domingo, 31 de janeiro de 2010

DROPS - HISTÓRIAS REALMENTE ACONTECIDAS (22)

SÁBADO À NOITE...
Sábado à noite assisto à ultima peça da Mostra de Teatro Paulo Neves, “Milagre na Cela”, texto do Jorge de Andrade. Num ano onde Paulo diversificou, sendo a mostra menos política, esse texto é a marca do diretor. Retrata a merda que foi os anos de chumbo sob o tacão militar, quando qualquer policial de plantão se achava dono da situação e fazia e acontecia. O estupro de uma freira numa cela demonstra como a tal anistia aconteceu somente de um lado, ou seja, para os que torturaram e violentaram (as leis e as pessoas) sem qualquer punição. A lei dos Direitos Humanos recém discutida era uma luz no fim do túnel, resgatando isso e propondo a punição também para os que cometeram as atrocidades, pois os que foram presos, pagaram com cana dura, choques, degredo, etc. Quem ainda não compreende muito bem isso e mistura alhos com bugalhos, deveria assistir a bela encenação dirigida pelos alunos do Curso de Teatro Paulo Neves, tendo como a freira, a jovem Lívia Jabbour, uma revelação. Hoje, temos que estar mais do que cientes de que não basta punir também os torturadores, pois o regime combatido na época, continua no comando da nação. Os militares da época eram meros instrumentos de um grupo a manuseá-los muito bem, os mesmos de hoje. Mudaram as peças, mas o regime é o mesmo e meu combate é contra ele, pois luto pela implantação de um outro regime de governo, contrário à exploração do homem pelo homem. Disso poucos falam. Quase ninguém.

Sábado à noite, festa dos seis anos do Bar Jeribá, encravado ali na rua Antonio Alves, quase atrás do Paulistão da Getúlio. Festança da boa, com nada menos que a Banda Stage no palco, sob a batuta do vocalista Eraldo Bernardo, juntamente do Carlão (guitarra e backing vocal), João Grandini (baixo) e Rogério Trevisan (bateria). Eraldo foi o primeiro a se apresentar no Jeribá e uma das figuras que mais freqüentou aquele palco. Beberico algumas por lá, ouço rock e revejo gente querida, como o gerente da casa, Luiz Antônio Maffei da Silva, o professor Fábio Negrão, Leonardo de Brito, Lau, Xiko Coffani, Zezé Ursolini, mana Helena e o ferroviário aposentado Cordeiro (um garanhão aos 64 anos, provando que ficar em casa é que adoece). Do Eraldo, o resgate num papo de intervalo sobre quando foi candidato a vice de Tuga e no último dia do horário eleitoral dos tucanos, a imagem de uma casa noturna cheia de gente e uma fumaça subindo pelos ares. Triste alusão, prática freqüente tucana, às drogas (preconceito a todos que tocam na noite). Tuga perdeu a eleição, porém os tucanos idem (conto a história com mais detalhes qualquer dia desses). De política, Eraldo, rindo quer distância. Prefere a fumaça de ambientes iguais ao Jeribá, dos quais também gosto muito. Por lá, quinta à noite só samba de raiz, sexta é dia de rock e nos sábados MPB. E ontem, champagne para todos os presentes. Em Bauru, uma casa durar mais que alguns poucos anos é motivo para furdunço a semana toda. O Jeribá está passando dos limites...

