terça-feira, 31 de julho de 2012

PERGUNTAR NÃO OFENDE ou QUE SAUDADE DE ERNESTO VARELA (67)

ATENÇÃO, ELES ESTÃO ENTRE NÓS E SOLTOS...
O mundo capitalista é propício para o surgimento e o deslanche de gente inescrupulosa e gananciosa, desses que fazem qualquer tipo de negócio para terem cada vez mais. É o normal dentro de uma concepção onde o mandarim, o mandante, o deus supremo é o dinheiro, o ter sobre o ser. Tudo é feito em seu nome e tudo parece ser válido, até serem pegos, descobertos e terem que começar a responder pelo que fizeram. Esse responder também é relativo. Vejam o caso do Demóstenes, que foi cassado no Senado, mas pode assumir, já no dia seguinte, como se nada tivesse acontecido como desembargador em Goiás. Continua o mesmo crápula de dantes, mas todo o processo de cassação terá que ser reiniciado para a outra função. Ele teria que sair preso, detido, enjaulado e não assumir outra função. Casos idênticos acontecem Brasil afora, uns mais outros menos escandalosos. A festa com o dinheiro público não possui exclusividade, pois é praticada de forma cada vez mais escandalosa.
Leio uma nota distribuída via e-mail pelo New Time, com um comentário feito pelo Pedro Valentim, que de uma forma jocosa cutuca algo sobre o tema no facebook: ATENÇÃO POLÍCIA - Vocês sempre disseram em propaganda que nós cidadãos devemos alertar quando tiver suspeitos nas imediações de nossa residência. Denuncio e já telefonei agora mesmo pro Cupom da Polícia Militar que dois dos responsáveis pelos desvios milionários ocorridos no Hospital de Base e cuja consequência continua sendo a morte de centenas de pacientes do SUS , estão tomando cerveja pomposamente e com a maior cara de pau aqui na lanchonete Canta Galo defronte à Policia Federal”.

Precisamos ser mais corajosos quando nos depararmos com esse tipo de gente pelas ruas. Cruzava com um regularmente no SESC e nunca tive a coragem de meter-lhe o dedo na cara, assim como via sempre na fila do cinema outro, um que já foi ex-prefeito numa cidade vizinha e também tenta se safar como se o problema não tem nada a ver com ele. Da mesma forma, passei batido e não tive coragem suficiente para dizer-lhe poucas e boas. O prórpio deputado estadural, amigo de todos os envolvidos, precisa ser cobrado com mais veemência. Não sou moralista, nem tenho pretensão de sê-lo e acho horroroso quem o seja, mas cutucar e espezinhar esses grandes admoestadores da coisa pública, principalmente no quesito saúde (e todos os outros) é elementar. Pedro escreveu sobre o tema, mas acredito que também não tenha feito nada pessoalmente com os dois citados no seu texto. Fazer algo não é caça às bruxas, longe disso é demonstrar o quanto de mal eles fizeram e continuam a fazer se continuarem soltos. Precisamos nos juntar e começar a criar problemas por onde eles circularem, como o que é feito hoje por um grupo organizado, que está pregando cartazes na frente da casa de torturadores do período militar. Vamos criar um grupo para fazer algo nesse sentido em Bauru? Tô dentro.

segunda-feira, 30 de julho de 2012

CARTAS (88)

VEREADORES COLOCAM MORDAÇA NAS AÇÕES DO CODEPAC – EU TENHO UMA PROPOSTA...
Há exatamente uma semana atrás a Câmara de Vereadores de Bauru aprovou algo que não pode passar batido. Na seção Entrelinhas do Jornal da Cidade, edição da quarta passada, 24/07, com o título “Tombados”, um pequeno entendimento do ocorrido: “Para aprovar o desconto de IPTU a imóveis tombados, os vereadores acrescentaram ao projeto a necessidade de que novos tombamentos sejam aprovados pela Câmara. Além disso, os proprietários terão que comprovar investimentos na conservação dos prédios, em até três anos, sob risco de terem que devolver, com multa de 100%,os valores abatidos no imposto”. Parece algo inofensivo, mas não é. Primeiro uma antiga reivindicação, a da isenção de pagamento ao IPTU para proprietários de imóveis tombados, que comprovem manterem as edificações em bom estado foi aprovada. Isso uma coisa. A outra, o fato lamentável e lastimável, foi que para aprovarem uma coisa, promoveram outra (não dão ponto sem nó). O geógrafo Sérgio Losnak, o atual presidente do CODEPAC passou por recente cirurgia e a próxima reunião do conselho somente ocorrerá dia 07/08, ou seja, muito tempo uma decisão de uma tomada de posição pelos conselheiros.
Na qualidade de ainda conselheiro do CODEPAC, mesmo sendo mero suplente pela Associação Amigos dos Museus de Bauru, enviei contundente carta para e-mail de todos os conselheiros com o seguinte teor, tentando fomentar algo em reação ao petardo recebido em nossa direção e um dos atos comprovando como a atual composição da Câmara é autoritária e posiciona-se abertamente a favor dos interesses do capital na cidade, principalmente os do mercado imobiliário, em detrimento de outros: “Colegas do CODEPAC: Esse um dos maiores absurdos que já vi aprovados desde a criação do CODEPAC. Ganhamos mais um CADEADO amordaçando as decisões do Conselho, que são puramente técnicas e a partir de agora, devidamente amordaçados, as decisões passam a ser políticas, pois é inegável que tudo no Legislativo bauruense tem motivação baseada nesse princípio. Acredito termos perdido o motivo de continuarmos existindo. A melhor forma de repudiar ato tão brutal seria uma renúncia coletiva. Dessa forma chamaríamos a atenção e se nada for feito no sentido de demover atitude tão draconiana, como nada do que fizermos terá mesmo mais sentido, pura perda de tempo será continuarmos nos reunindo, Que eles façam tudo daqui para a frente e sem o nosso aval. Essa aprovação da Câmara, exigindo que tudo passe pelo seu crivo, deve ser divulgado em todas as cidades onde existam órgãos idênticos ao nosso, para que nos ajudem a combater o que ocorreu. É o poder econômico mostrando sua força e impondo as suas condições. Acredito que não exista em nenhum outro lugar do país algo parecido. Que atitude tomaremos a partir de agora? Fico no aguardo, pois barulho quero fazer desde já. Um abracito do Henrique Perazzi de Aquino”.

domingo, 29 de julho de 2012

DOCUMENTOS DO FUNDO DO BAÚ (39)
TRÊS AFAGOS RECEBIDOS, UMA  ENTREVISTA, FEBRE E POR FIM, UMA VIAGEM
Nos últimos dias alguns sinais recebidos de reconhecimento, que muito me alegraram.  Esse mafuá é escrito da forma mais despretensiosa possível, sem muitos critérios, que nãos os de mera publicação. Nos escritos de Memória Oral, a disposição de escrever das pessoas que na maioria das vezes não teriam espaço em outros lugares. No penúltimo texto publicado, sobre o casal dos Leoni, a comandar bancas de jornais na região dos Altos da Cidade, um comentário me faz cair das calças. CARO HENRIQUE, COMO SÃO TERNOS E LINDOS OS TEUS PERFIS. VOCÊ TEM DE MONTAR UM LIVRO COM ESSAS PESSOAS,  ELAS SÃO A HISTORIA DE UMA CIDADE. A HISTÓRIA NÃO É SO DE POLITICOS, JUIZES, GRANDES VULTOS. FIQUEI COMOVIDO, ABRAÇOS DO IGNÁCIO LOYOLA BRANDÃO”. Receber um afogo desses de alguém da envergadura de um Loyola Brandão é para ficar cheio  de orgulho e crescer a responsabilidade.

