domingo, 19 de novembro de 2017

AMIGOS DO PEITO (139)


EXPO NA BANCA DO CARIOCA, NIVER MANA HELENA E TIBIRIÇÁ
Foi uma manhã das mais efervescentes. Ferveu logo cedo com a exposição "O QUE VIESTE BUSCAR NA BANCA DO CARIOCA?", onde lá junto da famosa banca de livros, LPs e CDs do Francisco Carlos Jaloto, as fotos das pessoas que desde junho foram por mim fotografas circulando ali pelo local em busca de algo bem suspeito. Muitos estiveram por lá prestigiando a exposição e os fotografei novamente junto das fotos da exposição. A exposição da exposição.

O mais gostoso é você começar o dia com um casal, a Magali Arantes, dentista e fotógrafa, junto do marido Valter, que vieram na feira do rolo só para presenciar a exposição. Que papo gostoso, saboroso e ela entendendo a proposta deste mafuento, que não é fotógrafo (nem nunca será), mas produziu algo com um olhar de quem enxerga as coisas da rua e valoriza suas possibilidades.

Ver Carioca vestir a camiseta igual a minha, que ele havia trazido numa caixa e ao me ver com a "Eu amo a rua", sacou a sua e a envergou pela manhã inteira, algo de amigo pra amigo. Esticamos barbantes, busquei prendedores de roupa, esticamos fios, subimos em banquinhos de plástico e quando demos conta, pronto, a exposição estava pronta, montada ali na parede da Associação dos Aposentados. Foram 68 fotos e ver a cara de satisfação de cada um, principalmente os personagens ali da própria feira, eles ali representados, isto é coisa que não tem preço.

Os amigos e amigas foram chegando depois das 10h30 e foram muitos, gente que nem esperava, mas fazendo questão de estar ao meu lado neste dia. O papo rolou solto e foi uma gostosura. Pelas fotos dá para se perceber o quanto foi instigante ter feito a mesma, dentro da maior simplicidade e notar que o resultado foi mais do que instigante. Diria, emocionante. Já penso numa outra, dentro de moldes mais ou menos parecidos, fotos de minha lavra, sem técnica rebuscada, mas com o olhar de quem tenta entender um pouco das coisas da rua. Já a montei mentalmente e começo os registros tão logo a sogra querida saia do hospital.

A exposição foi até umas 12h30 e a todo instante olhavámos para o ceú e aquelas nuvens escuras, ora ameaçavam, ora o sol dava o ar da graça. Por fim, a chuva não veio e tudo saiu a contento. Saímos de lá e fomos todos para o Bar do Barba, ali na esquina da Gustavo Maciel com a Julio Prestes e, além do chopp gelado, a festa de aniversário da mana Helena Aquino, seus convidados e os meus, todos juntos, comendo quitutes, desfrutando de um longo papo. O que já estava gostoso do lado de lá, no meio da feira, foi transferido a contento pro bar e realizamos a segunda festa de aniversário de amigos ali na feira dominical. O primeiro foi surpresa, da Fatima Brasilia Faria, ano passado.

Para encerrar o dia com chave de ouro, ainda buscamos força e alguns dos nossos nos juntamos com a festança ocorrendo lá em Tibiriçá, em homenagem ao Dia de Zumbi dos Palmares e Semana da Consciência Negra, quando a família Baté, além de uma feijoada para todos os presentes, algo repetido ano após ano, distribui medalhas do Zumbi para personalidades que estiveram ao seu lado durante o ano. Algo mais do que emocionante e depois, o samba, comandando solto, por quem entende do negócio, sob a batutra do mestre Zuza, um que sabe tirar sambas do fundo do baú e com uma memória de assustar gente sã.

O dia não podia ser melhor.

sábado, 18 de novembro de 2017

O PRIMEIRO A RIR DAS ÚLTIMAS (47)


OS QUE ANTES ESTAVAM DE VERDE-AMARELO NAS RUAS, HOJE QUEREM QUE A GENTE, OS QUE ESTÁVAMOS CONTRA O GOLPE DEFENDAM EM NOME DELES A BARAFUNDA DO PAÍS EM QUE FOMOS ENFIADOS POR CAUSA DAQUELA INSENSATEZ COLETIVA

As coisas são engraçadas neste país varonil. Recebo ontem de um dileto amigo internético, um que esteve vestido de verde amarelo até bem pouco tempo e hoje está revoltado com o país que ele ajudou a deixar do jeito que se encontra hoje, o seguinte e revoltado texto:

“IMPOSTO DE RENDA - Decreto que aumenta de 27,5 para 35%, a alíquota do Imposto de Renda. - Este reajuste atinge diretamente a classe média. Sem querer cortar gastos, o governo com sua exuberante incompetência, quer como sempre, repassar para a população. Assim é moleza, roubam, administram mal, e nos dão a conta para pagar. Passe adiante... - Se cada pessoa passar para 10 amigos de setores diferentes, no 6° repasse atingiremos milhões de brasileiros. Vamos tirar 5 minutos para mudar o Brasil e defender nossas famílias e nosso suado dinheiro. Eu fiz minha parte ! Faça a sua! R$6 milhões é o valor que vai receber cada deputado que votar pela Reforma da Previdência que corta sua aposentadoria. Estão querendo tirar o zap do ar pra que essa mensagem nâo viralize até eles tomarem uma providencia! VAMOS VIRALIZAR! MANDE PRA TODOS SEUS CONTATOS! A Globo está tentando esconder a todo custo, mas o zap vai divulgando...”

Respondi de um jeito que deve ter espantado o indignado cidadão:

“Espero que agora, sofrendo na pele a maioria dos brasileiros que foram enganados pela Rede Globo caiam em si e vejam que o grande culpado deste país estar na merda onde nos encontramos não se chama Lula e Dilma, mas o que "eles" (a Globo, Judiciário e políticos sujos) queriam era se ver livres de quem ainda fazia algo pelo povo, para no seu lugar cravar a estaca contra os interesses da maioria. Luta contra o que representa a Globo, meu caro, é devolver o país à normalidade, reestabelecendo o mandato de Dilma até o fim, reconhecendo o golpe que lhe foi dado e repudiando o que vem sendo feito de barbaridades, inclusive pela via do Judiciário. Para este país não acabar de vez, ou lutamos contra quem nos apunhala de verdade, ou eles tomarão conta de tudo. Minha escolha, feita desde lá atrás, não é pelo fim do PT, mas contra o que veio depois dele. Foram esses que estão destruindo com o que resta de Brasil e nada fazemos. Até quando?”.
Não seria o caso de passarem a se utilizar de...