Sábado à noite espíritos carnavalescos me questionam sobre a saída ou até existência real do Bloco Carnavalesco “As viúvas do Batata” (aqui já devidamente explicados os motivos do referido nome e idéia surgida de um lampejo luminoso). Sim, o bloco existe e até marchinha já possui, mas carece de parte organizacional. A procura é grande para desfilar em suas fileiras, pois viúvas do dito cujo é algo a surpreender até os mais céticos (como tem gente desgostosa com o tal que dá nome ao bloco), mas acredito que nesse ano seremos mais um dos que “CONCENTRA, MAS NÃO SAI”. Uma pena, mas não percam por esperar, pois assim como o Carnaval de rua de Bauru teve o ano todo para se organizar e tudo foi feito na última hora, com o nosso bloco a coisa seguiu na mesma linha. Carecemos de cabeças mais atuantes, DESORGANIZAÇÃO ABSOLUTA (igual à Cultura local), mas em breve, mesmo que numa Quarta-Feira de Cinzas, faremos um desfile inaugural. Tem gente que treme só de pensar na possibilidade de cantarmos nossa marchinha nas ruas. Imaginem o furdunço na avenida, se só na concentração já causa tamanho alvoroço. E viva Baco (sic), desculpem, nada disso, Viva Momo!!!!
DIÁRIO DE CUBA (46)

UMA TARDE ANDANDO, UM RESTAURANTE, MÚSICA, BARBEIROS E SEU LÁZARO
Relato hoje a segunda metade das ocorrências do dia 24/03/2008, uma segunda-feira em Havana. Na parte da manhã estivemos novamente com os queridos músicos dos Los Mambises, em algo inesquecível, tanto para mim, como para o Marcos Paulo. Ao sairmos da praça caminhamos para os lados do cais, com o propósito de irmos até a "Estacion de Ferrocarril". Caminhamos um certo tempo ao lado do mar, que bate forte numa murada nessa região, prolongamento do Malecón. Desistimos pela distância e voltamos pelo meio de "Habana Vieja", por ruas por nós ainda não conhecidas. Cruzamos novamente a rua principal do movimentado comércio central, o feito principalmente para turistas, mas cheio mesmo de cubanos. Ao avistarmos no final de uma rua o prédio do "Capitólio", para lá nos dirigimos. Damos de cara com o "Hanói", um restaurante onde já havíamos conhecido. A "carta" (cardápio) está publicada na parede de entrada e gosto do que vejo, algo simples, arroz, salada e alguma carne. Preços bons, mas entramos mesmo é num outro, novidade para nós, o "Café de Paris". Marcos ataca de sphaghetti e eu peço um steak grelhado com bananas. Junto, duas "Tu Kola", uma colla que o Marcos bebe com gosto, pois Coca Colla não lhe passa pela garganta há alguns anos (ou seriam décadas?).

Não entendemos bem o espírito da coisa, pois estavam tocando uma música cubana em CD e tem início um ensaio de um grupo musical. Tentamos curtir tudo ao mesmo tempo, sem grandes momentosp ara reflexões, pois estávamos mesmo é com muita fome. O cantor do grupo veio nos vender seu CD. Recuso por um único e inabalável motivo, queríamos chegar vivos, com alguma grana no bolso até nosso último dia de estadia em Cuba. Toda economia era muito bem vinda. E assim o fizemos. Antes de nossa saída, atacam com uma música brasileira e vou a eles dizendo que "a nossa música tem muita coisa a ver com a deles". Simpáticos, isso eram. Já na rua, nem duas esquinas à frente, um grupo toca "Garota de Ipanema" num restaurante. Paramos do outro lado da rua para escutar aquelas notas musicais a nos unir de uma deliciosa forma.

Voltamos a pé para o hotel por uma rua paralela ao Malecón. Recado do Omar, do Mundo Latino, reencontro marcado para amanhã 10h. Ligo para dona Hilda Marin e marcamos despedida também para amanhã entre 15 e 16h. Marcos quer descansar, eu bater perna, pois nem são 16h. Subo a avenida 23, passo pela sorveteria Copellia e sigo em frente. Dou volta nas ruas, curtindo cada momento e parando nos detalhes, como um verdadeiro turista embasbacado com tudo o que vê. Vou rever o barbeiro que há duas semanas atrás cortou o meu cabelo de forma hilária. Volto à "Arco Íris Barbearia" e não encontro o mesmo barbeiro. Respeito a fila, são três na minha frente e num cartaz algo sobre a espera: "Por favor: Pidale su turno al barbeiro". Quem me atende é um senhor magro, alto e calvo, como eu e percebo, falante como todo barbeiro que conheço. Luis Cutiño é seu nome, combinamos preço por 2 pesos e falamos muito do Brasil. Surge outro cubano, um que está prestaes a vijar para Zaragoza, Espanha. Esse me diz que está tendo uma "mensagem divina, com uma visão me chamando para cumprir um chamado dos céus". Incrédulo, dou corda e ouço sua história de envolvimento com uma igreja evangélica, estando mais do que demonstrado ali a total liberdade de credo religioso existente na ilha. Fico de repassar um "pullover" (camiseta) para o barbeiro, que irá buscar o presente na portaria do hotel.

