quinta-feira, 31 de agosto de 2017

CARTAS (178)

AUMENTO PRODUTIVIDADE DO TRABALHO, EIS A SOLUÇÃO*
* A carta era com solicitação de publicação na Tribuna do Leitor do Jornal da Cidade - Bauru SP. Não saindo lá, sai por aqui:

Logo no começo dessa barafunda sem volta em que os golpistas estão enfiando o Brasil, caminho praticamente sem volta, um Juiz do Trabalho gaúcho vaticinou com precisão o que estava em curso. “Se o povo soubesse o que está em curso contra ele, já teria se rebelado e virado essa mesa”, foram suas palavras. Faz um ano que os maiores pedaladores deste nosso mundo sacaram Dilma Rousseff do poder e, desde então, pedalada é mato, o país está seguindo ladeira abaixo e pelas redes sociais vemos uma turba ainda não aceitando ir pras ruas, pois “isso vai favorecer o PT”. Que se dane mesmo o Brasil, pois com pensamentos assim, tudo é válido, menos reconhecer um mínimo que seja de algo louvável para o PT, Lula, Dilma e os seus, mesmo que as evidências demonstrem isso a cada instante.

A cegueira toma conta de todos. Por mais que alguns ainda insistem em dizer que o país voltará aos trilhos, a impossibilidade disso ocorrer é mais do que evidente. Com essa turma aí no comando da nação, a dilapidação será ampla, geral e irrestrita, ou melhor, destruição igual nunca se viu na história do país. Vão acabar com tudo, até o fim do estoque, liquidação geral. Não existe mais nenhum pretensão de tocar algo dentro de um parâmetro razoável, uma equipe econômica a propor uma saída palatável, possível e honrosa. O país está macambúzio, sorumbático, triste e prostrado, resignado e inerte diante de tamanha perversidade.

O país continua sendo entregue na “bacia das almas”, vendas com um só intuito, o de salvar a própria pele. Surge uma dificuldade, um rombo aqui, uma falta de dinheiro para cobrir outro desastre ali e já estão propondo vender algo mais. A bola da vez é a Eletrobrás, a Casa da Moeda e os melhores aeroportos. Tudo facilitado e sob a aprovação de um bando de economistas, cruéis, insanos, doentes e perversos, entreguistas até a medula. Sim, esses todos estão doentes, pois o que se faz em nome desse tal de “mercado” é de uma perversidade sem tamanho.

Mercado nada mais é do que o abandono da força motriz desse país, o abandono do investimento no trabalho, na indústria, capital investido aqui, pra fazer o dinheiro desses girar em ações, sem empregados e risco de aplicar capital com gente a trabalhar. Esses boçais a defender o mercado não apostam mais nenhum vintém na força do trabalho. Observem se existe algum aí ainda propondo algo parecido. O Estado deixou de ser um partícipe estratégico a apoiar o investimento privado, mas intervém para que ele deixe de fazê-lo e aplique tudo naquilo que vai destruir o desenvolvimento.

Não é só a tristeza das ruas que incomoda. A imensa maioria ainda não sacou de vez o que foi feito contra ela, as perdas todas, a destruição de qualquer tipo de realização de sonho. Estará na lona e num poço fundo, escuro, sem ar nem para respirar. O que vai fazer quando tomar pé de tudo, não sei responder, mas o país talvez já estará irremediavelmente falido, destruído e uns poucos sorrindo aos borbotões. Os vendilhões nem pensam em retomar o crescimento econômico, pois isso requer aumento da produtividade do trabalho e com isso, a melhoria na qualidade de capital à disposição do trabalhador. Destruindo toda essa rede, tudo num lodaçal, o subdesenvolvimento é mais do que irremediável. Só mesmo com consciência de tudo, para na união, botar pra correr esses que, em pouco mais de um ano, deixaram o país num tanga de dar dó. Existe ainda algum maluco a apoiar essa insanidade sem fim?

Henrique Perazzi de Aquino, jornalista e professor de História (www.mafuadohpa.blogspot.com).

E ESSE TEXTO QUE PODIA SER MUITO BEM UMA CARTA:

ARILDO, O PSDB E O DISTANCIAMENTO DAS CAUSAS POPULARES

Que o tucanato não se sente à vontade no meio dos movimentos sociais, isso já é por demais conhecido. Não possuem identificação nenhuma com reivindicações e clamores dos que lutam pela posse da terra, moradia, a luta dos trabalhadores por melhores salários, garantia de direitos, suas reivindicações naturais. Fogem disso como o diabo da cruz e quando emitem opiniões, todas são para desmerecer a luta e a união desses. Ontem foi o ex-vereador Arildo, hoje sem mandato e presidente do PSDB em Bauru, quando num artigo no JC e numa entrevista para rádio Auri-Verde, tece impropérios para definir a luta dos sem moradia, tratando-os em todos os instantes como “invasores” e violentos. É totalmente contra, como já era de se esperar, que a Prefeitura auxilie todos os desvalidos em conseguir uma morada definitiva. Deixa isso bem claro, pois sempre vai botando pedra no que é feito. Esse partido e tudo o que representa, todos os que nele estão filiados pensam e agem do mesmo jeito e maneira. Tem ojeriza a povo, apunhalam o Brasil, sangram suas riquezas.
Tratam tudo o que seja Movimento Social como Caso de Polícia, insensíveis até a medula. Nunca vi nenhuma fala, nenhum deles procurando a rádio para dar entrevistas quando o Residencial Condomínio Villagio conseguiu oficializar aquela terra conseguida de forma ainda não muito bem explicada (federal e na beirada dos trilhos, caminho de Agudos) ou mesmo para botar a boca no mundo, na maracutaia do Residencial Pamplona, quando uns grandões daqui foram tentar legalizar a terra em Agudos, onde era fácil legalizar a trama. Esse pessoal só defende interesse dos grandões. Besta quem ainda cai na insana ladainha e vota neles. O Brasil que eles defendem é sem nenhum tipo de soberania, entregam tudo, se desfazem de tudo e querem o povo calado, contido, submisso e com coleira no pescoço. E a todo instante falam em nome de uma suposta "Família", que eles dizem defender da forma mais carola e ultrapassada possível. Política com eles é terra arrasada para o povo.

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

ALFINETADA (159)

AOS 96 ANOS, SEU GABRIEL NÃO MAIS RELEMBRARÁ DE MEMÓRIA A HISTÓRIA DA “SEM LIMITES”
Bauru é terra fértil de variados memorialistas, esses mais antigos que se deram a escrever da história da cidade e na imensa maioria das vezes o fazem sem consultar alfarrábios, mas de própria memória. Cito alguns também de memória, Gabriel Ruiz Pelegrina, Antonio Francisco Tidei de Lima, Vivaldo Pitta, Isolina Bresolin Viana, Irineu Azevedo Bastos, Walter Morthari, Antonio Pedroso Junior, Luciano Dias Pires e outros. Durante a história de Bauru outros se fizeram presentes e um mais se junta a esses todos, Correia das Neves. Muito tempo depois professores universitários efetuaram prolongada pesquisa sobre a história bauruense. Li quase tudo o que esses publicaram e mais que isso, quando não li, ouvi pessoalmente, pois alguns desses gostam de conversar e em suas memórias o registro de fatos nunca dante revelados e também escritos.
Desses todos o que mais desfrutei de conversas foi Gabriel Ruiz Pelegrina. Certa vez, a última quando estivemos juntos me fez uma provocação e eu, besta que sou, não a levei adiante. “Henrique, tem muita coisa da história de Bauru que eu nunca contei, pois as pessoas estavam vivas e isso podia incomodar. O tempo passou, todos morreram e também a maioria dos seus descendentes já morreram. Daí, podia ir relembrando algo ainda não dito, não revelado”. Eu não levei aquilo adiante e hoje, com seu falecimento aos 96 anos, nada mais disso será possível. Alguns desses memorialistas vivos continuaram a frequentar sua casa e talvez tenham registrado algo nesse sentido. Tomara que sim e um dia ainda publiquem o resultado dessas conversas.

