domingo, 28 de maio de 2017

COMENDO PELAS BEIRADAS (40)


DOMINGO PEDE RUA

1.) E PARA NÃO DIZER QUE NÃO FALEI DE FLORES...

Hoje, daqui pouco, logo mais, na feira dominical da rua Gustavo Maciel, a maior concentração popular e cultural de Bauru, ocorrerá ali nas esquinas das ruas Julio Prestes e Gustavo, junto ao Bar do Barba, outra concentração, a dos que estarão ali reunidos para dizer em alto e bom som um FORA TEMER!. Junto dele estaremos reunindo as possibilidades do que virá pela frente, com um VOLTA DILMA, ELEIÇÕES JÀ, ELEIÇÕES ANO QUE VEM ou mesmo, o mais viável, uma VIRADA DE MESA e com o povo nas ruas, derrubando tudo o que estiver pela frente e reconstruindo esse país em moldes mais palatáveis e vivíveis.10 hs, começa o furdunço lá pelos lados da entrada da feira do Rolo e depois só mesmo quem preve o futuro pode garantir o que acontecerá, desde nada até tudo. Traga cartazes, megafones, apitos, dinheiro no bolso (para pastéis e chopp), bandeiras, estandartes, pincéis, grito entalado na garganta e venha cheio de boa vontade para produzir história e espernear, pois ninguém aguenta mais esse temeroso e sua thurma no poder. Pode ser que apareçam somente umas dez pessoas e a gente não consiga nem estralar um sonoro peido coletivo, mas pode ser que surjam mais de 50, vindos de todos os lugares e a gente suba e desça a feira cheio de gás. Vai depender de todos nós. Extensivo a tudo, todas e todos os ainda sensíveis deste país. Você vem???
HPA e todos os Fora Temistas deste mundo.

2.) RUA E FEIRA, UMA MISTURA QUE SEMPRE DÁ MUITO CERTO
Lá estivemos ao lado dessas rebordosas pessoas e foi uma alvissareira manhã dominical,quando além do sempre presente FORA TEMER, a real e concreta possibilidade de papos estrepidantes e peripatéticos. Permanecendo em casa, nada disso seria possível, daí a certeza de que, rua é mesmo o melhor negócio. Pelas fotos, uma certeza, todos não suportam mais o país comandado pelos golpistas capitaneados pelo ilegítimo Temer e mais que isso, outra certeza, a solução só sairá nas ruas e não nos desvãos de imundos palacetes, como nos querem fazer aceitar. Nós, aos assumidos rueiros buscamos uma alternativa que saia do anseio advindos das ruas, onde o povo se encontra. Confesso não termos chegado a conclusão alguma, mas o assunto foi muito bem discutido. E continuará logo mais nos próximos encontros, pois mais e mais, tentando e insistindo, assim chegaremos a um denominador comum (ou até mesmo fora dele).
HPA - reflexões tiradas sob o efeito de uma pequena dose de cevada gelada...

3.) ESSA FALA DO REQUIÃO É PRA LEVAR MUITO A SÉRIO
O desGoverno golpista do ilegítimo Michel Temer jogou a soberania brasileira na lata do lixo. Pelo que o senador paranaense Requião, um dos únicos do PMDB ainda confiáveis, uma declaração não polêmica (dos golpistas sempre esperei tudo de ruim), mas demonstrando que o baú de maldades está se comprovando: entregaram o país de vez para os EUA decidir nosso destino. Voltamos a ser quintal deles e a subserviência predomina, com entrega de tudo o que nos resta para nosso maior algoz. E diante disso tudo, como continuar indiferente e não querer voar na goela desses entreguistas de merda? Aldir Blanc disse dia desses a frase que me guia para as próximas ações: "Não se derruba governo sujo com rosas".
HPA - entrando em estado de permanente alerta para o que de e vier...

4.) "FORA TEMER" EM COPACABANA E BAURUENSE JOÃO BIANO NO PALCO
Diante da imensa manifestação montada hoje na praia de Copacabana pelo FORA TEMER, quem acaba de cantar foi a banda Monobloco, do Pedro Luís e nela quem canta junto do líder do grupo, dividindo o centro do palco. Nada menos que João Biano, nosso baita negão, voz mais que aprumada e com um grito entalado na garganta. Biano não precisa provar mais nada pra ninguém, pois já está com seu nome consolidado no cenário da música brasileira e, como vejo agora, sempre antenado e ao lado das mudanças tão necessárias para devolver a normalidade ao país. Sobe no mesmo palco onde já cantou agorinha mesmo Caetano Veloso e Milton Nascimento. Um viva para esse bauruense que nos representa na grande manifestação contra esse desGoverno necessitando ser tirado na marra do poder. Enquanto minha TV aberta e mesmo nos canais por assinatura só passavam filmes, futebol e um falso noticiário, fui buscar pelas vias alternativas assistir o que movimenta o país hoje, a repulsa aos temerários, o grito vindo lá do Rio de Janeiro. E Biano gritou bem alto lá do palco: "FORA TEMER!".
Ontem em Zurique, Suíça e com bauruense no meio, a "M".

sábado, 27 de maio de 2017

PERGUNTAR NÃO OFENDE ou QUE SAUDADE DE ERNESTO VARELA (123)


“CRÔNICA DA DEMOLIÇÃO”, UM VÍDEO MAIS QUE PERTURBADOR – BAURU NA JOGADA


Quem procura acha. Não fico atento ao que rola somente num canal de TV, numa emissora de rádio, num jornal. Quem se prende a somente uma linha de pensamento, acaba repetindo ad eternum coisas impostas e o sujeito deixa de pensar. As ideias ficam cada vez mais lentas. Com o tempo, nem mudar de canal ele mais consegue. Estará definitivamente perdido e dominado. Pois bem, fuçando aqui e ali descobri que está sendo lançado um documentário do diretor Eduardo Ades, o “Crônica da Demolição”. Trata de edificações grandiosas espalhadas país afora e que, por motivos ditos para alavancar esse tal de “progresso” são colocados abaixo. Os motivos da destruição do passado são muitos e vão desde a especulação imobiliária pós ditadura-civil-militar, o poder de destruição do meio de condução/locomoção denominado automóvel e na conjunção disso tudo, algumas edificações passam a ser considerados velhos demais (ou lucrativos de menos) e são descartados da paisagem urbana brasileira.


Bauru tem exemplos grandiosos nesse quesito, como não podia deixar de ser. Enfim, estamos inseridos nesse contexto de que sem o tal do “mercado”, não nos resta outra alternativa de vida. Em Bauru um economista dita isso como regra de vida, repete isso o dia todo, em artigos de jornais e na fala diária numa de nossas rádios. Sem o mercado o caos, prega e repete como mantra. Bestial demais isso, viver submisso a uma lei onde o trabalho está totalmente desprezado e o que vale é investir, auferir lucros, especular e que se dane o resto. Daí, para derrubar edificações antigas é um pulo. Aqui na cidade já colocaram abaixo um modelo de praça, como o da antiga praça Rui Barbosa, tudo para dar lugar a espaço vazios, onde é mais fácil fazer a segurança das pessoas (sic). A nossa Polícia Militar pensa desta forma e jeito. Os ditos progressistas gostam muito de concreto exposto e ar livre, daí, ponha-se abaixo prédios antigos, cheirando a mofo. O Automóvel Clube que se cuide. O Aeroclube vai ser motivo de continuado assédio até conseguirem o intento daquilo tudo estar loteado de prédios e mais prédios, todos arranhando os céus e pondo uma cá de cal no passado.


Volto para o documentário. Sua estreia ocorre num momento em que o Brasil é implodido mais uma vez. O prefeito paulistano derruba paredes tombadas pelo patrimônio histórico, numa edificação com gente dentro, tudo para varrer do mapa os indesejáveis mendigos e drogados, párias humanas no caminho do progresso. Pois bem, não podia ser mais oportuno. Crônica da Demolição desponta ali para demonstrar o quanto existe de bestialidade nas atitudes humanas. Disputa entre poderosos são ininteligíveis. O filme retrata isso, mais uma fria e crua história de poderosos contra poderosos, com um olhar sobre uma peça de renomado valor sendo colocado abaixo no ano de 1976, o Palácio Monroe no Rio de Janeiro. Era majestoso, mas estava no caminho do metrô. Foi impiedosamente derrubado e o metrô não passou debaixo daquela área e nem seria preciso tal atrocidade, mas já está feita.
Aeroclube Bauru: Para especulação imobiliária isso aqui não diz nada...