Sua resposta veio com aquela mãozinha em sinal de positivo. Não me dei por vencido e aproveitando a deixa, tasquei algo mais:

“Percebam a cagada que foi apoiar e sair de verde-amarelo nas ruas contra uma provável corrupção, que hoje é imensaqmente maior e ninguém faz mais nada, todos passivos e quietos. Que país é este?”.

A resposta veio na forma de outra mãozinha em forma de positivo e uma frase, repetido como mantra quando alguns dos verdinhos são encostados na parede: “Infelizmente meu caro Aquino , Temer foi eleito junto com Dilma.....”. Claro, não me segurei nas pernas e tasquei isso como resposta:

“Só que foi traída, o povo todo, enfim, a nação quando se aliou aos golpistas, os tais de verde amarelo, que hoje se calam e não tiram a cara da toca nem contra isso que me postou inicialmente. Lembro muito bem de uma frase do Temer ainda quando vice: "Dilma me trata como figura decorativa". Lindo isto, ela sabia quem ele representava e o mantinha contido, à distância das decisões, enfim, todo o PMDB contido. Com o golpe, a traição cometida contra ela, eis o resultado”.

Sua resposta: “Tudo bem onde estão os traídos que não se manifestam ? Não batem panela ? ?????????”. A minha postei a seguir:

“Medo, meu texto fala disto (citava um texto publicado no blog em 16/11). Lhes tiraram tudo, inclusive a capacidade de entender o que se passa. Pensam só em como comer hoje, continuar sobrevivendo amanhã e como vão poder desta forma virar a mesa e sacar esses caras aí instalados, os tais que os verde amarelos, os tais lá da Getúlio Vargas? Esses sim, são coniventes com tudo o que ocorre hoje, pois mais esclarecidos, porém, ainda odiando o PT. A lavagem cerebral foi tão intensa que o ódio não os deixa enxergar e reconhecer o tanto de maldades que hoje vivenciamos. A empáfia desses infelicita o país, pois se fosse com o PT, insuflados por essa mídia que hoje denunciam, esses aumentos de gás e gasolina já tinham dado em muita confusão. Hoje, esses desavergonhados se omitem e fingem nada ser com eles. Uns bostas”.


Encerra a conversa com: “Espero que você esteja certo.... Torço por um Brasil de todos..... Abraços e VAI CORINTHIANS !!!!!!”. Na despedida ainda sacramentei:

“Sim, o Corinthians é nosso alento. Mas não dá mais para jogar a culpa no PT, que ainda fazia algo por esse povão e hoje, ninguém mais faz nada, perdemos todos os benefícios e direitos tão duramente conquistados ao longo de décadas. O desalento se expressa na fisionomia dos desvalidos, dos menos favorecidos, cada vez mais prejudicados e sacrificados. Uma ínfima quantia de pessoas se beneficiando de tudo. Rico não paga imposto, não contribui adequadamente com nada, sonega muito, sacanas em tudo, fortunas criadas e entramos na deles, ainda os defendemos. O problema da Previdência não é o pobre que precisa se aposentar, mas os grandões que não contribuem e ninguém cobra nada. Fazem o que querem deste país”.

Encerrou o papo definitivamente com: “Valeu Aquino... abraços”.


Foi assim. Nada mais a acrescentar.

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

DOCUMENTOS DO FUNDO DO BAÚ (109)


A MANCHETE DO JORNAL, O PASSEIO PELA BATISTA E AS PORTAS CERRADAS
Eis o auspicioso Natal dos comerciários bauruenses, com muitas portas fechadas, cerradas em quase toda a extensão da rua principal do comércio do centro da cidade, a Batista de Carvalho, seu Calçadão. O dos comerciantes ainda não consegui avaliar, pois ainda não se sabe se as contratações temporárias ocorrerão dentro das normas trabalhistas antigas ou as recentemente implantadas e colocadas em vigência pelo governo do ilegítimo Michel Temer e seus asseclas. Se pelas novas, como já comprovado pelas empresas onde já foram aplicadas, ocorreram evidente aumento de lucratividade dos comerciantes e perdas consideráveis, irreparáveis e irreversíveis para os comerciários. Enfim, está é a tal da modernidade proposta pelos golpistas, aprovada pela Câmara dos Deputados e referendada pelos ditos pessoas de negócio deste varonil país.

Primeiro a manchete do Jornal da Cidade de hoje, sexta, 17/11: “Economia de Bauru terá incremento de R$ 300 milhões com 13° salário”. Não contem com essa dinheirama no comércio, pois o endividamento neste final de ano é crescente, latente e pulsante. O dilema já está estabelecido: "pago dívida ou compro presentes e gasto no comércio?" Pensando em quantas anda o comércio e os comerciários, circulei ontem pela Batista e fotografei todos os pontos comerciais fechados, desde sua quadra 1, a mais pobrinha de todas, com lojas beirando a hora da morte e para espanto geral, logo a primeira, o Hotel Cariani encontra-se com suas portas fechadas. Naquele quarteirão só funciona o Hotel Imperial e um estacionamento. Todos os demais, caindo aos pedaços, em petição de miséria e fechados. Desolação num dos pontos antes mais movimentados de Bauru, suas estações ferroviária e rodoviária.

As primeiras quadras da Batista sempre tiveram um comércio não tão intenso, mais popular, porém quase sempre com sua totalidade de portas abertas. Tudo começa com a antiga Casa Sampaio fechada já há alguns anos, devido a disputa entre irmãos pelo imenso prédio, antiga loja de ferragens. O quarteirão 2 está uma desolação e até a mais antiga loja de discos e som, na esquina com a Gerson França também foi fechada. A outra, também do mesmo ramo e donos, resistiu até quando deu, defronte a Lojas Americanas, ambas fechando recentemente as portas e hoje, se alguém quiser comprar CDs só no que restou do setor da Lojas Americanas ou nos sebos. Vários pontos fechados há muito tempo, como uma loja onde comprei muito artigo esportivo na esquina da Azarias com a Batista. A única quadra onde não tem nenhuma porta fechada é a sete, antes da praça Rui Barbosa. Todas as demais possuem portas fechadas. Isso sem contar não ter entrado em prédios com salas para alugar e se o fizesse, seria uma inundação de fotos e mais fotos.

