quinta-feira, 30 de abril de 2015

DICAS (135)


PELO MOTIVO DE SER VÉSPERA DE FERIADO, VAI TUDO JUNTO E MISTURADO


1.) O PRIMEIRO DE MAIO EM BAURU
Nada sei da programação do 1º de Maio em Bauru além do que a CUT estará apresentando no Parque Vitória Régia e durante todo o dia. Claro que o show de Paula Lima e da Banda Black Rio serão atrações de grande monta e com algo dos mais recomendáveis, um Tributo a Tim Maia. Mas a ida amanhã para as ruas deve estar revestida de algo muito mais salutar do que, simplesmente ir assistir a essas grandes apresentações artísticas. Vivemos um momento mais do que sui generis no cenário político brasileiro e é claro, a CUT ciente disso está preparada não só para enfrentar manifestações, como preparou uma manifestação, coordenada por ela e devendo ter grande repercussão local e regional. A TERCEIRIZAÇÃO DA MÃO DE OBRA é quase o fim da carteira de trabalho assinada e dos direitos do trabalhador em possuir um emprego digno. O empregador passará a poder contratar seus funcionários através de empreiteiras de mão de obras e essas regularão ao seu bel prazer, sem quase ônus nenhum, sobre as demissões e quetais. Findam-se aqui as promoções dentro de uma carreira estável. Aliás, nada mais será estável se a terceirização vingar. E nada mais justo do que a grita acontecer e em alto e bom som. Ciente disso, vou para a avenida amanhã, vestido de vermelho e para assistir aos shows e bradar em alto e bom som contra a barbarização que será a implementação da terceirização do trabalho no Brasil. Amanhã é o dia de algo de muito sério ocorrer nesse país. É o que espero.


2.) ALGO DO ABDUZIDO QUILOMBO EM AGUDOS E DA LUTA DO LUIS MELO
Participei semana passada do Mídia Cidadã, com o tema “Mídia Cidadã e Movimentos Sociais: desigualdades, resistências e mídia inclusiva” na Unesp Bauru e dentre vários aprendizados e sapiências ali vistos, adquiridos e consolidados, um me chamou muito a atenção. Conheci o LUIS FRANCISCO DE MELO, do PORCINOS QUILOMBO AGUDOS SP e o trabalho dele muito me impressionou. Primeiro por que o Luis é um cara muito carismático, desses onde a gente bate o olho e sabe estar diante de alguém cheio de histórias e muito para ser passado adiante. Depois, fui tomando conhecimento dele estar à frente do Porcinos, algo onde brinquei ser ele um “quilombola sem quilombo”. Sim, em Agudos existia um vasto Quilombo (com letra maiúscula) e que foi abduzido pela cidade em algo nunca bem explicado. A luta do Luis é para ver isso tudo sendo não só contado, revisto, como até rever as terras. Esse gajo está envolvido em tantas lutas e todas merecedoras de ser contadas em detalhes. Algo mais para a frente. De início, após longo papo com o Chico Maia, nosso secretário municipal da Agricultura, que disse estar ciente da luta empreendida pelo Porcinos, sendo esse mais do que um aval para participar da luta deles. Daí como pontapé inicial por aqui de algo que quero ir fazendo ao longo do tempo, quero que conheçam essa história. Com a publicação das fotos (e depois um curto vídeo com a fala do Luis) vamos dar início a uma parceria para rever muito dessa história que, uns fazem questão de enterrar, mas existem aqueles fazendo exatamente o oposto, ou seja, estão desenterrando e expondo tudo como mais uma das muitas fraturas expostas na luta dos desvalidos contra os usurpadores de bens e direitos. Essa é uma bela história e será contada aos poucos, em forma de “drops”. Um Quilombo bem no coração de Agudos. Quem diria!!!



3.) QUANDO ESCREVO DE NOVOS ARES, DE ESPERAR MAIS UM POUCO PARA VER PARA ONDE PODEMOS IR NOS LOCALIZANDO NA CONTINUIDADE DA LUTA, vejo que algo está sendo formatado, uma tentativa de consolidar algo novo, bem ao estilo do que a Esquerda precisa. O ressurgimento com uma verdadeira proposta, aglutinadora e bem constituida. Dou minha contribuição para isso ir também se forticando por aqui numa alternativa mais que viável para o futuro dos que buscam um outro mundo, mais palatável, voltado para o social e pelo fim das desigualdades e algo onde o trabalhador possa ser de fato valorizado. Estamos atentos e vendo o Podemos por el Socialismo crescer e se possível, se multiplicar mais e mais. Por isso tudo não me peçam para sair da trincheira de onde me encontro nesse momento e sair vagando como uma rés desgarrada pelos campos. Leiam isso, publicado hoje no Página 12 argentino:
http://www.pagina12.com.ar/…/cont…/13-271669-2015-04-30.html


quarta-feira, 29 de abril de 2015

RETRATOS DE BAURU (172)


MERENE LOBATO DANÇA ONDE O POVO ESTÁ
Essas dançarinas bauruenses são maravilhosas. Cito assim de bate pronto algumas delas, cada uma com algo mais do que especial, especificidades só suas. Ontem bati com a cabeça na parede por perder uma apresentação de uma delas e num lugar dos mais inusitados, o terminal rodoviário de Bauru. Sim, no meio da tarde, uma pomposa apresentação de uma dessas que sabe flutuar, parar no ar e não só pela maestria com que executa suas passadas, mas também pela simpatia que irradia e o amor demonstrado não só ao que faz, mas nas apresentações e lugares escolhidos para as apresentações. Digna do reconhecimento de todos.

MERENE LOBATO tem 28 anos e uma baita experiência no currículo. A dança move sua vida. Ao lado da mãe, Lúcia, toca e comanda o Centro Corpo Livre de Dança, ali ao lado do Residencial Camélias. Formada em Educação Física, com pós graduação em Dança, essa esguia profissional da dança, chega bem perto dos 2 metros de altura, mas é também imensa na simpatia, com um sorriso vistoso, desses de preencher espaços vazios. Começou cedo e segue em frente, dançando e ensinando dessa ciência pela aí. Já bailou em tudo quanto é espaço bauruense, da região e país afora, sendo também um dos seus predicados, o de não escolher espaços. Convidada se apresenta onde o povo estiver. No Carnaval passado abrilhantou a passarela do samba como um dos destaques da escola de samba Cartola, numa coreografia para endoidecer gente sã. Dando início a Semana da Dança, ontem foi o dia do terminal rodoviário e hoje, logo mais a noite, estará novamente no palco do Teatro Municipal, justamente no Dia Internacional da Dança, como uma das que abrilhantarão a noite. Certa feita escolheu como frase para ilustrar uma de suas fotos, daquelas bem caprichadas, tiradas em pleno voo, algo que a define muito bem: “Nada é mais revelador que o movimento”. Merene é essa meninona aí das fotos e o escrito de hoje é feito em sua homenagem, a mais nova musa da Rodoviária de Bauru. E de muitos outros lugares. Movimentação é seu nome.

As pessoas que levantam voo sempre estarão por aqui.

O QUE FAZER EM BAURU E NAS REDONDEZAS (61)


O DIA DO FERROVIÁRIO E O MUSEU DE CARA NOVA, ESPAÇOS AMPLIADOS – QUE VENHA AGORA A OUSADIA!

Sou de um tempo em que o Dia do Ferroviário era data cheia de muitas festividades cidade afora. Afinal, todos em Bauru somos um pouco ferroviários. Não existe família sem que muitos dos seus não tenham história dentro e fora da ferrovia (tenho avô e pai). O progresso hoje ostentado por Bauru também deve muito ao fato de aqui estar localizado o famoso entroncamento. Só aqui, nos áureos tempos mais de 4 mil ferroviários atuando ao mesmo tempo. São tantas histórias. Hoje muitos renegam isso tudo e apostam no modal rodoviário como o mais viável. Eu não. Pensem comigo, Imaginem o mundo daqui há 20 anos e como deverá ser a entrada em Sampa via rodovias. Um tendel. Daí entra o trem e deixando todos bem no meio da capital e sem problemas de interrupções de trânsito. Será a salvação da lavoura.

Isso uma coisa e dela surgem tantas outras. Minha escrita hoje aqui é para bater tambor pela passagem de mais um Dia do Ferroviário. O Museu Ferroviário Regional de Bauru não se esqueceu da data e tem programação para hoje e amanhã, com um grande café para convidados ferroviários e demais interessados. Será uma ótima oportunidade para que a cidade tome conhecimento de algo até agora pouco divulgado. O nosso museu cresceu, ou seja, ganhou mais espaço. Sim, o seu jardim interno, que até bem pouco tempo possuía uma divisão interna, como na antiga Alemanha, um lado Oriental e outro Ocidental foi totalmente unificado. Aquele jardim interno, bonitão e com muito verde, rodeado de construções históricas, todas datadas de quase cem anos agora pertence somente ao museu. A grade foi abduzida. Felizmente.