Também na semana ocorre um fato lamentável com o escritor Marcelo Rubens Paiva, que é esquecido dentro de um avião da TAM, pelo fato de ser paraplégico e com dificuldade de locomoção. Teriam que buscá-lo dentro do avião, mas o que fazem é o esquecimento. Foi feito uma matéria dentro do Bom Dia Brasil sobre a dificuldade de acessibilidade dos cadeirantes nos aeroportos brasileiros. Ana Beatriz, minha parceira assiste e inscreve um texto que havia escrito quando da viagem à Espanha sobre o atendimento do “Sem Barreiras” em toda a Espanha. No final do programa, citam o meu texto, também escrito para um Memória Oral, inclusive com a o endereço virtual do blog e com um comentário dos mais elogiosos versando sobre uma comparação entre o atendimento europeu e o brasileiro. Virei notícia.
O terceiro sinal recebido nos últimos dias foi o recebimento em casa de uma equipe da TV Unesp, para entrevistar esse mafuento escrevinhador. Vieram em quatro pessoas, capitaneada pelo amigo André Bazan, iluminador da TV e fui escolhido entre sete pessoas entrevistadas num programa especial que fizeram sobre o aniversário de Bauru, comemorado dia 1 deagosto. O motivo foi esse blog, que escrevo desde 2007 e pelo visto, agrada a alguns. Pude contar particularidades vividas, rever histórias, dizer dos meus motivos por continuar escrevendo e principalmente esclarecer os meus propósitos com essa permanência no ar. Foi realmente gratificante ver todo o espaço do mafuá ocupado por aparelhagens de TV e poder falar da forma mais descontraída possível de algo que me é muito grato, escrever. Confesso que não tenho noção da repercussão do que escrevo, pois nem um mero contador de acessos eu instalei junto ao blog, mas sinto alguns sinais, quando sou abordado nas ruas e quando me enviam textos especialmente com a finalidade de publicação. Não sei quando irá ao ar, mas como me prometeram uma cópia, prometo tentar publicar trechos aqui quando de posse do material. Ser escolhido dentre um universo de pessoas com propostas interessantes e poder expor de forma objetiva o que é esse Mafuá me enche de orgulho.

Sofri barbaridade  durante essa semana que passou com algo mais di que estranho em minha saúde. Febre alta, delírios e algo muito parecido com uma dessas gripes horrorosas. Fiquei realmente fraco, debilitado e tive que alterar boa parte de mina rotina. Comentei com alguns amigos sobre o ocorrido e de um deles recebe isso: “Caro H.P.A. fui ao medico e ele me disse: você está pre-diabético, não pode comer massas, não pode comer frutas, frituras, açúcar. Resumindo, só posso comer à vontade feijão, verduras e carnes. Ainda não tomo remédios, mas se infringir essa dieta a coisa descamba rapidamente. Lázaro Carneiro'. Isso é que é solidariedade, fui lhe comunicar que estou ruim e o Lázaro já me diz que ficou também. Amigo é para essas coisas, na alegria e na tristeza, na alegria e na doença...
OBS. Final: Viajei ontem, sábado, 28.07, junto com a Ana Bia para Buenos Aires. Estarei por aqui até 04 de agosto e tentando manter a publicação de um texto por dia. Os motivos para não permanecer diante de um computador num cidade como essa são imensos, mas mesmo diante dessas adversidades, os escritos devem sair. Um abracito cheio de muita “milonga” pampeira a todos. A novidade ruim é que, a mala veio carregada com uma batelada de remédios e até quarta, nem um mero vinho posso deglutir de álcool. Todas as quatro fotos do texto foram tiradas pelo André Bazan quando o pessoal da TV Unesp passou lá por casa e me disseram, não ligaram muito para a bagunça; Queriam o que de um mafuá?

sábado, 28 de julho de 2012

MEMÓRIA ORAL (124)
DAIANE E A VIDA INTEIRA REVIVIDA NAS FOTOS SOB O SOFÁ*
* Esse texto tem a pretensão de ser um mero libelo pela facilitação no entendimento de que todos somos mesmo mais do iguais, até nas diferenças. Nada mais que isso.