A amostragem feita por essas fotos não tem nenhum caráter de indicativos de índices de lojas fechadas, muito menos tonalidade alarmante ou algo parecido. Nem contei a quantidade, mas sei serem muitas, dezenas, beirando ao cento e só na região compreendida pelo Calçadão, quadra 1, junto a praça Machado de Mello até a sete, junto a praça Rui Barbosa. Nem olhei para as ruas transversais e laterais e adjacentes, pois daí esse número chegaria a estratosfera. Existem galerias inteiras vazias no centro da cidade. Nas conversas algo a irredutibilidade de alguns donos desses prédios, pois não querem ceder em nada no valor do aluguel, mesmo diante da quebradeira geral. Negociar valores de aluguel é algo impensável para estes, com muitos preferindo permanecer com a porta fechada do ter que reduzir o preço do valor da mensalidade paga. Coisas do mundo do capital, onde reina a insensibilidade. Daí, querer abrir um novo negócio na região, algo para quem gosta muito de viver perigosamente. Sei também que o abre e fecha é algo constante na região, mas hoje mais acentuado que tempos atrás.

As fotos demonstram um bocadinho da tristeza atual reinante no centro da cidade e que deve, neste ano, ser algo predominante para a entrada do último mês do ano e o período mais festejado das compras, o envolvendo Natal e o Ano Novo. O festival de portas cerradas é de doer e cada comerciário presenciando isto sabe muito bem que hoje o que ainda pode fazer é tentar segurar o seu emprego com unhas e dentes. Já para os novos, os que trabalharão em regime temporário, uma certeza, a de que o valor ganho no ano passado não será auferido neste e nem que a “vaca tussa”. Se predominar o que aconteceu recentemente com os empregados do famoso supermercados da rede Mundial, no Rio de Janeiro, já amplamente divulgado pelas redes sociais, o que vem por aí, além de péssimo para os comerciários, todos fragilizados e obrigados a atuarem com o que lhe resta de trabalho, ou mais uma avalanche de portas e mais portas fechadas. Fiquem cicando a seguir, para encerrar este texto, com o que ocorreu agora mesmo na rede Mundial: https://theintercept.com/…/mundial-greve-direitos-trabalhi…/

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

PALANQUE - USE SEU MEGAFONE (105)


O PAÍS ACABOU, MAS O CORINTHIANS FOI CAMPEÃO – EU E A JORNALEIRA

Chego em Bauru após semana na capital paulista, passo na banca de revista de uma considerada amiga, batalhadora como tantos outros neste insólito país e ouço dela, aquilo a me cortar o coração:

- Henrique, o país acabou. Não consigo mais ter uma vida tranquila. Veja meu caso, trago minha marmita, dois ovos fritos e esquento aqui na banca como posso. Não gasto nada. É daqui pra casa e de casa pra aqui. E cada vez posso menos, compram menos e minhas contas estão pela hora da morte. O que fizeram deste país, meu caro amigo, me diga?

Tento dizer e quase choramos juntos, um no ombro doutro. Eu e ela, desde sempre, sacamos o baú de maldades que estava sendo praticado contra este país quando destituíram Dilma. Hoje se saca claramente que o culpado de tudo não foi o PT. A grande sacanagem veio depois, com os que derrubaram o partido, criminalizaram todos deste partido e até o que venha a ser esquerda e comunismo, para implantar o que hoje vigora, o neoliberalismo predatório da sua pior espécie. Minha resposta para a amiga, ainda com a banca aberta foi só uma, além do lamento:

- Fizemos nossa parte. Resistimos até o último instante. Fomos vigorosos e valorosos. A turba influenciada pela mídia nativa, essa mesmo Globo hoje sendo criminalizada fora do país, pois aqui nunca o seria com o Judiciário que temos, todo entrelaçado com o que acontece com o país. Que fomos enganados, não existe mais a menor dúvida. O povo foi ludibriado, dia após dia e continua o sendo, pois até hoje não abriu os olhos. Enxerga tudo de ruim no PT, mas não faz nada com tudo o que lhe fazem hoje, infinitamente pior do que fazia o PT quando no poder. Todos vivem hoje no regime do medo, pois sabem que ao abrirem a boca, podem perder o pouco que ainda possuem. A maioria percebe a cagada feita, mas não estão vendo nem como mais reagir.

Olho para sua banca e ela desolada, triste mesmo, sem saber o que fazer para reverter sua situação e continuar de portas abertas. Nas manchetes dos jornais, só se fala na vitória do Corinthians e no fato de ser campeão com três rodadas de antecedência. Olha para ele, palmeirense e, na qualidade de corintiano, nem tenho motivos para comemorar e nem para tirar um sarro nela. Ela percebe e me diz:

- Este final de ano o seu time mereceu e o meu, com todas as chances que foram nos dadas, não as aproveitamos. Não temos do que reclamar. Nem está dando para se falar muito de futebol, de discutir esses assuntos, pois algo mais urgente precisa ser resolvido e estamos postergando isto. Rir e discutir futebol num momento como este não é possível. Dói muito mais isto em que nosso país está se transformando, todos de cabeça baixa, sem força para uma reação. Essa indiferença tem explicação, todos estão boquiabertos, cientes da grande cagada que foi ter apoiado a chegada destes hoje no poder, de ter acreditado no que a TV nos dizia, hoje se sabe, fomos todos enganados e com a chegada dos hoje no poder, não só nos calaram a boca, como perdemos tudo e nos calam a boca. Quem reclama é marcado e é mais importante saber como se vai colocar algo em casa hoje do que discutir como resolver o problema. Conseguiram nos calar. Estamos todos prostrados. Eu me sinto assim, derrotada e sem saber se até quando terei forças para continuar com meu pequeno negócio aberto.

Sai de lá quase em prantos. Ergui o som do carro e desci com a garganta mais do que engasgada. Pelo menos, o Corinthians foi um dos únicos times, cuja torcida se manifestou contra essa podridão do golpe, da Globo e da CBF. Um pequeno alento...

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

OS QUE FAZEM FALTA e OS QUE SOBRARAM (105)


EU E A SOGRA NUM QUARTO DE HOSPITAL - ATÉ SALOMÃO NOS VISITOU

Fico trancafiado junto da sogra, 82 anos, Darcy Soliva da Costa, num quarto de hospital da capital paulista por mais de uma semana. Eu e ela, ela e eu. Confidenciamos nossas vidas um ao outro. Sempre a admirei além da conta, uma das poucas evangélicas (não é pentecostal), é Batista, mas de uma estirpe libertária, carioca, onde os preceitos difundidos na oratória semanal passam longe dessa besteira denominada de criacionismo. Ela sempre me fez comparações divinais sobre o tema: “Impossível a igreja querer abandonar tudo o que vem sendo feito pela ciência, para levar ao pé da letra algo escrito tanto tempo atrás. Se faz necessário usar a bíblia como metáfora para sua aplicação nos dias atuais. O papa católico hoje é o cara mais acertado pro momento atual, pois enfrenta resistência em sua própria igreja, mas segue abrindo mentes e não fechando, como esses Crivelas, Malafaias, Macedos e tantaos outros”.

