segunda-feira, 31 de outubro de 2011

INTERVENÇÃO SUPER-HERÓI BAURUENSE (22) e MÚSICA (80)

FICHA LIMPA SÓ PARA CARGOS COMISSIONADOS? VAMOS CANTAROLAR “FOLHETIM”
A principal manchete dos jornais de hoje e o assunto de maior destaque na pauta da Câmara de vereadores de Bauru nas discussões de hoje à tarde é “Vereadores discutem FICHA LIMPA para os Cargos de Confiança”. Eles vão criar um a Lei Municipal instituindo que a partir de agora somente os com ficha limpa podem ser admitidos. Quer dizer que até agora os de FICHA SUJA podiam ser admitidos? Essa mais uma lei a provocar risos gerais aqui entre Guardião, o super-herói bauruense, esse escrevinhador HPA e o ilustrador Leandro Gonçalez (http://www.desenhogoncalez.blogspot.com/). Na verdade, embutido nas entrelinhas, algo mais que isso, ou seja, mais uma tentativa da Câmara em cercear a livre contratação de pessoas pela Prefeitura, exercendo função que não é sua, a de legislar, pois não sabemos existir alguém favorável a contratação de "Cargos Públicos como Presente"? E por que entre eles não criticam o colega que faz isso? Mais desnecessária impossível.

Guardião propõe algo diferente: “Por que não a aprovação, também por Projeto de Lei, que o mesmo seja estendido para os cargos eletivos da cidade? Seria uma redundância, mas já que é para esculachar, dou meu pitaco”. E vai mais fundo: “Junto poderiam instituir também que a partir de hoje os políticos eleitos não exercessem seu mandato tendo como pano de fundo interesses pessoais, de grupos, empresariais, etc. Já imaginaram todos defendendo Bauru e somente os seus interesses? Como podemos propor que uma lei dessas vigore de fato e de direito?”. Seu alerta faz sentido, pois leu na seção Bastidores do Bom Dia de 29/10, que: “Na prática, a Câmara sempre desconfiou de irregularidades na AHB - Associação Hospitalar de Bauru. No entanto, os vereadores não fizeram nada para investigar”. O que quer dizer isso? Um rombo financeiro imenso, envolvendo gente graúda e nada fazem. Eles sabiam das irregularidades e se omitiram. É isso? Daí a necessidade da aprovação da nova modalidade de FICHA LIMPA PARA CARGOS ELETIVOS, para que tudo o que necessite de uma investigação, de fato ocorra. Ou seja, Ficha Limpa para uns e Ficha Meia Boca para outros não é nada recomendável nessa altura do campeonato.

Esse super-herói gosta muito de ser irônico (quando necessário) e hoje, Dia das Bruxas, além do bruxismo da proposta apresentada, lembra de uma música de Chico Buarque, uma que toca muito na vitrolinha do mafuento espaço criado pelo HPA, a “FOLHETIM” (vejam do YouTube, na interpretação de Nara Leão: http://www.youtube.com/watch?v=I18x5dZ3HcY&feature=related) , cuja letra nos remete a algo bem peculiar: “Se acaso me quiseres,/ Sou dessas mulheres/ Que só dizem "sim!",/ Por uma coisa à toa,/ Uma noitada boa,/ Um cinema, um botequim./ E, se tiveres renda/ Aceito uma prenda,/ Qualquer coisa assim,/ Como uma pedra falsa,/ Um sonho de valsa/ Ou um corte de cetim./ E eu te farei as vontades./ Direi meias verdades/ Sempre à meia luz./ E te farei, vaidoso, supor/ Que é o maior e que me possuis./ Mas na manhã seguinte/ Não conta até vinte:/ Te afasta de mim,/ Pois já não vales nada,/ És página virada,/ Descartada do meu folhetim”. Guardião adora mostrar o quão são ridículas algumas proposituras de vereadores e cantarolando o refrão final do Chico, em tom de chacota, esgarçando mais a voz deixa uma pergunta no ar: “Não seríamos nós, os bauruenses, os tais considerados páginas viradas, descartados de alguns folhetins escritos à nossa revelia?”.

domingo, 30 de outubro de 2011

MEUS TEXTOS NO BOM DIA BAURU (147, 148 E 149)

