sábado, 30 de abril de 2011

AMIGOS DO PEITO (52)

LÁZARO CARNEIRO NA TV e MÁRCIA PESTANA, AGORA APOSENTADA
1. Tem uma frase do Dorival Caymmi que diz assim: “Todo mundo é carioca, mas Aldir Blanc é carioca mesmo” e aqui em Bauru poderia aproveitando do mesmo dizer sem medo de errar: “Todo mundo aqui é caipira, mas Lázaro Carneiro é caipira mesmo. E com muito orgulho”. É não é que o caipira que leu Nietzsche apronta mais uma. Dessa vez não o desculpo por nada desse mundo. No único dia onde ainda posso acordar mais tarde na semana, no domingo, ele estará a partir deste 1º de Maio, apresentando um programa na TV Preve, o ‘Rancho Cultural” (junto com Cláudio Dangió, que ainda não conheço), à partir das 8h de la matina. E é claro serei obrigado a acordar cedo para ver o que o mesmo anda aprontando na telinha mágica. Ele me avisa antes de viajar, ou seja, o mesmo grava alguns programas e cai na estrada para ver o filho defender banca de mestrado em Araraquara e depois recepcionar um poeta cubano, remanescente de Sierra Maestra, que estará se hospedando na casa do filho em Atibaia (pena ser muito longe daqui). Então, sou informado que o programa será apresentado aos domingos 8h, com direito a repeteco nas terças 21h30 e nos sábados às 16h e a cada semana mostrando um bocadinho da cultura popular ainda a persistir aqui dentro dessa Bauru. Tem quem vire a cara para essa caipirice, mas ela é inerente até aos envernizados, mesmo que eles a rejeitem.

O cara é modesto e já avisa aos perfeccionistas que “o primeiro saiu bem feinho, mas no segundo melhorou um pouco. Já temos quatro programas gravados. Pensei que fosse mais fácil unir simplicidade e conteúdo cultural em um só programa”. Desse primeiro reuniu uma dupla de garotos catireiros e coloca os dois para baterem o pé na televisão, depois a nossa dama do teatro, Regina Ramos caracterizada de caipira, versando algo aqui da terrinha. Preparou também um almoço rancheiro, desses bem simples, mas que dão uma sustância danada de boa no sujeito e despeja tudo depois de amanhã para apreciação geral dos amigos e interessados em cultura popular.

Quase não tenho mais visto a TV Preve, pois não tenho lá muito estômago para as entrevistas comandadas pelo Duda. Prefiro ficar sem vê-las, mas o programa do Tuba e da Léa, o “Nota Dez” eu vejo de vez em quando e agora com esse “Rancho Cultural”, baterei cartão. Para os que virão com críticas sobre amadorismo e singeleza, antecipo dizendo que é assim que se aprende a fazer bem feito, pondo a cara para bater, errando, mas insistindo e falando de nossas verdadeiras coisas. Lázaro tem toda credibilidade e tudo para fazer um belo programa. Passo essa dica para todos e vamos ver no que isso tudo vai dar. Quem for caipira que me siga.

Eu tenho o maior orgulho te ter feito uma exposição com seus guardados, nos tempos que que estava na Cultura Municipal (cartaz ao lado). Entrevista de Lázaro Carneiro versando sobre Nietzsche, Caipiras, Caiporas e relatos mateiros:
http://www.overmundo.com.br/overblog/lazaro-carneiro-o-caipira-que-leu-nietzsche


A DESPEDIDA DE UMA GRANDE E HUMANA PESSOA, MÁRCIA PESTANA:
2. Convivi com a Márcia Pestana trabalhando na Casa dos Conselhos por muitos anos. Ali um espaço onde é mais do que necessário uma pessoa exatamente como ela, com flexibilidade para o entendimento das questões ali discutidas, o saber encaminhar tudo o que transita naquelas salas e mais, um diálogo franco, sincero, preciso e com sabedoria. Márcia foi a cara da Casa dos Conselhos por décadas e ontem, seu último dia de trabalho, sendo que hoje já está aposentada. É uma instigadora por natureza, alguém com um discernimento para conduzir algo tão cheio de meandros e entraves, com muitas tendências em jogo e para a boa condução, nada melhor do que alguém que realmente compreenda a importância da existência de um espaço assim dentro de uma cidade. Aprendi a gostar dela logo de cara, nos primeiros diálogos, quando a vi tomando partido nas questões cruciais para o desenvolvimento dessa cidade. Depois, quando a conheci melhor, aprendi a admirar mais. Certa vez a vi comentar algo sobre os problemas políticos de Marília, terra onde moravam seus filhos (talvez acabe mudando para lá ou Vera Cruz) e ajudou a instigar jornalistas da revista mensal Caros Amigos, a investigarem irregularidades lá cometidas. Fez isso a vida inteira, sem perder a fleuma e o ar de gente que não se deixa enrolar, não faz acordos espúrios, nem entra em dividida por coisas banais. Todos que a conhecem, sabem de sua conduta e a respeitavam exatamente por isso, por ser uma pessoa diferenciada, boníssima, mas dessas que não se enrola, não se passa para trás. Os que ousaram fazer isso, receberam na lata um chamamento, um “pito” como diria. Ontem, convidado pelo amigo em comum Ademir Elias, fui na festa de despedida e revi junto delas muitas pessoas dessa e de outras administrações, além de conselheiros outros sem vínculo com a Prefeitura. Destaco duas, dona Ruth e Fujica. Duas mulheres da mesma cepa, duas pessoas que para todos os a conhecerem um pouco da história de Bauru nos seus bastidores dispensam apresentações. É um trio de muito brio. Revi ali também o novo responsável pela Casa dos Conselhos, Jaime Luzia, com quem convivi por algum tempo no Museu Histórico. Se ele tiver 30% do que vi nesses anos na postura da Márcia, aquela casa terá uma bela solução de continuidade. Adoro escrever de gente como Márcia, dessas que ao rever vou logo abraçando e elogiando. Ela merece.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