Nossa conversa rende e entre quatro paredes rendeu muito. Queria escrever, colocar as escritas em dia, mas impossível a tendo como parceira de cama. Ela na de hospital, eu do lado, num largo sofá. Como escrever diante de uma simpática senhora, progressista e querendo conversar? Impossível. Cai na conversa e me deliciei. Ganhei e muito nesses dias longe de Bauru. Devia ter gravado o alvissareiro papo e dele extraí pouca coisa, pois a mente está cansada, com seu chip batendo biela. Ouço, acho lindo e se não anoto, logo tudo se esvai. Ando assim, memória fraca e curta. Anotei algo de sua fala e pensamentos e aqui reproduzo.


Ouvíamos sobre as barbaridades corruptivas deste país e num certo momento, algo de uma empreiteira construindo mais uma estrada. Foi o bastante para um longo papo e ela lembrando de uma viagem pra Grécia, coisa de uns quinze anos atrás, daí pra mais e por lá, uma construtora brasileira, dessas famosas, hoje envolvidas nessas maracutaias com os políticos. “Nossos empreiteiros são considerados os melhores do mundo. Fizeram belas obras no mundo todo, eles sabem fazer bem feito e fazem, mas aqui parecem que são pagos para fazer obras meia boca, com vida útil bem curta. Lembro que lá na Grécia, vi eles fazendo uma estrada de concreto, com quase 50 cm de grossura, dessas que não se acabam mais”. Isso rendeu uma conversa que se prolongou pro resto do dia.

Conto a última, para não ficar aqui enaltecendo muito a sogra e ela ficar toda empoada. Eu levei livros e revistas pra ler (ela leu alguns dos meus) e do lado de sua cama, uma bíblia e caderninhos de anotações. Disse estar por aqueles dias estudando Salomão, do Livro de Eclesiastes e dos Provérbios e me explicou muito dele, de suas proezas.

Conheci sua estória contada ali por ela. Passou boa parte dos dias lendo frases ditas por ele e de cada uma, uma longa conversa. Escolhi três e as reproduzo para que, cada um lendo isso escrito por mim, possa sentir o graú da conversação que veio a seguir:

- “Não fique admirado quando você notar em algum lugar o governo fazendo injustiça, perseguindo os pobres e negando os direitos deles. Pois cada autoridade é protegida pelo que está acima dela, e as duas são acobertadas pelas autoridades superiores”, 5.8


- “Quem ama o dinheiro nunca ficará satisfeito; quem tem ambição de ficar rico nunca terá tudo o que quer”, 5.10

- “O trabalhador pode ter pouco ou muito para comer, mas pelo menos dorme bem a noite. Porém o rico se preocupa tanto com as coisas que possui que não consegue dormir”, 5.12/13

terça-feira, 14 de novembro de 2017

DIÁRIO DE CUBA (91)


SERIA CUBA? NÃO. É A PAULISTANA “BOCA DO LIXO” - SEMELHANÇAS

Até hoje ainda existe uma turba insistindo em espezinhar a ilha mais charmosa do planeta, lugar considerado hoje como o verdadeiro paraíso terrestre, país com o maior índice de tranquilidade para se ter uma vida sem sobressaltos, desacertos e desarranjos corporais. Todos que por lá passaram atestam o que escrevo a seguir: o melhor lugar para se viver hoje é Cuba. Dizem que igual a ela, talvez a Islândia. Mesmo com todos esses predicados a favor, incontáveis por sinal, um dos motivos pelos quais a tal turba de inconsequentes (esses nunca por lá estiveram) faz questão de criticar a ilha, primeiro, é claro, por causa de lá ainda perdurar um regime de cunho comunista. O capitalista é tão influenciado por tudo que lhe dizem, que acaba acreditando no que lhe apregoa as máximas capitalistas, a de que lá é o verdadeiro inferno e aqui, a balbúrdia capitalista, com toda instabilidade junta é o paraíso. Acredita nisso quem desconhece o que seja Cuba, faz vista grossa para tudo o que está aí prontinho para ser averiguado, mas finge não ser possível e continua acreditando nas mentiras que lhe são passadas, principalmente via mídia massiva. Viver na simplicidade cubana, tendo uma real possibilidade de felicidade, mesmo sendo pobre, porém com tudo ali para desfrutar. Saúde, cultura, transporte, educação, lazer e tudo mais gratuito ou com preços irrisórios. Isto é Cuba, mas para pegar no pé do pequeno país, nada como espalhar fotos de casas mal acabadas, prédios com cores descascadas e aí por diante.

Daí, saí hoje pelas ruas centrais de Cuba e aqui publico as fotos. Epa!, mas as fotos não são de Cuba e sim da região central da capital paulistana, a cidade mais rica deste Brasil. Sim, sou obrigado a confessar meu crime, eu aproveitei uma folguinha no que faço aqui pela capital paulistana e fui dar um rápido passeio pelo quadrilátero onde antes vicejou algo muito do interessante na história de São Paulo, a sempre lembrada “Boca do Lixo”. Entre a Estação da Luz, o antigo terminal rodoviário (aquele das placas coloridas no teto), a avenida São João, avenida Ipiranga, rua Santa Efigênia (a do som e luzes), indo até as beiradas da praça da República, eis o espaço mais ou menos demarcado. Ali vicejaram de tudo nos anos 60/70 e parte dos 80. O cinema que fluía naquele espaço é comentado até hoje, não só como cult, mas irreverente, independente e impossível. Naquele pedaço, recheado de construções antigas, prédios mal ajambrados, até hoje reside uma população simples, os que não conseguem se instalar em lugares mais bastados e fazem do lugar, um recanto alegre e irreverente dentro da loucura paulistana.

Assim como Cuba, vejo mesmo na dificuldade estampada na fisionomia de muitos por lá, uma alegria não existente em lugares abastados da capital paulista. O que não se vê em Cuba são as pessoas largadas pelas ruas, drogadas e dormindo debaixo de marquises. Outro dia, um parente de minha sogra, aqui em São Paulo, confidenciou algo numa conversa aqui no hospital onde me encontro: “Quando quero buscar algo alegre, um baile, uma festa, um bar, vou pra periferia ou lugar onde tenha povão, do contrário, fico deslocada, triste. Onde tem povão tem alegria e isso não existe na Zona rica desta cidade grande”. Sei disto e comprovei andando hoje pela Boca do Lixo. Alguns me disseram para ter cuidado, inclusive com fotos e com os bolsos. Não tive nenhum percalço, como não teria, tenho absoluta certeza em Cuba. Aliás, Cuba é hoje um dos países mais seguros do planeta. Sei que toda comparação que possa tentar fazer é simplista, mas me encantou hoje circular pelas ruas simples, sujas, olhar para os prédios e tentar buscar algo de semelhança com Cuba. Viajei nas imagens que produzi.