Fui outro dia passear por lá e encontrei logo na entrada o Kyn Junior e a Mariza Basso. Fizemos um tour acompanhado do melhor e mais profundo conhecedor de tudo aquilo, o intrépido Paulo Henrique, o menestrel e monitor PH. O espaço onde antes era o Centro de Memória da Unesp, hoje só municipal, está impecável, tudo graças a uma funcionária dedicada e caprichosa, a Cynthia Bombini. Olhei de relance e vi tudo muito bem embaladinho. Precisaria ver quando alguém aparece em busca de um documento antigo para ver sobre sua aposentadoria, mas sei que a Cyntia dá conta. Todo o arquivo existente em Bauru da extinta Rede Ferroviária Federal está ali sob seus cuidados. Por ali um vasto material sobre ferrovia em forma de livros e documentos. Tudo podendo ser pesquisado. Maravilhas que podem ser desvendadas por tudo e todos.

Nos fundos, paralelo à rua Nóbile de Piero, onde antes estava situado as instalações do SESEF, tudo hoje também sob os cuidados da Cultura Municipal. Vi uma cozinha ali funcionando e muitos documentos armazenados em outras salas. Alguma arrumação ainda sendo finalizada, bons espaços para serem ocupados e muitas ideias ainda sendo construídas. Chego a pensar que numa daquelas salas poderia funcionar um espaço permanente para recepção dos ferroviários aposentados, numa forma de atraí-los para continuar tendo contato com aquilo que foi o motivador e transformador em suas vidas. Falta isso e pelo que vi, espaço existe. Ao lado, ainda em funcionamento, o escritório remanescente da extinta Rede, cuidando do final do espólio e em suas salas, outro verdadeiro museu, com peças históricas ali sendo utilizadas e expostas. Mais ao lado, com entrada pela Nóbile, o Clube dos Engenheiros, com programação para alguns aposentados, um verdadeiro clube onde vejo constantemente alguns deles reunidos em torno de algumas mesas e esse o último reduto ainda independente do museu. Uma espécie de ilha cubana dentro de um grande arquipélago. Cheguei a achar isso ruim durante algum tempo, hoje não mais. Eles são e estão na ativa. Ótimo que assim o seja.

Não quero retratar nesse texto as modificações internas do museu, nem da provável utilização da estação (com muita gente trabalhando por lá), nem do projeto Ferrovia para Todos, que continua desativado, impedido de funcionar, assim como da desativação dos carros férreos estacionados no Poupatempo. Gostaria de me ater na desativação já há mais de sete anos do Conselho Deliberativo do Museu Ferroviário de Bauru. Quando vejo experiências fora de Bauru vicejando no apoio externo para instituições públicas e aqui tudo ter sido impedido de continuar funcionando, enxergo um veículo na contramão. Por que não reativá-lo? Comparando com a Sociedade Amigos da Biblioteca Nacional, lá do Rio de Janeiro, que tanto faz por aquela instituição, vejo que muito deixou de ser feito nesses anos de estagnação por causa do não funcionamento desse Conselho, um dos últimos ainda DELIBERATIVOS na cidade. Só no Ferrovia para Todos poderia estar acontecendo maravilhas, mas não, tudo parado. Uma pena.

Voltando para o espaço interno renovado, com o jardim inteiro aberto, algo a ser aplaudido. Espaços renovados e ampliados. Tanto que vi o prefeito Rodrigo oferecendo espaço ali até para abrigar temporariamente a Oficina Cultural. O fato é que o museu cresceu e com ele também precisa crescer e vicejar aquela mentalidade de que, esse ponto turístico pode voltar a ser um verdadeiro ponto de ação cultural e integração dentro da cidade de Bauru. A partir do enfoque ferroviário buscar uma ampliação e aliado a programação renovadora, voltar a ser local de reuniões, palestras, congressos, shows, exposições variadas e múltiplas, enfim, uma ousada revolução. A partir dele e ao lado da famosa estação, que poderá também rejuvenescer, o algo novo a movimentar o centro velho da cidade. Que isso tudo faça parte das discussões daqui para a frente.

Hoje, pelo país todo, uma sentida falta, ausência deliberada, a de pessoas intensamente revolucionárias, como a que perdemos ontem, o mestre ANTONIO ABUJAMRA. É de pessoas inquietas, com motorzinho ligados ininterruptamente, 24h no ar e plugados nas transformações que necessitam serem feitas. Vejo uma equipe em atuação, motivados, buscando o bem coletivo, mas falta, não só neles, mas em muito hoje no Brasil, desse espírito abujamrista nas ações provocativas e conspiratórias. Sei que muito disso é também barrado pelas instâncias superiores e levo isso em consideração. O Museu Ferroviário pode ser um pólo conspirador e agitador dessa transformação. É o que falta por lá, pois as condições matérias e imateriais já estão todas lá. Mãos a obra e boa sorte na empreitada. Eu, Kyn e Mariza podemos até colocar lenha nessa fogueira. Querem???

Obs.: As fotos foram tiradas por mim quando da visita por lá em 15/04/2015.

terça-feira, 28 de abril de 2015

ALGO DA INTERNET (101) e PARTICIPI


A INSENSIBILIDADE GRASSA PELO MUNDO E POR AQUI TAMBÉM ou PAREM O MUNDO QUE EU QUERO DESCER*

*Meu texto semanal e com exclusividade para o portal PARTICIPI:
A insensatez hoje é praga mundial. Pensam que é só por aqui onde viceja uns desdizendo dos programas sociais e ajudas humanitárias? Não, “tá tudo dominado”, como apregoa um vereador bauruense que não gosta de frequentar a tribuna da Câmara dos Vereadores. Diante da catástrofe onde mais de 1750 migrantes morreram em 111 dias nos mares no entorno da Europa a colunista belga Katie Hopkins solta seu pum: “Barcos de resgate? Eu usaria canhoneiras para parar os imigrantes”. A Sheherazade lá deles disse mais: "Não se enganem, esses migrantes são como baratas”. Nazistas usavam esses termos e no genocídio de Ruanda, acredito a última vez que vi sua utilização na qualificação do extermínio de seres humanos.

Quando vejo os termos pelos quais aqui no Brasil alguns desqualificam todos os programas sociais existentes, taxando-os como mero assistencialismo, penso no ataque feito pelo partido Forza Itália, de Silvio Berlusconi dias atrás: “Férias na Itália. 35 euros por dia para alojamento, alimentação, crédito para chamadas e cigarros”. E mais, pedem a destruição pura e simples das embarcações cruzando os mares em busca de um solo seguro para viver. Não levam em consideração que, principalmente com a Líbia, impossível continuar sobrevivendo por lá depois do que fizeram ao país. O desespero dos de lá não é o mesmo (ainda) dos desesperados de cá, mas segundo alguns de cá, programa social só onera os cofres e presta ajuda para “desqualificados”. Para esses, preferível deixá-los ao deus dará, aliás, como lá. Pobre que se vire, esse o lema, afinal, “quem mandou ser pobre”.

Vejo na pauta da discussão europeia alegações de que as operações de resgate no mar devem ser suspensas e reduzidas, pois essa uma forma de dissuadir os migrantes a fazerem a travessia. Fazem de tudo para não incentivar a migração e quase nada para resolver o baita imbróglio criado pelos aproveitadores, que entregaram de bandeja a Líbia e boa parte do Oriente Médio para radicais muçulmanos, tudo por causa da facilitação nos aumentos dos lucros petrolíferos. Em outro patamar, a mesma coisa se dá aqui e essa discussão não ocorre. As políticas ocidentais são as grandes responsáveis pela maior parte da miséria e marginalização dos que hoje tentam a todo custo entrar na Europa e aqui no Brasil, guardadas as devidas proporções, idem. E quando algum projeto existe e fez algo para minimizar a situação da miserabilidade, pau nele.

Os aproveitadores da miséria africana não estão nos bancos dos réus e acredito, nem estarão (nem os daqui). Seus negócios são permitidos. Morrem os refugiados pela fome e violência em seus países e tudo continua como dantes. O mundo ocidental, a meu ver, passa por uma séria crise em sua concepção na forma de encarar a vida do semelhante. Antes existia uma preocupação maior com o outro, hoje cada vez mais predomina o individualismo. Deveria sim, existir o dever moral de socorro a esses povos e países. Aqui no Brasil, a mesma coisa. Quando passo nos bairros e vejo os muitos prédios do Minha Casa Minha Vida inconclusos, obras paralisadas, mato crescendo no seu entorno e repasses bloqueados, vejo que pioramos.

A grita nas ruas deve incluir essa pauta: os programas sociais não podem ser interrompidos. O país precisa urgentemente voltar a pensar na solidariedade como seu principal modus operandi. Insustentável a hipocrisia do que vejo hoje, essa bestial defesa da liberdade mundial do comércio e de capitais, enquanto muitos fenecem de fome, sem assistência, perdendo direitos trabalhistas e sendo encurralados mais e mais.

