segunda-feira, 24 de abril de 2017

DOCUMENTOS DO FUNDO DO BAÚ (102)


PRIVILÉGIOS – AEROCLUBE E PANELA DE PRESSÃO
O mundo capitalista, até as pedras do reino mineral o sabem, é dos e para os espertos. E neste sistema econômico vigente hoje no Brasil e em boa parte do mundo, ser esperto faz parte do negócio. Não me canso de repetir ser o mundo de hoje o paraíso de uns poucos tirando proveitos nos costados da imensa maioria. Como pode dar certo isto? Não dá, mas é assim que se dão as coisas. Cito abaixo dois casos de privilégios em plena vigência na terra “sem limites” bauruense:

PRIVILÉGIO 1 – O Aeroclube de Bauru é uma área pública, das mais valorizadas para o mercado imobiliário local, hoje tombada pelo CODEPAC (este hoje adormecido em berço esplêndido, sob patrocínio do poder público municipal) e ali um bucólico aeroporto, nos moldes dos de antigamente. Virou o paraíso dos proprietários de pequenas aeronaves na cidade e região. A edificação é pública, mas administração é privada e daí cobrar aluguel dos hangares é algo natural. Fazem por lá uso e uma espécie de usucapião. Assim como também é algo mais do que natural encher todo o muro lateral da avenida Getúlio Vargas, ladeando a pista, com anúncios variados e múltiplos. Faz-se de tudo por aquelas bandas sem prestar nenhum tipo de conta para o dono da porcada. Hoje, o grande problema a revoltar todos os que lucram com o edificante negócio (da China, diria!) é a propositura de ocorrer uma licitação para, por exemplo, compra de combustível. Pelo que sei, o coronel a comandar a EMDURB, o Eclair ameaça mexer neste vespeiro. Não encontra só resistências, mas um declarado “motim”. Não entendem como alguém com seu currículo, pode querer fazer algo tão injusto para um negócio tão bem ajustado. “Pra que mexer em time que está ganhando? Para que revolver problemas do passado, enfim, águas passadas não movem moinhos? Está tudo correndo tão bem e agora vem esse cara cutucar quem está quieto”, eis como lhe cobram. Deixar como está ou comprar uma briga com alguns das “forças vivas” desta cidade? Eis a sina do coronel presidente da EMDURB.

PRIVILÉGIO 2 – A Panela de Pressão é um ginásio patrimônio noroestino e alugado para a Prefeitura Municipal por R$ 28 mil mês, tudo para favorecer duas equipes de grande rendimento no esporte nacional, com empresários bauruenses por detrás de cada uma e aqui mandando seus jogos, os de basquete e vôlei. Ambas disputam os mais importantes torneios nacionais em suas categorias e por detrás de cada uma, empresas, auferindo lucros com o auspicioso negócio. A cidade ganha com os jogos, os times formaram torcidas, os empresários lucram e a Prefeitura entra com o que pode fazer dentro de suas limitações. Tudo certo, até o exato momento em que, malditas goteiras interrompem uma partida de basquete transmitida ao vivo pela TV e para todo o país. O Noroeste, como se sabe, é o primo pobre neste imbróglio e dele não conseguirão a necessária reforma do teto. Simples, faça-se pressão sob quem já paga o aluguel, para que esse providencie a reforma e a toque de caixa, pois na próxima sexta já teremos mais um jogão aqui na cidade. Veladas ameaças são desferidas: “Oferecemos o melhor para cidade e em troca recebemos um ginásio meia boca”. Simplifico tudo. Eu monto o meu auspicioso negócio e conto com a ajuda externa, neste caso, do poder público, do contrário, irei à busca de quem assim o faça. A pergunta que não quer calar: tenho um time lucrativo, disputo torneios de ponta, não possuo ginásio para as partidas, ganho um praticamente de presente e reclamo por não estar nos trinques, do contrário, ameaço arredar pé. Promover, os dois times, em franca união de interesses, a tal reforma, nem pensar, né? Adoro explícitas demonstrações do “venha a nós, nunca ao vosso reino”.

domingo, 23 de abril de 2017

UM LUGAR POR AÍ (94)


ATO PELA REABERTURA DA ESCOLA ESTADUAL FRANCISCO ALVES BRIZOLA!!!
A RESISTÊNCIA É FEITA NAS RUAS!!!!
Um abraço no Brizola e repúdio a ação do Governo Estadual, com repetidas ações de desmonte da estrutura educacional paulista. Mais do que perceptível isso, o descaso e uma clara tentativa de ir desmontando toda uma estrutura educacional.

