domingo, 24 de setembro de 2017

DOCUMENTOS DO FUNDO DO BAÚ (107)


ENCLAUSURADO
Tem momentos que necessitamos de isolamento. Vivo o meu momento de reclusão. Cada um tem os seus motivos. Os meus tem um só afunilamento: tento terminar de forma honrosa minha tese de mestrado, algo começados há mais de dois anos atrás e agora, na fase final, ainda com alguns acertos, mas já vislumbrando o término.

E como a gente termina um negócio desses. O professor Dino Magnoni outro dia me disse: “Sente a bunda na cadeira e faça, se tranque e acabe”. Tento. Outro professor, Juarez Xavier repetiu tempos atrás: “Acelere, falta pouco, dedicação final”. Minha orientadora, Maria Cristina Gobbi disse trinta dias atrás: “Fase final, agora é a hora. Dedicação total, depois você volta ao normal”. Ana Bia Andrade, minha companheira de todas as horas, me vendo apartado de sua convivência, ela lá no apartamento e eu aqui no mafuá, liga constantemente e me cobra: “Fazendo o que? Acabe de uma vez”. Meu inquilino, me vendo envolvido e falando tanto do mesmo assunto hoje pela manhã veio com essa: “Esse negócio é um parto, hem! Nasce quando?”.

Muita gente anda preocupada comigo. Eu também. Ando meio fora do prumo, fora de órbita, fora dos acontecimentos. São tantos convites para ir aqui e ali, estar presente em eventos, escrever sobre as coisas do momento e eu dando um jeito de tentar não deixar nada passar batido, mas impossível cumprir uma agenda louvável. Minha agenda está de pernas para o ar e eu aqui, trancado, revisando tudo, relendo, retocando e promovendo acertos, ajustes.

Creio que mais uma semana eu consiga protocolar tudo e no final de outubro faço a defesa. Se me virem mais acabrunhado, fisionomia preocupada, falando sozinho, passando pelas pessoas sem reconhecer, não me tenham como desses que fingem não ver as pessoas. Longe disso. Tudo no momento está canalizado para não fazer feio nesse negócio onde estou metido e como peguei gosto pelo que estou escrevinhando, creio que sairá algo de palatável, aproveitável. Sigo em frente seguindo o que lá atrás me disse a orientadora: “Tudo só terá sentido se você produzir algo que saia do trivial, que chame a atenção, que incomode alguns, pois se ninguém notar nada, será mais um trabalho concluído, mas arquivado e esquecido numa estante”. Isso me calou fundo e daí tento cutucar algo.

Essas minhas justificativas para essa ausência de quase tudo o que rola do lado de fora do meu mafuá. Nem do golpe e desses insanos e bestiais sujeitos mal ajambrados que estão a nos dominar, creio tenha espezinhado a contento. Eles que me aguardem, pois volto logo. Por enquanto, estou aqui, recluso, com música instrumental na vitrolinha e fazendo o que já deveria ter concluído há um bom tempo. Por falar em tempo, respondam aí: Quanto foi o Corinthians? O Congresso já começou a julgar o Temer? A Rocinha já foi desocupada? O tremor no México já amainou? Será que a Ana jantou direito? Meu filho já foi para Araraquara?

As respostas eu vou juntando como cacos, naz vezes em que saio para algo, hoje uma passeadinha na feira, atender um sorveiteiro no meu portão, pegar um pedaço de carne do churrasco que o vizinho faz, acender a luz quando a noite chega e logo depois, voltar a sentar na dura cadeira e tentar acertar e definir de vez a batata quente diante de mim. Escrevo todos os dias no blog, algo fácil, sem pretensões, a coisa sai e vai pro papel sem problemas, já esse negócio de texto acadêmico, como é difícil isso. Me dói até as entranhas.

Até...

sábado, 23 de setembro de 2017

OS QUE FAZEM FALTA e OS QUE SOBRARAM (103)


POR QUE A GENTE SE ESCONDE? H.P. LOVERCRAFT E DALTON TREVISAN

Meu filho passou por aqui e ficamos horas conversando sobre um escritor que ele gosta muito, o norte-americano H.P. Lovecraft. E ele se deu a contar a triste história dele, nascido de uma família muito rica, o avô perdeu tudo e a família fica pobre de um dia para outro. Vê o pai enlouquecer, o avô falecer e a mãe também chegar a esquizofrenia. Foi uma transformação desde seus oito anos de idade e a sua tábua de salvação se deu pela escrita. Leu tudo o que lhe caiu às mãos e escrevia muito, sempre. Com o tempo foi conseguindo introduzir alguns de seus escritos em editoras, mas o estilo de ficção fantástica exigia cada vez mais e mais. Ele não parou de escrever um só instante de sua vida, uma produção atrás da outra, algo incessante, sem trégua.

E fui lhe perguntando como era possível aquilo. Primeiro fiquei intrigado do lugar onde sempre morou, a pequena cidade de Providence, em Rhode Island, hoje com cento e poucos mil habitantes. Sede de uma famosa universidade, a Brown. Fomos ao google saber mais desse lugar e descobrimos até a casa onde morou, uma pensão. Um casarão bonito, onde ocupava um quarto e dali, seu canto, onde escrevia e escrevia. Fiquei intrigado em saber como ele vivia, pois meu filho, que tudo sabe dele ia saciando minha curiosidade. Dizia que ele morreu relativamente cedo, aos cinquenta e pouco e por problemas estomacais, pois como morava só, comia muito enlatados. Comia e escrevia, saia pouco de casa e vivia ali trancado num quarto, com síndrome de pânico de multidões e produzindo, algo sem parar.
Num desses quartos ele escrevia.


Depois me conta que ele não chegou a conhecer a fama em vida. Viveu mal e porcamente a vida toda e hoje, reconhecido como um dos mais cults escritores norte-americanos, adorado por todos os famos escritores, sua obra está reproduzida por tudo quanto é canto. Em vida, fazia misérias para sobreviver e os editores lhe exigiam cada vez mais, contos em cima de contos, livros em cima de livros e ele nunca decepcionou, escreveu muito e sempre com qualidade. Olhei para algumas de suas fotos e ali uma pessoa pálida. O filho me revela que ele tinha um problema de pele, que o fazia ter uma temperatura fria, algo que ele nunca conseguiu resolver. Foi um isolado, trocava correspondência com alguns, mas saia pouco de casa e tinha pouco contato com estranhos. Os vizinhos e quem o conhecia devia acha-lo muito estranho.

Eu nada li dele, mas meu filho leu tudo e antes mesmo de querer ler, pois não sou chegado em terror fantástico, meu interesse se deu pela forma como viveu, como produziu, como tocou sua vida, nunca saindo do lugar onde sempre viveu. Um recluso. Viajamos juntos pelas fotos e em cada uma, uma nova viagem, enfim, como se dava sua vida naquela situação. Confesso a ele nada saber de Lovecraft, mas havia lido um livro de outro na mesma situação e ao citar o nome do livro, O Apanhador no Campo de Centeio, do J.D.Salinger, um que não se deixava fotografar e muitos do que o leram nunca viram foto sua, meu filho também já o havia lido. Conta algo também dele. Essa a escolha de sua vida, viver apartado dos afagos. Situações diferentes, pois Lovecraft nunca conseguiu fazer muita grana em vida, penúria e apertos, já Salinger, pelo que me consta nunca teve problemas nesse sentido. Ambos escolheram tocar suas vidas sem holofotes.


Cito o caso do brasileiro Dalton Trevisan, o Vampiro de Curitiba, que também odeia ser fotografado e abomina ser entrevistado e parado pelas ruas. Vive no seu mundo particular, escreve, lê muito e sai às compras sempre na mesma livraria do bairro onde mora, mas se recusa a entrar em rodinhas e conversas com estranhos. Voltamos ao google e achamos a casa onde nasceu em Curitiba, depois o bairro onde circula e até algumas fotos que as pessoas vão tirando dele sem que o perceba. Dalton sempre me intrigou, uma vez fiquei a perambular pelo bairro onde vivia pensando em trombar com ele numa esquina. Li alguns de seus livros, repasso um deles ao filho, que se interessa pelos seus curtíssimos contos, algo onde sempre tentei me espelhar para escrever de forma mais sucinta, breve. Não consigo, muito menos viver recolhido, pois o mafuá vive cheio de gente e gosto disso. Hoje cedo, duas visitas, a tarde mais duas e em todas interrompo meus escritos, a finalização do texto final do meu mestrado.