Esse mundo atual está ficando ruim demais da conta. Pare que eu quero descer. Porém, nem sei em qual estação desço nesse problemático momento. Em qual mesmo?
Obs.: Gracias pela idéia Antonio Luiz M.C.Cota.

segunda-feira, 27 de abril de 2015

PRECONCEITO AO SAPO BARBUDO (87) e O PRIMEIRO A RIR DAS ÚLTIMAS (03)

TRÊS TEMAS PARA UMA SEGUNDA PRA LÁ DE AGITADA

1.) QUEM NÃO CONHECE O BAR DO UBAIANO, LÁ DIANTE DA UNESP?
Semana passada revi um velho conhecido. Convidado por alguns estaudantes de Jornalismo para uma entrevista sobre a famosa Casa da Eny e os desdobramentos em cima das questões do seu tombamento (era presidente do Codepac quando da época do quase tombamento da famosa Casa da Eny), escolhemos um lugar dos mais aprazíveis para gravar o que tinha para falar: o bar do Ubaiano, lá defronte a Unesp Bauru. Ele está localizado numa espécie de ilha, cercada de ruas por todos os lados, encravado no meio de umas árvores, muitas delas plantadas por ele mesmo. Baiano não se esquece das pessoas. Bateu os olhos de longe e nos vendo sentados lá num canto, chegou devagarinho e foi dizendo: "Esse eu conheço e lá dos meus tempos ainda de vila FAlcão. Tempos da Fundação". Retardamos pelo menos uma meia hora de entrevista, para ouvir o que Baiano tinha para dizer (e sempre tem). Ele é dessas pessoas merecedoras de um trabalho de TCC, Tese de Mestrado e Doutorado, pois conviveu com todas as gerações de estudantes por ali. Revive histórias de muitos assim de memória. Uma belezura. Indico desde já para muitos alunos que estão à procura de um belo de um tema, a história do Baiano e de sua instalação bem na frente da Unesp. Querem saber uma última dele? Morando ali mesmo, num caprichado quartinho ao lado do bar ("Assim estou sempre a postos e nem me deslocar preciso. Acordo e já estou trabalhando", diz). Não conto por aqui, mas é fato que o nosso querido Baiano continua um eterno romântico e com o coração cheio de amor pra dar. Fiquei de voltar para gravar algo com ele e o faço em breve. Aguardem.

2.) A RELAÇÃO DE AMOR E ÓDIO QUE NUTRO COM PUTIN
PUTIN, o Vladimir da Rússia exerce um poder, em alguns momentos à la czarismo, mas não consigo odiá-lo integralmente. Ele é de uma vital importância para essa divisão de poder existente hoje no planeta e envolvendo as nações mais poderosas e seus líderes, uns mais ou menos conscientes e soberanos. Seu papel hoje é crucial para a manutenção dessa divisão. Política interna questionável e política externa impecável. Cruel internamente a ponto de eliminar seus opositores, no quesito internacional pratica algo interessante: ele trava, cerceia a imposição do jogo político norte-americano na sua plenitude. Nesse tabuleiro de xadrez que é a política internacional, levou a cabo uma jogada de mestre: Li por esses dias do encontro dele e de Cristina Kirchner e das portas abertas para ela, diante do acirramento dos EUA, quando fechava as portas para acordos com os fundos abutres e acordos comerciais. Ela encurralada, sem saída e ele vem e a abraça. Como não gostar de uma atitude desse tipo nesse momento, onde os EUA encurralam não só a Argentina, mas todo um continente que tenta paulatinamente se emancipar dessa tutela opressiva. E isso é tão necessário para oxigenar nossas relações.
Cliquem a seguir no link e saquem o que quis dizer com tudo isso:http://www.pagina12.com.ar/…/elpais/1-271286-2015-04-24.html

O PRIMEIRO A RIR DAS ÚLTIMAS (03)
OS MUITOS NOSTRADAMUS BAURUENSES E A TORCIDA DO CONTRA
Eu e um amigo internético estamos tentando desvendar os rumos de alguns dos muitos NOSTRADAMUS bauruenses. A principal previsão deles é tentar fazer valer a sua visão caolha de mundo como a que de fato ocorre. Desvendando os meandros onde estão alocados, descobrimos mais trapalhadas do que acertos. Existe muito de uma forçação de barra, uma quase imposição, repetindo (não seria cuspindo?) como mantra seus prognósticos de estarmos muitos mais ruins do que de fato estamos. Recebo desse amigo esse texto introdutório:

“Nostradamus previu e apoiou Collor de Mello e este lhe sacaneou congelando seu dinheiro, depois previu que FHC seria a solução e este também lhe sacaneou aumentando consideravelmente o preço do dólar, depois previu que Lula não seria presidente e ele foi duas vezes, na última eleição tinha que dar certo e sorrateiramente apoiou o Aécio e este perdeu, não se conformou e apostou que a Petrobras iria quebrar e não quebrou, e agora por último falou que entraríamos em crise e não entramos. Primeiro feriado prolongado as estradas lotaram e ele está no momento refletindo o que vai fazer com suas previsões”.

Um dos maiores Nostradamus, esse em especial, atua nas hostes da TV bauruense. Seca o governo, faz mais de dois anos que vem falando de crise. Que crise? Só de espiar ontem o movimento da Rondon e as demais estradas neste feriado (por sinal as emissoras evitaram falar disso), algo para um estudo científico. Interessante é que para o notório Nostradamus, quando é assunto relacionado ao partido no Governo (no Federal, viu!) é enfático, até cospe nos telespectadores, mas quando é com os aliados num outro Governo (o estadual, viu!) alivia que é uma beleza.

Sou um crítico desse atual Governo. Muito pela forma como foi eleito e como resolveu atuar no pós-urnas, um na contramão do outro. Criticar é uma coisa, mas na percepção de algo sistemático, a repetição de uma ladainha dos que torcem contra o país, tudo para fazer valer sua concepção conservadora e, dessa forma, tornam-se motivo de frequente chacota. Tem muitos outros. Inclusive as catastróficas previsões econômicas, que nunca se concretizam. Divinal ver como se renovam, sem corar as faces. Estão todos de orelha mais do que em pé com a “situação da Petrobras, pois ela é muito melhor do que a mídia gostaria e frustra quem sonha em devolvê-la ao projeto entreguista do governo FHC”.

Adoro ir vendo o constrangimento desses nas explicações quando as profecias não dão lá muito certo. São cômicos e fazem de tudo para piorar a situação. O país ainda não quebrou, mas se depender deles, quebra e já. Vivem de dedinhos cruzados e torcendo para tudo dar errado. Vão à merda!

domingo, 26 de abril de 2015

O QUE FAZER EM BAURU E NAS REDONDEZAS (60)


O NOROESTE E O QUE SERÁ FEITO DA PANELA DE PRESSÃO

No texto semanal do AFONSINHO da revista semanal Carta Capital da semana passada (nº 846, 22/04), “UM CRAQUE”, algo de Bauru e do XV de Jaú: “A Panela de Pressão, apelido do Ginásio de Esportes do Noroeste de Bauru, é o mais recente bem esportivo penhorado por dívidas dos clubes. Em Jaú, do tradicional XV de Novembro, o bem situado estádio ficou ilhado, uma vez que a área de expansão ao seu redor vem sendo, ou já foi, toda perdida pelo mesmo motivo. O clube foi parar na Quarta Divisão, está licenciado, congelado para não acabar. Isso está acontecendo em todo o Brasil. Não acredito na submissão a esses vendilhões”.

Daí, isso da Panela sendo penhorada, em algo ainda pouco entendido, me instiga a ir buscar mais dados. Querendo saber algo mais sobre a situação atual do Noroeste, principalmente sobre o que muito tem se falado sobre esse provável leilão da Panela de Pressão e, consequentemente, na sequência, até do próprio estádio, entrei em contato com o _____________ e hoje advogado de muitos jogadores de futebol, ______ e lhe formulei algumas perguntas. Ele foi o primeiro afirmando via mídia que, a Panela estava em vias de ir a leilão. De início ele se mostrou favorável em responder, mas depois se calou e não as fez. A intenção era desvendar algo ainda desconhecido por todos na cidade. Sem a intenção de instigar ninguém, mas esclarecer. ______ ainda poderia responder e muito ajudaria para os passos seguintes a serem dados em relação ao Noroeste.


Eis as perguntas que havia formulado a ele e estão no aguardo das respostas:

CARO ______
Tudo bem? Li sua participação no post que fiz sábado, quando citei algo sobre o leilão da Panela em vias de acontecer. Havíamos conversado por aqui tempos atrás e gostaria muito de esclarecer alguns pontos ainda não entendidos pela maioria dos noroestinos. Acho que com sua resposta, seria uma bela contribuição para entendermos tudo o que de fato ocorre nos bastiodores e corredores noroestinos.
Formulei algumas perguntas e queria ver se podia me responder. Publico e informo a todos, ampliando o conhecimento do que de fato ocorre nos bastidores hoje no Noroeste.