Ao chegar ao hotel, viajo na internet em busca de novidades brasileiras e Marcos me diz ter gasto 65 pesos em ligações para o Brasil, hablando com a avó, de mais de 80 anos. Redivisões financeiras se fazem necessárias para os últimos dias. À noite batemos um longo papo com um senhor que nos atende num quiosque ao lado do hotel, Lázaro, 60 anos, que trabalha no local, noite sim, noite não. Quando Marcos lhe fala do Partido, ele nos conta algo com um brilho nos olhos: "Tratamos a religião com todo cuidado aqui em Cuba. Vamos domando-a aos poucos e não deixando que ela nos dome. Aqui é sempre o Estado quem dita as normas. Nós, os comunistas queremos a felicidade terrena e os religiosos, somente após essa vida. Vivemos uma situação especial com os religiosos comunistas, algo sui generis, só nosso. Quase não temos religiosos de outros países por aqui". Saímos de lá com a alma mais do que lavada. Marcos, deitado em sua cama, elétrico por tudo o que ouviu, me diz: "Os cubanos até que fazem muito, pois estamos vendo uma cidade em pleno processo de restauração e esse país não possui a arrecadação de um Brasil. Aqui praticamente não são cobrados impostos. Cobra-se somente pela água e telefone e eles fazem sem atravessadores, com o preço justo. Voltarei ao Brasil com minha sede de justiça ampliada. Existem pessoas que não tem mais jeito e continuarão prejudicando o mundo e outras não, muitas delas estão aqui".

sábado, 30 de janeiro de 2010

ARTIGOS NO JORNAL BOM DIA (57 e 58)

VEÍCULOS UTILITÁRIOS - texto publicado no jornal BOM DIA Bauru, sábado passado, 23/01
Assisti no cinema o último filme do Almodóvar, “Abraços Partidos” e a cena mais impactante é a de um acidente automobilístico, quando um desses robustos veículos ditos utilitários, bate e praticamente destrói um carrinho, desses normais, os que usualmente usamos pelas cidades e rodovias. Não sobrou nada e não sobra mesmo, pois esses carrões, reforçadíssimos não foram feitos para o nosso dia-a-dia. Sua utilização era bem outra, mas a ostentação acabou transferindo-os para o epicentro de nossas vias públicas. Num mundo onde seria interessante cada vez nos preocuparmos com o semelhante, diminuirmos os poluentes, essa imponência nas ruas é algo desnecessário, gerando gastos abusivos, supérfluos ao extremo. Por que necessitamos de um carro com tanto reforço de metal e força física? Para nada ou simplesmente para aparecer. Mais um mal dos nossos tempos. Quando moleque existiam as camionetes dos agricultores, fortes e robustas, quase todas a diesel, usadas mais no campo, em situações adversas, onde estava justificada sua utilização. Vê-las na cidade, era uma extensão de sua utilização do campo. Hoje a situação é bem outra, elas estão nas garagens das residências e trombam conosco em cada esquina. Numa simples batidinha, nada sobra de um reles carrinho. Num choque a desproporção é tão grande, que após o impacto, nem um santo forte salva o oponente de um afundamento do malar. Seu uso hoje, além de desmedido, precisaria ser controlado, para o bem de todos.

