quinta-feira, 27 de julho de 2017

RETRATOS DE BAURU (203)


VANDERLEI, O PORTUGUÊS, FERROVIÁRIO SEMPRE EM ESTADO DE ALERTA
Ontem mais uma lição. Conto primeiro dela e depois descrevo quem a propiciou. A luta a favor do trabalhador é sempre cheia de encantos mil. Dos desencantos e decepções é melhor nem tocar, para que a decepção com esse mundo não exceda os limites do tolerável. Lá ontem no embuste que foi a expulsão do Paulinho, do antes de luta Sindicato dos Bancários mais uma lição entre os presentes ali na calçada e conclamando sua solidariedade para o sindicalista ferido pela traição. Um senhor, aposentado tempos atrás, sem acesso às redes sociais, toma conhecimento do fato pelo boca a boca e faz o que sempre fez a vida inteira, me diz numa conversa informal, para lá se dirigiu e foi prestar seu apoio de companheiro para outro igual a ele. Não era bancário, mas de luta e também segundo me diz: “Como não atender a um chamado desses e deixar de vir defender um irmão na luta e precisando de apoio e solidariedade? Vim e me coloco à disposição para a luta”. Comovente vê-lo falando sobre isso de não conseguir permanecer em casa quando um igual a ele está em perigo.

VANDERLEI é ferroviário da hoje extinta Noroeste do Brasil. Lá na lida o chamavam de PORTUGUÊS e o apelido o acompanha desde então. Suas histórias de resistência, greves, trabalho madrugada adentro e a luta inclemente por melhores salários para sua categoria e todas as demais é dessas que te faz sentar e ficar ouvindo, lições de uma vida inteira, contadas por quem sempre foi protagonista da história. Bauruense, mas deslocado pelo Sindicato dos Ferroviários, atuou por décadas no trecho férreo entre Três Lagoas a Campo Grande, no Mato Grosso. Percebe-se ser desses, sem muita teoria, mas com a prática e a sapiência de saber muito bem o lado onde deve estar e se posicionar. Desses que não muda de lado nem que a vaca tussa. Um bravo, na acepção da palavra. No ajuntamento de gente a defender Paulinho, quando da montada artimanha que o defenestrou do Sindicato, lugar onde atuou uma vida inteira, de forma íntegra, soberana e altaneira, lá estava Português, desses que, para ali se dirigiu, sem necessidade de ser convocado, pois isso para ele é algo inerente à sua linha de pensamento e ação. Vem e está sempre em lugares assim por pura convicção. Quando ficou sabendo, também já conhecendo o Paulo, imediatamente deixou tudo o mais de lado e foi lá se juntar a outros com a mesma disposição. E quando ocorreu um confronto, não arredou pé e com seus 70 anos, se postou na linha de frente. Levou um esfregão no braço e permaneceu sangrando por bom tempo, mas dali não saiu até sua missão estar terminada, ou seja, ficou até o fim, um dos últimos a ir embora. E assim foi, é e continuará sendo sua vida, construída na luta, perseverante e altaneiro, desses briosos, que qualquer um encara e sabe ser dos inflexíveis. Hoje, quando enalteço a resistência da qual participei de forma modesta ontem, ressalto ele, alguém a dignificar qualquer luta. Se todos fossemos como ele não levaríamos golpes e mais golpes nos costados.

quarta-feira, 26 de julho de 2017

ALFINETADA (158)


DESENCONTROS DE ECONOMISTAS E AS LEIS DO MERCADO – DE COMO FALI POR SEGUIR CONSELHOS DIÁRIOS DE UM DESSES*
* Esse texto sai também publicado como 10º na edição virtual d'O Alfinete, da vizinha Pirajuí

O país sob comando dos golpistas não consegue encontrar saídas palatáveis para nada, mas economistas aliados ao que lhes impõe as tais Leis do Mercado, continuam insuflando as massas para outro lado. Dizem, apregoam descaradamente que, algo está sendo feito e que o país volta a querer caminhar, sair do atoleiro e uma luz sendo observada no final do túnel. Será? Claro que não? No meu caso, venho publicamente confessar algo e mais do que preocupante. Fui confiar num economista, um que escreve no jornal e fala num programa de rádio. Foi a pior besteira de minha vida.

O cara diz e escreve regularmente que, o país está se safando, está voltando a respirar e eu acreditei. Apostei minhas fichas e cheguei a investir tudo o que tinha como reservas no que ia ouvindo. Hoje, passados poucos meses não tenho mais nada, perdi tudo e o cara continua dizendo que tudo vai bem, que falta pouco, que esse dia de luz chegará, mas só agora, quando perdi todas minhas economias percebi o embuste. Essa tal de lei de Mercado não é para mim, o povo, aqueles que juntam com grande esforço alguma economia e sim, para uns poucos, aqueles que abandonaram investir dinheiro em produção e trabalho e hoje, o fazem só em aplicações. Esse me parecem ganham dinheiro e nós, o restante do povo, nos danamos.


Mas o que ouvia e lia era para todos nós, como se pudéssemos acompanhar a loucura dos que pararam de investir no país e hoje só investem em ações disso e daquilo, pouco se lixando para a grande massa de desvalidos. Me danei e faço aqui minha mea culpa. É o que dá crer piamente no que diz um economista, um que está a serviço desse tal de mercado e não do grosso das massas. Como fui cair nessa? Mas a fala dele era tão bonitinha, fala tudo tão certinho, escreve com todas as vírgulas no lugar correto, achei que estava realmente me orientando a sair da crise.

Hoje enxergo, o desemprego foi obra das teorias e práticas do ajuste que desajusta. A maioria dos economistas, todos muito alinhados defendendo isso que chamam de leis de mercado e não entendia muito bem, estão todos à mercê da lâmina afiada que vem cortando, sem dó e piedade, os postos de trabalho e as esperanças. Desdenham do sofrimento da população de uma maneira vil. Hoje, os vejo como espertalhões e não estão nem aí com o o sofrimento dos cidadãos de carne e osso, lançados no torvelinho da insegurança e do desespero. Estão a serviço da minoria que oprime a maioria, quando falam só o fazem para enaltecer aquilo tudo a beneficiar quem os mantém com bufunfudos vencimentos.

Para esses,os empregos brotam do chão. São formadores de opinião da pior espécie, míopes e impulsionadores da desgraça coletiva. Propagandistas das reformas trabalhistas e previdenciária, apresentadas como salvação da lavoura, antes de uma séria discussão, sendo portanto, os responsáveis pela destruição da base industrial da economia brasileira. O tal Mercado parece ser mais importante que tudo o mais. Nós não valemos nada para eles e nos enganam a cada instante, a cada nova fala. Muito da indústria do passado já não existe mais, vai sendo moída, enquanto esses corvos afirmam o contrário. Os empregos desapareceram e não voltarão como antes, enquanto persistir esse incentivo ao arcado como solução para tudo. Criamos sim, empregos em outros países e desestruturando os daqui, tudo incentivado por esses bocas moles.