Bauru vê se aproximando a queda dos seus ainda em pé Palácios Monroe (antiga sede da Câmara dos Deputados e Senado da República). Já citei aqui o Automóvel Clube e o Aero Clube. Quanto tempo resistirão? O que menos vale hoje com esses insanos no poder são o respeito a leis de patrimônio. Passam por cima destas com trator e tudo. Que se cuide a Estação da NOB, a da Cia Paulista, a Panela de Pressão (ainda útil, mas até conseguirem o tal novo Ginásio), o barracão da Cia Paulista defronte a Feira do Rolo (lugar ideal para o hoje proposto Mercadão), pois se tornando obstáculos, virarão pó. Fiquemos com o documentário, podendo ser utilizado como alerta. Eis o trailer do filme:https://vimeo.com/141722942. Ali numa fala isso, sobre o que aconteceu com o Rio de Janeiro: “A cidade passou a ser tratada como um pasto de negócios, de interesses financeiros e interesses políticos”. Vejam esse vídeo de Carlos Nepomucemo descoberto no google: https://www.youtube.com/watch?v=V7T_SP4DJG8.

Existe entre nós, embutida e encravada na própria concepção de vida a que estamos submetidos uma tal de “eugenia predial”. Destrói-se o velho para colocar no lugar o novo, de dúbia serventia. O novo precisa ser levantado e a qualquer custo, pois gera ganhos no momento e isso é o que vale, a roda precisa girar e todos nela ganhar a sua parte, o seu quinhão. Dane-se o resto. Pesquisem mais sobre esse tema no próprio google e ampliemos o debate. E é claro deem seu jeito de assistir o documentário.

sexta-feira, 26 de maio de 2017

O QUE FAZER EM BAURU E NAS REDONDEZAS (89)


QUATRO SITUAÇÕES, UMA NAS CERCANIAS DA PRAÇA, OUTRA NO MEU PORTÃO, A DO REFUGIADO SEM EMPREGO E A DO QUE INTERCALA ENTRE DORMIR NA RUA E NUM HOTEL

SITUAÇÃO 1 – Ele mora na Ferradura Mirim e fala muito bem do lugar onde mora. Quando lhe pergunto de lá, sempre me diz: “Nunca tive problema nenhum lá onde moro. Por lá, lugar de respeito, cada um cuida da casa do outro, sem problemas. Problema mesmo tenho aqui pelos lados onde trabalho e ganho a vida”. Seu trabalho é cuidar de carros e para isso saca dos lugares onde circulam pessoas com possibilidades e demarca seu território. Não existe território não demarcado para trabalhadores autônomos e até para guardadores de carro na cidade. Cada quadrilátero é de uma pessoa e ninguém invade o território do outro. Tudo devidamente acertado entre as partes, com entendimento bem definido. A pessoa conseguiu seu espaço, é dele, tem que sustentar e se garantir. Esse meu amigo circula pelo centro da cidade, imediações da praça Rui Barbosa, durante o dia e à noite quando tem movimento na igreja da matriz, como festas e casamentos. Tendo carros de grã-finos lá está ele e ganhando o seu. Mais a noite fica ao lado da choperia Vitória e do Made in Brazil. Uma simpatia, papo dos mais agradáveis, carnavalesco da Cartola e carioca de nascimento. Dia desses estava estacionando o carro na Batista, quarteirão depois na praça e sou abordado por alguém me abrindo a porta do carro. Era ele, sempre sorridente e a me agradecer. Diz que um texto que escrevi dele foi lido pelos seus parentes espalhados mundo afora e o encontraram, deram um jeito de se comunicar. Queria me agradecer. Deu-me um baita abraço ali no meio da rua. Fiquei de ir papear mais com ele lá pelos lados do Vitória. E vou, pois é gente da minha laia, é da rua e da lua.

SITUAÇÃO 2 – Já escrevi muito dela e não para de me chamar no portão de casa. Vive nos trilhos e a cada dia mais enfurnada nas coisas da rua. Tem dias que me aparece no portão com o cabelo pintado e com roupas novas, pede água, sempre uns dois reais e some falando alto pela rua. Tempos atrás os moradores todos daqui estavam preocupados, pois iria parir na rua. Por fim, quando ia nascer, a danada tinha o fone do SAMU de cabeça e a levaram para o hospital. A filha ficou por lá mesmo, pois não deixaram ela trazer para a rua. Já tentou sair da rua várias vezes, vai e volta. É das quebradas, mas com um pé do lado de fora. Tem dias que passa só querendo comida.Noutros só quer dinheiro e quando digo que não tenho, chega a ficar agressiva e isso, porque se diz minha amiga. No dia seguinte nem se lembra disso e tudo começa de novo. Ontem veio suja como nunca havia visto. Disse ter apanhado e estava toda esfolada. Os cabelos ainda recém pintados estavam bonitos, mas o restante de uma sujeira e cheiro muito forte,as unhas todas muito encardidas. Queria água, estava com a respiração ofegante e repetia querer sair das ruas, pois não aguenta mais, fala de voltar pra casa da mãe, mas ouço isso quase todo dia. Muitos já tentaram fazer muito por ela, com lugar decente para ficar, mas o chamado das ruas é mais forte. Volta sempre e intercala momentos de lucidez, banho tomado e como ontem, a degradação em pessoa. Tento conversar mais uma vez, ela me conta detalhes de quem a bateu e nem ouso aqui relatar, mas uma briga nos cantinhos detrás dos matos nos trilhos. Ali acontece de tudo e quem passa pela rua Antonio Alves nem imagina o que rola ali entre os que vivem por ali. Ela um desses. Agora ela some, daqui uns dias, nem sei como, reaparece limpa, me pedindo os dois reais e me diz: “é a última vez, vou sair dessa”. Eu tendo, sempre dou, nem quero saber pra que é, prefiro achar que seja para comida. Muitos aqui torcem muito para que ela dê a volta por cima. Sou um desses.

SITUAÇÃO 3 - VENEZUELANO CARLOS VIVE PRECARIAMENTE EM BAURU E CLAMA POR EMPREGO
Quando batemos os olhos nas manchetes mundo afora, algo mais que aterrador é a situação vivida pelos refugiados. Impossível não se sensibilizar e entender que, com os fluxos humanos, junto da intempestiva saída de grupos humanos de seu habitat, com esses, uma baita carga de sofrimento, angústia e esperança. Viver num lugar sem encontrar nenhuma possibilidade viável de uma vida saudável é algo ainda pouco entendível por quem possui uma estabilidade e um porto seguro para chamar de seu. Muitas vezes nos deparamos com situações muito parecidas com a vivenciada pelos sírios, afegãos, iraquianos e tantos outros mundo afora. Conto abaixo algo de um latino-americano em busca de da estabilidade aqui em terras bauruenses, algo até então não encontrado.

CARLOS ELIMER CORREA FLORES, 39 anos é designer gráfico e aportou no Brasil em 16 de março de 2014, mais precisamente em Bauru. Alimentava a vontade de sair de seu país, a Venezuela e achava ser o Brasil a grande oportunidade de sua vida. Contatado via redes sociais, conheceu alguém em Bauru que o seduziu para vir aqui em busca do tal eldorado. Entrou como turista e trabalhou por muito tempo ilegalmente. O sonho inicial logo se desfez e das promessas, nenhuma se concretizou. Padeceu nas mãos de pessoas não cumprindo o prometido e, na qualidade de clandestino, não via como reclamar. Acabou se submetendo às piores condições de trabalho, com irrisórios ganhos, trocando o que fazia por pouso e comida. Nem isso consegue mais hoje e está na iminência de ser despejado de uma quitinete se não quitar até os próximos dias dois meses de aluguel atrasados. Mas como saldar se nem emprego consegue? Recorre a amigos, conseguidos nas andanças cidade afora e na distribuição de currículos. A esperança é a de conseguir se colocar no mercado de trabalho. Diante de tanto desespero, foi até a Polícia Federal se apresentou, legalizou sua situação e hoje, já com pedido de refúgio nas mãos, está regularizado. Sua especialidade é a criação e vetorizar logomarcas, cartões de visitas, flyers, banners, sites e outras peças gráficas. O desespero bate à sua porta, pois pensava em trazer mãe e um irmão para cá, mas agora, está prestes a perder tudo, até o canto onde reside. Busca ajuda e conta com tudo o que possa lhe abrir caminhos. Por enquanto está morando na Conselheiro Antonio Prado 2-52, apto 3, mas nem sabe até quando. Busca uma luz, algo em que acreditar, conseguir se reestruturar e seguir adiante. “Sou bom no que faço, mas nada consigo, vou de um lugar a outro e as portas se fecham. Quem pode me ajudar?”. Seu fone de contato é 14.997626748.