AÇÃO REVOLUCIONÁRIA - texto publicado hoje no BOM DIA Bauru, 30/01
Vivo uma semana em estado de puro êxtase. Uma revolução está em pleno curso na cidade, mesmo sem muitos a notarem. E eu participo à minha maneira, com um envolvimento dentro de minhas possibilidades. Trata-se de algo inusitado, que uma vez por ano toma conta da cidade e de forma arrebatadora, envolve uma legião de aficionados e fiéis seguidores. Falo das Mostras de Teatro dirigidas pelo professor Paulo Neves. Essa é a Nona e o palco principal da cidade, o Teatro Municipal de Bauru é praticamente tomado, invadido, ocupado pelos alunos dos cursos de teatro desse monstro do teatro do interior paulista. Numa época de vacas mais do que magras lá pelos lados da Cultura pública municipal, Paulo preenche um espaço único e demonstra que o setor não pode tirar férias nesse período, como parece querer o dirigente maior da Cultura municipal. Um rema para cá e o outro para lá. Paulo bota o bloco na rua, sem medo de ser feliz e com 16 peças encenadas, todas de casa cheia, rema contra a maré de mediocridade do setor público municipal. Essa persistência e abnegação é o lado bom e saudável, que não me canso de exaltar e reverenciar. Paulo é maior, com um trabalho mais intenso e importante do que o de qualquer político local. Ver todas as gerações representadas no mesmo palco, numa mistura inebriante e contagiante, torna o seu trabalho de teatro amador uma forma de manter a chama revolucionária constantemente acesa dentro dos que ainda acreditam que algo pode (e deve) continuar sendo feito.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

BAURU POR AÍ (33)

CARNAVAL BOA ESPERANÇA DO SUL e PAULO NEVES CENAS CONTEMPORÂNEAS
Se fosse viver de premonições certamente morreria de fome, porém alguns acertos ocorrem em minhas parcas previsões futuras. Só os faço quando tudo está mais claro que os tais céus de brigadeiro. No quesito (skindum, skindum...) abertura dos envelopes da licitação do Carnaval 2010 de Bauru, não foi premonição, e sim, antecipação da barafunda em que estava metido os organizadores dos festejos de Momo nas ruas da cidade, tipo "favas contadas". Um edital feito com o claro intuito de que o ganhador fosse alguém caseiro, que entendesse a situação e os meandros do que se pretendia apresentar ao público. O tiro saiu pela culatra, pois não existia empresa ligada às hostes carnavalescas da cidade com documentação em dia para tanto, mesmo com todo tempo hábil (o ano passado todo). E a empresa ganhadora foi uma de Boa Esperança do Sul, do promotor Du da Marta. O valor será de R$ 102 mil reais e ela está obrigada a contratar no mínimo três escolas de samba e mais alguns outros detalhes de pequena monta. O que já adiantei aqui e que parece que vai acontecer é que quem ganha quer ter lucro no negócio e a negociação para ver quanto será pago para cada agremiação deve ser hilária, se não fosse trágica. Além do mais, diante de algum impasse, os donos do capital carnavalesco podem se irritar e contratar, por preços mais módicos, escolas de samba de outras cidades, já montadas, em valores bem mais em conta. Não existe impedimento se isso ocorrer. A que se deve isso tudo? Credito a bela organização de bastidores ocorrida o ano passado todo para se organizar, numa preparação que pode ser conferida mês a mês, com muito critério e assim sendo, o resultado final não poderia ser outro. Não precisava ser nenhum “bidu” da vida para acreditar que daria nisso. Queria ser uma mosca, para presenciar de camarote as negociações entre o criterioso pessoal especializado em festejos momísticos da Secretaria Municipal de Cultura e os representantes da empresa detentora do capital. Leiam o que escrevi aqui sobre o mesmo assunto no dia 15/01 e acreditem, não foi premonição, pois conhecendo algumas figuras envolvidas nos bastidores, só podia dar no que deu, trapalhadas mil e colocando o prefeito em atrapalhações desnecessárias. Lei de Murphy na sua essência.