Foi hoje, às 10h, lá defronte a Escola Estadual Francisco Alves Brizola, no Geisel. Sou convidado pela antiga aluna e professora, ex-moradora da região (hoje dá aulas e reside em Pederneiras), a Silvia Carlos Lopes e repassei convite e todos os interessados nos destinos da Educação quando capitaneada pelo atual Governo Estadual, sob as ordens do desmobilizador Geraldo Alckmin.

No facebook da mesma algo mais do convite:
"Hoje é dia de luta para aqueles que ainda acreditam num mundo melhor. Minha imagem de bom dia é a bandeira da E. E. Francisco Alves Brizola, a escola em que eu estudei e vivi os melhores dias da minha vida e que fez a diferença na vida de muitos. Hoje ela encontra-se fechada, largada, humilhada, mas nós, "seus frutos" vamos deixa-la em pé novamente e que ela volte a ser o Brizolão, a que marca/ou a vida de muitos. Bom dia, mas bom dia mesmo! Silvia Carla".

No JC algo mais do evento:
http://m.jcnet.com.br/…/em-protesto-exalunos-promovem-abrac…

Abaixo depoimento de uma ex-professora:
Mainini, ex-diretor
“Amo esta escola, dei aula ali e fui muito feliz. Tinha uma equipe de professores nota 1000, e quem não conheci podia até falar mal, mas quando entrava ali as coisas eram diferente. Tinha problemas como toda a escola tem, mas o que faltava nos alunos era amor e quando conseguimos transmitir isso para eles , era tudo de bom. Fico muito triste e com o coração partido, sempre dizia , que foi o lugar que aprendi a ser professora,. Trabalhei com SR Aparecido e o Marcelo ,e toda a equipe é uma pena mesmo.”, Renata Santin

No final do dia, a boa repercussão: Foram mais de 200 pessoas dando o abraço na escola e numa das fotos, o primeiro diretor, professor Mainini, também presente. Os próximos passos subsequentes serão fazer um BO e dar entrada num processo no Ministério Público. Isso tudo fundamentado por ex-alunos hoje advogados.

Uma luta sendo iniciado junto de tantas outras na mesma situação no estado dito como o mais rico e importante da Federação.

Nas fotos algo mais...

sábado, 22 de abril de 2017

DROPS - HISTÓRIAS REALMENTE ACONTECIDAS (141)


FRAGMENTAÇÃO DA VIDA SOCIAL – A RELIGIÃO INVADINDO SUA PRIVACIDADE

Li dias atrás um belo conceito dessa fragmentação social dos tempos atuais na revista Caros Amigos, entrevista com o sociólogo Sergio Adorno. Era mais ou menos isso. O mundo do trabalho como até então conhecíamos e era praticado, isso já se escafedeu e daqui por diante, prevalece o “deus nos acuda”, ou seja, um “salve-se quem puder”. A precarização foi oficializada e o mundo do trabalho se esvai. Com ele, a insegurança e tudo o mais. Junto dessa insegurança toda, começam a pipocar aqui e ali os salvadores do mundo. Os que enxergando tudo sob a sua visão, querem moldar todos os demais segundo a sua linha de pensamento.

Quem mais atua nesse sentido são segmentos religiosos. Tem seita para tudo quanto é gosto e sabor. Prometem mundos e fundos, tudo no campo do imaginário, do se você seguir a risca os preceitos ditados por eles chegará lá. Verdadeira aberração. Crescem desmedidamente, pois até hoje não vi nenhum governo barrar a explícita sacanagem com os incautos. De incauto, denomino todos os inseguros neste momento, pois fragilizados, estão mais propensos a cair em armadilhas. O que se vê são portinhas se abrindo a cada esquina e com isso, um acirramento competitivo entre eles. Cada um prometendo mais que o outro, tudo para conseguir o cliente, ops, digo, fiel. Apelam e a cada dia aumentam a intensidade da aproximação.


