sábado, 24 de junho de 2017

DICAS (161)


SOLIDÁRIOS SINAIS DAS RUAS: A BANCA DA ILDA*
A BANCA HOJE PELA MANHÃ


* Deve sair em breve também na Tribuna do Leitor, do Jornal da Cidade:

A solidariedade se apresenta de forma deslumbrante aos nossos olhos. Os dos andares de baixo da escala social e seus exemplos para todos os demais são o que de mais intenso essa vida possui. A forma como conseguem resolver os percalços, as adversidades, as tais pedras no caminho é a mais límpida demonstração de que, nem tudo está definitivamente perdido. Quando o mundo se mostra de uma crueldade insana e doentia, exemplos pipocam entre os mais simples e renovam a esperança da solução estar tão perto de nossos olhos e nem assim muitos insistem em não tomar conhecimento.


Os exemplos existem aos borbotões. Cito somente um, fazendo com que tudo, todas e todos reflitam sobre como as ruas continuam sendo o grande e melhor reflexo das mais sábias decisões para com o destino dos claudicantes humanos sob a face da Terra. Pois bem, Ilda Viegas é jornaleira, tem duas bancas na cidade e uma delas, encravada no coração da Zona Sul, num dos lugares mais bucólicos desta Bauru Sem Limites, aos pés do seu bucólico e sempre único aeroporto, lá nos altos da avenida Pinheiro Brizola.
ESPEVITADA ILDA


Ali, a concretização da real possibilidade do congraçamento humano. Local de muito bate papo, um ainda possível debate de ideias e pensamentos variados e múltiplos. Vejo de tudo acontecendo nas beiradas desta banca. Sabiamente Ilda observa tudo ao seu modo e jeito. Uma danada, espevitada, lúcida, impávida e, também, calada e contida. Ela mais ouve que fala, mas quando fala, sempre ponderada, diz o necessário, o justo. Aquilo tudo propiciado por ela é simplesmente, numa simples comparação, um oásis dentro do caos de qualquer cidade. Transborda sinceridade e originalidade, algo tão em falta nos dias de hoje. É o que é e exatamente por causa disso, causa comoção no entorno.

É hoje uma espécie de mascote de tudo, todas e todos. Caiu nas graças dos remanescentes frequentadores de bancas de jornais e tudo o mais ainda pelas ruas. Os que não param para o papo e o diário cumprimento, buzinam, acenam, fazem sinais de fumaça. Pois bem, Ilda operou desses males acometendo mulheres maduras e está ausente de sua banca. O tempo mínimo de ausência é de um mês e sua preocupação era em não fechar as portas, pois suas contas continuam vencendo. Especulou das possibilidades e o resultado é o fruto de tudo o que plantou. Os amigos ali do dia a dia assumiram tudo e estão tentando manter o mesmo clima alegre e envolvente da proprietária.
DRI, A GERENTE


Ilda se recupera bem e inquieta, tenta se cuidar ao lado de seus cães. Na banca a gerente de tudo, outra alto astral, a Dri, abrindo a banca e indo para a outra, ao lado do Confiança Max. Na sequência chegam os amigos. De segunda a sexta, o bancário aposentado Roberto Maldonado fica nas manhãs e a tarde quem assume é a japonesa Elisa. Aos sábados e domingos, tudo fica a cargo do casal, Flávio, consultor de empresas na capital e sua noiva, Fabíola, trabalhando ali ao lado, na Cherry Signs. Na vigilância, os taxistas Dutra e Sidnei, espécie de cães de guarda do lugar. Na assessoria e área de comunicação a vizinha, quase parede meia com a banca, a artista plástica Viviane Mendes e na necessária assistência banheiristica, o Ico do Bar Aeroporto.

Todos cuidam de tudo, até do gato que mora embaixo da banca e de todos os cães de rua que ela alimenta. Ninguém pensa em receber nada, mas todos vicejam estampados nas faces, a alegria e algo do ensinamento plantado por essa periférica Ilda, que veio lá de longe, para plantar uma raizinha profunda de "paz e amor" bem no meio da região mais abastada da cidade, a da solidariedade humana. Só mesmo alguém como Ilda para juntar isso tudo e expor esse lado tão necessário de todos nós nos dias de hoje, a do compartilhar e do ser companheiro para ser feliz. Se alguém merece um título de Cidadã Bauruense esse alguém hoje é Ilda Viegas. Eu me derreto todo diante dela, do que faz, como faz, com quem faz e dos motivos de seu fazer.
OS NOIVOS FLÁVIO E FABÍOLA AOS FINAIS SEMANA
EU E ROBERTO MALDONADO SENDO ENTREVISTADOS DIANTE DA BANCA

sexta-feira, 23 de junho de 2017

DROS - HISTÓRIAS REALMENTE ACONTECIDAS (143)


ANA E A UNIMED: A CRISE NA SAÚDE NÃO É SÓ PÚBLICA – EIS A PROVA...*
* O texto é longo, mas vale a pena. Uma história mais do que pessoal, uma reclamação sendo também encaminhada para a Ouvidoria do referido hospital: ouvidoria@beneficenciabauru.com.br

Eis como tudo começou. Noite de quinta, Ana Bia tropeça em uma fiação na sala de seu apartamento. Ao cair, apoia violentamente o cotovelo no chão e, pronto, ploft, muita dor e contratempos. Prefere não buscar atendimento médico durante a noite e o fazemos no dia seguinte. Por volta das 15h estávamos, eu e ela, no guichê de atendimento da Beneficência Portuguesa de Bauru, ali na Rua Rio Branco. Poucas pessoas na sala de espera, mas um atendimento se arrastando. Pegamos a senha, aguardamos a chamada, preenchemos a ficha e esperamos. O plano da Ana na Unimed é o da universidade onde é funcionária, nele incluído dois dependentes. Ela se sente indisposta, mal posso me aproximar do seu lado esquerdo. Senta num dos cantos da sala e dorme sentada, encostada num pilar. Eu tenho que permanecer acordado, por se também dormir, talvez possam chamar seu nome e perdermos a vez.

Chamam para a triagem e ao entrarmos, medem sua pressão e temperatura. O atencioso plantonista nos diz, para esperar na sala do lado de fora, pois seremos chamados pelo nome, mas adianta: “Vai demorar, o médico do turno foi atender uma emergência e não tem hora para voltar”. Nem ouso perguntar se o médico não fica disponível somente para atender os atendimentos do plano de saúde, mas também sobe para os quartos dos pacientes internados em caso de algo mais urgente, pois é o que está mais do que claro, evidente. Antes de voltar para a espera, espio na sala do médico, vazia. Querendo dizer algo, Ana me puxa e voltamos para onde pacientemente outros tantos esperam o retorno do dito doutor.

Converso com outros ao meu lado, trocamos opiniões sobre os motivos da demora. Um deles me conta que ali perto, menos de 100 metros, a Unimed está prestes a terminar um imenso prédio para disponibilizar ali muitos consultórios. Uma imensidão, denominada por ele de “Castelo da Saúde”. Enquanto o Castelo é erguido, na boqueta de entrada do mais antigo hospital privado de Bauru, a demora é injustificável. Ela dorme só num dos cantos, pois tem receio de que em algum momento eu posso encostar em seu braço. O tempo passa e, para minha sorte, não saio sem algo para ler, assim termino a edição inteira da revista Piauí deste mês, algo que, acredito não teria tempo para fazê-lo em qualquer outra oportunidade (devo concluir ter sido vantajosa a espera?). Por volta das 17h20 chamam pelo nome de Ana, rapidamente a acordo e vamos para o atendimento.