E por que mentem descaradamente na nossa fuça? Eu já perdi o que tinha por acreditar nesses bestiais. No discurso bonitinho que possuem engambelam os incautos, como eu, e depois, descaradamente, dizem nada ter a ver com isso. Mas hoje sei, perdi tudo por não enxergar o que estava diante dos meus olhos e não queria crer, os espertalhões estão nadando de braçada diante de todos nós, os bocós. Portanto, quanto cruzar com um desses, engomadinhos, fala fácil, puxando saco de poderosos, atravesse a calçada e apresse o passo. Eles são bons de conversa e te enganam que é uma beleza.


MAIS SEIS ARTIGOS PUBLICADOS NO MESMO O ALFINETE, ANO DE 2005:
Edição 344 – nº 268 – Racista, eu? De jeito nenhum... – 15.10.2005
Edição 345 – nº 269 – Caímos na arapuca muito facilmente – 22.10.2005
Edição 346 – nº 270 – Gente do Lado de Cá 10: Fernando, do Templo – 29.10.2005
Edição 347 – nº 271 – Mentira, foi tanta mentira que você contou... – 05.11.2005
Edição 348 – nº 272 – De que lado você está? – 12.11.2005
Edição 349 – nº 273 – Embates, revezes, confirmações e até sugestões – 19.11.2005

terça-feira, 25 de julho de 2017

PRECONCEITO AO SAPO BARBUDO (116)


PRIMEIRO TOMARAM O SINDICATO DOS BANCÁRIOS, AGORA EXPULSAM PAULINHO – DIA 26 VAMOS DEFENDÊ-LO
Primeiro uma explicação. O PSTU, que por décadas esteve à frente do Sindicato dos Bancários de Bauru e região era até bem pouco tempo o partido político no comando de sua Diretoria. Não querendo se associarem à militantes de outros segmentos de esquerda (como a própria CUT, petistas e quetais), abriram a guarda e propiciaram na última eleição a entrada de militantes sem nenhuma bandeira de luta. Ganharam novamente mais um mandato, mas perceberam logo a seguir terem entregue o sindicato para a oposição, agora unida, em maioria e contra eles. Ou seja, de lá para cá estão todos enfurnados num inferno astral de dar gosto. A bola da vez é o militante de reconhecida luta, o Paulinho, aquele bravo guerreiro que todos vêm defronte as agências bancárias nas manifestações e com o caminhão de som do sindicato. Isso tudo está prestes a ter fim e por um simples motivo: aqueles que hoje estão à frente do sindicato, encurralaram todos os do PSTU na parede e o próximo ato será expulsar das fileiras de sua diretoria os ainda alinhados com as "velhas" bandeiras de luta. Vejam o MANIFESTO recebido ainda a pouco e, pela amizade e honestidade de luta demonstrada pelo Paulinho ao longo de décadas de incessante luta, faço questão de reproduzir e espalhar. Dia 26/7, amanhã, quarta é dia de irmos todos lá para a frente do Sindicato dos Bancários repudiar o que pretendem fazer com o bravo Paulinho:

“Carta aberta em defesa da moral de um trabalhador e lutador bancário Paulinho (Paulo Sergio Martins), bancário, atual diretor do Sindicato dos Bancários de Bauru e Região, direção do Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado - Liga Internacional dos Trabalhadores (PSTU-LIT) da cidade de Bauru-SP está sendo covardemente atacado e perseguido politicamente pela direção majoritária do Sindicato dos Bancários de Bauru e Região, a qual convoca uma assembleia da categoria bancária para expulsá-lo da entidade sindical. Essa pauta que se baseia em questões burocráticas não justifica sua expulsão, na realidade, tem o objetivo de varrer do Sindicato àqueles que lutam permanentemente em defesa dos direitos dos trabalhadores bancários e que se posicionam contra os ataques dos banqueiros e dos governos que ano a ano exploram e oprimem a classe trabalhadora e a juventude. É público que Paulinho sempre esteve presente ativamente nas greves bancárias, em apoio às mobilizações populares, ao movimento estudantil, ao movimento de combate às opressões e dedica parte de sua vida em construir uma sociedade justa e igualitária. Nesse sentido, é visível que o ataque covarde à figura de Paulinho significa claramente um ataque a todos/as os/as lutadores/as. Por isso se faz um chamado urgente para que organizações nacionais e internacionais, partidos, movimentos, coletivos, pessoas de esquerda e a própria categoria bancária se solidarizem em defesa de sua moral, participando da Assembleia do dia 26/07, quarta-feira, às 18h, no Sindicato dos Bancários de Bauru (Marcondes Salgado, 4-44, Centro) e denunciando essa perseguição política que se faz dentro de um sindicato que é um símbolo histórico de luta e resistência no país. Toda solidariedade ao Paulinho! Em defesa dos trabalhadores que se organizam e lutam!”.

Eu, mesmo divergindo do PSTU na forma como agem e promovem a luta em defesa dos trabalhadores, me coloco à disposição para estar ao lado do Paulinho. Vamos nessa?

ESSA AQUI VAI COM LOUVOR PARA TODOS OS "BABACAS" AINDA INSISTINDO QUE NÃO HOUVE GOLPE
Aquele bando de verde-amarelo nas ruas, ou eram muito babacas em acreditar no que lhe impunha a TV ou todos estavam ali cientes de que a intenção era só uma, derrubar Dilma, acabar com o PT e depois se lambuzar com a festança de deixar os piores deste país tomarem conta de tudo. Se ainda existe alguma dúvida, ela começa a se desmanchar com declarações como essa. A História já os julgou: o povão de verde-amarelo nas ruas ajudou a cravar a estaca no peito do trabalhador brasileiro e devolveu o país à sua época de Colônia, regime escravocrata. Você ainda tem dúvida disso?

segunda-feira, 24 de julho de 2017

PALANQUE - USE SEU MEGAFONE (101)


MAFUÁ É PROCURADO PARA DENÚNCIA SOBRE IRREGULARIDADES NO JARDIM BOTÂNICO
Sou procurado na sexta aqui no mafuá por antiga conhecida: "Henrique, como faço para enviar uma denúncia de forma anônima para a Tribuna do Leitor do JC?". A partir daí ela me deixa a par do assunto e lhe digo que, eles não publicam nada anônimo, mas se quiser pode enviar para os e-mails do jornal e solicitar apuração na denúncia, o que poderia gerar matéria. Me diz ser um caminho muito longo e pede para que publique pela minha via sua carta em anexo, algo que faço neste momento, primeiro em consideração a tão considerada pessoa. De minha parte, conto com as explicações dos envolvidos para dirimir todas as dúvidas e da parte da denunciante, confirma ter em seu poder placas dos veículos e mais detalhes de sua denúncia, prontas para serem divulgadas se forem necessárias. Vamos à carta recebida:

"JARDIM BOTÂNICO E O POÇO DE VAIDADES
Conforme anunciado pela mídia em 2015, o Jardim Botânico perfurou um poço profundo em suas terras procurando assim maior autonomia no abastecimento de água, bem dispensável, além do sol, para o cultivo das plantas. No entanto, em várias das minhas visitas ao JB notei o uso indevido desse bem tão precioso. Meus filhos há anos participam do programa “Férias no Botânico”, época de alegrias e amizades para eles. Levando-os pela manhã ou buscando-os à tarde, notei funcionário utilizando um lava jato amarelo para lavagem de carros.
Pensei fossem viaturas públicas, mas as cores dos veículos e as placas desmentiam isso. Conversando com um dos funcionários indaguei se a água disponível era tratada, a resposta afirmava que em todas as torneiras do recinto jorrava água limpa, tratada e clorada do referido poço. Disse ainda o funcionário que para regar as plantas utilizava-se água da lagoa do zoo.

