de dúbia serventia. O novo precisa ser levantado e a qualquer custo, pois gera ganhos no momento e isso é o que vale, a roda precisa girar e todos nela ganhar a sua parte, o seu quinhão. Dane-se o resto. Pesquisem mais sobre esse tema no próprio google e ampliemos o debate. E é claro deem seu jeito de assistir o documentário.

sexta-feira, 26 de maio de 2017

O QUE FAZER EM BAURU E NAS REDONDEZAS (89)


QUATRO SITUAÇÕES, UMA NAS CERCANIAS DA PRAÇA, OUTRA NO MEU PORTÃO, A DO REFUGIADO SEM EMPREGO E A DO QUE INTERCALA ENTRE DORMIR NA RUA E NUM HOTEL

SITUAÇÃO 1 – Ele mora na Ferradura Mirim e fala muito bem do lugar onde mora. Quando lhe pergunto de lá, sempre me diz: “Nunca tive problema nenhum lá onde moro. Por lá, lugar de respeito, cada um cuida da casa do outro, sem problemas. Problema mesmo tenho aqui pelos lados onde trabalho e ganho a vida”. Seu trabalho é cuidar de carros e para isso saca dos lugares onde circulam pessoas com possibilidades e demarca seu território. Não existe território não demarcado para trabalhadores autônomos e até para guardadores de carro na cidade. Cada quadrilátero é de uma pessoa e ninguém invade o território do outro. Tudo devidamente acertado entre as partes, com entendimento bem definido. A pessoa conseguiu seu espaço, é dele, tem que sustentar e se garantir. Esse meu amigo circula pelo centro da cidade, imediações da praça Rui Barbosa, durante o dia e à noite quando tem movimento na igreja da matriz, como festas e casamentos. Tendo carros de grã-finos lá está ele e ganhando o seu. Mais a noite fica ao lado da choperia Vitória e do Made in Brazil. Uma simpatia, papo dos mais agradáveis, carnavalesco da Cartola e carioca de nascimento. Dia desses estava estacionando o carro na Batista, quarteirão depois na praça e sou abordado por alguém me abrindo a porta do carro. Era ele, sempre sorridente e a me agradecer. Diz que um texto que escrevi dele foi lido pelos seus parentes espalhados mundo afora e o encontraram, deram um jeito de se comunicar. Queria me agradecer. Deu-me um baita abraço ali no meio da rua. Fiquei de ir papear mais com ele lá pelos lados do Vitória. E vou, pois é gente da minha laia, é da rua e da lua.

SITUAÇÃO 2 – Já escrevi muito dela e não para de me chamar no portão de casa. Vive nos trilhos e a cada dia mais enfurnada nas coisas da rua. Tem dias que me aparece no portão com o cabelo pintado e com roupas novas, pede água, sempre uns dois reais e some falando alto pela rua. Tempos atrás os moradores todos daqui estavam preocupados, pois iria parir na rua. Por fim, quando ia nascer, a danada tinha o fone do SAMU de cabeça e a levaram para o hospital. A filha ficou por lá mesmo, pois não deixaram ela trazer para a rua. Já tentou sair da rua várias vezes, vai e volta. É das quebradas, mas com um pé do lado de fora. Tem dias que passa só querendo comida.Noutros só quer dinheiro e quando digo que não tenho, chega a ficar agressiva e isso, porque se diz minha amiga. No dia seguinte nem se lembra disso e tudo começa de novo. Ontem veio suja como nunca havia visto. Disse ter apanhado e estava toda esfolada. Os cabelos ainda recém pintados estavam bonitos, mas o restante de uma sujeira e cheiro muito forte,as unhas todas muito encardidas. Queria água, estava com a respiração ofegante e repetia querer sair das ruas, pois não aguenta mais, fala de voltar pra casa da mãe, mas ouço isso quase todo dia. Muitos já tentaram fazer muito por ela, com lugar decente para ficar, mas o chamado das ruas é mais forte. Volta sempre e intercala momentos de lucidez, banho tomado e como ontem, a degradação em pessoa. Tento conversar mais uma vez, ela me conta detalhes de quem a bateu e nem ouso aqui relatar, mas uma briga nos cantinhos detrás dos matos nos trilhos. Ali acontece de tudo e quem passa pela rua Antonio Alves nem imagina o que rola ali entre os que vivem por ali. Ela um desses. Agora ela some, daqui uns dias, nem sei como, reaparece limpa, me pedindo os dois reais e me diz: “é a última vez, vou sair dessa”. Eu tendo, sempre dou, nem quero saber pra que é, prefiro achar que seja para comida. Muitos aqui torcem muito para que ela dê a volta por cima. Sou um desses.