PALANQUE – USE SEU MEGAFONE (06)

DOIS TEXTOS REPASSADOS POR AMIGOS (A) E POSTOS À DISCUSSÃO
1. Rose Barrenha é funcionária pública municipal na área da Saúde Mental. Atuante e vibrante, dessas a arregaçar as mangas para os embates da vida, sem trégua e comiseração. Recebo dela vários e-mails com textos. Nesse abaixo, um que recebeu numa lista e repassa aos amigos. Coloco-o na baila para apreciação de todos:
“Boa idéia...kkkkkkk. A cantora e ativista Rita Lee teve uma daquelas idéias brilhantes, dignas do seu gênio criativo. Reclamando da inutilidade de programas como o Big Brother, ela deu a seguinte sugestão: “Colocar todos os pré-candidatos à presidência da República trancados em uma casa, debatendo e discutindo seus respectivos programas de governo. Sem marqueteiros, sem assessores, sem máscaras e sem discursos ensaiados. Toda semana o público vota e elimina um. No final do programa, o vencedor ganharia o cargo público máximo do país. Além de acabar com o enfadonho e repetitivo horário político, a população conheceria o verdadeiro caráter dos candidatos. Assim, quem financiaria nessa casa teria o repasse de parte do valor dos telefonemas que a casa receberia e ninguém mais precisará corromper empreiteiras ou empresas de lixo sob a alegação de cobrir o 'fundo de campanha'” . A idéia não é boa? Casa dos Políticos, já!!!”

2. Pasqual Macariello foi funcionário da Petrobras por décadas, hoje aposentado vive na Tijuca, bairro carioca e constantemente me instiga com e-mails interessantes. Dentre uns vinte recebidos nessa semana, escolho esse para apreciação geral:
“Caros amigos, O delator do Wikileaks, Bradley Manning, está sendo sujeitado a uma tortura brutal na prisão militar dos EUA, como parte de um esforço para silenciar e intimidar qualquer futuro delator. O governo está dividido em relação ao abuso de Manning. O Presidente Obama se preocupa com a reputação global dos EUA -- uma petição massiva poderá pressioná-lo a parar a tortura: O Manning está sendo sujeitado ao isolamento absoluto, tática que pode enlouquecer a pessoa, com curtos períodos por dia onde ele é totalmente despido e abusado verbalmente pelos outros presos. O Manning está aguardando julgamento por liberar documentos militares secretos ao Wikileaks, incluindo o vídeo dos soldados americanos massacrando civis iraquianos. Este tratamento brutal parece ser parte de uma campanha de intimidação para silenciar qualquer delator e derrubar o Wikileaks. O Obama se preocupa com a reputação global dos EUA -- nós precisamos mostrar para ele o que está em jogo. Vamos gerar um chamado global massivo ao governo dos EUA pedindo o fim da tortura de Manning e observação da lei. Assine a petição abaixo -- a nossa mensagem será entregue através de anúncios ousados e atos públicos em Washington DC assim que conseguirmos 250.000 assinaturas: https://secure.avaaz.org/po/bradley_manning/?vl “.

DUAS HILÁRIAS COISINHAS:
1. O vereador Giba dos Santos PSDB gosta de fortes emoções e monta em touros, freqüentador assíduo de rodeios, além de fervoroso defensor desse modo instrutivo de cutucar animais. Abro meus e-mails hoje e lá um recado dele para alguns de sua lista, dos quais devo estar incluído, pois recebi um instigante recado: “PARA VOCÊ QUE GOSTA DE RODEIO, VISITE OS MEUS VIDEOS. POSTEI IMAGENS DA FESTA DO MARY DOTA. FOI MUITO BOM! VEJA TAMBÉM O VIDEO DA POSSE RESPONSÁVEL DE ANIMAIS. ABRAÇOS”. Se pudesse, aplicaria no mesmo a tal da “posse responsável de animais” e só a partir daí, com sua fisionomia pós aplicação, verificaria se tudo é feito a contento.