Imaginem, usaram meus impostos para perfurar um poço, cuja água limpa lava carros particulares e às plantas resta a água suja do lago. A esses funcionários eu diria para serem corretos e lavarem seus carros com água e luz da casa deles, aliás, usem balde como fazemos nós em casa. O fato é que em um único fim de tarde, observei quatro diferentes carros sendo lavados (tenho placa, cor e marca desses carros). Um único funcionário lavou dois carros ao mesmo tempo. Ele ganha dinheiro fazendo isso? E com o meu imposto?

Com a palavra, o Prefeito, a Secretária do Meio Ambiente e o Diretor do JB.

PS.: Uso o anonimato para que meus filhos continuem com suas férias no Botânico na diversão e alegria.

Obrigada".

domingo, 23 de julho de 2017

MÚSICA (150)


A FELICIDADE É TOCAR A VIDA PELAS REBARBAS: "A ÚNICA QUE EU SEI"
Por enquanto é isto, Estevan, o sanfoneiro dono do Bar do Barba, na ENCRUZILHADA da Feira, limite entre a Feira do Rolo e a feira tradicional dominical do centro de Bauru SP, num arroubo de felicidade sai detrás do balcão e se arremessa diante de todos os amigos do lado de fora da choperia da feira e ali toca e canta com todos. Cliquem no link a seguir e desfrutem deste inenarrável momento de puro êxtase:

sábado, 22 de julho de 2017

DROPS - HISTÓRIAS REALMENTE ACONTECIDAS (145)


A VELHA, SUA PROMESSA, OS FRANGOS E OS QUEIJOS – HPA PACIENTEMENTE ESPERA, O TEMPO QUE FOR NECESSÁRIO
Essa história eu não poderia deixar de contar aqui. Fiquei remoendo com os meus botões sobre a melhor forma de passá-la adiante sem ferir a imagem de tão boníssima pessoa no meu portão. Tentei e se ocorreu algum deslize, me crucifiquem, pois réu confesso, sou merecedor de padecimentos sem dó e piedade. Semana passada, mais precisamente sexta-feira, 14/07, por volta das 11h toca a campainha aqui no mafuá. Corro para atender e do lado de fora das grades uma velhinha, com aquele jeito mais agradável deste mundo;

- Bom dia, meu filho, poderia falar com sua esposa?

- Sinto muito, estou só, eu e meu cão. O que deseja?

A partir daí uma longa história e a tenho relatado a diversos amigos durante esses dias. Ainda crendo piamente no desfecho mais apropriado como desenlace, fechamento com “chave de ouro”, conto como o fato se sucedeu. A senhora dessas fotos, se identificando com nome e referências, 84 anos, se apresenta como moradora de um pequeno sítio, lá nas imediações do bairro Gasparini, estrada Bauru/Marília, família de procedência italiana (“minha família possui hotéis na Itália e na região do largo do Paissandu, em São Paulo”). Contou do lugar onde vive, um sítio e ali, ao lado do marido, criam muitos animais, desde galinhas, porcos e algumas vaquinhas. Plantam também e assim tocam a vida, com os filhos já criados. Para sua tristeza, uma das filhas adoeceu e ela, desesperada, fez uma promessa pelo seu pronto restabelecimento:

- Eu não preciso pedir esmola, tenho tudo o que necessito, mas fiz uma promessa. Sou católica (perguntou se eu religioso e para não desapontá-la mudei logo de assunto), frequento aqui o Santuário de Aparecida e pedi aos santos todos que, se ela ficasse boa, sairia pedindo esmola em exatas dez residências, dez pessoas. Ela foi se recuperando e hoje está boa e agora, cumpro minha promessa.

Chora comigo no portão, eu inebriado com seu relato. A questiono sobre sua idade e sair por aí. Me diz sempre ter andado muito de ônibus e quando vem à igreja, aproveita para visitar as casas e concluir sua promessa, a qual não pode deixar de cumprir, religiosa que é. Procuro pela minha carteira e, infelizmente, justo naquele dia, quase nada, pouca coisa, algo em torno de uns R$ 18 reais (se tivesse R$ 50, R$ 100 a teria dado). Ofereço a ela e insiste que faz isso, por causa da promessa e que ninguém sabe, algo só dela e dos santos. Mais envergonhada ainda me diz que, nunca havia feito pedido semelhante a um homem, pois sempre se dirige às mulheres das residências, mas me achou tão simpático. Chegou a contar algo mais de sua vida, fico gratificado e a conversa se prolonga:

- O que são esses cartazes na área de sua casa?

Explico o que venha a ser o mafuá, as cadeiras para nossos encontros e da faixa “Fora Temer”. Ele diz entender da dureza desses tempos, das dificuldades todas, dinheiro cada vez mais excasso. Trocamos confidências sobre os malefícios dos golpistas nos cravando a estaca no peito. Por fim, ela num gesto de retribuição, me oferece algo mais:

- Gostei demais do senhor e quero lhe propor algo, mas não quero que se magoe. Lá no sítio crio muitas galinhas e também faço queijos. Na segunda vou trazer pro senhor três galinhas e dois queijos para que use nos encontros aqui realizados.

Agradeci, disse não ser necessário, ela insiste, disse que, se trouxer pago por eles. Ela diz que não poderá aceitar mais dinheiro de minha parte, enfim, aceito e assim ficamos. Peço para tirar umas fotos, ela permite, mas diz que seu marido, o italiano, é muito ciumento, bebe e se souber que andou tirando fotos por aí, vão acabar discutindo. Por fim tiro, ela sorri, eu admirado, já seu fã. Queria beijá-la na despedida, mas fiquei só na vontade, uma pena da qual me arrependo.

Hoje, sábado, 22/07, se passaram mais de uma semana do ocorrido e estou desolado com meu inquilino, parede meia aqui com o mafuá. Eu, como sabem saio muito, pouco fico por aqui e ao sair o deixo sempre tomando conta da casa e atento para receber os frangos e os queijos. O danado é relapso, sai muito e por causa dele, tenho absoluta certeza, minha amiga já deve ter passado várias vezes por aqui e não encontrando ninguém, volta para seu sítio com minha prenda na sacola. Estou desolado, culpo meu inquilino e creio que ela voltará, insistirá até me reencontrar. Muitos riem de mim, nem dou bola.