SITUAÇÃO 3 - VENEZUELANO CARLOS VIVE PRECARIAMENTE EM BAURU E CLAMA POR EMPREGO
Quando batemos os olhos nas manchetes mundo afora, algo mais que aterrador é a situação vivida pelos refugiados. Impossível não se sensibilizar e entender que, com os fluxos humanos, junto da intempestiva saída de grupos humanos de seu habitat, com esses, uma baita carga de sofrimento, angústia e esperança. Viver num lugar sem encontrar nenhuma possibilidade viável de uma vida saudável é algo ainda pouco entendível por quem possui uma estabilidade e um porto seguro para chamar de seu. Muitas vezes nos deparamos com situações muito parecidas com a vivenciada pelos sírios, afegãos, iraquianos e tantos outros mundo afora. Conto abaixo algo de um latino-americano em busca de da estabilidade aqui em terras bauruenses, algo até então não encontrado.

CARLOS ELIMER CORREA FLORES, 39 anos é designer gráfico e aportou no Brasil em 16 de março de 2014, mais precisamente em Bauru. Alimentava a vontade de sair de seu país, a Venezuela e achava ser o Brasil a grande oportunidade de sua vida. Contatado via redes sociais, conheceu alguém em Bauru que o seduziu para vir aqui em busca do tal eldorado. Entrou como turista e trabalhou por muito tempo ilegalmente. O sonho inicial logo se desfez e das promessas, nenhuma se concretizou. Padeceu nas mãos de pessoas não cumprindo o prometido e, na qualidade de clandestino, não via como reclamar. Acabou se submetendo às piores condições de trabalho, com irrisórios ganhos, trocando o que fazia por pouso e comida. Nem isso consegue mais hoje e está na iminência de ser despejado de uma quitinete se não quitar até os próximos dias dois meses de aluguel atrasados. Mas como saldar se nem emprego consegue? Recorre a amigos, conseguidos nas andanças cidade afora e na distribuição de currículos. A esperança é a de conseguir se colocar no mercado de trabalho. Diante de tanto desespero, foi até a Polícia Federal se apresentou, legalizou sua situação e hoje, já com pedido de refúgio nas mãos, está regularizado. Sua especialidade é a criação e vetorizar logomarcas, cartões de visitas, flyers, banners, sites e outras peças gráficas. O desespero bate à sua porta, pois pensava em trazer mãe e um irmão para cá, mas agora, está prestes a perder tudo, até o canto onde reside. Busca ajuda e conta com tudo o que possa lhe abrir caminhos. Por enquanto está morando na Conselheiro Antonio Prado 2-52, apto 3, mas nem sabe até quando. Busca uma luz, algo em que acreditar, conseguir se reestruturar e seguir adiante. “Sou bom no que faço, mas nada consigo, vou de um lugar a outro e as portas se fecham. Quem pode me ajudar?”. Seu fone de contato é 14.997626748.

SITUAÇÃO 4 - ANTONIO DORME VINTE DIAS NUM HOTEL E DEZ NAS RUAS
Ao olhar para os trabalhadores informais e moradores de rua de Bauru impossível não associar com o que está em curso na cidade de São Paulo, administrada por João Dória e com apoio incondicional do governador Geraldo Alckmin, num claro processo de reurbanização da área denominada como Cracolândia, sem nenhum cuidado com saúde pública ou algo congênere. Um desmonte de tudo o que existia, sem nenhuma previsão de internação compulsória para os desasistidos. O que se vê por lá é só barbárie e atrocidades, uma atrás de outra. População de rua sendo tratada como escória e da pior forma possível, sem nenhum tipo de sensibilidade. Aqui em Bauru o tratamento é bem outro, pois a SEBES – Secretaria do Bem Estar Social possui um procedimento, no mínimo de padrões dentro da normalidade quando o assunto é o trato com pessoas em situação de vulnerabilidade. Conto uma história de nossas ruas.