2. Os vereadores de Bauru estão preocupados (nem dormem direito) por constatarem serem em número de 16, gerando prováveis empates em votações internas. Daí a idéia de aumentar o número de cadeiras para mais de 20. Ouço no rádio, um contra, outro a favor e até um propondo 20 e lá vai fumaça. O diário Bom Dia, por intermédio de Bruno Mestrinelli, jornalista esportivo e também da área política, sugere algo novo e que, com certeza está causando mal estar entre nossos nobres edis: “Por que não diminuem um, de 16 passaríamos a ter 15 vereadores”. Hoje não se fala de outra coisa na cidade, inclusive aqui nesse mafuento espaço.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

OS QUE SOBRARAM e OS QUE FAZEM FALTA (20)

UM QUE ESCREVIA, NELSON WERNECK SODRÉ E UMA QUE CANTA, NANA CAYMMI
1. O historiador, sociólogo, militar, escritor marxista e jornalista NELSON WERNECK SODRÉ é autor de obras fundamentais para a compreensão do país. Os mais famosos deles são “A História da Literatura Brasileira” (1938), “Formação da Sociedade Brasileira” (1944), “História Militar do Brasil” (1965) e “Capitalismo e Revolução Burguesa no Brasil” (1990). Ele completaria 100 anos hoje, dia 27/04. Algumas indispensáveis para quem quiser ter um bom entendimento dos meandros de nossa história. Dele tenho uma verdadeira obra prima aqui no mafuá, o “História da Imprensa no Brasil” (1966), um catatau de 506 páginas, comprado por indicação do também jornalista e escritor bauruense Gilberto Maringoni (em 28/07/2007, na presença de Darcy Rodrigues). Ali, um apanhado do que hoje vemos como a “Grande Imprensa”, toda a formação dos grandes grupos familiares donos da imprensa nativa, a maioria consolidados e os monopólios. Mais que isso, percebe-se desde o nascedouro que essa grande imprensa pensa igualzinho aos detentores do poder e assim sendo, a pergunta que não quer calar é: Como pode existir isenção no momento de produzir o texto jornalístico, se existem interesses imensos nos bastidores? Werneck é tão preciso e dele reproduzo frases da introdução do livro: “A imprensa tem sido governada, em suas operações, pelas regras gerais da ordem capitalista. (...) A grande imprensa capitalista compreendeu, também, que é possível orientar a opinião através do fluxo de notícias”. Tinha outro, “A Coluna Prestes”, mas sumiu anos trás como num passe de mágica. Tenho seu texto como fonte permanente de minhas leituras e consultas. Esse faz muita falta.

2. A cantora NANA CAYMMI é uma das grandes vozes brasileiras. Está mais do que inserida numa família tradicionalmente musical, o patriarca Dorival e os irmãos Danilo e Dori, além da mãe Stela Maris. Tenho comigo que de todos do clã, ela é a que possui a melhor voz e uma interpretação impecável. Comprava até bem pouco tempo tudo o que saia dela em LPs e CDs. Ouço-os com freqüência e naqueles dias onde bate um nervosismo ou por algum motivo as saídas me são dificultadas, coloco sua voz ao fundo e divago. Viajo no tempo e no espaço, saboreando tudo e sempre ao final lambendo os beiços. Tenho as minhas preferidas: ela, Leny Andrade, Elza Soares, Beth Carvalho, Clara Nunes e uma que poucos reconhecem, Fátima Guedes. Nana completa 70 anos em 29/04 e nessa semana a ouço em profusão, doses até excessivas, sem que isso me canse. No Rio na semana passada por pouco não fui assistir ao filme que fizeram sobre sua trajetória, passando na Estação Botafogo, o “Nana Caymmi em Rio Sonata”, do francês Georges Gachot, uma pena, oportunidade que talvez não se repita novamente. Qual sua melhor qualidade? A voz. E que voz. E nesses dias, enquanto chove e faz frio lá fora, me tranco aqui no mafuá, ligo a vitrolinha e curto ela em algo para endoidecer gente sã: a boa música ainda existe, ela uma de suas mais dignas e significativas representantes. Essa uma das que sobraram.

OBS COM TUDO A VER: Quando bato na tecla da música de péssima qualidade propagada por aí, os exemplos me vêem aos borbotões. Sou um chato de galocha nesse assunto. Veja o caso dessas feiras agropecuárias. Todas, sem distinção, só trazem atrações para um certo público. Antes, procuravam atender a variados gostos, até os mais requintados, com alguns astros da MPB. Hoje, merda destilada e jogada na cara de todos nós. A FACILPA de Lençóis Pta, abrindo hoje traz como atrações André & Matheus, Fernando & Sorocaba, Michel Teló, Rosa de Saron, Matão & Mathias, João Carreiro & Capataz e aí por diante. Passo bem longe.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

CENA BAURUENSE (79)