DOIS DEPUTADOS, O MESMO BRASIL – publicado diário bauruense BOM DIA, 15.10.2011
Algo muito complicado nesse país é uma denúncia de corrupção ter prosseguimento. Quando feita, uma incisividade de dar gosto e a impressão de que dessa vez o “bicho irá pegar” e um peixe graúdo foi mesmo fisgado. Os dias passam e a denúncia além de começar a cair no esquecimento é encoberta pelo surgimento de outras, algumas até mais escabrosas que a anterior e por vicejar nesse país um corre-corre de bastidores para tentar dar um conserto no estrago proporcionado. E nessa correria, sempre um algo a mais, ou seja, uma pressãozinha daqui, um cala-boca dali, um sumiço oportuno acolá e até casos de desmentidos, do tipo “não foi bem isso que eu quis dizer”. Já estamos mais do que acostumados a conviver com isso. No caso do deputado Barbieri PTB, morador de Birigui, observo que o encurralam num paredão e querem nomes e mais nomes dos tais deputados que supostamente vendem emendas parlamentares como se fosse pão ofertado em padaria. Ele resiste e ainda não revelou nome nenhum. Alguns devem estar com a pulga atrás da orelha. Aguarda-se os mesmos para uma verificação se isso não ocorreu aqui pelos lados de cidades da região. Aqui em Bauru o bicho pegou essa semana na votação pela Câmara de Vereadores da Fundação Regional de Saúde, que quer fazer as vezes do SUS, recheada de verba pública federal e com uma composição de fiscalização e execução muito da nebulosa. As entrelinhas do projeto demonstram que quem irá tomar conta de tudo será algo composto por Secretários de Saúde dos muitos municípios envolvidos. Incipiente e perigoso, pois a grande maioria possui ligação umbilical com o PSDB, partido governante do estado e do deputado estadual eleito pela região, Pedro Tobias. Bauru ainda não saiu de uma séria crise quando foram desviados milhões de verbas públicas na Associação Hospitalar de Bauru, cujo alguns assessores do deputado faziam parte. O deputado quando indagado sobre o assunto, disse ter sido traído e nada saber. Acredito, mas não acho recomendável ser criado algo tão grandioso antes de ser completamente finda a investigação sobre o que de fato ocorreu aqui pelos lados da AHB. Uma Fundação de Saúde, que não seja uma “AFUNDAÇÃO”, precisa ser construída de forma mais séria, com calma e o envolvimento de toda a comunidade. Não acredito existir outra forma. De cima para baixo, goela abaixo é inaceitável. Bauru resiste bravamente e o SUS idem.

NA BOCA DO SAPO – publicado diário bauruense BOM DIA, 22.10.2011
Quando não quero esquecer algo importante, marco num papel e prego na parede na minha frente e a cada nova olhada tudo me é reavivado. Farei isso com o texto dessa coluna e recomendo que o recortem (o BOM DIA poderia tracejar seu contorno com aquela tesourinha facilitando), pois nela algo para não cair no esquecimento, devendo ser motivo de eterna cobrança e vigilância. Cresci num mundo onde o Estado era o responsável pelas principais atividades envolvendo o ser humano e ele cumpria muito bem suas funções. Com a política neoliberal adentrando o campo de jogo, braço armado do capitalismo, uma reviravolta para pior. Por pura incompetência, o repasse para a iniciativa privada tomar conta de telefonia, luz, água, saúde, pedágios, etc. Na grande maioria das vezes, pagamos mais por um atendimento piorado. Uma festa com o dinheiro público quando do repasse e esse logo desaparece, como num passe de mágica, diluído pela máquina engolidora de grana. Tudo passa a ser administrado pela vontade de um empresário, atendimento via telefone, com longa espera e um digitar de teclas e mais teclas até ser ouvido. E toda vez que mais um segmento de nossas vidas adentra esse obscuro caminho, recomenda-se por precaução cruzar os dedos, depois começar a se preparar, pois algo a mais estará sendo anunciado nos próximos lances do negócio. Em Bauru, com a aprovação da famigerada Fundação Regional de Saúde, denominada sabiamente pelos manifestantes de Afundação, a maioria dos vereadores de Bauru votou pelo “sim” sem ao menos saber detalhes do que virá. Um “cheque em branco”, um “vai da valsa” na exatidão do termo. Os nomes dos propiciadores disso não podem cair no esquecimento. Se o cheque for bem utilizado, aplausos, mas do contrário, espezinhar cada um será normal. Cito os nomes dos responsáveis diretos pelo início da privatização da saúde municipal: Carlinhos do PS, Chiara Ranieri, Fernando Mantovani, Carlão do Gás, Giba, Segalla, pastor Luis Barbosa, Marcelo Borges, Natalino da Pousada, Paulo Eduardo Souza, Renato Purini, Fernando Monti e Rodrigo Agostinho. Além da lista, fiz mais, coloquei todos simbolicamente na boca do sapo.