O sociólogo Adorno conta uma história e ela merece ser aqui transcrita: “Eu moro em um prédio e um dia um vizinho que eu nem conheço me liga e me chamando para ler a Bíblia. Eu fiquei chocado, é um bairro classe média, não vou dizer alta, Perdizes. Então você começa a se perguntar: nós estamos vivendo em um mundo onde também se perdeu o respeito à liberdade do outro. Você tem que se salvar, tem que salvar o outro. Então, você tem um mundo no qual você tem missões e essas missões tem que ser concretizadas. É cruzada. E cruzada é fonte de fascismo. Quando você acha que os seus valores estão certos e os outros estão errados, você acha que tem que partir da ideias para a ação e, portanto, você tem que expandir o seu universo de adeptos. Nós estamos em uma sociedade com traços fascistas bastante acentuados”.

Concordo em gênero, numero e grau e conto algo aqui do lugar onde moro. Tempos atrás uma vizinha nova chegou por aqui. Logo de cara deu para saber que não seguia a religião dela, aliás, não sigo nenhuma. Eu sempre respeito o semelhante e ouvia sua cantilena todo dia. Vinha em casa e me pedia para imprimir seus estudos bíblicos e se insinuava para comigo: “Deu uma lida no que imprimiu? Não quer saber mais a respeito? Quer conversar sobre isso?”. Respeitosamente me esquivava, não queria ser deselegante. Tudo seguia com essa anormalidade mais do que instalada até o dia em que marcou uma reunião de seu grupo em meu quintal e sem ao menos me comunicar. Cheguei e a coisa estava se consumando. Pedi a palavra e educadamente disse algo bem simples: “Sou umbandista declarado. Se continuarem com isso, me acho no direito de todos baterem tambor comigo ao final. Será uma troca”. Ela arregalou os olhos e tentou desdizer, com aquilo a encher o saco de todos: “Mas isso é coisa do diabo”. Foi o bastante para melar tudo, perdi a compostura. Não passou nem um mês, ela se mudou. 
Foi pregar em outro terreiro.
Falta muito pouco para isso...


Já que o negócio é contar história religiosa, conto outra, essa amena. Tinha uma vizinha divinal por aqui, perto dos 90 anos (ainda viva e bem de saúde). Conversávamos sempre no portão e quando passava diante de sua casa. Sabia ser ela muito religiosa, católica praticante da Paróquia Nossa Senhora Aparecida, conhecia meus pais, enfim, me conhecia desde criança. Certo dia, me vendo com essa barba branca, já meio arcado, andando lentamente, chegou perto e me fez um convite: “Faz tempo que quero lhe falar uma coisa. Você sabe, estou velha, cansada e atuo na igreja junto ao grupo de organização da Terceira Idade, com reuniões toda semana, grupo grande. Te vejo sempre escrevendo, fala bem e acho que seria a pessoa ideal para dar prosseguimento ao que faço. Não quer assumir a coordenação desse grupo?”. Educadamente recusei e no caso dela, houve compreensão mútua, nunca mais tocou no assunto. Já os demais, você renega e eles insistem, querem te salvar (do que, hem?) a qualquer custo e para tanto invadem sua privacidade.

Obs.: Aray e Anaí Nabuco, a Caros Amigos está ótima, como sempre, e com o novo formato, melhor ainda.

sexta-feira, 21 de abril de 2017

DIÁRIO DE CUBA (85)


NECESSIDADE DE RECARREGAR ENERGIAS – ARTHUR VAI PARA CUBA*
* Escrever de Cuba é um alento diante de tudo o que temos aqui pela frente nesses tempos destrutivos e sombrios. O faço tão alegre, de uma só vez, sem correções, do jeito que as coisas estão guardadas dentro de mim e prontas para serem colocadas pra fora. Pronto, despejei...