Tenho outra passagem significativa com ele. No período em que atuei nas hostes do Patrimônio Municipal, 2005 a 2008, frequentei muito sua casa. Ele ainda vivenciava uma outra experiência, a do Núcleo de Documentação Histórica da USC, aberto e pulsando pesquisa por aquelas bandas. Ele tinha uma mesa por lá e manuseava aquilo tudo, a maioria doada por ele, sabendo muito bem do que se tratava cada um daqueles papéis. O tempo se foi, o Núcleo definhou e hoje, sinceramente, nem sei se ainda continua ativo. Revelo algo de uma conversa com ele, preocupação dele e passada imediatamente para o pessoal da Cultura municipal, os que cuidam de todo o acervo público, de três museus municipais (um só aberto, o Ferroviário). Em seu quartinho de escritório, paredes com estantes recheadas de livros e documentos, muito foi doado para a USC. Ele me diz: “Não queria doar mais nada para a USC. Sei que meus filhos não vão ter onde colocar isso tudo quando eu me for e o melhor lugar é mesmo com a Cultura, a Prefeitura”.
Ele se desanimou com o que viu com os próprios olhos. Todos sabemos, acervo público pode ser até descuidado, mas é público, podendo ser cobrado, visitado e pesquisado a todo instante. Dou como exemplo vivo disso o acervo do Centro de Memória da ITE, funcionando por alguns anos ali perto do Tauste, quando da decisão de fecharem, se não fosse a ação dos servidores municipais, iria tudo para a calçada. Gabriel sacava isso muito bem. Sei que o pessoal da Cultura já deve ter arrebanhado aquele rico acervo de sua casa e dará boa destinação para tudo. É o mínimo que pode ser feito para valiosos documentos que, não podem se dar ao luxo de serem deixados ao deus dará em algum lugar insalubre da cidade. Fico também muito contente quando vejo que todo o acervo do memorialista Luciano Dias Pires está hoje em poder do Jornal da Cidade, num local ao menos seguro. O melhor mesmo, é surgir uma união de forças e interesses e criar um local específico para arrebanhar todos esses acervos dentro da nova estrutura do Museu Histórico Municipal, que um dia ainda será reaberto ali onde funcionou a Estação da Cia Paulista, início da rua Rio Branco.

Escrevo isso em homenagem ao esse senhor e encerro falando de nossas diferenças. Todos as tem e isso é magnífico, pois possibilita muita conversa, troca de informações e um recarregando o outro. Ruim é alguém como seu Gabriel, possuindo tanta informação e não ter com quem trocar ideias. Ele sempre teve e foi muito procurado, tanto pelos memorialistas aqui citados, acadêmicos, jornalistas e estudantes, todos ávidos de saber algo. Iam na fonte certa. Ele adorava explicar as coisas, mas como a maioria das entrevistas que vi não se aprofundavam nos temas, até por desconhecimento de quem efetuava a pergunta, tudo permanecia no campo do superficial. Mestre Gabriel sempre esteve conectado a uma linhagem muito próxima dos poderosos, os coronéis da cidade, daí ter demorado tanto para querer revelar segredos da história bauruense. Foi sua escolha de vida, atuava assim. Muita coisa fui juntando nas conversas e leituras do que me passou ao longo dos anos, mas muito guardou para si e se não tiver escrito nos cadernos que mantinha em seu escritório ou revelado para os mais próximos, estão definitivamente perdidas.
Ele sempre morou ali na rua Júlio Prestes, entre a Araújo e a Nações, perto de onde a cidade nasceu, a Baixada do Silvino. Por um bom tempo frequentei o posto de combustível defronte sua casa e ele sempre sentado na área, clamando por conversas. Parei umas poucas vezes e sempre fui muito bem recebido por ele, esposa e pela secretária do lar de uma vida inteira. Era um desatino parar só para cumprimenta-lo, pois velho nenhum gosta só disso. Quer falar e como, na maioria das vezes, a gente sempre anda correndo, deixei de usufruir daquela rica companhia e instigar a ouvi-lo sobre essa Bauru mais que “sem limites”. Deixo aqui para quem se interessar, um link com tudo o que já escrevi dele no blog Mafuá do HPA, de 2007 até hoje, exatos dez anos de constante funcionamento: http://mafuadohpa.blogspot.com.br/search…

terça-feira, 29 de agosto de 2017

FRASES DE UM LIVRO LIDO (118)


A ESQUERDA QUE NÃO TEME DIZER SEU NOME, FRASES DE UM LIVRO DO SAFATLE

Ninguém gosta de fazer um mea culpa assim do nada, muito menos a dita esquerda brasileira. Vladimir Safatle, escreveu um livrinho curto, apenas 88 páginas (editora Três Estrelas, SP, 2012, 1ª edição) com algo nesse sentido, ao seu modo e jeito. Um diagnóstico da situação atual, com princípios capitalistas sendo colocados em xeque pelas sucessivas crises. O que seria essa Renovada Esquerda? Começa pelo fim da apatia das forças progressistas e um voltar para as ruas e ao enfrentamento político. Abaixo algumas frases pinçadas do livro e servindo para boas reflexões:

- “Melhor morrer de vodca do que de tédio”, Vladimir Maikóvski
- “... eles podem agora afirmar todo seu conservadorismo e sua crença nas virtudes curativas do porrete da polícia. (...) Tínhamos de conviver com o cinismo de intectuais que utilizavam Marx para justificar o caráter inevitável da globalização e de nossa inserção ‘dependente’ e subalterna”.
- “Como se a governabilidade justificasse a acomodação final da esquerda nacional a uma semidemocracia imobilista, de baixa participação popular direta e com eleições em que só se ganha mobilizando de maneira espúria, a força financeira com seus corruptores de sempre. (...) ...fornecer a impressão de que nenhuma ruptura radical está na pauta do campo político ou, para ser mais claro, de que não há mais nada a esperar da política, a não ser discussões sobre a melhor maneira de administrar o modelo socioeconômico hegemônico nas sociedades ocidentais. Não se trata mais de pensar a modificação dos padrões de partilha de poder, de distribuição de riquezas e de reconhecimento social”.
- “Cabe a esquerda insistir na existência de questões eminentemente políticas que devem voltar a frequentar o debate social. (...) ...a primeira coisa que a esquerda esquece quando assume o governo e começa a ficar fascinada por ser recebida em casas de escroques na Riviera Francesa, por ser convidada para vernissages de publicitários travestidos de artistas plásticos e por começar a ler mais sobre vinhos caros do que sobre a alienação do trabalho nas linhas de montagem da Ford”.
- “O principal problema que acomete a esquerda atual é sua dificuldade em ser uma esquerda popular. (...) A esquerda deve saber encarnar a urgência daqueles que sentem mais claramente o sofrimento social advindo da precariedade do trabalho, da pauperização e das múltiplas formas de exclusão. Mas é difícil encarnar tal urgência quando se começa a viver em apartamentos de 6,5 milhões de reais. (...) A esquerda deve mostrar que é capaz de governar sem produzir novas modalidades de sofrimento e insegurança social. (...) deve ser, ao mesmo tempo, capaz de sentir o sofrimento social e capaz de ter a inteligência técnica para resolvê-lo no cotidiano”.
- “Talvez a posição atual mais decisiva do pensamento de esquerda seja a defesa radical do igualitarismo. Juntamente com a defesa da soberania popular, a defesa radical do igualitarismo fornece a pulsação fundamental do pensamento de esquerda. (...) A luta contra a desigualdade social e econômica é a principal luta política. Ela submete todas as demais. Nossas sociedades capitalistas de mercado são sociedades paradoxais por produzirem, ao mesmo tempo, aumento exponencial da riqueza e pauperização de largas camadas da população. Quebrar esse paradoxo é papel da política”.
- “...diante dos modelos liberais, ou seja, sem forte intervenção de políticas estatais de redistribuição, nossas sociedades tendem a entrar em situação de profunda fratura social por desenvolverem uma tendência radical de concentração de riquezas. O problema da desigualdade só pode ser realmente minorado por meio da institucionalização de políticas que encontram no Estado seu agente. (...) O Estado é a única instituição que garante o estabelecimento de processos gerais capazes de submeter toda a extensão da sociedade”.
- “...em nome do combate à desigualdade econômica, a esquerda não pode abrir mão do fortalecimento da capacidade de intervenção do Estado. (...) ...a desigualdade impõe uma balconização social com consequências profundas. Discussões como esta só uma esquerda que não teme dier seu nome pode apresentar. (...) ...o argumento liberal é apenas uma estratégia para não deixar evidente um clássico processo de espoliação de classe”.
- “A urgência da esquerda em colocar novamente suas lutas sob a bandeira da igualdade radical e da universalidade, abandonando qualquer tipo de veleidade comunitarista ou de entificação da diferença. (...) Hoje é o momento de lembrar que a grande invenção da esquerda foi o universalismo e o internacionalismo”.
- “Talvez tenhamos perdido a capacidade de pensar a democracia como ponto de excesso em relação ao Estado de Direito porque acreditamos que tudo o que se coloca fora do Estado de Direito só poderia ter parte com o mais claro totalitarismo. (...) ...toda ação contra um governo ilegal é uma ação legal. (...) ...o direito fundamental de todo cidadão é o direito à rebelião e à resistência. (...)...o direito de resistência aparece como fundamento da vida social”.
- “O bloqueio da soberania popular deve ser respondido pela demonstração soberana da força. (...) ...nenhum ordenamento jurídico pode falar em nome do povo. O ordenamento jurídico de uma sociedade democrática reconhece sua própria fragilidade, sua incapacidade de ser a exposição plena e permanente da soberania popular”.
- “Essa é uma sociedade que tem medo de política e que gostaria de substituir a política pela polícia. (...) A esquerda não pode ser indiferente aqueles que exigem a criatividade política em direção a uma democracia real. (...) ...a democracia não exige um poder instituído forte e não deve depender de instituições que sempre funcionaram mal. Depende de um aprofundamento da transferência do poder para instâncias de decisão popular que podem e devem ser convocadas e maneira contínua. (...) Uma esquerda que não tem medo de dizer seu nome deve falar com clareza que sua agenda consiste em superar a democracia parlamentar pela pulverização de mecanismos de poder de participação popula direta”.
- “O verdadeiro desfaio democrático consiste em institucionalizar tal poder instituinte, criando uma dinâmica plebiscitária de participação popular. (...) O pensamento conservador procura vender a ideia inacreditável de que o aumento da participação popular seria um risco à democracia – como se as formas atuais de representação fossem tudo o que podemos esperar da vida. (...) Podemos dizer que a criatividade política em direção à realização da democracia apenas começou. Há muito ainda por vir e só será alcançada se assumirmos a realidade da soberania popular”.