Inacreditável. Ficamos mais de duas horas numa sala de espera com poucos pacientes, por volta de uma meia dúzia e ao explicar o motivo de sua estada, o médico, um clínico geral, decide pelo óbvio: “A senhora vai ter que tirar um RX”. Não demorou mais que um minuto para fazer o que esperávamos. Permanecemos plantados ali esperando um baita de um desnecessário tempo. Por mais que tentem me explicar, sendo um plano particular e não dos de baixo custo (e mesmo se o fosse, o tempo de espera é injustificável), lá fomos nós para o tal RX. Do tal médico, nenhuma reclamação, fez o que tinha que fazer e da forma mais adequada possível. No RX, quando lá chegamos, por volta das 17h40, tudo normal, atendimento rápido e eficiente. A senhora do balcão nos diz que, o dia não foi todo assim de calmaria e a fila de espera durante o expediente foi de 20 pessoas.

De lá, voltamos ao médico, que olhou a chapa pelo sistema deles, via computador e nos disse: “Vocês vão ter que aguardar lá fora, pelo que vejo deve ter trincado, mas só o ortopedista me dirá o que fazer”. Tudo bem, entendemos. Ele iria ligar para o especialista, atender outro tanto de pacientes, pois depois das 18h, o fluxo de pessoas que saem do horário de expediente de trabalho cresce e depois nos avisaria ali fora. Sentamos e aguardamos. Quando pouco antes das 19h, somos novamente chamados, a decisão é por colocar uma tala de gesso em seu braço e voltar amanhã após 8h, para o ortopedista decidir o que de fato será feito. Vamos para a Ortopedia e somos atendidos por um funcionário dos mais dedicados, desses com tarimba, gente que sabe o que faz e vale a pena citar seu nome, pois resolve, José Carlos Correa. Rápido e preciso, pede para voltarmos ao atendimento médico, pois com certeza, Ana iria sentir dor à noite e seria melhor tomar analgésicos. Aqui deixo a pergunta: Imaginem o tempo ganho se tivéssemos sido encaminhados de cara para as mãos deste profissional e se lá tivesse um médico especializado para nos atender? Reclamam do atendimento público, mas no privado a coisa se repete.

Voltamos ao plantão médico e somos atendidos por outro médico, um que acabara de entrar a partir das 19h. Somos um dos primeiros a ser atendidos e ao voltarmos do RX, já o fizemos pela parte interna, sem passar pelo pessoal aguardando na sala de espera, essa hora, já bastante movimentado. Ana toma dois analgésicos nas nádegas, reclama um pouco e pelo tempo que ali estávamos, desde 15h, decidimos dar uma passada na Padaria Copacabana na quadra de cima, pouco mais de cem metros do hospital. Um lanche e para nossa surpresa, quem lá estava? O médico, o que havia acabado de entrar no seu turno de trabalho. Eu e Ana simplesmente nos olhamos, enfim, ele, assim como nós, devia estar com fome, necessidades do corpo humano. Na volta para casa relembro com Ana uma história de quando desloquei o ombro e me cansei do atendimento da UNIMED, demoras intermináveis até ser atendido, algo não resolvido até hoje, tanto ali como no hospital deles lá na rodovia e fui achincalhado por ela, por ter ido procurar buscar resolver nos plantões lá no Posto de Saúde do Mary Dota. Pois lá, naquele dia, fui atendido mais rápido do que Ana o foi hoje, pelo seu plano Top na UNIMED. Voltamos calados.

Ela dorme mal, mas consegue encontrar posição e a deixo esticar o sono até perto das 9h30. A acordo e hoje, antes das 10h estávamos na Ortopedia da Beneficência. Lá ficamos sabendo que o atendimento ocorre diariamente até 10h30. Ufa! Estávamos dentro do horário. Aguardamos quase nada e ao adentrarmos a sala, um médico muito atencioso, Francisco Marques Bueno. Explica em detalhes o ocorrido, um osso fora do lugar, um tal de OLÉGRAMO e a musculatura comprometida. Se engessar pode ser que, em 30 dias, tenha que assim mesmo operar, pois pode calcificar fora do lugar. Recomenda uma cirurgia no tal osso, com um arame especial, para fixar as partes separadas. Pergunta se ela estava em jejum, pois queria fazer hoje à tarde. Ana estava, mas recua e ele fica de ligar e ver se pode fazer amanhã, sábado ou segunda.

Por fim, fará segunda. Hoje saímos de lá, sem nenhum tipo de reclamação. Ela na tipoia até segunda e com a cirurgia, deve pernoitar no hospital um dia, saindo no seguinte. Voltamos para casa. A reclamação, a mesma de todos os Postos de Saúde da rede Municipal desta Bauru: uma demora incrível entre o momento da chegada do paciente no hospital e seu atendimento e nem sempre, o profissional adequado para resolver de uma só vez o procedimento correto. Algo precisa ser feito e o será com denúncias como essa, mais e mais, tanto para esferas privadas, como as feitas via e-mail por mim, como para as públicas. Algo pode, deve e necessita ser melhorado. Algo poderia ser iniciado pelo primeiro atendimento, o da recepção, do encaminhamento na chegada. Ah, se tivessem nos orientado para encaminharmos diretamente para a Ortopedia, com certeza, não estaria aqui a reclamar e seria só elogios, mas...

Complementando as informações, Ana passa bem e está sob os cuidados até segunda-feira deste prestativo HPA.

quinta-feira, 22 de junho de 2017

INTERVENÇÕES DO SUPER-HERÓI BAURUENSE (102)


SILÊNCIO, VEREADORES PENSANDO SE APÓIAM REDUÇÃO DE CARGOS COMISSIONADOS.

Não se fala em outra coisa na cidade nesses últimos dias, a Prefeitura Municipal de Bauru está encurralada e necessitando promover uma drástica, enorme, dantesca, pitoresca e peremptória REDUÇÃO NOS CARGOS COMISSIONADOS, aqueles que oneram e pouco produzem. Tudo devido a novas normas a que ela tem que submeter de não contratar desvairadamente e fora dos padrões estabelecidos. Saindo publicado hoje no Diário Oficial do município o ACEITE do prefeito, ou seja, se enquadra ou fenece. Demonstra estar sendo obrigado ao enquadramento. Guardião, o super-herói bauruense entra no circuito e dá o seu pitaco sobre contundente assunto: “O tema é para ampla discussão, mas me reservo a uma questão, a do posicionamento da Câmara dos Vereadores, nossos ilustres edis, pois pelo que vi, li e ouvi estão de pleno acordo, desde que não cortem nada na própria pele, claro, a das benesses concedidas a alguns deles. Ou seja, apoio da boca pra fora, mas que ninguém venha propor ceifar os muitos cargos comissionados que alguns desses mantém dentro da estrutura municipal. O mais sensato, poderia me perguntar: ‘Mas vereador não é pago para fiscalizar? E se o é, como pode querer fiscalizar com gente sua atuando nas hostes da Prefeitura?’. Sim, mas tudo tem dois lados, responderia assim de bate pronto”.