Encerro com um algo mais. Os prédios descascados e sem aquela pintura reluzindo a nova não é algo somente encontrado em Cuba, daí muito injusta mostrarem aquelas fotos das ruas de Havana, como se aquilo só ocorresse por lá. Aqui onde me encontro, em Sampa, tem muitos lugares piores que os da divulgação negativista feita com os cubanos. Não só aqui, mas em tudo quanto é lugar, inclusive no coração norte-americano. Lugares com idêntica semelhança existem também em Washington e Nova York, mas não são divulgadas com o mesmo estardalhaço. Mas Cuba é Cuba, é comunista e daí, dá-lhe pau, críticas e cacetadas. Não quero provocar nada além de um leve toque, uma lembrança de que aquilo visto em Cuba existe em muita maior escala em qualquer país capitalista predatório, principalmente os com a prática neoliberal. A diferença é nítida e precisa ser ressaltada. Cuba é pobre, porém digna, gasta seu suado dinheirinho no bem estar do seu cidadão e nos demais rincões, o contrário, pobre que se lasque, mora mal, come mal, se locomove mal, mal tem lazer e assim por diante. Fiquemos com as fotos e façam o mesmo que eu, perambule por lugares idênticos aos da Boca do Lixo. Fui, vi, circulei, gostei e recomendo. Fiz até amizades em conversas com gente que me vendo fotografar já puxaram conversa.

Que acharam?

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

UM LUGAR POR AÍ (101)


MARTINS FONTES - AV. PAULISTA 509

Tem quem prefira a Livraria Cultura. Eu não. Lá tem muita gente a se exibir e sou mais recatado, gosto de ler de verdade. A cara lá é prócer do PSDB, o Pedro Herz e está tomando conta de tudo no pedaço, tanto ter ouvido que acaba de adquirir a FNAC paulistana. Eu nunca gostei de quem quer ser dono de tudo, preferindo lugares mais amenos e menos cheios, portanto, com um charme mais livresco. Até fui na Livraria Cultura, mas fiquei só no sambalirove, subi e desci a rampa, logo sai, fiz o mesmo na FNA e fui me arranchar na Martins Fontes, ali no número 509.

Trata-se de uma perdição no exato sentido da palavra. Como sabem, estou por Sampa para ser o acompanhante de minha estimada sogra, esperando o seu plano de saúde aprovar o procedimento da troca de uma válvula para seu combalido coração. Dona Darcy Soliva da Costa é a sogra que pedi aos céus. Sempre tive sorte com sogras, três maravilhosas e está, por ser a última, afirmo ser a melhor. Lê muito, assim como eu e é um doce de pessoa. Fico de muito bom grado no hospital ao seu lado e pelo tempo que se fizer necessário. Ganho com isso, pela troca divinal de conversações. Hoje vieram duas visitas, amigas de longa data e elas me liberaram para dar uma volta. Vim voando pra Martins Fontes.

Não fui em outro lugar. Fiquei duas horas ali dentro e vasculhei tudo, de cabo a rabo, uma delícia, dessas de melecar a cueca, ou seja, gozar nas calças. Sim, livro me faz gozar nas calças. E o faço fartamente, em abundância quando diante de livros. O que mais gosto num lugar desses? Livros, claro. Tem mais. Ninguém me abordou pra nada no tempo todo em que ali permaneci. Nenhum vendedor veio dizer se estava precisando de alguma coisa. Nada, me deixaram em paz e foi ótimo. Tirei fotos a dedéu e ninguém me importunou. Isso não acontece em Bauru, onde mesmo na Jalovi, com alguma tradição no ramo, basta te verem olhando as prateleiras, tem logo um vendedor do seu lado perguntando o que quero. Prefiro quando quiser me dirigir a eles e em Sampa isso é praxe.

Se existe um paraíso neste Brasil insano de hoje ele está dentro do que ainda nos resta de livrarias. Tem muita publicação que não vale nada dentro de todas elas, mas tem coisa muito boa e pra todos os gostos. Eu esqueço da vida dentro de um lugar desses e se deixarem fecho a loja, ou melhor, sou colocado para fora. O tempo que passei lá dentro foi para mim mais do que revitalizante e recarregante.
Só não foi melhor porque, tenho certeza, a sogra adoraria estar comigo (o filhão também, pensei muito nele quando lá dentro), mas não tinha como, pois está atrelada a um quarto de hospital e aguardando sua válvula, que lhe dará uma bela sobrevida, para alegria de todos ao seu redor. No hospital eu leio para ela e ela lê para mim. trocamos figurinhas e assim o tempo passa, o tempo voa e eu e ela nos divertimos com nossa situação.

Ficaria aqui escrevendo a noite toda sobre livros, minha sogra, histórias da Martins Fontes e de tantas outras (a Folha Seca do Rio de Janeiro é outra) e se escrevo isso tudo neste exato momento, o faço para espairecer, pois confesso, tem saído ultimamente muita fumaça de minha envelhecida cabeça. Ando acabrunhado com tudo o que estão fazendo com esse até bem pouco tempo altaneiro país e de vez em quando dou minha fugidas, bato em retirada e vou pra essas ilhas, espécie também de oásis no meio dessa merda toda a nos envolver. Ainda bem que lugares como a Martins Fontes resistem ao tempo e nos alegram nesses momentos de angústia.

Não vivo sem lugares como esse.

domingo, 12 de novembro de 2017

COMENTÁRIO QUALQUER (169)


GIRO À DIREITA
Percebam, a ilustração está  postada à direita.

Nem tudo está perdido e pode surgir um tempo melhor. Será? Sim, mas talvez isso possa demorar muito tempo e daí, penso eu, teria eu todo este tempo para ver novamente este país vicejando por caminhos soberanos...

Penso muito nisto enquanto permaneço ao lado de minha sogra, Darcy Soliva da Costa, num quarto da Beneficência Portuguesa na capital paulista. Desde quinta por aqui, leio muito, converso mais ainda e quando me sobra um tempinho, escrevo, como neste dominical texto.

Por que deste giro à direita? O que seria isto? Na minha concepção trata-se de uma descarada, despudorada e desavergonhada concentração de riqueza por uns poucos, com o consequente aumento da pobreza, essa para a maioria da população. Este o atual ciclo político de muitos dos governos na América Latina. Denomino a isso como GIRO À DIREITA. Analiso levando em consideração o que observo dos atuais governos de Brasil e da Argentina, irmãos siameses na desenfreada crueldade, capitaneados por dois insanos representantes de um neoliberalismo doentio, tendo o rentismo como mola mestra, fazendo uso da concentração de renda como ingresso de poder econômico e este manuseado na manutenção dos seus privilégios. Este avanço de governos de direita em alguns países da região é a expressão predominante dessa reação conservadora.