ANTONIO PEDRO, 52 anos, negro, carapinha com poucos cabelos e na região craniana duas cirurgias que o fragilizou, circula diariamente na quadra da rua Rio Branco, entre a Ezequiel Neves e a presidente Kennedy. Permanece por ali todo seu horário comercial e se oferece para cuidar dos carros ali estacionados, mesmo todos eles sendo obrigados a fazerem uso do cartão de Zona Azul. Com aspecto de morador de rua, esse senhor é aposentado por invalidez, após ter um massetamento de crânio em acidente de moto uma década atrás. Sua família reside lá pelos lados do jardim Godoy, a mãe mora no Santa Cecília e ele, com o pouco que ganha repassa parte para sua ex-esposa e a outra tenta sobreviver. Passa vinte dias do mês num hotel de baixo custo, com café da manhã e outros dez, quando a grana desaparece, nas ruas da cidade. Come com o pouco que ganha advindo da boa vontade dos que lhe dão algum durante os dias da semana. Tem dois filhos, um mora em São Paulo e a filha em Bauru, mas pouco os vê, pois cada um possui as correrias diárias e dificuldades idem. Tem boas lembranças dos seus tempos de carteira assinada, na construtora do Pathah e como segurança na antiga Casa Moreira. Hoje, espera pouco da vida, nem sonhar consegue com lucidez, pois só pensa na continuidade da generosidade dos que lhe ajudam, pois assim dorme menos nas ruas e sofre menos de todos os males advindos de quem se submete, não só as intempéries, como tudo o mais que vem junto ao procurar um canto para encostar o corpo durante a noite.

quinta-feira, 25 de maio de 2017

DOCUMENTOS DO FUNDO DO BAÚ (103)


DESMONTANDO A HISTÓRIA DO SANDUÍCHE DE MORTADELA
 Ontem foi um dia de resistência e de muito enfrentamento. Depois da descoberta da sacanagem presidencial e do envolvimento pessoal do ilegítimo presidente, o golpista Michel Temer com falcatruas, irregularidades e procedimentos muito pra lá de protocolais com reús e gente do submundo da ilicitude tupiniquim, nada como o país estar clamando pela sua saída. Caravanas provenientes de todas as partes do país aportaram em Brasília e durante o dia todo protestaram, primeiro contra o Golpe, mais do que comprovado e agora pela deposição de Temer e finalizando com dois motivos: ou a volta de Dilma Rousseff para cumprir o que lhe resta de mandato ou eleições diretas já. Impossível mesmo é continuar o país sob o tacão do Temer.
Muitos ônibus sairiam da região. De Bauru, foram cinco e um deles em especial, tem a melhor história de todos. Todos já estão de volta, sãos e salvos, cheios de histórias da truculência desferida pela polícia, desviada de suas funções para agredir o povo. Foi o ponto negativo de um desgoverno que já acabou e resiste em renunciar, mais pelo medo do presidente, pois perde as imunidades e pode ser preso. Dos cinco ônibus, um deles saiu lotado com trabalhadores do MSLT – Movimento Social de Luta dos Trabalhadores, todos moradores do acampamento Morada da Lua e Cannã, esse mesmo que, só não foi desapropriado no último dia 23, devido a um acordo entre Prefeitura, os ditos proprietários da área e os próprios assentados.
A luta deles é simples. Clamam por um pedaço de terra para chamar de seu e ali residirem, terem um porto seguro, uma casinha e não mendigarem sem eira nem beira. Diante das atrocidades que o país atravessa, esses sempre mais sensíveis resolveram ir protestar in loco em Brasília. Sabe o que fizeram? Locaram um ônibus e conclamaram entre os 800 acampados quem poderia dentre as famílias contribuir com R$ 25 reais cada. A aceitação foi imediata e assim pra lá foram. Difícil deve ter sido a escolha das 45 pessoas a comporem a lotação máxima. Viagem de gente sem recursos é sempre com tudo contado e quando bem planejado, a certeza de sair sem percalços. Foi o que se sucedeu.