Evidente que em tudo é impossível a generalização, pois existem vereadores não se beneficiando dessa forma de apoio, o do toma lá dá cá, ou seja, eu emprego seus amigos e você me apoia. Esses, para não serem colocados no mesmo balaio, precisam vir a público e demonstrar não compactuar com a esbórnia. “Na sessão da última segunda, o espetáculo teatral continuou a pleno pulmões, falatório dos mais impactantes, com muitos desdizendo da Prefeitura ou se fazendo de bobos com o tema passando longe de sua fala. A ação desses é aquilo que se denomina ali nas rodas de conversa da praça D. Pedro, ali defronte o prédio da Câmara em, JOGAR PARA A TORCIDA. A estratégia é das mais simples, eu finjo participar e você, claro, finge que vai cortar. Até corta, mas nada meu, estamos combinados?”, conclui Guardião.

Nos próximos capítulos, com a corda no pescoço, o prefeito precisa se posicionar e esclarecer se, vai mesmo chacoalhar a roseira, ou seja, levar a sério a reestruturação, pois do contrário, algo de mais sério pode vir a acontecer. Guardião encerra a conversa falando disso: “Circulam boatos de que, do jeito que está, talvez em poucos meses a Prefeitura não tenha nem mais caixa suficiente para continuar bancando os salários, quanto mais outros compromissos. Isso já pode ser constatado nos postos de saúde praticamente prontos, porém fechados e aguardando o gasto final, gente ali trabalhando. A grana anda muito curta. Aguardo ansioso a próxima sessão da Câmara e as próximas canetadas do prefeito para ver se ele leva isso mesmo a sério ou vai jogar pra torcida e contemporizar. E aguardo também o pronunciamento dos vereadores não participantes desse toma lá, dá cá, encurralando seus pares para dar fim na esbórnia. Nos próximos capítulos, veremos se o prefeito quer de fato começar a governar essa cidade ou tudo vai continuar como dantes no quartel de Abrantes. Na roda de apostas ali na praça Rui Barbosa, entre os que jogam dominó, as apostas estão cada dia mais altas. Preciso dizer pra que lado pendem a maioria delas?”. E dá por encerrado o assunto, saindo para sobrevoar a cidade, preocupado com assuntos outros.

OBS.: Guardião é criação do artista Leandro Gonçalez com pitacos deste mafuento HPA.

quarta-feira, 21 de junho de 2017

CHARGE ESCOLHIDA A DEDO (121)


COMO A PREFEITURA TRATA A “REGULARIZAÇÃO FUNDIÁRIA” – UMA PAUTA MAIS QUE JORNALÍSTICA
O plenário do Senado aprovou na semanas atrás, por 47 votos a 12, por meio de mais uma MP – Medida Provisória, a de número 759, essa tratando da regularização fundiária, promovendo alterações estruturais em legislações do campo e da cidade. A medida segue agora para aval de Temer, que pode sancionar o texto na íntegra ou apenas trechos dele. Como tudo segue sendo aprovado nos costados do povo, o certo é que, deve estar adentrando a área e com grande possibilidade de mais um gol contra os interesses populares. Explico.

Para entender o assunto se faz necessário dar uma acompanhada no que já foi publicado a respeito na imprensa:
1 - http://www.jcnet.com.br/…/bauru-aval-para-ter-areas-da-unia…
2 - https://www.nexojornal.com.br/…/A-MP-da-regulariza%C3%A7%C3…
3 - http://justificando.cartacapital.com.br/…/senado-aprova-mp…/
4 - https://www.brasildefato.com.br/…/oposicao-sai-do-congress…/

Resumindo tudo em poucas linhas, se trata disso: “Em vez de ser dada uma concessão para que a terra seja utilizada de acordo com sua função social e de forma hereditária, como se dá hoje, o governo passa a dar uma titulação. A nova modalidade, entre outras coisas, permite que o lote seja vendido a terceiros. A proposta também concede anistia a desmatadores e grileiros e faculta a vistoria que precisa ser feita para a comprovação do cumprimento das obrigações por parte do posseiro. Já na área urbana, a medida flexibiliza a regularização de loteamentos e condomínios fechados de alto padrão e extingue o licenciamento ambiental diferenciado para áreas consideradas de interesse social. Também revoga os dispositivos que obrigam loteadores irregulares de terras públicas a adotarem medidas corretivas, repassando essa competência ao poder público, que fica impedido de ser ressarcido pelo dano”.

Sou procurado pela estudante de Jornalismo Caroline Mazzer de Souza Polito com essa pauta nas mãos e com essa proposta a ser seguida, pedindo minha resposta por escrito.: “Evidenciar os prós e contras da aprovação dessa medida. Mostrar que, se por um lado ela promete facilitar a concessão de títulos de terras públicas ocupadas irregularmente, por outro, a proposta também facilitaria a regularização de terras, sem a devida comprovação de que a pessoa ocupa o terreno, o que poderia incentivar a prática de grilagem. A proposta geral é evidenciar os possíveis interesses envolvidos na aprovação dessa medida, e qual a repercussão para movimentos como o MST, que aguardam a reforma agrária. O tema é de nível nacional, mas para facilitar a contextualização regional e o acesso as fontes, se abordará em nível da cidade de Bauru”.

Respondo ao questionamento da seguinte forma:
Meu interesse nesse momento é acompanhar como a Prefeitura Municipal de Bauru, através da SEPLAN – Secretaria Municipal de Planejamento, na pessoa do prefeito Clodoaldo Gazzetta e da secretária da pasta Letícia Rocco Kirchner estão pensando em tratar o assunto. O atual Governo Federal tem claro liberar tudo para a especulação imobiliária, ou seja, a realização de negócios favorecendo grupos econômicos, tudo em detrimento do trabalhador. Não espero nada, mas nada mesmo de bom vindo deste Governo a favorecer a classe trabalhadora e os movimentos sociais. O alerta deve estar mais do que ligado e todos os envolvidos nas questões relacionadas com a reforma agrária já estão se movimentando para impedir que o pior aconteça. Quanto a Bauru, muito simples, o prefeito tem uma batata quente nas mãos, pois selou compromisso com mais de 800 famílias assentadas em área praticamente urbana e tem prazo para resolver o problema. Ficou de arrumar local para abrigar todos e sofre enorme pressão para atender interesses dos especuladores, esses sempre muito atuantes na cidade. Algo que, deveria em princípio atender interesses populares pode estar sendo desviado e atenderá o interesse de uns poucos. Acompanhar cada detalhe, não permitindo que isso ocorra é papel de todos os interessados na solução dos graves problemas sociais que o país atravessa. Como existe pressão de todos os lados e nos dias atuais, sem ela, tudo se perde, creio que essas terras, quando repassadas ao município só chegarão às mãos dos menos favorecidos com muita luta. Mas muita luta mesmo.