Ontem, 28/01, quinta, noite de muita chuva em Bauru e o segundo capítulo de minha ida à Mostra de Teatro do diretor Paulo Neves. Eu e o filho lá estivemos, primeiro para abraçar um casal mais do que amigo, o Alex e a Norma Leoni, cuja filha Vitória, 13 anos, estaria estreando nos palcos da cidade e da vida. Família toda reunida, uma festa que o teatro propicia e valoriza. Casa bufando de gente, enquanto tudo o mais está praticamente fechado em janeiro pelos lados da Cultura municipal. Regina Ramos, a grande dama do teatro bauruense, me diz textualmente: “Começo a fazer um barulho em cima do tema: a cultura de Bauru não pode tirar férias em janeiro e fechar as portas de suas instalações, justamente quando a cidade bomba de gente de fora. Existem poucas opções na cidade e os existentes estão descansando. Inadmissível. Paulo Neves salva a todos com a imposição da realização de sua Mostra, mesmo tendo muita gente não querendo que essa maravilha ocorresse nesse momento”. Eu e ela vamos dar um abraço no emocionado Paulo Neves, que ainda nos bastidores após a apresentação da peça “Cenas contemporâneas”, com direção dividida com André Zambelo, quando estava mais do que radiante. “Tive que usar o microfone ao final, pois além do calor humano emanado da platéia, o próprio elenco se auto aplaudia nos bastidores e nunca havia visto isso. Eles sentiam que tudo ia mais do que bem e exultantes, irradiavam isso por todos os poros”, nos diz Paulo. Num outro momento, ao lado da Regina e do filho, no aperto de um corredor lateral do teatro, ouço dele algo que me marcará pelo resto de minha vida. “Você é uma das pessoas que mais admiro e respeito em Bauru, pela retidão de princípios, dos quais não se afasta e por ser a pessoa autêntica que é. Era para ser meu convidado para jurado da Mostra, mas na última hora acabou não dando certo. Te admiro muito”. Do forte abraço, a emoção que me fez sair pela chuva em estado de graça.
OBS.: Todas as fotos aqui publicadas são da peça "Cenas contemporâneas", pois do Carnaval, aguardemos... Faço publicamente meu pedido de desculpas ao Paulo, pois ciente da proibição de fotos durante a peça, assim procedi durante encenação, mas ao final, quando de sua fala, não resisti e o cliquei falando com a platéia.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

UMA DICA (51)

FAUSTO RETRATANDO SUA ALDEIA EM CARICATURAS
Fausto Bergocce (http://www.faustocartoon.com.br/) é daqueles a seguir rigorosamente um dos preceitos mais difundidos pelo poeta Fernando Pessoa, quando apregoa que "da minha aldeia vejo quando da terra se pode ver no Universo..../ Por isso a minha aldeia é grande como outra qualquer/ Porque eu sou do tamanho do que vejo/ E não do tamanho da minha altura...". O chargista, cartunista e ilustrador, natural de Reginópolis, paraíso e reduto caipira paulista, uma pequena cidade encravada no coração do interior de São Paulo, não se cansa de enaltecer a sua "aldeia" natal, onde nasceu e mantém laços eternos. Faz questão de voltar sempre que pode, convivendo maravilhosamente com todos e dali extraindo temas para produção de sua arte.

Um desses retornos, talvez um dos mais significativos ocorrerá com a abertura da exposição "Reginópolis e sua gente através das caricaturas do Fausto", retratando cinquenta e dois personagens da vida cotidiana da cidade. São trabalhos produzidos em grafite e nanquim, onde Reginópolis está mais do que inserida, é parte integrante e viva da imortalidade que ele já proporciona para sua cidade, com as citações contínuas feitas ao longo de sua carreira. E os homenageados estão nos mais diversos segmentos, desde o social e político, como comerciantes, personagens históricos e tipos populares, movimentando a cidade em todas suas vertentes.