- “A verdadeira democracia é medida, na verdade, pela possibilidade dada ao poder instituinte popular de manifestar-se e criar novas regras e instituições. (...) O dia em que um plebiscito equivaler a um golpe de Estado, então nossa noçã ode democracia estará completamente esvaziada. Ela perderá todo seu valor. (...) O líder democrático é aquele que nos ensina como a contingência pode habitar o cerne do poder. (...) ...podemos pensar em uma maneira de politizar a economia graças à recuperação da noção de soberania popular”.
- “...quantas vezes uma ideia precisa fracassar para poder se realizar? A efetivação ode uma ideia nunca é um processo que se realiza em linha reta. (...) ...se for para contar crimes e massacres, a esquerda certamente não fica na frente de seus oponentes. (...) ...o livre mercado aparecerá para o pensamento liberal como o espaço onde indivíduos podem trabalhar na defesa de seus sistemas particulares e egoístas de interesses”.
- “Um dos traços fundamentais da esquerda, entretanto, está na recusa em compreender a sociedade como uma associação entre indivíduos que entram virtualmente em acordo a fim de realizar, da melhor maneira possível, seus interesses particulares. (...) Cada vez fica mais claro como o pensamento conservador se articula, em escala mundial, por meio da restrição da pauta do debate social apelando ora para as liberdades individuais, ora para nossos valores cristãos”.
- “No limite, toda revolução é simplesmente criminalizada, ou seja, só analisada pelos seus erros, pelas suas mortes, pelas suas distorções. (...) Uma revolução é uma causa a partir da qual não é possível calcular, com segurança, qual série de consequências virá. (...) Revoluções são sempre improváveis, fruto de uma série contingente de acontecimentos. (...) ...a história é o processo que transforma contingências e necessidades. (...) Uma sequ~encia de reformas profundas provoca um salto qualitativo a partir do qual dificilmente se volta para trás”.
- “Da esquerda espera-se um detalhamento minucioso dos processos governamentais que devem ser postos em prática para realizar suas propostas. Espera-se também capacidade de se antecipar às dificuldades e apresentar alternativas críveis. O que não se espera são diatribes genéricas contra o capitalismo e ausência de reflexão sobre práticas de governo. (...) Encontramos na esquerda uma ingenuidade maior, a saber, a crença de que práticas do governo são um conjunto neutro de técnicas que podem ‘funcionar bem’ quando dirigidos de forma adequada”.
- “...quais são as técnicas de governo à altura das aspirações de modernização política próprias à esquerda? Quando assumimos a lógica e o discurso de certa eficácia típicos da direita, já perdemos o jogo. (...) A pior técnica é aquela que mimetiza a lógica do adversário. Quando isso acontece, vemos ou o patético espetáculo de um lento processo de degradação da governabilidade, com a famosa transformação dos governantes da esquerda em figuras que mimetizam as práticas de corrupção e os valores da direita, ou a guinada em direção ao centralismo totalitário (única forma de conservar o governo quando não se sabe como governar)”.
- “...o homem é este ser dividido, por um lado, é sujeito de um desejo de ruptura, de reconfiguração ode sua forma de vida e, por outro, precisa de geladeira cheias. (...) ...não existe socialismo na miséria. Na miséria, existe apenas miséria. (...) ...os fracassos de uma ideia não implicam seu abandono, mas maior consciência de sua fatalidade. (...) Não há ideia que não precise inicialmente fracassar para posteriormente poder se realizar. (...) ...a necessidade da esquerda de sair de um cômodo e depressivo fatalismo. (...) neste exato momento, não sabemos o que fazemos, mas sabemos que há um mundo que lentamente desaba. Muito desse desabamento é graças exatamente a essas ações que fazemos sem saber o que fazemos”.

Ufa! Vamos entronizar isso tudo e tentar botar os bofes pra fora. Nada é fácil e se assim o fosse, não necessitaria de gente como a gente para a execução das coisas. Uma leitura cheia de boas discussões, enfim, somos medrosos, cagões, vacilões, acomodados, cheios de incertezas, decididos, impositivos...

HOJE PELA MANHÃ POSTEI PELAS REDES COAIS, UMA FOTO DE UM MURO (QUE NÃO SEI ONDE FICA) E UMA FRASE DE MINHA LAVRA E ISSO GEROU AMPLA DISCUSSÃO:
Eis a frase: "NÓS SOMOS MESMO UMA CAMBADA DE FROUXOS..."
Eis algumas das respostas:
1) "Como disse um cara esses dias, nem coxinhas e nem mortadelas, somos todos bananas... Paz e luz, bom dia", Juarez Sacarelli
2) "Lembra daquele samba ,thu yu like macacada, então, enquanto o patrão estiver mandando cantar com a língua enrolada por mais objetivas que sejam as condições não haverá revolução", Lázaro Carneiro
3) "Nós vírgula, e as lideranças sindicais ? As associações? Os políticos de esquerda? Que ganham pra nós representar e o máximo que fazem é ganhar peso. O salário é benefício próprios eles defendem bem. Com desarmamento do governo Lula. Só sobrou pedra e cortante para nos defender. Essa é a esquerda que me representa. Vocês gostam de quem perde heroicamente e viram belas canções, tipo o Allende. Eu gosto de quem ganha feio e vira vilão de hollywood e inimigo do capitão américa, tipo o Castro, o Mao e o Ho Chi Mihn", Mario Neto
4) "Se a CUT tivesse qualquer compromisso com trabalhadores. Parava de joga dinheiro fora com despesas desnecessárias e investia numa milicia armada e na formação de guerrilheiros. To a disposição pro combate. Me mandem para o Pará defender as nossas riquezas. Que la estarei. Mas sem respaldo e sem compromisso seremos massacrados. Não existe luta sem suporte. Assim como casa sem estrutura. A resistencia no araguaia é exemplo disso. Foram abandonados ao Deus dará e contavam com apoio de alguns moradores. Sem fala nos traidores que na primeira batida dos pés enfiam o rabinho entre as pernas igual cachorro . De uma coisa tenho certeza o bicho vai pega pra todos nós. Ainda é só o começo", João Félix Neto
5) "Não devemos esperar, nos da FAL estamos se articulando e correndo atrás dessas situações, mas sabemos que não podemos compartilhar nossas visões com o meio da Esquerda, pois nossa esquerda repudia qualquer forma que os tire da zona de conforto. Todas as revoluções houveram sindicatos pelegos, e os trabalhadores tiveram que os jogar para a revolução", Matheus Versatti
6) "Ficamos esperando alguém nos convidar e não vamos ao encontro. Culpamos os outros, alguns a Lula e seu governo, outros a CUT, outros qualquer outra coisa e nada fazemos, Esperamos um convite. Ficar esperando é que nos amolece, criar raízes num lugar e numa confortável poltrona, daí não fazemos mais nada, só reclamamos. Estou assim hoje...", HPA
7) "quero arma quero luta/ 
quero luta armada/ nao peça calma / a minha alma / que ja está cansada./ quero risos,/ quero rendas bem distribuidas/ quero ver gente nas rua de forma atrevida/ quero paz perene sem hipocrisia/ quero o fim do feudo dessa elite fria./ quero educaçao a todas as crianças / velhice amparada e terra pra quem planta/ e que a paz seja mais que uma pombinha branca", poesia de Lázaro Carneiro

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

MUSICA (151)


NA MINHA VITROLINHA ROLA WILSON DAS NEVES, ALTAY VELOSO, PAULO CESAR FEITAL E CHICO BUARQUE

1.) WILSON DAS NEVES BATEU ASAS E VOOU

Por tres vezes esteve em Bauru e em todas lá estive, aplaudindo e prestando homenagens a esse imenso mestre de nossa música, baterista de Chico Buarque e de toda uma geração que sabe o que é boa música. Hoje se foi e num texto do professor carioca, Luiz Antonio Simas, algo que neste momento não conseguiria escrever com tamanha sapiência: "Seu Wilson das Neves, que cantou pra subir ontem, era awofakan (mandava sempre um "boru boya" inacreditavelmente malandreado quando nos encontrávamos) e se cuidava. Não há, portanto, nenhuma chance de ter ido fora do combinado. Neste sentido, a música fica, está tudo rigorosamente tranquilo e certamente serão feitos os procedimentos necessários para a grande aventura do mestre - o retorno espetacular e silencioso - aquela que começa exatamente agora para quem tem a mão de Orunmilá, como ele. Suponho que Seu Wilson já não escute mais os nossos recados, mas vislumbre, nesta altura, a imensidão da volta ao mistério. Deve ser do cacete! Ô, sorte! No mais, é cantar e tomar aquela cerveja gelada com serenidade e alegria. Bom dia".