Meu filho se vai e fico a pensar em como seria viver isolado, sem muitos contatos externos. Isso me fez sentar aqui no computador, dar um breque em tudo o mais e colocar no papel a conversa tida com o filho. Foi um exercício ir reconstituindo o diálogo, a conversa, que nem me lembro dos motivos de ter se iniciado. Acho que o filho queria prosear e buscou um assunto para a conversa, buscou algo que me intreressasse. Acho ótimo isso, em cada passada dele por aqui, ele me instiga a produzir um texto novo sobre algo levantado na conversa. Como ando esquecido das coisas, quando ele levanta um assunto interessante, pego logo um papel e marco algo, para não me esquecer e depois pensar mais naquilo. Hoje escrevi logo que saiu, não deu nem tempo de anotar nada e o que me intriga neste momento são as casinhas onde moraram Lovecraft e Dalton Trevisan. São bem diferentes do mafuá. Viajo pensando nelas e assim o tempo se esvai no vão dos meus dedos. Escrito isso tudo, volto aos meus escritos, que nada tem a ver com essas divagações.
A primeira casa de Trevisan, nos Altos da XV. Ali tudo começou...

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

DICAS (164)


SÁBADO É DIA DE PROTESTAR CONTRA OS QUE QUEREM PRIVATIZAR O DAE
Isso de privatizar o DAE – Departamento de Água e Esgoto de Bauru não é de hoje. Muitos fazem de tudo e mais um pouco para tornar o DAE inviável, com um incentivado sucateamento, tudo para lá na frente, na bacia das almas a entidade pública ser repassada a preço de banana para a iniciativa privada. Guardemos bem os nomes desses todos, dilapidadores do patrimônio público. Fazem o jogo de que o Estado, nele incluído as Prefeituras não são eficientes para tocar negócios deste porte. Viceja hoje no estado de São Paulo, patrocinado pelo “santo” governador Geraldo Alckmin, a prática de um tal de “estado mínimo”, que nada mais é do que se livrar de tudo e repassar tudo para empresas privadas e quando não, como no caso do DAE, para a SABESP, a empresa ligada a esse governo estadual, mas onde os preços sobem para valores muito elevados. Ou seja, vivemos tempos onde o negócio é fazer dinheiro com tudo, gerar alta lucratividade e que se dane o povo e aquela velha premissa de que o estado deve ser o provedor de tudo a preços até subsidiados, com o intuito de favorecer a população.

O DAE é uma espécie de obsessão para abutres interessados em ver aquilo tudo destruído, em petição de miséria e forçando a Prefeitura Municipal a se desfazer de algo que num passado não tão remoto era considerada como uma das mais preciosas “jóias da coroa” públicas da cidade. Hoje, novamente vereadores insistem em retornarem a esse assunto da privatização, com a clara intenção de favorecer a tese do estado mínimo como solução para tudo. São os doentes desse sistema capitalista, onde o rentismo toma conta de tudo e ser neoliberal, defensor intransigente das leis desse insano e insensato mercado é para esses a solução de tudo. Ou nos unimos contra isso tudo ou esses vão fazer voar pelos ares tudo o que nos resta de empresas a nos propiciar preços baixos. No foco desses, a água, luz, gás, impostos, tudo. Só existe um meio de se contrapor à crueldade: movimentação popular.

O DAE tem problemas, necessitando de ampla discussão e busca de soluções e nenhuma passa pela privatização. Para fomentar isso, NELSON FIO, que esteve à frente da constituição de um hoje não mais existente Conselho Municipal da Água, onde décadas atrás essas questões todas eram discutidas em comum acordo com a diretoria, está à frente de um Manifesto contra a privatização ou terceirização do DAE. O ato ocorrerá amanhã, sábado, a partir das 10h, concentração na praça Rui Barbosa e com possibilidades de descer o calçadão da Batista. Pede-se a todos que compareçam e se unam aos funcionários ali representados, engrossando o coro dos protestos. Uma real possibilidade de bate papo com funcionários do DAE, todos esses que estão diuturnamente nas ruas trabalhando e amanhã, junto da comunidade usuária do DAE, ampliando o debate sobre os destinos desse essencial serviço público. Fio é velho conhecido desta cidade, esteve por anos ligados as hostes tucanas, mas desiludiu-se, pois percebeu na convivência que, esses não estão nem aí para salvaguardar os bens públicos, mas sim, deles se desfazer. Ao ter certeza disso, hoje investe contra todo o baú de maldades dos tucanos para com o que ainda nos resta de bens públicos.

Convido a todos para se juntarmos ao movimento e protestar na manhã deste sábado. Nas fotos uma comparação entre uma conta do DAE Bauru e uma da SABESP de Piratininga. Com movimentação popular e muita pressão sobre o prefeito e os vereadores existe a real possibilidade de não permitir o retrocesso em Bauru. Vamos juntos.

UMA PASTELADA MAIS QUE IMPORTANTE...
O que falar dos despreendimento da amiga de todas as horas, a querida Valquiria Correa? Essa é batuta e mais um pouco. Tocava até poucos dias um salão ali defronte a igreja Santo Antonio, Bela Vista e na maior parte do dia, faz e acontece, se vira nos trinta para dar o de melhor para sua irmã, com vida vegetativa após um grave acidente vascular. As necessidades só aumentam, despesas que não acabam mais e ela inventando coisas, desde rifas, bingos, pasteladas e tudo o mais para ir pagando parte de tudo o que lhe surge pela frente. Recentemente mudou e aceitou levar tudo o que tem para um imóvel cedido pelo sogro, na rua Sete de Setembro e ali já tudo sendo transformado em seu novo quartel general.Vê-la de desdobrando dia após dia para conseguir suprir a mana acamada com clínica, fraldas, alimento e remédios e algo para tocar qualquer um.


Amanhã, sábado, 23/09, no salão vicentino da paróquia Santo Antonio, na rua do mesmo nome nº 12-54, das 16h às 20h, ela vai estar realizando mais uma pastelada e contando com a ajuda de todos nós. Cada pastel sai por R$ 4,00 e pode ser pedido também via telefone pelo 996313102 ou com a ida ao local. Só não peçam para ela entregar, pois do jeito que está é bem capaz de ir e assim seu lucro se esvai. Vamos até ela, além de desfrutar do pastel, conversar, papear, ver como estão as coisas e transmitir confiança, amor e carinho para quem se doa tanto durante todos os dias. Acho até que se combinarmos, podíamos bem levar uns intrumentos e combinar de aparecer por lá para abarulhar o local, enchendo tudo de muita alegria.

Eu vou e você???

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

DIÁRIO DE CUBA (89)


PROTESTOU CONTRA O RACISMO E PERDEU O EMPREGO - NOS EUA É ASSIM, MACARTHISMO VERSÃO TRUMP CONDENA AO DESEMPREGO JOGADOR QUE RECLAMOU DE RACISMO DURANTE HINO

O quarterback Colin Kaepernick, do San Francisco 49ers, time de futebol americano se recusou a ficar de pé durante a execução do hino nacional americano antes de uma partida amistosa em Santa Clara, na Califórnia. Kaepernick, disse que permaneceu sentado no banco durante o hino para marcar posição contra a injustiça racial nos EUA.

- Não vou me levantar e mostrar orgulho pela bandeira de um país que oprime o povo negro e as pessoas de cor - declarou Kaepernick. Para mim, isso é maior que o futebol, e seria egoísta da minha parte virar a cara para esse assunto.

Kaepernick parecia referir-se aos recentes incidentes envolvendo policiais que usaram força excessiva diante de suspeitos negros. O atleta se disse preparado para a rejeição pública e reforçou que estava ali "fazendo o que achava certo".

Após o jogo, a equipe redigiu uma declaração ressaltando o apoio ao atleta:

- O hino nacional é e sempre será uma parte especial do cerimonial pré-jogo. Em respeito aos princípios americanos como liberdade de religião e liberdade de expressão, reconhecemos o direito de um indivíduo escolher participar - ou não - da celebração do hino nacional - disse o comunicado.

Até o próprio Trump botou seu truculento ego na briga, ameaçando publicamente os prprietários das equipes que viessem a assinar com o "inimigo". o jogador segue desempregado.