Vamos a elas:
1.) Diante do fato de ter sido vice-presidente do Noroeste, portanto noroestino e uma vez tomando conhecimento de tudo o que de fato ocorre nos seus bastidores, não se acha possuidor de informações privilegiadas e que prejudicarão o time do qual foi dirigente e torce?

2.) O que acha dessa situação privilegiada e hoje estar do outro lado como advogado e de ex-jogadores, todos acionando o ex-time defendido por eles? Eles todos estão propondo ações justas e reais ou existe nesse meio muita coisa ampliada por esses?

3.) Nunca havíamos ouvido na cidade antes da proferida por ti, dessa possibilidade do leilão da Panela. Não acredita ser isso uma punhalada no Noroeste? Leio que tentou um acordo com os atuais dirigentes e eles demonstraram falta de interesse. Explique melhor como é que a Panela pode ser leiloada e como foi esse contato com os dirigentes?
4.) Não seria mais oportuno, tendo estado lá do outro lado, conhecendo os bastidores, denunciar o que de fato ocorre e buscar apoio para colocar fim na situação de uma maneira amigável e conciliatória?
5.) Como esteve lá gostaria de ouvir de ti se acha que com os atuais dirigentes atuando da forma como atuam hoje existe alguma forma do Noroeste ser salvo?
6.) Na qualidade de advogado vê que abrindo essa brecha e a Panela sendo leiloada, com o restante do complexo também poderia acontecer o mesmo? Até hoje ouvíamos que o complexo, pela forma de repasse via Governo Federal para o Noroeste seria inegociável. Explique isso.

7.) Também gostaria de ver de ti um relato dos motivos de sua real saída do Noroeste. Você bateu de frente com algo ocorrendo lá dentro. Concorda com a maneira como o Noroeste é tocado internamente hoje? Explicite um pouco disso.
8.) Que solução acha a mais recomendável para tudo isso?

Queria dessa forma ampliar o debate. Não podemos mais continuar discutindo isso tudo sem conhecer os detalhes. Terá a oportunidade de explicar para cidade e os torcedores algo de sua participação, não só como dirigente, mas também como torcedor, advogado e principalmente, como bauruense. Serei o mais íntegro na reprodução de suas respostas e moderarei os debates quando ocorridos na minha página do facebook e no blog. Posso contar contigo?
Baita abracito do


Henrique Perazzi de Aquino


Vejo tão pouco disso sendo escrito de forma clara, objetiva e esclarecedora. Queria entender melhor o que de fato se passa nos bastidores do Noroeste. Que tal começar pela Panela? Ainda mais porque na edição de hoje do Jornal da Cidade, o prefeito Rodrigo Agostinho sugere o tombamento da Panela de Pressão como forma de impedir sua futura demolição. Acho justo. Leiam a matéria do jornalista Thiago Navarro clicando a seguir e no último item, o Tombamento da Panela: http://www.jcnet.com.br/…/bauru-busca-opcao-para-custear-ar…

VIVA O NOROESTE!!!!


OBS.: Na primeira foto, claro, a famosa Panela e nas demais, torcedores do Noroeste ontem no Alfredo de Castilho assistindo o 0x0 entre o Norusca e o Fernandópolis.

sábado, 25 de abril de 2015

DROPS - HISTÓRIAS REALMENTE ACONTECIDAS (116)

DOIS SENTIDOS RELATOS:

01.) EU E ANA ESTAMOS NO MEIO DE UM BARULHO DIÁRIO, CONTÍNUO E NECESSITANDO SER BRECADO, POIS É PARA "ENDOIDECER GENTE SÃ".
Leiam abaixo o desabafo de Ana Bia Andrade e um vídeo gravado por ela do barulho provocado por geradores da empresa PASCHOALOTTO, começando impreterivelmente às 7h da manhã em ponto e seguindo pelo dia inteiro, entrando na cabeça de quem o ouve seguidamente. Tudo já foi feito pelas vias normais e do bom entendimento para sanar a anormalidade, mas até agora, com vistorias e mais vistorias, só promessas evazivas e agora um apelo para que LARRY TAYLOR, o ídolo norte-americano no time da Paschoalotto faça algo ou passe uns dias por aqui e depois vá jogar basquete, só para fazer um teste se vai continuar acertando cestas como faz hoje:

"Precisamos discutir seriamente isso dos barulhos urbanos e contínuos.
Ele acontece aqui e agora aqui onde moramos. O relato de Ana sai como se tivesse sido golpeada e sem reação, tenta se mover e tenta reagir ao nosso modo e jeito. É o que fazamos, eu e ela. Estamos começando a perder a paciência, ou melhor, acho que ela já perdeu faz tempo.
Peço aos meus amigos e colegas que compartilhem o meu sonho pra ver se alguma coisa acontece.... O BARULHO DA PASCHOALOTTO ME FEZ SONHAR COM O LARRY ! meus amigos antigos – e tenho muitos – sabem que quando pequena, dentre outros sonhos, queria jogar basquete. Aos doze anos quase fui morar em Sampa – e ia sozinha – para realizar este desejo. Puxa vida, hoje talvez estivesse tão rica quanto a Hortência, aposentada e casada com um rico empresário. Me contentei com o handball feminino da escola. Fui no máximo capitã de time e campeã do estadual pelo CAP-UERJ.... Sou, graças a deus e a muito trabalho, feliz. Não me aposento tão cedo, tenho o maior estilo com o cheque especial do banco do brasil e sou casada com um mafuento jornalista latino-americano e sem dinheiro no banco. Mas sonhei com o Larry ! Moro há cinco anos num pequeníssimo apartamento em Bauru e, dentre muitos com os quais convivo aqui, sou considerada cheia da grana. Meu ovinho querido é perto do Shopping. Até faxineira me cobra o ponto ! Quando aqui cheguei eu nada entendia e ninguém, absolutamente ninguém, conhecia. Depois de visitar 15 imóveis em um dia, eu e minha mãe escolhemos este. Estava sem carro e sem dinheiro. Vim pra cá trabalhar. Na minha rua tem banco, correio, farmácia, lojinhas e o SHOPPING ! ah meus amigos, detesto shopping centers. Me desculpem eu sou da capital, sou do rio de janeiro, cidade onde o primeiro shopping foi inaugurado na década de 80 ( o rio sul, onde, desde os 14, trabalhava nas férias – de 10 até 22 horas, na loja da Levis dobrando calça jeans e atendendo gringos). Nunca tinha morado em apartamento na vida. Me apeguei ao meu querido ovinho. Sobretudo pelo silêncio.... acostumei a acordar com passarinhos.

No dia 27 de março escrevi uma carta a administradora do condomínio – a Chedalgus – relatando um barulho proveniente de um gerador localizado no terraço da empresa Paschoalotto Serviços Financeiros. Tive a resposta no dia 1 de abril me dizendo pra eu me virar. Puxa vida, o condomínio é caro para os preços de Bauru ! o preço de um aluguel no centro.... No mesmo dia registrei um BO na polícia de bauru que muito simpaticamente me informou nada poder fazer de eficaz. Havia entrado em contato com a ouvidoria da empresa que, cinco dias depois, me disse que não tinha barulho nenhum Seria fruto da minha fértil imaginação? Passei toda a páscoa com o barulho. Escrevi uma carta para a mídia impressa local que parece não publicar nada que possa denegrir a imagem dos mecenas do basquete e do vôlei bauruense ! heróis da cidade estes jogadores. Afinal o norusca ultimamente é só decepção. Meu sangue rubro (e também rubro-negro) me ajudou a prosseguir. Entreguei carta à empresa “dona do barulho” no dia 8 de abril. Dias depois – 13 de abril, recebi a simpática visita de membros da equipe da ouvidoria e da segurança do trabalho. Nem precisaram usar o densímetro. No dia 16 de abril vi no terraço dois homens com uma chave de fenda discutindo a relação com o bendito equipamento. Sim, posso afirmar que estavam nesta situação, pois escuto as conversas do apartamento (para terem uma ideia da proximidade). O que mudou em todo este tempo? O barulho, ao invés de acontecer por 24 horas ininterruptas – de domingo a domingo – passou a cumprir outro expediente: de segunda até sábado entre 7 e 22 horas. Depois de publicar por alguns dias vídeos diários gravados de meu celular, recebi outro telefonema da ouvidoria e uma nova visita ontem, dia 24. Me disseram que irão trocar o aparelho de lugar, e fizeram questão de verbalizar que eu tenho que entender que a empresa se preocupa comigo ! cheguei a me emocionar.... Oro pelos moradores que receberão esta visita, se é que esta providência vai ser tomada. Sonhei com o Larry! Neste período todo, estava em aulas na UNESP, cumprindo prazos de congressos – digo escrevendo artigos e montando apresentações (todos os prazos para o ano fecham neste período e faz parte de minhas atribuições pontuar o meu currículo Lattes, corrigindo trabalhos de alunos, preparando aulas. Exercitando meus “músculos mentais”. Ah Larry... você pode usar um headphone para exercitar os seus “músculos físicos”.... Depois de uma semana intensa de trabalho – na quinta dei aulas entre 8 e 23 horas direto – sexta apresentei artigos entre as aulas. Hoje queria poder dormir mais um pouquinho só. O barulho não permite. Assim como os jogos não são adiados, os prazos acadêmicos também não. Só que minha punição não é a de ficar fora de um jogo se eu vacilar. Fico fora de todos os campeonatos pro resto da vida, pois já tenho 47 anos. Ah Larry... nossas diferenças são muitas, você é americano e eu carioca, você é homem e alto, eu sou mulher e baixinha, você joga basquete e eu sou professora. Você lança bolas na cesta, eu lanço notas e conteúdos. Você é campeão, eu sou peão".