Essa linda história só pode ter um final, feliz como o do país quando se livrar desses cruéis e insanos golpistas. Hoje, amanhã e pelos próximos meses, permanecerei em vigília aguardando seu retorno, o que devolveria todas minhas esperanças de que esse mundo é mesmo de uma lindeza sem fim. Tenho comigo, essa senhora, representa para mim, a versatilidade e ousadia, tão necessários nesses tempos bicudos, para ir driblando as adversidades e conseguindo, dia após dia, sobreviver. A admiro muito, mas muito mesmo. Quero fortemente abraçá-la no reencontro, seja onde for, aqui no meu portão ou trombando, sem querer, por uma rua qualquer desta cidade. Ela foi a coisa mais linda que me apareceu no portão nos últimos tempos. Estou apaixonado por ela e sua história.

sexta-feira, 21 de julho de 2017

CHARGE ESCOLHIDA A DEDO (122)


O QUE ME TOCA SÃO OS SENSÍVEIS DO TRAÇO - UM TRABALHO ACADÊMICO ENVOLVENDO REP E HENFIL NA ARGENTINA
Miguel Rep, um desses com suas tiras diárias para o melhor jornal diário da América Latina, o Página 12 (também com problemas financeiros, pois quando são assumidas posições ao lado do povo e dentro de um governo neoliberal como o de Macri, os anunciantes somem e o jornal tenta sobreviver da ação dos seus leitores).
Eu coleciono as tiras do Rep. Montei uma pasta só para ir colecionando e ainda não contei pra quase ninguém e o faço publicamente agora, pela primeira vez. Viajo pra Argentina dia 29/7 (fico em Buenos Aires com Ana Bia Andrade até 5/8) e estarei apresentando um trabalho acadêmico no Congresso de Design exatamente sobre a obra de Miguel Rep e Henfil, um argentino e um brasileiro, ambos com a mesma pegada, essa sensibilidade pelos das "calles", pelos que tentei denominar de "invisíveis" no meu mestrado, mas fui chamado a atenção por gente que admiro, como o professor Juarez Xavier, me dizendo que "são mais do que visíveis, são é IGNORADOS", o que concorda minha orientadora Maria Cristina Gobbi.

Lá em Palermo, numa universidade privada, tive aprovado um trabalho junto com a professora carioca Ana Rebello (tem trabalhos lindos sobre a ação dos cartunistas ao longo do tempo e no momento devora um livro sobre o assunto, escrito por Maringoni Gilberto e emprestado a ela por mim). Vamos juntar esses dois sensíveis do mundo do traço e descrever num Congresso bem abrangente, envolvendo gente do desenho e do design de toda América Latina, mostrando como isso é possível, o que os move e desse toque para tratar desses temas tão envolventes.
Tive o prazer de tempos atrás conhecer pessoalmente Rep em seu estúdio em Buenos Aires e do encontro publiquei um texto sobre ele, apresentando-o para os leitores de Carta Capital. Não consigo mais ficar sem toda manhã abrir o site do Página 12 e salvar a tira dele em uma pasta específica, como fazia com as charges do Henfil no Jornal dos Sports, nas revistinhas que publicava e hoje, por tudo o que encontro nas redes sociais. Já fiz isso também com o Maringoni, dos áureos tempos quando do lançamento do Caderno 2 do Estadão (hoje uma merda), tempos do Emediato no comando da coisa e um privilégio de ver uma pá de gente do traço ali valorizada. Guardei e tenho até hoje as tirinhas do amigo bauruense Maringoni aqui guardadas, como tenho de todos os que possuem essa sensibilidade por enxergar os tais ignorados.

Escrever deles é a forma que encontro de denunciar essa vergonha presenciada nas "calles" de todas nossas cidades. Espero rever logo mais o Rep lá na Argentina e conseguir transmitir algo das minhas intenções na ousadia de escrever sobre esse tema tão instigante. Rep, Henfil, Maringoni e tantos outros sabem muito bem ser impossível ser feliz num mundo onde exista tamanha diferença social. A cada tira dele sobre esse tema eu vou solidificando essa minha escolha por escrever, mais e mais, sobre esses das ruas e, dessa forma, tentar dar meu quinhão de contribuição para ir dando toques aqui e ali, mudando a forma como muitos ainda deixam de querer enxergar o que está ali diante dos olhos de todos.
Obs.: Escrito num momento em que uma vereadora de Bauru apresenta um projeto para transportar animais em ônibus públicos, mas nunca se importou com o preço das passagens, como o passe aos idosos está sendo dificultado, como esse serviço é deficitário nos lugares mais distantes da cidade, etc. Adoro os animais, tenho um inseparável cão ao meu lado, mas abomino os que adoram somente eles e pulam por cima dos mendigos nas ruas.
HPA - escrevendo e escrevendo

SEXTA É DIA DE DIVULGAR A CAPA DA NOVA EDIÇÃO DE "CARTA CAPITAL" - UM SALVE TAMBÉM PARA BRASILEIROS E CAROS AMIGOS
Ela sai nas bancas paulistanas hoje, mas chega à bancas bauruenses só no domingo pela manhã. Ouço a historia contada pelo jornaleiro, meu amigo Gustavo Mangili de que ela já está nas cidades no sábado à tarde, por volta das 15h, mas nesse horário a distribuidora se encontra fechada e não atende mais as bancas, daí sua distribuição pode ser feita a partir das 3h da manhã de domingo, quando chega o funcionário para começar distribuição de jornais e revistas no domingo. Um dia é muito para uma revista semanal, mas tudo bem, domingo pela manhã em todas as bancas da cidade. Na capa desta semana algo mais sobre os altos custos para o país em continuar mantendo um desGoverno como o de Temer, comprando tudo e todos à sua volta para poder continuar respirando. E da intempestiva ação do juiz Sergio Moro, acertadamente comparado aos inquisidores da Idade Média. Ler é o melhor remédio para não se permitir ser enganado. A melhor revista semanal deste nosso mundo segue sua sina e tenta sobreviver, com a ajuda dos seus leitores.
O diário argentino, o melhor jornal diário da América Latina, o Página 12 segue na mesma sina, com dificuldades financeiras, pois a cada dia despontam aqui e ali os sinais da implacável perseguição aos que defendem minimamente os questões sociais e a causa da maioria da população, a do povo. desaparecem os anunciantes e pipocam as dificuldades. A saída são essas campanhas de valorização da boa leitura, imprescindíveis, principalmente nesses tempos onde a verdade dos fatos é distorcida ao bel prazer por uma imprensa cada vez mais dominada pelos interesses das minorias, que as sustentam. Carta Capital um alento, diante de um mar de mediocridade. Caros Amigos padece do mesmo mal e só resiste graças à ação dos Nabucos (Araí e seus irmãos) e a revista Brasileiros, tão linda e límpida, obra inicialmente pensada por Ricardo Kotscho e hoje sob o comando do brilhante jornalista e fotógrafo, Hélio Campos Mello entra no terceiro mês sem conseguir chegar às bancas e nem sei se vai mais conseguir (resistem pela forma virtual). Carta Capital resiste como pode e (toc toc toc), segue sendo a luz no final do túnel da imprensa brasileira. 

quinta-feira, 20 de julho de 2017

DIÁRIO DE CUBA (87)


VOCÊ NÃO SAIU DE CASA ONTEM À NOITE? PERDEU, AGORA SÓ PELAS FOTOS E VÍDEOS
Uma banda uruguaia no SESC Bauru, tudo gratuito, numa área interna descoberta, um palco montado e o povo cantando e dançando uma música pouco conhecida de todos nós, interioranos paulistas e brasileiros. A real possibilidade de conhecer algo diferente, música regional de outro país, o Uruguay, aquele que produziu o presidente mais bonachão desse sisudo e hoje um tanto chato planeta, o Mujica e também a primeira terra deste mesmo planeta onde ontem começaram a revender maconha para consumidores em farmácias e assim frear a ação do tráfico.