SITUAÇÃO 4 - ANTONIO DORME VINTE DIAS NUM HOTEL E DEZ NAS RUAS
Ao olhar para os trabalhadores informais e moradores de rua de Bauru impossível não associar com o que está em curso na cidade de São Paulo, administrada por João Dória e com apoio incondicional do governador Geraldo Alckmin, num claro processo de reurbanização da área denominada como Cracolândia, sem nenhum cuidado com saúde pública ou algo congênere. Um desmonte de tudo o que existia, sem nenhuma previsão de internação compulsória para os desasistidos. O que se vê por lá é só barbárie e atrocidades, uma atrás de outra. População de rua sendo tratada como escória e da pior forma possível, sem nenhum tipo de sensibilidade. Aqui em Bauru o tratamento é bem outro, pois a SEBES – Secretaria do Bem Estar Social possui um procedimento, no mínimo de padrões dentro da normalidade quando o assunto é o trato com pessoas em situação de vulnerabilidade. Conto uma história de nossas ruas.

ANTONIO PEDRO, 52 anos, negro, carapinha com poucos cabelos e na região craniana duas cirurgias que o fragilizou, circula diariamente na quadra da rua Rio Branco, entre a Ezequiel Neves e a presidente Kennedy. Permanece por ali todo seu horário comercial e se oferece para cuidar dos carros ali estacionados, mesmo todos eles sendo obrigados a fazerem uso do cartão de Zona Azul. Com aspecto de morador de rua, esse senhor é aposentado por invalidez, após ter um massetamento de crânio em acidente de moto uma década atrás. Sua família reside lá pelos lados do jardim Godoy, a mãe mora no Santa Cecília e ele, com o pouco que ganha repassa parte para sua ex-esposa e a outra tenta sobreviver. Passa vinte dias do mês num hotel de baixo custo, com café da manhã e outros dez, quando a grana desaparece, nas ruas da cidade. Come com o pouco que ganha advindo da boa vontade dos que lhe dão algum durante os dias da semana. Tem dois filhos, um mora em São Paulo e a filha em Bauru, mas pouco os vê, pois cada um possui as correrias diárias e dificuldades idem. Tem boas lembranças dos seus tempos de carteira assinada, na construtora do Pathah e como segurança na antiga Casa Moreira. Hoje, espera pouco da vida, nem sonhar consegue com lucidez, pois só pensa na continuidade da generosidade dos que lhe ajudam, pois assim dorme menos nas ruas e sofre menos de todos os males advindos de quem se submete, não só as intempéries, como tudo o mais que vem junto ao procurar um canto para encostar o corpo durante a noite.

quinta-feira, 25 de maio de 2017

DOCUMENTOS DO FUNDO DO BAÚ (103)


DESMONTANDO A HISTÓRIA DO SANDUÍCHE DE MORTADELA
 Ontem foi um dia de resistência e de muito enfrentamento. Depois da descoberta da sacanagem presidencial e do envolvimento pessoal do ilegítimo presidente, o golpista Michel Temer com falcatruas, irregularidades e procedimentos muito pra lá de protocolais com reús e gente do submundo da ilicitude tupiniquim, nada como o país estar clamando pela sua saída. Caravanas provenientes de todas as partes do país aportaram em Brasília e durante o dia todo protestaram, primeiro contra o Golpe, mais do que comprovado e agora pela deposição de Temer e finalizando com dois motivos: ou a volta de Dilma Rousseff para cumprir o que lhe resta de mandato ou eleições diretas já. Impossível mesmo é continuar o país sob o tacão do Temer.
Muitos ônibus sairiam da região. De Bauru, foram cinco e um deles em especial, tem a melhor história de todos. Todos já estão de volta, sãos e salvos, cheios de histórias da truculência desferida pela polícia, desviada de suas funções para agredir o povo. Foi o ponto negativo de um desgoverno que já acabou e resiste em renunciar, mais pelo medo do presidente, pois perde as imunidades e pode ser preso. Dos cinco ônibus, um deles saiu lotado com trabalhadores do MSLT – Movimento Social de Luta dos Trabalhadores, todos moradores do acampamento Morada da Lua e Cannã, esse mesmo que, só não foi desapropriado no último dia 23, devido a um acordo entre Prefeitura, os ditos proprietários da área e os próprios assentados.
A luta deles é simples. Clamam por um pedaço de terra para chamar de seu e ali residirem, terem um porto seguro, uma casinha e não mendigarem sem eira nem beira. Diante das atrocidades que o país atravessa, esses sempre mais sensíveis resolveram ir protestar in loco em Brasília. Sabe o que fizeram? Locaram um ônibus e conclamaram entre os 800 acampados quem poderia dentre as famílias contribuir com R$ 25 reais cada. A aceitação foi imediata e assim pra lá foram. Difícil deve ter sido a escolha das 45 pessoas a comporem a lotação máxima. Viagem de gente sem recursos é sempre com tudo contado e quando bem planejado, a certeza de sair sem percalços. Foi o que se sucedeu.

Conto agora o detalhe principal da viagem e o que foi uma espécie de tapa de luva de pelica na cara da mediocridade reinante hoje no país. Na maioria dessas viagens reina algo e é espalhado com o vento, a de tudo é pago por entidades sindicais e afins. Essa viagem não teve disso, pois foi custeada pelos próprios acampados. Repete-se também sobre a forma deles se alimentarem, que predomina a distribuição de um sanduíche de pão com mortadela entre todos. Isso viralizou e hoje está na boca de muitos dos insensatos país afora, os que não entendem o movimento, muito menos a luta pela terra no país. São os tais papagaios de pirata, reprodutores de tudo o que ouvem sem questionamentos.
Recepciono a chegada de alguns deles hoje e posto aqui uma só foto, a principal, a que mais sensibiliza. Além de todo o aparato para uma viagem de duas noites na estrada, uma para ir, outra para voltar, levaram no bagageiro um fogão, desses de cozinha industrial, botijão de gás e mantimentos, como arroz, feijão e legumes. Dentre os que voltaram ouço de dois deles, algo sobre a utilização do mesmo. A cozinha para eles merece atenção especial, com horários estabelecidos e organização na feitura, distribuição e limpeza. Levam até pratos de plástico e talheres já pensando em como vai ser a alimentação de todos. Tudo estrategicamente pensado e colocado em prática. O que não se viu foi a tal da mortadela, pois tinham arroz, feijão e cereais, muitos plantados por eles mesmos. Daí, cai por terra a baboseira do tal sanduba e prevalece a sabedoria dos que lutam e sabem como enfrentar cada situação. Cada uma é devidamente tratada dentro de cada momento. Acertam até nisso e deixam de queixo caído os sempre prontos para tudo criticarem, mesmo sem conhecimento de causa.

FRASES (156)


CONFRONTO: PROJETO DE PAÍS FRENTE A UM PROJETO DE COLÔNIA
Num dia onde as escrevinhações andam um tanto engasgadas, prefiro juntar as de outros tantos:

“Do noticiário: "vândalos isso, vândalos aquilo". E a bancada da JBS e da Odebrecht, que depredam as instituições? São vândalos?”, jornalista Londrina, Fábio Alves Silveira.

“Não trate o povo como gado, ele também derruba cercas”, professora Maria Cristina Romão.

“Temer está acuado. Ele pediu para derrubá-lo”, professor Reginaldo Tech.

“Boa estratégia dos golpistas, forjar vandalismo! Rede Globo fator importante na divulgação! Nojo, nojo...”, brasileira morando na Alemanha Rosangela Sanches Stucheli.

“Eco na imprensa: vandalismo, vandalismo, vandalismo, vandalismo, vandalismo, vandalismo, vandalismo, vandalismo...”, escritor João Correia.

“500 BILHÕES de reais aos Bancos todo o ano...mas, vandalismo são vidraças quebradas”, Renato Bueno, o Rap Nobre

“Tem uma bando de vândalos em Brasília. Eu sei, e fomos lá para tirar. Fora Temer, Fora golpistas. Fora canalhocracia. (...) Acho uma graça os coxinhas, golpistas e direitistas afins perguntarem quem financia os ônibus, aviões, trens, barcos e lanches para os trabalhadores se manifestarem e lutarem por seus direitos. A resposta é obvia, são os mesmos que financiam as viagens, boa vida, comida, roupa, lazer, a eles e a seus filhos. Ou seja: Os trabalhadores. Em tempo de crise, me economizem.”, militante social Tatiana Calmon.

“Um Estado policial comandado por um golpista, aplaca violentamente os que o criticam. Ditadura”, editor de livros Murilo Coelho.