CINCO INSTIGAMENTOS, ACONTECIMENTOS E OUTRAS OCORRÊNCIAS
1.) Meu amigo e cantor de guarânias, tangos, boleros e nas horas vagas, quando puder e der, também de rock, ERALDO BERNARDO está no estaleiro, recuperando-se de problemas inerentes a todos nós. Enquanto tem tempo de sobra, pensa no retorno e divaga sobre sua banda, a Stage, que sem ele torna-se algo meio que impensável. O instigo sobre um provável retorno, talvez no Saudosa Maloca, bar do Espanhol e ouço dele, que irá agendar algo para cantar sambas, pois me diz: “Canto sambas também, sabia?”. Esse canta de tudo, só não o faz com a mulher alheia, pois sabe dos perigos inerentes a quem brinca com fogo. Aguardamos todos pelo retorno do bom e versátil Eraldo, nosso rei da voz. “Não demora, oh meu!!!”, clamam seus fãs.
2.) Algo que me instiga é contar histórias das pessoas. Uma dessas, com uma resvalando por passagens ao lado dos Dzi Croquetes, poesia marginal e uma vida um tanto diferenciada é ESSO MACIEL, um original habitante da Vila Falcão, a merecer entrevistas mil e até um livro (penso nisso). Estava no prelo para fazer um Memória Oral com ele, mas hoje recebo a boa notícia de que o projeto de resgate de história de bauruenses pela Cultura municipal teve início ontem com a gravação da entrevista com ele, filmagem feita por Roberto Pallu e todo o staf da Cultura presente. Vibrei por Esso e por tudo o que virá pela frente. Instigo outro nome, o do professor CARMELO, um professor de violão, que com mais de 94 anos arrisca dar aulas de violão. Esse é um projeto que tem tudo para não parar mais.
3.) Critiquei durante uns anos os shows do Dia do Trabalhador bancados pela CUT, ocorridos no feriado de 1º de Maio. Das outras Centrais Sindicais nem se fala, só produção de shows a valorizarem a música inservível do Brasil. Merda pura e destilada. Nesse ano, meu amigo JOÃO CARLOS DE ANDRADE, manager da CUT local me passa e-mail com uma novidade alvissareira, dois shows programados por eles para a festa e com nomes dentro da temática de sons diferenciados para o povo. O show ocorre aqui no Vitória Régia e os nomes estão aí na reprodução do cartaz que publico ao lado. Acreditem se quiserem, são esses mesmos e tudo gratuito. De tanto instigarem para fugirem do trivial, dessa vez acertaram na mosca.
4.) Ando com saudades do SESC e de sua programação diferenciada. Percebo que novamente tem gente nova no pedaço a coordenar os eventos por lá. Instigante essas mudanças rotineiras por lá, não? Dizem que a mesa desses andam cheias de projetos, mas a programação decaiu um pouco, confesso. Para não dizer que ando totalmente arredio, pretendo bater cartão novamente por lá num show de um cara que admiro muito, CELSO VIAFORA, num show Voz e Violão, como sempre gratuito (tenho dois lindos CDs dele aqui no mafuá). Essa vinda do cantor, violinista e compositor faz parte do projeto O SAMBA ME CONVIDOU, que tem seqüência dia 06/05 com CELSO VIAFORA CONVIDA CINCO A SECO e no dia 13/05 com CELSO VIAFORA CONVIDA TRIO MANARI. Quem chegar tarde é a mulher do padre.

5.) Ontem à noite fui conferir junto da Ana Bia a reabertura dos shows noturnos na casa do Espanhol, o SAUDOSA MALOCA e no novo projeto com MPB ao Vivo, todas as terças das 19h30 até quando a polícia permitir (por volta de umas 23h30), AMARAL NETO (o rei dos teclados) e LIZ AMARAL (a cantante da TV Tem e do Aldeia Bar). Sai de lá maravilhado com o repertório e tive que prometer a eles voltar para continuar degustando boa música na próxima terça. Deixo abaixo uma pequena amostra dos dois em plena atuação, cantando Bethânia.


OBS DE OUTRA COISA:
Ontem nos jornais algo sobre Pedro Tobias, nosso único deputado estadual. Fez biquinho e criticou asperamente o Aeroporto Bauru/Arealva, lá nos cafundós do mato-dentro, esconderijo de tatus. Ficou no deserto, junto a mais de cem outros normais mortais e vivenciou in loco as agruras de algo inconcebível, algo no meio do nada, feito para favorecer alguém e com a promessa do governo estadual que ele representa, de que equipamentos virão para alterar o apregoado hoje, a de que com qualquer mijada de um cão na pista, nada aterrissa por lá. Sentiu na pele, deu chilique (dizem, perdeu o horário de bater ponto na Assembléia Legislativa e perdeu o soldo do dia), chamou a polícia e disse que instigará para que aviões comecem a levantar vôo por lá. Agora vai!!!!!!!!!!!

video

terça-feira, 26 de abril de 2011

DIÁRIO DE CUBA (55)

UMA DISCUSSÃO COMUNISTA, CUBANA E ANTI GOLPES PELO “BOM DIA”
Queria muito poder continuar escrevinhando indefinidamente esse Diário de Cuba, que teve 54 textos de relatos de uma viagem feita à Cuba em 2008 junto do amigo Marcos Paulo Resende. Ela rende frutos até hoje, positivos e negativos e o último post foi em 2010. Adoro repercussões e as fortaleço quando percebo conteúdo, algo produtivo e consistente. Já não tenho mais saco para alimentar conversa com gente limitada, que propaga idéias pré-concebidas, muitas sem fundamentação nenhuma, mas feitas para tentar a todo custo fazer vale a sua como a única “salvadora do universo”. Fujo desses, mas algumas são inevitáveis e pura perda de tempo. Uma delas acontece pelas páginas do “A voz e a vez do leitor”, a seção de cartas do diário bauruense BOM DIA. Tudo começou com meu texto publicado no jornal e aqui no blog em 17/04/2011, com o título “Puxar a brasa para o seu lado”.