A banda, "CUATRO PESOS DE PROPINA" existe faz tempo, mas aposto que quase ninguém daqui havia ouvido falar. Eu nunca e me encantei. Adoro a música brasileira, gosto de uma pá de músicos aqui da terrinha, minha aldeia bauruense. Toda vez que o amigo Luiz Manaia Ralinho está se apresentando com seu agrupamento caribenho, com canções dançantes latinas eu compareço, pois é lindo a malemolência do ritmo e da versatilidade propiciada aos músicos. Deliro, como ontem, quando viajei com os jovens uruguaios, num ritmo que junta tantos outros e algo só deles, uma batida, e uma empolgação, um toque de baquetas bem peculiar. Entendi pouco das letras, mas muito dos títulos das canções. Comprei CDs e os colocarei à exaustão aqui pelos lados do mafuá, pois trabalhando com esse ritmo ao fundo, minha mente se excita, ferve e acredito, produzo melhor.

Daí escrevo isso aqui, sobre sair de casa num dia frio e ir presenciar algo que, certamente não se repetirá tão cedo. Esse produtor, o paulistano Felipe França Gonzalez, montou uma firma que é a razão de sua vida, a Difusa Fronteira e traz cantantes do sul do país, todos com a pegada desse grupo, algo novo, desconhecido de todos nós. O que esse cara faz é maravilhoso, pois possibilita um intercâmbio, ele traz até nós aquilo que a gente hoje não consegue mais, que é ir conhecer lá na fonte essas coisas todas.Todos os shows que o SESC tem trazido de gente lá do sul do nosso mundo, desde Uruguai, Argentina, Chile e outros é tudo obra desse Felipe. Eu não me canso de parabenizá-lo pelo que faz e também dessa frutífera parceria com o SESC. Se não fosse ele não teria tomado conhecimento de tanta gente boa que ele já trouxe para Bauru. E o público adora, pois em todos a casa estava cheia.

Ontem, com aquele frio todo, numa área externa tinha um bom público. Quem não saiu de casa perdeu e só vai ter oportunidade de ver outra coisa de igual teor numa próxima atração propiciada pelo Felipe e com a parceria do SESC. Bauru já foi terra de passagem de latinos, quando o trem da Noroeste funcionava e a cidade fervilhava de gente latina pelas suas ruas, pois éramos o elo com a Bolívia e com a América Latina. Hoje não mais. Estamos mais isolados e, consequentemente, tristes. Ir ver essas novidades latinas é de um encantamento inenarrável, indescritível e quando posso, vou em todos. Ontem, com Ana, a companheira dando aula e não podendo dirigir, a levei à escola e fui ao show, ficando atento ao toque do celular, para correr buscá-la. Torcia para a aula se prolongar e deu para assistir ao show quase inteiro. Me antecipei, procurei pelo produtor, o Felipe e comprei alguns CDs deles antes do show começar. E durante o tempo que por lá passei, fiz quatro gravações de partes do show. Vou reproduzí-las durante o dia para quem não foi tocado para lá estar, fiquem agora se remoendo da grandiosidade perdida.

Despejo esse escrito junto das poucas fotos lá tiradas e servem como exemplo para a gente continuar aproveitando os bons momentos ainda desfrutados pelo SESC, o espaço que, confesso, deu uma substancial contribuição para a minha formação musical, pois desde muito cedo tenho visto por lá gente que não teria conhecido se não fosse através deles. Sou adepto da rua e de suas maravilhas e ontem, mesmo com frio, volto para casa reconfortado com tudo o que presenciei. O pessoal do "CUATRO PESOS DE PROPINA" é realmente ótimo, a batida deles é diferente da produzida pelos grupos brasileiros e, só por isso, merece ser ouvida, curtida, entendida... Enfim, música é mais que ótimo.

Coo poderia escrever tudo isso e não postar um mísero link para degustação generalizada dos que não conhecem a banda. Eis o link: 
https://www.facebook.com/henrique.perazzideaquino/videos/1771890032840998/?permPage=1 

HPA- Ainda em estado de deleite e êxtase, ops, desculpe, gozei nas calças...

MARCO AURÉLIO GARCIA
Ex-assessor especial da Presidência da República nos áureos tempos de Lula e Dilma.
Tinha uma adoração mais do que especial pela sisudez disfarçada dele, um sábio, desses tipo que a gente consulta pra tudo, inclusive sobre questiúnculas internacionais, sua especialidade.
É desses que deixam um vácuo sem fim dentro da gente, dessas pessoas imprescindíveis para dar o pitaco final num monte de dúvidas.
O que dizer que um senhor que sempre carregava um livro junto de si e quando existia um tempinho livre, por menor que fosse, abria sua bolsa, sacava o danado e o lia aonde estivesse.
A foto dele lendo teve essa legenda na época: "Marco Aurélio Garcia passou cerca de um hora e trinta minutos no Aeroporto Santos Dumont, no Rio, durante a tarde de anteontem por conta da crise aérea, segundo o jornal “O Globo”. Ele conseguiu embarcar para Brasília apenas hoje. No aeroporto, Garcia leu “Os Farsantes”, livro de 1966 do inglês Graham Greene sobre o Haiti durante a ditadura de François Duvalier. O escritor resumiu o país como uma “república de pesadelos”.".
Esse é um dos que sempre admirei demais da conta.
Baita sujeito.
Baita tristeza ao saber de sua morte.

quarta-feira, 19 de julho de 2017

INTERVENÇÕES DO SUPER-HERÓI BAURUENSE (104)


GUARDIÃO É CONTRA A ONDA DA PRIVATARIA BAURUENSE
 A onda dos que querem privatizar tudo, inclusive nossos passos e sombra não tem fim e teve solução de continuidade nesta semana, sendo notada pelo Guardião, o super-herói bauruense, quando referiu-se a mesma com a contundência que o caso merece: “Essa cidade é mesmo surreal. Por aqui vereadores se importam muito em como os cães vão ser transportados pelos ônibus do transporte público, mas não se importam em reduzir o preço das passagens. Se importam muito também em como ir privatizando e minando pouco a pouco, o que ainda resta de patrimônio público ao município. Vejo que o coronel vereador Meira desta feita, está investindo seu pesado armistício para cutucar os cemitérios municipais. Exibiu imagens dos tais na sessão da Câmara de segunda passada, onde só mostrou o lado ruim de cada um deles e clamou em alto e bom som para que tudo venha a ser urgentemente privatizado. Por ter trabalhado bem juntinho de Geraldo Alckmin, o governador também denominado de "Santo" na clandestinidade, o esmo que inviabiliza escolas e hospitais e depois os repassa para serem geridos pelas Prefeituras, isso não é nenhuma novidade”.

Guardião joga pesado e tenta impedir que a cidade venha a surfar na onda desses que acham que a privatização é o maior dos benefícios para a população e explica melhor sua tese: “A ladainha desses é sempre a mesma, a de que o poder público não está mais conseguindo manter dignamente nada e, portanto, dá-lhe privatizar tudo o que encontrar pela frente. Isso de incentivar o Estado Mínimo é entregar pra mão de quem não terá dó de cobrar mais pelos serviços, pois a principal premissa da concessão é essa: pague e leve. Na verdade, a competência reside em saber administrar e não cair da ladainha predatória de que tudo deve ser passado adiante. Hoje são os cemitérios, amanhã o DAE e ainda não resolvida (para eles) questão da água, depois nossos parques (o péssimo exemplo de Dória pode ter seguidores por aqui), chegando no Zoológico, no Teatro Municipal e até no Gabinete do Prefeito. Percebam o mato sem cachorro onde se enfiará a Prefeitura quando receber o Hospital de Base e, num curto espaço de tempo, terá que admitir estar de posse de um elefante branco. Esse defensores de tudo ser passado adiante não pensam no bem estar da população, mas nos cofres sempre cheios, mas tudo tem limite”.