“O Povo passa a semana inteira nas filas das padarias e Lotericas dizendo que tem que tacar fogo em Brasília ...jogar uma bomba Matar todo mundo, aí quando fazem isso : Ai o Mesmos começam: Sou Contra a Depredação , Contra o Vandalismo contra Qualquer Forma de Violência . Mais quando o Exército Intervém ai vai : Sou a Favor de baixar a porrada nesses vagabundos , volta Ditadura Bala de borracha neles . Você Não tem opinião Própria , você está dando uma opinião partidária . Igual aqueles a quem você julga você pode estar sendo manipulado por uma mídia Tendenciosa”, agente cultural André Algarra.

“Governo que manda bater em manifestante na Venezuela: ditadura. No Brasil: prevenbindo baderna”, professora Neide Bombonatti.

“ Há um ano atrás este governo e seu conservador Ministro da Educação recebiam o incentivador de estupros Alexandre Frota e o sofisticadissimo amigo dos Revoltados on line, para "dar contribuição" para uma nova escola. Não teria esse ato sido de um vandalismo incrivel? Um ataque ao seu cérebro? Esse patrimônio indiscutível que é o seu, o meu, o nosso, de seus filhos, netos? Quanto gasto teremos para repor os neurônios perdidos, a luz no fim do túnel da sanidade, o sorriso dos que ainda acreditam, e os sonhos arruinados? Calculem!”, Rosa Maria Martinelli.

“Globo diz : Vândalos! E no dia seguinte uns idiotas repetindo: Vãndalos! Acorda Brasil!”, Miguel Axcar.

“Passarinho não cantou nessa madrugada, foi um jeitinho que ele arrumou pra ser camarada" – cantante Edvaldo Santana.

“Os movimentos sociais populares e os sindicatos de trabalhadores devem intensificar as mobilizações de rua nos próximos dias. O conteúdo dos protestos deve conter a bandeira de luta por eleições diretas. Isto significa que os objetivos do golpismo vão se chocar, frontalmente, com a voz das ruas, e vai haver uma clara disputa entre o golpismo e as mobilizações populares, com uma chance clara de vitória para a maioria da população”, militante baririense José Cláudio de Paiva.

“O exército brasileiro sair às ruas e reprimir o povo que protesta, para proteger os ladroes que estão bem instalados nos palácios, ministérios e congresso, tá certo isto?” assessor parlamentar de Limeira, Eduardo Coienca.

“Tem razão quem diz: o que assusta não é o ladrão que chama o exército, mas que o exército o obedeça. Será que há muitas coisas em comum entre eles?”, professora de idiomas, a equatoriana Gioconda Aguirre.

“Brasília, 24.05.2017. O dia que nós, da juventude e classe trabalhadora jamais esqueceremos. A quarta-feira em que Michel Temer, em seu governo ilegítimo e a corja do congresso nacional nos provaram, novamente duas coisas: O medo e o ódio da classe trabalhadora. Armada até os dentes, a burguesia tenta nos intimidar com bombas, gases e porrada. Este é só o começo da nossa batalha, porque não aceitaremos o roubo dos nossos direitos, conquistados com muita luta e sangue! VIVA A CLASSE TRABALHADORA! FORA TEMER E O CONGRESSO NACIONAL!”, ESTUDANTE DA Unesp Assis Dandara Tierra.

quarta-feira, 24 de maio de 2017

CARTAS (175)


ENCONTRO COM A IMPRENSA: MINO CARTA E JORNALISTAS (MINO, AZENHA, FERNANDO MORAIS, NASSIF, RODRIGO VIANA, ELEONORA LUCENA, PAULO HENRIQUE AMORIM, SERGIO LIRIO...)*
* Insistam, o vídeo só começa de fato aos 9 minutos e 34 segundos.

Cliquem a seguir para verem o vídeo:
https://www.facebook.com/CartaCapital/videos/1487211527966923/.

O triste desabafo de Mino, responsável pela mais vibrante revista semanal brasileira, diante do clamor de muitos para que não deixe de escrever seus editoriais semanais na revista e o algo mais sobre a situação de Carta Capital, mal das pernas, como tudo o que ainda defende a verdade factual dos fatos. Ontem, parei tudo o que fazia e deixei a entrevista rolando e só consegui me levantar de uma poltrona aqui existente ao ouvir o final do debate. O sentimento principal é, em primeiro lugar, tristeza e depois, uma constatação em forma de questionamento: por que não conseguimos nos juntar e engrandecer, tornar mais fortes publicações como essa? Perdemos até essa capacidade, a de ler e valorizar o que ainda nos resta de publicações honestas?

Ao termino da audição, sento e escrevo algo para a revista:
"Meus caros Sergio Lirio, Manuela Carta, Nirlando Beirão e todos os de Carta Capital

Em primeiro lugar, vamos convencer o Mino a não nos deixar desamparados. Paro tudo nesta manhã de quarta e nada mais faço sem antes ver e ouvir esse debate ocorrido ontem na Barão de Itararé.

Dele e após prestar muita atenção em tudo, um só pedido: publiquem a reprodução disto tudo na próxima edição. Até como uma espécie de continuidade do escrito de Mino e respaldado por tantas brilhantes presenças, incentivadoras e apoiadoras. Publiquem na edição impressa. Vamos espalhar isso.

Como gostaria de poder ajudar, de dar o que tenho para que a revista continue sendo publicada. Deixei de jogar na loteria faz tempo, mas jogo hoje alguns caraminguás, tudo para que, ganhando, possa ajudar não só no milhão e meio que dará sobrevida para a revista, mas para que algo assim possa ter solução de continuidade por um indefinido tempo. Torçam para que ganhe, pois não me esquecerei do tanto que fazem por pessoas como a mim, necessitando muito de boa leitura, dentro da verdade factual dos fatos, tão em falta hoje em dia.


Vou me desdobrar mais do que já faço para tentar convencer sindicalistas e gente que ainda lê, permanece lúcido e sensato em apoiar a revista. Não se esqueçam, por favor, reproduzam essa entrevista na próxima edição impressa. Quero guardar isso junto de mim e poder ler em vários outros momentos de minha vida.

Quero também, agora que meu mestrado quase chega ao fim, tenho portanto um tempinho a mais livre, enviar mais e mais textos para vocês da revista e em nenhum deles quero receber nada, pois minha intenção é dar meu quinhão de contribuição para que ele continue mais e mais a nos felicitar com o que mais prezo no jornalismo, a seriedade e a verdade estampada em suas páginas.

Baita abracito bauruense do HENRIQUE PERAZZI DE AQUINO - jornalista, professor e pequeno comerciante e também rodeado de pequenas e grandes dificuldades nesses bicudos e odiosos tempos."
A resposta veio em questão de minutos, na pessoa de Sergio Lirio, o diretor executivo da revista:

"Henrique, muito obrigado. Seu apoio condicional, sua leitura, nos honra muito. Forte abraço, Sergio Lirio".

Aos que ainda me leem, ou como Juca Kfouri se comunica com seus ainda leitores, repito aqui para uns poucos que possuem a paciência de darem atenção a este mafuento, "raro leitor, rara leitora". Pois bem, quem foi até o fim dessa aula conjunta, reunião coletiva de resistentes jornalistas, algo salutar: por que não a união de forças para salvar publicações como Carta Capital, Brasileiros, Caros Amigos...
OBS.: Nas duas fotos, algo da manifestação e repressão ontem em Brasília DF.

Meus caros de Página 12 – Em especial Ernesto Tiffenberg e José Pablo Feinmann - 30 ANOS DE PÁGINA 12

Moro em Bauru, estado de São Paulo (hoje o mais conservador do meu país), Brasil e leio diariamente o Página 12 na sua versão virtual. Todo dia, 365 dias por ano, faço uso da tal ”notícia repetida”, uma que muito me satisfaz e nunca me cansa. Tenho comigo algo em especial sobre a imprensa latino-americana: Página 12 é hoje o melhor jornal diário de toda nossa América. Não encontro nada de igual teor no meu país, nem consigo fazer comparação com qualquer outro. Ao abrir a página no site, logo pela manhã, me deparo com notícias de quase todos os países da América Latina, algo impensável nos jornalões brasileiros. E no mais, como diz um ditado popular brasileiro: “boi preto anda com boi preto”. Leio o que bate com minha linda de pensamento libertária, dentro da verdade factual dos fatos e o Página 12 me satisfaz.
Conheci o Página 12 em março de 2007 quanto estive em Buenos Aires para presenciar e escrever texto para uma revista brasileira, a Carta Capital sobre o comício de Hugo Chavez no estádio Ferrocarril, enquanto Busch fazia o mesmo em Montevidéu. Viciei de cara e desde então, o leio todos os dias. Até bem pouco tempo, após um cadastro, recebia um e-mail às 6h da manhã com o link para lembrar e abrir o site. Hoje não mais recebo o toque pelo e-mail, mas continuo fiel e o retorno continua tão intenso quanto antes, sempre em busca das informações mais confiáveis possíveis. No Brasil, dentro da mídia massiva algo parecido só numa revista semanal, a Carta Capital (capitaneada pelo jornalista Mino Carta) e as mensais Caros Amigos e Brasileiros.