APROVEITANDO O TEMA, EIS ALGO DO BRASIL:


A pergunta que não quer calar: caberia um jogador hoje no futebol brasileiro ao estilo de Sócrates, de Afonsinho? Existem os que se posIcionam a favor dos golpistas, como Ronaldo e mesmo Neymar, mas os se posicionando contra o golpe e deixando isso bem claro, qual seria a reação? Qual a pressão sobre esses?
Aqui, pelo que me recordo, dois nos últimos tempos. O Alex que foi do Palmeiras e encerrou a carreira no Coritiba e um zagueiro do Flamengo, barbudo, Walace, hoje de volta ao Vitória. Lia na concentração, tirou até uma foto lendo a biografia do Marighella e com posicionamentos políticos bem definidos. Poucos são esclarecidos hoje no futebol. Enfim, leem quase nada. Vejam o link sobre ele: https://www.youtube.com/watch?v=bS0Kis3ftl8 . Inesquecível o Petkovic saindo em defesa do socialismo em seu país. Enfim, um jogador esclarecido. Quantos conseguiriam fazer o mesmo quando questionado por algo parecido? Vejam o link: https://www.youtube.com/watch?v=B80AsDP2IaM. E por fim, o que dizer do protesto como o que o Corinthians fez com algumas faixas em seus jogos, no seu estádio, causando perseguição até ao clube. O protesto contra a Globo, contra o golpe, etc. Geraram perseguições dos encastelados no poder, mas se fosse o contrário, uma velada aceitação.

Pensemos nisso tudo. Que jogador brasileiro hoje teria a coragem do Kaepernick?

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

ALGO DA INTERNET (132)


1.) A AURI-VERDE AGORA É JOVEM PAN – E O CASO ARGENTINO DA DEMISSÃO DE NAVARRO

A notícia fervilhando pelas ruas, becos, vielas e rodas de bate papo na cidade é sobre o que estaria acontecendo nas hostes da rádio Auri-Verde, mais de 60 anos no ar, frequência AM e até hoje nas mãos de gente aqui da terrinha "sem limites". Circulam boatos da demissão em massa, gente com mais de quarenta anos de rádio e hoje no olho da rua. Verdade ou não a programação já é outra. Durante a manhã toda a rádio só tocou música e das 11 às 13h, quando Rafael Antonio entraria com o noticiário, eis que adentra falando Leonardo de Souza, um novato por lá. Rafael ainda apresentou o programa esportivo de ontem a noite e de hoje em diante, veremos o que virá. Acertos devem estar sendo feitos e maioria da programação foi suprimida, exterminada, cancelada ou como queiram, deletada. Explicações ainda não existem e uma delas, talvez a única até agora veio pela voz do Leonardo ainda agorinha pouco: "Trata-se de uma reestruturação para chegada da FM". Na maioria do dia só música pelas ondas do rádio.

Faltam com a verdade. O que de fato ocorreu foi um leilão e nele, pasmem, não quiseram nem saber da abertura dos demais envelopes (dizem que a 96 tinha boa aferta) e foi sacramentada a venda para o conglomerado da Jovem Pan. Para quem não sabe a Jovem Pan hoje representa o que de mais conservador ocorre no modal rádio no Brasil, com uma programação toda na defesa intransigente do neoliberalismo.
Não que a Auri-Verde não faça o mesmo, mas de agora em diante, tudo deve ser institucionalizado com regras muito bem estabelecidas. Simples assim, se a rádio já estava deixando a desejar e pipocava, trazia aos seus microfones somente comentaristas na defesa do neoliberalismo e das leis de mercado, de agora em diante, deve piorar.

Rafael Antonio era um dos únicos ainda procurando fazer um programa com a participação popular, dando voz aos ouvintes e possibilitando o contraditório, algo salutar quando se fala em jornalismo livre e independente. O que virá pela frente é incognito, totalmente imprevisível. Muitos no olho da rua, desempregados e com algum apuro, saberemos em breve, daqui e dali, algo mais de como está sendo feita a transição. Bauru teve no passado muitas rádios, todas nas mãos de poderosos locais, ligados aos grupos de poder da cidade a última experiência um pouco mais liberta se deu com a 710, porém faliu e se sumiu do dial. Não espero nada de novo, não conto com nenhuma renovação na forma de fazer rádio, muito pelo contrário, creio estarmos diante de algo chegando para fazer o que a maioria das rádios brasileiras fazem muito bem hoje em dia: defender o status quo, o poder estabelecido e o modus operandi ditado pelas leis de mercado.

Fato semelhante ocorre no mesmo instante na Argentina, numa orquestração a tomar conta do continente latino-americano. Na emissora de TV, a C5N um jornalista a contestar os desmandos do governo neoliberal criminoso de Maurício Macri, voz quase única e dando picos de audiência por conseguir espaço para o contraponto. Seu nome Roberto Navarro, corajoso e a maior audiência na TV. Ele não só contestava como levava ao ar provas irrefutáveis da participação de gente do governo de Macri em falcatruas seguidas no poder. E isso dia após dia. Macri e os seus não mais toleraram a verdade dos fatos sendo exposta e o povo tomando consciência dos fatos como de fato ocorre. Depois de forte pressão, os proprietários da emissora tiraram ontem Navarro do ar. O mesmo já está em curso com o Grupo Octubre para que Victor Hugo Morales e seu programa pelas ondas da 750AM, o La Mañana também saia do ar. Estive lá em agosto e disse textualmente para Victor Hugo: “Não existe nada igual ao seu programa no Brasil, vocês são únicos no que fazem”. Navarro fazia o mesmo na TV e hoje, resta Victor Hugo e uns poucos em outras rádios, mas todos duramente perseguidos, teleguiados e prestes a perder o espaço. Assim age o neoliberalismo, cruel, insano, violento e criminoso, falseando a verdade por onde passe. Eles querem no ar somente a verdade segundo a versão lá deles, a mais mentirosa possível. Em Bauru, a Auri-Verde está distante de ser um primor no jornalismo dentro da verdade factual dos fatos, pois sempre praticou o de mão única, mas agora, eliminou de vez o que ainda restava de credibilidade em suas hostes.

Jornalismo sem mentiras no Brasil só mesmo pelos meios alternativos. Não espere encontrar nada de aproveitável pelas ondas do jornalismo massivo. Tutti buena bosta!

2.) ME CRITICAM PELO TEXTO DAS PLACAS E UM AMIGO NO DESESPERO E DESESPERANÇA
Hoje amanheço num dos meus piores dias. Ontem promovi uma discussão pelo facebook com duas pessoas, um casal de distintos cidadãos enxergando tudo de ruim na exposição feita por mim sobre as profissões degradantes, como a dos seguradores de placas. Minha ação de enfocar o tema deve ser mesmo detestável e bom mesmo é tudo hoje desembocar nessas profissões que não levam a nada. São paliativas, degradantes, servem somente para o trabalhador levar algum para preencher sua dispensa no final do dia, nada mais. É o que nos resta. E por tocar nisso como degradante, pau no HPA, que expõe as pessoas. Logo cedo encontro um amigo em prantos, num desespero desses que você se vê obrigado a parar tudo e lhe dar a devida atenção. É o tal do fundo do poço, uma doença que não é uma doença onde a pessoa precisa ser internada e tratada pela medicina habitual. O caso desse meu amigo é o da imensa maioria da massa trabalhadora brasileira, que não encontra mais emprego e não sabe mais o que fazer de suas vidas. Choram copiosamente pelos cantos e como outro amigo me diz, se reunem no parque Vitória Régia com seus curriculos nas mãos e sem saber o que fazer deste papel, a quem mais entregar.

O que falar e fazer em situações assim? Eu tento, mas vejo infrutífera a situação. Dialoguei a exaustão, incentivei para que não fizesse nada de loucura, mas não consegui lhe dar esperança de que a sua situação fosse melhorar. Nem a dele, nem a da imensa massa de desempregados hoje só a crescer no país. Na boca dos políticos hoje no poder, como a do ilegítimo e golpista presidente Michel Temer ontem na ONU, a mentira na ponta da língua, um país se recuperando e em franca evolução.
Descaradamente vendem o país na bacia das almas e dizem estarem salvando esse país do pior. Que raio de recuperação é essa que atende os interesses de uma ínfima minoria e nada faz pela imensa maioria dos desvalidos desta nação? País hipocrita que aceita isso calado e muitos coniventes.