Como sei que ela já deve estar finalizando sua matéria, com certeza já procurou ter outros interessados no assunto, para responder de que forma a MP irá facilitar o recebimento de terras da União pelo município e também se essa medida prejudicará o processo de assentamento de terras.

terça-feira, 20 de junho de 2017

DROPS - HISTÓRIAS REALMENTE ACONTECIDAS (143)


EXEMPLOS BEM LATENTES DE COMO ATUA CERTO SEGMENTO RELIGIOSO

EXEMPLO 1
ZÉ ROLINHA ENCERROU MELANCOLICAMENTE SUA CANTORIA*

* Artigo seguindo para publicação também n'O Alfinete, o 7º no agora jornal virtual de Pirajuí SP, cidade muito próxima de Reginópolis, aqui retratada:

Eu acabei tendo um relacionamento incestuoso com Reginópolis. Tempos atrás, mas precisamente em 2011, convidado pelo amigo Fausto Bergocce, realizamos em parceria o livro “Reginópolis, sua História” (ainda tenho exemplares, R$ 40 cada). Escrita e pesquisa de minha responsabilidade e a belezura das ilustrações (a maioria toda em aquarela), obra impagável do Fausto. Foi um sucesso (pelo menos por lá, cidade de pouco mais de 3 mil habitantes). Acabei me tornando um cidadão reginopolense e vez ou outra acabo sempre voltando, lugar de inúmeros amigos (as). Muitos deles reencontro aqui pelas ruas de Bauru e as conversas são intermináveis. Acompanho à distância muito da história da cidade, pelo que sai na imprensa e nas redes sociais. Ou seja, Reginópolis faz parte de minha vida, me interessa e, acredito, nunca mais deixarei de ter um relacionamento carnal, desses de eterno amor.

Ontem à noite recebo ligação do Fausto e com uma triste notícia: “Henrique, a notícia não é boa. Faleceu o Zé Rolinha”. Um silêncio se interpôs no diálogo e até a respiração se recompor deu-se um tempo. Um filme passou pela minha cabeça. Zé Rolinha, ou como queiram, Carlos Roberto de Souza Lima. Foi radialista uma vida inteira e dons bons, ligação umbilical com a cultura caipira. Cada cidade possui aqueles tipos populares encantadores, caso de amor à primeira vista. Logo nas primeiras visitas para entrevistar as pessoas, algo a me chamar a atenção foi a rádio comandada pelo Zé, a 104,9. Ele mantinha uma espécie de museu na avenida principal da cidade e bem no meio do seu comércio, ou seja, a rádio funcionava junto com uma exposição permanente de LPs e algo mais da cultura sertaneja, além de um palco onde aos domingos o programa ocorria ao vivo.

Quando a coisa deu aquela apertada financeira, de lá saiu e foi se instalar em sua casa, perto do cemitério. Ali fazia tudo, estúdio e a comida da família (ele também mantinha uma dupla sertaneja com a esposa). Estive em ambos os lugares, minha parada obrigatória nos retornos à cidade. Por lá também, outro prócer do radicalismo local, o Pardal (ambos com nomes de pássaros, uma lindeza). Ele entrevistou a mim e ao Fausto várias vezes pelas ondas do rádio local, tudo ao vivo e a cores. Enfim, o livro foi lançado, muito falado nas ondas da rádio e tempos depois tomo conhecimento da tristeza. A rádio que era comunitária e não tinha como ser vendida, mas o foi e para uma igreja evangélica. Ou seja, deram um jeito de enterrar o sonho de uma rádio séria na cidade e Zé Rolinha teve que bater asas. Tristeza de doer fundo na própria carne, mais que na alma.

E lá se foi ele, retornando para sua Ibitinga. A diabetes já comprometia sua saúde e as notícias recebidas com o passar do tempo não eram nada boas. Teve que amputar parte de um dos pés e logo a seguir estava praticamente cego, ou seja, o grandalhão, do vozeirão de trovão estava acabrunhado e estar longe dos microfones apressou seu fim. Tristeza mata mais do que doença. Tenho absoluta certeza, o Zé morreu triste e isso entristece muito quem o conhecia. Guardo inesquecíveis imagens dele na plenitude de seu ofício e isso me conforta. Dele eu escreveria laudas e laudas, pois é gente do povo, um simplão danado de bom, com muito gás, gogó afinado e falando sempre das coisas do povo e para o povo. Lembro também dele, com seu velho carro percorrendo as ruas da cidade e seus anúncios sendo espalhados pelo autofalante amarrado com corda no teto. Versátil nas tentativas de sobreviver.

O Zé agora canta em outras paragens. A rádio de lá, certamente, nem a notícia deve ter dado, pois está mais preocupada em arrebanhar ovelhas e não tecer loas para gente que dava voz ao povo. Eu escrevo dele por aqui, para que saibam do reconhecimento que tinha pelo seu trabalho, muito mais digno do que o de muito grandão, cheio de pompa e com os olhos fechados para as dores e clamor dos grotões de uma cidade. Zé Rolinha possuía imensa sensibilidade humana, até por ser ele próprio uma lasca desse povo, resistindo a isso tudo imposto de cima para baixo sob os nossos costados. É, sem sombras de dúvidas, das melhores lembranças que trago lá da danada Reginópolis.


EXEMPLO 2
“OS MORALISTAS SÃO OS PIORES”, REPITO E REAFIRMO
Um senhor foi friamente assassinado esta semana em Bauru, quando ao sair de um culto religioso se dirigiu para casa de uma mulher com a qual mantinha relacionamento amoroso e ali, por motivos ainda não muito bem esclarecidos, acabou perdendo a vida. O caso foi assim noticiado pelo Jornal da Cidade, aqui de Bauru SP: http://www.jcnet.com.br/…/homem-desaparecido-e-encontrado-m… . Morte em qualquer circunstância gera tristeza. Guardadas toda a precaução que o caso requer, comento a seguir outro desdobramento e interpretação, sobre a religião professada pelo mesmo.

Recebo hoje pela manhã em casa um evangélico, pertencente a ala moderada e declaradamente antigolpista. Me diz um algo mais da religião a qual o referido senhor pertencia, a Congregação Cristã do Brasil. Segundo ele, uma das mais conservadoras do país, pois se reunem e julgam os seus em algo muito parecido com tribunais. Fui pesquisar e constatei ser das mais rígidas, vide o que se pode ler neste link: http://www.genizahvirtual.com/…/congregacao-crista-no-brasi…. Dele extraio esse trecho bem significativo: “Caso seja pego em prática de adultério, o membro é destituído de suas obrigações na Igreja e evita-se qualquer tipo de contato com ele – isso porque, segundo eles, o adultério é um pecado contra o Espírito Santo ao qual não existe possibilidade de perdão”.

Num outro texto sobre eles, esse aqui: http://apologtica.blogspot.com.br/…/normal-0-21-false-false…. Eis mais um trecho significativo sobre sua ação: “A CCB, como tantas outras seitas, acredita que só eles estão certos, só eles são salvos; afirmam, também, que as demais igrejas evangélicas pregam mentiras e que não há salvação para aquele que não é batizado na Congregação Cristã. Tais homens são chamados de orgulhosos e ignorantes pela Bíblia, pois apesar de nada entenderem sobre Cristo, estão envaidecidos com a idéia de serem sábios (1 Tm 6. 4), fazendo com que muitos crentes abandonem a simplicidade da fé cristã (1 Tm 6. 4). Jesus classificou tais tipos de pessoas como hipócritas, que ensinam preceitos humanos ao invés da verdade Divina (Mc 7. 7-8).”.

Por fim, o que me faz escrever sobre eles está neste texto aqui linkado: http://ccbnomundo.webnode.com.br/organiza%C3%A7ao/. E o trecho é este: “As mudanças de caráter doutrinário na Congregação Cristã no Brasil são discutidas em assembleia anual e pelo Conselho de Anciães, que é formado pelos anciãos mais antigos no ministério e não necessariamente de idade. Nestas assembleias são considerados Tópicos de Ensinamentos, os quais, tomados em reuniões e por oração, tratam de assuntos relacionados à doutrina, costumes e comportamento na atualidade.”.

