quarta-feira, 16 de agosto de 2017

PALANQUE - USE SEU MEGAFONE (102)


FAAC/UNESP CHAMA AGENTES DO CARNAVAL DE BAURU PARA UMA CONVERSA

Ocorreu ontem uma interessante reunião agendada pelo Diretor da FAAC/UNESP, Marcelo Carbone Carneiro e realizada no salão nobre da Congregação daquela instituição, envolvendo os agentes do Carnaval bauruense. Tendo como convidado de honra Roberto de Oliveira, o Beto, gente conhecida do samba paulistano e chefe de gabinete da deputada estadual Leci Brandão PCdoB. Convite feito para o Secretário Municipal de Cultura, Luiz Fonseca e representantes de todas as escolas de samba e blocos carnavalescos da cidade, em torno de umas vinte pessoas lá marcaram presença e nos relatos abaixo, feito entre aspas, sem outros comentários de minha lavra, aa participação de quem fez uso do microfone:

Carbone - FAAC: “Com o intuito de ressaltar a importância do Carnaval para a economia local, por que não começar já uma proposta vinda da universidade para a comunidade bauruense? Propiciando a discussão, são ideias novas e a UNESP de portas abertas para dar o seu quinhão de contribuição para uma das mais importantes festas populares de Bauru. A partir de um amplo diálogo será ampliada a participação da universidade”.

Luiz Fonseca – Secretário Cultura: “Sempre importante falar de Carnaval e de sua organização, com gente querendo ajudar, ainda mais neste momento de dificuldade atravessado pelo país e a cidade. Esse ano mais de 90 cidades do estado de São Paulo paralisaram seus carnavais. Não queremos fazer isso, mais precisamos melhorar o controle, gerenciamento. Com a ajuda dos cursos de Design, Arquitetura, Comunicação e o Economia Criativa da Unesp, todos pensando juntos, com certeza algo de muito bom surgindo. Talvez não consigamos mudar muita coisa de imediato, mas plantaremos juntos uma semente. O carnaval é muito maior que uma festa, se trata da economia desta cidade”.

Ana Bia – Professora de Design: “Oficializar efetivo apoio da Unesp prestando serviço à comunidade. Fundamental como provocação repensar a questão dos jurados. Levar o Carnaval muito a sério, até pelo trabalho desenvolvido por cada escola e bloco”.

Jair Fontão Odria - Mocidade Unida: “Todas escolas precisam de um Diretor de Harmonia para saber de fato conduzir uma escola. Estar ali nessa função não é ficar cumprimentando todos, nem ficar abanando a mão para ninguém”.

Patrícia Alves – Neo Criativa: “É a nossa proposta para além das atividades cotidianas de promoção de cultura na cidade. Pensar juntos nessa intervenção coletiva da universidade e em como pode ser dar essa colaboração”.

Beto, o convidado a falar no evento, trazendo sua experiência paulistana: “Na defesa da Cultura Popular e do Sama, consequentemente do Carnaval. Reafirmando que, neste ano mais de 90 cidades paulistas derrubaram o Carnaval e isso para quem vive essa festa é a morte. Escola de Samba é a vida do sambista, sua auto estima, identidade.
Pior é o fim em alguns lugares sem ocorrer a defesa da comunidade do samba. Muitos permaneceram calados diante dos constantes ataques. Venho com a ideia de criar um Encontro de União para contagiar o Estado num todo e neste momento algo para fortalecer o de Bauru, uma ideia de cadeia produtiva. Vocês, nós todos somos os atores políticos desta festa e ciente das dificuldades de se organizar coletivamente, eis que algo surge de dentro da universidade neste sentido. Políticas públicas para vivenciar e manter essa cadeia produtiva já existente. Não pode mais existir aquilo do Carnaval só começar quando entra a verba pública para a escola, precisa ter vida útil o ano todo e ideias neste sentido precisam ser pensadas coletivamente. O viés criativo do samba não pode se perder. Superar aquilo de gente que só põe o Carnaval na rua para justificar a grana recebida. Quem quer ver algo feito dessa forma?
Ninguém. Construir o seu Carnaval como referência e não perder o senso de responsabilidade do uso do dinheiro público. Entender que parte do problema é nosso e que se faz necessário ajustes para não se colocar tudo a perder. A população gosta e quer o Carnaval, reviver aquele proveniente da comunidade e em São Paulo isso foi se perdendo. A onda conservadora é muito grande e a ação política também é muito grande. Trazer como referências as cidades mantendo a festa, as Prefeituras ainda ajudando e no caso bauruense, com apoio de uma grande universidade. Essa união tem que virar referência. Buscar juntos condições de ampliara qualidade, fortalecer os elos. Um Seminário ou Encontro, feito com qualidade, juntando todos que pensam e vivem o Carnaval, trazer algo de fora, reunir o que já existe e propor o algo novo. Cada um cumprindo um papel bem definido”.

Dona Donizete – Bloco Pérola Negra: “Contamos muito com esse apoio da Neo Criativa. Todo apoio desta forma é bem vindo, pensando em todos e não em um só. Ajudar a gente a pensar em eventos carnavalescos e também algo onde possamos diminuir o preconceito existente da participação das religiões”.

Jair Odria – Mocidade Unida: “Passamos dez anos sem Carnaval e nesse período não se formaram batuqueiros e nem carnavalescos. Muitos ritmistas ainda são os mesmos do passado. Temos muita força em nossas mãos, mas ainda não formamos um Carnaval de fato. Muita gente não se consolida com aquele amor a uma agremiação, mudam muito de bandeira. Quando tudo for levado muito mais a sério, com certeza, vai ficar muito mais forte”.

Beto Oliveira: “Pensar num amplo projeto de reconstrução do Carnaval e do Samba. A proposta é a realização de um Encontro alicerçado em dois momentos: o de qualificar a nossa intervenção, em como ter acesso e manusear os instrumentos disponíveis. O outro é falar da política pública com a criação de uma dinâmica própria para vida permanente da festa. Ser um grande ponto de referência da Cultura local e saber responder e se contrapor aos ataques sistemáticos, enfim, como enfrentar e saber dialogar com isso. Uma organização verdadeiramente coletiva, sentar e ter uma pauta política, discutir coletivamente com o poder público, ou seja, um nível de organização política para enfrentar tudo o que vier pela frente”.

Suzana Libório – Secretaria Municipal de Cultura: “O construir junto com as comunidades, com as escolas e blocos pode ser dar de várias formas. Podemos ceder o teatro, uma ou duas vezes ao no para cada escola, festas frequentes no Sambódromo, ceder aparelhagem para eventos variados, assim por diante. Ajudar a montar eventos de cada escola, participando efetivamente junto de todos os atores do samba.