Dia desses vi aqui pelas redes sociais um foto que muito me entristeceu. Meu caro amigo, o advogado e militante social, Arthur Monteiro Junior estava hospitalizado. É sempre muito triste ver a fisionomia de quem está com a saúde debilitada. Eu mesmo, com a minha pela hora da morte, penso logo nas consequências todas de uma vida desregrada (não a dele, mas a minha) e sei que hospital, não é lá um lugar dos mais seguros para tratamentos variados e múltiplos. Sou adepto do que fez um dia bem lá atrás, o grande Darcy Ribeiro, que ciente de que sua cura não seria mais possível, fugiu do hospital e foi viver seus últimos dias ao sabor do vento. Mas o Arthur é novo e, sabíamos todos que, mais dia menos dia estaria de volta ao nosso convívio. E está. De lá para cá não tive mais notícia dele.

Nessa semana um amigo me diz ter se encontrado com ele pelas quebradas do mundaréu e a alvissareira notícia: “Domingo próximo ele embarca para Cuba. Vai participar de mais uma Brigada Cubana”. De imediato, a alegria pelo seu pronto restabelecimento, depois, outra alegria, também incontida, a de vê-lo participar de mais uma Brigada Anual, o encontro de gente do mundo todo para juntos, estudar, praticar decência, ajudar Cuba e ser mais humanos a cada reencontro. Se me perguntarem sobre um sonho de consumo, não me verão dizendo que desejo conhecer o coração do mundo capitalista, mas somente ter o prazer de voltar mais algumas vezes para Cuba (fui uma e quero fazê-lo em outras tantas). Conhecer a vivência possibilitada por uma Brigada deve algo indescritível para uma vida humana enfronhada dentro dessa concepção capitalista.

No post que leio do Arthur só isso: “Mala pronta. É hora de rever Cuba! "Havana-me / Não esqueço teu povo em momento algum / Havana-me / Bota uma cubalibre, limão e sal / Quero ouvir teu som caribenho / Teu par ainda é o Brasil, havana-me/ Havana-me / Acho mesmo que temos muito em comum / Cubana-me / É o povo, é a pele, esse batecum / Cubana-me / Me ‘havana’ de amor num abraço igual / Irmana-me / Mostra que nossa raça é sentimental, havana-me" (Joyce e Paulo César Pinheiro”.

Não precisa mais nada. Mas, alguns incautos ainda podem torcer o nariz e querer perguntar: Mas por que Cuba? Simples e é na simplicidade das respostas e das coisas que quero continuar vivendo o tempo que me resta aqui neste mundo. Não me canso de repetir: como não acredito em outra vida, tenho que aproveitar ao máximo desta. E aproveitar é não só deixar seu corpo a deriva, como venho fazendo, mas tentar leva-lo para lugares considerados paraísos terrestres. Cuba, para mim, um desses. O encanto de Cuba vem em primeiro lugar por mostrar a toda uma legião de sonhadores que, outro mundo é mais do que possível. Os cubanos ousaram e estão levando adiante uma experiência única neste planeta. Não quero saber das imperfeições e erros, pois nós os cometemos muito mais e sim, quero enaltecer das maravilhas de buscar algo diferente do trivial. E mais que isso, conseguirem, ao seu modo e jeito.

Por esses dias aqui em Bauru um juiz de Direito está com exposição aberta lá na galeria, hall de entrada da FM 94 e com fotos feitas após sua visita à ilha. Ainda não fui visitar, daí não posso escrever tudo o que penso do que já o ouvi falando daquele país. Em primeiro lugar, percebo que suas fotos são muito boas, tiradas com maquinetas do último tipo, aquelas que tirão água de pedra, mas isso só não basta.
Quem for pra Cuba e buscar com seus olhos encontrar a pobreza a verá e se o fizer centrado nisso, nem perceberá o que de melhor eles possuem. Ir com ideias preconcebidas é um saco, pois as conclusões são sempre as mesmas. Tenho o que saiu de suas impressões aqui e as comentarei melhor após minha ida pessoalmente. Eu sempre, ressalto sempre, vejo Cuba e os cubanos com meus olhos ainda libertários, os de quem ousou e conseguiu se contrapor ao Grande Irmão do Norte e debaixo de suas barbas. Passei trinta dias entre eles e são as melhores recordações que posso ter de um país e de um povo. Não me venham falar da pobreza cubana, pois isso é pífio argumento diante de tudo o mais por lá.