Em 19/04, AUGUSTO DE OLIVEIRA LEME, aposentado, responde não pelo tema principal do artigo, mas incomodado por discordar de duas outras meras citações, meu carinho por Cuba e ressentimento pelo Golpe de 64. Seu texto: "BRASIL X CUBA - Graças ao que o articulista Henrique Perazzi de Aquino petista convicto, chama de golpistas de 64, o Brasil não é a segunda Cuba. Cuba, aliás, que se diz apaixonado e admirador dos Castro. Veja a situação daquele pobre país: o 6º Congresso do Partido Comunista de Cuba, que se reúne agora, deverá apresentar um projeto que acaba com a "libreta" de abastecimento. O senhor Henrique esteve em Cuba e sabe o que é a "libreta". Ou deveria saber. Para um povo, que tem salário mínimo médio de U$ 15 a U$ 25, o fim da "libreta" será um genocídio. Salve 31 de março de 64! Eu tenho 68 anos, na década de 60 morava em São Paulo e como meus contemporâneos, acompanhei toda a história que se desenrolava. Não ouvi dizer, se é que me entende". Entendi e achei sua resposta cheia de falácias, mal ajambrada, diria. Minha resposta saiu publicada na edição de 21/04: “BRASIL X CUBA – RÉPLICA - Resposta a Augusto Oliveira Leme, após carta publicada edição ontem: Foi infeliz ao citar Cuba, 6º Congresso e "libretas". Simples o motivo, Cuba é hoje talvez o único país do mundo com educação e saúde impecáveis. Exemplo a ser seguido mundialmente. Certeza de que os médicos cubanos resolveriam o problema da saúde bauruense, não ocorrendo a sangria financeira acordada. Para os cubanos importa pouco o salário, valendo mais o ter dignidade, levar uma vida com o mínimo necessário e sem os malefícios do capital predatório. Por serem únicos no que fazem, críticas iguais a essa demonstram insensibilidade do proponente. Quanto ao execrável golpe de 64, pagamos o preço até hoje e a elite que o produziu é a mesma a incentivar boicotes e falácias mil. Ditadura só a do proletariado, pois o que Fidel/Raul fizeram e fazem por Cuba não tem comparação, se é que me entende. Não critiques o que não conheces e não faça o jogo de interesses que não são os seus”.

Já dizia meu guru sempre de plantão, Vicente Matheus, “quem entra na chuva é para se queimar”. Seu AUGUSTO, voltou à carga em 23/04, com: “Tréplica – O articulista HPA cita o ensino de Cuba e a medicina como exemplos. Pelo que se sabe, a maioria dos médicos cubanos não passaria num exame para exercício da profissão aqui no Brasil. Quanto à educação, quantos súditos dos Castro têm se destacado no mundo nas últimas décadas? Vossa Senhoria diz que não conheço Cuba e falo do que não sei. Ora, articulista, visitar um país, comboiado por correligionários e ver só o que eles querem que veja, é muito diferente do que viver lá. Pensando bem, por que será que, se o regime castrista é tão bom e dá dignidade aos cubanos, milhares deles morreram ao tentar fugir do país, justamente com o destino à Meca do capitalismo? A ditadura do proletariado assassinou milhões de pessoas, em vários países do mundo. E, não nos esqueçamos do Paredón de Fidel, Mas uma coisa não tiro a razão: o Brasil é hoje o que, em grande parte, o governo militar nos legou: indústrias automobilísticas, grandes usinas hidrelétricas, Proálcool. Perto da ditadura dos Castro, a militar no Brasil foi uma ditabranda”. Viajei no feriado e quando fui ler a resposta, meu amigo MARCOS PAULO RESENDE respondeu com carta publicada em 25/04: “Cuba - Em resposta a carta publicada sobre Cuba pelo sr. Augusto Oliveira Leme, escrevo na verdade não para este cidadão, pois não tem mais jeito, e sim para que os leitores não sejam iludidos por informações erradas. Estive em Cuba com o professor Henrique Perazzi e posso garantir que não andamos com nenhum comboio do governo, conhecemos o país de ponta a ponta caminhando com mochilas nas costas, visitando residências, escolas, hospitais, e vimos um povo culto, simples, mas com muito do que se orgulhar, não vimos violência, seqüestros, gangues, filas em hospitais, crianças sem escolas, nenhuma das mazelas que convivemos em nosso cotidiano capitalista. Uma medicina forte, sendo o único país com cura para certas doenças de pele e de vista, quem sabe um dia o sr. Augusto não precise da excelência dos médicos cubanos. Este sr. se apega não a fatos, mas a velhos clichês fascistas como "milhares fogem de Cuba", "comunismo matou milhões(prove, cadê os arquivos??)", é a velha falácia de quem quer ver o que não existe e fecha os olhos para o maior assassino de povos que é o nosso predatório capitalismo, estude fatos e não clichês reacionários”.

Ele é rápido no gatilho e o jornal, que diga-se de passagem já não agüenta mais sua ladainha, publica sua tréplica na edição de hoje, 26/04: “Comunismo – A grande diferença entre nós, caro estudante MPR (que se manifestou nesse espaço na edição de ontem) é que sou um homem livre. Para ver, analisar e concluir. Não estou atrelado a nenhuma ideologia e programado, como um andróide, a pensar e olhar numa só direção. Nesses meus 68 anos, vi muitas coisas que aconteceram. Como você me desafiou a provar o que afirmei sobre os males do comunismo, aqui vão os fatos. Essa ideologia do mal assassinou na URSS 20 milhões, na China 65 milhões, no Vietnam um milhão, na Coréia do Norte 2 milhões, no Camboja 2 milhões, nos Estados Comunistas do Leste Europeu 1 milhão, na América Latina 150 mil, na Africa 1,7 milhões, no Afeganistão 1,5 milhões e nas ações do comunismo internacional comunista e de partidos comunistas, fora do poder: 10 mil. Fonte: O Livro Negro do Comunismo. Ah!, já sei: vocês vão dizer que tudo isso é mentira. Mas existem muitos que afirmam, apesar das provas, que o holocausto dos judeus, por Hitler, também não existiu”. Dá para discutir com isso? Sinceramente é acreditar em conto de carochinha, em tudo que lê sem contestação ou fazer mal uso de mentiras para enganar os outros. Nem o Afeganistão possui essa população viva nos dias de hoje, quanto mais isso foi morto lá. Repetem-se tudo como papagaios de pirata. Desisto, com gente assim, a saída é reeducação imediata, desde os cueiros. Minha resposta a ele sai no próximo texto semanal do BOM DIA, sábado, 30/04, quando dou um ponto final com o tal do aposentado, o Augusto. Até lá. OBS.: Todas as fotos são do povo cubano, tiradas por mim quando lá estive. Volto em breve...