02.) NOROESTE 0 X 0 FERNANDÓPOLIS
Na chegada, dez minutos antes do jogo começar uma fila imensa do lado de fora e os ingressos haviam terminado. Eles eram impressos ali na hora, mas não havia sinal de internet na portaria e só lá na parte baixa do estádio. Isso demorou e irritou a muitos. Quando chegou foi rápido e a novidade foi ver até Jose Roberto Pavanello Silva recebendo os ingressos do lado de dentro da catraca. "Séria Bezinha tem de tudo", disse. O jogo começa e o Noroeste perde algumas boas oportunidades. Descobrimos que o Muller não veio e a informação é de que só vai jogar nos jogos lá em Fernandópolis. Parecia que embalaria, mas travou e nada mais fez. O gostoso era ir revendo as pessoas ali na arquibancada. Amigos e conhecidos de longa data. o pessoal da Avante Noroeste! estavam com uma barraca logo na entrada e vendendo as camisetas por R$ 20,00.Gustavo Lopes no comando. Venderam quase tudo. Sento do lado dos eucaliptos e um ilustre ex-jogador ao nosso lado, o Baroninho, mais magro e lhe disse: "Por vaor, vista o fardamento e entre em campo, pois estamos novamente precisando de ti". Ele riu e disse que a garotada iria acabar dando conta do recado. Junto de mim, meu primo Eduardo da White Martins e seu primo. Num outro grupo José Eduardo Zé Loca Gol e animados torcedores revendo velhos craques e jogos, pois já imaginávamos que dali do campo nada sairia. Mais a frente meu grande amigo jauense, Tiago Pátaro Pavini, que na impossibilidade de assistir seu XV, veio prestigiar nosso Norusca. Torceu por nós, mas nem isso adiantou. No intervalo ainda cruzo nvamente com Zé Loca e dando um abraço apertado no Fumaça: "Esse é como se fosse um paizão". Fumaça, como sempre ria. Tento ouvir o jogo pela 87, mas parece que algo aconteceu e só a Auri-Verde está transmitindo o jogo. Ouço o Guilherme e o Fernando Beagá nos comentários. São tantos os conhecidos, esse senhor sózinho me chama e fala que amanhã vou ter bastante assunto para escrever. Sim e me sinto envergonhado por não saber seu nome. Muito simpático e conversador.
No segundo tempo vou junto Torcida Sangue Rubro. Pago meus atrasos de mensalidade ali na arquibancada, sento ao lado amigo Ademir Elias e tiro foto do Zé Marcelo Corrales, num aminado grupo. Perdemos outros gols, mas nada de fazer um golzinho sequer. O que Reynaldo Grillo deve estar achando disso lá de New Jersey, hem? O bicho tá pegando. Parece que melhoramos um pouco do primeiro jogo, está mais pegado, estão com vontade, mas ainda inoperantes. O Nilton Santos não aguenta e se isola mais embaixo, sózinho, com os dedos cruzados, ao estilo do Marcão que se isola o jogo todo. O Baiano, imenso fica em pé a cada jogada, grita muito e o gol não sai. Ficamos mesmo é admirados com a coragem de uma garota, nova de tudo e com uma tatuagem do escudo noroestino na canela. Lindo a atitude, mas poucos com coragem para fazer o mesmo. Não vi por aqui nem o Bruno Mestrinelli e nem o Bkl Bruno. Cadê vocês? Desisto uns cinco minutos antes do jogo acabar, me despeço da galera, Tiba Esse Tal Do Siva disse que só sai quando o jogo acabar. Cesar Melleiro parou de gritar mais cedo. Subo as escadas do outro lado, tiro uma foto dos torcedores da Falange, comandados pelo Vitor Vieira Agrella e ainda acho lindo rever um velho torcedor, que vejo sempre, mas não sei o nome, todo apreensivo e torcendo como todos até o último minuto. Não deu. Disseram que havia uns trezentos torcedores, mas acho que foram mais. Sai cabisbaixo e fui pegar meu carro estacionado lá em frente a sede da Sangue. Foi isso. Não está nada bom, mas dizem que pode melhorar. Toc toc toc.

Amanhã, domingo, escrevo mais desse Noroeste e suas possibilidades.
HPA

sexta-feira, 24 de abril de 2015

OS QUE FAZEM FALTA e OS QUE SOBRARAM (72)


OLHA QUEM PASSOU QUIETINHO POR BAURU...

O professor HÉLIO SANTOS é mais do que uma sumidade, uma figuraça, uma das boas cabeças pensantes e pulsantes desse país varonil. Passou quarta à noite, 22/04 por Bauru e fez a palestra de abertura da X Conferência Brasileira de Mídia Cidadã, na UNESP Bauru. Você não conhece nada dele? Uma pena! Sempre é tempo. Leiam isso: http://www.palmares.gov.br/?p=1629&lang=es. Vejam como tentaram o sacanear num Roda Viva:http://www.rodaviva.fapesp.br/…/entre…/helio_santos_2002.htm. Mais isso: http://www.kultafro.com.br/…/kultafro-entrevista-helio-san…/. No google tem muito mais. Impossível discutir a questão do GENOCÍDIO ao negro brasileiro sem ouvi-lo. Pois bem, vejo que a imprensa bauruense, escrita, televisada e falada está deixando escapar essa rara oportunidade. A última vez que passou por aqui, disse ontem, foi em 1986.

Eu fui e anotei algumas das frases e questionamentos mais instigantes, provocativos e os publico aqui para iniciar uma boa contenda:
“ Tratamos os desiguais como iguais. (...) Brasil se modernizou, mas não procurou a modernidade. Os aviões da Embraer estão no coração da América, mas negras continuam parindo nas calçadas. (...) Não queria uma democracia teórica, mas substantiva. (...) Radicalizar é sair da neutralidade, tirar da teoria e tornar vivo, efetivar uma possibilidade. (...) Ou voce conqvocêa ou você não tem. (...) Efeito particularmente perverso onde as vítimas são culpadas de suas mazelas. (...) Onde há talento no futebol e na música a pessoa acaba sendo descoberta. Nesses setores não se desperdiçam talentos. (...) onde o país não discrimina nascem excelências. (...) Nunca discutimos tanto, mas não conseguimos efetivar isso como direito efetivo. (...) A diversidade de nossas mídias passa pela sua diversidade. (...) Todas as mulheres que vão a descoberto para o jogo político contraem câncer. (...) No momento em que os negros vão avançando, os pobres brancos vão juntos. (...) A elite brasileira não consome nenhum serviço público, até a segurança deles é privada. (...) A revolução é hoje uma palavra muito desgastada, mas ainda um meio através da Comunicação. (...) Temos que ir junto do povo e dizer a eles claramente: Vocês elegem os seus inimigos. Fazer isso como estratégia de comunicação. (...) Não é possível curar um problema sem assumir que ele existe. (...) Existem avanços na legislação, mas não no cumprimento das leis. (...) O conhecimento está produzido, aqui está ele, mas qual a metodologia? (...) A Mídia Cidadã pode inovar puxando a mídia tradicional. (...)Necessário mexer no fluxo de caixa dos privilegiados, fazer um boicote para aqueles que não nos enxergam. (...)A indignação profunda passa também por sensibilizar os artistas brasileiros, esses ainda não aderiram e poderiam ajudar e muito. (...) Sou a favor de uma estratégia de advertência e sensibilização”.