Dialogar com pessoas que enxergam algo de altaneiro em empregos degradantes e não aceitam discutir política, como se ela estivesse dissociada de tudo o que nos ocorre, tudo isso uma grande perda de tempo. Isso desgasta, pois essa insensível parcela da população não está mais nem aí para a situação dos desvalidos. São na maioria instruídos, bem estabelecidos, com belas oportunidades durante suas vidas, mas insensíveis, distantes de buscar uma saída para a maioria, preferindo agir no varejo e não no atacado. Eu quando escrevi um texto sobre os que seguram placas para ganhar algum, evidente que não o fiz para denegrir e expor eles, mas para ressaltar uma situação do trabalhador, todos num beco sem saída. Os que ainda conseguem segurar placas comem e pagam algumas contas, já os como esse meu amigo, nem isso mais conseguem (ele mais de 50 anos), estão num desespero e gente assim fazem loucuras. Estamos na iminência de um bando de loucos, o bando dos sem esperanças sair por aí barbarizando tudo. Eu não estou aqui para conter nada, mas para tentar entender algo do que ocorre nas entranhas desse insano país. E não entendo mais nada. Vamos aceitar isso tudo como a coisa mais normal deste mundo, enfim, essa é a belezura do mundo capitalista...

3.) COMO PODE?
Eu não consigo entender como uma TV como a Globo, tão “fdp” como ela, mentirosa, falsa, enganadora, produzindo um jornalismo tão distante da realidade dos fatos, fazendo de tudo para defender os piores deste país, como ela consegue ser tudo isso e ao mesmo tempo produzir uma série como essa, cujo último capítulo assisti ontem, o “SOB PRESSÃO”? Como? Fico a me perguntar e as respostas podem ser muitas, mas ela sempre agiu assim, de um lado, algo de grande qualidade e do outro, o que de pior temos no país. Como pode?

Numa só das cenas de ontem, o médico que faz o papel principal, atende um jovem com problemas no corredor de um supermercado e é depois procurado por esse e seu pai, o dono de um dos maiores centros hospitalares particulares do Rio de Janeiro. Oferecem emprego e ele por ter salvo a vida do garoto. Ele atendendo há 14 anos num precário hospital de subúrbio, onde falta tudo, acaba aceitando. Na primeira cirurgia por lá é elogiado por toda equipe e ele não as aceita, diz: "Nessas condições, o que fiz aqui é fichinha”. Nisso vai fazer aquelas visitas para uma paciente no apartamento deste hospital para abastados e ela o recebe com aquela empáfia, grossa e bem condizente com parte de uma parcela da elite brasileira, a que paga e se mostra superior em tudo que faz, joga na cara isso a cada instante. Nisso ele atende o celular e são seus antigos colegas lá do hospital de subúrbio atendendo uma emergência, acidente num trem e muitos acidentados chegando. Sabe o que ele faz? Diante da cena ali no quarto com a dondoca, joga o jaleco longe e volta para o precário hospital público, onde vai salvar vidas e sem isso de ganhar muito, ter condições e tudo o mais, mas fazendo o que gosta, como gosta, ser útil e não mais um rico e fútil. Essa e tantas outras cenas me tocaram.

A série Sob Pressão não é mais uma simples série de televisão brasileira. Coproduzida pela Conspiração Filmes e Rede Globo, com direção de Andrucha Waddington e Mini Kerti, e direção artística de Andrucha Waddington e com atores de ponta, mostra algo de um Brasil que resiste e insiste. No google é possível assistir cada capítulo e ir acompanhando, o desenrolar de uma série que INCOMODA. Sei que, a classe médica brasileira não se sente representada pelo que ali vê, mas a situação brasileira está escancarada na tela e nas muitas cenas, cada uma demonstrando como essa classe, pelo menos o seu lado mercantil, está totalmente dissociado de onde deveria realmente estar. Sei também que praticamente na série não são retratados as equipes de Enfermagem, tão ou mais importantes que a dos médicos. Essa uma indesculpável falha, mas não desmerece o resultado final. Esse último capítulo da série me tocou, dormi mal por causa dela e agora despejo essas poucas linhas sobre o que vi na telinha e o triste papel representado por essa cruel e insana rede de TV.
https://www.youtube.com/watch?v=PFpn1g_rHG0

Como pode?, fico a repetir.

terça-feira, 19 de setembro de 2017

MEMÓRIA ORAL (216) e ALFINETADA (160)


PREOCUPANTE
A resistência e a queda de movimento da maior banca de livros e revistas de rodovia paulista.*
* Texto inspirado em alguns economistas bauruenses a repetir que a Economia se recupera e que tudo está se reencaminhando.

Logo no início da rodovia Castelo Branco, altura do km 29, para quem sai da capital paulista e segue no sentido interior, depois da passagem por Osasco, Barueri e Alphaville, uma parada quase obrigatória para admiradores da boa leitura, a Banca Book Castelo. Durante quase duas décadas, Gilson Carvalho Araújo viu nascer e vicejar ali um negócio alvissareiro, de grande movimento. "É a primeira e única grande banca de revistas e livros da rodovia, na boca de entrada da Castelo e vivia cheia, gente interessada, desde revistas, livros de arte, arquitetura, decoração e quase todos os jornais. Eu sempre fui atrás de ter tudo e muitos chamavam meu estabelecimento de Boutique de Cultura, o que me enchia de orgulho”, conta num desabafo pessoal contrastando com a situação atual.

A banca continua a mesma, lotada de publicações de tudo quanto é espécie, atende todos os segmentos, mas a clientela rareia e ele já coça a cabeça. Quando questionado sobre o futuro, responde de forma monossilábica: “preocupante”. São 16 anos de portas abertas (abriu em 03/04/2001), de segunda a segunda, sempre das 6 às 22h e ele, saindo lá de Pirituba, quase 30 km, ida e volta, sem ter fechado um só dia nesses anos todos. Quem fechou foram seus vizinhos. Uma loja de sapatos resistiu até quando deu e, por fim, acuados pela falta de movimento mudaram-se definitivamente para Osasco. A farmácia do lado já mudou três vezes os proprietários no período e na sua frente, do outro lado de um amplo estacionamento, uma loja de móveis antigos segue na mesma trilha que o seu negócio, aberta, porém "preocupados".

A parada do km 29 é conhecida como Posto do Gugu, uma conveniência da rede Grall e na lateral, na recepção de quem adentra o lugar, o posto de combustível e algumas lojas. A do Gilson é o mais famoso cartão de visitas do lugar. Ele sabe como ninguém o quanto está difícil continuar no ramo de negócio de revistas e livros e conta algo de algum dos seus vizinhos mais famosos. “Aqui perto, em Alphaville, tinham duas imensas bancas, chics no último, encravadas no coração de um dos condomínios mais abastados da Grande São Paulo e ambas fecharam as portas. Seus donos mudaram de ramo, pois o de banca não rendia mais nem para se manterem”, conta, resumindo o problema atual das bancas.

Ele insiste, rememora o passado e enxerga poucas esperanças de dias melhores. “O país já não lê como antes. Percebo isso pelas pessoas que antes paravam aqui e levavam muita coisa e hoje, quando param levam quase nada. O movimento caiu pra muito mais da metade. Tinha clientes de todo o interior paulista, pessoas que religiosamente paravam aqui e hoje nem os vejo mais. Não param nem para o cumprimento. Preocupante”, repete a palavra mais ouvida por ali.

Até bem pouco tempo tinha jornais de vários estados e nenhum encalhava. Hoje, está limitado aos jornais estaduais e com um grande encalhe. O seu negócio continua de portas abertas e dando emprego para quatro pessoas, além dele e do filho, que aos finais de semana, principalmente aos domingos é quem cobre a folga dos demais funcionários. “É que criei uma banca diferenciada, dessas com tudo e isso tem um custo. Impossível tocar algo com tanta coisa e sozinho. Tenho que contar com ajuda, só que as coisas não estão mais como antes. O ponto nevrálgico é essa percepção do aumento da crise, essa sentida por todos, mas junto a isso outra, a da leitura. A população cresceu, mas as pessoas leem menos que antes. Tudo bem que a internet tem lá sua culpa e a crise do papel acomete a todos envolvidos nesse negócio, mas até nas conversas a gente percebe, os assuntos bons rarearam e a maioria parece não se interessar mais por ler. Eu não desanimo, mas fico preocupado”, conclui.