Bauru viveu momentos tensos quando meses atrás um travesti foi espancado por motivo torpe e jogado num matagal. Logo a seguir um foi morto numa praça central da cidade e na sequência outro com o mesmo grau de violência. Casos semelhantes se repetem Brasil afora, demonstrando que algo não anda lá muito encaixado na cabeça das pessoas quando se trata de estabelecer uma convivência pacífica com os desiguais. “Que seria do mundo se todos fossem e pensassem e agissem iguais”, se pergunta. Coisa boa é que não ocorreria. Em tudo nessa vida existem os bons e os maus exemplos e a prostituição, com adágio popular repetido desde que o mundo é mundo, “é a mais antiga profissão do mundo”. Sendo profissão ou não, isso é para outro escrito, mas o fato é que muitos dos tais travestis vivem uma vida dentro da dita normalidade (existiria isso, afinal?), tranquila e com amplo apoio dos seus.
Conto uma história de um deles, um que começou cedo nessa vida, aos 13 anos e hoje, aos 35, tem uma situação estabilizada, sem sobressaltos financeiros e como diz, fazendo o que gosta. Suas recordações todas estão expostas num mundo de fotografias abertas sobre o sofá de sua sala. Trata-se de Daiane Del Prado (também conhecida em alguns momentos como Shantala ou Moana), paulistana e há pouco mais de seis anos residente em Bauru. Veio de Botucatu, onde morou muito tempo com a avó e lá tentou um único emprego sem usar saias, o de ajudante de cozinha num restaurante. Estudou até a 6º série e vivendo entre a capital e a vizinha cidade, sua opção de vida já estava feita, queria viver da venda do seu corpo nas ruas. “Tentei tirá-la dessa vida, mas não houve jeito, sua decisão estava tomada. Compreendi desde o começo e o que nunca deixei foi que ela fosse explorada”, conta a mãe, Aparecida da Silva Peres, que acompanhou toda a entrevista.
Bonita, corpulenta, o caminho trilhado foi o do sucesso, pois já aos 22 anos, ano de 1999, estava na Itália. “Entrei como turista, três meses e fiquei um ano. Já estava feita, linda e comecei a ganhar bastante dinheiro. Sempre fui decidida no que queria e economizei muito para chegar lá. Lá não tinha onde guardar dinheiro, saia com ele todo junto ao corpo. Quando voltei comprei um apartamento em São Paulo, casa em Botucatu, isso para minha família e um Fiat cupê importado para mim. Não fiquei seis meses no Brasil e voltei para a Itália, ficando mais oito meses. Hoje já perdi a conta de quantas vezes fiquei nesse vai e vem. Voltava só para ver a família e nunca para fazer programa por aqui. Só tive a ideia de conhecer outras cidades, no caso Bauru, quando a situação na Europa começou a ficar ruim”, relata Daiane, que num dia muito remoto foi batizado de Fábio, nome utilizado até hoje somente pela avó.
Em Bauru, gostou do que viu e decidiu deixar de lado a ideia de não “trabalhar” no Brasil. “Vinha todo dia de Botucatu para cá de carro, posava em casa. Meu marido me acompanhava e ficava me aguardando. Não se espante, pois tive três maridos, o primeiro sete anos, o segundo oito e o terceiro três. Perdi boas oportunidades por causa do amor por eles. Um europeu queria me operar, acertar meus documentos, mas joguei tudo para o alto. Preferi o marido. Pensava mesmo em me fixar num algum lugar que continuasse me dando dinheiro. Bauru me recebeu muito bem. Montei a minha casa por aqui e ajudo muitas delas, quando tive a ideia de abrigar as que eram muito exploradas nas ruas. Não tinham onde ficar e pagavam uma fortuna em hotéis”, começa contando sua experiência bauruense.
Hoje Daiane mantém uma casa onde muitas residem e lutam juntas contra a discriminação das ruas. “Eu aluguei a casa e elas dividem o aluguel, ficando livres com a alimentação, que podem fazer também ali. Defendo elas, sou uma espécie de advogada de todas e tudo o que eu posso faço por elas. Nessa casa não se é permitido levar clientes, só amigas e acabo ensinando elas todas com algumas regras básicas de sobrevivência das ruas. Desde o trato com o cliente, os métodos de prevenção, ou seja um pouco do que aprendi eu passo adiante”, conta. A tal casa já comportou mais de vinte e hoje oscila de dez a quinze. “Elas vão e vem, tem dia que não tem nenhuma e noutros tem quinze. Bauru não tinha o hábito de prostituição diurna e hoje junto ao Motel Floresta tem de tudo, desde mulheres a travestis. Eu fui pioneira lá e hoje virou ponto tradicional”, continua. A mãe, Cida, ouve tudo e de vez em quando emite sua opinião: “Eu vim para Bauru cuidar de minha filha. Se não vou mudar ela, vim olhar de perto e proteger”.
Quando lhe pergunto se isso tudo não cansa, sua reposta é rápida. “Adoro essa vida agitada, marcante para mim. Sempre tive muita coragem, como das primeiras vezes que fui para a Europa sem conhecer nada, muito menos a língua. Não te contei, mas casei lá com uma italiana que precisava de dinheiro, isso em 2007. Eu precisava do documento e ela de grana. Hoje sou muito amiga de toda sua família, eles me adoram. A Europa eu conheço quase inteira, trabalhei nos mais famosos lugares e no mês de setembro próximo volto novamente, dessa vez sozinha e mais por costume, por necessidade de estar lá novamente”, continua seu relato. Aqui a mãe entra no assunto e emite novamente sua opinião: “Deus dá o livre arbítrio para todos. Por ela ser travesti não vai deixar nunca de ser minha filha e dessa forma me dou bem com todos eles. Lógico que queria que ele fosse um doutor, mas foi uma escolha e não viro as costas para ela”.
Setembro está chegando, devendo permanecer um ano inteiro por lá e a mãe ficará por aqui cuidando de tudo. Muitas também já foram para lá seguindo seus passos e orientações. “Não me peçam para deixar essa vida. Gosto demais do que faço e não prejudico ninguém. Sempre fui exigente comigo mesma, muito limpa, higiênica, por isso passei batida por essas doenças todas. Cuido demais do meu corpo, quero sempre estar inda, cheirosa e atraente para meus clientes e amigos. Te confesso que a única burrada que cometi nesses anos todos foi por causa de um ex marido ter me envolvido com drogas. Nesse período esqueci da família e fiquei num mundinho fechado, eu, o cara e as drogas. Dei um breque quando descobri a Itália, o luxo e percebi que perderia tudo se continuasse maluca. Me controlei na marra”, conta essa passagem sendo observada de perto por duas amigas que vieram lhe fazer uma breve visita, Naomi e Mary Jae, ambas sem envolvimento com a prostituição e sim com o show business.
Ela continuaria falando muito, contando passagens, relembrando a história de amigas, buscando nas fotos a lembrança de um passado não tão remoto. Peço que me diga como entende isso das pessoas perseguirem os travestis e os homossexuais pelas ruas. “Em tudo, os bons pagam pelos maus. Nesse meu mundo existe de tudo, os ruins do lado de cá e do lado de lá. Eu não faço mal a ninguém, vivo minha vida, de forma intensa. Evito uma briga, mas já tive que entrar em algumas, inevitáveis as minhas. Temos que nos defender das maldades desse mundo, mas até nisso tive sorte, pois tenho encontrado muita gente a me tratar muito bem. Sou paparicada e não tenho do que reclamar”, diz sobre o assunto. Daiane reflete bem essa espécie de vitrine exposta em nossas ruas e que só é visitada quando dois lados estão predispostos a fazê-lo e dessa forma, com os dois querendo, não existe como manter posicionamento contrário. Ela não caça clientes. O que ocorre é exatamente o contrário e compreender isso é entender uma das muitas facetas do que ocorre em nossas cidades desde os mais remotos tempos. E assim sendo, não se justificase o uso de nenhum tipo de violência com semelhantes nessas condições. Todos estamos no mundo para viver e deixar viver, sendo Daiane somente mais um personagem nesse álbum de figurinhas, no caso dela, com fotos e mais fotos.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