Aqui algumas fotos dos momentos passados por ele aqui em Bauru, para mim, eternamente inesquecíveis. Rola hoje e sempre na minha cansada vitrolinha. Cliquem a seguir para ler o que já escrevinhei dele: http://mafuadohpa.blogspot.com.br/search?q=Wilson+das+neves

2.) “COLHER O SAL DA LIBERDADE, HÁ TEMPO AINDA: DESOBEDECER PRA PACIFICAR” - CARNAVAL 2018
O samba de Altay Veloso e Paulo Cesar Feital para a Mocidade Independente de Padre Miguel, Carnaval de 2018 é desses que vem pra ficar para todo o sempre, marcando época, um assombro, letra com algo que pega a gente do começo ao fim. Fiquei extasiado quando ouvi e faço questão que ouçam e vejam se existe alguma possibilidade de não gostar dessa maravilha. Essa vai se juntar, com toda certeza, aquelas inesquecíveis, para toda vida. Boto aqui na minha vitrolinha para iniciar e me dar ânimo para os trabalhos escrevinhativos do dia. Gamei de paixão e canto a todo instante, mesmo sem ser Mocidade lá no Rio. Impossível ficar indiferente. Numa frase bem colocada, ressaltada no título desse texto, sobre essa necessária resistência a esses cruéis e insanos tempos neoliberais, algo que acredito, poucos sambistas possuem a sapiência de fazê-lo com a devida maestria. Viva efusivo para Altay e Feital!
https://www.youtube.com/watch?v=e_4FUyNsCJE

E por que não um Carnaval libertador?

3.) ESCREVENDO O DIA INTEIRO E OUVINDO CHICO PELAS ONDAS DO COMPUTADOR - "AS CARAVANAS", DE UM CD SAINDO DO FORNO

AH, SE TODOS QUE CANTAM CHICO SACASSEM O QUE ESTÁ A CLAMAR!

https://www.youtube.com/watch?v=6TtjniGQqAc&app=desktop
Chico é Chico, continua sendo Chico e será sempre esse instigante e provocante Chico. Tô com ele e não abro. Ah, se todos fossem iguais ao Chico! Conheço muitos cantantes de hoje, que cantam maravilhosamente bem Chico, mas desdizem o que diz as letras das músicas que saem de suas bocas. Como fico triste vendo gente cantando como poucos, lindas vozes, mas sem conseguir interpretar e jogar para a realidade o que cantam. Cantam uma coisa e pensam outra, fazem outra, estão em outra, pioraram e se perderam nas influências de uma mídia massiva cruel que os conduziram para descaminhos neste bestial mundo neoliberal. Prefiro continuar ouvindo e seguindo junto do que pensa, faz e age o Chico. Sei estar no caminho mais certo da coisa. Toco o barco em frente...


OBS.: Todas as fotos são deste HPA e ilustram tudo, inclusive as duas outras citações musicais. Tristeza quando alguém do quilate do seu Wilson se vai...

domingo, 27 de agosto de 2017

AMIGOS DO PEITO (136)


A CARTEIRINHA PARA TRAVESTIS E TRANSEXUAIS É MESMO A MELHOR INICIATIVA?
Hoje seria o dia da 10° Parada da Diversidade em Bauru. Deixará de ocorrer a tradicional e em seu lugar por causa do cancelamento do show marcado para seu encerramento, um Encontro da Diversidade no parque Vitória Régia, junto de uma Parada Alternativa, essa sim descendo a Nações com tudo o que existe de direito e pompa. Tudo junto dentro da Semana da Diversidade, sendo seu ato mais “auspicioso” o lançamento em nível "municipal" de uma Carteira de Nome Social para travestis e transexuais. A iniciativa é parceria do Conselho Municipal de Atenção à Diversidade (Cads), da Comissão da Diversidade Sexual da OAB Bauru, da Associação Bauru pela Diversidade (ABD) e da Cáritas Diocesanas da igreja católica, com apoios variados e múltiplos. Comento esse feito.

Não vou no vai da valsa dos rasgados elogios para a iniciativa e os explico. Antes de me convencerem do acerto da iniciativa e me engajar nas comemorações prefiro propiciar um debate sobre a questão. O lançamento da carteirinha, onde constará o nome social do emissor tem por intuito diminuir o preconceito e eliminar as dificuldades dos envolvidos nas questões mais do que conhecidas. Porém, pelo que vejo vem para interromper algo já existente, todo um trabalho que esses já faziam através de um “Processo de mudança de Identidade e genêro”, através de uma Ação Cível, feita via Fórum local. Através do mesmo, a mudança ocorre na Certidão de Nascimento e no RG, sem necessidade de carteirinha. Mais trabalhoso, confesso, mas com utilidade de âmbito nacional e não só municipal. Duas pessoas já o concretizaram na cidade e precisam ser ouvidas sobre a questão, são elas Cristiane Ludgerio e Sarah Fernandes. Escrevi tempos para a Revista Já, da ação realizada por Cristiane e tudo pode ser lido clicando a seguir: http://mafuadohpa.blogspot.com.br/search…. Uma vez que o uso do Nome Social é lei de utilização nacional, conquista já adquirida e a luta é por igualdade de direitos para todos, prefiro o RG e Certidão de Nascimento com o novo nome do que uma nova carteirinha. Só isso.

Se a nova Carteirinha, emitida pela SEBES – Secretaria do Bem Estar Social e Prefeitura Municipal de Bauru é de âmbito somente local, por que nada mais se fala de algo com âmbito nacional, esse sim resolvendo a questão para quem sofre de discriminação e preconceito? Não sei responder essa pergunta. Sei que, todos os de posse dessa carteira só poderão a utilizar em Bauru e nada mais, sendo pela outra via, âmbito nacional e com documentos alterados, isso sim amplitude e diminuição dos problemas. A iniciativa local só tem sentido quando em conjunto com o incentivo para que todos promovam o processo de alteração definitivo do nome. Até porque, se qualquer uma de posse da carteirinha estiver em qualquer outra cidade deste país, quiçá mundo, tudo continuará como dantes. O que ocorre é uma espécie de Benefício com Punição. Explico. Não vai ser mais um sininho, uma coleira, uma pulseirinha de identificação, tornozeleira e punindo ainda mais quem dele se utilize ao invés de lhe trazer benefícios? Melhor mesmo é a apresentação do RG com tudo alterado. A carteirinha não tem validade para créditos, financiamentos, compras no comércio, ficando restrita ao atendimento de saúde municipal. No mais continuará o constrangimento da apresentação do RG com nome constante nele. Carteirizar categorias pode ser mais algo chamativo do que, verdadeiramente prestar auxílios. Se a moda pega, imaginem Carteirinhas para identificar Índios, Negros, Deficientes, etc.

Isso me lembra algo mais trágico, um exemplo que para muitos pode ser ilegítimo e até forte demais, mas o faço para que o bom debate se estabeleça, até porque vivemos tempos sombrios, com a volta da atroz perseguição para os que não seguem numa dita "cartilha normal de procedimentos" (bolsonaristas e afins que o digam). Na Alemanha nazista todo judeu era marcado em suas vestes com um sinal característico que o identificasse. Se existe mesmo uma vontade de integrar tudo, todas e todos como iguais e sem distinções, vejo que isso ainda é paliativo. Sei que muitos dos interessados não querem fazer a mudança do nome em definitivo e daí sim, a iniciativa teria alguma validade, mas sendo salientado, o benefício somente ocorrerá em nível local e somente para utilização no atendimento de Saúde local, nada mais. Junto a isso dois textos lincados da divulgação ocorrida após o lançamento das Carteiras de Nome Social: https://m.jcnet.com.br/…/bauru-faz-carteira-de-nome-social-… e https://www.jcnet.com.br/…/irmas-trans-obtem-nova-identidad…. Daí minha pergunta: E da conquista pela mudança do nome nos documentos oficiais, não se fala mais nada e por que?