São balões de ensaio plantados aqui e ali, onde seus proponentes, vão tentando incutir na população de que a melhor solução para tudo é dar vazão as leis desse cruel e insano mercado. “Surfa nessa onda quem quer, quem não é sensível aos verdadeiros anseios populares. Daqui há pouco voltarão a falar da necessidade de privatizar a água e também o esgoto, também o lixo sendo hoje depositado em Piratininga. Quando fazem isso, se dizem bonzinhos, mas escondem as reais intenções. Falta sim, competência nos administradores em defender a coisa pública e não nos que buscam o caminho mais fácil. Mas hoje, nem uma voz para se posicionar no embate contra a constante e seguida onda conservadora e querendo se desfazer de tudo existe mais. E daí, alguns extrapolam e jogam pra torcida. Que tal onda reverta e leve pra bem longe esses péssimos 'corretores' dos patrimônio público", concluiu e saiu para aplacar a tal onda com os próprios punhos, convidando todos os sesnsatos para a mesma empreitada.
OBS.: Guardião é obra do artista plástico Leandro Gonçalez, com pitacos escrevinhatórios deste mafuento HPA

terça-feira, 18 de julho de 2017

DICAS (162)


O DIÁLOGO NA RUA ENTRE DOIS AMBULANTES E UM CADASTRAMENTO PELA FRENTE
Mesmo com frio saio às ruas e nelas, enquanto esperava para adentrar um banco, presenciei uma conversa mais ou menos assim:

- Você viu que a Prefeitura está querendo saber mais da gente, a ficha completa de todos os barraqueiros aqui nas ruas?

- Vi sim. Tô com receio de dar a ficha completa minha pra eles. Será que não estamos correndo mais riscos?

- Também estou. Com o prefeito anterior, ele era mais bonachão, parece que entendia mais a gente, falava a mesma linguagem, já esse mais fechadão. Dizem que estão fazendo esse recadastramento para tentar nos ajudar, mas eu ligo a TV e só vejo querendo os caras por no rabo do povo, que já nem sei se depois de tudo pronto, saberem tudo, onde estamos, quanto somos, o que fazemos, o que vendemos, eles dão aquele jeito de proibir a nossa atividade.

- É nisso que penso. Tudo o que é mapeamento acaba se tornando um perigo. Pode ser usado para o bem ou para oi mal. O Temer mesmo não tirou a outra para acabar com a corrupção e ela hoje está pior que antes. Não disse que estaria ajudando o pobre e o trabalhador e votaram para acabar com a legislação que nos protegia. E aí, a gente confia ou não?

- Se ao menos eu tivesse um vereador para ir lá na Câmara e perguntar e ele nos representar e proteger. Tem algum lá que você bota fé que possa te defender e garantir que nada será usado contra a gente?

- Tenho não, até o vereador lá da Pousada vota contra os interesses do povo. Li no jornal que eles fazem tudo para dar melhores condições pra gente. Mas que condições são essas? Os vereadores podiam explicar isso pra gente. Eu não sei em quem buscar uma informação baseada na verdade.

- Sim, eles falam que somos 110, mas isso é conversa pra boi dormir, pois ou são ruins de conta ou estão perdidos. Esse prefeito me parece mesmo meio perdido, mas não sei se isso é estar perdido ou sendo pressionado para fazer uma maldade contra a gente. Que acha?

- Já te disse, tô igual a ti. E se ao menos a gente tivesse uma associação, alguém que pudesse nos representar e por a cara para bater. O Mário morreu, o Roque não foi eleito e estipularam um prazo, mas como perceberam que estamos com um pé atrás e a adesão foi baixa, deram uma prorrogação. E assim mesmo, acho que a adesão vai ser baixa, todos os que falei não estão sentindo firmeza.

- Eu me sinto assim: se correr o bicho pega, se ficar o bicho come. Sabe o ditado? Se não nos cadastrarmos vão dizer que é porque vendemos coisa irregular e se nos cadastramos corremos o risco de apertar o cerco da fiscalização. Eles sabem quem somos, sabe de nossas dificuldades, sabe que fazemos isso para sobreviver e que não temos outra fonte de renda, sabem tudo e sabe até quanto somos, mas faltam os dados de todo o pessoal.

- Seria melhor se marcassem uma reunião dessas como vejo acontecer na Câmara e a gente podia ir ver , sem ser reconhecido, sondar as intenções. Que acha?

Nisso tenho que entrar no banco e perco o final da conversa, mas deu para sacar como anda o clima entre os maiores interessados no assunto. Com a palavra o secretário interino da Seplan – Secretaria do Planejamento, o advogado Maurício Porto, que muito bem poderia marcar algo coletivo para dirimir todas as dúvidas. Leiam também a matéria do JC sobre o assunto, clicando a seguir: http://www.jcnet.com.br/…/seplan-mapeia-comercio-informal.h…

OBS.: As fotos são meramente ilustrativas, mas a conversa foi de fato presenciada e os diálogos, mesmo construídos por mim, se deram quase com esse exato teor.

segunda-feira, 17 de julho de 2017

DOCUMENTOS DO FUNDO DO BAÚ (105)


EU ENTENDO OS MOTIVOS DO JORNAL LOCAL

Recebo via inbox do facebook na manhã do sábado passado, 15/07, recado de considerado amigo: “A página de Opinião do JC hoje é um verdadeiro festival de besteiras. Incluindo a Tribuna do Leitor”. Eu, ele e tantos outros discutimos muito tudo o que sai no Jornal da Cidade, hoje o único diário existente na cidade. Normal isso, sendo o único, se transforma no farol, ou mesmo, no foco das atenções. Comentar para o bem ou para o mal, para enaltecer, ou mesmo pra criticar, sugerir algo diferente, algo dentro do que seu público leitor deve e precisa fazer.