segunda-feira, 25 de abril de 2011

PERGUNTAR NÃO OFENDE ou QUE SAUDADE DE ERNESTO VARELA (27)

O QUE DEU PARA PESCAR NESSES DIAS DE FERIADO PROLONGADO
Meus dias de feriado foram todos passados entre livros dentro da Cidade Maravilhosa. Por sorte não padeço do mal da rinite e adoro estar enfurnado entre papéis. Nas poucas horas vagas, vislumbrei algumas coisinhas, relatadas a seguir:

1. A presidenta Dilma no dia do feriado de Tiradentes falou sobre alguns dos inconfidentes: “Eles foram exilados por haverem se atrevido a desejar um Brasil independente. Na nossa História, muitos tiveram que se exilar por desejar também liberdade e democracia. Os brasileiros que, como eu, sofreram na pele os efeitos da privação de liberdade sabem o quanto a democracia institucional faz falta quando desaparece”. Uns lutaram por um ideal lá atrás e hoje estão em outra, esses precisam ser denunciados. Mais ainda: cada povo tem o herói que merece.

2. Lula foi taxado de gostar duma birinaite, mas quem foi pego com a boca na botija foi mesmo um tucano, Aécio Neves, que recusou-se a fazer o teste do bafômetro. Sobre o assunto muita baboseira, mas Zeca Pagodinho foi categórico: “Se fosse eu, não teria bebido. Mas esse não é o meu caso, porque não dirijo mais, só bebo”.

3. Um guru indiano, xodó norte-americano, Parag Khanna, desses a palestrar por todos os cantos do mundo cobrando altas somas, autor de um livro intitulado “Como governar o mundo”, disse em entrevista que: “O mundo vive uma segunda Idade Média, com grande fragmentação de poderes e, caminha para uma nova Renascença”. E por fim dá a estocada que eles adoram: “É legítimo matar Muamar Kadafi”. Sim, confirmo eu, mas nada leio dele sobre o rei da Jordânia e todos os truculentos da mesma cepa, instalados lá na Arábia Saudita. Deve também odiar Cuba e todos batem efusivas palmas.

4. Abismado fico com a constatação de que a imensa maioria dos países da América Central são superdependentes dos EUA, além de afetados por desastres naturais imprevisíveis e prisioneiros da violência e do tráfico. Ou seja, tornaram-se presas fáceis dentro de um jogo de xadrez onde estão sempre encurralados e sem ação. Meros joguetes, com a honrosa exceção de uma ilha caribenha a resistir como pode, Cuba. Como falar mal disso.

5. Meu filho ganhou dezenas de livros nessa viagem, mas não escapei de comprar-lhe um, promessa antiga, “Veias abertas da América Latina”, o clássico do uruguaio Eduardo Galeano. No refeito prefácio, algo a instigar leitores e adoradores da dúvida: “Em 27 de julho de 2001, o presidente do EUA, George Bush perguntou aos seus compatriotas: ‘Voces já imaginaram um país incapaz de cultivar alimentos suficientes para prover sua população? Seria uma nação exposta as pressões internacionais. Seria uma nação vulnerável. Por isso quando falamos em agricultura estamos falando de uma questão de segurança nacional’. Foi a única vez em que não mentiu”, conclui o escritor. Seria hilário se não fosse cruel. Eles pensam muito na soberania deles, mas lhufas na dos outros. Nos fodem de verde e amarelo. Na revista Brasileiros desse mês uma entrevista com Galeano: http://www.revistabrasileiros.com.br/edicoes/45/textos/1473/

6. Duas matérias me agradaram muito em órgãos de imprensa. A primeira na edição 643 de Carta Capital, “O diário do Araguaia”, com o dia a dia narrado pelo líder da guerrilha, Maurício Grabois, em escritos mantidos sob segredo pelo Exército há 38 anos (http://www.cartacapital.com.br/politica/exclusivo-o-diario-do-araguaia ) e no jornal O Globo RJ de ontem, “Agenda revela a rede de terror do Riocentro”, com a divulgação da caderneta de telefones do sargento morto, onde listava os envolvidos com a tortura e a espionagem (http://oglobo.globo.com/pais/mat/2011/04/23/agenda-do-sargento-que-morreu-no-atentado-no-riocentro-revela-apos-30-anos-rede-de-conspiradores-do-periodo-924305027.asp ). Da Carta Capital, a confirmação do que já sabia, são bons, mas d’O Globo, um revival de tempos saudosos de uma imprensa que saia a campo para grandes reportagens. Guardo as duas.