Conto agora o detalhe principal da viagem e o que foi uma espécie de tapa de luva de pelica na cara da mediocridade reinante hoje no país. Na maioria dessas viagens reina algo e é espalhado com o vento, a de tudo é pago por entidades sindicais e afins. Essa viagem não teve disso, pois foi custeada pelos próprios acampados. Repete-se também sobre a forma deles se alimentarem, que predomina a distribuição de um sanduíche de pão com mortadela entre todos. Isso viralizou e hoje está na boca de muitos dos insensatos país afora, os que não entendem o movimento, muito menos a luta pela terra no país. São os tais papagaios de pirata, reprodutores de tudo o que ouvem sem questionamentos.
Recepciono a chegada de alguns deles hoje e posto aqui uma só foto, a principal, a que mais sensibiliza. Além de todo o aparato para uma viagem de duas noites na estrada, uma para ir, outra para voltar, levaram no bagageiro um fogão, desses de cozinha industrial, botijão de gás e mantimentos, como arroz, feijão e legumes. Dentre os que voltaram ouço de dois deles, algo sobre a utilização do mesmo. A cozinha para eles merece atenção especial, com horários estabelecidos e organização na feitura, distribuição e limpeza. Levam até pratos de plástico e talheres já pensando em como vai ser a alimentação de todos. Tudo estrategicamente pensado e colocado em prática. O que não se viu foi a tal da mortadela, pois tinham arroz, feijão e cereais, muitos plantados por eles mesmos. Daí, cai por terra a baboseira do tal sanduba e prevalece a sabedoria dos que lutam e sabem como enfrentar cada situação. Cada uma é devidamente tratada dentro de cada momento. Acertam até nisso e deixam de queixo caído os sempre prontos para tudo criticarem, mesmo sem conhecimento de causa.

FRASES (156)


CONFRONTO: PROJETO DE PAÍS FRENTE A UM PROJETO DE COLÔNIA
Num dia onde as escrevinhações andam um tanto engasgadas, prefiro juntar as de outros tantos:

“Do noticiário: "vândalos isso, vândalos aquilo". E a bancada da JBS e da Odebrecht, que depredam as instituições? São vândalos?”, jornalista Londrina, Fábio Alves Silveira.

“Não trate o povo como gado, ele também derruba cercas”, professora Maria Cristina Romão.

“Temer está acuado. Ele pediu para derrubá-lo”, professor Reginaldo Tech.

“Boa estratégia dos golpistas, forjar vandalismo! Rede Globo fator importante na divulgação! Nojo, nojo...”, brasileira morando na Alemanha Rosangela Sanches Stucheli.

“Eco na imprensa: vandalismo, vandalismo, vandalismo, vandalismo, vandalismo, vandalismo, vandalismo, vandalismo...”, escritor João Correia.

“500 BILHÕES de reais aos Bancos todo o ano...mas, vandalismo são vidraças quebradas”, Renato Bueno, o Rap Nobre

“Tem uma bando de vândalos em Brasília. Eu sei, e fomos lá para tirar. Fora Temer, Fora golpistas. Fora canalhocracia. (...) Acho uma graça os coxinhas, golpistas e direitistas afins perguntarem quem financia os ônibus, aviões, trens, barcos e lanches para os trabalhadores se manifestarem e lutarem por seus direitos. A resposta é obvia, são os mesmos que financiam as viagens, boa vida, comida, roupa, lazer, a eles e a seus filhos. Ou seja: Os trabalhadores. Em tempo de crise, me economizem.”, militante social Tatiana Calmon.

“Um Estado policial comandado por um golpista, aplaca violentamente os que o criticam. Ditadura”, editor de livros Murilo Coelho.

“O Povo passa a semana inteira nas filas das padarias e Lotericas dizendo que tem que tacar fogo em Brasília ...jogar uma bomba Matar todo mundo, aí quando fazem isso : Ai o Mesmos começam: Sou Contra a Depredação , Contra o Vandalismo contra Qualquer Forma de Violência . Mais quando o Exército Intervém ai vai : Sou a Favor de baixar a porrada nesses vagabundos , volta Ditadura Bala de borracha neles . Você Não tem opinião Própria , você está dando uma opinião partidária . Igual aqueles a quem você julga você pode estar sendo manipulado por uma mídia Tendenciosa”, agente cultural André Algarra.

“Governo que manda bater em manifestante na Venezuela: ditadura. No Brasil: prevenbindo baderna”, professora Neide Bombonatti.