Durante meia hora permaneci ao seu lado numa manhã de domingo e ele me diz que, antes vinham pessoas de toda região buscar publicações, principalmente nesse dia, o da folga familiar. Poucas adentraram o conhecido ponto naquele domingo e ele sabe, não é por falta de publicidade, pois quem circula pela rodovia o conhece. Quem gosta de ler e roda pela rodovia o conhece de cor e salteado. O motivo é bem outro, fazendo com que Gilson, uma pessoa alegre, comunicativa, dessas que no primeiro contato se percebe gostar demais do que faz, mas impossível não notar o ar de “preocupação” em seu semblante.

Sua vida é o seu pequeno negócio, aquele amontado de letrinhas gravadas e espalhadas pelas mais diversas publicações ali expostas, lugar onde passa a maior parte do tempo, muito mais que em sua casa e ao lado da família. O que lhe encabula já não é motivo somente das suas preocupações e para me provar aponta a manchete de uma revista ali na prateleira. Lá está estampada, como a perseguí-lo, no meio de uma manchete, a mesma palavra que ele tanto me repetiu: “preocupante”. Economistas rentistas apregoam que a situação do país está melhorando, isso porque não estão circulando pelas beiradas do país, lugares como a banca do Gilson, um dos resistentes destes bicudos tempos, lugar onde até a leitura tem rareado.

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

BEIRA DE ESTRADA (82)


TRISTES FUNÇÕES, EMPREGOS DESSES NOVOS TEMPOS


A tristeza de certa forma se abate sobre nós, os pobres mortais. Inexorável isso. Quem ainda não percebeu o baú de maldades despejado sobre nossas cabeças e o fim de um ciclo onde o trabalho como até então conhecido se esvai nos dedos, percebo algo bem nítido nesse sentido nas escapulidas cidade afora.

Toda vez que desço pela rua Araújo Lite, voltando no sentido centro/bairro, logo depois da passagem pelo elevado em cima dos trilhos da ferrovia, na quadra que antecede à igreja Nossa Senhora Aparecida e o Poupatempo, uma cena me choca.
No quarteirão, antecedendo a rua Inconfidência, existem ali dois estacionamentos para autos, ambos funcionando pelo alto fluxo de pessoas circulando por ali, em decorrência do Poupatempo. Diante da entrada de ambos, vejo funcionários acenando no meio do trânsito, com aquelas roupas refratárias coloridas, muito utilizadas pelo moto-taxistas, tudo para convencer os motoristas a adentrarem seus estabelecimentos.

Não permanecem nem mais nas calçadas. O esforço deles é chamar a atenção e trazer público para os estacionamentos onde prestam serviço. Seus corpos ficam ali expostos ao sol, chuva e tudo o mais. Gesticulam placas com os preços promocionais. É uma espécie de vale-tudo para conseguir clientes.


É a forma como os proprietários de ambos os locais encontraram para tentar se manter vivos e também não fecharem suas portas. Passei hoje pelo local por três vezes, duas a pé e em todas a mesma cena. Numa delas paro e fico a observar de como isso deve ser de uma atroz tristeza para quem o pratica. Na aproximação de um veículo, eles saem em disparada, braços levantados, placas em movimento e os dois, cada um na porta do seu local de trabalho, tentam ao seu modo e jeito cumprir a missão a eles designada. Se o local não tiver no final do dia um número mínimo, o estacionamento pode não ter mais necessidade de existir e eles ficariam sem emprego.

Podem me dizer que estão ganhando o seu de forma honesta, ou seja, o que encontraram para fazer na vida e ainda conseguirem um salário, um soldo. é isso mesmo. Mas, me pergunto, seriam essas as profissões do futuro? Não vejo problema nenhum no que fazem, mas o que choca é isso das entranhas do mundo capitalista, onde a pessoa tem que se submeter às novas formas de emprego. E ainda sei que ouvirei de alguns: “Que se deem por satisfeitos, pois o mar não está pra peixe”. Será que de agora em diante viveremos mais e mais das rebarbas de tudo isso que a gente vê anunciado como as benesses do capitalismo? Eles venceram, creio eu, e aos perdedores resta levantar e abanar as placas nas esquinas da vida. E isso ainda é fichinha perto do que vem por aí. Estejamos preparados.


OBS.: A ilustração é meramente ilustrativa.

domingo, 17 de setembro de 2017

MÚSICA (152)


FURDUNÇO EM TIBIRIÇÁ
Foi ontem, sábado 16/09/2017, lá no distrito de Tibiriçá, distante 15 km desta "sem limites" Bauru.

Uma tarde de sábado e um convite para uma feijoada feita pela família Cosmo, ou os Baté, como também são mundialmente conhecidos. Anualmente eles encontram um jeito de reunir diletos amigos e fazer a devida reverência, medalhando todos os presentes e quando as medalhas acabam, entregam flores do campo e até a própria roupa do corpo, tudo para verem a felicidade estampada na fisionomia dos visitantes.

No convite deles “Feijoada em pról do bloco Estrela do Samba regado com muito Samba”, R$ 20,00, local: Centro Rural de Tibiriçá.

O fazem sempre com muito samba, dos bons, alegria e uma feijoada. Bato cartão e o faço em turma, pois viver em coletividade é sempre muito mais alvissareiro do que viver isolado.

Lá estivemos e nos misturamos todos os presentes na festa, comilança e cantoria. Primeiro os ritmistas lá do bloco carnavalesco "Estrela do Samba", uma reunião de sambistas espalhados pela parte periférica bauruense e depois, quando da chegada de Jô Moura, a chamam e ela canta junto deles, para deleite de todos e todas presentes.

O gostoso da festança por lá é essa união de gente de tudo quanto é lado de Bauru, gente que gosta de samba, de mato, de comida caseira e de se socializar coletivamente.

Eu, nos intervalos da comilança, bebelança, pajelança e sambança, me dei a fotografar as cenas, as pessoas e aqui posto um bocadinho do que lá foi vivenciado coletivamente. Enfim, já escrevi demais da conta. Fiquemos com as imagens, pois elas dizem muito disso tudo de botar o bloco na rua e ser feliz sem isso de ficar ruminando ódio pelas ventas.

Estamos aí pro que der e vier. “Nóis semos assim”, uai e como estava escrito num cartaz que passou bom tempo lá colado no mafuá: "A gente faz festa, mas está puto da vida". E nem por causa disso deixamos de nos reunir. É nesses momentos onde precisamos nos reunir mais e mais e expor nossa face, sem medo de dizer que não fazemos parte do grupo dos que vivem como manada.

NÓIS GOSTA DE SAMBA DESSA FORMA E JEITO
Ontem na festa do "Estrela do Samba", bloco carnavalesco dos Baté lá no distrito de Tibiriçá. É furdunço para mais de metro. Desopilei o fígado e hoje estou curtindo uma lenta recuperação. HPA (só na água mineral). Vejam o link: https://www.facebook.com/henrique.perazzideaquino/videos/vb.100000600555767/1834091743287493/?type=2&theater

REUNIÃO DE SAMBISTAS, CULMINANDO COM SAMBA DE PRIMEIRA E NA VOZ DE JÔ MOURA... E tendo como pano de fundo o Mafuá do HPA. Depois de muita conversa entre os sambistas, boa discussão sobre o tema, nada como uma cantoria antes do grupo se dispersar. Na despedida, quando muitos já haviam levantando/arriado a bandeira, os resistentes insistem em não querer ir embora. Eu já coloquei a vassoura atrás da porta, em três portas diferentes, mas esse povo não quer ir embora de jeito nenhum. Não sei mais o que fazer. Acho que vou acabar aderindo. Vejam o link: https://www.facebook.com/henrique.perazzideaquino/videos/1834603936569607/

O dia de ontem foi encerrado aqui pelos lados do mafuá, com uma inusitada reuniã ode sambistas bauruenses e uma proposta de união de interesses. O espaço mafuento cai como uma luva para essas atividades e nesses dez anos, com a concretização de um local onde possa reunir amigos, boa discussão e propiciar algo de novo para esta Bauru, eis o motivo para desmedida felicidade. O convite, bolado e divulgado pela cantante Jô Moura sai aqui publicado como espécie de reconhecimento para com o Mafuá, mais um prêmio nesses dez anos de atividade.

sábado, 16 de setembro de 2017

PALANQUE - USE SEU MEGAFONE (103)


MAFUÁ DO HPA EM FESTA: 10 ANOS DE ININTERRUPTAS ATIVIDADES

Chegou o grande dia e quase que ia me esquecendo. Sou mesmo desligado, mas impossível não dar o breque e comemorar, enfim, não é todo dia que se comemora dez anos de escrevinhações múltiplas e variadas. Em 14/09/2007 publiquei isso em algo alinhavado pela minha cabeça, a explosão, publicar tudo o que me vinha pela cabeça: “MEUS CAROS - AGUARDEM SÓ MAIS UM POUQUINHO, POIS OS ÚLTIMOS AJUSTES ESTÃO SENDO FEITOS PARA ADENTRARMOS O GRAMADO. A PELEJA JÁ VAI SE INICIAR. AINDA ESTOU CALÇANDO AS CHUTEIRAS, MAS COMO ESTOU UM TANTO DESTREINADO, ISSO DEMORA UM BOCADINHO. HENRIQUE PERAZZI DE AQUINO”.