BAURU POR AÍ (70)
O FIM DO RESTAURANTE DO LUSO
Um dos locais mais bucólicos dessa insólita Bauru fechou definitivamente suas portas. O Clube Luso-Brasileiro foi vendido e vai ser demolido, pedra sobre pedra, para em seu lugar, dar lugar ao que Os ditos progressistas estampam todos os dias nas manchetes como um novíssimo Centro-Empresarial. Disso, como me ensinou meu amigo Sivaldo Camargo, expresso somente um “Sem palavras”. Dia 28/07 o último Baile no salão do Luso e dia 01/08, sábado o último dia do funcionamento do Bar Luso-Brasileiro, que além da comida excepcional, feijoada e bacalhoada, algo pouco usual nas casas de comida de Bauru, música ao vivo e valorizando grandes nomes locais. Comi muito por lá e revi vários grandiosos da constelação bauruense da boa música. Não tenho muito que escrever, além da tristeza, a mesma que me acometeu quando fechou o Bauru Chic, do amigo Egberto. São perdas. Só isso.
Sobre o fechamento do restaurante, reproduzo duas cartas publicadas na Tribuna do Leitor do JC. A primeira, “UM BREVE ADEUS AO BAR DA LUSO”, publicado em 24/07: Quando foi dado como certa a venda da Luso, há algum tempo atrás, foi uma tristeza geral, principalmente para aqueles que viram o clube ser erguido, como eu, que durante muitos anos usufruiu das quadras de basquete como atleta, das piscinas e dos grandes carnavais da família Lusitana. Nos tempos atuais, o que restou de bom ali foi o bar do meu grande amigo Sérvio e sua irmã Darcy. Os sábados e domingos com música ao vivo viraram ponto de encontro das família e dos amigos que lá vão saborear os deliciosos pratos que são oferecidos. O cantor Rafael é ótimo com suas músicas alegres e que com seu bom humor brinca com as pessoas levando alegria para todos que por ali passam.Tem também a D. Elza, que dança o tempo todo, a Vera que arrisca algumas músicas ao vivo, a Arlete e a Arlene que, tímidas, a tudo assistem sempre sorrindo. Mas para que tudo isso aconteça e a energia flua com bastante intensidade, tem que haver um porque e esse porque é o anfitrião, meu amigo e irmão de longos anos, o Sérvio. Esse moço foi tão importante para mim que eu costumo dizer que a minha vida tem o antes e depois de conhecê-lo. Ele, além de amigo fiel, é um guerreiro, um batalhador, com ele não tem tempo ruim e apesar das dificuldades e tristezas que a vida oferece, está sempre otimista, alegre sempre sorrindo. Sabe, amigo, sei que você está triste porque seu bar vai ter que fechar daqui a alguns dias, mas encare isso como uma renovação de vida, um novo ciclo que se abre, é um novo amanhecer, é como uma borboleta emergindo belíssima e colorida de seu casulo. Quando a vida fecha uma porta, Deus abre uma janela. Não vai demorar muito e você vai ter seu novo bar e vai se ver novamente rodeado de seus amigos. Que Deus te dê muita luz. Te amo amigo, ontem, hoje, amanhã, pela eternidade, em outras vidas e nas próximas”, Jacy Guedes de Azevedo. E a segunda, “BOTEQUIM DO LUSO”, publicada dia 25/07: Ontem li a coluna do leitor, onde minha amiga Jaci mencionava os almoços de domingos no Botequim. Às vezes parecia que estava em meu fundo de quintal. Rafael nos embalando com suas melodias, conhecidos que passavam abanando a mão, outros unindo a mesa, o hino do Corinthians, as paródias e, acima de tudo, o sorriso de felicidade por estarmos ali. Ao Sérvio e família, às garçonetes sempre sorridentes, agradeço os momentos e creiam, não paramos por aí, somos uma família. Não nos encontramos por acaso e não permitiremos que nada nos distancie. Agradeço à Jaci por nos apresentar o Botequim, após um jogo de basquete, onde se firmou nossa amizade. Sérvio, nos veremos sempre por aí”, Vera Lucia da Silva - amiga do boteco
OBS.: Nas duas fotos aqui reproduzidas, na primeira o proprietário abaixado num papo à mesa com um habituê da casa, o Laranjeira em 21/07 e na segunda, anos atrás, um animado grupo, saboreando a boa música emanada do lugar.

quinta-feira, 26 de julho de 2012

O QUE FAZER EM BAURU E NAS REDONDEZAS (16)

JÁ ESCOLHI O QUE DE MELHOR ACONTECE NA PROGRAMAÇÃO DOS 116 ANOS DE BAURU
O que de melhor acontecerá na programação do aniversário de Bauru, 116 anos, comemorados essa semana aqui, eu vi estampada na foto de primeira página do jornal BOM DIA, edição de 20/07, sexta passada e em outra foto (click de Juliana Lobato, reprodução aqui), maior, em página interna. Triste foi ver a fila formada por ambulantes bauruenses na sexta para conseguir uma senha, que foi entregue na segunda, tudo para conseguirem um espaço onde vão poder comercializar os seus produtos durante as festas no Parque Vitória Régia. Mas o que uma coisa tem a ver com outra? Tem tudo. Da tristeza para a alegria, pois o que realmente torna a festa alegre é ver esse pessoal da foto em atividade. Na grande foto, ocupando quase meia página do jornal, só ali estão três diletos amigos, o vendedor de batatas fritas, Valdemir Obristo, o primeiro da fila, depois em segundo lugar Maria Inês Faneco, nossa pipoqueira de plantão e como sétimo da fila, o famoso Reinaldo Costa, mas conhecido como “Au-Au”, noroestino de quatro costados, como eu, lancheiro de mão cheia. Tendo a certeza que os espaços dedicados a eles estão garantidos, tenho garantido também que a festa será das melhores. Esse pessoal labuta bravamente propiciando a todos os presentes momentos de pura alegria para nós, que nos encontraremos do lado de cá da festa. De tudo o que estará
acontecendo em Bauru nesses 116 anos, a festa tendo eles como personagens mais do que principais é o ponto alto. Urgente seria dar melhores condições para exercerem o ofício que escolheram, deixando o resto com eles, pois sabem tornar uma festa em algo inesquecível. Bauru 116 anos é a cara dos integrantes dessa fila. É com eles que eu vou, sempre.
Já dos festejos em si, tenho comigo (cada um tem suas preferências), que o ponto alto será o show no SESC, dia 01/08 com EDU LOBO e em segundo lugar o no Vitória Régia, DIA 29/07 com ARLINDO CRUZ. Gosto muito da Festa do Sanduíche Bauru, principalmente por tratar-se de algo nosso, a difusão de uma marca bem bauruense, que só não está tombado e eternizado como receita nacional por um pequeno descuido, ainda contornável.

NOTÍCIA MAIS DO QUE TRISTE DO DIA: Faleceu nessa manhã em Marília, o amigo e mais que considerado DÉCIO BASSAN, vencido na batalha que travava com o câncer. Seu livro, ENERGIA: ALTERNATIVAS, recém formatado, sua última atividade em vida, será lançado postumamente, como seu desejo. Escrevi dele aqui, semana passada, dois textos, um Retratos de Bauru e outro sobre as providências coletivas possibilitando que o livro nasça. Infelizmente, esse parto ocorrerá sem ele. Quem esteve ao seu lado, a incansável Rose Barrenha, sabe do esforço final desenvolvido por ele para que o texto fosse definido. Isso ele bravamente conseguiu.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