Arthur é um sortudo, desses que, dá muito duro o ano todo, mas não abre mão de algo bem simples, o de juntar sua graninha e ir todo ano para Cuba. Descarregar a carga juntada aqui neste país, hoje dominado pelo que de pior temos na classe política é mais do que necessário. E depois, o algo mais, o que lhe dá forças para continuar na lida no restante do ano por aqui: renovar a bateria e vir com ela recarregada. Ficaria horas aqui falando de Cuba, mas tenho outras coisas para fazer. Meu baita abracito para o Arthur e a certeza de continuar sonhando em retornar para a ilha, paraíso terrestre nesses tempos onde o neoliberalismo quer impor suas condições. Todos nós, os sonhadores, estamos um pouco contigo nessa viagem, meu caro.

quinta-feira, 20 de abril de 2017

ALFINETADA (155)


TEXTOS DO HPA PUBLICADOS N'O ALFINETE DE PIRAJUÍ – JULHO 2005, O FALECIMENTO DE MARCELO PAVANATO E MEU RETORNO, AGORA NA EDIÇÃO VIRTUAL*
*Mais uma batelada de textos meus publicados no começo de 2015 n’O Alfinete – Pica mas não fere! No primeiro deles, algo da morte de Marcelo Pavanato, ocorrida no mês de junho de 2005. E lá se vão mais de doze anos. Hoje, recomeço o envio de textos semanais para publicação no até então semanário de Pirajuí, porém, não mais pela via impressa e sim, somente, pela via virtual. Alex Rodrigues Palopoli, atual diretor, recepcionará toda quarta e publicará no www.oalfinete.com um texto de minha lavra e responsabilidade. O primeiro segue abaixo e, logo a seguir, os de 2005. Espero que gostem.

O QUE MUDOU?
Ano passado vicejou por todas as cidades aqui da região algo inflamado pela mídia: a de que, o Governo de dona Dilma Rousseff era o pior que podíamos ter, antro de corrupção e de desmandos. A TV, rádios e jornais despejaram diariamente algo pernicioso sobre os petistas e (quase) todos acreditaram piamente no que viam, ouviam ou liam sem pestanejar. Imensas manifestações ocorreram país afora e também em todas as cidades, de Bauru, Pirajuí e mesmo menores, como Reginópolis. O que mais se via eram adeptos para seguir cegamente o que profetizava aquele tal de “pato amarelo”, criação da FIESP para incutir nas massas estarmos no pior dos mundos. A maioria caiu como patinhos, endossou o golpe e deu no que deu.

Claro, só podia dar em algo, fomos todos ludibriados, glamourosamente enganados. Digam-me com toda a sinceridade deste mundo: Alguma coisa mudou para melhor desde então? Michel Temer e os seus deram o golpe, assumiram o poder e tudo só piorou. O desemprego aumentou, as leis trabalhistas estão se evaporando, as liberdade democráticas se esvaem no ralo, a Judiciário comete seguidas irregularidades nunca vistas até então e até a Polícia Federal vai na valsa e segue os prescrito pelos atuais donos do poder. “Tá tudo dominado”, não se cansa de repetir um vereador aqui de Bauru. Agora, mais do que nunca.

Toda aquela movimentação feita para retirar de forma vil Dilma do poder hoje não mais ocorre, mesmo a sacanagem tendo atingido índices estratosféricos com o nível corruptivo desse um ano de (des)Governo Temer. Cadê o povo pedindo e clamando pelo fim da corrupção? Se ela só aumentou, por que não o fazem mais? Seriam todos teleguiados pela TV Globo e como ela é golpista e defende o que aí está, calada fica e os que a seguem fazem o mesmo? Algo para se pensar. Por fim, a pergunta a envergonhar a nação: Foi para isso que estiveram nas ruas?