A partir disso a coisa foi explodindo, mais e mais e chegou a essa quase obrigação (uma tortura) de ir, pelo menos, publicando no blog um texto por dia. Todos meus textos de Memória Oral (que um dia vai virar livro e já tenho o prefácio de Ignácio Loyola Brandão), os Retratos de Bauru (que depois no facebook se transformaram no Personagens sem Carimbo – O Lado B de Bauru e já passam dos 900 personagens), os Drops – Histórias realmente acontecidas, a Charge Escolhida a Dedo, Bauru por Aí, Frases de um Livro lido e por aí afora. Quando comecei ainda estava trabalhando nas hostes da Cultura Municipal e a ideia do mafuá me veio de uma conversa com Sivaldo Camargo, quando comentávamos que nossa compartilhada sala de trabalho parecia mesmo um “mafuá”. A ideia pegou e hoje, passados dez anos, não é difícil alguém do outro lado da rua gritar: “Diz aí, Mafuá”. Virei o próprio.

A princípio o mafuá era uma ideia na cabeça e tudo o que tinha guardado em pastas ir sendo disponibilizado no blog. Não existia isso de um lugar fixo, apesar de a casa onde morava com meus pais (voltei a viver com eles após minha separação da Cleo) e para cá trouxe tudo, desde livros, LPs, CDs e papéis de toda natureza. O tempo passou e ocupei quase todos os espaço da casa. Minha mãe se foi, depois meu pai e acabei herdando a casa e por fim, denominei o lugar de Mafuá. Virou o espaço físico. Há oito anos e pouco vivo muito bem com a Ana Bia, mas num apartamento ainda pequeno, que mal cabem o mafuá lá dela (professora carioca e chegando com uma tralha igual a minha). No apartamento cabe o que é dela e aqui na Baixada, o meu mafuá, onde tento manter as minhas, quando as cheias do ribeirão Bauru permitem. Muito já foi levado pelas águas. Quando não levanto tudo, perco uma parte, mas isso só ocorre em janeiro e em cada um, sufoco danado. Vigia de papéis, pois molhados não viram.

E daí, agora se completam DEZ ANOS de escrevinhação e aporrinhação dos diletos amigos e amigas. Tudo o que vai pela minha cabeça eu posto e deixo registrado no Mafuá (www.mafuadohpa.blogspot.com). Foram tantas coisas boas (algumas ruins), que temo esquecer de muitas se for me dar a lembrar, querer citar algumas. O fato é que hoje, quando coloco Bauru no google, surgem inevitáveis citações de algo publicado no mafuá. Fotos por mim tiradas se espalham com o vento e são reproduzidas por tudo quanto é lugar, algumas com citação de fonte, outras não. Gente me descobre e faz contato de longe para saber mais de alguma coisa publicada. Alguém se lembra do mendigo Juscelino, que apareceu no meu portão e vieram busca-la lá de Itaqui RS, divisa com a Argentina. A tal da derrubada do totem da Havan, o com a Estátua da Liberdade na entrada da cidade rendeu de tudo, até uma entrevista feita pelo celular, quando estava em viagem em Buenos Aires. Adoro entrar numa boa polêmica e foram tantas, mas em nenhuma algo fútil, sem sentido, pois tento manter essa desregrada vida no caminho de retidão (não seria perdição?).

Eu não tenho regra pra nada. Escrevo o que me dá na telha, mas sempre da minha linha de pensamento e ação. Agrado a alguns e desagrado a outros tantos. Ótimo isso, faz parte da vida. Imaginem a chatice de agradar a todos. Prefiro ser essa inconstância que todos a compartilhar de minha amizade sabem inata, grudada em mim. Sigo em frente como posso, na maioria das vezes aos trancos e barrancos. Adro escrever de Bauru e dos seus, mas com a minha pegada. Não sou dado a adular poderosos (mesmo gostando de uns poucos dos providos de grana na cidade), preferindo sempre ter em meus textos os do dito Lado B, os que não saem na mídia massiva e quando o fazem, el algo depreciativo. Toco meu barco assim, Ana me entende até onde pode, meus amigos idem, eu sigo sobrevivendo mal e porcamente com caraminguás vendidos ao estilo camelô e nas horas vagas escrevo. Tenho umas pastas por aqui onde no título já a percepção do seu conteúdo: “Tudo”. Vou juntando tudo o que escrevo ou penso em escrever.

Hoje o blog quase não tem mais comentários, mas sei que muitos continuam acessando e lendo o que ali sai registrado. Ou mesmo, entram para pesquisar algo. Tudo o que sai hoje no blog, sai também no meu facebook pessoal, ali com mais comentário, diversão e até pauleira. No face a postagem some rapidamente e lá no blog, pelo menos por enquanto está disponibilizada para pesquisa e de fácil localização. Não pretendo parar, o que descontenta meus detratores, mas como não represento perigo nenhum, não vai ser um escrito chinfrim deste mafuento que vai abalar alguma estrutura pela aí. No mais, quero continuar gerando debates. Como não sei se irei viver mais dez anos (meus amigos estão todos indo muito cedo - a boêmia fenece), permaneço por esse mesmo batcanal, escrevendo e expondo meus escritos para apreciação pública. Seguidor da filosofia do ex-presidente corintiano Vicente Matheus, “quem entra na chuva é para se queimar”, sei que escritos são para gerar algo, provocar, instigar e fomentar efervescência. Do contrário, seria tudo sem sentido.

Estou feliz por ter conseguido permanecer no ar por esses dez anos e tentarei ao meu modo e jeito tocar o barco. Conto com a ajuda e colaboração de tudo, todas e todos. Sem você eu não seria nada (mas eu não sou um nada?). Preciso da muleta de todos vocês.

Muito Grato e feliz como pinto no lixo.

Abracitos sinceros do HPA

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

COMENTÁRIO QUALQUER (167)


O PAÍS EMBURRECIDO E ANDANDO PARA TRÁS
O emburrecimento brasileiro tem nome: PT. Tudo o que possa levar o nome PT é execrado em praça pública por parcela dos brasileiros. E tudo pode ser uma grandiosíssima merda, não levando nada que lembre o PT, passa incólume. Levandoo nome do PT, trava, empaca e dá-lhe patadas, inconsequência e admoestações. Trata-se de uma boçal perseguição, insuflada por uma mídia massiva com muita culpa no cartório. E tudo hoje, após anos de lavagem cerebral na cabeça de um povo que não lê mais nem bula de receita médica, quanto mais coisa séria. São os que se informam somente pelas vias do que lhe passam no celular ou via TV Globo. Foi um pulo chegar ao cruel intento com esses teleguiados. O PT virou o grande vilão do país. Não adianta nada mais ser feito e mesmo diante da roubalheira nunca vista, como a desse golpista momento, a culpa de tudo é somente uma: de Lula e do PT.