Finalizo com algo contundente de religiões como essa. Eles possuem um Conselho de Anciãos, que se reúnem regularmente num lugar pré-determinado e ali decidem sob o futuro de alguns fiéis infratores. É uma espécie de inquisição, onde esses possuem o poder de decidir sobre os demais e aplicar duras penas pelas mínimas infrações ao que seguem e dizem ser o caminho correto. Daí, uma pessoa sai de sua cidade e vem se reunir com os demais para aplicar penas aos que só estão na igreja para cumprir ordens. Vez ou outro o destino faz com que algo ocorra para reorientar caminhos e descaminhos. Tenho comigo que, moralistas quando reunidos com a finalidade de punir, julgar, orientar, prescrever, algo não muito salutar é decidido nessas ocasiões. Eis alguns bons motivos para me manter bem distante de religiões com esse cunho. Enfim, concluo com algo de minha prática, prefiro continuar sem moral nenhuma

segunda-feira, 19 de junho de 2017

DOCUMENTOS DO FUNDO DO BAÚ (104)


EU QUERO ESCREVER DO MÁRIO...

Eu ando nas ruas, sempre gostei dos seus personagens. Tem um que acabou de falecer e hoje, pesquisei, perguntei, assuntei, forcei a cuca, mas não consegui me lembrar de seu nome inteiro. Minha mais remota lembrança dele vem lá dos idos de 2005 em diante. Seu nome é MÁRIO e morava lá nos altos da rua Floresta, junto de uma artesã, que foi muito amiga de minha mãe. O conheci assim e até então, nos cumprimentávamos pelas ruas. Algumas vezes, nas muitas trombadas da vida eu parava e conversava sobre esses assuntos todos de vidas atribuladas.

Mário foi jogador de bola, boleiro, contava histórias das vezes em que corria por esse mundão atrás da bola. Eu gostava de vê-lo falar. Foi também ferroviário e mais histórias. Lembro vagamente de algo com referências a um acidente, ele afastado de suas atividades, uma aposentadoria não conseguida e a tentativa de levar a vida mais adiante fazendo outras coisas. Um tipo bem característico, figura marcante, sempre com aquele jeito mirrado, magro, retinto e cheio de ginga. Sim, o Mário era um cara desses que você batia os olhos e enxergava ali uma ginga fora do comum. Um tipico jeito de malandro, daqueles que quando deixam de existir, não existem mais peças de reposição no mercado para substituí-los.


Gosto de gente que tem ginga, jeito malemolente de levar a vida. Vão driblando às adversidades ao seu modo e jeito. Sua mais famosa atividade desde aquela época foi a de tocar adiante a Associação dos Camelôs de Bauru. Pelo que saiba ele não tinha banca. Confesso que nunca o vi vendendo nada pelas ruas da cidade, mas era o tal que dizia estar organizando a categoria. Foi sempre muito contestado por causa disso, enfim, a tal associação acho que nunca saiu do papel e ele regiamente circulava entre os que trabalhavam nas calçadas de Bauru. Vivia disso. Nem sei como, nem sei se alguém contribuía ou era mesmo forçados a contribuir. Não o via como um sujeito violento, agressivo. Meus encontros com ele sempre se deram nas calçadas bauruenses, tendo como pano de fundo os camelôs.

Semana passada um amigo me diz ter ele falecido. Diz algo de ter ficado esperando vaga no Hospital Estadual. Critico e muito a ação desse hospital, mas sei que ninguém espera vaga lá nos seus corredores. Indo para lá, a tal vaga já está garantida. Não sou daqueles que critica o serviço público de forma gratuita, pois sei do valor existente e de tudo o que podemos estar perdendo nos próximos dias com esses golpistas no poder. O fato é que Mário já não estava bom, isso vinha de longe, para alguns diletos ele descrevia suas agruras e quando foi para lá, seu estado era irreversível. Não foi por falta de vagas que veio a falecer. Sei que muito do que ocorre dentro dos hospitais públicos é até de melhor qualidade do que nos privados, feito com mais calor humano e até sensibilidade. O fato é que o Mário se foi.

O homem do bonezinho no cocorutcho puxado para um dos lados não mais será visto, perambulando pelas ruas do centro de Bauru. Tem quem bata palmas e quem sentirá falta de sua presença. Eu já sinto falta de muita gente nessa região, desde o pastor da praça, o Marcão, filho do ex-prefeito que morreu na zona, o Rebuá e seu falatório nas esquinas, o mendigo Jucelino que voltou para Itaqui lá no Rio Grande do Sul, aquele meninão negro gordo que vivia sentado defronte um restaurante ali na praça Rui Barbosa, o tocador de violino nas igrejas e sua lambreta, o barbudo que guardava nossos carros lá do lado de fora do SESC... Tem muita gente chegando para ocupar o espaço desses e outro tanto batendo em retirada. Hoje foi o Mário. Para mim podem falar o que quiserem dele, mas confesso sem medo de ouvir besteira, vai fazer falta. Ainda bem que tirei algumas fotos dele, pois se nem o sobrenome eu consegui lembrar por inteiro, foto então, se não fossem essas, cairia no esquecimento num vapt-vupt.

Quem souber algo mais dele, aproveite o momento, desembuche... 
OBS.: As fotos aqui publicadas foram tiradas por mim no ano de 2008, quando ele foi até o Museu Ferroviário presenciar uma exposição e lá se encontrou com outro rico personagem das ruas, o índio Tibúrcio (também já falecido). Também por lá o militar da reserva, ex- preso político e exilado Darcy Rodrigues (esse bem vivo, mas saindo pouco de casa), o braço direito do capitão Lamarca.

domingo, 18 de junho de 2017

UM LUGAR POR AÍ (96)


UM BAILE DITO "DO BEM" E ALGUNS DOS SEUS SAPATEADORES

Foi uma noite e tanto de sábado. O SESC, como sempre, desde que me conheço por gente, trazendo para Bauru algo a construir mentalidades e engrandecer posturas. Sim, eles estão e são o que de melhor existe em programação cultural na cidade (anos luz à frente da regida pela Cultura Municipal). Ponto pacífico e quase sem dissidência. São décadas de boa programação, tanto confessar sem nenhuma neura: sou cria do SESC. Palco montado na quadra e por lá, a reunião dos que ainda chacoalham a roseira nesta cidade. Pelo menos, alguns destes. Dentre esses, alguns fotografados por mim. é sempre muito bom ir trombando com gente, não só a te reconhecer, mas reconhecendo em ti algo de bom. Não me canso de elogiar o SESC, pois reconheço neles ago vital na minha formação, principalmente a musical. Passaram por aquele palco tudo, mas tudo mesmo e daí, me formatei. Pois bem, vamos ao Baile do Bem.

No caderninho com a programação do show de ontem, Junho 2017, lá está: "Sandra de Sá, Simoninha e Margareth Menezes - Show Baile do Bem: O show Bailedo Bem presta uma justa homenagem a Jorge Ben Jor e Tim Maia, responsáveis por unir o Samba Rock com a Soul Music e influenciar toda uma geração de artistas. Sob o comando do trio, o baile apresenta grandes sucessos da carreira de Tim e Ben Jor, ícones atemporais da música brasileira". Nada mais. Confesso, fiquei encafifado com isso de "do Bem" no meio de um brutal e insano golpe danando o país num todo. Tudo bem que Tim e Ben Jor são o uó do borogodó e com eles sempre estarei, mas... Sempre um mas.