Digo o que mudou. Muito simples. A indiferença de gente acovardada, medrosa e se escondendo até envergonhadas pelo triste papel cumprido. Para muitos a ficha já caiu e estão cientes da besteira feita. Se ruim estava com Dilma, a que menos culpa tem nessa balbúdia toda, hoje tudo piorado e nem reclamar já podem, pois grassa o medo. O sujeito hoje tem medo de perder o emprego, de ser cerceado no que ainda lhe resta de assistência, de ser perseguido pelos atuais donos do poder, tanto locais como estaduais e federais. Incautos e bobalhões ainda conseguem querer culpabilizar Lula e Dilma pelo atual estado de coisas, mas devem morrer de vergonha, pois já faz um ano que esses estão fora do poder e tudo só piora. Piorará. Reconhecer ao menos isso é salutar para combater o que está em curso e o que ainda virá de ruim sob nossos costados.

HENRIQUE PERAZZI DE AQUINO – jornalista e professor de História (www.mafuadohpa.com.br).


Edição 329 – VAZIO (pelo falecimento de Marcelo Pavanato) – 25.06.2005
Edição 330 – nº 254 – Templo do consumismo desenfreado – 09.07.2005
Edição 331 – nº 255 – Assunto do momento e o momento do PT – 16.07.2005
Edição 332 –nº 256 – Pirajuí e os Tempos de Chumbo – 23.07.2005
Edição 333 – nº 257 – Algumas coisinhas sobre os últimos acontecimentos... – 30.07.2005

quarta-feira, 19 de abril de 2017

MÚSICA (147)


DIA DO ÍNDIO EM BAURU E COMOS OS RURALISTAS AVANÇAM O SINAL SOB TERRAS INDÍGENAS
“Todo dia era dia de índio”, na voz da cantante Baby Consuelo preenche os espaços aqui do mafuá no dia 19/4. Ela prossegue com algo ocorrendo exatamente como na letra: “Mas agora eles só tem o dia 19 de abril”. Abaixo a letra completa: “Curumim,chama Cunhatã/ Que eu vou contar/ Curumim,chama Cunhatã/ Que eu vou contar/ Todo dia era dia de índio/ Todo dia era dia de índio/ Curumim,Cunhatã/ Cunhatã,Curumim/ Antes que o homem aqui chegasse/ Às Terras Brasileiras/ Eram habitadas e amadas/ Por mais de 3 milhões de índios/ Proprietários felizes/ Da Terra Brasilis/ Pois todo dia era dia de índio/ Todo dia era dia de índio/ Mas agora eles só tem/ O dia 19 de Abril/ Mas agora eles só tem/ O dia 19 de Abril/ Amantes da natureza/ Eles são incapazes/ Com certeza/ De maltratar uma fêmea/ Ou de poluir o rio e o mar/ Preservando o equilíbrio ecológico/ Da terra, fauna e flora/ Pois em sua glória, o índio/ É o exemplo puro e perfeito/ Próximo da harmonia/ Da fraternidade e da alegria/ Da alegria de viver!/ Da alegria de viver!/ E no entanto, hoje/ O seu canto triste/ É o lamento de uma raça que já foi muito feliz/ Pois antigamente/ Todo dia era dia de índio/ Todo dia era dia de índio/ Curumim,Cunhatã/ Cunhatã,Curumim/ Terêrê,oh yeah!/ Terêreê,oh!”. Pare verem o vídeo dela cantando, cliquem a seguir: https://www.youtube.com/watch?v=Kk8KAKh51BQ

Claro, impossível querer enxergar o índio como aquele numa oca como na época do descobrimento. Já se passaram mais de 500 anos e se evoluímos enquanto seres humanos pensantes, os que esperam vê-los pelados, morando e vivendo em condições precárias precisam se atualizar. Ali na gare da Estação da NOB (a mais bonita do interior paulista, segundo Loyola), do outro lado do túnel, última plataforma, escondido atrás de uns vagões sendo restaurados (ou em fase de), uma exposição mostra isso. Trata-se de uma concepção sob a assinatura da “Araci Cultura Indígena” e nela dois banners com os seguintes dizeres: “Transformação da casa do povo Terena, Guarani e Kaigang ao longo dos anos – Será que só porque o indígena mora em casa de alvenaria deixou de ser indígena?” e “Menos preconceito, mais cultura indígena – Apoie essa ideia”.