DICAS (96)
UM POUCO DO QUE VAI PELA MINHA CABEÇA
PRA NÃO DIZER QUE DEIXEI DE FALAR DE ELEIÇÕES:
Virei um contestador dessas eleições, pois não vejo ninguém protestando contra o que acredito seja o grande culpado de todos os nossos males:  o REGIME POLÍTICO VIGENTE. Esse capitalismo está cada vez mais cruel, insano e predador, mas todos estão loucos para estarem inseridos nele, de cabo a rabo, de rabo a cabo. A chacota é o que me move, como a que vi o amigo Wander Florêncio distribuindo ontem via facebook, um santinho com a carinha dos três candidatos “farinhas do mesmo saco”, todos com a carinha do MUSSUM. Depois, pelos jornais de hoje, que também deram destaque para o fato, fico sabendo que não foi ele o criador. O quem concordo é que desses três, votaria no Mussum, o original. E foram entrevistar os três e eles todos, provando aquilo que disse, que são mesmo oriundos do "mesmo saco”, disseram a mesma coisa: “Que coisinha linda! Adorei!”.
CADÊ VOCES, QUINTAL DO BRÁS? Deixei hoje no facebook o seguinte recado para o grupo musical: “Amigos do Facebook – Cadê o povo do QUINTAL DO BRAS que todo ano se apresentam na festa de Aniversário da Cidade lá no Vitória Régia. O pessoal da Secretaria Municipal de Cultura, a Cássia e o Chico estão à procura de vocês, pois já ficou como algo oficial tê-los na festa, num espaço reservado para o Samba de Raiz. Não estão encontrando ninguém do grupo para definir se vão ou não encantarem o lugar esse ano. Façam contato pelos fones 32124861 ou 32351088. Esse samba é da melhor qualidade e não pode ficar de fora da parte popular do evento. HPA”.
OLHA A MADÊ NAS PARADAS:A Cia. de Artes "Celeiro da Arte" estará promovendo nessa próxima sexta feira, 27/07, das 15 às 17 h, na Oficina Cultural "Glauco Pinto de Moraes" um encontro com Madê Corrêa (diretora geral e dramaturga) e Emerson Pollice (Expressão Vocal e Corporal) para a seleção de novos atores e atrizes para um novo musical infantil. Trata-se do espetáculo “EM CADA CANTO EU CONTO UM CONTO" de Madê Corrêa, com sua direção e trabalho de expressão corporal e vocal de Emerson Pollice. Requisitos básicos: ator ou atriz com idade acima de 18 anos, sem restrição de idade, preferência a quem tenha DRT (provisório ou definitivo) que tenha conhecimentos básicos de encenação, improvisação, técnicas de expressão corporal e vocal (saiba dançar o básico e cantar pelo menos Ciranda, Cirandinha...) e técnicas em manipulação de bonecos. Estaremos na Oficina Cultural esperando a todos na sexta feira, dia 27, mas antes gostaríamos que confirmassem presença pelos fones:(14) 8168-5603 ( Madê Corrêa) e (14) 8181- 0184 (Emerson Pollice)”.
E CONTINUANDO VIAJANDO COM WILSON DAS NEVES: O show do último domingo no SESC, 11h30 (que fui com meu pai e lá vi a amiga Audren Victorio com sua mãe) com o baterista WILSON DAS NEVES foi um salutar encontro com muitos músicos de Bauru e região, como o baterista Ralinho, um dos nossos maiores instrumentistas de “baquetas na mãos”. Encantamento que, felizmente, só o SESC ainda nos proporciona. Não me canso de dizer isso. Wilson trouxe junto um amigo compositor, CLÁUDIO JORGE, um que queria muito ter presenciado num show só dele, como suas lindas canções. Tenho dois CDs dele, os “Coisa de Chefe” e “Amigo de Fé”. Do Wilson tinha o “Som Sagrado de Wilson das Neves” e comprei o “Pra Gente Fazer Mais um Samba”. Gravo esses dois últimos para o Ralinho, pois Wilson trouxe somente cinco CDs para vender e eles voaram como o vento no deserto. Deixo mais uma amostra de um som que não envelhece de jeito nenhum, mesmo Wilson tendo completado seus 76 anos. Confiram e me digam se não tenho razão:
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terça-feira, 24 de julho de 2012

MEMÓRIA ORAL (123)
OS LEONI DE BANCA EM BANCA E SEMPRE DE BEM COM A VIDA
Todos os que circulam no quadrilatero da avenida Duque de Caxias e a rua comendador José da Silva Martha, entre a Antonio Alves e a Gustavo Maciel estão habituados com um casal a trabalhar numa banca de jornais, sempre sorridentes, fazendo amizades e resistentes como aroeira, pois mesmo sendo obrigados a mudarem de ponto constantemente, acabam localizando outro na mesma região e por ali permanecem para alegria e felicidade de todos. Trata-se de Rogélio Leoni, 76 anos e Maria Aparecida Ribeiro Leoni, 74, ambos aposentados e atuando no seguimento de bancas há quase 28 anos e somente há seis juntos debaixo do mesmo zinco.
A história deles é longa e emocionante, de pura persistência (ou seria resistência). Ela, foi telegrafista por 30 anos na Cia Paulista Estradas de Ferro, depois Fepasa, entrando aos 14 anos e aposentando-se aos 44. Ele, açougueiro de profissão, 45 anos atuando no setor. “A mesma parteira que fez o meu parto, dona Pierinha fez o dele. Já estava escrito, fomos feitos um para o outro. Foram 5 anos de namoro e já são 51 de casados. Eu sei até o que ele pensa só no olhar. Ele teve açougue na Baixada do Silvino, a Casa de Carnes Rogélio por décadas e antes foi motorista, fiscal do Quaggio e viajamos juntos, ele como carreteiro, eu de ajudante. Aprendi a dirigir caminhão observando ele ao volante, num daqueles Mercedões cara chata. Isso foi em 72 e aprendi de tanta vontade que tinha”, começa seu relato a divertida dona Leoni.
Ela se aposentou no telégrafo e ele no açougue da Baixada, onde começou moleque, seguindo o pai, Adolfo Leoni, o Nenê Calabrês, que tinha casa de carnes no jardim Bela Vista. Com três filhos, um homem e duas mulheres, ambas cursaram Nutricionismo na antiga Fafil, fazendo com que a permanência em casa fosse somente de um ano. Para ajudá-las abriram duas bancas de revistas e jornais, uma para cada. Ele permaneceu 22 anos numa defronte um supermercado na rua felicíssimo Antonio Pereira, na Vila Independência e ela numa na área central da cidade, de 1984 a 1992 perto de onde moravam, na rua Virgilio Malta e depois mais um outro tempo na rua Ezequiel Ramos. Não pararam mais. Dali ela foi para seu ponto mais famoso, o da rua Joaquim da Silva Martha, perto de onde é hoje o supermercado Pão de Açucar. Três anos recheados de muita história e alegria.
O motivo das constantes mudanças daí para frente foi sempre o mesmo. “Quando estávamos gostando da coisa pediam o ponto. Foi assim em todos. De lá, ainda sozinha fui para a Araújo Leite, duas quadras do anterior. Foram mais seis anos ali. Pediram a casa para demolir e aí já vou trabalhar junto do Rogélio, pois fechamos a banca da Independência quando fechou o mercado. Tudo melhorou, pois quando um precisava sair o outro ficava no lugar. Mais um tempinho e fomos para a quadra 20 da Antonio Alves, pra cima da Duque. Ali o movimento era muito bom, foi quase um ano e meio, mas também pediram a casa. Daí descobrimos esse estacionamento, aqui na quadra 18 da Antonio Alves, para baixo da Duque, conversamos com o dono, eu fico cuidando da banca e ele acabou por gerenciar o estacionamento”, continua seu relato.
O trabalho, com as filhas formadas já não tinha mais aquela necessidade anterior, mas quem dizia que eles queriam parar. Que nada, continuaram, mesmo com os filhos insistindo que havia chegado a hora de descansar. “Isso aqui é o nosso descanso. Fazemos aqui muitas amizades, é divertido e o tempo passa rápido. Melhor do que ficar em casa tocando mosquito”, conta Rogélio. Ela não para de contar suas piadas, ouvidas das velhinhas que batem cartão diariamente na banca e mostra a foto do neto Paulo: “Olha que lindo, brinco com ele desde seu primeiro ano. Brinquei muito de pião, burica e espada com ele. Hoje faz faculdade, tem 21 anos e é a alegria dos avós. Ensinei até telégrafo para ele”, conta a coruja avó dona Leoni.  Enquanto conversamos um motorista de ônibus para o veículo no sinal vermelho e sinaliza para ela lhe levar o jornal até a janela do coletivo, enquanto atende dona Matilde Maria Giraldi, 79 anos, moradora da região que faz questão de deixar registrado: “Conheço eles desde a banca lá na Araújo e venho diariamente bater papo. São uma alegria para todos nós essa convivência”.
A banca funciona de segunda à sexta das 7 às 18h e aos sábados até às 14h. Levantam diariamente a partir das 5h, quando preparam o almoço e trazem para a banca. Ali tem de tudo, fogareiro elétrico, pequena televisão, ventilador e um rádio, ligado o tempo todo na Auri-verde. Até um pequeno altar tem seu espaço num canto e além do serviço, sendo o forte a venda de cartões telefônicos para celulares e jornais, o que mais dá prazer a ambos são as histórias que contam sem parar. Rogélio tem uma Brasília creme, ano 79 e muitos já tentaram comprá-la, mas ele é irredutível. “Enjeitei R$ 10 mil e não vendo, não troco, não alugo e nem empresto. Meu filho já sabe, dar uma volta nela, só comigo junto. É meu xodó”. Ela também tem das suas e conta uma do mercado: “Mulher de açougueiro conhece bem carne. Pedi um quilo de alcatra ao cara e ele me cortou miolo de sete e perguntou se podia passar um pouquinho do peso. Disse falando só para ele ouvir que sim, mas que não queria aquela e sim a que pedi. De carne só não sei desossar”.