Antes de comentar com mais afinco o papel desse jornal, lido por mim diariamente, publico os links das citadas publicações deste dia, citadas pelo atencioso amigo, pois referendo o que escreveu:

- Opinião: “O empresário brasileiro é antes de tudo um forte”, Alencar Burti – link: http://www.jcnet.com.br/editorias_noticias.php?codigo=248910
- Opinião: “O ser plástico”, Marcos Luiz Gilioti – link: http://www.jcnet.com.br/editorias_noticias.php?codigo=248909
- Tribuna do Leitor: “Lula Lá”, Cícero Scarpelli – link: http://www.jcnet.com.br/editorias_noticias.php?codigo=248913
- Tribuna do Leitor: “Proposta do Governo”, Benone Augusto de Paiva – link: http://www.jcnet.com.br/editorias_noticias.php?codigo=248912

Sim, são superficiais e demonstram, em primeiro lugar uma velada aprovação para o atual desgoverno golpista vigente no país. Muitos enchem linguiça, dão volta e, por fim, enaltecem o feito dos petistas terem sido sacados do cenário político e tecem loas aos “novos tempos”. Para comprovar o que me foi escrito pelo amigo e confirmado por mim, eis mais alguns desses textos em duas edições anteriores:

- Opinião, 14/07: “Novas leis trabalhistas podem mudar sindicatos”, Luciano de Biasi – link: http://www.jcnet.com.br/editorias_noticias.php?codigo=248900
- Opinião, 14/07: “Podemos ser campeões na geração de empregos”, Paulo Skaf – link: http://www.jcnet.com.br/editorias_noticias.php?codigo=248899
- Tribuna do Leitor, 14/07: “Votação expressiva no Senado”, Benone Augusto de Paiva – link: http://www.jcnet.com.br/editorias_noticias.php?codigo=248902
- Opinião, 13/07: “Reforma trabalhista: não vou jogar para a torcida”, Reinaldo Cafeo – link: http://www.jcnet.com.br/editorias_noticias.php?codigo=248893
- Tribuna do Leitor, 13/07: “E lá se foi um legado de Mussolini...”, Renato Ghilardi – link: http://www.jcnet.com.br/editorias_noticias.php?codigo=248897
- Tribuna do Leitor, 13/07: “

Para os mais atentos se percebe que omiti algumas cartas e textos do Opinião. O fiz propositalmente. Explico. A grande maioria possuem uma identificação com a linha editorial do jornal, algo mais do que normal. Porém, publicam também cartas de leitores cuja linha não vai de encontro a do jornal, o que não ocorre nos textos do Opinião. E o que quero dizer com tudo isso? Simples. O Jornal da Cidade foi fundado por um grupo de empresários e nunca, desde sua fundação se afastou um centímetro que fosse de seu propósito e de sua linha de conduta, a de defender e representar as tais “forças vivas” da cidade. Não escondem o jogo, praticam o jornalismo seguindo essa conduta. Estão filiados a entidades patronais e jornalísticas nesta linha, ou seja, seguem religiosamente a defesa do capitalismo, hoje no neoliberalismo e estão à favor dos interesses do empresariado e de suas instituições. Erram ao agir assim? Não. Claro que, o jornalismo como preceito aprendido em bancos escolares e ainda acontecendo em poucas publicações é bem outra coisa, mas o que fazem é idêntico à imensa maioria do que pratica hoje todos os jornalões diários nacionais. Sigo a máxima: "lê quem quer".
Adicionar legenda

Daí, minha conclusão. Não reclamo mais. Faço uso das brechas e continuo (continuarei) enviando minhas missivas para o jornal e, agradeço, quando a publicam. Ponto. Entro no jogo e sei suas regras. No mais, discordo da linha, mas não contesto, pois sei sempre foram assim e não me escondem isso, está tudo muito explícito para qualquer bom entendedor. Sendo o único na cidade, muito já esbravejei buscando mudanças, mas não mais o faço, pois eles nunca me ouvirão. Eu é que tenho que ter ciência disso. O JC é o que é e atende a uma parcela considerável do público que o lê, pois do contrário, se sentissem que seu público sugerisse outros rumos, já teria mudado. Ele sabe o que faz e para quem faz. Eu leio porque quero e continuarei a fazê-lo. Já, se quero algo dentro da minha linha de formação, leitura e política, a considerada por mim mais palatável, devo ir em busca disso em outro lugar. E o faço, pois minha leitura e informação não se baseia somente nas páginas do JC. Portanto, ele me é útil, mas sei até onde devo acreditar no que ali encontro como a verdade absoluta dos fatos. Ou seja, ali somente uma das versões dos acontecimentos, mesmo ciente que muitos outros que o fazem não possuem esse discernimento e acreditam piamente no que ali encontram como a verdade estabelecida e finalizada.

Gostaria muito da existência de outro veículo, com outra linha e postura, até para possibilitar o democrático confronto de ideias. Mesmo assim, admiro e muito a postura de muitos dos seus jornalistas, muitos em desalinho com a linha adotada pelo jornal, mas como trabalhadores dentro do sistema vigente, sem possibilidade de grandes variações sobre o imposto. Muitos tentam e os admiro muito por causa disso, pois oxigenam uma publicação. Muitas outras são oxigenadas por brilhantes jornalistas atuando em suas hostes. No mais, se quero buscar ler algo dentro da minha linha de pensamento e ação sei que não a encontrarei no JC, mas nem por isso o desprezo. Sei até onde posso ir na confiança com esse e todos os demais veículos existentes dentro do mercado editorial brasileiro. Como já me disseram certa vez, ouvi atentamente e assimilei: “Se quer algo como você pensa, funde um jornal”. Como não tenho condições, leio aqui, ali e acolá, tentando extrair algo de bom em cada um desses veículos e daí, formo o meu entendimento dos fatos.

domingo, 16 de julho de 2017

MEMÓRIA ORAL (212)


COMO ESCREVEU JOÃO DO RIO, “EU AMO A RUA” - EXPLICO*

* Algo das andanças e paradeiras obrigatórias e aleatórias na Feira do Rolo hoje pela manhã, local de incontáveis e algumas inenarráveis histórias
.
João do Rio foi um dos mais famosos dândis brasileiros e isso que aqui foi reproduzido no título deste texto foi escrito por volta do ano de 1900. Escritor que gostava de circular pelas “quebradas do mundaréu” (essa expressão é de Plínio Marcos), uma ousadia, no período onde vive, mais exatamente entre 1881 e 1921. Mesmo com toda a sociedade crendo ser o que fazia um abuso, suas crônicas saiam publicadas regularmente pela imprensa carioca e acabaram tempos depois se transformando num dos livros antológicos sobre esse tema dos personagens das ruas, o “A alma encantadora das ruas”. Todos os que se atrevem a escrever e observar as ruas com olhos de carinho e dedicação são crias do João do Rio. Eu sou um apaixonado e toda vez que pego nesse seu mais famoso livro, essa frase inicial me arrebata.

Depois dele vieram outros a escrever sobre esses personagens das ruas. Cito alguns poucos, os que mais me tocaram ao longo de minha vida. Lima Barreto, um que enlouqueceu dentro das dificuldades de sua dura vida, escreveu preciosidades, todas merecedoras de leituras e releituras. “Bruzundangas” é um livrinho de cabeceira. Depois dele, dou um salto e venho cair em João Antonio, um cronista do mundaréu do Rio de Janeiro. Ele não só escrevia sobre os povos das ruas, os marginais todos, desde travestis, frequentadores de botequins, os mais imundos, jogadores de sinuca, bêbados, prostitutas, apontadores de jogo de bicho e tudo o mais que estivesse na sarjeta. Li tudo dele e o tenho na maior consideração. Anos depois, meu sogro, seu Zé Pereira, advogado carioca, quando de seu falecimento, vi que ele possuía toda a obra dele. Trouxe tudo para minha casa e guardo a sete chaves. “Malagueta, Perus e Bacanaço” é uma obra que inspira a sair pelas ruas sem rumo, entrando em portinholas de tudo quanto é linhagem.