Ouço pela rádio um dos idealizadores da exposição, Irineu Nje’a dizer que além de tudo, trata-se de uma “necessária provocação, uma demonstração explícita de que o índio não ficou estagnado no tempo e no espaço e aquilo de ter uma parabólica na oca e no seu interior um computador, uma TV, um celular pendurado são sinais, não de deterioração, mas de evolução, de estar sintonizado com os novos tempos, sem perder suas raízes e o sentido de sua causa”. Vou visitar a exposição acompanhado de Ana Bia e a sogra Darcy Soliva da Costa. Entendo aquilo tudo e, com a simplicidade com que foi criada, algo bem didático, sem grandes elucubrações e divagações. Algo tão simples que, nem necessitaria de maiores explicações e entendimentos. Enfim, tudo tão explícito, mas diante desse novo conceito de como tratar o índio empreendido pelo atual (des)Governo golpista capitaneado por Michel Temer e seus aliados, me vejo na necessidade de escrever algo mais a respeito.

O índio, como diz na letra da música foi o primeiro a aqui chegar, portanto, naturalmente a terra lhe pertence. Porém, tudo, contanto, hoje viceja umas lema no país dominado pelos temerários, o de “Todo Poder aos Ruralistas”, ou seja, a vontade desses é uma ordem, pois dariam empregabilidade num momento de crise. E daí, a partir daí, fazem o que querem, onde querem e como querem. Liberou geral. O agronegócio interfere descaradamente na demarcação de terras e tenta esvaziar cada vez mais a FUNAI. Já tentaram via Ministério da Justiça a criação de um grupo para analisar os processos administrativos internos de demarcação e fazer a revisão beneficiando os invasores, ou seja, o agronegócio. A competência disso ainda é da FUNAI, mas a tentativa é para que seja feita por outro órgão, mais palatável aos interesses dos invasores e exploradores. O que isso quer dizer? Simples. Querem manter os privilégios de poderosos na agricultura, pecuária e no extrativismo. Para tanto, se faz necessário, em primeiro lugar destruir a FUNAI. No Brasil, há 896,9 mil indígenas (a maior parte vive na região Norte, Amazônia) e as reservas ocupam 13% do território nacional.

Além de todas as sacanagens em curso com os golpistas no poder, essa só mais uma. O que existe hoje de legislação a favor do índio e as demarcações protegendo os indígenas garantem a preservação ambiental e até a própria sobrevivência do que ainda resta dessa população. Entendam o que de fato está ocorrendo: tem uma turba pela aí chamando os índios de vagabundos, repetindo de uma tal necessidade deles trabalharem e inadmissível suas terras continuarem ociosas, tudo para favorecer o desmembramento de tudo e a invasão definitiva em benefício do agronegócio. Ou seja, a máxima que leio agora numa manchete de jornal é o que prevalece para tudo o vivido nesses tempos atuais: “NÃO HÁ NEOLIBERALISMO SEM TRAIÇÃO”. O que fazem com o índio é o que vemos esses golpistas fazendo com o país num todo, a sua destruição total e absoluta.

OBS.: Se existisse um troféu, um meio de mensurar quem faz a melhor monitoria dentro do Museu Ferroviário Regional de Bauru, sem demérito nenhum aos demais, mas o melhor MONITOR, sem sombras de dúvidas é o servidor PH - o popular Paulo Henrique Pereira. Trabalho com uma dedicação exemplar no quesito servidor público. Adoro ser seu amigo.

terça-feira, 18 de abril de 2017

PERGUNTAR NÃO OFENDE ou QUE SAUDADE DE ERNESTO VARELA (122)


O DESCALABRO DO ESTADO MÍNIMO NA MATERNIDADE, HOSPITAL ESTADUAL – ORDENS ESTADUAIS ALCKMISTAS DE CORTAR TUDO

Pelo visto a Maternidade Santa Izabel está pela hora da morte. Uma mãe que havia dado recentemente a luz falece de hemorragia e acusam o hospital de negligência. Primeiro a obrigaram a que seu filho nascesse de parto normal, quando apresentava problemas mil e do adiamento, talvez o motivo principal de seu falecimento dois dias depois do filho nascer. Esse um caso. Teve outro por lá. Pelo visto, o hospital teve algumas de suas alas interditadas pela Vigilância Sanitária. A denúncia veio de uma paciente que estava lá ontem na hora do interdito e essa colocou a boca no mundo. O fato gerou até a presença de uma comitiva de vereadores que para lá se dirigiram para constatar a veracidade do fato. Nada sei do resultado disso.