No início do milênio havia na região 225 milhões de pobres (44%) com quase 100 milhões de indigentes (19,3%). Esta cifra havia caído a 29% e 12%, respectivamente, o que implica ao menos 50 milhões de pessoas saindo da linha do pobreza e 25 milhões da indigência. Hoje, essas cifras voltaram a se elevar, mais e mais. Sobe o número de pobres e indigentes. O capitalismo não cuida destes, ou melhor, não se importa a contento com estes. A vertente neoliberal é ainda mais cruel. Não está nem aí se sofrem, se comem ou mesmo se vivem. Os avanços impulsionados por vertentes sob o comando de Lula e Cristina Kirchner foram descartados, jogados na lata do lixo. Nenhum destes foi perfeito (onde reside mesmo a perfeição, hem?), mas impossível não notar a diferença do que fizeram pelos trabalhadores, assalariados e menos favorecidos e o abandono disto hoje. Tudo piorou e deve piorar mais.

As cifras de qualquer pesquisa séria pode constatar isso. A perda do poder aquisitivo das camadas populares, nela incluindo a dita classe média é latente. Em breve, nem mais existirá uma classe média, tal o nivelamento por baixo proposto pelos atuais governos neoliberais. A pobreza da América Latina hoje tem a cara da mulher, do índio, do negro, do homem do campo, do trabalhador sendo levado ao desemprego e a terceirização da mão de obra. Tudo sendo precarizado, no campo e na cidade, com perspectivas de na permanência do atual sistema uma desigualdade que os perseguirá durante todas suas vidas. Para reverter o flagelo da desigualdade, recomenda a Cepal “políticas públicas que garantam a titularidade dos direitos, se deve reconhecer e potencializar o trabalho produtivo e de qualidade como a chave para a igualdade e como instrumento por excelência para construção do bem estar e universalizar a proteção social ao largo de toda uma vida (a infância e a adolescência, a juventude, a idade adulta e a velhice), como olhar sensível para com as diferenças (Cepal, 2017)”.

Inimaginável dentro do capitalismo neoliberal a estreita relação entre o acesso a educação de qualidade, melhora da situação sanitário e da habitação, acesso a tecnologia e outras condições para obtenção de emprego de qualidade, ou seja, com implementação de “políticas ativas”. Para que o Estado possa colocar em pratica políticas ativas é necessário que o gestor (Governo) tenha nítidas intenções neste sentido e conte com fundos para efetuar essa tarefa. Governos favorecendo atividades rentistas, fazem exatamente contrário, pois concentram renda para manutenção de seus privilégios. Esse é o tal “giro á direita”, expressão máxima do conservadorismo reinante como praga, favorecendo essa minoria e, consequentemente, aumentando as diferenças entre os com tudo e a maioria com quase nada.

Exemplos não faltam para comprovar a atividade ilegal dos setores opulentos na tentativa de impedir o avanço dos setores oprimidos da sociedade. A evasão fiscal dessa minoria é um escândalo pouco investigado, permitido para alguns, sob a vista grossa, inclusive do Judiciário, conivente com a situação. Comissões altíssimas para toda e qualquer obra e tudo sendo levado para paraísos fiscais, manobras dolosas das grandes multinacionais em muitos espúrios negócios, tudo com a complacência de parte significativa da opinião pública, numa interligação umbilical com os atuais postulantes destes Governos. Não que isso não existia nos governos anteriores, de Lula e Cristina, mas existia também a sensibilidade social, hoje totalmente abandonada. A economia especulativa, tudo dominado pelas leis de mercado, corporações planificando o destino das vidas humanas, tudo atentando contra o atendimento das necessidades das camadas mais significativas e numerosas. Só pensam em reduzir custos, o que quer dizer, quantidade infindável de gente desempregada e sem salários. Esse é o modo anti-humano de funcionamento da economia de mercado, aquela que Temer e Macri louvam e seguem religiosamente em proveito mais que próprio. Ambos possuem pendengas com a lei, mas os que legislam a lei fingem tudo estar muito bem.
A resistência encontra-se à esquerda.


A violência econômica praticada por esses é uma atividade perfeitamente aceitável. Concentração de riqueza não é mais problema, nem imoralidade, enfim, acumular dinheiro e delitos é plenamente justificável, assim perseguir quem não o faça ou quem tente investigar as malversações dos neoliberais. O dolo, furto, roubo, fraude, apropriação indébita, plágio, deslealdade comercial, extorsão, cartelização, evasão fiscal são moedas correntes e práticas dos grandes conglomerados empresariais. A corrupção tem sua origem nas empresas e leva uma vida nababesca quando irmanada com a política. Tudo são facilitadores de bons negócios.

Enquanto isso, a imensa maioria do povão só pode contar consigo mesmo. Devem mobilizar-se e organizar-se, do contrário estarão cada vez mais num “mato e sem cachorro”. Diante de um país com nítida tendência conservadora mostrando as unhas, garras e dentes, seria necessário uma educação transformadora para reverter isso, mas como algo assim demoraria demais, para aprender a se defender da manipulação patrocinada pelos poderosos só mesmo indo pras ruas e botando pra quebrar. O capitalista neoliberal conservador não vai nunca aprender que, progresso é algo para si e para todos, daí só mesmo quando notar que a maioria tem força irá se vergar. Não existe outra saída, mas as massas ainda não se deram conta disso. Por enquanto, a guinada pra direita continua.

sábado, 11 de novembro de 2017

BAURU POR AÍ (146)


NA ONDA DOS QUE CRITICAM SEM AO MENOS ENTENDER DOS MOTIVOS DE O FAZER
O indicado no título deste texto se repete como praga nos dias atuais. Diante de uma postagem qualquer, algo proliferando é que, mesmo não entendendo muito bem do que se trata, muitos não só emitem sua opinião em forma de crítica, como quando alguém tenta pacientemente explicar do erro, além de não existir a aceitação, surge a ira, o escancarado ódio. A partir daí, aberrações ocorrem e o que prevalece é a intolerância, muito em voga neste Brasil dos tempos do ilegítimo e golpista Michel Temer & a turma dos mais corruptos no comando  da República. O Brasil não era assim até bem pouco tempo, mas isso hoje cresceu de uma tal forma, ganhando proporções catastróficas. O que aconteceu de fato com esse país, assim de forma tão rápida para ocorrer uma transformação tão radical na mente de parcela significativa de seus cidadãos? 