No mais, vamos todos à Parada, hoje descendo a Nações e depois se concentrando no parque Vitória Régia. Um dia de festa e alegria, mas também da boa discussão em torno do tema. É o proposto por esse texto.

sábado, 26 de agosto de 2017

DIÁRIO DE CUBA (88)


VARIEDADE DIVERSA E MÚLTIPLA


1.) A EXCELENTE REVISTA "BRASILEIROS" não resistiu e dos escombros nasceu uma nova miragem, o "PÁGINA B!". Como é lindo isso de viajar pelo Lado B do mundo. Em breve e pelas mãos do fotógrafo e jornalista Hélio Campos Mello, mais uma publicação com a cara e a identidade da resistência. Eu comprei e tenho aqui no mafuá todas as "Brasileiros" e guardarei como relíquias de gente valorosa, propiciando um jornalismo de alto nível, tão em falta no Brasil. Conto nos dedos as publicações pelas quais valem a pena a ida até as bancas, pois vejo lá quantidade e pouca qualidade. Sinto demais pelo fim da Brasileiros, mas me contento em saber da reivenção propiciada pelos envolvidos no novo projeto. Torço muito, lerei tudo, pois publicações como essa não só fazem falta, como são essenciais. Aguardo ansioso a chegada do novo produto e já começo a divulgar desde já. Muita sorte e leitores mil, todos com espírito libertário e sem a predominante mentira vigente hoje na imprensa hegemônica deste país, que tentou ser varonil, mas volta a ser dependente e quintal do Grande Irmão do Norte e das corporações mundiais.

2.) NÃO EXISTE NEOLIBERALISMO SEM TRAIÇÃO
Isso é o neoliberalismo na sua essência: o povo não vale nada - e os velhos menos ainda, vide a fala ao lada da representante do FMI. Mais neoliberal que isso impossível.

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3.) DIA DO FEIRANTE
Respeito muito todos os feirantes, uma digna profissão, dessas que acorda e montam suas barracas quando todos ainda dormem. Hoje é o dia deles todos e faço uso da charge do Fernadão hoje no JC para prestar a justa homenagem. Sei que a charge não representa os feirantes, mas faz alusão a essa profissão. Primeiro parabenizo o amigo Fernandão, o chargista do jornal, cheio de boas sacadas, cabeça boa, mente sã, pensamentos livres e soltos, sempre acertando na mosca. Vai na veia desse monstro golpista destruindo o país e agora vendendo tudo, como se estivesse numa Feira do Rolo e colocando nossas riquezas numa banca, vendendo preciosidades como sucata. Sacar isso é uma grandeza e o chargista merece o elogio. Não sei se vale a comparação com os feirantes, pois são uma categoria diga e altaneira, algo que os golpistas de plantão não o são, pois são vendilhões, gananciosos bandidos. Mas vale para lembrar o dia. Valeu feirantes pelo belo trabalho que realizam e vale um efuziante olá para o Fernandão. Enfim, precisamos virar a mesa neste país e tudo isso serve como alento para ir construindo as mentes dos brasileiros no caminho da derrubada de tudo o que nos oprime.

4.) A AMÉRICA LATINA SEMPRE TEVE DESAPARECIDOS POLÍTICOS, POIS A INJUSTIÇA SEMPRE ESTEVE PRESENTE NOS ATOS DE MUITOS DOS SEUS GOVERNANTES
Hoje, o que representa o neoliberalismo criminal exercido por Maurício Macri, na Argentina e por Michel Temer, o golpista brasileiro, não só desaparecidos, como presos políticos, criminalização dos movimentos sociais, endurecimento da ação policial e maus tratos para com o povo mais simples e sempre desprotegido.
Só com muita união popular enfrentaremos isso tudo.
Vá tomando consciência, nossos países estão piorando e a questão da REPRESSÃO é algo em ascensão. Basta de regimes truculentos e contrários aos interesses populares.
Santiago Maldonado está desparecido e Milagro Sala é presa política na Argentina e aqui no Brasil muitos que lutam dentro dos movimentos sociais estão sendo, dia após dia, criminalizados e encarcerados, perseguidos por lutar pela libertação do povo. De que lado você está? Veja o vídeo: https://www.facebook.com/ajplusespanol/videos/1618800974838912/

5.) COLEÇÃO: FOTOS IMPACTANTES
Eis o capitalismo, de um lado tudo, do outro nada. E ambas convivendo lado a lado. E por que não bagunçar isso tudo e fazer com os do lado de fora adentrem o lado de dentro, ocupem os espaços e usufruam das mesmas coisas e benesses?
Cansa dormir do lado de fora.

6.) 38 ANOS DEPOIS, HOJE COM A ELEIÇÃO EM ANGOLA, A DESPEDIDA DE JOSÉ EDUARDO DOS SANTOS DO PODER:
E qual foi o resultado das eleições angolanas, alguém sabe?
Falava disso hoje (23/8), pura coincidência com uma angolana residente em Bauru há quatro anos, Mirian Acsamir Muondo, jovem e cheia de luz e gaz. Veio para o Brasil cheia de esperança de dias melhores e diante desse Brasil destroçado, nem sombra do país de quando aqui chegou. Estuda e trabalha na cidade, sonha e não para de pensar em seu país. O sonho de todos que para aqui vieram se torna mais difícil com esse atual desGoverno temerista e golpista. Os imigrantes que o digam.
Falava a ela em tom de tristeza que, hoje o maior produto de exportação brasileiro são o péssimo exemplo para o mundo, o das igrejas Mundial e Universal (e também outras), que infestam a Africa e tentam mais e mais calar a voz desses povos, tornando-os medrosos e subjugados. Tenho muita vontade de conhecer Angola, mas ainda vejo Angola em ebulição, plena transformação. Que o país supere e siga altaneiro depois de José Eduardo, algo que o Brasil, infelizmente, não conseguiu, pois definha em retrocessos. Em Angola uma eleição histórica hoje e aqui no Brasil, sem nem a certeza de termos eleição ano que vem. Um vídeo sobre Angola: https://www.facebook.com/getoteve/videos/1661815904145353/

7.) É O QUE MERECEM
Uma velha ilustração europeia, tempos idos, servindo como uma luva para demonstrar o apreço que tenho pelo momento propiciado a todos nós por esses insanos e cruéis golpistas destruindo esse belo país. São todos uns pulhas e merecem o meu bolo intestinal com o devido louvor. 

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

DICAS (163)


O PREFEITO ACERTOU...
A notícia da semana é essa. Venceu o prazo de permanência dos assentados no Acampamento Morada da Lua, lá nas proximidades da Bauru/Jaú, lado direito de quem sai da cidade. Aproximadamente mil famílias residem na região e seriam desalojadas. Num acordo firmado com o prefeito Clodoaldo Gazzetta, esse prazo foi estendido e agora, quando do vencimento, ao invés do despejo com a cruel reintegração de posse, um novo acordo e todos são realocados para outro local, o do Assentamento Cannã, aproximadamente dois quilômetros adiante. O que de melhor saiu na imprensa foi a ida do prefeito ao JC, entrevista esclarecedora sobre os detalhes do que fez: https://www.jcnet.com.br/…/projeto-de-casas-sera-aberto-diz…

Irão permanecer no novo local por dois anos ou até uma definitiva solução. E qual seria essa solução? O prefeito comprou briga com vários setores conservadores da cidade, inclusive alguns dentro da própria Prefeitura, o recomendando para se manter indiferente e permitir que todos fossem para a rua. E o que ele fez foi o mais acertado possível. Sabe que a responsabilidade por esses é também sua e em acordo com as lideranças do movimento, os assentados são deslocados para o Canaã e a partir de agora, tem início uma nova etapa nesta caminhada, a de buscar uma solução definitiva. E qual seria essa solução? A Prefeitura entraria com uma área pública, o Governo Federal entraria com os recursos, o projeto social, que pode vir através do Minha Casa Minha Vida e todos os cadastrados teriam sua residência. E o principal, todos pagariam pela sua morada, nada será de graça.