O fato é que quem está administrando todos os hospitais em Bauru deixa muito a desejar. A famigerada FAMESP, com vinculação mais do que umbilical com o Governo do Estado de São Paulo (uma espécie de velada tercerização dos serviços), administração do sr governador Geraldo Alckmin é a que gere tudo e está atuando seguindo à risca o prescrito pelas ordens superiores: ESTADO MÍNIMO. Existe um evidente procedimento de cortar despesas e economizar, podando e restringindo tudo pela frente. Já existe um hospital fechado em Bauru e sem previsão de reforma e reabertura, o Manoel de Abreu. Do outro lado da cidade, o Hospital Estadual dá aumento salarial para médicos de 10% e quer dar 2% para quem carrega o hospital nas costas, ou seja, seus demais funcionários. São desavergonhados na economia e ainda tentam cortar o ponto dos funcionários em declarado estado de greve.

Ou seja, percebe-se que tudo está mais do que PRECARIZADO pelos lados da Saúde, quando sob o comando o Governo do Estado de São Paulo. Tenho que repetir sempre, mais e mais isso: a responsabilidade é exclusivamente do GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO E DO SR GERALDO ALCKMIN. Não confundamos com nada feito pela Saúde Municipal, que também caminha a passos trôpegos, mas nesse momento, nada tem a ver com a situação mais que calamitosa. Se fosse do Municipal, o alarde seria geral, mas quando é do ESTADUAL, muitas vozes se calam, desavergonhadamente.

Tenho outro grande culpado, o deputado médico bauruense PEDRO TOBIAS, o PT do PSDB, um que se diz pessoa influente junto a esse (des)Governo Estadual, mas só para acusar, nunca para fazer de fato algo pela população. Observamos qual a atitude desse senhor neste assunto? Por enquanto, nenhuma. Quieto está e quieto ficará, pois é prócer também na implantação desse bestial ESTADO MÍNIMO, um que corta tudo e precariza tudo. Cortam aqui e gastam uma enormidade no que menos precisamos. São os insensíveis do momento. Ouço dizer que temos um outro deputado estadual, um tal de CELSO NASCIMENTO, mas como nada fez até agora, nada fará nesse e em todos os demais quesitos. Peso morto, eleito pelos seus, os de sua igreja e o que faz é tão somente igrejar, nada mais. Esse é como se não existisse. E existe?

A situação colocada é esta. Maternidade atuando no limite do que lhe é imposto, cortando tudo, ordens superiores do tipo incontestáveis. Dentro do Governo Estadual todos sabem que ordem dada é para ser cumprida à risca e quando não, a pena é, no mínimo, o cargo. Daí, a direção da Maternidade está de mãos atadas, cumprindo ordens. Querer algo desses é chover no molhado, pois nunca nada virá sem que algo lá de cima ceda e se vergue sob a pressão popular. Da Saúde Municipal, quando o assunto é algo vindo do Estado, hoje tanto Estadual como Federal, ficam de bico calado, sempre, pois sabem que se falarem algo, nada mais receberá. E se ruim está, pior ficará. Mantém o bico calado. Esse o estado de coisas. Lamentável.

Quero ver é nossa mídia local, dentre os quais incluo o Jornal da Cidade, rádio 96 FM, rádio 94 FM, rádio Auri Verde, rádio 97 FM, TV Tem, TV Record e TV Preve, ou seja, tudo o que temos no momento, fazerem algo e com coragem, colocarem o dedo exatamente onde precisa ser colocado, na ferida mais que exposta: cutucar o sr Geraldo Alckmin, que ajuda a todos esses e, portanto, possuem relações pra lá de amistosas com a mídia estadual. Gostaria imensamente de ser contrariado e desdito com ações concretas desses. Ainda não ouvi (e espero fazê-lo) ser dito por nenhum desses dos verdadeiros culpados do descalabro atual. Quando vão fazê-lo mesmo? Enquanto isso, tudo se precariza, mais e mais.