Faço esse preâmbulo para chegar ao assunto que me leva a escrever novamente para este diário: os 30 anos hoje completados. Havia visto dias atrás o anúncio de um encarte especial sendo distribuído junto aos exemplares e já pensava em como conseguir tê-lo em mãos. Ao abrir a site hoje, a brilhante solução e num click consigo abrir toda a versão em PDF. Imprimi, coloquei um espiral e passei a ler e guardar junto de algumas edições especiais que faço questão de guardar por aqui. Neste ano, por intermédio de um amigo residente em Buenos Aires, recebi via Correios a agenda do Rep, a Caras y Cartas Mundo Trump e o Anuário 16. Ainda adepto da leitura no formato papel, resquício difícil de ser superado e transportado para o virtual, o que consigo vou juntando aqui em meu escritório. Imprimi desde pouco antes do golpe contra a presidenta Dilma Rousseff tudo o que vocês publicaram sobre a situação do Brasil, dia após dia e tenho hoje um belo calhamaço de mais de 500 páginas contando parte significativa da História do Brasil, numa versão muito próxima dos fatos, muito mais verdadeira do que a dos jornalões brasileiros.

Fiz também questão de imprimir, nesta manhã, todas as 48 páginas do Suplemento Especial 30 Anos e com muita sensibilidade felicito inicialmente por dois textos, o que abre a publicação, “Uma notícia 10.275 veces repetida”, do Ernesto Tiffenberg e o que fecha o caderno, o “La permanência”, do José Pablo Feinmann, um que merecidamente merece ser emoldurado como dessas peças raras e edificantes do jornalismo mundial. A importância de um jornal como o Página 12 conseguir chegar ao feito de completar 30 anos, remando contra a maré é algo merecedor de uma ampla avaliação. Somente com muita credibilidade se chega ao um feito desses.
Desejo vida longa para o diário e que, continue sempre com o mesmo espírito, voltado e crendo piamente nos Direitos Humanos como forma condutora e mola mestra. Sou muito grato a quem me fornece algo raro hoje em dia, um jornalismo voltado para a verdade dos fatos e contra a mediocridade reinando na imensa maioria dos meios de comunicação de massa. Escrevo cheio de emoção e com um único intuito, o de paparicar um pouco todos da redação e reafirmar algo que já é senso comum entre seus fiéis leitores, o de não existir algo igual, tanto no mercado editorial argentino, como brasileiro. Resistam e contem comigo para continuar lendo e os divulgando em meus diários escritos.
Baita abracito bauruense e brasileiro do jornalista e professor de História HENRIQUE PERAZZI DE AQUINO
PS.: Estarei em Buenos Aires entre 29/07 e 04/08 próximos. Uma das primeiras visitas na cidade será no Kiosko do jornal, ali perto do Congresso Nacional, para tentar comprar a edição impressa do dia 22/05, com a capa “Todos contra Temer”, uma quase especial só sobre Brasil, pois quero guarda-la e tê-la para consulta, pois vi nela, naquele dia, muito mais do que encontrei em todos os jornais brasileiros. A verdade dos fatos ali está e, tanto na forma quantitativa como qualitativa, um banho de jornalismo. Se puder e conseguir, gostaria muito de agendar uma visita na redação do jornal e para tanto, conto com a aprovação de seus diretores.

Bauru SP Brasil, sexta, 26 de maio de 2017.

terça-feira, 23 de maio de 2017

CHARGE ESCOLHIDA A DEDO (120)


ESSES CORAJOSOS AMIGOS QUE ESTÃO VIAJANDO PARA BRASÍLIA
Escrevo nesse momento tocado pela emoção. Amanhã ocorrerá em Brasília um ato decisivo na história deste país. Gente do país inteiro estão se deslocando neste momento, a imensa maioria de ônibus e com um único destino, a Capital Federal. Amanhã o DIA D, ou seja, o STF - Supremo Tribunal Federal irá decidir pelo afastamento ou não do inoportuno, inadequado, impraticável, intolerável presidente ilegítimo deste país, o golpista Michel Temer, pego em gravações pra lá de sacanas, ou seja, negociações mais que corruptivas. Se a decisão do Supremo vai ser favorável, ainda não sei, mas sei de tudo o que está em jogo e na cabeça dos atuais juízes daquele instância. Não é deles o motivo de minhas escrita.

Escrevo de gente valorosa, de milhares e milhares de pessoas que, uma hora dessas estão no meio do caminho e rumo ao epicentro dos acontecimentos. São gente de muita coragem, abnegação, os resistentes de plantão, os que não tem medo de colocar a cara a tapa e nem o bloco na rua. Muitos amigos e amigas estão neste barco. Leio seus relatos e tento acompanhar algo da viagem. Isso muito me emociona. Percebo que cada nova parada num posto de combustível gera um novo e auspicioso encontro, de gente na mesma situação. Ali as esperanças de renovam e seguem em frente, cientes do papel histórico que estão a cumprir.

Aqui de Bauru sei de dois ônibus com sindicalistas, gente ligada aos movimentos sociais, dentre os quais muitos professores, metalúrgicos, eletricitários, comerciários, estudantes, aposentados, desempregados e tantos outros. Ouço dizer que mais dois do movimento sem terra também estão à caminho. De Ourinhos outro tanto e um deles também passando por Bauru para pegar mais pessoas. De muitas cidades vizinhas vejo que a movimentação também é intensa. Ou seja, são os fortes, os que com muita disposição, estão enfrentando uma noite inteira de viagem, com saída daqui por volta das 18h e chegada em Brasília, se tudo der certo no início da quarta feira. Com ele, bem juntinho de cada um, vai um reforço significativo, a esperança e o desejo de representar milhões que não puderam ir, mas acompanharão tudo do lado de cá com o coração na mão.

Amanhã será um dia histórico. Leio do aparato de guerra sendo montado nas estradas e entradas de Brasília e isso reforça o desejo de que, mesmo diante de tudo isso, a população lá estará e dirá em alto e bom som que o momento de Temer já se esgotou. Não existe mais nenhuma possibilidade dele continuar no comando do país. Aliás, não existia desde o começo do golpe, dado em cima de Dilma, tudo para esse grupelho fazer e acontecer, humilhando os trabalhadores e colocando a perder conquistas suadas de décadas de muita luta. Nada consegue conter a força do povo quando unido, ciente dos seus atos e pronto para enfrentar os dragões da maldade com afinco. O povo sempre será soberano quando unido. Amanhã, mesmo diante de toda sórdida armação já montada nos arredores de Brasília, o povo haverá de ultrapassar todas as barreiras e se fazer ouvir.


Minha vontade era lá estar, nesse momento em que escrevo, bem no meio da viagem, um recarregando a bateria necessária de vitalidade para tudo o que ocorrerá no raiar do dia. Estive com muitos dos que agora estão na estrada na viagem para Curitiba, quando o ex-presidente Lula foi depor em Curitiba. Aquilo foi para mim algo pelo qual nunca mais me esquecerei. Ser testemunha ocular da História é algo realmente transformador, pois você sai da situação de observador e se transforma em ator. Desta vez não tive como ir, mas tenho certeza que, os fluidos positivos que estarei transmitindo a todos e todas que lá estarão serão importantes para fortalecer a empreitada onde estarão atuando como verdadeiros atores. Não se trata somente de admiração pela garra de cada um, mas um algo mais, algo que sai de cada consciente brasileiro, desses ainda com coragem de defender de fato este país contra o baú de maldades despejado sobre nós neste último ano. Será essa força o condutor da transformação necessária que irá reverter o arbitrário golpe de estado a que estamos submetidos. 