Não me canso de escrever do amigo Fausto aqui no mafuá. Nossas idéias batem em muita coisa, principalmente na defesa de Cuba, mas não na questão dos malefícios/benefícios do atual governo e no fim das ideologias. Muita discussão pela frente, como manda o figurino. De Reginópolis, seu rincão, ele por onde ande sempre faz questão de citar sua origem. Origem essa homenageada neste momento de forma sublime e uma marca imortal na vida da cidade de Reginópolis, fundada em 1948. Reginópolis estará toda representada e homenageada nessa exposição, que terá abertura às 19h, dia 30/01/2010, sábado, com um coquetel no Clube Ipê, permanecendo aberta à visitação até o dia 06/fevereiro.

Fausto está desde ontem aqui em Bauru. Circulo com ele no finalzinho da tarde pela redação dos jornais e ouço algo sobre a importância do que acaba de produzir: "Na exposição estarão retratados 1% da população de minha cidade". Rimos disso, só possível porque sua Reginópolis tem pouco menos de cinco mil habitantes. Seria um horror fazer o mesmo da cidade onde mora, Guarulhos ou daqui de Bauru. Levaria anos e anos. No começo da noite, junto da amiga Zezé, vamos ver o Noroeste (ganhou de 1 x 0 do Pão de Açucar e já é vice-líder da AII) lá no Alfredão e cervejamos no Bar do Totó, ali ao lado e na sede da Sangue Rubro, antes e depois da contenda. Ainda da exposição, ficam vocês, meus poucos mas fiéis leitores, desde já avisados e devidamente convocados pro furdunço. Eu, já me encontro em concentração para lá marcar presença. Hoje, às 11h ele estará na rádio Veritas FM, no Conexão Brasil, do Wellington Leite, hablando disso tudo e mais um pouco.

OUTRA COISA: Abro os jornais de ontem e lá está algo a me chamar a atenção, "Estudantes de Bauru ficam ilhadas no Peru". Na primeira página do JC uma foto de Verônica Lima, que faz pós-graduação na Unesp de Bauru e não têm como sair de Machu Picchu em função das fortes chuvas. Conheci Verônica, ainda estudante em 2006, participando ativamente do OLA - Observatório Latino-Americano, sempre engajada e vibrante em tudo que faz. Diante disso gostaria de indagar-lhe: "Não se apoquente, menina, o socorro virá, mas enquanto isso, aproveite, pois ficar ilhada em Machu Picchu deve ser muito mais contagiante do que o confinamento aqui em Bauru. Nem de tédio, muito menos da convivência com um dos mais ricos e vislumbrantes locais desse planeta, terá falta, já daqui, não faça tanta força para voltar. Sabe muito bem como se processam as coisas por essas plagas". E cai o pano rapidamente.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

CENA BAURUENSE (50)

PAULO NEVES, O DONO DO TEATRO EM JANEIRO
O MST ocupa áreas improdutivas brasileiras, muitas delas ociosas e lugar do intolerante latifúndio e o nosso maior agitador cultural, o diretor de teatro PAULO NEVES, ocupa durante mais de uma semana, outra área um tanto improdutiva (e mais do que ociosa) , o espaço antes agitado do Teatro Municipal de Bauru, dessa vez com a IX MOSTRA DE TEATRO PAULO NEVES. Paulo sabe o que faz e como faz bem feito o ano todo, nesse período presta um verdadeiro serviço de utilidade pública para sua cidade, quando expõe seu trabalho e o dos seus comandados. Seu trabalho de teatro amador merece o reconhecimento público, algo como um Título Honorífico, apesar de saber, que lhe valeria muito mais o reconhecimento no momento de buscar patrocínios e encontrar um espaço à altura do que está apresentando. Críticas à parte, Paulo e sua trupe ocupam o cenário bauruense e arrebentam. Estar lá é mais do que uma obrigação. Nesse ano comecei tarde, por obrigações outras, mas daqui parafrente estarei quase todos os dias. Ontem, terça, lá estive para assistir ANEL DE MAGALÃO. Vibrei vendo amigos no palco e representando cada vez melhor. Casa quase cheia, num texto longo (a peça começou 21h e só foi terminar 23h40), poucos arredaram pé. No dia anterior havia perdido a apresentação da amiga Mônica Salles e quase bati a cabeça na parede quando ouço os comentários de sua força de atuação. Ontem, vibrei com tudo o que presenciei. As peças comandadas pelo Paulo são todas assim, alteram nosso metabolismo. Sai de lá cansado, mas em estado de puro êxtase.