Depois dele, quem muito me impressionou e esse conheci pessoalmente foi o também dramaturgo Plínio Marcos. Escrevia como falava, do jeito mais popular e de fácil entendimento. Quase tudo o que produziu foi em forma de peças de teatro, uma melhor que a outra, todas bem atuais, mesmo décadas de seu falecimento. Vivenciava a dureza das ruas e escrevia com as vísceras. “Dois perdidos numa noite suja” é antológico. O via com seus livros, impressos em papéis de baixo custo e circulava de cidade em cidade, montava uma mesinha na porta de teatros e vendia gritando. Eu tento escrever como ele e como todos os meus inspiradores, mas não consigo. Quando não escrevo, gosto muito de permanecer nas ruas, observando, anotando histórias e mais histórias na memória.

Todos eles escreveram sobre o que me estimula hoje a sair de casa e perambular pela aí. Qual o grande motivo de querer mais e mais estar todo domingo na Feira do Rolo? É esse contato com o pessoal mais simples desta cidade. Sento num canto e fico a observar o que se passa naquele lugar, o mais democrático da cidade, segundo o meu ponto de vista. Observo e quando estou inspirado, escrevo. Quando tenho tempo, divago, vou fundo. Anoto as histórias num caderno, pois do contrário me esqueceria, pois a mente já não anda lá muito boa com o passar dos anos. Hoje mesmo, fui pra feira e esquecei de pegar em sua casa o amigo Gilberto Truijo, o advogado que já me defendeu numas pendengas da vida, tudo por causa do irmão que a feira possui. Fui e esqueci de tudo o mais e ele ficou me esperando no seu portão. Indesculpável, mas jogo a culpa na feira e nas suas histórias, seus personagens. Quando vou pra lá, esqueço de tudo.

Dias atrás estava na casa de um dos personagens mais brilhantes desta feira, o Carioca, o da banca de livros, lugar onde bato cartão todo santo domingo e ele me dizia de algo desta feira, onde mantém sua banca há mais de duas décadas: “Henrique, gosto tanto da Feira do Rolo que, conto os dias para chegar o domingo”. Confessei a ele que faço o mesmo e passo mal quando em Bauru e algo me impede de estar na feira. E quando viajo, domingo principalmente, pergunto onde estou: “Tem feira por aqui? É daqueles ao estilo Mercado de Pulgas?”. Se for, bato cartão, registro e depois, publico no blog. Quem pesquisar por lá (escritos desde 2007) constatará que mais de umas vinte já estão devidamente registrados, com suas histórias e fotos, sempre com muitas fotos. É simples o gostar de lugares assim, pelo menos para mim, pois nesses lugares flui o povão e junto deles suas coisas, sua maneira de viver e, principalmente, suas histórias.

Hoje e todos os demais domingo, quando aqui em Bauru eu, na imensa maioria das vezes não passo nem na feira propriamente dita, pois permaneço quase todo o tempo na do Rolo, meu lugar, onde me recarrego e me realimento, principalmente de histórias. Os pontos de encontro hoje são dois. Primeiro a passagem obrigatória pela Banca do Carioca, o livreiro. Gosto tanto que passei há uns dois meses atrás a fotografar as pessoas que por lá circulam e o que estão ali consumindo. Isso vai se transformar numa exposição, fotos minhas, das pessoas com livros, CDs, LPs ou outras peças ali vendidas. Tenho me surpreendido com o brilhantismo das pessoas e de suas escolhas. Teve gente que já tinha tirado fotos, mas pediu para tirar outra. Isso acho que não para mais.

O segundo lugar, tão inebriante quanto o primeiro é o Bar do Barba. Ele, por si só, outro personagem do lugar, dentre tantos outros, desses arrebatadores, como o Carioca e o próprio Moisés, o presidente da Associação dos feirantes que criou um slogan maravilhoso, o da “feiraterapia”, para designar o maravilhamento de estar nesse lugar aos domingos. Barba alugou um barracão na esquina das ruas Julio Preste e Gustavo Maciel, ali mora e é o seu negócio. Vive disso e aos domingos, seu maior movimento. Pintou o muro de fora de vermelho, justo o que dá para a feira e ali nos reunimos. O grupo nasceu do nada e todo domingo ali estão, todos contrários ao golpe e se reunindo para conversar, estar juntos e provar a máxima, “nada melhor de nas adversidades se unir”. Se o golpe viceja nas ruas, esse grupo se reúne para demonstrar não abandonar seus ideais.

Hoje, 16/07, passei nos dois lugares. Fui com o Kyn Junior e ele depois desapareceu no meio do furdunço e por ali fiquei. Comprei, como sempre faço, algo. Hoje, um livrinho antigo de crônicas do Monteiro Lobato, “Negrinha”. Meros R$ 7 e fiquei aguado para trazer uns CDs, mas me segurei, pois semana passada extrapolei e o fiz com dezenas, pagos pouco a pouco, em drops, segundo aceitação do dono da banca. Lá encontrei o Aurélio, jornalista do JC e papeamos com o iraquiano da relojoaria, em histórias que conto aqui no meio da semana. Fomo sentar no Bar do Barba e lá, chegam a advogava Cristina Zanin e o professor Geraldo Bergamo. Conversa da boa, isso um dos requisitos básicos do lugar. Quem passa por ali, nunca havia parado, foi o idealizados do Instituto Gaia, lá no Colina Verde, o Paulo Brito. Parou para me cumprimentar, gostou da conversa, foi ficando e quando se deu conta não queria mais ir embora. Outros foram chegando, o baterista Ralinho Manaia e o empresário da música, André Villela, hoje morando em Araraquara. Depois o Manoel Rubira e a esposa Ana que chegam e contam: “Nós passamos pela feira duas vezes aos domingos. Na primeira, 8h30 a gente vem buscar verdura e depois lá pelas 11h30 para sentar com o pessoal”. Outros passaram rapidamente, como o turco Hamilton Suaiden, morador do mundo e o professor de esperanto Rubens Colacino.

Juntei umas quatro histórias só hoje e elas podem render se as colocar no papel. Pelas fotos aqui publicadas um bocadinho disso tudo. Elas ilustram esse texto e por si só, cada uma possui algo grandioso, como reencontro com o Décio, músico da velha guarda, montando uma bateria na feira, peça por peça, tudo improvisado. Hoje estava com dois pratos de bateria debaixo do braço. Por fim, cruzo com o Fernando Medeiros, do Banco do Brasil e suas três crias, todas lindas e passeando com o pai no final da feira. E antes que conseguisse sentar novamente, eis que sou puxado para o lado. Era o Sardinha, moto taxista e pedindo para que tirasse fotos dele com óculos e sem óculos. Pediu para passar lá no ponto onde trabalha e o assunto muito me interessa: “Tenho histórias da rua para te contar”. Se acha que vou ou não vou? E as musas do Bar do Barba, mãe, filha e neta, tudo sob o manto do dono do estabelecimento, também protetoras do velho barbudo e sanfoneiro. Depois sentei junto dos amigos e amigas e só consegui sair da feira lá pelas 14h, quando o telefone não parava de tocar e do outro lado a polícia, Ana Bia, dizendo algo que ainda não tinha feito: “Comprou o que lhe pedi da feira?”. Nem havia me lembrado, mas como a feira já havia desmontado suas barracas, não tive outro jeito e passei no supermercado antes de ir ao seu encontro.

Depois conto mais, preciso trabalhar.