Precisava escrever isso, fazer um desabafo, pois do contrário, acredito nem dormir conseguiria. Viajo com eles todos, mesmo tendo aqui ficado. Estarei com eles em cada lugar, em cada ato, em cada grito, em cada atividade e dos prováveis cem mil pessoas lá presentes, tenho a certeza, cada um deles terá um reforço de centenas de outros, transformando-os na combustão da esperança. O Brasil não merece o atual desGoverno e é chegado o momento desses cairem fora. As reformas que tanto precisamos são bem outras e muito longe das atualmente propostas. Após escrever isso tudo, tento deitar, fechar os olhos e dormir, não sem antes, renovar a esperança de uma grande vitória no dia de amanhã e sem a necessidade de violência. Durmo sonhando com esse país renovado. Prevejo uma grande festa no retorno deles todos.

segunda-feira, 22 de maio de 2017

DIÁRIO DE CUBA (86)


STÉDILE DISSE: "MIAMI É PUT....", OPS, DIGO LUGAR DOS CANALHAS DO MUNDO

No mesmo dia do depoimento do ex-presidente Lula para o juiz Sergio moro na Lava Jata, uma multidão de pessoas o aguardava numa praça no centro de Curitiba. Num palanque ali montado, personalidades e políticos se revezavam ao microfone. Clima degrande expectativa e ansiedade entre todos, os que ouviam e também entre os que faziam uso da palavra. parte significativa do mundo dito esquerdista brasileiro passou pelo microfone na praça Santos Andrade. Um dos últimos e também um dos mais inflamados foi João Pedro Stédile, pessoas das mais influentes do staff do MST - Movimento Sem Terra. Ele sabe ser duro, questionar e ir na veia no exato momento e da necessidade. Dentre sua fala, de aproximadamente uns dez minutos, algo marcou e não pode passar batido, necessitando ser lembrado e levado adiante.

Relembro aqui esse raro momento, onde Stédile, no calor dos acontecimentos e no meio de sua fala diz algo assim: "Miami, essa cidade norte-americana representa e é o local onde está localizada a maior putaria do planeta". Foi ovacionado. Nem terminou a frase e a apresentadora veio lhe cochichar algo ao ouvido. Antes de continuar seu inflamado discurso, fez questão de corrigir: "Sou chamado a atenção e corrijo o que disse. Me desculpem as putas, que não tem nada a ver com isso. Melhoro o que disse. Miami é a capital dos CANALHAS do planeta. Ali, a maior concentração de tudo de ruim que ocorre no mundo capitalista e em escala mundial". Mais poderia ter dito e até completou com um algo mais, mas não consigo lembrar de tudo.



O que faço a  seguir é seguindo a linha de raciocínio dele, complementar com o que acho de Miami. Sim, para começo de conversa, acho o mesmo, sem tirar nem por, exatamente o mesmo, ali é o pior exemplo de todas as incoerências do capitalismo e em escala mundial. Vejo a escória do mundo, a de todos os que produzem bestiais lavagens de dinheiro afora, indo gastar a bufunfa ilegalmente ganha ali naquele reduto. Todos convergem para ali. O lugar parece imantado para receber esses todos, os que juntam dinheiro de uma forma inexplicável. Podem gostar ou não do Stédile, de mim ou da afirmação feita por ele, mas não podem, ninguém o conseguirá, desmontar ou desqualificar o dito, pois ele é de um cirúrgica precisão.

Cito até outros lugares e na mesma laia de Miami. Eu fui para Cuba uma vez e um lugar que nem por sonho tenho curiosidade de conhecer por lá é a tal praia de Varadero. Deve ser uma bosta, ou seja, paraíso do afortunado turismo, dos que vão para encontrar benesses e dizer, não só da perdição da ilha, mas da exaltação do desperdício e da luxúria. Eu vou e quero voltar para cuba para estar em outros lugares e o último lugar que iria seria Varadero. Seria o mesmo que ir nessas muitas praias particulares pros que gostam num lugar o que demoro uma vida inteira para gastar. Cuba precisa de um lugar assim pois ela traz divisas ao país e a grana ali arrebanhada é gasta de uma forma social, louvável. Vou sempre que posso e o dinheiro me permite para a Argentina, mas nunca iria para Bariloche e no Uruguai, a mesma coisa, nunca colocaria os pés em Punta del Este. São cópia de Miami, reproduções espalhadas mundo afora de paraísos onde os que ganham de um jeito fácil gastam também fácil e se mostram para todos os demais. 

O que vale num lugar desses é a opulência, a aparência e a sordidez. Miami não me diz nada no quesito desejo pessoal, mas diz muito no quesito repugnância. os motivos são esses ditos por mim e também pelo Stédile. Poderia discorrer muito mais sobre o assunto, mas acredito já ser o suficiente para confirmar: Miami não é flor que se cheire.

domingo, 21 de maio de 2017

RELATOS PORTENHOS / LATINOS (38)


DOS MALEFÍCIOS DO GOVERNO GOLPISTA (01)*
http://ipitanga.com.br/video-fernanda-torres-denuncia-o-risco-fim-deposito-legal-da-biblioteca-nacional/


O entreguismo é total e absoluto. Para os hoje (ainda) encastelados no poder, existe só uma palavra de ordem: se desfazer de tudo e colocar o que for possível na mão da iniciativa privada, se de fora do país, melhor ainda. Como discutir num nível de compostura com gente deste quilate? Impossível. São entreguistas até a medula. Vejam esse caso denunciado neste vídeo pela atriz Fernanda Torres. Com apreço zero pela Cultura, a gestão Temer movimenta-se para mudar o sistema de armazenamento da literatura até então centrado na Biblioteca Nacional. É o denominado "Depósito Legal", quando tudo o que sai publicado no país é devidamente guardado num local centralizado. São mais de 30 mil publicações anuais. O já ex-ministro Roberto Freire e os seus estão tentando dividir isso com nada menos que uma empresa estrangeira, a Amazon. Entidades de todas as matizes criticam essa participação da empresa privada nas discussões sobre a patrimônio público brasileiro. A atriz foi uma delas, quando disse textualmente que o MinC está em "franco desmonte" e pede "socorro" ao setor. Ver e entender mais essa grande sacanagem dos golpistas com os interesses nacionais, manifestado por todos os lados e se posicionar contrário e quase uma obrigação dos ainda conscientes e a defender o que ainda nos resta de Brasil.

* Penso em começar a enumerar numa série, que acabaria por se tornar infindável, tal a quantidade de maldades dos golpistas sobre os costados do povo brasileiro. Começo com essa, num domingo um tanto longe do computador, da internet e do facebook. Hoje dedicação exclusiva para afazeres nas ruas.
Adicionar legenda


Quer saber de fato o que ocorre na Argentina, local onde o neoliberalismo predatório é mais que uma praga? Acesse o facebook do diário Página12: https://www.facebook.com/pagina12resiste/ ou mesmo o site do jornal, com algo que não vejo em nenhum órgão de informação Brasil afora, ou seja, informações sobre a maioria dos países da América Latina: https://www.pagina12.com.ar/. Na edição de hoje em específico, leia algo sobre o Brasil e não encontrado na imensa maioria das publicações brasileiras, a verdade dos fatos:

1 - https://www.pagina12.com.ar/39300-temer-en-caida-marchas-faltazos-e-impeachment
2 - https://www.pagina12.com.ar/39303-bajo-bombardeo-incesante
3 - https://www.pagina12.com.ar/39290-cautela-con-el-aliado-en-crisis
4 - https://www.pagina12.com.ar/39301-un-error-de-la-globo
5 - https://www.pagina12.com.ar/39228-la-restauracion-conservadora-comenzo-con-mi-derrocamiento
6 - https://www.pagina12.com.ar/39295-el-espejo-de-brasil
7 - https://www.pagina12.com.ar/39096-futbol-y-sobornos-en-el-pais-de-temer
8 - https://www.pagina12.com.ar/39349-america-latina-tiene-soportes-para-resistir-la-onda-neoliber
9 - https://www.pagina12.com.ar/39059-tudo-mal-tudo-ilegal

sábado, 20 de maio de 2017

AMIGOS DO PEITO (132)


ALGO SOBRE A VIRADA CULTURAL

Hoje tem virada em Bauru e, mesmo nos seus estertores, ainda tem algo palatável pela cidade. Vejo Clarice Abujamra no palco e Daniela Mercury no Vitória Régia. Se estivesse em Bauru iria nesses dois eventos, mesmo sabendo que hoje tem Badi Assad no SESC e ela é mais do que imperdível.

Antes de tecer uns poucos comentários sobre a Virada, reproduzo aqui uma foto de tempos idos, do começo, eu e Gilson Dias, acredito que na primeira ou segunda edição e tudo o que já escrevi sobre as edições em que participei e nas que fui assistir e me metia escrevinhar algo a respeito: http://mafuadohpa.blogspot.com.br/search?q=virada+cultural

A Virada já foi boa e o José Vinagre sabe disso. Nos tempos em que foi Secretário Municipal de Cultura ainda se podia ir discutir junto ao órgão que organizava a festa, os nomes de quem viria para Bauru. Hoje, inimaginável. Ou perdemos a importância ou a festa feneceu e logo mais morrerá por inanição.