Ontem à tarde passando defronte o Teatro vi Paulo lá parado, esperando alguém, tirei uma foto de muito longe e quando parei o carro para uma conversa ele havia desaparecido. À noite chego em cima da hora e como terminou tarde, o papo acabou ficando para outro dia. Queria abraçá-lo pessoalmente, algo fraterno, pois ele merece um tapete vermelho por onde passa. Queria também ter tirado fotos dos amigos ontem na apresentação, mas não pude. Vieram me dizer da proibição, algo besta, pois que mal fariam umas fotos sem flashes? Que uso poderia fazer delas, sem ser o de divulgar aqui a beleza do que presenciei? No mais, a agenda está toda públicada aqui e se perdermos essas únicas apresentações, ficaremos chupando o dedo até o próximo ano, aguardando ansiosos a nova Mostra. Bater cartão por lá é mais do que uma obrigação.
PS.: A foto maior foi a única que consegui tirar antes de ser reavisado da proibição.

Em tempo 1: Quem gosta de boa música não deve perder o reencontro musical de três feras bauruenses, Manu Saggioro, Norba Motta e Levi Ramiro, nessa quinta, 28/01, 21h30, no Luna Bar, lá no começo da Getúlio. Essa é para babar no chão do bar.
Em tempo 2: Está chegando o dia da abertura dos envelopes do Carnaval bauruense, ou seja, se existirá empresa habilitada para viabilizar a distribuição da verba ou se tudo não passou de um belo jogo de cena.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

RETRATOS DE BAURU (74)

REGINALDO, O PALHAÇO VENDENDO SUA SOBREVIVÊNCIA NO SINAL
Reginaldo Campanholli é mais um paulistano, dentre os muitos que aportaram em Bauru há alguns anos atrás, primeiro atrás da sobrevivência diária, depois do sonho de sua vida, o de estar mais perto de uma das poucas cidades que ainda consegue respirar ferrovia, uma de suas paixões. O primeiro ele realiza diariamente no sinaleiro do cruzamento da Avenida Nações Unidas com Nuno de Assis, quando travestido de palhaço revende doces e guloseimas, a forma encontrada para ganhar uns trocos, pagar a hospedagem no Hotel Cariani e comer. Essa a rotina cruel de sua vida. Sob sol ou chuva lá está, de carro em carro, sempre sorridente e solícito. No segundo, desde que por aqui chegou, passa a circular nos trilhos e já é parte integrante da Associação de Preservação Ferroviária e de Ferromodelismo de Bauru, com participação das mais ativas e interessadas. Faz e acontece ao seu jeito e maneira. Uma pessoa simples, de vida mais do que modesta, lutando contra suas necessidades, mas resistindo bravamente e tentando continuar a fazer o que gosta. Observar sua caminhada é constatar o quanto isso é difícil e complicado, pois rema contra uma maré de adversidades. Persistente, não desiste, tornando-se um exemplo para muita gente. Produzi com ele um longo texto de Memória Oral e hoje volto com suas fotos ampliadas, pois em cada passagem lá no seu local de trabalho, um novo pedido: "Me ajude, pois aquele seu texto foi muito importante, ajudou muito a ficar mais conhecido, vieram pessoas bater papo, paravam os carros para me conhecer e sinto falta de gente, não só para comprar meus doces, mas os que param e vem aqui conversar". Não resisto e Reginaldo está aqui novamente, com a cara e a coragem. Um bravo habitante de nossas ruas. No final, um vídeo dele no cruzamento das avenidas, ali pertinho da rodoviária.