Antes de tentar responder a pergunta, conto o fato que me fez escrever este texto. São tantos e um mais chocante que o outro. Poderia me ater a bestialidade da atroz e insana perseguição para com a escritora norte-americana Judith Butler, culminando com uma agressão quando estava prestes para embarcar de volta ao seu país. Isso beirou ao irracionalismo inimaginável até bem pouco tempo. De fato, isso demonstra o quanto estamos regredindo, mas cito um caso local, ocorrido ainda ontem na aldeia bauruense e a envolver o famoso sanduíche bauru, hoje o maior propagador país afora do nome da aldeira bauruense.

Conto a história, que seria melhor se fosse estória, porém ocorreu de fato, para perplexidade dos ainda sensatos. Num post feito pelas redes sociais (sempre através delas), um órgão da Prefeitura divulga o fato de mais um restaurante na cidade estar sendo reconhecido com o o Selo de Certificação, por fazer o famoso sanduíche mantendo sua receita tradicional. Poucos bares e restaurantes, como até as pedras do reino mineral sabem, fazem o mesmo seguindo a receita tradicional, criação de Casemiro Pinto Neto (hoje nome de viaduto em Bauru), no início do século passado na capital paulista.

Um cidadão se volta contra o enunciado do texto e desanca a Prefeitura, "cheia de tantos problemas e agora querendo também cuidar de como restaurantes preparam seus sanduíches". Talvez o mesmo nutra um ódio visceral para com a Prefeitura e não suportando mais, na simples menção do seu nome, já se destempere. Outros intervieram na conversa e um disse "que isso é falta do que fazer" e não consegue entender como, com tanta coisa para fazer "pode se preocupar com algo desta natureza". Diante destes argumentos, mesmo tendo a explicação adequada, diante de tanta barbaridade hoje em curso, o melhor é não prolongar muito a conversa, pois do contrário, no capítulo seguinte, um xingamento ocorrerá.


O que ocorre com o país é merecedor de um amplo estudo e não estou em condições de fazê-lo a contento. Muitos saíram de verde-amarelo bradando contra a corrupção do PT e hoje, diante de um quadro imensamente pior, não o fazem mais, mas sentem que o nabo está entrando sem vaselina. Não reconhecem o erro, a empáfia predomina, mas despirocaram de vez, estando mais perdidos do que cegos no meio de tiroteio. Não conseguem e nem sabem mais identificar o que venha a ser certo ou errado, daí ao invés de atacarem a verdadeira raiz dos nossos problemas, atiram a esmo para a direção que a banda está tocando e na imensa maioria das vezes, não só erram o alvo, como estão a provocar um estrago sem fim em tudo o que foi construído de saudável neste país. Dizem que isso é só o começo e a tendência é a piora do quadro da doença a acometer este país. Desalento será pouco diante de um quadro de acentuada piora. De um interlocutor ouvi ontem algo bem fundamentado sobre tudo isto em curso: Ainda não chegamos ao fundo do poço, mas iremos chegar e lá, com a terra arrasada, um reínicio do zero". Não sei se terei estômago para suportar a bestialidade chegando logo ali, na dobrada da esquina.    

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

MÚSICA (154)


O QUINTAL DO BRÁS ESTÁ DE VOLTA E O SHOW COM O RONALDINHO, EX FUNDO DE QUINTAL

Junto essas duas manifestações culturais, o Quintal do Bras em Bauru e o Fundo de Quintal no Rio de Janeiro, Ivo Fernandes no nosso quintal e o Ronaldinho, hoje em carreira solo chegando aqui por esses dias para um show no mesmo estilo de antes, o do grupo carioca, inspirador do grupo bauruense. Tudo se funde na realização de um samba diferenciado, de qualidade mais que reconhecida. Tento juntar tudo no mesmo balaio e dizer do maravilhamento provocado por todos.

O Quintal do Brás é um grupo de samba de raiz, desse cantado ao redor de uma mesa, seguido da batida proporcionada pela palma da mão. Nasceu em Bauru, ali nas barrancas da vila Falcão, beirada dos trilhos, antiga morada do Brás, melhor, no seu quintal, daí o nome do grupo. O filho do Brás, o Marcão, percussionista dos bons é um deles e junto de outros, seguindo o que ouviam e gostavam, fizeram algo espelhado no Fundo de Quintal, o tradicional grupo carioca, que nasceu em torno do bloco do Cacique de Ramos. A história do Quintal bauruense eu já contei em textos anteriores, quase uma década atrás e do maravilhamento gerado neste amante de um bom samba. Cliquem a seguir e revejam algo disto: http://mafuadohpa.blogspot.com.br/search?q=QUINTAL+DO+BRAS 

A rapaziada do Quintal ganhou o mundo com o passar dos anos. Muitos deles, da formação inicial, nem em Bauru estão mais e alguns conseguem viver de música. Relembrar essa trajetória é reconhecer como se dá a luta desses tantos grupos de samba espalhados país afora. Ivo Fernandes foi um dos líderes do Quintal e hoje, coordena a volta do grupo, com uma formação renovada e agrupando muitos de antanho. O samba renasce e viceja nessas ocasiões. Neste exato momento, quando Ivo faz a junção de trazer para Bauru o Ronaldinho, um que esteve junto do Fundo de Quintal até bem pouco tempo e reune o Quintal para abrir o show, na verdade, ele junta várias histórias numa só e funde a cabeça dos admiradores e fãs.

O Quintal, que tempos atrás chegou a lotar várias vezes o espaço junto ao Teatro Municipal e faz a festa no dia do aniversário de Bauru, na mais animada participação dos festejos no parque Vitória Régia, volta a se reunir e vai estar junto do Ronaldinho, aquele que esteve presente nos melhores momentos do Fundo de Quintal e hoje está em outra formação, mas seguindo a mesma pegada. Essa junção de vários QUINTAIS estará presente, pulsando samba lá no salão da Mocidade Unida da vila Falcão, na avenida Elias Miguel Maluf, na tarde do próximo domingo, 12/11, a partir das 16h e quem lá estiver presente vai poder sentir um pouco disso tudo, juntando isso tudo aqui escrito com o que vai presenciar no palco. Muito samba no pé, da melhor qualidade. Inebriante momento para quem gosta de acompanhar o ritmo na palma da mão.