E por que a grita cidade afora, principalmente pelos meios massivos de mídia? Porque, em primeiro lugar, sempre agiram dessa forma, contra os interesses populares. Depois, fazem questão de desinformar e não de informar corretamente. Na maioria das críticas percebe-se que, criticavam sem o saber que os futuros beneficiados pagariam pelas suas moradas. Ou seja, vieram para “confundir e não para explicar nada”. Possuem um nefasto lado e não se dão ao desplante nem de ouvir o outro, nem de se informar corretamente dos fatos. Fomentam comentários maldosos, violentos, mentirosos e, em alguns casos, fomentam também a violência. Esse desinteresse pela verdade e pelas ações dos movimentos sociais tem nome e sobrenome: defesa de uma minoria, a que sempre fez e aconteceu neste país, a mesma a defender desde sempre o estilo de vida colonial, o da Casa Grande & Senzala.

Diante desses fatos, deixo para o final o meu comentário sobre o posicionamento do prefeito. Vivemos um momento onde predomina as ações de cunho conservador e contrário aos interesses das classes populares e menos favorecidas. Vide o que faz João Dória em Sampa, Alckmin em São Paulo e Temer & Cia Golpista no Governo Federal. O normal hoje é seguir a esses, insensibilidade incomensurável. Confesso ter Gazzetta me surpreendido e positivamente. Já o critiquei por diversos dos seus atos e não tenho nenhum problema em elogiar. Acerta na decisão. As forças contrárias são poderosas e exercem contínua pressão. Ninguém da atual Câmara de Vereadores teria a mesma coragem. E o que fez foi tão simples, o necessário, tão somente isso. Compra briga por defender o povo e suas necessidades. Tomara que sua atitude sirva de bússola para tudo o mais daqui por diante. Vê-lo contrariar gente do seu staff Jurídico e seguindo orientação de outros do mesmo staff é sinal de que nem tudo está perdido. Que a sensibilidade continue sendo a mola mestra do seu, até então, insipiente Governo.

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

INTERVENÇÕES DO SUPER-HERÓI BAURUENSE (105)


ELEFANTE BRANCO OU CAVALO DE TRÓIA – CUIDADO BAURU, NÃO COMA GATO POR LEBRE
A proposta do Governo do Estado de SP, capitaneado pelo Santo, o governador Geraldo Alckmin é realmente tentadora. Bauru necessitando com urgência urgentíssima de mais leitos hospitalares e eis que, de uma hora para outra resolvem atender os seguidos pleitos e não só aumentam a quantidades das vagas hospitalares na cidade, como entregam para os cuidados da Prefeitura Municipal de Bauru um Hospital, o da AHB – Associação Hospitalar de Bauru. Num primeiro momento só alegria, mas quando a poeira começa a baixar, algo mais do que preocupante. É disso que trata a participação mensal por essas plagas do intrépido, ágil e sempre atento nas movimentações extra-anúncios oficiais, o super-herói bauruense Guardião. “Eu poderia dar muitos nomes para isso, todos do jargão popular, desde chamar de Elefante Branco, Cavalo de Tróia, Presente de Grego, etc. O governador Alckmin não dá ponto sem nó. Tempos atrás resolveu doar escolas públicas estaduais para os municípios e continua fazendo algo parecido, pois isso faz parte do que denomina de Estado Mínimo. Simples, o Estado se desvencilha do que antes era sua obrigação e empurra para outrem, presta uma ajuda inicial e depois abandona tudo ao deus dará. No caso bauruense, todos ainda muito alegrinhos com a doação do prédio e de tudo o que está lá dentro, que um dia já foi de Bauru, foi cooptado pelo Estado como salvação da lavoura e agora vem de volta, como desova. Não encontro outra palavra para designar o que está em curso, desova”, começa seu relato.

Antes de continuar com Guardião, fomos em busca de saber, via google, o que venha a ser de fato isso de Presente de Grego, tudo para não deixar Bauru comer gato por lebre: “Significado de Presente de grego. É o recebimento de algum presente ou dádiva que traz prejuízo ou não acontece beneficamente, como era para ser. Surgiu a partir da famosa Guerra de Tróia. Nessa guerra, um cavalo de madeira foi deixado junto aos muros de Tróia pelos Gregos, supostamente como um presente”. Daí voltamos nossos olhos para o que Guardião alerta os bauruenses e suas autoridades: “É tudo muito lindo, no papel a vinda da Faculdade de medicina é maravilhosa, sonho antigo, agora consumado, mas justamente no exato momento em que as três grandes públicas paulistas estão vivendo situação de pré-penúria, com cortes e programas sendo encerrados. E por que ele cede aos clamores de Bauru justamente agora? Seriam por causa dois lindos olhos azuis da cidade? Claro que não. Não existe ponto sem nó nessas questões. Enxergar o outro lado e colocar o dedo na ferida se faz necessário. Na questão da doação da AHB para a Prefeitura, algo de igual teor. O que tem representado a presença dos governistas tucanos no estado de SP por esses vinte e poucos anos é mais do que suficiente para desconfiar de que, algo não vai dar tão certo. Nem precisa ter bola de cristal para acertar na mosca: isso de arcar inicialmente com dois milhões e meio mensais vai ser uma batata quente sem tamanhos. Será que ninguém por lá avalia os riscos disso tudo?”.

Sempre precavido e não querendo ser desmancha prazeres, Guardião não quer ser transformado numa ave de mau agouro, ou seja, o que diante de tão boa notícia, traz a rui. Nada disso, ele não apresenta nada de tão novo e pede só para se ter muita calma nessa hora: “De um momento de plena euforia, a cidade pode vir a vivenciar um de frustração total e absoluta. Qualquer pessoa a acompanhar o que ocorre hoje nas hostes da Famesp, sabe como se dá a relação empregado/patrão, com completa insensibilidade para com anseios da classe trabalhadora. Agindo de forma dura, implacável com esses, por que agiria de forma diferente com a Prefeitura de Bauru? Não se iludam. Não precisa nem a poeira baixar para perceber a existência de um imenso Cavalo de Tróia sendo trazido para o epicentro da Praça das Cerejeiras e ali todos venerando a belezura do que está ali em exposição. Não esperem a noite cair para ver o que vai sair de lá de dentro. Podíamos se antecipar e fazer esses se comprometerem com compromissos outros. Sei que a Prefeitura pouco pode fazer, pois o governador age da seguinte forma: Presente não se olha os dentes. Ele doa e quer que a aceitação ocorra sem um pio. Ocorrendo algum tipo de contestação, virá a retaliação em outros quesitos e como a dependência é grande, na recusa do presente, cortes virão em outras torneiras. No caso do Gazzetta é PEGAR ou PEGAR, ou seja, Bauru está prestes a se lascar. E depois não venham me dizer que não avisei...”. E encerra o papo e vai observar a quantas anda a movimentação para o que diziam estaria em curso, a construção de um novo Pronto Socorro central na cidade. Circula e não vê um tijolo sendo movimentado na região, daí questiona: “Será o benedito?”.

Obs.: Guardião é cria do traço criativo de Leandro Gonçalez, com pitacos escrevinhativos (ou seria escrevinhatórios) do mafuento HPA. Inicialmente sai no Mafuá do HPA uma vez por mês, mas a partir de setembro, a intenção é dobrar a pedida: dois por mês.

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

COMENTÁRIO QUALQUER (166)


A LEITURA QUE ROLA NAS CLÍNICAS MÉDICAS DE BAURU
Não sei se isso é também predominante nas demais cidades. Creio que, no dito estado mais rico da federação isso role como praga, uma que desvirtua o pensamento humano. Conto o que vejo. Semana passada e nesta, tanto eu, como Ana estamos peregrinando por clínicas médicas e em todos tenho observado algo em comum. Algo entristecedor. Nas salas de espera, um amontoado de revistas e a a imensa maioria delas, a revista VEJA. Ela bate recordes em todas as clínicas bauruenses. Tirei algumas fotos para exemplificar o que escrevo.

Sei que o governador paulista, o SANTO, também chamado de vez em quando de Geraldo Alckmin, para dar aquela ajuda de amigo pra editora Abril e a Veja, fez assinaturas e distribui graciosamente para todas as escolas da rede pública. E assim, a gurizada se vê obrigada a encontrar pelas escolas o que de pior temos em matéria de informação jornalística. E tudo se repete nas clínicas médicas da cidade. Dificilmente se encontra na cidade uma clínica onde não tenha a tal Veja ali aguardando os que esperam pacientemente serem chamados para consultas e exames variados.

Me recuso a tocar em qualquer uma. Mas por que esse predomínio? Das duas uma. Ou a classe médica toda é influenciável e assinante dessa porcaria jornalística e acredita em tudo o que ali está publicado ou se repete o mesmo que nas escolas públicas. Já ouvi de variadas bocas que, dentro da tiragem da revista uma boa parcela é distribuída exatamente para finalidades como essa, deixar ela em lugares estratégicos, propiciando a leitura de incautos leitores. Pode ser e isso não me assustaria. Como recebe verba publicitária de muitos governantes interessados na produção do sai publicado naquelas páginas, uma parte pode muito bem ser direcionada para distribuição gratuita.