“ Há um ano atrás este governo e seu conservador Ministro da Educação recebiam o incentivador de estupros Alexandre Frota e o sofisticadissimo amigo dos Revoltados on line, para "dar contribuição" para uma nova escola. Não teria esse ato sido de um vandalismo incrivel? Um ataque ao seu cérebro? Esse patrimônio indiscutível que é o seu, o meu, o nosso, de seus filhos, netos? Quanto gasto teremos para repor os neurônios perdidos, a luz no fim do túnel da sanidade, o sorriso dos que ainda acreditam, e os sonhos arruinados? Calculem!”, Rosa Maria Martinelli.

“Globo diz : Vândalos! E no dia seguinte uns idiotas repetindo: Vãndalos! Acorda Brasil!”, Miguel Axcar.

“Passarinho não cantou nessa madrugada, foi um jeitinho que ele arrumou pra ser camarada" – cantante Edvaldo Santana.

“Os movimentos sociais populares e os sindicatos de trabalhadores devem intensificar as mobilizações de rua nos próximos dias. O conteúdo dos protestos deve conter a bandeira de luta por eleições diretas. Isto significa que os objetivos do golpismo vão se chocar, frontalmente, com a voz das ruas, e vai haver uma clara disputa entre o golpismo e as mobilizações populares, com uma chance clara de vitória para a maioria da população”, militante baririense José Cláudio de Paiva.

“O exército brasileiro sair às ruas e reprimir o povo que protesta, para proteger os ladroes que estão bem instalados nos palácios, ministérios e congresso, tá certo isto?” assessor parlamentar de Limeira, Eduardo Coienca.

“Tem razão quem diz: o que assusta não é o ladrão que chama o exército, mas que o exército o obedeça. Será que há muitas coisas em comum entre eles?”, professora de idiomas, a equatoriana Gioconda Aguirre.

“Brasília, 24.05.2017. O dia que nós, da juventude e classe trabalhadora jamais esqueceremos. A quarta-feira em que Michel Temer, em seu governo ilegítimo e a corja do congresso nacional nos provaram, novamente duas coisas: O medo e o ódio da classe trabalhadora. Armada até os dentes, a burguesia tenta nos intimidar com bombas, gases e porrada. Este é só o começo da nossa batalha, porque não aceitaremos o roubo dos nossos direitos, conquistados com muita luta e sangue! VIVA A CLASSE TRABALHADORA! FORA TEMER E O CONGRESSO NACIONAL!”, ESTUDANTE DA Unesp Assis Dandara Tierra.

quarta-feira, 24 de maio de 2017

CARTAS (175)


ENCONTRO COM A IMPRENSA: MINO CARTA E JORNALISTAS (MINO, AZENHA, FERNANDO MORAIS, NASSIF, RODRIGO VIANA, ELEONORA LUCENA, PAULO HENRIQUE AMORIM, SERGIO LIRIO...)*
* Insistam, o vídeo só começa de fato aos 9 minutos e 34 segundos.

Cliquem a seguir para verem o vídeo:
https://www.facebook.com/CartaCapital/videos/1487211527966923/.

O triste desabafo de Mino, responsável pela mais vibrante revista semanal brasileira, diante do clamor de muitos para que não deixe de escrever seus editoriais semanais na revista e o algo mais sobre a situação de Carta Capital, mal das pernas, como tudo o que ainda defende a verdade factual dos fatos. Ontem, parei tudo o que fazia e deixei a entrevista rolando e só consegui me levantar de uma poltrona aqui existente ao ouvir o final do debate. O sentimento principal é, em primeiro lugar, tristeza e depois, uma constatação em forma de questionamento: por que não conseguimos nos juntar e engrandecer, tornar mais fortes publicações como essa? Perdemos até essa capacidade, a de ler e valorizar o que ainda nos resta de publicações honestas?

Ao termino da audição, sento e escrevo algo para a revista:
"Meus caros Sergio Lirio, Manuela Carta, Nirlando Beirão e todos os de Carta Capital

Em primeiro lugar, vamos convencer o Mino a não nos deixar desamparados. Paro tudo nesta manhã de quarta e nada mais faço sem antes ver e ouvir esse debate ocorrido ontem na Barão de Itararé.