Luiz Fonseca – Secretário Cultura: “Se tivéssemos uma liga legalmente constituída muita coisa se resolveria e não seria necessário repassar a verba para empresas licitadas. Tudo depende de um esforço coletivo. A SMC não tem capacidade de realizar nada sozinha. Quando conseguirmos produzir um projeto coletivo, bem definido, elaborado, a comunidade bauruense vai entender cada vez mais a seriedade com que a coisa é feita. Desorganização nada traz de positivo. Enquanto não houver uma organização coletiva e isso ficar muito bem exposto, os resultados nunca serão bons por inteiro. Hoje já são bons, mas podem melhorar e muito. Não deixar que reuniões dessa se findem. Aproveitem esse momento essa maré boa”.

Definições: Data previamente definida para o Encontro: 06/outubro, mas antes outra reuniões ampliadas, com espaço permanente de contato (neocriativa@gmail.com), uma espécie de Usina de Ideias, olhando para o futuro e com todos pensando juntos: Onde queremos chegar com essa festa?

terça-feira, 15 de agosto de 2017

PERGUNTAR NÃO OFENDE ou QUE SAUDADE DE ERNESTO VARELA (126)


O NEOLIBERALISMO É PERIGOSO E CRIMINOSO - OS EXEMPLOS DA ARGENTINA E DO BRASIL
Traço a seguir uma linha de pensamento de simples entendimento. Vejam se não tenho razão. Lula e Dilma podem ser acusados de “quase” tudo e uma das coisas pelas quais ninguém pode lhes levantar a mão ou se pronunciar contra é por não serem democráticos, na boa acepção do que esse termo ainda possui. O são é até demais da conta. Os exemplos pululam por aí e é impossível alguém conseguir concatenar algo substancial desdizendo não terem em seus governos atuado dentro de todas as premissas ditas como democráticas. Sempre o fizeram e os maiores fiscais são todos os que lhe fazem oposição. E se existisse um mero deslize, a pauleira sempre foi enorme, tanto da oposição, como dessa vergonhosa mídia brasileira, vesga por natureza, pois só enxerga os males dos adversários e nunca os dos que defendem.

Dito isso vou aos exemplos de hoje. Todos desdizendo do que venha a ser DEMOCRACIA (palavrinha quase em desuso dentro do neoliberalismo). Percebam o outro lado da moeda e para tanto cito os exemplos de Brasil e Argentina. Aqui, tudo aquilo que foi motivo da cassação de Dilma, as tais pedaladas e tudo o mais, que levaram em consideração para seu impedimento do poder, hoje ocorrem em uma profusão infinitamente maior e nem a imprensa diz quase nada, como o mundo político existente hoje dentro do Congresso Nacional e Senado Federal fazem vista grossa e é como se todas as barbaridades de hoje não representassem nada. Dois pesos e duas medidas, ou seja, criminosa situação. Poderia citar fatos e mais fatos comprovando tudo o que explicito, mas fico no geral para não ocupar muito espaço. Deixo só a pergunta que não quer calar: Por que antes valia tudo e hoje não vale nada? Eis aqui uma demonstração da crueldade, enfermidade e bandidagem do regime atual, capitalista e neoliberal. Isso para mim é falta de vergonha na cara de tudo, todas e todos.

Agora vejam a situação da Argentina. O mesmo que aconteceu com Lula e Dilma ocorreu com Cristina Kirchner quando essa no poder. Implacável perseguição da mídia e do mundo político para qualquer deslize e hoje, diante de um basura (lixo) Maurício Macri no poder, esse produz barbaridades diárias e a mesma mídia, antes implacável, hoje aprovando o que faz o insano mandante. Aconteceu domingo em todo o país uma eleição preliminar para definir os que irão disputar o pleito definitivo em outubro. Num certo momento, isso em Buenos Aires, quando a oposição (representando o peronismo e o kirchnerismo) venceria o pleito, eis que as luzes se apagam e a energia é cortada. E não volta. E Macri e e os seus fazem a festa de um resultado parcial e comprovadamente mentiroso e fraudado. Ou seja, uma vergonha, algo criminoso. Se Cristina fizesse algo assim seria expulsa do poder, mas com Macri a imprensa hegemônica nada faz, nem investiga e ainda lhe adula.

Escrevo isso e junto os dois momentos, o brasileiro e o argentino, com a única conclusão possível: o capitalismo e o neoliberalismo são criminosos e um verdadeiro atentado para a democracia, pois são descarados, mentirosos e perigosos. Com gente com esses que temos hoje no poder nesses dois países, a mentira sempre reinará acima de tudo e de todos. Detesto esses que fazem tudo e mais um pouco para continuarem no poder, são os mais perigosos. Assim agem Temer e os golpistas e Macri e seus asseclas. Ou exterminamos esses da política ou afundarão ambos os países.

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

ALGO DA INTERNET (131)


A DESOBEDIÊNCIA CIVIL É TUDO – DONA DIVA, OTTO, MINO CARTA E THIAGO ROCHA
Dona Diva falou na Flip de Paraty
Tem coisas quer a gente só percebe depois de certo tempo do ocorrido. Ótimo quando ainda se damos conta de algo bom que havia passado despercebido e agora vem à baila. Daí, porque não corroboro isso de “águas passadas não movem moinho”. Nesse caso que vou contar, move e muito e pode mover muito mais.

Essa linda história, a da professora negra Diva Guimarães na Festa Literária de Paraty é dessas de fazer chorar. Primeiro leia o trecho da matéria de Carta Capital, de 09/08, na matéria “Desafinando o Coro – Uma nova onda de contestação leva artistas e cidadãos a romper diques de opinião conformada e opressão secular. A matéria completa está aqui, bastando o clicar para sua abertura: https://www.cartacapital.com.br/…/diva-guimaraes-otto-johnn…
Otto falou na direitista Jovem Pan


O trecho que quero citar é exatamente este: “Na semana passada, uma senhora negra de 77 anos, Diva Guimarães, do Paraná, rompeu mais uma comporta desse bloqueio: ela pediu a palavra em um debate na Festa Literária de Paraty (Flip) e deu uma traulitada mortal no racismo velado brasileiro. Diva falou durante 13 minutos na mesa A Pele Que Habito, depois do ator Lázaro Ramos e da jornalista portuguesa Joana Gorjão Henriques. Quando concluiu, dezenas estavam às lágrimas. Sua fala foi gravada na íntegra pela organização da Flip e viralizou na internet. O discurso de Diva Guimarães alastrou-se como fogo no mato seco por conta da verdade límpida do relato, que escancarou a segregação dentro da Igreja Católica. Vinda de família pobre, sem condições de subsistência, foi levada aos 7 anos para ser criada em uma instituição de freiras. Ali, ela descobriu que as crianças negras só trabalhavam e a discriminação era regra. “Existia um rio – aquele maldito rio abençoado por Jesus –, diziam as freiras, em que os brancos se banhavam primeiro e os negros, por serem preguiçosos, entravam por último e só colocavam as palmas das mãos e dos pés. Era isso o que as freiras contavam para a gente, para explicar a diferença da cor da pele entre brancos e negros”, disse a professora dona Diva. A contundência de Diva alcançou ainda maior impacto por conta da simplicidade de suas descrições do racismo que sofreu e vem sofrendo desde que se conhece por gente. “Você entra em uma loja e escuta ‘posso lhe servir?’, mas isso não é para servir você, é para ficar andando atrás de você para ver se vai roubar”, afirmou, em entrevista ao jornal O Globo”.