Levo muito em consideração que, a classe médica paulista é conservadora, apoia não só o Alckmin, como apoiou o golpe em vigência e permanece ao lado de Temer e suas estripulias mirabolantes, as que estão afundando o país de vez e de irremediável forma. Daí, deixar uma Veja ali é mais uma tentativa de cooptar incautos e continuar enganando um público leitor que não lê mais quase nada e quando o faz, encontrando pela frente a revista, passa a crer naquilo como verdade absoluta dos fatos. Chamo isso de jogo sujo. Sujíssimo. Colocar a revista ali sem nenhum inetresse, esse a alternativa menos viável.

Ver a revista espalhada pelos consultórios é de uma tristeza incomensurável. Quando me deparo com tudo o que está em curso, com tudo o que está sendo feito para destruir o país, enxergo nitidamente nesta revista um dos pilares do baú de maldades despejado sob nossas cabeças. Daí, quando me deparo nos consultórios com alguém ávido por algo para ler enquanto aguarda ser chamado e o vendo de mão estendida em sua direção, me dá uma vontade imensa de ir em sua direção e lhe alertar dos perigos: “Não faça isso. Além de esmerdear as mãos, fará o mesmo com sua mente. Essa publicação não vale nada, mente e engana quem dela se serve. Aliás, não serve nem para embrulhar peixe ou limpar a bunda”. Tenho feito algumas maldades (ou seria ajuda substancial para engrandecer aqueles ambientes?) em alguns desses lugares e jogo as mesmas na lata do lixo, o único lugar onde merecem estar.

terça-feira, 22 de agosto de 2017

RETRATOS DE BAURU (205)


ANTONIO PEDROSO JR, SEUS LIVROS E A RESISTÊNCIA COM OS DIREITOS HUMANOS
Tenho uma clara sensação de sermos tão poucos hoje na resistência, os que colocam verdadeiramente a cara para bater diante deste cruel golpe afundando este país. Essa sensação foi reforçada após ter acompanhado Ana Bia nas compras do mês no supermercado Tauste aqui em Bauru. Olhava para os lados e pela fisionomia das pessoas, as conversas travadas ali pelos corredores, não via ninguém com aspecto preocupado e nem disposição para entender o que se passa. A indiferença de todos para com tudo o que está sendo feito com o Brasil me assusta, parece que nada ocorre e nada é com eles. Daí, nada como ressaltar mais e mais os que resistem e insistem em colocar o dedo na ferida. Um típico exemplo: a existência de uma turba circulando entre nós que confunde o que venha a ser Direitos Humanos com algo a defender bandidos. Perdemos a noção de entender de fato o real significado de muita coisa. Parece que nos querem emburrecidos e brutos. Cito um resistente, um que não abandona a cancha de luta. Escrevo algo dele, o meu 900º perfil por essas plagas.

ANTONIO PEDROSO JUNIOR é um nome por demais conhecido em Bauru e todo o estado de São Paulo. Os motivos são muitos. Pedroso, como é mais conhecido, escreve e se posiciona ao lado da luta dos que padeceram atrocidades nesta cidade e país. Compra homéricas brigas por causa disto. Fez uma escolha de vida e dá seu quinhão para reestabelecer direitos para quem os perdeu durante o golpe militar de 64. Conhecendo os caminhos facilitadores jurídicos, tem prestado imensa ajuda para os esquecidos, desvalidos e ignorados. Os defende e também escreve deles todos. Seu histórico de resistência vem do pai, ferroviário, dono de bar e hoje nome de rua em Bauru. Morou na cidade até quando aguentou, depois constituiu família em Sorocaba, lá nasceu seu filho e para ajudar tocar a vida, abriu uma livraria, primeiro num shopping, hoje em sua casa. Antes aberta ao público, hoje mais virtual, mas também aberta à visitação no mesmo lugar onde mora. O tempo passa e os problemas surgem, principalmente os físicos. Pedroso adoeceu e mesmo com renda para tocar bem sua vida, vende hoje um combo com quatro de seus livros (Márcio, o Guerrilheiro; Sorocabana União e Luta; Sargento Darcy e Subversivos Anônimos), tudo por R$ 135,00, para ajudar-lhe no custeio das despesas que tem tido com medicamentos (Bradesco agência 0152 – c/c nº 9963-5). Os pedidos podem ser solicitados junto a ele pelo seu facebook. Pedroso Jr tem história e sempre foi da turma dos lúcidos, dos que sabem o que de fato acontece com este país. E como sabemos, os lúcidos sofrem mais dos que os indiferentes.
OBS: Todas as fotos dele foram retiradas de seu facebook e a dos livros é deste HPA.

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

O QUE FAZER EM BAURU E NAS REDONDEZAS (92)


CHUVA, FRIO E FEIRA DOMINICAL
Carioca, Roque, Gui, Tatiana e HPA
O importante é sair de casa, botar o bloco na rua e tirar a bunda da poltrona, faça sol ou chuva, calor ou frio. Ver, ser e estar nas ruas é imprescindível para o bem estar de mentes, ainda mais quando em tempos banais, brutais e sob a batuta de cruéis e insanos golpistas.

Pois bem, fazia frio de lascar ontem pela manhã. Tudo começou com sol e já fui tirando a blusa, colocando em seu lugar uma camiseta escolhida a dedo, louvando o mexicano comandante Marcos, mas quando botei os pés para fora do mafuá e tendo como destino o lugar onde ocorre a reunião mais democrática nesta cidade dita como “sem limites”, eis que o céus já estava escurecendo e em poucos minutos caia chuva. Daquele calorzinho gostoso propiciado pelo sol, voltou o frio e eu sem meias e de alpargatas nos pés.

Esperei a chuva passar e me fui a pé até a feira. Não será uma chuva ou mesmo frio que me amarrará as pernas e braços. Passo primeiro pelo Bar do Barba e vejo sinais de que o movimento hoje promete. Fui ter com o Carioca, pagar minhas pendengas e ver das novidades. Ele é muito prestativo e havia separado para mim, seus produtos com a minha cara, vídeos e CDs sobre Cuba e cubanos. Como recusar isso? Impossível. Com o tempo nublado, eis que alguns como eu saem da toca. Foi o caso do Guilherme Reis, o Tio Gui, que veio de sua casa a pé, numa gostosa caminhada dominical de aproximadamente uns seis quilômetros. Desceu de lá até a feira, enfim, na descida tudo favorece e ele veio vindo, chegando no epicentro da confusão e da movimentação.

Não existe outro agrupamento em Bauru com a característica desta Feira do Rolo. Eu e ele vendo os pingos caindo, conversando ora sentindo as gotas escorrerem pela face, ora se protegendo da chuva na marquise da Associação dos Aposentados. Eis que na curva da esquina surge um casal, Roque Ferreira e Tatiana Calmon e se juntam a nós. A conversa flui e vai desde os destinos do Carnaval de Bauru até isso de com o passar dos tempos perdermos cabelo, paciência e a fleuma de aguentar provocações e admoestações.

O brilho da água reflete de forma diferente sob o paralelepípedo e a bagunça colorida propiciada pela movimentação dos rolistas ali reunidos. Não existe frio externo para quem sai às ruas e encontra papos e conversações calientes internas de grande monta. O tempo passa rápido nessas circunstâncias. As fotos que fui tirando desse rico e insubstituível momento comprovam o que digo. Puro estado de êxtase vivenciar isso.

Existem os que não querem e não se misturam com os da feira, como se produzissem bosta de qualidade superior a todos os ali presentes. São sim, esses uns merdas. Os grandes merdas desta e de todas nossas cidades. Estar junto dessa parcela que ainda faz feira, bate perna, quer ver as novidades num agrupamento popular, num ajuntamento com calor humano e periférico e reconfortante e também energizante, diria, recarregador de baterias. Eu me recarrego na feira. Outro dia ouvi de um besta que não gosta de vir na feira por sentir um certo medo, falta de segurança. Trata-se de um idiota, pois tenho muito mais medo de andar com a desenvoltura que tenho na feira é lá pelos condomínio destas plagas.

Cariocamos na banca mais agitada da cidade, ontem com um plástico cobrindo as preciosidades, livros, LPs e CDs. Nas brechas da água que caia do céu, íamos vendo o que Carioca tinha nos reservado para o domingo. Mesmo assim o danado sorria, pois disse ter vendido mais do que esperava. Seus clientes além da fidelidade, saem de casa, mesmo com chuva. De lá vamos para o Bar do Barba e lá o complemente de tudo. Chovia e o aglomerado era mais intenso que nos dias normais. Escolho uma mesa, tomo uns chopps com Tio Gui, Kyn e sua guapa. Junto desta mesa passam muitos e a chuva aumenta, com ela o vento e dali presenciamos o desmonte da feira num dia surreal, quando os feirantes sofrem em dobro, pois trabalham debaixo d’água.