Mais um pouquinho de suas provocações no seu blog, o Brasil de Carne e Osso: http://brasildecarneeosso.com/. Tudo vale muito a pena no sentido de nos libertarmos de certas amarras a nos prender a esse sistema excludente e manutenção de bestas privilégios. Foi bom e por lá vejo os professores e amigos: Maria Cristina Gobbi, Juarez Xavier, Dino Magnoni e Wellington Leite (belíssimo mestre de cerimônias). Para quem perdeu, um alento, tento hoje ver se a gravação de sua fala de ontem será publicada no site do Mídia Cidadã e depois reproduzo por aqui. Isso tudo uma bela forma de sairmos no marasmo e sabermos, só um exemplo, em que tipo de manifestação cada um deve se enfurnar. Hélio é desses caras que quando acaba de falar dá aquela bruta vontade de ir lá na fila dos abraços e tascar um baita de um beijo em suas bochechas.

Hoje tem mais por lá, outros palestrantes. Estou indo para lá.


NA SEQUÊNCIA: REALMENTE, O RACISMO NÃO EXISTE, NUNCA EXISTIU
É tudo invenção. Nem aqui, nem lá na sede do Império. Não passa de coisas de lunáticos. A cada dia mais me surpreendo diante de fatos inquestionáveis, diria, inenarráveis.
Cliquem no link a seguir e tanham a certeza do que vos escrevo:
http://www.cartacapital.com.br/…/uma-mulher-negra-no-poder-…
Tenhamos todos um belo final de semana, aqui ou em Parma, nos EUA.
HPA

quinta-feira, 23 de abril de 2015

ALGO DA INTERNET (100) e O PRIMEIRO A RIR DAS ÚLTIMAS (02)

PEQUENAS HISTÓRIAS QUE RENDEM UM MONTÃO

1.) A FORÇA DOS SEM NOÇÃO...

Abro o JORNAL DA CIDADE de ontem (22/04) e estampado num anúncio de página inteira uma verdadeira aberração pela qual todos e todas devemos nos organizar e lutar. Tem alguém por aqui financiando e bancando anúncios favoráveis a terceirização e precarização da mão de obra e pagando os tubos pelos anúncios tentando vender, principalmente para o trabalhador, de que a terceirização é boa para ele, quando o que ocorre é exatamente o contrário. O pouco que já existe de serviço terceirizado está tornando o mundo do trabalho algo bestial, onde o empregador faz o que quer do empregado e nem lhe garante mais mínimos direitos. Não existirá mais nenhum tipo de estabilidade, muito menos um piso mínimo por categoria, sendo tudo liberado ao empregador, que também não terá mais obrigatoriedade nenhuma com seu funcionário, pois ele estará sob o tacão de um empregador coletivo, com contratos temporários. A primeira consequência é a perda salarial. Quem estará por detrás de anúncios tão tacanhos, uma vez que até a insensibilidade do presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha está sendo vergada após intensa manifestação? A mobilização da classe trabalhadora, toda ela, precisa ocorrer e se manifestar contra isso. Gostaria imensamente de saber quem banca isso, se a FIESP ou seja lá quem for, pois precisam ser demarcados como inimigos declarados do trabalhador. Uma vergonha continuarmos calados diante de coisas desse tipo, pois a mudança será brutal, não só para o bolso do trabalhador, mas para toda sua vida. O que está ocorrendo é exatamente que, o empregador está buscando conseguir maior lucratividade no seu negócio, mas a custa de lesar os direitos adquiridos do trabalhador. Algo dos mais nefastos e a merecer repúdio coletivo. Esse meu posicionamento, independente de sigla partidária ou posicionamento político. Pela defesa imediata das leis trabalhistas vigentes e não pela sua supressão. O que voce pensa a respeito???

2.) OS ADVOGADOS CONTRA A DITADURA, FILME DE SILVIO TENDLER NO CANAL BRASIL
Tem advogado que eu corto volta sem pestanejar, mas tem outros pelos quais me derreto todo. Sento até nos bares da vida, conto segredos e me abro todo. Mas da maioria confesso, desconfio. Quando vejo aquela turba lá diante do prédio da Polícia Federal em Curitiba, com os melhores ternos desse país e futricando para ver qual será a melhor maneira de soltar e de não deixar que os maiores vendilhões desse país não fiquem muito tempo em cana ou nem sejam presos, desconfio mais ainda. Os maiores vendilhões, explico, são os sonegadores da classe mais abastada desse país que estão a escapar, alguns empreiteiros, os tais da Receita Federal cujo escândalo é maior do que o do Lava Jato e também os que botaram dinheiro no HSBC e sonegaram pra dedeu. Do resto, sei que já se danaram e não haverá advogado que lhes salvarão a pele. Mas tenho muita lembrança de uma pá de advogados que lutaram bravamente contra a Ditadura Militar e colocaram a cara para bater, enfrentaram o dragão com o peito e a coragem. Algumas dessas belas histórias, o cineasta Silvio Tendler filmou num documentário intitulado, “Os advogados contra a Ditadura”.

Sábado passado, 18/04, o Canal Brasil estará apresentando a primeira parte às 20h e vale a pena todos sentarmos diante da TV e nos ligarmos no que os bons exemplos tem para nos apresentar para os dias futuros. Queria que principalmente os que acham que essa Judicialização do país é a coisa mais normal do mundo pudessem assistir. Repasso também a dica para meus bons amigos advogados, uns que estão aí na luta contra muito dessa bestialidade humana em profusão nos dias de hoje. É um filme para todos nós. Quem não tiver saco para assistir em episódios (hoje só primeiro), achei no google o filme inteiro. Clique a seguir e assistam:https://www.youtube.com/watch?v=fhRJxeFfbYM

3.) OS EXPERIENTES E OS ATRAVESSADORES DO SAMBA
Eu não sou muito dado com a programação da TV Globo. Tenho me desligado o máximo possível e confesso, não tenho me arrependido. Até com o Caco Barcellos, que tanto admirei no passado hoje procuro manter distância. Do jornalismo, impossível levar algo a sério. Fujo e vou ler algo nessas horas. Credibilidade deles foi pras cucuias faz tempo. Mas ontem sentei e assisti um programa lá deles inteiro e sem soltar a respiração, extasiado. Foi o segundo episódio de uma minissérie, com cenas e atores mais velhos e histórias diferentes em cada episódio. Ontem falaram de samba e com atores velhos sambistas. Quando vi numa chamada o Wilson das Neves e o Germano Mathias (tem mais o Goulart de Andrade e o vozeirão do Zé Maria) gelei e disse comigo mesmo: Isso aí só pode ser coisa muito boa, pois esses não entram em barco furado. Estava deitado e lendo na cama quando Ana me alerta: “Vai começar”. O episódio chamava-se “Os Atravessadores do Samba”. Eis a sinopse: “Eles possuem mais de 40 anos de carreira, mas há quem diga que só agora eles estão no auge. A chegada de Celeste (Bibba Chuqui) agitou os 'Atravessadores do Samba' e trouxe mais agito aos velhos sambistas que já não tocavam como antes. No entanto, não foi só um número maior de público que a cantora conquistou... Sensual e talentosa, ela mexeu com os sambistas e provocou mudanças no grupo. Reveja o que aconteceu no segundo episódio de Os Experientes”. Vejam isso, pequenas cenas: http://gshow.globo.com/…/musica-e-sabedoria-reveja-as-emoco… A direção é do Fernando Meirelles e a ela me rendo, de queixo caído. Gostei demais. O primeiro episódio, semana passada, foi também muito bom e mostrou uma velhinha sendo assaltada quando diante de um terminal de banco, na entrda de uma agência bancária. Assistam inteiro aqui:https://www.youtube.com/watch?v=w9wQiG3OHP8. Quem conseguir ver pelo google o episódio 2, esse dos sambistas postem aqui para todos assistirem por inteiro, pois não consegui. É o que consegui assistir da tal TV Globo, uma fazendo 50 anos por esses dias. No mais, ando desligando o aparelho.