Dele e após prestar muita atenção em tudo, um só pedido: publiquem a reprodução disto tudo na próxima edição. Até como uma espécie de continuidade do escrito de Mino e respaldado por tantas brilhantes presenças, incentivadoras e apoiadoras. Publiquem na edição impressa. Vamos espalhar isso.

Como gostaria de poder ajudar, de dar o que tenho para que a revista continue sendo publicada. Deixei de jogar na loteria faz tempo, mas jogo hoje alguns caraminguás, tudo para que, ganhando, possa ajudar não só no milhão e meio que dará sobrevida para a revista, mas para que algo assim possa ter solução de continuidade por um indefinido tempo. Torçam para que ganhe, pois não me esquecerei do tanto que fazem por pessoas como a mim, necessitando muito de boa leitura, dentro da verdade factual dos fatos, tão em falta hoje em dia.


Vou me desdobrar mais do que já faço para tentar convencer sindicalistas e gente que ainda lê, permanece lúcido e sensato em apoiar a revista. Não se esqueçam, por favor, reproduzam essa entrevista na próxima edição impressa. Quero guardar isso junto de mim e poder ler em vários outros momentos de minha vida.

Quero também, agora que meu mestrado quase chega ao fim, tenho portanto um tempinho a mais livre, enviar mais e mais textos para vocês da revista e em nenhum deles quero receber nada, pois minha intenção é dar meu quinhão de contribuição para que ele continue mais e mais a nos felicitar com o que mais prezo no jornalismo, a seriedade e a verdade estampada em suas páginas.

Baita abracito bauruense do HENRIQUE PERAZZI DE AQUINO - jornalista, professor e pequeno comerciante e também rodeado de pequenas e grandes dificuldades nesses bicudos e odiosos tempos."
A resposta veio em questão de minutos, na pessoa de Sergio Lirio, o diretor executivo da revista:

"Henrique, muito obrigado. Seu apoio condicional, sua leitura, nos honra muito. Forte abraço, Sergio Lirio".

Aos que ainda me leem, ou como Juca Kfouri se comunica com seus ainda leitores, repito aqui para uns poucos que possuem a paciência de darem atenção a este mafuento, "raro leitor, rara leitora". Pois bem, quem foi até o fim dessa aula conjunta, reunião coletiva de resistentes jornalistas, algo salutar: por que não a união de forças para salvar publicações como Carta Capital, Brasileiros, Caros Amigos...
OBS.: Nas duas fotos, algo da manifestação e repressão ontem em Brasília DF.

Meus caros de Página 12 – Em especial Ernesto Tiffenberg e José Pablo Feinmann - 30 ANOS DE PÁGINA 12

Moro em Bauru, estado de São Paulo (hoje o mais conservador do meu país), Brasil e leio diariamente o Página 12 na sua versão virtual. Todo dia, 365 dias por ano, faço uso da tal ”notícia repetida”, uma que muito me satisfaz e nunca me cansa. Tenho comigo algo em especial sobre a imprensa latino-americana: Página 12 é hoje o melhor jornal diário de toda nossa América. Não encontro nada de igual teor no meu país, nem consigo fazer comparação com qualquer outro. Ao abrir a página no site, logo pela manhã, me deparo com notícias de quase todos os países da América Latina, algo impensável nos jornalões brasileiros. E no mais, como diz um ditado popular brasileiro: “boi preto anda com boi preto”. Leio o que bate com minha linda de pensamento libertária, dentro da verdade factual dos fatos e o Página 12 me satisfaz.
Conheci o Página 12 em março de 2007 quanto estive em Buenos Aires para presenciar e escrever texto para uma revista brasileira, a Carta Capital sobre o comício de Hugo Chavez no estádio Ferrocarril, enquanto Busch fazia o mesmo em Montevidéu. Viciei de cara e desde então, o leio todos os dias. Até bem pouco tempo, após um cadastro, recebia um e-mail às 6h da manhã com o link para lembrar e abrir o site. Hoje não mais recebo o toque pelo e-mail, mas continuo fiel e o retorno continua tão intenso quanto antes, sempre em busca das informações mais confiáveis possíveis. No Brasil, dentro da mídia massiva algo parecido só numa revista semanal, a Carta Capital (capitaneada pelo jornalista Mino Carta) e as mensais Caros Amigos e Brasileiros.