Aqui o vídeo na íntegra com sua fala de 13 minutos: https://www.youtube.com/watch?v=HjuH1NJMjTg
Mino Carta desanca A TV Globo a todo instante

E agora o que quero juntar com a fala de dona Diva e essas MANIFESTAÇÕES ESPONTÂNEAS DE DESOBEDIÊNCIA CIVIL. Temos todos que nos aproveitar de todas as brechas e mesmo em eventos para dignificar e glorificar algo oriundo das elites, pegar os tais microfones e tascar o pau em tudo, todas e todos. Oportunidades não se repetem. Dona Diva soube aproveitar magnificamente o microfone a ela concedido na Festa de Paraty e o que falou viralizou mundo afora. O cantor e compositor Otto, quando diante daqueles merdas direitistas lá na rádio Jovem Pan, pegou o microfone e não se rebaixou, resistiu e enfrentou tudo sozinho e deu o seu recado. Confiram o link com um click: https://www.youtube.com/watch?v=XDKrhziAUBg. Ele e dona Diva são os tais produtores dessas ações espontâneas de desobediência civil. Atos como esses desafiam o racismo, o golpismo de merda hoje vigente neste país também de merda, pois não está sabendo enfrentar esses corruptos que se aboletaram no poder e destroem o país sem que nada façamos.
Ela ouviu o 1º "Primeiramente, Fora Temer".


A minha mensagem diante de tudo é para sabermos aproveitar as oportunidades e tascar nossa mensagem, seja ela qual for. Um dia eu ajudei a trazer o jornalista Mino Carta para uma palestra em Bauru e quase ele deu entrevista naquela oportunidade para a Rede Globo. Corria o ano de 2007 e ele me disse naquela oportunidade: “Henrique, eles não vão me chamar, porque sabem que se eu pegar aquele microfone eu vou desancar eles ao vivo. Não perco uma oportunidade dessas por nada nesse mundo”. Ele não foi chamado para a entrevista e aquilo nunca mais me saiu da cabeça. Encerro com a lembrança do jovem, o estudante de História da UFRJ, que foi chamado para uma entrevista na mesma Rede Globo em aio de 2016 e antes de falar do assunto a que foi chamado tascou algo que muitos se utilizam até hoje quando diante das câmeras da TV Globo: “Primeiramente, Fora Temer”. Revejam a belezura da cena e façamos o mesmo sempre que oportunidades surgirem, não só na TV Globo, mas por tudo quanto é canto: https://www.youtube.com/watch?v=Z_dVSrKVZsM

domingo, 13 de agosto de 2017

BEIRA DE ESTRADA (81)


VISITA DO DEPUTADO ESTADUAL ZÉ AMÉRICO EM BAURU
Foi ontem, sábado, 12/08. Agendada por Marcelo Cavinato, da república da Barra Bonita, aquele recanto encrustado ali nas barrancas do rio Tietê, com eclusa e tudo,, cidade onde o deputado José Américo esteve visitando na tarde e noite de sexta. De lá, sábado veio para a cidade, também conhecida como "sem limites" (fazem horrores em nome disso nos seus costados). Numa agenda previamente marcada foi visitar e conhecer os assentamentos da Morada da Lula e Kannã, dois dentre a quase dezena deles em Bauru, esses numerosos e com um problema a ser superado nos próximos dias: o Morada da Lula está com data para desocupação. Recebidos por um dos dirigentes do loca, Márcio Oliveira, primeiro foi feito um apanhado geral do que está en curso na cidade e depois um passeio pelos dois acampamentos.

Depois de tudo, agrupados num local central, nos dois acampamentos uma fala de ambos, Márcio e o deputado Zé Américo. Em ambos, o compromisso de se ser mais atuante na defesa do que necessitarem para a continuidade da justa luta pela posse de um lote de terra urbana para residirem e constituírem um lar fixo. O deputado deixou claro e referendado por Márcio que tudo tem que ocorrer com um tríplice conquista: "O Prefeitura dá a terra ou o recuso para aquisição da terra, além de algumas condições básicas, o estado entra com outra parte e a federação, o Estado Brasileiro, o Governo federal com outra". Quando nenhum desses elos se quebra, tudo segue seu curso natural, do contrário, com a interrupção, dificuldades pela frente.

Essa a maneira mais cordial, o que não impede de acirramentos de posições em caso de descumprimento por algumas das partes. Márcio salienta: "Não queremos terra de graça. Não é essa nossa intenção. Cada família pode pagar pela posse de cada lote, uma mensalidade justa e dentro das possibilidades do trabalhador brasileiros". Reivindicações são lidas e retransmitidas ao deputado e esse reafirma seu compromisso de estar vigilante e ser mais um elo de auxílio, facilitador e de cobrança para que obtenham sucesso.

Toma conhecimento de que na próxima semana todos os moradores do Morada da Lua estarão se mudando para o Kannã e ali permanecendo por dois anos, até conseguirem a posse definitiva dos lotes. "O mandato de um deputado comprometido com os interesses do povo é exatamente esse, o de servir, o de estar ao lado, o de acompanhar e defender esses interesses, os populares. Estarei atento e me comprometo a voltar aqui em breve para uma detalhada visita a cada acampamento, todos os sete hoje existentes na cidade", diz o deputado.

Antes da saída uma conversa com alguns dos moradores em questionamentos de quem está interessado em ter resolvido seu problema e busca ali, numa "autoridade" presente, um auxílio facilitador e que possa tornar mais rápido a solução destes. Antes da saída, Márcio pede licença se despede dos visitantes durante o ato e diz que, irá continuar numa espécie de Assembléia com os moradores para ir dirimindo dúvidas do que está prestes a ocorrer no local. Resume sua fala em algo de forte impacto: "Até o presente momento não posso falar nada do prefeito Gazzetta, pois tem cumprido a palavra conosco. Adiou no que pode a reintegração do Morada e agora, sei que compra briga interna na Prefeitura para nos manter no Kannã, ou seja, tem se mostrado interessado na vida dos moradores desses dos locais, uma rara sensibilidade e estamos dando-lhe um voto de confiança".

De lá, o deputado, seus assessores, dois representantes da Executiva Estadual do Partido dos Trabalhadores e Cavinato, partem para uma segunda parte da agenda e almoço, para por volta das 14h30 marcarem presença no Mafuá do HPA e ali, serem os astros principais de uma ampliada reunião de cunho político. Não necessariamente petista, mas com vários outros segmentos políticos e sociais da cidade envolvidos , primeiro no real entendimento do que está em curso e na busca de uma solução, devolvendo ao povo o que lhe foi retirado pelos golpistas de plantão.