Não contente. Pesquisei a respeito. Descubro que o baile percorre o país não é de hoje. Foi a forma encontrada pelos três cantantes para, na união, se fortalecerem e também, com o impulso da trilha, seguir adiante. Tudo bem. O que pegou para mim foi isso de "do Bem", justo neste momento e nem uma palavrinha para dizer, ou até desdizer, estarmos vivendo um momento onde o contrário predomina. Entendo que, algo assim, fortalece uma provável saída, por caminhos mais palatáveis, deglutíveis. Gosto do conjunto da obra dos três artistas reunidos. Já gostei mais de Sandra de Sá, mas pelos seus últimos posicionamentos (não sei se já reviu alguns deles), tomando posições conservadoras, fico com um pé atrás. Simoninha fica muito em cima do muro e, dos três, a que gosto mais é a imensa baiana, Margareth. Ela, achei, um pouco deslocada no show, pois o repertório não é muito sua praia, mas tudo foi muito bom.


Fiz a ressalva, só para deixar registrado e necessário continuar atento, num momento de transição como este. Se faz necessário essa tomada de posição. Tomo e compartilho as fotos por aqui, deixando registrado, sempre ótimo, mais do que qualquer show ou evento, estar ao lado de gente querida, esses sim, do bem. Alguns desses estão nas fotos aqui publicadas.



DOIS VÍDEOS LÁ GRAVADOS:
MARGARETH MENEZES E DOIS SUCESSOS DO TIM
Do show de ontem no SESC Bauru, "Baile do Bem", a cantante baiana Margareth Menezes, canta duas juntas de Tim Maia, "Réu confesso" e "Azul da cor do mar", ao seu estilo e jeito. Essa baiana me encanta e Ana Bia Andrade já queria tirar-lhe as calças, pois achou linda. Esbocei desejos de ir ao camarim solicitar o mimo, mas recuei diante de um parrudo segurança. Curtam esse trechinho por mim selecionado.


DO LEME AO PONTAL, do TIM MAIA, na voz de MARGARETH MENEZES, SIMONINHA E SANDRA DE SÁ 

Link: https://www.facebook.com/henrique.perazzideaquino/videos/vb.100000600555767/1733160540047281/?type=2&theater
Algo desta música me toca bem fundo. Trabalhava em Marília, morava numa república, cheia de bancários, dois por quarto. No meu, dividido com o Cavina, um que depois foi vereador e presidente da Câmara da cidade. Éramos todos novos, cheios de gás e uma música que fazia sucesso era essa. No quarto uma vitrolinha e o vinil do Tim gastava de tanto rodar. Eu e Cavina nos preparativos para sair, começo dos anos 90, dançando no quarto embalados por essa música, que nunca mais me sai da cabeça. Canto decor e salteado desde aquele tempo. Ontem, lá no SESC, cantei novamente e gravei um pedaço.

sábado, 17 de junho de 2017

RETRATOS DE BAURU (202)


HAROLDO É POLÊMICO, SABE DISSO, SAI ÀS RUAS PARA CONVERSAR E CONTAR HISTÓRIAS
Escolhi fazer perfis aqui daqueles que não possuem holofotes sob seus corpos, nem antes, nem nunca. Abro exceções, hoje uma delas. Esse personagem aqui retratado vivenciou boa parte da história de Bauru não como gerente principal, mas como coadjuvante, sempre ao lado de importantes acontecimentos. Tem muita história para contar e hoje, ainda vivenciando um intenso tratamento médico, sai às ruas, tendo um dos lugares preferidos o comércio de um amigo, Júlio, famosa casa de rações na Baixada do Silvino. Frequento o lugar e sempre que o vejo, ele me puxa pelo braço com uma pergunta e dela, uma longa conversa. Percebo, ele quer mais e mais conversar, contar histórias, rever muita coisa ainda não muito bem explicada desta cidade dita como “sem limites”. Ele tem a sua versão dos fatos e das pessoas, ou seja, cada um tem a sua e ouvir a dele, faz parte de uma tentativa de reconstituir algo ainda sem muita explicação, ou seja, contada pela metade.

HAROLDO P. AMARAL é um distinto senhor, morador do jardim Bela Vista. Esteve ao lado de parte significativa de gente da história desta Bauru, os dos grupos de poder constituído e só por causa disso, tem muita coisa a revelar. Hoje me puxa pelo braço na saída de uma loja e pergunta assim como quer tudo: “Você conhecia o seu Oswaldo Penna, o da revista Cadência?”. Digo que sim e isso é motivo para, postados na esquina, travemos um papo de quase uma hora. Claro, o interesse era em muito mais do que o Penna e assim se sucedeu. Quando lhe conto que, anos atrás, o memorialista, seu Pelegrina, me disse: “Antes não podia contar tudo o que sei, pois as pessoas ainda estavam vivas, mas hoje elas já morreram e até seus sucessores”. Ele ri e me diz: “Isso é um problema, pois não vai ter mais quem rebata o que diga. Prefiro contar agora e envolvendo muita gente viva, essa turma que hoje frequenta o poder, mas o faz um tanto perdidos”. Ou seja, ele quer abrir a caixa de ferramentas e isso, para qualquer interessado em ouvir histórias, rever o passado é algo auspicioso. Quem saber algo dele, pois bem, não entro em detalhes do passado, pois muitos poderão comentar sobre ele a partir deste texto. Fico com o que publicou de forma jocosa em seu facebook:

“Trabalhou como Artista na empresa Artista, na Prefeitura Municipal de Bauru, como agueiro.......tanto light quanto diet......sempre ao dispor..... na empresa DAE – Departamento de Água e Esgoto de Bauru. Estudou aprender a viver honestamente, sem dependência politica na instituição Cursando Universidade da Vida. Estudou Vida Plena e Bem-Estar na instituição de ensino UATI – USAC Universidade Aberta a terceira Idade, também na Unesp, no Centro Universitário IESB e na instituição SENAC. Frequentou O Liceu Noroeste e mora em Bauru”. Casado com Cleide Moretti, hoje aposentado, se diz um livre pensador liberal, a defender a religião Católica e o neoliberalismo, mas enxerga ter o país chegado num limite, quase irreversível, sem volta. Sente falta de ares onde possa dialogar, daí sai de casa e se posta ali na loja do amigo, onde reencontra pessoas, discute, fala e também ouve. Busca rever sua história e quer opinar sobre o futuro. Posso discordar de muitas das ideias e propostas do seu Haroldo, mas não me furto de ouvi-las, assim como se põe a ouvir as minhas. Prefiro as pessoas dispostas a dialogar, ele permite isso, não é arrogante, mesmo inflexível em algumas opiniões. Com o passar dos anos, hoje algo mais lhe movimenta a vida, fazer parte do Foto Clube de Bauru, algo a prolongar sua vida. Já das conversas e revelações futuras, ficamos de sentar em breve, mas antes quer que pesquise sobre que fim levou a coleção quase completa da revista Cadência doada ao então Museu Histórico Municipal, hoje fechado e sem data de reabertura. Vamos começar os trabalhos em breve. Falemos dele, pitacos para ampliar a conversa neste sábado onde o sol resolveu dar as caras lá fora. Ele sabe que, ao colocar a face fora da toca está sujeito a chuvas e trovoadas, ou seja, que venha a boa discussão, ácida, dura, doída, porém sem altercações.

sexta-feira, 16 de junho de 2017

MEMÓRIA ORAL (211)


MAIS BATÉS, POR FAVOR – FESTA DE SANTO ANTONIO NO DISTRITO DE TIBIRIÇÁ
Sou um emotivo. Escrevo na emoção e daí, das duas uma, ou esculacho com o que vi ou choro, me derreto em adjetivos elogiosos. Ontem isso votou a se suceder e confesso, saí lá da festa de Santo Antônio, a melhor que presenciei na vida, no distrito de Tibiriçá com uma baita vontade de tecer elogios mil para tudo o que ali presenciei. Pensei até em levar comigo um caderninho e ir anotando algo, pois a mente está pra lá de esquecida, mas até do tal caderninho eu acabei esquecendo.