Do novo local só alegria e quem também vive alegre com eles é seu João Luquini, o dono do estacionamento que sabe ter encontrado gente da melhor qualidade para cuidar dos veículos sob seus cuidados. Fizeram uma parceria perfeita e felizes tocam suas vidas sem grandes turbulências. Desvencilhar-se deles é algo difícil, pois é tal o emaranhado de histórias a se multiplicar, com uma engatando na outra. Quando já tinha me despedido, Rogélio me diz no pé do ouvido: “Vou lhe mostrar algo que só eu tenho”. Fiz cara de espanto e ele me tira um vistoso anel do dedo, dizendo ser de açougueiro: “Tem mais de 60 anos, de um lado tem um arado e do outro uma cabeça de touro. Não a tiro do dedo. Peça única”. Dona Leoni faz questão de dizer ter imitado o marido e fez uma de telegrafista, tendo de um lado um raio e do outro um telegrafo. Querem mais, passem por lá, passatempo mais do que garantido e se precisar, carreguem ali os créditos de seus celulares e tornem-se clientes. Os Leoni agradecem.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

INTERVENÇÃO SUPER-HERÓI BAURUENSE (41)
ALGO SOBRE UMA CAMPANHA PARA SALVAR A “APAE” E OUTRAS QUE VIRÃO
No Brasil muito dinheiro corre (e escorre) através de entidades assistenciais. O Governo Federal injeta muito, o ano todo e mesmo assim algumas vivem no aperto e sempre clamando por mais e mais. “A APAE - Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais de Bauru pode e não ser enquadrada nas que recebem muito, mas não saberia se o faz com esbanjamento. O que falta é a publicação com regularidade dos seus balanços. Isso seria ótimo para dirimir dúvidas. Todos ficamos sabendo anos atrás, via imprensa, do rombo na APAE de Jaú, que quase teve suas portas fechadas. Sem analisar o organograma da entidade, a verificação da destinação exata do dinheiro recebido, não dá para fazer campanha pelo seu fortalecimento. O trabalho que executam é primoroso, dona Olga Bicudo é um baluarte à frente da entidade, mas não trabalha sozinha. Meses atrás a entidade mantida pelas Mães da Praça de Maio, na Argentina, de reconhecido valor e importância passou por algo a macular sua credibilidade. Um capô promovia desvios e aplicações à revelia da direção e quando tudo veio a tona, por pouco tudo não explodiu”, com essas palavras Guardião, o super-herói de Bauru inicia sua análise sobre uma campanha em curso de levantamento de recursos para sanar um buraco financeiro na APAE. “Deveríamos aproveitar esse problema atual na APAE e inspecionar, exigir os balancetes de todas as entidades que recebem verbas públicas, sejam municipais, estaduais ou federais. Quem não deve não teme”, conclui Guardião.

Alguns podem dizer que a entidade APAE é intocável. Tudo bem, concordamos todos que ela tem atividade primordial, essencial e executa algo com qualidade reconhecida, mas isso não a isenta de fiscalização, assim como todas as demais que recebem valores elevados dos cofres públicos. Outra entidade, o CIPS – Consórcio Intermunicipal de Promoção Social, atendendo uma legião imensa de jovens também deveria passar pelo mesmo crivo. Essa, diferente da APAE não apresenta problemas periódicos de quebra de caixa. Não seria o caso de verificar dos motivos de uma não ter problemas com as mudanças de ano, interrupção de créditos e outra apresentar esse problema? “Executar um bom serviço é uma coisa, demonstrar o quanto são idôneos é outra. Não vejo publicado na imprensa local os balancetes dessas duas entidades e nem de nenhuma outra. E por quê? E quando isso não ocorre é natural que ocorram comentários, tanto de uma como de outra, versando sobre algo no campo das hipóteses. E isso não é bom para nenhuma delas. Quem faz a fiscalização nessas entidades, como é feita e quando é feita? Nada disso a cidade toma conhecimento, ficando sempre com a parte pior, ou seja, só chamados para cobrir seus buracos, para que não feche suas portas. É doloroso ver dona Olga na imprensa com o pires nas mãos, mas somente isso não basta. Querer ajudar a APAE todos querem. A cidade pode se mobilizar, mas por que não se publica todos seus balancetes? E também o de outra, o CIPS, que hoje anda bem das pernas, mas não demonstra como anda sua vida financeira (a entrada e saída de valores recebidos). E fazer isso seria algo tão natural como dois e dois são quatro”, define Guardião, como seu posicionamento, o do escrevinhador HPA e do desenhista Gonçález (www.desenhogoncalez.blogspot.com).
Guardião e seus idealizadores não querem com esse texto criar caso, nem provocar a ira de alguns num momento aflitivo para a APAE, mas são perguntas e explicações que precisam ser feitas e mais, respondidas. E o questionamento, como deixa claro, não é exclusivo para essa ou aquela entidade, mas para todas que recebem dinheiro público.

domingo, 22 de julho de 2012

ALFINETADA (100)
MAIS TRÊS TEXTOS PUBLICADOS N’O ALFINETE NO ANO DE 2000
Como venho fazendo de três meses para cá, estou disponibilizando todos os meus textos publicados no semanário de Pirajuí, três por mês.
NOVO FEBEAPÁ (10) – publicado edição nº74, de 28/07/2000