Faço esse preâmbulo para chegar ao assunto que me leva a escrever novamente para este diário: os 30 anos hoje completados. Havia visto dias atrás o anúncio de um encarte especial sendo distribuído junto aos exemplares e já pensava em como conseguir tê-lo em mãos. Ao abrir a site hoje, a brilhante solução e num click consigo abrir toda a versão em PDF. Imprimi, coloquei um espiral e passei a ler e guardar junto de algumas edições especiais que faço questão de guardar por aqui. Neste ano, por intermédio de um amigo residente em Buenos Aires, recebi via Correios a agenda do Rep, a Caras y Cartas Mundo Trump e o Anuário 16. Ainda adepto da leitura no formato papel, resquício difícil de ser superado e transportado para o virtual, o que consigo vou juntando aqui em meu escritório. Imprimi desde pouco antes do golpe contra a presidenta Dilma Rousseff tudo o que vocês publicaram sobre a situação do Brasil, dia após dia e tenho hoje um belo calhamaço de mais de 500 páginas contando parte significativa da História do Brasil, numa versão muito próxima dos fatos, muito mais verdadeira do que a dos jornalões brasileiros.

Fiz também questão de imprimir, nesta manhã, todas as 48 páginas do Suplemento Especial 30 Anos e com muita sensibilidade felicito inicialmente por dois textos, o que abre a publicação, “Uma notícia 10.275 veces repetida”, do Ernesto Tiffenberg e o que fecha o caderno, o “La permanência”, do José Pablo Feinmann, um que merecidamente merece ser emoldurado como dessas peças raras e edificantes do jornalismo mundial. A importância de um jornal como o Página 12 conseguir chegar ao feito de completar 30 anos, remando contra a maré é algo merecedor de uma ampla avaliação. Somente com muita credibilidade se chega ao um feito desses.
Desejo vida longa para o diário e que, continue sempre com o mesmo espírito, voltado e crendo piamente nos Direitos Humanos como forma condutora e mola mestra. Sou muito grato a quem me fornece algo raro hoje em dia, um jornalismo voltado para a verdade dos fatos e contra a mediocridade reinando na imensa maioria dos meios de comunicação de massa. Escrevo cheio de emoção e com um único intuito, o de paparicar um pouco todos da redação e reafirmar algo que já é senso comum entre seus fiéis leitores, o de não existir algo igual, tanto no mercado editorial argentino, como brasileiro. Resistam e contem comigo para continuar lendo e os divulgando em meus diários escritos.
Baita abracito bauruense e brasileiro do jornalista e professor de História HENRIQUE PERAZZI DE AQUINO
PS.: Estarei em Buenos Aires entre 29/07 e 04/08 próximos. Uma das primeiras visitas na cidade será no Kiosko do jornal, ali perto do Congresso Nacional, para tentar comprar a edição impressa do dia 22/05, com a capa “Todos contra Temer”, uma quase especial só sobre Brasil, pois quero guarda-la e tê-la para consulta, pois vi nela, naquele dia, muito mais do que encontrei em todos os jornais brasileiros. A verdade dos fatos ali está e, tanto na forma quantitativa como qualitativa, um banho de jornalismo. Se puder e conseguir, gostaria muito de agendar uma visita na redação do jornal e para tanto, conto com a aprovação de seus diretores.

Bauru SP Brasil, sexta, 26 de maio de 2017.

terça-feira, 23 de maio de 2017

CHARGE ESCOLHIDA A DEDO (120)


ESSES CORAJOSOS AMIGOS QUE ESTÃO VIAJANDO PARA BRASÍLIA
Escrevo nesse momento tocado pela emoção. Amanhã ocorrerá em Brasília um ato decisivo na história deste país. Gente do país inteiro estão se deslocando neste momento, a imensa maioria de ônibus e com um único destino, a Capital Federal. Amanhã o DIA D, ou seja, o STF - Supremo Tribunal Federal irá decidir pelo afastamento ou não do inoportuno, inadequado, impraticável, intolerável presidente ilegítimo deste país, o golpista Michel Temer, pego em gravações pra lá de sacanas, ou seja, negociações mais que corruptivas. Se a decisão do Supremo vai ser favorável, ainda não sei, mas sei de tudo o que está em jogo e na cabeça dos atuais juízes daquele instância. Não é deles o motivo de minhas escrita.