Eu ando em bando. Se não sabiam, saibam desde já. Gosto de andar com gente a comungar das mesmas proximidades gostativas. Da turma toda, nem todos professam a mesma linha política, torce pelo mesmo time, gosta da mesma cor, possui a mesma marca de carro, está filiado no mesmo partido, curte a mesma rádio, ouve a mesma música, gosta do Caetano ou mesmo, do Lula. É uma rica e rara adversidade, algo hoje em dia meio que raro neste país, onde se o cara não for da mesma plumagem, não pode mais nem ser amigo. Resistimos numa turma pra lá de disforme, mas afunilando em algo mais doi que auspicioso, o respeito mútuo. Claro, que 90% é contra essa bestialidade golpista que se abateu sobre o Brasil e infelicita a vida de todos e os outros 10% estão em fase final de convencimento, pois só de andar conosco já estão mais do que contaminados.

Juntamos uns e fomos aproveitar o feriado de Corpus Christi em Tibiriçá, coisa de uns 20 km do centro de Bauru. Lotamos dois carros e mais uns três chegaram depois e se juntaram à trupe. O forrobodó se deu lá no reduto da família Baté, negros retintos e sérios festeiros, desses que sabem fazer a coisa, ou seja, quando fazem algo, fazem muito bem feito. Muitos como nós para lá se dirigiram ontem e foram se achegando a partir das 17h. Os Baté, ou a Família Cosmo são provenientes do meio quilombola e penaram para caramba para conseguirem se firmar. Passaram muita privação, fome mesmo e quando tudo começou a se estabilizar, começaram a reverenciar terem dado à volta por cima. Festeiros por natureza, rezam muito, trabalham também, mas sabem dar o breque em tudo e reverenciar as benesses recebidas.

E o fazem com várias festas ao longo de cada ano. Cada domingo lá na casa do patriarca é uma reunião diferente, onde todos vão se achegando. Conto uma rápida. Dentre tantas coisas, tocam um bloco de carnaval e em cada dia de ensaio, algo chama a atenção. Muitos vão se achegando de distantes lugares e ninguém vai embora de barriga vazia. Antes de cada ensaio terminar é levado para o centro da arruaça uma imensa e fumegante panela e lá algo para todos comerem. Num dia é uma galinhada, noutro sopa, feijoada, mandiocada e assim por diante. Todos se esbaldam. Aos domingos quem chega come no mesmo prato deles. São afáveis, mas não queiram também se aproveitar da hospitalidade, pois sabem muito bem dar um encosto nos aproveitadores.

Neste feriado, caindo numa quarta, uma tradição. O imenso quintal lá deles está todo cheio de barracas, um mastro deitado no chão, bandeiras enfeitam o quintal e o prenúncio de festa das boas. Na varanda da casa do patriarca, um altar e lá, antes de tudo a novena. Ninguém come, nem bebe sem antes ali rezar. Quem é de reza, reza, quem não, é fica papeando pelos cantos e quando tudo se acaba, neste ano, com um banner do velho Baté pregando junto do altar, idealizador disso tudo, falecido ano passado, começa a festa de fato. Os rojões pipocam no descampado defronte o lugar e enchem o céu de luminosidade. É o sinal para tudo começar e daí por diante, o deslumbre. Quem como eu nunca tinha vindo, chega para um deles e pergunta: “Mas como faço para ajudar, dar o meu quinhão, contribuir?”. Eles dão risada quando lhe questionam com algo dessa natureza e só dizem, como que em coro: “Aqui ninguém paga nada, tá tudo pago, coma, beba e se divirta”.

Existe uma explicação para tudo isso. Elas sempre existem. Venceram a fome e a miséria, agora unidos, a família toda se doa, cada um contribui com algo e todos trabalham juntos para a festa persistir e perdurar. É a retribuição encontrada para se dizerem felizes por terem conseguido superar as maiores adversidades. Saem em procissão, cantam e rezam em voz alta, alegres. O mastro é erguido e todas as velas que estavam nas mãos das pessoas são depositadas aos pés de Santo Antônio. Muitos socam o chão com um pilão, três vezes e fazem um pedido. Quem crê soca fundo, com fé e na fé seguem adiante. Daí, assim do nada tudo começa a ser servido, o quentão é levado para o meio da multidão e se fartam. Nas barracas tem milho, paçoca, leite com maisena e um caldinho de mandioca, que afirmam ser afrodisíaco. Não tem quem não entre nas filas, não se farte até se empanturrar. Num outro canto, cantoria de viola e sanfona.

Na simplicidade tudo é tão lindo que chega a doer. Eu, sou um contrito adorador dos Batés, gosto muito de suas festas e divulgo, escrevo quando me permitem, espalho a coisa aos quatro ventos. Não existe outra festa assim benemérita para quem lá estiver e não para entidades outras. A gratuidade é para quem ali se dispuser a sair de suas casa e aportar no quintal dos Batés. Para quem ali for com o devido respeito e sem ter que abrir a carteira pra nada. Num mundo cada vez mais individualista, festas como essas são cada dia mais raridade, pois como é que pode não se cobrar nada e não juntar nada, mas dar assim sem nada querer em troca? São visionários, lindos de doer, com gestos cheios de mensagens mais que profundas, daí vim aqui para conta história deles e me derreti todo, pois toda vez que aporto lá pelos de Tibiriçá, saio sempre repetindo para quem quiser ouvir: “Mais Batés, por favor...”. Sou adepto de festas desinteressadas, as mais interessantes.

Por essas e outras, continuo preferindo sempre e sempre as vicinais...
HPA

quinta-feira, 15 de junho de 2017

O PRIMEIRO A RIR DAS ÚLTIMAS (41)


RABISCOS DE HPA*
* Tento escrever um texto por semana à mão e ao juntar cinco irei reproduzindo aqui neste espaço. Eis os primeiros:

OBS.: Se os textos estiverem pequenos para sua leitura, cliquem em cima deles e crescerão diante de seus olhos, facilitando tudo. Nem se faz uso de lupas...

quarta-feira, 14 de junho de 2017

BAURU POR AÍ (140)


QUANDO ME FALTA TEMPO, GILETEIO CONTUNDENTES TEXTOS DE DILETOS AMIGOS

1.) FARINHA POUCA, MEU PIRÃO PRIMEIRO, POR ROQUE FERREIRA
Causou muita repercussão na cidade de Bauru, a publicação no Diário Oficial do Município a aposentadoria do Deputado Estadual Pedro Tobias como servidor público municipal. Os servidores públicos em Bauru tem regime próprio que é a FUNPREV (Fundação de Previdência dos Servidores Públicos Municipais), que é diferente do Regime Geral de Previdência Social (INSS).