Passei o final de semana lendo crônicas de Sérgio Porto, codinome Stanislaw Ponte Preta (1923/1968). Como pude constatar na releitura, Stanislaw continua sendo uma das melhores encarnações do espírito carioca, só comparável às comédias de Artur Azevedo, no século passado e as atuais aventuras lítero-musicais de Aldir Blanc. Stanislaw Ponte Preta sempre foi especialista em debochar dos trotes e foxtrotes desse país pitoresco e extravagante, cujo nome começa com a letra “b”, de bye-bye. Para anarquizar os delírios da imaginação carnavalesca, escreveu o “Samba do Crioulo Doido”, espécie de resumo desvairado da história do Brasil, na qual se misturam gregos e baianos. Como resposta às tolices inspiradas pelo golpe militar de 64, escreveu dois volumes do FEBEAPÁ (Festival de Besteira que Assola o País). Se fosse vivo, Stanislaw certamente escreveria notáveis episódios com inspiração nos nossos atuais mandatários.  O próprio FHC fornece copioso material de mancadas, cujas vítimas mais frequentes são os aposentados, a quem nosso príncipe já chamou, entre outros desaforos, de vagabundos. Pode crer, caro leitor, no capítulo do besteirol, FHC só perde para Emília, a Marquesa de Rabicó. Mas os grandes fornecedores do futuro Febeapá, por incrível que pareça, são os atuais estudantes de jornalismo. Mês passado os jornais publicaram algumas pérolas, escritas por alguns candidatos a estagiários. Perguntado sobre quem foi Mahatma Gandhi, por exemplo, um dos jovens postulantes ao emprego respondeu: “Foi o líder de uma seita africana, que tinha como filosofia o Candomblé. Muito respeitado em sua nação, Gandhi chegou ao Brasil pela Bahia, onde conquistou adeptos religiosos, atualmente conhecidos como Filhos de Gandhi”. Pois é, caro leitor, tomara que o Mahatma Gandhi, esse novo baiano não esteja metido nas mamatas do Banco Central...
E PARA NÃO DIZER QUE NÃO FALEI DE ELEIÇÕES (11) – publicado na edição nº 75, de 05/08/2000
Elas estão aí em nossas ruas. Mesmo quando não queremos, estamos esbarrando a todo instante com esse assunto. Tanto Bauru, como Pirajuí, saíram de uma situação de calamidade, com prefeitos cassados, denominados de “iôs-iôs”, pois saiam e entravam nos cargos com uma frequência de espantar. Felizmente, eles já são parte do passado, mas estamos agora, diante de nova escolha e se não quisermos sofrer nos próximos quatro anos, teremos que pensar muito antes de escolher nosso candidato. Aqui em Bauru, a polêmica que ganha as ruas é se ainda vale a pena a gente acreditar em promessas, pois muitas delas depois não são cumpridas. Bauru e região elegeram um deputado estadual que havia prometido ir até o fim do seu mandato, mas agora nem bem chegando ao meio de sua administração já é candidato a prefeito. E quem acreditou que ele ficaria até o fim? É por essas e outras que não dá para ir acreditando em tudo o que essa gente nos promete em campanha. Nessa época fala-se muito, mas na hora do vamos ver muito pouca coisa de concreto sai disso tudo. O eleitor, por mais escolado, corre sempre o risco de cair no conto do político de fala bonita, aquele que gasta muito em campanha e logo após a eleição vira-lhe às costas, esquecendo-se de tudo. Uma coisa é certa: aquele que tem para gastar em excesso, deve ser olhado com uma certa desconfiança, pois, certamente, com seu salário no mandato não receberá o que gastou na campanha. Aquele que vive distribuindo e pagando coisas, desaparece depois. O melhor mesmo é ficar com aquele que tem um passado de trabalho, que nunca esteve envolvido em fatos escusos e que promete coisas que pode realizar. Não acredite em milagres, nem em super-homem, pois só assim estaremos tentando não errar. Votar branco e nulo não ajuda nada no processo, pois mesmo sem querer estaremos beneficiando alguém. Analise muito, pois ainda temos candidatos honestos, basta procurarmos cuidadosamente. Mãos à obra e boa escolha, para você, para mim e para todos nós!

O GRAFITE EM NOSSAS PAREDES (12) – publicado na edição nº 76, 12/08/2000
As paredes e muros de todas nossas cidades estão cada vez mais emporcalhadas. Escreve-se e desenha-se de tudo nesses lugares. Na grande maioria das vezes, são aquelas grafias ilegíveis feitas por grupos de jovens, sem sentido algum. Não passam de disputas de grupos para ver quem picha num lugar mais difícil e arriscado. Uma grande bobagem. Por outro lado, tem grafite, que é o desenho bem feito, com acabamento e tentando passar alguma mensagem. Tem até cidades que já dedicam áreas somente para que os grafiteiros exercitem sua arte. Discutível ou não, não dá para misturar num mesmo balaio tudo o que vemos por aí. Tem muito desenho bem feito e por verdadeiros artistas do spray, que respeitam certos lugares, só o fazendo nos permitidos. Outra coisa que tem muito por aí são as frases soltas, escritas pelas mais diferentes motivações. Tem declaração de amor. Tem palavrão. Tem provocação e também muita ironia com assuntos ligados ao nosso dia-a-dia. Tem muita coisa que nos faz dar uma paradinha para lê-las. Sou daqueles que, quando vê uma que vale a pena, paro e copio. Fui até guardando algumas, que passo agora para os leitores: “O Brasil não está doente. Está é bêbado”, “Desta vez vote nas putas. Nos filhos não resolve...”, “Camisinha, preserva ativos”, “OTAN no Kosovo dos outros é refresco”, “Gema, mas fique bem clara”, “Os ouvidos têm paredes” e “Brasil? Fraude explica. Terra do 1º de Abril”. Nem nossos políticos escapam. Numa dessas eleições passadas, vi um muro denunciando Paulo Maluf como “cara de Paulo”, e num outro, quando Quércia concorria à presidência, madou pintar em muros pelo Brasil afora: “Quércia vem aí...”, mas o gaiato foi lá e completou com sua sabedoria “pra roubar”. Tem disso e muito mais por aí.

DICA DOMINICAL: Uma infernal gripe me pegou de jeito. Estou prostrado numa cama, mas busco forças para fazer algo nessa manhã de domingo. Abdiquei da Feira do Rolo e da habitual passada na Banca do Carioca, mas não tenho como deixar de comparecer no SESC, 11h30, projeto Choro na Praça, quando o QUARTETO CAFÉ a cada domingo de julho convida uma celebridade para divisão do palco. Hoje, o monstro sagrado da bateria, WILSON DAS NEVES. Tenho dele dois CDs aqui no Mafuá e mesmo febril, lá estarei aplaudindo esse senhor que já tocou ao lado de todos os monstros sagrados da nossa MPB. Para mim mais do que imperdível.. Uma notícia do pós show: Tudo foi divinal, o mestre das batutas agora canta, virou "canário" como mesmo diz e trouxe para o acompanhar o sambista CLÁUDIO JORGE, da nova linhagem e representante da fina flor do samba. Os presentes, dentre os quais muitos músicos da cidade, a possibilidade de conhecer pessoalmente um senhor de 76 anos, cantante e encantante. A seguir, uma pequena amostragem dele cantando sua mais conhecida música "O Samba é meu Dom":
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sábado, 21 de julho de 2012