O mais bonito, a cena mais impactante da manhã é a solidariedade entre esse pessoal todo que está e atua nas feiras. No final, mesmo com inclemente chuva, chegam os trabalhadores da EMDURB, os que farão a limpeza das ruas. Barba os chamam para o coberto e oferece a todos uma laranjada, um baita jarro disponibilizado para todos e eles ali se reúnem antes da contenda com pás e vassouras. Do lado de fora do bar, passam os com suas barracas desmontadas e sendo carregadas para seus carros, outros puxam tudo como esquimós e quase todos acenam, param para conversar com Barba e também com Carioca, que desmontando sua barraca, veio se juntar aos que estão buscando um esquenta peito antes de ir-se para casa ou mesmo comer algo.

Vivenciei isso tudo como aprendizado de vida. Foi uma manhã e tanto. Não vejo ontem em Bauru outro lugar para obter todo o aprendizado a mim propiciado do que o adquirido na feira e juntos dos seus personagens. Tenho a sorte de estar junto a esses e desta forma, ganhar uma sobrevida. Momentos de um sabor inigualável para os que gosta mde desfrutar o que de melhor a vida possui.
Viva a rua e todas suas possibilidades!!! A minha fuga nesses bestiais tempos é permanecer mais e mais junto do que for mais popular possível. Quero cada vez mais distância dos esbulhadoires do povão.

domingo, 20 de agosto de 2017

MEMÓRIA ORAL (214)


A VOZ DA CONSCIÊNCIA

Eis meu artigo para a seção que abre a revista, BRASILIANA e ARGENTINA da última edição de Carta Capital, a de nº 966, páginas 12 e 13, chegando às bancas de Bauru hoje pela manhã. Nele um relato do que já conhecia ouvindo um dos melhores programas de rádio da atualidade, o La Mañana (www.750am - prefiro ouvir eles no horário do que os a defender o bestial modelo economico brasileiro e golpistas por natureza), de segunda à sexta das 9 às 12h. Algo impensável no Brasil de hoje, alguém ainda conseguindo fazer o (necessário) contraponto ao neoliberalismo predatório em nossos países. Ele faz e de forma brilhante, o que me motivou na visita que fiz à Argentina no começo deste mês em conhecer pessoalmente essa experiência. Virou escrevinhação para a revista, num texto prontamente aceito e que, creio possa ser utilizado como exemplo latente e vivo, da necessidade de algo dessa natureza ter início aqui também no Brasil, onde vivemos o péssimo momento do jornalismo pelas ondas radiofônicas ocorrer somente por uma via, a permitida pelo dono do meio de comunicação massiva. Jornalismo com somente uma via, a do patrão, do dono do negócio. Meu texto tem o intuito de demonstrar a necessidade de um outro lado. Mais tarde disponibilizo aqui mesmo o texto na íntegra. Agora, vou para feira dominical e à tarde disseco meu texto final de mestrado. Rever Victor Hugo, que já conhecia de dois anos atrás quando fui levar um livro seu para autografar e dessa vez poder escrever dele, é para mim motivo de jubilo e contentamento e agora ampliado ao conhecer pessoalmente também Gustavo Campana e Fernando Borroni, baluartes do bom jornalismo argentino. Sua experiência é mais que única, exemplo de dignidade jornalística na acepção da palavra. Citem um aí que ainda consegue fazer isso aqui no Brasil em rádio massiva e sem represálias? Não mais existem.

A VOZ DA CONSCIÊNCIA
Juan Carlos, o taxista

Vítima do expurgo ideológico da mídia, o radialista Victor Hugo Morales resiste pelos microfones da 750 AM.

A 750AM é uma pequena rádio do Grupo Octubre, que concentra investimentos dos sindicatos argentinos em mídia tradicional. Além da emissora, o grupo mantém participações acionárias no jornal Página 12 e nas revistas Caras & Caretas, El Planeta Urbano e Diário Z. O alcance e a notoriedade do canal são potencializados pelo vozeirão de Victor Hugo Morales, perfeitamente adequado aos seus quase 2 metros de altura. De segunda a sexta, entre 9 da manhã e meio dia, Morales, uruguaio de origem, entrincheira-se diante dos microfones da 750 AM para dar sua visão sobre os fatos na Argentina e no mundo.

No ano passado, ele perdeu o emprego na rádio Continental, seu antigo trabalho, por fazer oposição ao governo de Maurício Macri. Muitas outras portas no mainstream midiático se fecharam. Se perdeu uma vitrine, o jornalista ganhou em liberdade. O La Mañana, sob seu comando, exercita a crítica da maneira mais desabrida possível. Ao lado de Gustavo Campana, Fernando Borroni, Adrián Stoppelman e Gabriel Mororini, o uruguaio não poupa o Clarín, espécie de Globo argentina, que define como “máfia jornalística”, o neoliberalismo (“não existe sem traição”) e o fenômeno da “fake news” (“ela não existe sem a mídia hegemônica”).


No caminho até a sede da 750 AM, sondo as impressões do taxista que me conduz. “Vai conhecer um homem muito interessante”, ouço de Juan Carlos. “É único no que faz. Muitos jornalistas são mercenários e trabalham por interesses. Ele é digno, coerente e esclarece a população contra os retrocessos do governo de Macri

Enquanto espero a entrevista, acompanho o programa do estúdio. Morales discorre a respeito da situação da Venezuela. “O periodismo que quer mostrar da melhor maneira possível a verdade não pode repetir o que todos dizem. Assim vivem os meios de comunicação na Argentina, 95% dominados por uma máfia, mentindo descaradamente para a população, favorecendo uma minoria que explora o povo. Uma imundice dominada pelos interesses mais inconfessáveis que existem. Mentem sobre a Venezuela, mentem sobre o Brasil, mentem sobre Cristina Kirchner e adulam Macri e tudo o que faz, vivem para seus negócios e a informação correta vai para a lata do lixo”.

Há entradas ao vivo de diversos pontos de Buenos Aires. O noticiário acompanha o fechamento de fábricas ou casos de demissão em massa, frutos da crise econômica que, como aqui, abala o vizinho. La Mañana abre os microfones aos trabalhadores, que têm voz e vez no programa. “Na Argentina, está cada vez mais difícil fazer o que faço, as perseguições são enormes e ocorrem de todas as maneiras. Os espaços livres, do verdadeiro jornalismo, têm sido bloqueados e cerceados e acredito que o mesmo ocorra no Brasil”, afirma.
Morales na porta da rádio



Falo que a 750 AM é um milagre e que não há nada comparado no Brasil. Ele me interrompe para mostrar as notícias na tevê sobre a decisão do Congresso brasileiro de impedir a continuidade das investigações contra Michel Temer. “Há alguma possibilidade de ele perder o mandato?”, questiona. Digo que não, pelo fato da maioria dos parlamentares terem recebido “estímulos” para salvá-lo. “Não muito diferente daqui” argumenta. “Pelo que vejo, no Brasil, se não impedirem Lula de concorrer, o futuro reside na próxima eleição. Aqui o Judiciário tenta impedir Cristina Kirchner de concorrer, no Brasil fazem o mesmo com Lula. Cerceamento da lei em situações muito parecidas. Resta a nós, aqueles que ainda conseguem falar, não nos calarmos nem ser cooptados. Nosso papel é denunciar tudo, esclarecer os cidadãos”.

Para não perder o pique, Morales reveza o café com mates em uma xícara com as asas quebradas. Na saída, o radialista é frequentemente abordado por ouvintes, que levam sugestões de assuntos a serem abordados, dicas de espetáculos e eventos e CDs ou fazem pedidos. O radialista os atende com paciência no pequeno espaço entre a porta da emissora e a calçada. Tira fotos, anota os pedidos, aceita papéis e envelopes. No estúdio, a programação não destoa. A 750 AM continua a criticar Macri, o poder financeiro, os golpes na América Latina. Neste dia em especial, a rádio não deixa de noticiar o desaparecimento forçado de um militante de esquerda, Santiago Maldonado. Por um instante, o fantasma da violência da ditadura dos anos 1970 parece campear pela rádio, um oásis de diversidade e resistência.

*Jornalista e professor de História em Bauru, São Paulo. Mantém o blogwww.mafuadohpa.blogspot.com.
A capa da edição de Carta Capital, destaque para o Desastre Meirelles.
Victor Hugo durante o La Mañana na 750 AM
Gustavo  Campana
Fernando Borroni