MARIA VAI COM AS OUTRAS – publicado diário bauruense BOM DIA, 29.10.2011
Dentro da vida partidária atual tudo é possível e porque não dizer, permitido. A perda da identidade é algo inerente às entranhas de um sistema onde o partido detém todo o poder sobre as ações de seus subordinados. A pessoa em si, seu passado, sua vivência são meros joguetes nas mãos de interesses maiores. Na crueldade de um sistema onde a pessoa humana vale quase nada, a decisão de uns predominam sempre sobre a maioria, mera “manada”. Participar da vida pública dentro de um partido é desde o início passar uma procuração em branco para esse decidir todas suas ações dali para frente. Do contrário, querendo fazê-lo por conta própria, fazendo vingar suas idéias, principalmente no desalinho com a linha mestra da sigla, com certeza terás vida curta dentro da agremiação, seja ela qual for. A partir daí, surgem hilárias situações, se não fossem trágicas. Uma é o político que acabou sendo eleito por acaso, não tem expressão e fica a mercê do ato dos mais velhos. Esses indicam como deve votar, falar, quando se pronunciar, ou seja, conduzem o inexpressivo até as últimas conseqüências. É nítido perceber a expressão destes, meio que perdidos diante de votações complicadas, pois não entendendo muito bem a coisa, esperam um sinal do mentor para produzir o voto. Um erro pode lhe ser fatal e cair em desgraça dentro do partido, pondo a perder seu sonho político. E quando esse sinal não vem, fica evidente o descontrole em busca do gesto salvador. Um verdadeiro suadouro, minutos de ansiedade. Quando o gesto acontece, numa linguagem de sinais das mais manjadas, o alívio e a votação feita com pompa. Ufa, salvo pelo gongo. Dizem que isso já aconteceu e continua a acontecer aqui por Bauru. Na verdade, acontece em todo o lugar e demonstra algo bem simples. A política nesses moldes é cada vez menos possível para aqueles a pensar e fazer de suas vidas o exercício da plena liberdade individual do ser sobre o ter, dos que renegam a barganha como prática e dos que não gostam de viver como gado no pasto, aguardando sinais.
Obs. 1: Escolhi para ilustrar esses textos fotos tiradas por mim em dois bairros da cidade, o Gasparini e a Independência (só a última no centro da cidade). Nelas uma amostragem de como, ainda permanece nos muros, propagandas políticas de eleições antigas, algumas com mais de dez anos. E até quando...
Obs 2: No vídeo abaixo, Regina Mancebo no vocal, Marquinhos na guitarra e Nino na bateria, no Tributo ao Manito.

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sábado, 29 de outubro de 2011

CHARGES ESCOLHIDAS A DEDO (47)

UM SÁBADO COM PITACO SOBRE CRISTINA, KADAFI E NELSON CAVAQUINHO
Vamos ser rápidos, pois um sábado aqui pelo Rio é para ser aproveitado longe de dedilhações internéticas. Aliás, qualquer dia da semana deve-se proceder dessa forma, pois internet vicia e como já sabemos esse não é vício dos mais sadios. Mas antes de sair para bater perna, comento três assuntos da semana.

1. CRISTINA KIRCHNER GANHA COM 54% DOS VOTOS REELEIÇÃO NA ARGENTINA: Leio algo na imprensa brasileira e preciso contestar. Fazem um comparação chula e rasteira de Cristina com Lula, como se ambos fossem o que de pior existe para Argentina e Brasil. Todos sabemos que Lula teve seus problemas ao escolher aliar-se ao que de pior existe no Brasil, mas só mesmo um cego não enxerga que o país pós-Lula é infinitamente melhor do que o herdado por ele de FHC. No caso da Argentina idem. Nosso país hermano vivia num caos danado, despencando no crescimento e neoliberal, atrelado aos interesses dos "irmãos" (sic) do Norte, dependentes e capengas. Com Nestor alavancou e com Cristina é hoje outro país. Negar isso é tapar o sol com a peneira. E com uma oposição bestializada, assim como aqui, Cristina nadou de braçada e ganhou a reeleição no primeiro turno, de lavada. Ou seja, assim como aqui, uma aversão da mídia e das elites porque as classes menos favorecidas apoiam maciçamente seu governo. O povão está com ela. Sim, ela assim como Lula não propõe mudança no sistema de governo, mas age diferente de uma direita cada vez mais raivosa e distante dos interesses populares. E como não apoiar isso e deixar o país voltar a amargar caminhos tortuosos e danosos... Só mesmo os que torcem contra. Olha que maravilhosa a interpretação de Daniel Paz e Rudy no Página 12, numa charge publicada no diário argentino logo após a reeleição. Cristina dá uma nova cara para essa nossa América Latina, que um dia já foi chamada de América Latrina e pelo que vi no último capítulo de "O Astro", na TV Globo, quando Herculano Quintanilha, ao fugir do país se abriga num país envolto numa ditadura militar cruel e agindo contra o povo. A TV Globo produz uma obra de ficção, todos sabemos, mas rema contra a maré, pois realidade igual a vista na tela foi possível no período mais cruel, anos 70 e 80, quando vigoravam pela maioria de nossos países algo semelhante. Eles poderiam ter escolhido algo diferente e das duas uma, ou estão mal de criação ou estão mal intecionados mesmo e falseiam a história sem dó e piedade.