Ernesto Varela (não digo Marcelo Tas, pois esse é igualzinho a todos os outros) faria um estrago com algo assim nas mãos.
FRASES DE UM LIVRO LIDO (48)

UM LIVRO LIDO NO ENGARRAFAMENTO ESTRADEIRO DE PÁSCOA

Domingo foi mesmo de morte. Uma viagem para endoidecer gente sã. Saímos do Rio de Janeiro por volta das 13h30 e chegamos em Bauru por volta das 2h30 da manhã, adentrando a madrugada de segunda. Paradas mil, engarrafamento gigantesco na Dutra e um sono que não queria me abandonar de jeito nenhum. Num dos angarrafamentos li quase em voz alta dentro do carro (para Ana Bia e meu filho, Henrique Aquino), um livrinho (diminutivo só no tamanho, de bolso, papel jornal, 104 páginas) muito propício para esses dias ditos santos. "JESUS HOMEM", peça e teatro de PLÍNIO MARCOS, que além da religiosidade do escrito em 1981, prova continuar no submundo. "Seu Jesus é o Cristo original, dos mendigos, prostitutas e desempregados. Desvalidos de toda espécie, enfim. O Nazareno da peça é mais aquele que expulsou os vendilhões do templo e defendeu Madalena da hipocrisia. Cristo - segundo Plínio - está voltado para a conscientização dos seguidores, preparando-os para reivindicarem organizadamente seus direitos. Ele faz uma interpretação moderna, ideológica do personagem: todos os que organizam pacientemente o povo estão certos e todos os que radicalizam estão errados e atuam objetivamente como provocadores", está escrito na apresentação do livro. Do grupo teatral dele, O BANDO, algo surreal para os dias de hoje, pois assumiram o princípio de dispensar qualquer ajuda governamental para bancar as apresentações (quem agiria assim hoje, me diz?, pergunto eu). As frases, uma mais saborosa que a outra resume um pouco do Cristo que sempre idelizei como o que acredito ter existido. Confiram:

- HERODES: "Temos soldados, não temos? E para que servem os soldados? Os soldados existem para proteger os que têm contra os que não têm. E é assim que resolvo os problemas sociais. Não temam. Sei ser duro e impor com energia a paz social".

- JESUS: "Não pensem que eu vim para trazer a paz. Eu vim trazer a espada. Vim para por em dissenção o homem. Assim é que o inimigo do homem será o próprio homem. Vim chamar todos os que sofrem. Os que estão se sentindo cansados, os oprimidos, que me sigam. Deles é o reino de Deus".

- SUMO-SACERDOTE: "Não...não. Prender ou matar um maluco desses não é bom negócio. Ele vira herói. Vai servir de bandeira para movimentos subversivos. Nesses casos da desmoralização do líder é muito mais eficiente. Entendem? Subornamos o maluco. Gastamos algum dinheiro, mas desiludimos o povo. Um líder corrompido é sempre um motivo de descrença para o povo. Eles ficam gerações e mais gerações sem crer em nada e em ninguém. É dessa forma que se anulam líderes e profetas carismáticos. Corrompendo eles. (...) E tudo que não for organizado por nós, é de baixo, logo subversivo e passível de ser punido com a morte na cruz. Agora, cuidem dos entendimentos com Jesus".

- JESUS: "Ai de voces doutores da lei, ai de vocês, que tiraram a chave da ciência e nela não entram. Ai de vocês, doutores da lei, que sobrecarregam o povo com fardos pesados. (...) Muitos outros tem dito coisas certas, mas poucos aprendem com eles. Amam mais os privilégios que tem junto aos poderosos e temem perdê-los. Amam a glória da matéria mais do que a glória do espírito".

- JESUS: "Ninguém liberta ninguém, Judas. Quem quiser ser livre, que se liberte".

- PLÍNIO MARCOS NO DEBATE PÓS APRESENTAÇÃO DA PEÇA: "O Brecht nos ensina num poema que 'se o gado falasse, não iria tão mansamente para o matadouro'. E nós temos que começar a falar. Temos que correr o risco de falar. (...) O fundamental é que se mude o sistema. Se quisermos realmente resolver problemas, temos que atacar as causas e não as consequências. Se concluirmos que o sistema capitalista corrompe o homem, que o impele para a competição, só respeitando o campeão e medindo os valores pelo poder de compra de cada um, percebemos que isso tudo é que impede que o homem seja fraterno com seu semelhante. Se o sistema não permitem que se levem em conta os verdadeiros valores humanos, ele é mau e deve ser mudado. (...) O homem tem que perceber que muitas das coisas pelas quais ele foi induzido a trabalhar para conseguir são exatamente grilhões deum cativeiro absurdo. despertando para isso, ele pode se libertar. Liberto, ele pode escolher seu próprio caminho. (...) O homem luta sempre para ganhar mais, por melhores salários e não pela sua libertação desse sistema que o escraviza. (...) O homem desperto não fica pedindo luz a cego. O estado de miséria de nosso povo é tão grande que ele ainda precisa de animadores. (...) A outra coisa é que conversando uns com os outros, a gente se aproxima. Se desperta. O homem com dignidade não se deixa escravizar. Eu creio que sempre é hora de se falar. O importante é sabermos que as revoluções se fazem através das consciências, cada uma por si, até formarem a opinião pública. (...) É preciso que nós tomemos cuidado para não acabarmos ajudando o colonizador contra nosso povo"