Pedro Tobias é deputado estadual há 16 anos, e uma grande parcela população desconhecia que o mesmo era servidor público municipal. O que precisa ser explicado é se neste período o deputado tirou licença sem remuneração do município para exercer suas atividades na Assembléia Legislativa. Também é necessário saber se durante este período o mesmo esteve de licença sem remuneração, e mesmo assim recolheu sua parte e a parte patronal para a FUNPREV, como faz todo servidor publico municipal.

Sempre é bom lembrar, que uma grande parte dos servidores públicos possui o beneficio da paridade salarial, que é o direito de quando se aposentarem receberem os mesmos valores como se na ativa estivessem. O deputado Pedro Tobias do PSDB que dá sustentação ao governo Temer, é um dos ferrenhos defensores da reforma da previdência que retira direitos dos trabalhadores públicos e privados. Só uma coisa ainda me intriga. Em qual unidade de saúde do município trabalhava o deputado?

2.) PORQUE SAI DA CANAL MAIS FM, POR TIÃO CAMARGO
Eu trabalhei por muitos anos em rádios comerciais, principalmente na Bauru Rádio Clube, onde, durante 18 anos, fui apresentador do programa Saudade Sertaneja. Nunca tive o radialismo como minha principal atividade, mas sempre levei tudo muito a sério. Acontece que numa rádio comercial temos que nos preocupar com o faturamento do programa; se não der resultado, sai do ar; além de não ter muita liberdade de expressão. Liberdade de imprensa, existe, com algumas raríssimas exceções, para o dono da mídia. Então, em 1992, entrei na briga por uma rádio livre, que, em 1998, foi regulamente como Rádio Comunitária. Tive dois processo arquivados pelo Ministério das Comunicações, mas nunca desisti. Em 2002, criei a Associação Rádio Comunitária de Bauru e entrei com um novo pedido. Esperei por 14 anos e, finalmente, fizemos uma parceria com a Associação de Ação e Participação Comunitária do Parque Jaraguá e, juntos, conseguimos a outorga para colocar a Rádio no ar. Isso aconteceu em agostos de 2016. Mas, tudo que eu sempre sonhei em fazer numa rádio comunitária, como não me preocupar com anunciantes, com audiência, com patrão, foi pelo ralo. Tentei colocar um jornalismo voltado para educação e formação das pessoas, tentei fazer programas musicais de diversos gêneros, tentei um programa de entrevistas com autoridades locais com participação dos ouvintes, tentei programa esportivo, mas, tem gente se achando o dono da rádio, como uma programação quase que exclusiva com sertanejo universitário, como uma gestão financeira, exatamente, como se fosse uma rádio comercial. Atualmente faço parte do Conselho Comunitário da Rádio, mas, as demais pessoas do Conselho, não passam de Laranjas. Como diz o velho ditado "Os incomodados que se mudem", estou me mudando e saindo também do Conselho, mas estejam certos, vou continuar na luta para que a Canal FM seja, de fato, uma Rádio Comunitária.

terça-feira, 13 de junho de 2017

OS QUE SOBRARAM e OS QUE FAZEM FALTA (100)


COLUNISTA FERNANDO PINHO NUNCA DEVE TER OUVIDO FALAR EM PAULO FREIRE
A rádio bauruense Auriverde, 760 AM, termina a parte da tarde, pouco antes da entrada ao ar da Voz do Brasil, com um programa de cunho jornalístico de uma só via, onde apresenta colunistas dentro da linha de pensamento capitaneada pelo hoje diretor Alexandre Pittolli, não possibilitando discussões de outra linhagem política. Dia desses, um desses colunistas a se revezarem todo dia, ouço Fernando Pinho, se dizendo consultor para “Conjuntura e Mercado”, ou seja, segundo sua concepção não existe saída fora do que rege as tais leis estabelecidas pelo mercado e pelo cruel “deus dinheiro”. Sei que, ouve a rádio quem quer e se assim agem, continuando com a postura atual, devem ter audiência para tanto. Como nada mais no resta em Bauru em outros dials, ouço e desta forma, faço a crítica abaixo, na qualidade de ouvinte.

Estava ele confabulando com o plantonista do horário e num certo momento, desiludido com os destinos da nação, diferente do que sugere sua cabeça, soltou algo assim: “O país está assim muito pela forma como votam. Existem no país uns que nada entendem, não são nada cultos e mesmo assim votam e seu voto é válido”. Falou mais e por fim passou a ideia de que, somente aos ditos cultos deveriam ser concedido o direito do voto, aos demais, sobreviver e nada mais.
Esse é o Pinho...

Comento me baseando no que conheço de um grandioso pesquisador e ainda pouco difundido em sua própria terra, o educador Paulo Freire. Educação, cultura, política e tudo o mais (inclusive a Economia) nunca deve se dar somente por uma práxis e quando assim ocorre, uma deformidade. Impossível falar de Paulo Freire sem ter lido sua obra. Eu li, descrevo algo e comparo com a linha de pensamento de gente como o tal Pinho. O diálogo sempre se dá e assim o entendo, numa relação sujeito/sujeito e não sujeito/objeto, ou seja, falar e ouvir. Mais que isso, não se deve encarar o semelhante como objeto e sim, como sujeito. No discurso do ódio não existe comunicação, ela é interrompida e só de uma via, mão única, sem possibilidade do outro falar, participar, atuar...

O que vejo no discurso de gente como o Pinho é muito simples. É a substituição da ideia de massa, pela ideia pessoal, ela deve prevalecer, sempre e sempre. Gente assim não entende como pode ser contrariado, como ele com tanto estudo pode ser contrariado por alguém com pouco ou sem nenhum estudo. Para Paulo Freire não existe diálogo com pensar crítico de A + B e sim, de A e B, sempre um respeitando e dando valor ao outro. O sujeito hoje é moldado para não atuar mais coletivamente, mas pelo individual. Ou seja, a minha comunicação sempre é melhor que a do outro. Se eu falo mais bonito que você, com certeza a minha opinião é mais abalizada que a sua. Ou seja, a sua não vale nada diante da minha. Querer condicionar tudo segundo a sua própria conveniência é, em princípio, não respeitar o semelhante. Para Freire, mesmo sabendo mais, o professor não é o melhor. Deve saber ouvir e compartilhar, dividir conhecimento, somar e não excluir.

Cada vez mais se deve abominar o ter opinião formada sobre tudo. Ter opinião não é o problema, ruim é ter uma engessada opinião, uma acima de tudo. A transformação da sociedade é um longo processo social. A sociedade não é neutra e a sabedoria é não desmerecer o outro. Quando se enxerga aproveitamentos no conteúdo apresentado pelo outro, tudo avança mais democraticamente. Quando se olha para outro como o ruim e para a própria face (haja espelho) como o certo, não existe respeito. Não se faz necessário ser neutro, pois ninguém o é, mas é importante ser transparente. Estudar Paulo Freire é buscar algo emancipador para o ser humano, enfim, por que o tempo todo eu tenho que manter a mesma opinião?

Para encerrar, proponho levar um livrinho de Paulo Freire para o tal do Fernando Pinho, se ele aceitar, já será um começo, pois nem eu, nem tu, nem o rabo do tatu somos os donos da verdade. Basta de Economia e economistas desumanizados!