Com uma ampla e diversificada reunião de ideias, todos os que lá estiveram ouviram a fala do deputado e depois expuseram suas ideias, num debate acalorado e cheia de boas nuances. Foi algo a se estender até por volta das 17h50. Algo mais do necessário, não só para buscar uma união de forças nesse momento tão crucial, verdadeira encruzilhada política nacional, como para se certificar de que, quando o povo de fato perceber todo o baú de maldades que foi e continua sendo feito contra seus constados, um levante irá acontecer e devolver esse país ao um corso mais palatável, saudável e justo.

Na saída uma só constatação. Debates como esse são mais do que necessários, pois juntam no mesmo local, variado leque de gente interessada e na luta pela retomada dos direitos perdidos, numa reconquista coletiva. Pela foto aqui publicada de cada um dos participantes, nota-se claramente o leque de possibilidades, com vários segmentos bauruenses ali representados. Por fim, a constatação de que, nem sempre as ideias podem ser convergentes, mas quando necessário, mesmo com algum conflito se faz necessário uma união coletiva, pois do contrário, a certeza do jogo estar perdido. Cada um saiu dali com uma nova semente na cabeça e pronto para colocá-la em pratica, germinar a luta onde estiver inserido e se isso de fato ocorrer, reuniões como essa terão seu objetivo plenamente alcançado.

Por fim, pouco antes do encerramento um necessário esclarecimento sobre algo interno do PT, aproveitando da presença de dois membros da Executiva Estadual do partido. Foi ótimo, com uma troca de opiniões e confrontos sempre necessários, mas abertos, sinceros, feitos sem ser necessário clima de contenda, mas de diálogo, buscando soluções. Tanto que, ao final de tudo, mesmo após um certo acalorado debate, pose de alguns para fotos sorridentes. Pois bem, Zé Américo esteve aqui, conheceu algo mais da realidade bauruense, conheceu personagens que dignificam a luta nesta cidade e sai daqui, com certeza, querendo mais. Elos foram realizados e podem ser amadurecidos nos próximos contatos.

sábado, 12 de agosto de 2017

RETRATOS DE BAURU (204)


MÁRCIO OLIVEIRA E A SAPIÊNCIA DE SABER COMANDAR LUTA DOS TRABALHADORES
Ontem conheci um pouco mais de dois assentamentos urbanos de Bauru, o Morada da Lula e o Canãa, lá pros lados de cima da rodovia Bauru/Jaú, altura do Tropical Inn e o La Kasa Eventos. Em ambos os locais mais de 100 famílias e a responsabilidade de tudo isso recaindo sob o comando de uns poucos, dos mais preparados nos tempos atuais. Vivemos um tempo onde o povo tem dado inequívocas amostragens da incapacidade de reagir, inclinado como sempre à resignação diante de um cruel e insano golpe a lhe deixar com as víceras de fora, expostas e sangrando. Uns poucos conseguem se sobressair e comandam os agrupamentos de verdadeira resistência neste momento e o fazem com muito tato, experiência adquirida ao longo dos anos, traquejo conquistado na lida, na luta e na raça. Conto a história de um desses personagens, talvez um dos mais importantes, sem que muitos tenham se dado conta, na história recente de Bauru.

MÁRCIO OLIVEIRA nasceu na luta pela conquista de uma reforma agrária justa e digna neste país. Nascido no Pontal do Paranapanema, mais precisamente em Avanhandava, esse jovem e idealista personagem da vida bauruense é hoje figura central na luta e disputa travada na cidade em torno de sua questão fundiária. É um dos mais importantes dirigentes do MSLT – Movimento Social de Luta dos Trabalhadores – Campo e Cidade no município, num momento quando só na área compreendendo Bauru temos no momento sete assentamentos e pleno funcionamento. Uma luta contínua que esse jovem militante social, casado, pai de três filhos (dois meninos e uma menina) não foge da raia, pois foi forjado com a têmpora dos que, tomaram conhecimento das injustiças muito cedo e na convivência com outros tantos enfrentando o touro á unha, soube ir se educando e se preparando para fazer a defesa dos seus, os oprimidos deste país. Preparado para tanto, atua junto aos movimentos sociais de resistência, os hoje podendo ser denominados de verdadeiros esquerdistas. Atua com a mesma desenvoltura quando falando aos seus, nos muitos acampamentos e assentamentos onde circula diariamente ou mesmo no gabinetes de São Paulo e Brasília. Diante da enorme e crescente população hoje assentada, Márcio sabe trafegar em todos os ambientes e é hoje uma das lideranças mais promissoras e atuantes no quesito movimento social, dessas que precisam ser preservadas, tratadas com o maior respeito e consideração, pois sua luta é uma das mais dignas na história recente deste país. Sabe fazer jus à toda responsabilidade sob seus ombros.

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

PRECONCEITO AO SAPO BARBUDO (117)


ENCONTRO COM UM EX-VERDE-AMARELO NO ELEVADOR

Encontro um vizinho no elevador, velho conhecido, ele com escritório montado na cidade, profissional liberal e a me olhar com certo desdenho e distanciamento desde quando me via com camisetas e bottons contra o golpe e o país todo inflamado a favor de uma tal de mudança, vestindo verde-amarelo. Lembro bem de outro encontro, esse antes da deposição de Dilma e ele, junto de sua esposa, no mesmo elevador, quase me virando o rosto, como a me dizer: “Não sei como consegue estar ao lado disso tudo”. O tempo passou e ontem ele novamente no mesmo elevador. Uma mudança considerável, pois não consegue me olhar nos olhos, cabeça baixa, faz um cumprimento meio que envergonhado. Eu continuo com os mesmos bottons na lapela, ele sempre querendo se mostrar indiferente, impecável vinco nas roupas, perfume caro, olha assim de soslaio e como para se justificar me diz::

- Que coisa, hem! O que fizeram de nosso país!
Lembram-se de Lacerda?

- Estava tudo tão claro, os que deram o golpe hoje são os mesmos de sempre. Não sei como vocês se deixaram levar, como foram embarcar naquela ladainha da TV? Nem dava para conversar com vocês, pois pareciam hipnotizados, papagaios de pirata.

- Eu lutava e luto contra a corrupção, tinha que me posicionar contra o que via acontecendo.

Tive que interrompê-lo, pois já não aguento mais os que ainda tentam se justificar com esses pífios argumentos:

- Sim, saiu de verde-amarelo, desfilou pela Getúlio Vargas naquelas marchas, todos gritando em alto e bom som, não contra a corrupção, mas contra o PT. Se estivessem bradando contra a corrupção, estariam hoje novamente na mesma avenida, mas se calam e justamente quando a corrupção atinge níveis nunca vistos. Por que agora estão calados? Não percebe terem sido marionetes de uma máfia televisiva, uma mídia criminosa e um Judiciário tendencioso a defender algo para si e não para o povo? Sinto em lhe dizer, mas foi gente como tu que propiciou ao país estar hoje nessa situação calamitosa.

- Pera lá, eu não tenho culpa de nada. Foi gente como você que votou em Temer.