O PRIMEIRO A RIR DAS ÚLTIMAS (02)
DIA 24 E ALGO DO ADEMIR ELIAS E DA AUDREN VICTORIO – ELES ME TORTURAM COM O CARNÊ DO IPTU NA MÃO (E NA VOZ)
Meus amigos aprontam comigo. Dois deles e suas vozes (muito bonitas, por sinal) me instigam com algo me fazendo perder os últimos fios de cabelo no cocorutcho e também o sono. Por causa deles nem durmo mais direito. A voz deles não me sai mais da cabeça (e dos ouvidos). Ligo a rádio e lá estão os dois, ADEMIR ELIAS e AUDREN VICTORIO, com suas vozes a me lembrar de algo no próximo dia 24/04. Nesse dia vence a primeira parcela ou o pagamento à vista com desconto dos carnês do IPTU. Justo nesse mês onde o bicho pega por aqui e justo eles dois com suas vozes ficam me lembrando a todo instante, bastando ligar o rádio e ouvir a propaganda da Prefeitura Municipal. Ambos foram convidados a serem os mais novos garotos propagandas da cidade e estão incomodando esse (quase) inadimplente munícipe. Suas vozes são cheias de charme, convencimento e percebo eles com certo ar de galhofa para com esse desprovido amigo. Já penso em excomunga-los, pois estão me torturando. Tenho sonhado com eles me cobrando e não me deixando esquecer que o dia 24 está batendo na minha porta. Acho que vou pedir emprestado uma parte do dinheirinho que ganharam lá de cachê com a gravação para me auxiliarem no pagamento, afinal, preciso muito ajudar a Prefeitura a continuar com seus compromissos em dia. Posso contar com vocês dois ou vou ter que cruzar os pauzinhos pelo que fizeram comigo nesses dias? Afinal, amigo é pra essas coisas. Não posso olhar para os carnês em cima da mesa que já lembro dos dois e numa sonora risada. Que faço?

quarta-feira, 22 de abril de 2015

MEMÓRIA ORAL (178)

CINCO HISTÓRIAS DE REGISTROS EMOCIONADOS DE MEMÓRIA ORAL

1.) CUBANO AMÍLCAR FOI INSTRUTOR DE AUTOESCOLA
Cuba é uma palavra mágica por essas plagas paulistas. Atrai atenção de todos os lados e poros. Positivamente pelos que enxergam no regime político cubano uma alternativa para a proposta de que outro mundo é mais do que possível e por outro, dos retrógrados enxergando tudo de ruim ali, pelo simples fato de contrariar os ditames do mundo do deus dinheiro e do capital acima de todas as coisas. Diabolizar Cuba e tudo o que vem de lá é na maioria das vezes, a dita de quem repete tudo, mas pouco sabe de verdade do que se passa por lá. Aqui algo de um cubano vivendo em Bauru e visitando seu país todo ano.

AMÍLCAR TOLON é cubano e aqui veio morar quando sua mãe, a professora universitária Rosa Tolon veio ministrar aulas de Música na USC – Universidade do Sagrado Coração e trouxe com ela o filho e uma sobrinha. Coisa de mais de dez anos atrás, ele chegou já um rapagão, mas hoje está mais do integrado à vida bauruense. Tem duas filhas, uma aqui e outra em Cuba. Uma vez por ano volta para seu país e além de matar saudade e se recarregar com as coisas boas do seu país, visita a filha e a avó. E não vai mais porque a passagem custa caro e seu trabalho por aqui exige muito dele. Falante, agitado e muito ativo, descobriu-se numa profissão onde é um dos expoentes, a de instrutor de autoescola. Por anos trabalhou numa ali na Saint Martin, do ex-vereador Paulo Eduardo Martins e depois foi atuar em outra, sala cheia de alunos e ele comandando equipes e grupos. Hoje está em busca desse algo novo em outras atividades, mas a educação primorosa trazida da ilha é sempre primordial para conseguir ser bem sucedido. Sempre sorridente, só se magoa quando falam mal de seu país, um dos seus amores. Amílcar vive aqui, mas não esquece seu país por nada nesse mundo. Querem conhecer um sujeito alegre, bonachão e de bem com a vida, procurem por ele e saberão do que lhes falo.

2.) EDUARDO CIRCULA JUNTANDO COISAS PELA CIDADE TODA
Quem como eu mora nas barrancas do ribeirão Bauru, proximidades do terminal rodoviário, dos quase abandonados trilhos urbanos, do centro velho bauruense e também do Albergue Noturno aprende a conviver com uma gana de personagens transitando diuturnamente diante do seu portão. Os raivosos espanam e caem em desgraça com os da rua. Eu atendo a tudo e todos e isso também me cria problemas, pois de aproveitadores o mundo está cheio. Mas tento ir levando e contornando os problemas inerentes a algo que não dá para esconder e nem escamotear. Hoje conto algo de um desses tantos pelas ruas, mais um sem eira e nem beira. Um dos rotineiros papeadores.

EDUARDO CARLOS não gosta de divulgar seu sobrenome, preferindo só dizer esses dois iniciais. Com 29 anos, mora lá perto do Geisel e diariamente desce a pé ou de ônibus para a cidade e pede aos conhecidos, algo como uma ajuda, em forma de roupas, alimento e dinheiro. Negro, alto, cabelo sempre cortado bem curto, asseado, roupas constantemente trocadas, fala com certa dificuldade. Embaralha algumas frases, em outras é confuso, mas se faz entender e segue seu caminhar, com as pernas também um tanto embaralhadas, devido a problemas antigos. Todo domingo bate cartão na feira e nos demais circula pelo centro todo. Muito conhecido por todos, uma pessoa calma, introspectiva e querendo participar. Noutro dia lhe deram uma camisa da seleção e ficou boas semanas com ela no peito, mostrando-a em todos os lugares. Passa reto nos lugares onde não lhe dão a devida atenção e em outros puxa conversa, proseia e depois do mesmo jeito que chegou vai-se embora. Essa sua rotina de vida.

3.) GILMAR E SUA CARROÇA, ESSE SEU MEIO DE SUBSISTÊNCIA
A polêmica está estabelecida, mas como em tudo nessa vida existem sempre os dois lados da questão. O uso do animal como tração de meios de transporte foi amplamente utilizado por séculos. Foi até instrumento de guerra, encurtando espaços e mesmo transportando material bélico. O uso das carroças nos centros urbanos também foi amplamente utilizado. Hoje nem tanto, ou quase extinto. Uns poucos ainda fazem uso delas em centros urbanos como Bauru e em sua imensa maioria, os que ainda se utilizam o fazem por extrema necessidade. Entender os dois lados mais do que necessário. Ninguém é a favor de maus tratos com animais, isso abominável, mas no momento da aplicação da coercitividade da lei, muita coisa precisa ser levada em consideração. Apresento uma delas.

GILMAR PEREIRA DE SOUZA é um senhor de alta estatura, com 50 anos de idade, mas aparentando ter bem mais, pois pelo tipo de trabalho e sua situação financeira onde está inserido, o seu desgaste físico foi inevitável. Vê-lo de perto, com a boca desdentada, roupas em frangalhos, pele muito queimada pelo sol é a constatação disso. Circula pela cidade numa carroça e nela o único meio de subsistência dele, da esposa e dos filhos. Dentre tudo no seu entorno, o cavalo parece ser o com melhor tratamento. Não aparenta nenhum mal trato e segue ao lado do seu Gilmar pelos caminhos e descaminhos bauruenses. Ele vive da coleta de reciclados e também de pequenos fretes. Transporta uma coisinha aqui e outra ali. Dessa forma compra a cada dia o que leva para os seus se alimentarem. Tudo em sua casa ele conseguiu de doações e nas andanças pela cidade, sempre tudo sendo carregado pela carroça. Mora na baixada do Bela Vista, rua Olímpio Petroni, imediações da linha férrea, local com muito verde pela frente, onde diariamente colhe o alimento para seu cavalo. Carrega consigo uma cuia para dar água durante o dia para o animal. Essa sua vida, de sol a sol, sem tréguas, pouco descanso e de pura sobrevivência. Se me perguntarem ser contra ele utilizar o cavalo para isso, não saberei responder a contento, pois a questão não é assim tão simples. Antes disso se faz necessário analisar muita coisa no entorno e cada caso é um caso.

4.) JOSÉ HENRIQUE É A PUREZA EM FORMA DE PESSOA
Sim, eu acredito e muito nas pessoas puras, desprovidas de qualquer maldade, simples por natureza e só por isso, encantadoras. Quando me deparo com uma, não existe como não dar-lhes a devida atenção. São as tais pessoas que não conseguem, mesmo que queiram produzir maldades. Até por serem do jeito que são, sofrem em demasia, pois dentro de um mundo recheado de muita maldade, maledicência, o tal do cobra comendo cobra, alguns se aproveitam de sua situação e daí o padecimento nas mãos dos ditos espertos. Vendo como vivem alguns puros, vejo como o mundo poderia ser diferente se tudo fosse simplificado. Eis aqui uma pessoa pura.

JOSÉ HENRIQUE ANTONINI é professor e de Língua Portuguesa, justamente a que auxilia o outro a conhecer mais e mais a sua língua. Ser professor da Rede Pública Estadual hoje, todos sabem, não é tarefa das mais fáceis. Penosa, mas para alguns um bocadinho mais. Conseguir se fixar perto de sua morada, algo cada vez mais difícil. Zé Henrique acabou tendo que ir dar aula na região de Campinas. Na sua pureza, penou na mão de segmentos variados, desde dirigentes de ensino a alunos. Pediu exoneração e voltou para Bauru para não adoecer mais, onde hoje tenta continuar conseguindo aulas, algumas aqui, outras ali. Tudo esporádico, sem fixação, mas com sensível melhora na saúde. Está em casa, perto dos seus, morando ali na rua Inconfidência, no seu último quarteirão, fundos com o novo shopping, ele, a mãe e um irmão. 58 anos, cabelos brancos, voz pausada, calmo até demais, tenta buscar forças para não desistir. E desistir como? Não existe isso. Sua história da sequência de fatos ocorridos em sala de aula é entristecedora. Ele não consegue agir igual ao imposto pelo hoje dito senso comum. Sua forma de ação, de vida é outra. Na pureza de como acredita deveria ser o ensino, como deveriam ser as relações humanas, principalmente entre professor e aluno, ele não consegue se embrutecer, nem perder a ternura e a pureza. Mas como continuar sendo muito puro num mundo onde a rudeza é o que predomina? Daí o confronto e os desencontros.