Triste constatação, necessitando ser feita: Caso de burrice aguda. Agora virou moda descer a lenha em exposições e obras de arte com temática sexual. Virou moda onda de conservadores intervir e fechar esses lugares. Muitas podem ser de gosto duvidoso, mas o que se vê acontecendo é a bestialidade indo na onda das proibições, como se isso fosse problema de ordem pública. Sexo em exposição e mostras sempre existiu, mas hoje com a onda moralista conservadora, emburrecedora e castradora em ascensão, virou moda impedir, fechar, lacrar e os argumentos, pífios, os mais lamentáveis possíveis. Arte, pelo pouco que sei, é algo abstrato, se gosta ou não, se entende ou não. Botar moralidade e bons costumes no meio disso é uma aberração medieval. Mais triste ainda é ler que quem faz arte desse jeito só pode ser esquerdista, portanto petista. Aí já é burrice elevada à sua máxima potência.

Tudo tem que ter o PT no meio. Até no terreiro que foi recentemente depredado, leio que essas “religiões do diabo” são todas coisas de esquerdistas, dos vermelhos, portanto, do PT. Sendo do PT está justificada a depredação. Essa bestialidade já extrapolou a questão do Fla x Flu entre petista e tucano, entre esquerda e direita, entre o certo e o errado. Existem grupelhos bestiais espalhando e insuflando esse acirramento e como estamos rodeados de néscios inconsequentes, daí para tudo descambar pra violência, um mero pulo. Faz mais de um ano que Temer está no governo, mas muitos veem a mão petista na reforma da Previdência que danou o país. E botam a culpa de tudo no PT. Não aceitam dar o braço a torcer e ter que apoiar algo onde o tal do PT estiver junto. Preferem ver o país destruído neste mar de corrupção do que aceitar que, o momento atual é infinitamente pior do que tudo aquilo pelo qual saíram às ruas. Seguem suas vidas de mamadas, teleguiados, cada vez mais conservadores e sempre culpando só o PT por tudo. Fato consumado.

Vá ser burro na casa do chapéu.

OBS.: O PT tem lá suas culpas, muitas, diga-se de passagem, mas nem por causa disso é culpado de tudo. Existem piores, muito piores e esses todos são paparicados e isentos de culpa pelos emburrecidos. O país desandou e está ladeira abaixo.

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

CARTAS (179)


AS MANCHETES DESMENTEM FIESP E CAFEO*

* Antes de lerem o texto da carta, reproduzida abaixo, publicação de hoje na Tribuna do Leitor do JC, algumas explicações. A comprovação do que escrevo está nas próprias manchetes do JC. O tal economista diz que tudo se recupera e na macnhete lá está: "Microempreendedor acumula dívidas de quase 50 milhões". Ou seja, o certo sou eu ou o Cafeo? Hoje, na manhã na 94FM, ele estava bufando e disse num certo momento: "Existem uns aí que não entendem nada, não analisam a floresta e sim, somente uma árvore". Ele, Cafeo, defende os rentistas e as leis do mercado, que representam 1% da população, sendo que 99% estão penando e feio, todos quebrados e sem nenhuma esperança de recuperação. O que é árvore e floresta neste imbróglio todo, me digam? Leiam minha carta abaixo:


"Hipocrisia cansa. Abro a edição do JC e em página dupla de 12/9, a FIESP pede explicações pela quantidade de desempregados, sendo ter sido ela uma das culpadas por ter apoiado (e continua a fazê-lo) o cruel e insano golpe sobre os costados da imensa maioria do povo brasileiro. Ligo o rádio e lá o economista Reinaldo Cafeo, na fala diária no rádio e nos textos semanais para o próprio JC (“Economia volta a crescer”, 7/9), insiste em dizer que o país se recupera, a inflação estanca e estamos superando a crise. Mas como? Deslavada mentira, comprovada pela manchete de hoje aqui mesmo no JC, “Em meio à crise econômica, ‘crimes inusitados’ já proliferam em Bauru”. Outro dia algo de igual teor com “Número de feirantes dobra em Bauru”, 4/9 e “IPMet manifesta preocupação sobre continuidade de atividades do órgão”, 06/9. Simples. O povo está cada vez mais danado, complicado e num beco sem saída e para gente como a FIESP e Cafeo, tudo caminha bem. Deslavada mentira. Boa a situação está para quem segue as leis deste tal de “mercado”, o que de mais nefasto existe hoje. O mercado regulamenta a lei régia do neoliberalismo predador, um que age com poucos personagens, uma ínfima parcela, menos de 1% da população. Se está bom para esses, para o restante da população, os tais 99%, como se comprova pela ação das ruas, a saída é a proliferação de ações desvairadas, de um povo cada vez desesperado. As próprias manchetes do jornal desmentem o que dizem esses economistas e aves de mau agouro. A economia pode melhorar segundo a visão destes, mas com tudo precarizado, com o trabalhador de mãos atadas, submisso e sem legislação a lhe defender. A ladainha desses é totalmente contrária aos interesses do povo brasileiro. Lacaios. Enfim, como todos repetem, "tudo culpa de Lula".

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

AMIGOS DO PEITO (137)


A AMIGA MAYSA BLAY E O AMIGO HOLMES, O LELO:
Escrevo hoje de dois amigos, uma de longe do Rio, tendo escrito algo contundente, compartilhado aqui com louvor e o outro, um amigo falecido hoje pela manhã, parte e deixa saudades:

QUANDO ALGUÉM VIER ATACAR O QUE REPRESENTOU O GOVERNO LULA, EIS UMA RESPOSTA COMO DEVE SER DADA:

“Primeiro, querido (você sabe quem!), o governo Lula/Dilma não foi um governo comunista. Por favor! Longe disto. Foi sim um governo de "programas socializantes", inovadores, voltados para uma grande parcela do povo, para a qual nada, ou muito pouco de bom havia sido feito em 503 anos de história do Brasil. Programas que de tão bons e inovadores chamaram a atenção do mundo ao Brasil, como o Bolsa Família (que movimentou direta e indiretamente a vida de 60 milhões de brasileiros), programas de ingresso de estudantes em desvantagem nas universidades, o Mais Médicos, o Minha Casa Minha Vida, e muitos outros.

Segundo, querido (você sabe quem), o conceito de esquerda não é um conceito monolítico (como certas cabeças). Esquerda não é só USSR ou Cuba. Países lindos maravilhosos como Alemanha, Holanda, países nórdicos e até o Japão tem programas ALTAMENTE socializantes em seus governos. O que você acha que são escolas públicas de qualidade para todos? Ou um sistema público de saúde que abrange a todos? Ou transporte público de alto nível gerido pelo governo e com tarifas justas? Ou ainda programas de habitação popular? Ou salário desemprego e programas de alimentação para pessoas com baixa renda? O que você acha que é tudo isto? Você acha que são programas capitalistas selvagens, plataformas vagabundas neoliberais? NÃO. São programas de países de primeiríssimo mundo com um forte investimento de governo - sim, interferência do governo, "mão" dos governos - no amparo e na equalização de suas populações. Estes governos são muito mais de "esquerda" que os governos de Lula/Dilma. E neles, como aqui foi, a inciativa privada não é tolhida, mas estimulada.


Num outro sentido, (você sabe quem), veja o que um país selvagemente capitalista, comandado por empresas, tem a oferecer a seu povo. Veja os EUA, onde a questão da saúde pública é sofrível. Não se chegou ali ao dedo mindinho dos sistemas existentes no Canadá, em Portugal, nos países listados acima, ou mesmo ao nível de CUBA!!!!. Mais de 60 milhões de americanos não tem acesso a um mero Posto de Saúde. E o sonhado e embrionário Obamacare está sendo desmontado por Trump. Já o sistema de ensino americano, que é mega abrangente, uma decisão maravilhosa (embora muito criticado pela qualidade) da década de 60, está agora sofrendo ataques silenciosos do governo atual.

Portanto, (você sabe quem), não é difícil ver qual é o melhor dos mundos. Não é preciso ver que este mundo bom que pode existir, é também um mundo em que os cidadãos caminham, através dos serviços públicos de qualidade e abrangentes, para uma equalização do padrão básico de vida. Com oportunidades equilibradas, não precisam de cotas em universidades, não precisam ganhar fortunas para ter vidas decentes, não precisam passar por cima dos vizinhos para sobreviver, não precisam de grades e de carros blindados. É simples, querido (você sabe quem). Pare de ler e assistir mentiras no e na Globo, na Veja, Folha ou Estadão. Se quiser, lhe passo uma lista de autores e blogs que são honestos em suas colocações”, MAYSA BLAY, amiga carioca, trabalha no INPI – Instituto Nacional de Propriedade Industrial, na cidade do Rio de Janeiro RJ e esse seu texto precisava estar aqui, no dia de mais um depoimento de Lula junto à Lava Jato.