- Eu não votei em Temer, votei em Dilma e tanto ontem como hoje, não existe possibilidade de ninguém se eleger e governar o país sozinho, quando não se tem maioria dentro do Congresso Nacional. Dentro do atual sistema acordos se fazem necessários. Temer estava contido até dar o golpe, traiu os interesses pelos quais foi eleito e insuflado por esses todos que tu apoiou. Ele é um traidor, estava contido nos governos de Lula e Dilma e hoje explicita seu baú de maldades, junto dos piores da nação. E se ontem você vestiu verde-amarelo e foi pra rua, hoje esconde sua camiseta. Cadê sua camiseta? Cadê sua insatisfação? Não adianta vir me dizer que o país está ruim, pois tem culpa dele ter chegado ao fim do poço. Vivemos um tempo onde ainda não se tem uma completa dimensão de tudo o que se passa, de tudo o que vem sendo feito contra a população. Eu continuo nas ruas, como dantes, e tu onde está neste momento? Já vi que não está contente. Ao menos já fez seu mea culpa?

Percebo que ele ficar vermelho, irado, o elevador chega ao estacionamento e sua mulher, calada até então, o puxa e diz:

- Vamos bem, estamos atrasados, depois vemos isso.

Ele abaixa a cabeça e se vai. Fico ali parado na saída do elevador e olhando o casal indo ao encontro de seu carro. Percebo que quando entra no carro dá uma última olhada para trás, ainda me vê olhando em sua direção, abaixa a cabeça entra no carro e sai. Eu me vou e cá estou com meu botton na lapela, minhas mesmas camisetas no peito e clamando pelas mesmas coisas de antes. Cego nunca fui. Meu antigo conhecido deve estar passando, como todos os usados e hoje descartados, as maiores dificuldades para pagar aluguel de seu apartamento e manter em dia as prestações do financiamento do seu automóvel nas condições atuais e já não sabe mais o que fazer. Agora sei, eles já sabem, mas ainda não deram publicamente o braço a torcer da grande “cagada” feita no ano passado quando apoiaram essa “merda” toda onde estamos atolados. Cruzo com eles aos magotes, poucos ainda me encaram para uma conversa e nem sei se voltarão a fazê-lo.

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

OS QUE FAZEM FALTA e OS QUE SOBRARAM (102)


HENRICÃO SE FOI: A SAÍDA É SE EMBRENHAR NAS QUEBRADAS DO PAÍS – DESORIENTADO...
Na abertura de seu facebook
Henricão, o engenheiro que não se conformou em virar suco (vide o título do filme, “O Homem que virou Suco”) descobriu tempos atrás que o grande negócio era escapulir país adentro e cair nas entranhas do que ainda resta de saudável neste país. Fechou seu bar, o “Coisas da Roça”, que tanta gente aglutinava e mineiramente foi mais pra dentro do mundo. Henricão descobriu a falência das cidades médias e grandes e nelas não quis mais viver. Fugiu pra mais longe, pra um lugar onde pudesse de fato, estar com um pé no mato e outro na civilização, uma pequena cidade, Pirajuí, enfim, todos precisam continuar sobrevivendo e ganhando alguns caraminguás para sobreviver. Ele foi sobreviver nas beiradas do Mato Dentro. Hoje, um golpe foi enfiado goela abaixo deste país e muita gente quer fazer o mesmo, mas a maioria continua onde está por falta de oportunidades, de lugar para onde ir, daí continuamos nesse mundão de fazer doido. Os que puderam e souberam se safar já se foram há muito tempo. Henricão um deles. Escapuliu dessa inquietude de viver entre uma dita gente que se diz normal, mas estão todos doentes, dos pés à cabeça. Vivia assinando pequenos projetos, rindo muito e sem grandes envolvimentos políticos. Cansou. Morreu sem sofrer, rápido, tipo vapt-vupt. Vejam o que amigos (as) disseram dessa macanudo, baita sujeito, desses que deixa saudade e me faz pensar sobre dos motivos de ainda querer continuar morando numa média cidade e não me enfurno pro meio desse mundão:

"Luly Zonta está se sentindo muito, muito triste. Conheci nos tempos da faculdade em Bauru um mineiro gente boa de Juiz de Fora, chamado Henrique José Hargreaves Carvalho... Ele era o engenheiro de hidrelétrica, que virou dono de bar, aquele simples recanto com cachaça, prosa e comida mineira boa e em quantidades fartas. O Coisas da Roça fez história! E quantas histórias temos para contar da gente e do bar?! O Henrique era parte da nossa família e inda agora chega a notícia de que o coração do "cumpadi" parou de bater, lá no sítio em Pirajuí... o pranto tá solto e o coração tá apertado demais.", jornalista Luly Zonta.

"Última prosa com o Mineiro - Caro Henrique: Mesmo distante e tantos anos sem te ver, posso ouvir com uma nostálgica perfeição, que hoje tá doendo pra caralho, o “r” do “Marcinho” que você carinhosamente e mineiramente me atribuía nas deliciosas noitadas do “Coisas da Roça”, ali na Araújo Leite, primeiro lá embaixo e depois mais pra cima, quase em frente à Telesp! Sim, havia a Telesp! E o Diário de Bauru, na Antonio Alves, a uma quadra do bar, restaurante, nossa casa por algumas horas, claro que você se lembra, que bobo eu sou, ficar aqui explicando uma coisa dessas logo a quem! A gente saía do jornal e ia pra lá. Tomava uma no balcão contigo antes de ir pra mesa. Mais tarde, era o inverso: você é que ia pra nossa mesa. Sabe o que é mais engraçado? Que quase todo dia a gente estava no seu bar depois do trabalho. Aí, aos sábados, o pessoal marcava de sair. Um ligava pro outro de suas casas. E adivinha pra onde íamos? Hehehe... Verdade, coisas de loucos. Você certamente também se lembra de como éramos tão jovens naquelas noites! E ficávamos ainda mais vigorosos ali, discutindo política, futebol, jornalismo e outras bobagens da vida. No fundo, o legal era “conversar sobre isso e aquilo” (Adoniran) sem medo de ser feliz, porque a gente ainda acreditava pra valer, né? Acreditava pelos poros, por assim dizer. Mas em quê? Pois é, aí é que está, meu velho. Em Coisas. Coisas de futuro. Coisas de jornal. Coisas de bar. Coisas de amor. Coisas de jovens. Coisas da Roça. Por que você acha que a certa altura da noite, depois de ir e vir muitas vezes entre o balcão e a nossa mesa, você se levantava decidido e fechava a porta, e a prosa continuava a toda? Por isso mesmo! Porque, sem acreditar, ninguém fecha a porta por dentro para se guardar com os amigos. Até que não tinha mais jeito e era preciso tirar o talão de cheques do bolso. Sim, a gente ainda usava cheques! Coisas do passado. Se algum ficou sem fundos, perdoa, tá? Palco de risos e lágrimas. Sim, a gente também chorava ali naquelas mesas. Coisas que a amizade engendra por baixo da toalha. Henrique, seu bar prova a tese (alguém já deve ter escrito sobre isso) de que são os lugares que passam pela gente, e não o inverso. São os lugares que ficam na gente, e não o inverso. Quem viveu “Coisas da Roça” vai carregar as cadeiras, as mesas, os copos e também toda a estrutura física que nos protegia da chuva, do vento e do frio. Vamos carregar pra sempre. Não importa quantos outros bares tenhamos que carregar, vamos carregar o “Coisas” com você dentro, entende? É isso aí, Mineiro. Boa viagem pra ti. Por aqui, a prosa ficou mais curta. E a roça, mais triste. Coisas da vida, meu caro. Novamente com a licença do Adoniran, “Coisas que nóis não entende nada”, jornalista Márcio Abecê.