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segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

DROPS - HISTÓRIAS REALMENTE ACONTECIDAS (21)

RADIALISTAS E O VÍNCULO EMPREGATÍCIO NÃO MAIS EXISTENTE
Circulo todo domingo pela feira e neste não foi diferente. Um encontro e um papo dos mais aproveitáveis com um senhor, um velho conhecido do microfone de Bauru, radialista da velha cepa, já tendo passado por muitos dails e hoje, infelizmente afastado pelos motivos que me expôs, pedindo o anonimato:

- "A coisa não anda fácil na cidade. Não estão mais dando emprego para radialistas em rádio AMs na cidade e na maioria do interior. Ou os horários estão todos tomados pelos programas religiosos ou você até pode ter um programa, mas tem que comprar o horário. Quer dizer, sou obrigado a pagar o horário e na minha idade, eu que sou um comunicador, acabo sendo também um revendedor dos horários comerciais da rádio. Elas não possuem mais funcionários experimentados para vender anúncios, nem setor específico para essa finalidade, somos nós que temos que fazer se quisermos continuar trabalhando. Isso é um drible nas leis trabalhistas e uma grande injustiça com todos que suaram a camisa para conquistar um nome. Muito perneta de microfone, qualquer um que sabe vender anúncios e acaba ocupando espaço de gente mais experiente como eu e tantos outros. Não existe mais uma grade de programação. A qualidade foi para a cucuia, pois entra no ar,quem paga. Antigamente, a programação era criteriosa, todo o horário preenchido com bons profissionais, hoje não mais. Os donos das rádios ficam lá no ar refrigerado, no bem bom e nós é que temos que ralar e suar a camisa. Não posso concordar com isso. Alguém precisa denunciar isso, pois isso agora é regra. Antes era uma exceção, hoje não, quase já não existe mais locutor que seja funcionário de emissora no interior paulista. Não se tem mais nenhum vínculo empregatício com a rádio, assinamos uma espécie de contrato, concordando com isso, com a compra do horário por um preço xis e só se vendermos acima daquilo, aí ganharemos alguma coisa. Isso só existe aqui no Brasil. Uma vergonha. Eu e tanto outros, que já estamos com uma certa idade não achamos justo também a forma como as rádios se utilizam dos estagiários de jornalismo. Eles não pagam nada, ou quase nada e esses meninos trabalham de graça, ocupando o espaço que poderia ser nosso. Falam livremente nos horários, ocupam longos espaços, com custos baixíssimos, enquanto muitos profissionais já qualificados penam na marginalização. Além disso, alguns deles devem vender também anúncios para a rádio, gerando mais lucros para seus diretores e donos. Eu queria muito voltar a trabalhar, mas na situação atual é difícil. Tem rádio que está quase toda ocupada com os programas religiosos, gente falando de qualquer jeito no microfone, tudo errado, sem preparo nenhum, uma conversinha fiada de doer os ouvidos e cada vez mais, só porque pagam e muito pelos horários. Tem radialista passando necessidade e alguns tendo que se virar em outras cidades de menor porte, com viagens massacrantes para continuar colocando o pão nas suas mesas. Só eu conheço uma meia dúzia em pior situação que a minha. E o que fazer para mudar isso? Tem diretor por aí que adora criticar o governo, como se fosse o cara mais impoluto do mundo, mas não enxerga os seus próprios erros, só pensa no dinheiro e nada mais. Uns com tantos, cada vez mais e os verdadeiros profissionais cada vez mais na miséria".

Sai da conversa quase sem fôlego, pois tudo me foi despejado de uma só talagada. A fragilidade do ser humano diante de suas dificuldades, as injustiças cometidas e o estar num beco quase sem saída, tudo isso está aí retratado. Um desabafo sentido, cheio de sinceridade e amargura. Dias atrás comentei aqui a situação de alguns profissionais, que só encontraram espaço na internet, transmitindo sem vínculo com rádios. Eu, que ouço rádio, principalmente AM, diariamente, não me furto em divulgar esse depoimento, mais esse nervo exposto, não só para reflexão, mas para que se tente alguma reviravolta, alguma solução. Será possível?