PALANQUE – USE SEU MEGAFONE (26)
QUATRO SENTIDOS DESABAFOS E JUNTO UMA ORAÇÃO CONTRA ALGO Á NOSSA VOLTA
1.) “Amigo Henrique, mais algum amigo que possa estar presente na III Semana Latino Americana. Amigo - N E N H U M jornal (JC e Bom Dia), colocaram como meta para os candidatos a Prefeito a Cultura! Nada! Nem uma palavra...nem um toque..absolutamente nada!. E...continuamos trabalhando na Casa de Cultura Celina Neves; e..continuamos trabalhando pela e para a Semana Latino Americana; e..continuamos a ensaiar as peças para inauguramos o nosso palco definitivo na Casa de Cultura...amigo estou muito cansado disso tudo! Muito pra baixo...Vejo o Thiago batalhando muito...tenho medo, fico triste por tudo isso...Talita em Curitiba formando-se em Direção teatral...meu amigo Henrique estou doente já ha algum tempo, problema nas pernas...amigo obrigado pela atenção.  Vamos abrir vagas para 8 alunos em agosto no nosso Curso de Teatro Paulo Neves, alunos de 17 - 30 anos, sábados, de 17 horas as 20h30, se puder nos ajudar a divulgar, muito obrigado". Esse triste e doloroso DESAFABO é do diretor teatral e professor de História, PAULO NEVES e expressa magistralmente a quantas anda o astral de quem insiste em continuar produzindo, propondo, brigando contra moinhos e fazendo de sua vida uma intensa e árdua batalha. Quem não se entrega, sofre, padece e labuta. O relato do Paulo é como uma garrafa com uma mensagem jogada ao mar...

2.) “Oi, Henrique! Estou te escrevendo e repassando para as bailarinas e professoras de dança para ver se vocês não tem ideia de realizar um evento p promover o livro do Decio com dança, seria muito interessante e tenho certeza de que as meninas topariam. Elas também sempre precisam de uma forcinha para os figurinos das alunas, etc, Vocês podiam fazer um evento em conjunto e dividir de alguma forma os ganhos, mas isso fica entre vocês. Beijos”. Esse relato veio de longe, da Holanda e escrito pela professora de balé, a MARCIA NURIAH, que mesmo distante continua muito preocupada e antenada com o que ocorre aqui do lado de cá. Sua proposta é de alguém sensível e sempre ciente de que algo precisa continuar sendo feito. Ela faz maravilhosamente a sua parte e isso é de um encantamento divinal.
3.) "Amigo HP, veja o meu e-mail enviado para lista APFFB, com relação ao “convênio”, “acordo”, “contrato”, “acerto”, ocorrido entre a prefeitura e o DNIT. Mais uma vez ficamos de fora - Amigos, Lembramos que apesar de estarmos engajados nesse processo há muito tempo, de fazer com que o material histórico ferroviário fique em Bauru, em nenhum momento fomos convidados a participar desse acerto entre Prefeito e DNIT. Não sabemos o conteúdo desta negociação, tão pouco quais foram os itens “assegurados”. Eles não querem a nossa participação ou envolvimento nas questões de preservação ferroviária de nossa cidade. Cabe a nós, APFFB, como uma OSCIP – Organização da Sociedade Civil de Interesse Público, buscarmos outros caminhos. Eng. Ricardo Bagnato, pela APFFB - Associação de Preservação Ferroviária e Ferromodelismo de Bauru”. Esse relato também em forma de DESABAFO demonstra como tudo continua sendo feito meio que no vai da valsa aqui em Bauru, sob o tacão de um só pessoa e sem ouvir, escutar ou a participação de ninguém. A APFFB não tem interesse algum em atrapalhar, emperrar ou criar problemas. Quer só contribuir para que a pendenga férrea na cidade caminhe e realmente aconteça. Quando alijada, o que se subtende é que não estão querendo que a questão caminhe. Não dá para entender de outra forma.
4.) “ORAÇÃO DO VERDADEIRO POLÍTICO
Deus ilumine meus pensamentos e faça de mim, um instrumento de vossa paz, como rogou Francisco de Assis!
Fazei com que eu pratique a política e não a politicagem!
Fazei com que eu  honre cada voto a mim confiado!
Que as minhas promessas sejam de fato concretizadas. E se assim não o for,
que não seja devido a falcatruas das quais eu tenha participado.
Que o dinheiro público queime em minhas mãos, caso eu não o utilize em
prol da coletividade. Da coletividade geral e não da minha coletividade, que fique claro!
Que eu não zombe dos pedidos dos mais humildes, pois preciso lembrar SEMPRE
que o meu salário sai do suor de cada um deles.
Que eu tenha sempre comigo que, mesmo que às vezes me sinta impune à lei
dos homens, não escaparei a lei de Deus que na verdade, nada mais é a minha própria consciência, que um dia enfim, haverá de me  condenar ou  me
absolver.
Que eu tenha em mente, que me candidatei por livre e espontânea vontade e,
por isso não posso carregar meu mandato como se fosse um fardo a mim
imposto.
Que eu pense nas crianças, adolescentes e jovens, filhos dos meus eleitores
como se fossem meus filhos. Isso se eu amar aos meus filhos verdadeiramente. Nos idosos como se fossem meus pais. Isso se eu for um filho de verdade.
Fazei com que meu umbigo seja muito menor, mas MUUUUUITO menor que a
comunidade a que  me dispus a  governar ou a ajudar a governar.

Que eu não seja inspiração para personagens de programas humorísticos, por
ter sido hipócrita e demagogo. Pois como disse o grande médico Bezerra de Menezes em um dos seus discursos, a missão que escolhi não é só de
princípios humanos, mas sim divinos.
Pai, e mesmo que ao fim de meu mandato eu não tenha conseguido concretizar
meus anseios pelo povo, que eu conclua essa etapa sem as manchas tão características da corrupção, sem o peso da omissão, sem a dor de me olhar
no espelho e me refletir tão oco.
Que eu saia desse mandato digno de ser chamado Brasileiro e acima de tudo
filho de Deus, de Krishna, de Buda, de Maomé, de Oxalá, de Jeová, de Jesus, enfim de todas as divindades de crenças que preguem a paz, o amor, a
verdade, a fraternidade e a justiça.
E se eu não acreditar no divino, que eu ao menos eu termine esse mandato
digno de ser chamado SER HUMANO - AMÉM, ASSIM SEJA”.
Quem me envia essa oração é um (a) servidor (a) municipal, texto dele (a) e junto um pedido com algo bem do fundo do coração: “Como combinamos, fique a  vontade para publicar, mas por favor, que seja um texto anônimo. Só de mais gente ler, já vai me deixar um pouco aliviado (a)! Segredo nosso! Tenho certeza que se muitos políticos lerem esse texto que tive a arrogância de escrever (pois quem sou eu para escrever uma oração?), estariam rolando de rir. Mas tenho esperança que exista no meio deles, alguns que saibam do que estou falando e sintam isso de verdade”. Mais que isso, pede o anonimato, pois sabe que gente lá de dentro da Prefeitura poderia lhe causar problemas se soubessem serem dessa pessoa o escrito. O texto não tem nada de novo e demonstra algo elementar. Quando a carapuça serve, quem a veste acaba ficando furioso, não com seus erros, mas com quem os apontou. E a publicação é para que todos sintam algo sobre o clima vigente no atual momento nas hostes municipais. Sentida revolta interna por observar desmandos, conchavos, desencontros, desarranjos, maledicências, fuxicos, entraves, autoritarismo, campo de intrigas e perversidades, etc e etc. E a culpa nem é totalmente do prefeito, mas de gente que quer ser mais realista que o rei. Império da boca fechada, pois do contrário...