“Proprietário de um dos bares mais tradicionais de Bauru na década de 1990, o Coisas da Roça, Henrique José Hargreaves Carvalho, 64 anos, foi encontrado morto em casa, na manhã desta terça-feira (8), em Pirajuí. Engenheiro por formação, ele era presidente da Associação Pirajuiense dos Arquitetos, Agrônomos, Engenheiros, Técnicos e Tecnólogos e prestava serviços para o Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae) da cidade. Segundo amigos, Henrique sofreu um infarto, mas não foi possível precisar o horário de sua morte. A última postagem dele em uma rede social foi feita às 23h de domingo e, devido à falta de notícias durante toda a segunda-feira, amigos foram até sua residência e o encontraram em um cômodo que funcionava como escritório, já sem vida, por volta das 10h30 de desta terça-feira. Mineiro de Juiz de Fora, Henrique é descrito pelos amigos como um homem que gostava das coisas simples da vida e da tranquilidade trazida pelas cidades do Interior. Em Bauru, manteve o Coisas da Roça nas ruas Antônio Alves e Araújo Leite. O bar ficou conhecido pelo ambiente descontraído, pelo cardápio mineiro, pela música boa e pelas famosas cachaças. Há mais de uma década, Henrique havia se mudado para Pirajuí, onde voltou a trabalhar como engenheiro. Ele deixa três filhas. O corpo será velado e sepultado em Juiz de Fora, cidade onde sua família reside”, texto do Jornal da Cidade – Bauru, 08/08/2017.
Henricão chamava tudo assim: "DESORIENTADO".

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

CENA BAURUENSE (163)


ENFIM, O QUE PENSAM OS REPRESENTANTES DAS “FORÇAS VIVAS” DE BAURU SOBRE A SITUAÇÃO ATUAL DO PAÍS?

Essa pergunta me instiga a escrever esse curto texto. O golpe foi sacramentado e as transformações vieram despejadas com uma rapidez pouco crível. Montou-se um vale tudo com o dinheiro da sociedade, cuja regra é a falta de princípios, tanto que o ilegítimo presidente hoje é um dos mais impopulares da história. Na Câmara dos Deputados, no Senado Federal, nas Assembleias Legislativas, nas Prefeituras e Câmaras de Vereadores, além de quase todas as instâncias do Judiciário, controle absoluto da nova mentalidade. Houve um mais que perceptível redirecionamento para uma renovação de ultra direita e impulsionada pelo dinheiro advindo das empresas brasileiras.

Não se conhece ainda com precisão o percentual da participação do empresariado e das instituições nacionais nessa mudança de patamar na condução do país. Estariam todos dispostos a fazer negócios com o atual Governo? Estariam todos aceitando tudo o que foi feito e concordando com todas as mudanças? Que comparação fazem esses do país que tínhamos, da legislação até então existente e essa pela qual os golpistas nos enfiaram? Concordariam todos com essa nova forma de opressão ao trabalhador, restringindo sua capacidade de se aposentar com vida e praticamente eliminando uma legislação em sua defesa?

Vejo as instituições patronais todas associadas e dando apoio irrestrito para tudo, com declarações onde avaliam como avanço, algo dentro de uma “necessária modernidade” (sic) pregada pela FIESP, Associações Comerciais e todas as demais patronais. Mas, a pergunta que ainda falta responder, o que pensa de fato o empresário brasileiro. Gostaria de ver uma resposta para esses questionamentos e não serei eu quem o conseguirei. Outros estão em condições de fazê-lo. A mídia massiva como a conhecemos, representada pelo jornal, TV e rádio estão aptas a fazer isso. Mas querem fazer isso? Estariam dispostas a expor o que pensam os empresários, enfim, elas também precisam se posicionar, deixar claro onde estariam situadas nos dias de hoje.

Entendo que aqui em Bauru, quando criaram o termo “Forças Vivas” o fizeram somente com o intuito de definir os representantes de uma elite endinheirada e dona do poder local. Como esses todos estão reagindo a tudo o que está acontecendo? Daí me ponho a citar nomes de quem gostaria de ver opinando sobre esse momento brasileiro, para deixar bem claro para, no caso bauruense, um posicionamento definitivo sobre o que e como pensa os endinheirados desta cidade.

Imagino uma ampla reportagem e nela a opinião de, por exemplo, quem está no comando dessas empresas e instituições: Unimed, Confiança, Tilibra, Expo Arco, Lume Light, Panelão, Unesp, ITE, Prefeitura Municipal, Burgo, Kuekão, Unidas, Plasutíl, Expresso de Prata, RIL, FIB, Preve, Pires, 94 e 96FM, Paschoalotto, Noroeste, Revista Atenção, COC, Alto Astral, Avallone, D’Incao, Jalovi, Tanger e isso podia ser estendido para as nossas construtoras, imobiliárias, escritórios de advocacia e tudo o mais. Será que todos, estão apoiando tudo como se deu e não enxergam nada de exagero no que já foi aprovado e no que virá pela frente? Será que pensam somente nos benefícios próprios, nos próprios anéis ou também no que está ocorrendo com o trabalhador, o aposentado, os menos favorecidos, enfim, a maioria da população?

Mino Carta, um jornalista das antigas é muito duro quando define a elite brasileira: “A palavra elite soa-me inadequada, por presumir, entre outras, qualidades intelectuais, primazia cultural, saber. No caso, aludo à conciliação das máfias que mandam neste país infeliz, cada vez mais insignificante e tragicamente ridículo, onde só pensam neles próprios e nada mais”. A elite bauruense se enquadraria exatamente dentro deste perfil ou ela possui algum tipo de linha de pensamento e ação desdizendo tudo o que já ocorreu com o Brasil após a saída de Dilma?
Como gostaria de saber a opinião desses todos. Qual o melhor caminho para conseguir obter esses dados? Alguém conhece o pensamento desses e poderíamos iniciar um amplo debate sobre o assunto? É a minha proposta para hoje.