5.) TAYANO DO DAE, NEM BEM SE APOSENTOU E JÁ SE FOI, UMA PENA
Existem pessoas que te cativam logo de cara, com esse que aqui escrevo foi assim. E como é triste escrever de alguém que você admira e que só ficou sabendo de sua morte algum tempo depois. Esse aqui hoje retratado é também um desses. Quando isso acontece, bate aquela boa lembrança, ainda mais quando o sujeito foi um guerreiro. Com esse mais que isso, trabalhávamos ambos dentro da mesma administração, a de Tuga e estávamos empenhados em fazê-la acontecer mesmo diante de muitas adversidades. E ele sempre se mostrou uma pessoa mais do vibrante, altaneira, um profissional desses que se podia confiar de olhos de olhos fechados.

LUIZ CARLOS TAYANO não conseguiu completar 60 anos. Em fevereiro veio a falecer e com ele mais um daqueles grandes servidores que souberam meio que carregar o DAE – Departamento de Águas e Esgotos nas costas (e também nos ombros). Boa parte de sua vida ele passou ali na autarquia e soube dignificar as funções todas que ocupou ao longo do tempo. Lembranças dos tempos da última administração Tuga Angerami, quando foi galgado de motorista para um cargo de confiança e chefia. Permaneceu por mais de quatro anos como Chefe de Transporte na DAL – Divisão de Automóveis Leves, tomando conta desses que saem para tudo quanto é lado pela cidade, atendendo pedidos mil. Um baixinho mais do que espevitado, sempre com a barba por fazer, franzino, mas com uma resistência de causar inveja. Sabia tudo o que tinha que ser feito e na execução, certamente, pelas histórias que ouço de boca em boca, fazia mais e mais. Tayano queria ter uma participação mais ativa na política, mas sua função o impedia de ousar e dessa forma, ousava no trabalho, suando muito a camisa, resistindo e não permitindo que o DAE entregue os pontos, como muitos querem e forçam a barra. Nem sei dos motivos de sua morte, mas sei que deve ter deixado baita saudades em todos que o conhecem. Quer coisa mais triste do que após conseguir se aposentar, não ter tido tempo de desfrutar meses na boa vida? Com Tayano foi assim. Fica na lembrança o guerreiro que sempre foi.

terça-feira, 21 de abril de 2015

O PRIMEIRO A RIR DAS ÚLTIMAS (01)


DASLU X DASPU E AGORA A “OPUS DEI” X A “OPUS GAY”
Uma das melhores sacadas dos últimos tempos foi quando do auge do shopping lá na marginal Pinheiros, a DASLU (existe aquilo ainda?), um lugar onde o predomínio era dos chiques, que gastavam os tubos em roupas encomendadas nos cafofos costurados pelos bolivianos. Pagavam e se achavam o máximo. O movimento das prostitutas cariocas sacou o momento e criou a DASPU, a grife das ousadas meninas fazendo sucesso até hoje e jogando na lama a grife dos abastados. A ironia persiste até nossos dias.

Hoje vejo outra e quero compartilhar com todos vocês. Acabo de ler num dos melhores jornais do continente, o Página 12 argentino essa pequena nota na edição de hoje na seção Pirulito del Tapa:OPUS - El sitio del Movimiento de Integración y Liberación Homosexual (Movilh) de Chile se denomina Opusgay.cl. La prelatura del Opus Dei interpuso una demanda ayer para apropiarse y eliminar esa denominación porque “genera confusión en el público consumidor” y podría hacer creer que el Movilh “es patrocinado por la prelatura”. Agrega que “el término Opus se encuentra ligado a la prelatura” y que este “juego de palabras” crea confusión por la semejanza de pronunciación entre Opus Dei y Opus Gay. “Opus Dei y Opus Gay tienen públicos y objetivos muy distintos”, aclaran.”.


Li e me deliciei. Primeiro porque me recordo muito bem da grita geral da Daslu quando da criação da Daspu. Tentaram de tudo, mas nada conseguiram para fechar a irônica concorrente. E agora, a conservadoríssima Opus Dei tentando manter a indivisibilidade e utilização só por eles do termo “Opus”. Eu dou risada e acho que o nome pega até por causa das reações contrárias. Quando o lado contrário reage, as possibilidades do sucesso do oponente crescem que é uma maravilha. Só agora fui ler mais e vi que em Portugal a coisa é antiga. Vejam isso:http://www.opusgay.org/

É pela ironia que se desmonta as estruturas mais arcaicas desse planeta. Tem momentos que dá merda, como no caso no jornal francês, mas insistir é preciso, pois o outro lado quer se perpetuar no quesito de comandar as mentes pelo lado mais obtuso possível. Façamos a nossa parte, rindo das últimas, como fazia muito bem em Bauru, o mestre Broncolino, meu inspirador para essa mais nova seção (ou seria sucção?).
HPA.

AMIGOS DO PEITO (104)


NO FERIADO DE TIRADENTES, UMA “ODE PARA MEUS PROFESSORES (AS) DE HISTÓRIA”*
*Texto especialmente escrito para minha participação semanal no portal Participi:

Eu nunca me entendi muito bem com Tiradentes. Cada vez duvido mais de suas boníssimas intenções de libertação do país das garras portuguesas. Ficou marcado como o boi de piranha do movimento, que nascido dentro do seio explorador, queria mais liberdade para seus negócios. Desamarrar-se de Portugal um mero empecilho no caminho. E enquanto os demais pularam fora, Tiradentes pagou exemplarmente por todos os outros, que continuaram fazendo das suas naquela época, onde sonegar já era moda. Levemos em consideração também que o poder constituído da época era despótico até a medula e merecedor de toda revolta, conspiração e levantes. Mas não é disso que quero escrever. Lembrei-me de Tiradentes por mero acaso, hoje dia dele, feriado nacional e o fazendo, impossível não me recordar de uma pá de bons professores (as) de História que tive ao longo da vida.

São tantos os nomes e para mim o mais importante deles foi uma carioca, ainda em plena atividade, Lídia Possas, uma que revolucionou minha cabeça (já convulsionada) nos tempos da faculdade de História na USC. Definitivamente ali fui arrebanhado para duvidar das verdades estabelecidas e ir cada vez mais a fundo e desvendar as verdades encobertas, as ainda ocultas. Deixa ver se me lembro de alguns nomes de mestres que me deram aula ou compartilharam comigo desse amor desmedido pela História (sou também um Historiador, hoje sem cátedra). Sonia Mozer, Paulo Neves, Duílio Duka, Oscar Fernandes da Cunha, Fabíola Soares, Sônia Mazzi e Fardin, Tauan “Narciso do Tempo”, japonês Brás na USC, João Francisco Tidei de Lima, Nair Leite, Rui Dom Quixote e tantos outros e agora a mente me falha. Considerem-se todos lembrados e homenageados.

Lembrei-me de todos eles hoje ao abrir o Jornal da Cidade e ver uma clara alusão no título da capa, “Com Tiradentes, classe média já reagia”, ou seja, da movimentação de antanho com uma ocorrida agora pelas ruas brasileiras. É a tal da classe média de novo nas paradas de sucesso. Afirmam lá num trecho da matéria: “...o que revela similaridades com recentes protestos anticorrupção neste ano no Brasil”. Entrevistada, a mestra Sonia Mozer tenta recolocar o bonde nos trilhos com algo muito simples: “...ainda falta um projeto de país”. Ponto.

Daí, o motivo dessa minha ODE, criada especialmente para revenciar meus queridos professores (as) de todos os tempos, épocas e vertentes. Queria nesse exato momento mandar uma baita de um beijo para todos esses professores de História, os lembrados e os não lembrados, que me pouparam do mico de ir para as ruas pedir impeachment e intervenção militar. Foi por causa dos ensinamentos deles que eu permaneci bem longe (dessa vez) das ruas. De prontidão estou para clamar nas ruas pelo fim da corrupção (a de todas as matizes), contra a sonegação bilionária junto ao HSBC, os que desviaram grana preta da Receita Federal, da AHB – Associação Hospitalar de Bauru, os que querem enterrar de vez a CLT e tudo quanto é forma de reacionarismo arcaico e enferrujado. Numa passeata assim iria até de olhos fechados, mas essa a mídia não faz força para acontecer,porém meus professores de História sim, pois não enxergam pelo viés caolho. É com eles que eu vou, sempre!