Participei de algumas edições divinais e relembrar os shows lá na Estação da NOB são para mim ressuscitar algo não mais possível, pois tudo hoje está concentrado em dois lugares e com programação tido "goela abaixo", bem ao estilo tucano. Nem com o Paulinho Pereira, homem tucano hoje na Ação Cultural acredito tenha ocorrido algum tipo de insubmissão e ida para sugerir nomes e outros lugares para eventos. Já é mais do que sabido que tucano gosta mesmo de favorecer tucano e de uns tempos para cá, os melhores shows já eram dedicados para cidades onde algum tucano reinasse. Hoje, pelo desprestígio que vejo a Virada acontecer, acho que nem isso mais ocorre. Virou tudo uma grande massa e o Alckmin e os seus esperam o devido momento para decretar seu fim.

Sou do tempo em que o evento ocorria no Teatro e no Vitória, além do evento extra na Estação da NOB. Filas se formavam diante do teatro para buscar ingressos. Certo dia fui assistir a Céu, mesmo trabalhando lá no Vitória, alta madrugada. João Gordo e Scandurra na Estação. Quem vivenciou aquilo tudo tem belas histórias para contar. Hoje, tudo lembrança.
Sivaldo na despedida do bailarino Marcos.


É sempre muito mais fácil deixar de investir em Cultura, alegar crise e continuar injetando grana feia em outras atividades mais lucrativas. A política como rola no país é uma merda para a Cultura. Aproveitem, pois ainda tem algo pela aí e pode ser a última Virada em Bauru, vide que até em Sampa estão confinados somente em dois lugares. A Cultura Alckmista está circunscrita a um cercadinho, mas com Dória a tendência será piorar.

DESABAFO DE SIVALDO CAMARGO NO FACEBOOK, POUBLICADO EM SUA PÁGINA NAS REDES SOCIAIS:
Eu acho que o poder público, deve avaliar o que realmente vale a pena investir na cultura. A Secretaria de Cultura de Bauru, investiu uma quantia considerável em um Projeto Falido da secretaria do estado. (VIRADA CULTURAL). E vira as costas para muitos projetos da cidade que estão formando artistas. A Secretaria de Cultura não investiu um centavo na ida do bailarino Marcos Arantes, bailarino da Companhia Estável de Bauru e que recebeu uma bolsa para estudar em Vancouver, Canadá. conseguimos viabilizar a ida dele por meio de pessoas que acreditam na arte, Digo que a chuva que caem hoje sobre Bauru, também vai levar muitas coisas entre elas a Companhia Estável de Dança de Bauru

sexta-feira, 19 de maio de 2017

DICAS (160)


EU HOJE PRECISO DE 500, MEU ALPISTE DE SOBREVIVÊNCIA

Ninguém me recebe em porão nenhum, muito menos em qualquer tipo de palácio. As tratativas que faço são a dos seres normais, nos desvãos do mundo, nos andares de baixo da escala social, os reservados aos subalternos, os Zé ninguéns, como me qualifico. Nem te conto como foi meu dia para conseguir os tais 500. Ouço pela TV o tal do Joesley, um dos capôs da JBS, onde somente um dos enfurnados com eles, Aécio Neves, num aperto e querendo comprar um prédio no valor de R$ 17 milhões, consegue o valor assim do nada, num pluft e assim no vapt-vupt. Centenas de senadores, deputados, governadores, presidentes da República, prefeitos e vereadores, mais de mil pessoas receberam algo vultuoso por debaixo do pano.

Se for contar o que fiz para conseguir os R$ 500 para cobrir minha conta muitos irão se espantar: “você ainda se submete a isso?”. Eu me submeto a tudo. Você não sabe o que é precisar de R$ 500 e não ter a quem recorrer. Não são quinhentos milhões, nem de reais, muito menos de dólares como sai facilmente da boca do delator endinheirado. Esses caras falam de importâncias que, para mim e para a maioria que rala aqui no subalterno do mundo nem imaginamos o que venha a ser. Estamos acostumados a viver com tão pouco que, qualquer um milhão já nos resolveria a vida pro resto dela. Mas o que precisava hoje e não tinha eram os tais R$ 500. Suei para conseguir e só eu sei o que faço para tentar manter a aparência da normalidade.

A coisa parece tão fácil lá para eles. Eduardo Cunha num momento recebe em espécie R$ 30 milhões e sai comprando deputados para sua eleição à Câmara dos Deputados, depois, num outro momento, recebem valor idêntico para pagarem os deputados que destituíram Dilma. Todos foram devidamente pagos com dinheiro ilícito. O mesmo aconteceu na época de FHC, quando um outro Joesley pagou para o presidente na época de sua reeleição e os deputados toparam a coisa.

Esse alpiste dado mês a mês é o que falta para todos os que, como eu, precisamos de meros R$ 500 para cobrir o buraco do dia e continuar tocando a vida. Sento diante da TV e não consigo imaginar o que seria um valor desses e o que daria para fazer com isso. Um ser humano normal nunca iria precisar de um valor desses. Na verdade, para se viver dentro da normalidade é necessário tão pouco, nada diferente do que o meu semelhante também necessita e assim por diante. Por que iria eu querer um valor desses e ao meu lado ver gente passando necessidade? Não teria como distribuir essa monstruosidade financeira para tudo, todas e todos?

Assim como eu, quase sem conseguir os R$ 500 que tanto precisava, estamos todos estarrecidos e querendo uma limpa nisso tudo. Mas como? Seria uma espécie de começar de novo. Não dá para defender esse ou aquele se todos receberam. Enfim, quem ficou de fora disso que o dono do dinheiro chamou de alpiste? Como acreditar nesse ou naquele político? Como não punir todos? Como não querer começar de novo? Gente, como conseguirei contabilizar na confusa cachola isso tudo, se logo amanhã, irei precisar de mais uns R$ 200. Fiquem tranquilos, sempre falo em reais sem muitos zeros, mas nem isso tenho. Sou mesmo um zero à esquerda, pois não encontrei ninguém para pagar minhas contas e muito menos me comprar um prédio. Como buscar forças para impedir, juntar forças junto aos que gritam, para que os caras continuem a fazer o que fazem se estou aqui fazendo contas e sem conseguir imaginar o que farei amanhã para conseguir meus meros R$ 200?

PARA QUEM SE AVENTURA A CONHECER O BRASIL, SE FAZ NECESSÁRIO LER A IMPRENSA INTERNACIONAL
Edição de hoje do argentino Página 12 está imperdível: https://www.pagina12.com.ar/38706-temer-se-aferra-al-sillon…
Vá direto em quem lhe passa informações confiáveis. Nas brasileiras não leio a existência de um governo golpista em nenhum órgão da dita grande imprensa e seus asseclas.

quinta-feira, 18 de maio de 2017

BAURU POR AÍ (139)


O QUE SIGNIFICA ESSES MIL NOVOS EMPREENDEDORES BAURUENSES
Cada um se vira como pode ou consegue...

Dias atrás do Jornal da Cidade estampou uma preocupante manchete: “Aumenta a população de rua na cidade”. Qualquer pessoa sensata sabe dos motivos, não precisa nem ser bidu. A crise é mundial e esses reflexos em Bauru são a extensão deles, agravados pelo fato da insensibilidade dos golpistas ainda no poder e promovendo a malversação de tudo o que tínhamos, não só de direitos trabalhistas, mas de tudo mais, pois o clima de tristeza está mais do que instalado país afora.

Ontem pelas ondas do rádio, ouço o Luiz Roberto Tizoco, no noticiário da hora do almoço da FM 94, dizer exatamente o seguinte: “Bauru conseguiu mil novos empreendedores no primeiro trimestre do ano”. Na leitura do texto ele completa com uma informação da Secretaria de Desenvolvimento Econômico: “São dezoito mil novas empresas em Bauru”. Algum desavisado poderia louvar aos céus e dizer ser isso uma espécie de recuperação econômica, mas o que ela representa é exatamente o contrário. Explico.

Isso representa exatamente o mundo moderno dominado pelas leis do mercado e cada dia mais excludente. Os empregos acabaram e muitas empresas, principalmente as públicas, antes de demitirem promovem aquela “promoção”: saia com benefícios, ou com algum no bolso, pois continuar no emprego não vai dar mais. E daí, de forma forçada, a pessoa se vê diante da nova situação. Com uma mão na frente e outra atrás, mas com algum no bolso. Ou vai gastando aos poucos ou investe em algo novo. O novo é o se atirar em uma atividade onde pensa buscar recursos para continuar tocando sua vida. Conheço muitos se atirando em algo pouco conhecido e num curto espaço de tempo, quebrados e num beco sem saída. Ou seja, nus e com a mão no bolsão.