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

DICAS (166)


O FILME “O JOVEM KARL MARX”, UM DEBATE EM BAURU E DOS MOTIVOS DELE NÃO ESTAR NOS CINEMAS

O Brasil está medrando nas piores mãos e seguindo a bestialidade de mentes devolvendo o país para tempos bestiais comandados por uma linha ideológica centrada não no moralismo, mas no medo. Quem se caga todo, medra e se esconde debaixo do sofá. Proibições esdrúxulas servem para mobilizar os ainda lúcidos e promover uma brava e necessária resistência. A proibição das exposições com a temática sexual são a cara deste Brasil emburrecido. Depois vieram outras e mais outras, culminando com o impedimento do Caetano Veloso de cantar graciosamente no grandioso acampamento em São Bernardo do Campo, pelo simples motivo de nada mais neste país poder ser feito para valorizar os movimentos sociais e depois, a vergonha da hora, mais uma para manchar o nome do país mundo afora, quando gente nem sabendo direito dos motivos de protestar e assinar abaixo assinados contra alguém que nunca viram na vida, protestam pela presença da escritora norte-americana Judith Butler em palestra no SESC, pelo simples fato dela escrever sobre possibilidades múltiplas da sexualidade.

“Por essas e outras que o filme O JOVEM KARL MARX, que se esperava ser normalmente exibido em salas de espetáculo, teve de se recolher à semi clandestinidade da blogosfera. Está disponível pelo youtube. Também, pudera: a elegia do patrono da classe operária foi dirigida por Raoul Peck, o qual, além de ser haitiano, produziu aquela dureza de documentário – Eu Não Sou Seu Negro – que, pela voz do escritor James Baldwin, denuncia o racista que dormita no seio das melhores famílias. As brancas, claro”, Nirlando Beirão no “Este país é uma chanchada”, in Carta Capital 977, 08/11/2017.

Como vou discutir sobre um assunto que desconheço? Impossível. Pois bem, o filme foi CENSURADO (dou a isto o nome de CENSURA) e não vai estrear nos cinemas do país, pois a distribuidora está com medo dos protestos. Tenho a mais absoluta certeza de que a imensa maioria dos críticos de Marx nunca o leram, daí como vão querer discutir algo sobre o marxismo? Imbecis o fazem sem nem saber ao certo o que venha a ser isso de comunismo.

Em Bauru, um grupo de pessoas corajosamente vai exibir o filme na noite de sexta, 11/11, às 19h30, na Casa do Hip Hop, ali junto da Estação da NOB, praça Machado de Mello. Trata-se do Núcleo de Base do PT, o DNA Petista. Uma rara oportunidade não só de poder assistir ao filme de forma gratuita, mas debater, pois ao final estarão recebendo o professor de História e filósofo Rafael Guazzelli Valério, oriundo de Lençóis Paulista. Uma dica e tanto. Se alguém pode ser contra ou a favor, só mesmo conhecendo algo sobre o tema ou assistindo o filme. Inebriantes possibilidades advindas deste debate, combatendo bravamente o emburrecimento deste país, nesses tempos onde tudo de muito ruim nos é enfiado goela abaixo neste desGoverno do golpista e ilegítimo Temer. Vamos???

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

CHARGE ESCOLHIDA A DEDO (126)


EU CONHECI UM CARA: ELES SÃO NORMAIS, ANORMAIS SOMOS NÓS, OS TROUXAS

Existem muitos iguais a ele na terra onde predomina a especulação imobiliária acima de tudo e de todos. É o mundo do vale tudo. Diante deste mercado hoje mais pra parado do que pra andando, fazer ele se movimentar é coisa para os ditos mais experientes, os que possuem tarimba para conseguir girar a roda. Falo de uma nata de privilegiados, que com algum dinheiro na mão, adentraram esse negócio de comprar e vender imóveis e nele tendo qualquer tipo de procedimento para obter seus objetivos. Sentem o tal do bom negócio no ar.

O sujeito em voga é conhecido de todas as imobiliárias da cidade. Por lá, todos sabem como age. Todos o avisam quando surgir algum negócio daqueles imperdíveis, onde o desesperado foi lá com algo de boa localização, tanto faz se casa ou apartamento, mas o importante é a percepção da disponibilidade do imóvel numa situação de aperto financeiro. Quando o avisam ele entra em ação, conhece o mercado de preços, vê o preço de venda e vai assuntar , tirar proveito. Ao perceber o aperto do outro lado, a corda no pescoço, oferece algo bem abaixo e vai fazendo pressão. O tempo vai passando e quando o desesperado está no seu limite, ele ainda espreme mais um pouco e acaba comprando por uma ninharia. Não é um, são vários, todos se conhecem e são conhecidos de todos. Formam um time, o dos sacanas, sem alma.

Não pense que existe algum tipo de pena neste tipo de negócio. Ganhando muito aqui, negócio fechado, já pensam no próximo lance: O que vai fazer com o imóvel adquirido? Por quanto vai vender e quanto vai ganhar? A roda gira e todos nas imobiliárias sabem: agora existe mais aquele imóvel na parada e se o ajudarem a passar adiante, um algo mais pode pintar. O que vendeu é esquecido tão logo a coisa é concretizada e se existe alguma lembrança dele é feita nas rodas de conversas entre os iguais: com esse foi mais fácil do que com aquele outro. Com este a corda roeu mais rápido, estava mais desgraçado. Nunca com algum tipo de pena, dó ou tentando entender onde se poderia prestar alguma ajuda para semelhantes em apuros. Enfim, quem pensa assim não sobrevive neste tipo de negócio.

Conheci um cara frio, calculista, objetivo, prático, um verdadeiro jogador, desses que ficam o dia inteiro com o baralho nas mãos, olhos vidrados nos lances, viciado no que faz, doente e doentil. Desconhece o que vem a ser trabalho. Possui escritório num dos pontos mais caros da cidade e das conversas que presenciei, o assunto principal é sempre o mesmo: quanto vale aquele terreno no condomínio tal, aquele outro tem preço fora da realidade, aquele boboca vai ter que vender mais baixo pois está na lona, não compre agora pois quando ele se apertar mais um pouco entrega quase de graça para gente, tenha paciência pois desesperado come cru neste nosso negócio e assim por diante.

É um tal de contar vantagens, um alardeando a trapaça dele como a mais vantajosa do que a de todos os demais. É o tal do vale tudo, onde os inocentes, os ingênuos, os necessitados, os com pouca prática, esses são todos passados para trás. Tirar vantagem e ir acumulando para aumentar seus negócios, eis algo muito em curso dentro de um segmento que está aí, com suas fachadas e luzes neon, com uma prática que não escandaliza com mais nada. Tudo é um mero negócio. No mundo do tudo é permitido, o que Temer & Thurma faz é fichinha, pois vivem algo muito parecido, todos acabam se confundindo, práticas e lances tão iguais uns dos outros. Os do lado de fora são os tais trouxas, os prontos para os do lado de lá passarem a perna na primeira oportunidade. Eu não conseguiria dormir vivendo naquele ambiente. Sai de lá e fui vomitar na esquina mais próxima e, é claro, lavar as mãos.