OBS.: As fotos são meramente ilustrativas e representam alguns dos segmentos pelos quais seria de bom alvitre conhecer a linha de pensamento e ação nos tempos atuais.

terça-feira, 8 de agosto de 2017

COMENDO PELAS BEIRADAS (43)


ISTO SIM É UMA VERGONHA, MAS ATIRAM TODAS AS PEDRAS SÓ NOS COSTADOS DO POVO

Sessão da Câmara dos Vereadores de Bauru é, infelizmente, um lugar pra endoidecer gente sã. Sabe aquilo do cara jogar pedra no telhado do vizinho e manter o seu descoberto? Pois bem, isso é mato hoje, ou seja, cresce e viceja que é uma belezura. Para começo de conversa um lugar onde todos, dito por um deles, votam unidos, coesos e de comum acordo. O que pode parecer ser algo saudável, não o é, pois se compreende um acordo de bastidores e sem nenhuma possibilidade de nenhum deles "mijar fora do penico". Esse fazer fora do penico é a oxigenação tão necessária na atuação política. Ninguém lá, pelo jeito, pensa diferente. Podem até existir diminutas diferenças, mas na hora do voto, cravam tudo de comum acordo. Pior impossível. Como ninguém até o presente momento teve a coragem de desdizer o que foi dito, pelo jeito a coisa é verdade e regra. Isso sim é uma grande vergonha.

Então, falava da sessão de ontem, segunda, 07/08. Fica mesmo bonitinho os vereadores virem a público com gravações variadas pela cidade e publicadas em suas páginas nas redes sociais e expostas quando da fala na sessão. Tem um deles que agora deu para falar grosso com o povo, tascando palavras de nível não muito elevado para o que vai encontrando cidade afora. Vi semanas atrás o mesmo mostrando móveis velhos jogados no meio do canteiro central da principal avenida do Mary Dota e tascando a lenha em que o fez. Ontem vi outro vídeo de sua esmerada produção artística, ele ao lado do buraco das Nações, o com os trilhos por cima e clamando aos céus que, a Prefeitura faz tudo direitinho, pintou os muros e um povinho "sem eira nem beira" vai lá e estraga tudo. Mostrou a pintura nova do lugar e uma pichação num dos cantos. Concordo que as críticas até possam ser válidas, mas para qualquer um desses vereadores bauruenses não pega muito bem jogar pesado contra o povo e eles, votando tudo em bloco e até fugindo de enfrentar o povo, como na votação da aprovação da lei que criminalizou festas populares na periferia e repúblicas. Pois é, naquele momento, votaram antes do povo chegar e picaram a mula, fugiram e agora se arvoram de bons mocinhos. Não teria sido aquilo uma grande vergonha? Poderíamos fazer um vídeo contra eles todos e divulgar por aí.

É muito fácil enxergar o erro do outro e não o seu. Vereadores bauruenses fazem isso desmedidamente hoje, sem nenhum tipo de pudor ou rubor nas faces. Esse texto é um toque, uma pequena lembrança para que se olhem no espelho antes de tacar a pedra diante do erro alheio. Daí, impossível não se lembrar de uma velha canção do nosso cancioneiro, "ATIRE A PRIMEIRA PEDRA", do Ataulfo Alves:

"Covarde sei que me podem chamar/ Porque não calo no peito dessa dor/ Atire a primeira pedra, ai, ai, ai/ Aquele que não sofreu por amor./ Eu sei que vão censurar/ O meu proceder/ Eu sei, mulher,/ Que você mesma vai dizer/ Que eu voltei pra me humilhar/ É, mas não faz mal/ Você pode até sorrir/ Perdão foi feito pra gente pedir". Pelo visto, esse vereador em especial não perdoa os outros, mas não vê nada de errado no seu proceder. Recomendo clicar a seguir e ouvir a balada na voz inesquecível do Ataulfo: https://www.youtube.com/watch?v=QRTaywhML7c

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

BAURU POR AÍ (143)


ALGUÉM ME QUESTIONA: DEVE SER DIFÍCIL VIVER NO INTERIOR DE SÃO PAULO. TENTO RESPONDER
Como é bom ser tema de uma conversa lá bem longe do Brasil. Explico. Recebo um recado via reservado das redes sociais de uma amiga carioca: “Estou no México por alguns dias. Meu filho de 18 anos está morando aqui. E anteontem, no sábado, me reuni com cinco amigas brasileiras que moram aqui. Eu as conheci no ano passado em movimentos de brasileiros no México contra o golpe. E uma delas acabou de voltar do Brasil, de um ano sabático. Ficou na sua cidade natal, Rio Claro, interior de SP. Falou que nunca havia se dado conta do grau de conservadorismo e coxinhice dos rioclarenses. E disse, em seguida: os interioranos são um horror. Só que EU retruquei. Conheço uma pessoa de Bauru.....”.

Orgulhoso fiquei e escrevo agora sobre as dificuldades de tocar a vida no interior paulista. Como já é sabido até pelas pedras do reino mineral, o estado mais poderoso da federação é também o mais conservador. Enquanto o coronelismo está em baixa no restante do país, principalmente no Nordeste com o enfraquecimento da clã familiar de ACM na Bahia e dos Sarney no Maranhão.
Em São Paulo já são 25 anos do jugo de governos tucanos, sob o implacável tacão neoliberal do PSDB. Esses se escondem sob o manto de um falso modernismo, mas na verdade, são conservadores, capitalistas à moda antiga, onde mandam e impõem o bico calado como regra do jogo. Quem tenta entrar no caminho desses, cruzes, padecerá pro resto dos seus dias no pior dos mundos. Conseguiram nessas duas décadas e meia incutir na população paulista o estado da cega obediência, pois mesmo em caso de matarem a mão do sujeito ali na frente dele, se safam como os mais ingênuos inocentes. Contam com o beneplácito de um Judiciário totalmente subserviente, bancado por um dos mais altos salários da nação. Tanto que seu mais importante líder nos tempos atuais, o atual governador, Geraldo Alckmin, recebeu um nome dos mais peculiares e advindo das denúncias de desmandos, constando da lista dos beneficiários da empreiteira Odebrecht como simplesmente, SANTO.

Sim, viver no interior paulista não é tarefa das mais fáceis. Das duas uma, ou a pessoa abaixa a cabeça e segue resignado pro resto da vida e talvez receba alguma benesse, talvez na forma de um empreguinho, mas seguindo pro resto da vida de bico calado, sem dizer nada de tudo o que enxergará ali diante dos seus olhos. Do contrário, seguirá vivendo dentro de um regime de terra arrasada, ou seja, a lei sempre recairá sob sua cabeça da forma mais dura possível, implacável e inexorável.
Tucano é um bicho vingativo, cruel e insano. Vingativo a extremo, sempre pronto a aplicar uma rasteira no adversário. Sendo inimigo, a admoestação será num grau muito mais elevado, beirando algo como viver completamente à margem de tudo. A saída, que é o meu caso e de outros tantos é nos unirmos. “Boi preto anda com boi preto”, diz um ditado popular. Pois bem, unidos uma real possibilidade de levar uma vida pouco mais agradável, palatável e alegrinha. Impossível se buscar a felicidade no meio da desgraceira provocada por gente da laia dos tucanos, mas quando você acaba encontrando um grupo de pessoas pensando e agindo como ti e contra o baú de maldades despejados diariamente sob nossas cabeças, algo como encontrar um oásis no meio do deserto. A população paulista, sua maior parte, segue bestializada, emburrecida e dizendo amém a tudo o que lhe é imposto. São cegos e, na verdade, desconhecem tudo o que lhe aprontam. Por outro lado adoram paparicar poderosos, ou melhor, adorariam chegar ao estágio deles, sem entenderem que nunca o conseguirão, mas continuam tentando, esforço de uma vida inteira. Os apartados disso, seguem unidos e nessa união, a única possibilidade de sobrevivência nesse imenso lodaçal que se transformou o tal estado, considerado até tempos atrás, locomotiva da nação.