LELO BATIA UM BOLÃO E ERA ÓTIMO PAPO*
* Esse texto do Lelo tem que estar aqui hoje, pois ele, mesmo não tendo nada de esquerdista, sabia ouvir. Ouvia e debatia, um gentleman na acepção da palavra.
No dia em que o ex-presidente Lula se apresenta diante do inquisidor mór da nação lá em Curitiba, o Sergio Moro para uma segunda audiência frente a frente, uma pessoa por quem tenho grande admiração vem a falecer. Mas que raio de relação tem o depoimento de Lula com a morte do seu amigo?, poderiam me perguntar incautos de plantão. Explico. Esse amigo morto era dos poucos pelos quais não tínhamos nenhuma afinidade política, campos exatamente opostos, mas nem por causa disso saímos nos engrimando pela aí. Nunca fizemos isso, sempre existiu o máximo de respeito e consideração. Constantemente o via pelas ruas da cidade e a conversa fluia como poucas. Esse o motivo da imensa saudade e dor sentida pelo seu passamento. Faltam pessoas sesnsatas nos dias de hoje, dessas que ouvem, sabem ouvir e não só falar. Esse que hoje se foi era desse time e batíamos um bolão juntos, papo de longas horas. E foi um jogador de bola desses de encher o olhos.

Holmes Rodolfo Martins, o Lelo, de 66 anos, foi um dos zagueiros do meu time dos sonhos do Esporte Clube Noroeste, o time da aldeia onde nasci, cresci e vivo e o único time ainda me fazer chorar. Ao lado de outro, pelo qual nutro inenarráveis lances na memória, o Marco Antonio, formou uma dupla de zaga nunca mais vista lá pelos lados do Alfredo de Castilho. Ele morreu hoje vítima de câncer, após um tempo internado no hospital São Lucas aqui mesmo em Bauru. Se não me engano Holmes era advogado, mas trabalhava nas hostes da Prefeitura Municipal de Bauru, no CAPs, ali na Azarias Leite defronte o consultório do dr Ivan Segura.

Nas idas ao médico, nosso ponto de papo era na calçada e ali esquecíamos da vida. O conhecia como jogador de bola e tempos depois ele se apresentou a mim numa festa noroestina, quando me disse ler o que escrevia e queria muito me conhecer. Ficamos amigos na lata, de imediato. Daí por diante, sempre que o via, o papo rolava e não arrefeceu nem quando essa desgraceira do golpe se abateu sobre o país. Ele, influenciado pela mídia massiva se dizia contra a esquerda, mas conversava muito, não fugia do pau e o papo sempre rendia, pois ele nunca foi agressivo como a maioria o é hoje. Nos entendíamos ao nosso modo e jeito, como bons e verdadeiros noroestinos, bauruenses, amigos e respeitadores da opinião alheia. Eu sempre terei baita admiração por tudo o que jogou e me proporcionou nas idas vê-lo esmerilhar com a bola. Lelo se foi muito novo, acometido por essa doença que arrebata a gente antes da hora e quem perde são os conversadores de calçada, como eu e ele, pois de hoje em diante será um a menos para os afetos desses papos difíceis de encontrar. Essas duas fotos dele são minhas e foram tiradas no dia do lançamento do livro do Noroeste, escrito pelo Paulo Sérgio Simonetti, lá no saguão da rádio 94FM, coisa de uns cinco anos atrás. Vai deixar bruta saudades nesse noroestino e vermelho cidadão.

terça-feira, 12 de setembro de 2017

COMENDO PELAS BEIRADAS (44)


“CRIMES INUSITADOS” OCORREM EM BAURU - JÁ COMETEU O SEU HOJE?

Eu cito aqui regularmente manchetes do Jornal da Cidade e isso é a coisa mais normal deste mundo. Esse o único jornal impresso da aldeia bauruense e daí fonte de todos os olhares, atenção exclusiva. Pelo sim e pelo não, está nas minhas mãos diariamente. Leio, releio e em muitos casos, cito algo do que ali sai publicado. Hoje novamente o faço e por causa da manchete de primeira página, “Em meio à crise econômica, ‘crimes inusitados’ já proliferam em Bauru”. Que seria isso de ‘crimes inusitados’? Fui ler e me deparei com algo corriqueiro em momento de desespero como os vividos pelo país após o golpe jurídico midiático dado por Michel Temer em dona Dilma Rousseff. Nada mais do que o jeito que a população sem emprego, sem eira nem beira, sem recursos, mandada pro olho da rua pelos empresários apoiadores do pato da FIESP e sem saber como pagar suas contas, resolvem invencionar meios de ganhar algum e assim honrar o pagamento de contas e continuar sobrevivendo, comprando o gás doméstico, colocando combustível em conta gotas no tanque dos seus veículos, pagando a continha pendente no armazém do amigo que lhe confiou fiado e por aí afora.

No mesmo jornal alguns dos seus colunistas insistem em dizer que o país está melhorando, saindo da crise, sem inflação, resolvendo seus problemas e se safando das agruras. Ladainha mentirosa de gente envolvida com o que lhes rege as tais leis de mercado, o nefasto crime neoliberal a endeusar os 1% rentistas, que vivem só de aplicações e não querem mais saber de investir dinheiro em trabalho, só em papéis. Para esses, a coisa pode ter melhorado, mas para os 99% restantes está que só piora. E não vai melhorar enquanto esses cruéis e insanos golpistas continuarem a nos sacanear. O que os colunistas do jornal dizem nos textos assinados do jornal, as próprias manchetes desmentem. Essa de hoje uma delas. Se para os ricos está um “mar de rosas”, para o povão está um “deus no acuda”, verdadeiro “salve-se quem puder”.

Isso de “crimes inusitados” é mesmo do balacobaco. Fui ver a relação dos tais para ver os que já apliquei e os que ainda posso vir a aplicar, pois como após o golpe, cada dia é um novo dia de padecimento, ao conseguir algo para hoje, deito e levantando, tudo começa de novo. Haja plano mirabolante para vencer as atribuições do outro dia, quando se continua sem emprego, sem dinheiro e sem esperanças. Só mesmo fazendo uso desses tais ‘crimes inusitados”. Gostei do termo e fui ver do que se trata. O jornal explica. São pequenos “furtos e roubos”. Conta o causo de um cliente de bar que levou o celular do garçon e do ladrão que antes de levar o produto do roubo pede desculpas à vitima. A aflição faz a pessoa cometer loucuras, muitas delas explica o jornal, “para suprir necessidades básicas”, já outros, sacanas contumazes. É o tal do comumente difundido como “a ocasião faz o ladrão”, ou seja, estou roubando só agora, mas depois volto ao normal, mas só se a coisa se normalizar e se isso não ocorrer, posso acabar me especializando em delitos e daí, já que aprendi novo ofício, nele permaneço. Melhor que dar aulas.

Sarah Fernandes, minha estimada amiga lá do Mary Dota relata algo assim ocorrido com ela essa semana. Aparece lá no seu salão um cliente novo, nunca havia estado por lá e enquanto ela se descuida ele lhe subtrai o celular. Terá o sujeito usado o aparelho para comprar gás em sua casa? Sei lá, o fato é que isso agora é denominado de inusitado. Eu, no meu caso, confesso que teria outro procedimento. Se entrasse para esse ramo, não lesaria ninguém também em situação difícil, escolhendo os mais abastados para a prática do delito. Pobre roubando de pobre não é inusitado, é ladrãozinho de merda.

Encerro com algo bíblico: quem rouba ladrão tem cem anos de perdão. Pobre lesar pobre, algo imperdoável, já lesar rico, perdoado com louvor divino. Está lá no capítulo tal, versículo tal. Conto algo que aconteceu com amigo meu. Uma senhora comprou na lojinha dele. Pegou e levou, pagou uma parte e a outra ficou para outra semana. Foi receber e ela lhe disse descaradamente: “Meu deus já me perdoou por eu não pagar o senhor. Pedi a ele, expliquei a situação, meu pastor também aprovou e como não tenho, não lhe pago e ele não me punirá, estou perdoada, graças a deus”. Inusitado isso?

Cuidado comigo, pois sempre fui e sempre serei uma inustitada pessoa. Recomendo manter certa distância.