Escrevo de gente valorosa, de milhares e milhares de pessoas que, uma hora dessas estão no meio do caminho e rumo ao epicentro dos acontecimentos. São gente de muita coragem, abnegação, os resistentes de plantão, os que não tem medo de colocar a cara a tapa e nem o bloco na rua. Muitos amigos e amigas estão neste barco. Leio seus relatos e tento acompanhar algo da viagem. Isso muito me emociona. Percebo que cada nova parada num posto de combustível gera um novo e auspicioso encontro, de gente na mesma situação. Ali as esperanças de renovam e seguem em frente, cientes do papel histórico que estão a cumprir.

Aqui de Bauru sei de dois ônibus com sindicalistas, gente ligada aos movimentos sociais, dentre os quais muitos professores, metalúrgicos, eletricitários, comerciários, estudantes, aposentados, desempregados e tantos outros. Ouço dizer que mais dois do movimento sem terra também estão à caminho. De Ourinhos outro tanto e um deles também passando por Bauru para pegar mais pessoas. De muitas cidades vizinhas vejo que a movimentação também é intensa. Ou seja, são os fortes, os que com muita disposição, estão enfrentando uma noite inteira de viagem, com saída daqui por volta das 18h e chegada em Brasília, se tudo der certo no início da quarta feira. Com ele, bem juntinho de cada um, vai um reforço significativo, a esperança e o desejo de representar milhões que não puderam ir, mas acompanharão tudo do lado de cá com o coração na mão.

Amanhã será um dia histórico. Leio do aparato de guerra sendo montado nas estradas e entradas de Brasília e isso reforça o desejo de que, mesmo diante de tudo isso, a população lá estará e dirá em alto e bom som que o momento de Temer já se esgotou. Não existe mais nenhuma possibilidade dele continuar no comando do país. Aliás, não existia desde o começo do golpe, dado em cima de Dilma, tudo para esse grupelho fazer e acontecer, humilhando os trabalhadores e colocando a perder conquistas suadas de décadas de muita luta. Nada consegue conter a força do povo quando unido, ciente dos seus atos e pronto para enfrentar os dragões da maldade com afinco. O povo sempre será soberano quando unido. Amanhã, mesmo diante de toda sórdida armação já montada nos arredores de Brasília, o povo haverá de ultrapassar todas as barreiras e se fazer ouvir.


Minha vontade era lá estar, nesse momento em que escrevo, bem no meio da viagem, um recarregando a bateria necessária de vitalidade para tudo o que ocorrerá no raiar do dia. Estive com muitos dos que agora estão na estrada na viagem para Curitiba, quando o ex-presidente Lula foi depor em Curitiba. Aquilo foi para mim algo pelo qual nunca mais me esquecerei. Ser testemunha ocular da História é algo realmente transformador, pois você sai da situação de observador e se transforma em ator. Desta vez não tive como ir, mas tenho certeza que, os fluidos positivos que estarei transmitindo a todos e todas que lá estarão serão importantes para fortalecer a empreitada onde estarão atuando como verdadeiros atores. Não se trata somente de admiração pela garra de cada um, mas um algo mais, algo que sai de cada consciente brasileiro, desses ainda com coragem de defender de fato este país contra o baú de maldades despejado sobre nós neste último ano. Será essa força o condutor da transformação necessária que irá reverter o arbitrário golpe de estado a que estamos submetidos. 

Precisava escrever isso, fazer um desabafo, pois do contrário, acredito nem dormir conseguiria. Viajo com eles todos, mesmo tendo aqui ficado. Estarei com eles em cada lugar, em cada ato, em cada grito, em cada atividade e dos prováveis cem mil pessoas lá presentes, tenho a certeza, cada um deles terá um reforço de centenas de outros, transformando-os na combustão da esperança. O Brasil não merece o atual desGoverno e é chegado o momento desses cairem fora. As reformas que tanto precisamos são bem outras e muito longe das atualmente propostas. Após escrever isso tudo, tento deitar, fechar os olhos e dormir, não sem antes, renovar a esperança de uma grande vitória no dia de amanhã e sem a necessidade de violência. Durmo sonhando com esse país renovado. Prevejo uma grande festa no retorno deles todos.