A mais nova novidade no mercado são esses novos empreendedores, a crueldade sendo exposta sem sombras, nua e crua. São os desempregados tentando se virar como podem, enfim, na vida sem emprego, a saída é se virar e cada um o faz como pode. Essa estatística é a mais perversa e dolorosa existente dentro de tudo o que apregoam proporcionar o capitalismo ao ser humano. Quer coisa mais triste do que o ser humano sem nenhum oportunidade de se colocar novamente no mercado de trabalho, acabar se virando e inventando um emprego? Vejo muitos assim pelas esquinas da cidade. São esses os mil novos empreendedores bauruenses e a imensa maioria sem nenhuma forma de emprego formal. A informalidade grassa e se espalha. Quando a perversidade é a forma de governar, o que se pode esperar da população sofrendo as consequências de políticas voltadas para uma minoria privilegiada? Isso que vemos, cada dia mais gente dormindo nas ruas e cada dia mais gente montando seus negócios, precários, porém vigorosos, com a cara e a identidade da resistência.

quarta-feira, 17 de maio de 2017

CENA BAURUENSE (160)


A DIFERENÇA DE UMA PASSEATA NA GETÚLIO E UMA NO CENTRO DA CIDADE
Adoro manifestações, passeatas e andanças coletivas, mas escolho as que participo. Evidente, todos o fazem. Vamos naquelas onde bate a empatia. Ontem com o rádio ligado na entrevista matinal do programa radiofônico da Unesp FM, pouco antes do almoço, uma delas estava sendo anunciada. Numa entrevista, a organizadora de um evento a ocorrer pelos próximos dias e buscando interessados no tema da adoção. A adoção é algo instigante e precisa mesmo ser divulgada, pois pode ocorrer não só para casais formalmente constituídos. Uma pessoa solteira pode adotar uma criança, um casal homo afetivo idem e assim por diante. Faltam muitas informações a respeito e juntar gente para uma concentração e ampliar as informações a respeito, mais do que louvável. Tudo a favor.

Tenho cá comigo que os locais diferenciam cada ato e evento. Onde estão se realizando, pelo menos para mim, são cruciais para aglutinar os públicos pretendidos. Não quero me ater a identificar o específico grupo que vai se encontrar, primeiro numa concentração e depois numa espécie de passeata, pois escrevo um pouco mais sobre outro tema. Escolheram o largo criado pela árvore copaíba, lá defronte o prédio da Polícia Federal, na avenida Getúlio Vargas. De lá, pelo que ouvi na entrevista dada para Pedro Norberto, sairão em seguida por um passeio pela citada avenida. O que me desconforta é ouvir que o passeio ocorrerá por aquela artéria, pois quando de sua realização ela estará já com impedimento de trânsito e, assim “não causará transtornos”, segundo ouço.

Não sou chato, impertinente, mas confesso, não iria/irei. Diante de tudo o que vi ocorrendo por lá quando da destituição da presidente Dilma Rousseff participar de algum ato neste local, que não seja em desgravo ao ocorrido, para mim me embrulharia o estomago. Diziam estar lá pelo fim da corrupção e hoje, golpe sacramentado, ela só aumenta, mas não mais comparecem com este propósito. Referendar aquele local é como dar meu aval para utilização dali em atos pelos quais não concordei e nunca aprovarei. Quer queiram ou não, o lugar ficou marcado por um tipo de ocorrência e procedimento. Primeiro, não sou favorável a isso de só ocorrer atos em locais onde o trânsito possa fluir e aos domingos. Por que isso deve ocorrer dessa forma e jeito? Não somos e nem devemos ser cordeirinhos. Sou adepto de algo assim pelo centro da cidade e num horário de grande frequência popular. Pelo que vejo o evento citado ocorrerá no domingo pela manhã e num lugar a beneficiar um tipo específico de público? A periferia não participará deste evento. Já no centro, no Calçadão, na praça Rui Barbosa, com descida pela sua mais importante artéria comercial, acredito teríamos possibilitada maior participação popular.

Não quero e não irei polemizar a respeito. Deixo só registrado minha opinião. Deixo claro meu ponto de vista: se ocorre na Getúlio, escolheram um tipo de público, quando na área central, opção por outro. Fico com os de baixo, sempre.

ANDO MEIO PARADO, PRECISANDO DE UNS SERVICINHOS, ARRUMA UNS AÍ, VAI...
Nelson Xavier, falecidos dias atrás, no seu último filme um western do interior brasileiro, um road movie desses com muita poeira, estrada e bares das quebradas do mundaréu. Gosto muito de ver coisas deste tipo, enfim, quem não gosta de fazer um COMEBACK. Filmaço com a volta de um matador de aluguel, do aposentado voltar ao antigo ofício, enfim, ninguém consegue permanecer parado muito tempo e tentando se recolocar no mercado de trabalho. Eu, já alquebrado pelo tempo, preciso me recolocar ao trabalho, mas nem sei se ainda existe gente exercendo a profissão que mais gosto: a de sair vendendo bugigangas mundo afora, pegando estradinhas pouco frequentadas. Ainda existe espaço para um velho querendo vender miçangas e lantejoulas por aí? Esse meu Comeback...
https://www.youtube.com/watch?v=jIiCwgADTqI

terça-feira, 16 de maio de 2017

INTERVENÇÕES DO SUPER-HERÓI BAURUENSE (102)


BAURU, CAPITAL NACIONAL DA COBRANÇA

“Cada lugarejo possui algo que a identifique e a dignifique. Cada aldeia faz esforço pessoal para ficar marcada e ser lembrada. Ibitinga é a terra do bordado, Jaú do calçado feminino, Franca do calçado masculino, Brotas dos esportes de aventura, Borborema do bichinho de pelúcia, Gália da seda, Marília da bolacha, Dois Córregos da poesia e assim por diante. Bauru é conhecida como a terra de onde saiu Pelé e o astronauta, a do famoso sanduíche, antigamente do voo à vela e sempre muito lembrada pelo Noroeste e pela inenarrável Casa da Eny. Alguns a diziam cidade do Caderno, por causa da Tilibra, outros capital da Terra Branca por causa da terra ruim, outros do Abacaxi, devido imensas plantações (Izzo um deles), mas pegou mesmo o tal do Cidade Sem Limites. Inicialmente utilizado para designar uma cidade sem limites para o progresso, hoje se vale do slogan para afirmar não possuir limites na forma inadequada de alguns dos seus próceres. Mas tem mais, a cada dia, o slogan vai se retransformando como Frankenstein e hoje, possui uma nova característica a dar-lhe outra pujante designação e destinação”, começa sua fala o glorioso Guardião, super-herói bauruense (criação da verve do traço do artista Leandro Gonçalez e com pitacos escrevinhativos do mafuento HPA).

Guardião fundamenta melhor o que quer dizer: “Ontem liguei para um amigo lá no Rio de Janeiro e como todos sabem, a coisa anda hoje pela hora da morte, comércio fechando suas portas, dívidas se acumulando e coisa e tal, tudo fruto desse insano golpe nos costados dos brasileiros, principalmente dos trabalhadores, os que mais sofrem com tudo isso. Ligo três vezes e nada dele atender. Na quarta atende meio ressabiado. Quando me apresento ele respira fundo, percebo daqui e me diz que de uns tempos para cá não atende mais ligações de telefones oriundos de Bauru e do DD 14. Pergunto dos motivos e ele me surpreende com sua resposta ao afirmar que, tendo o 14 no início da ligação quase sempre é proveniente de cobrança. Ou seja, são as tais firmas de telemarkting, a maioria encravadas em solo bauruense. Fazem a cobrança variada e múltipla para o país inteiro, quiçá América Latina”, continua seu relato.

A descoberta pode ser hilária, mas têm vários outros desdobramentos. “Todos sabemos que tais firmas dão emprego e ninguém é contra isso. Salutar quem ainda o tenha e o que restará daqui por diante será, mais e mais, algo deste tipo. Vou mais além, constato a crueldade disto neste momento vivido pelo país. No aperto que todos passam, cobrança é algo do dia-a-dia, faz parte do tempero habitual do café da manhã, almoço, jantar e quando houver também do desjejum. E a cobrança hoje, quer queiram ou não, aceitem ou não, tem uma cara, a de onde é oriunda: Bauru. Daí, o pomposo título de Capital Nacional da Cobrança, algo natural e, pelo que vejo, sem concorrente à altura para tirar-lhe o título, cetro e coroa. Podem me criticar pela descoberta, tecer loas contrárias e mesmo favoráveis, mas ninguém pode ousar dizer não possuir ela aquilo que denominamos de empatia "goma arábica", ou seja, aquela que gruda, cola e para se ver livre, muito trabalho. Colou em Bauru, pegou e lhe cai bem por vários motivos. Tem também a cara desse novo modelo empreendedor capitalista predatório sendo praticado nos últimos tempos (aqui e alhures), muito bem representado aqui pelas ações intempestivas do seu mercado imobiliário”.

E nada mais falou, alçando voo para atender chamado vindo das entranhas bauruenses.