domingo, 6 de agosto de 2017

MEMÓRIA ORAL (213)


QUER COMER BEM? FUJA DE LUGARES CAROS - OS MAIS SIMPLES APRESENTAM IGUARIAS INIGUALÁVEIS

A lição do título deste escrito eu a reafirmo na Argentina, mais precisamente num dos seus lugares mais simples e populares, o bairro de La Boca, pertinho do estádio do Boca Juniors. Após o grupo brasileiro ter gasto valores consideráveis em restaurantes de fachada bonitinha, mas de comida de gosto discutível e preços nada módicos, eis que na tarde da última quarta, 02/08, hora do almoço, após recusas para se sentar junto aos restaurantes na quadra do comércio do bairro, escapulimos para as quebradas, ruazinhas coloridas nas transversais da movimentada rua comercial e por indicação de Cláudio Goya, procuramos um restaurante que ele havia conhecido anos atrás, no simples, modesto, popular Mercado de La Boca.

A simplicidade se fazia presente. Na cara não ser ali um local de e para turistas, mas para a população local. Nas barracas do mercado, desde roupas e alimentação, tudo com um preço bem diferente daquele oferecido ao turista. Primeiro vasculhamos o local e lá nos fundos, ao lado de um sebo e loja de antiguidades, o tal restaurante. Goya nos confirma: "É esse mesmo". Todos se sentam e primeiro perguntam sobre o cardápio do dia. Nada de uma apresentação refinada, mas pela boca do proprietário, a informação do que está sendo servido naquele dia. Enquanto cada um escolhe o que comer, eu adentro o sebo e fico vasculhando os livros. O proprietário percebendo tratar-se de turista, diz algo sobre uns livros raros, mas me interesso pelos CDs. Ele me fala de cada um que escolho, cinco no total. "São 30 pesos cada", diz. Pelos meus cinco cobra apenas 100 pesos e ao localizar um folheto da eleição que se aproxima, pergunto se os candidatos que faz campanha são da esquerda:


- Sim, me diz. Aqui em La Boca não dá para apoiar outra coisa. Já fomos enganados demais e esse presidente atual, mesmo já tendo sido presidente do Boca, não faz nada por nós, aliás, só faz contra o povo. Defendo candidatos de esquerda. Essa eleição que se aproxima é para votarmos em listas e daí, os mais votados serão candidatos de fato na eleição de outubro. Estamos em plena campanha.

Pergunto de Cristina Kirchner, pois não vejo nenhum papel de sua campanha na cidade. "Nem vai ver, pois ela não é candidata aqui de Buenos Aires e sim da província onde reside". Explica sobre como se processa a eleição deles e me auxilia a escolher os CDs. Ficaria mais tempo ali papeando, mas a comida já estava sendo servida numa mesa montada só para o grupo ali na frente. Escolhi um bife a milanesa com batata doce, Ana com purê e assim por diante, com filés e quetais. os vinhos disponíveis estavam todos colocados em cima do balcão e três foram levados para nossa mesa.

Mal começamos a comer e da mesa do lado, dois senhores nos reconhecendo brasileiros puxam conversa. Um vem até a mesa e me mostra o jornal do dia com a manchete do golpista Temer sendo confirmado pelos deputados brasileiros. Retira a página do seu jornal e me entrega: "Leve, é sua. Quero que saiba como os jornais daqui retrataram o que acontece em seu país". Não desiste de conversar e me traz uma taça de vinho e pede para provar. Trata-se do Vasco Viejo. Provo. Não é dos meus preferidos, mas não refugo a taça inteira e o assunto de prolonga. Vou até sua mesa e me apresenta o amigo. Quando lhe pergunto seu time, a surpresa:

- Sou River Plate.

"Mas como", lhe questiono, enfim estamos no reduto do adversário, o Boca. Ele ri e me leva ao dono do restaurante, outro torcedor do River e lá nos fundos lendo outro jornal, um senhor debaixo de cartazes do River. Descubro serem todos torcedores do River e um deles me explica: "Aqui pode. o pessoal do bairro respeita muito a gente, somos daqui e entre nós predomina o respeito, mas isso não serve para todos. Para nós, vale".

Não me lembro do nome de nenhum deles, eis nossa falha, ninguém registrou o nome de ninguém. Não nos preocupamos com isso, mas ficou registrado a simpatia reinante naquele ambiente. Goya num momento diz: "Sou muito exigente com restaurante refinado que propõe algo e não correspondem, cobram muito e a comida deixa a desejar, mas com esses, os simples, a proposta é essa que estamos vendo e daí, vão comprovar, simples, ótimos e com preços justos". Foi exatamente o que ocorreu. Pedimos a conta e o proprietário vem fazer a soma junto de nós. Não saiu por 80 pesos para cada (cada cinco pesos vale um real).

Não resisto e lhe digo ter sido um dos melhores lugares onde comi, comida honesta e preço justo, além da receptividade inigualável. Ele sorri, me deixa tirar fotos do local e conta histórias do lugar. Diz ser uma casa onde sua família toda trabalha e atende basicamente o pessoal do bairro. Os dois amigos da mesa do lado se intrometem na conversa e dizem frequentarem ali sempre, pois é o que podem pagar. A conversa flui e escapo dela por instantes para me despedir do senhor do sebo. Ele sai para fora e se junta ao grupo. Na coletiva despedida digo que queria muito comer algo e se eles sabiam onde poderíamos encontrar "morcilla" (para nós, o popular chouriço). Cada um indica o mesmo lugar e aponta um lugar na saída do mercado.

Trocamos abraços coletivos e saímos todos para comprar a morcilla e saciar meu desejo, todos conversando sobre o mesmo assunto: mesmo com toda simplicidade, foi para todos um dos melhores lugares onde a comida foi farta, bem servida e satisfez a todos. E assim comprovo o que postei como título deste texto: lugares simples, na maioria das vezes são lugares muito mais agradáveis (em todos os sentidos) do que os rebuscados e cheios de rococós. E além de tudo, acredito não seria tão fácil conversar tão animadamente e de forma tão calorosa em nenhum lugar de comprovado refino. Daí, continuo, mais e mais, me afundando nas "quebradas do mundaréu", onde praticamente tenho muito poucas decepções.