Topo emprestar, desde que assumam antecipadamente a devolução. Quem se habilita?

sábado, 23 de abril de 2011

UM LUGAR POR AÍ (11)

CHEGA DE GENTE QUE “SE ACHA”, QUERO UMA "AMARANTE" SÓ PARA MIM
O mundo está cercado por todos os lados de gente pedante, do tipo que “se acha”, esbanjando conhecimentos e achando que dessa forma está vivendo melhor, ou pior, superiormente que o resto do planeta. Remo contra essa maré e fujo de gente a pensar e viver dessa forma. Se posso viver do jeito mais simples e tirar um proveito danado dessa vida, por que iria fazê-lo cheio de salamaleques? Detesto gente a se vangloriar dos seus feitos. Prefiro, e conheço muitos possuidores de estudos mil, mas que não precisam apregoar isso aos quatro ventos. Tocam suas vidas, recheada de muitos estudos, mas poucos são os que sabem disso. Nõ vivem de divulgar isso..

Quanto mais viajo por essas cidadezinhas pequenas, mais vou conhecendo pessoas simples, que tocam suas vidas, fazem e acontecem, bebem suas cervejas, jogam sua bola, namoram de montão, trabalham do jeito caipira e vivem melhor do que todos nós em grandes centros. Talvez nem o saibam, mas vivem bem pra caramba. Quando volto meus olhos para Cuba vislumbro sempre isso. Se aquilo é o suficiente para um país viver bem, sem sobressaltos, por que querer entrar nessa roda viva capitalista, nesse peca pra capar, tudo para ter algo a mais, que no frigir dos ovos pouca validade tem?

Li mês passado algo sobre uma experiência vivida por uma singular pessoa de uma cidadezinha no interior de Minas Gerais, em Amarante, um médico, ou melhor, um dentista que se enfurnou nos cafundós do estado há mais de cinqüenta anos, logo após sua formatura e de lá não mais saiu. Ele, o seu Geraldo (nem de Dr gosta de ser chamado) encontrou a felicidade em se doar para os de sua comunidade. Trata dos dentes de todos e de outros males, onde os tratamentos são distantes, caros e nem sempre valem muito a pena. É um homem feliz e vive mais do integrado com os habitantes de Amarante. Li sobre ele algo no final do texto, dessas coisas a não se esquecer jamais e como não consigo tirar da cabeça, repasso aos que me lêem: “A ciência ainda tem muito que aprender com a simplicidade dessa gente, que a décadas tem a fórmula do elixir da felicidade, enquanto nós, do futuro, gastamos bilhões para encontrar o antidepressivo perfeito”.

Desculpem o desabafo, ando angustiado. Queria tanto encontrar uma Amarante só para mim...

sexta-feira, 22 de abril de 2011

UMA MÚSICA (73)

UMA MÚSICA SOBRE A DATA DE HOJE E DUAS TIRAS SOBRE UMA SEXTA QUE DIZEM SANTA

DESENREDO - G.R.E.S. UNIDOS DO PAU BRASIL
Composição : Ivan Lins e Gonzaguinha, mas quem sempre a cantou maravilhosamente foi o inesquecível GONZAGUINHA, porém, existe por aí, outra, ótima também, com Leila Pinheiro. Aconselho a lerem a letra ouvindo a voz do mesmo, em algo tirado do Youtube, portanto cliquem a seguir: http://www.youtube.com/watch?v=HK-gObiFAOE
"No dia em que o jovem Cabral chegou por aqui ô ô
Conforme diversos anúncios na televisão
Havia um coro afinado da tribo tupi
Formado na beira do cais cantando em inglês
Caminha saltou no navio assoprando
Um apito em free bemol
Atrás vinha o resto empolgado da tripulação
Usando as tamancas no acerto da marcação
Tomando garrafas inteiras de vinho escocês
Partiram num porre infernal por dentro das matas ô ô
Ao som de pandeiros, chocalhos e acordeon
Tamoios, Tupis, Tupiniquins, Acarajés ou Carijós, sei lá
Chegaram e foram formando aquele imenso cordão
Meu Deus, quibão
E então de repente invadiram a avenida central,
mas que legal!
E meu povo vestido de tanga adentrou ao coral
Um velho cacique baiano sacou do piston
E deu como aberto em decreto mais um carnaval
A assim a 22 daquele mês de abril
Fundaram a escola de samba
Unidos do Pau Brasil!".

MINHA EXPLICAÇÃO: Essa letra é tão linda que a canto até hoje, desde que comprei num velho e surrado LP do Gonzaguinha, desses que guardo até morrer aqui no mafuá. Saiu de sua maravilha criativa e se a quiserem ouvir, peçam para o Wellington Leite, no programa matinal de MPB lá na Veritas FM, que ele com toda certeza é um dos únicos, que além de a conhecer a terá para brindar a todos nessa manhã, quando num 22 de abril fomos descobertos (ui...) por seu Cabral, dando no que deu, essa imensa GRES. E por fim, duas tiras de REP (sempre Rep, o argentino do Pagina 12), em algo publicado na edição de ontem e de hoje daquele diário, mostrando um pouco mais porque gosto muito de sua verve e hablando sobre dias santos. Outra coisa muito importante de suas tiras, elas nos forçam a ler em castelhano, a língua latina e isso é sempre muito ótimo. Aproveitem esses dias.