2. KADAFI É ASSASSINADO DE FORMA INSANA E CRUEL: Cai um dos últimos bastiões do governo de Kadafi na Líbia, ele mesmo, quando foi assassinado logo após ser capturado, provavelmente como divulgado, numa tubulação de esgoto. Esse líder é dos mais controversos e seu governo propicia um acalorado debate sobre o futuro, não só daquele país no pós-Kadafi, como de todos os movimentos libertários (sic) a ocorrer pela região. Não existe como negar ser Kadafi um cruel e sanguinário ditador, com sua família a dominar o país, mas o problema maior agora é uma verificação de tudo o que está realmente por trás de sua queda, os motivos de ser derrubado, numa aprovação e tropas enviadas pela OTAN (único local na região onde isso ocorre), encurralando-o como rato. O intento foi conseguido, a Líbia destruida e já sabemos que ela nunca mais será a mesma, assim como o Iraque. Quem se interessa um pouco por História observa que a "Nova Líbia" é o palco de abusos tão ou mais cruéis que na época do deposto ditador, contra kadafistas, líbios negros e imigrantes africanos. O país é hoje uma terra de ninguém. Não pensem que os que lutaram para depor Kadafi o faziam por ideologia, por buscar um país democrático, longe disso, aquilo lá foi palco de mercenários muito bem pagos para derrubar um governo e sair de cena, entregando-o de bandeja para os que pagaram a fatura. O povo, ah o povo, esse será ludibriado novamente. Esse negócio vai acabar de uma forma catastrófica e o mundo, ou o lado menos insano do planeta, talvez ainda sinta falta de Kadafi e do que propiciou para aquele país. E não me venham com baboseiras, pois foi apoiado por todos que hoje o renegam, mas quando deixou de fazer o jogo, virou o próprio satã. Não existe santo nesse negócio, são todos do pau oco... Nas charges de Cleber e de Lane algo a mais para ser questionado.

3. 100 ANOS DE NELSON CAVAQUINHO: Hoje, dia 29 esse poeta maior do samba comemoraria seu centenário de nascimento. Foi grandioso, o sambista da negação, com letras nem sempre positivas, mas todas de profundo bom gosto. Bebeu todas, viveu duro e só foi mesmo reconhecido no pós morte. Uma pena e a se repetir com muitos, principalmente ligados ao samba. Uma constatação que faço: considero Nelson tão grande como os endeusados da MPB e ele, por ser do samba, talvez ainda seja considerado numa linhagem pouco inferior a um Tom Jobim, Chico, Vinicius... Ele, para mim, pertence a esse time, pois é tão grande quanto. Hoje fui assistir aqui no Rio a um show com Moacyr Luz, no Centro Cultural dos Correios e posto um vídeo na semana que vem lembrando algo gravado lá.
PS.: Hoje o quarto vídeo gravado no dia do Tributo ao Manito, curtam Issac e esposa.

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sexta-feira, 28 de outubro de 2011

CENA BAURUENSE (88)

DOIS ATORES, UM DAQUI E OUTRO DE FORA, DUAS PERFORMANCES
Sexta é um bom dia para elucubrações e é o que faço nesse momento, em dois escritos, parágrafos diferentes, envolvendo duas pessoas relacionadas com a arte de representar. Um daqui e outro nacionalmente conhecido.

Cena 1: Roberto Malini está completando 45 anos de vida por esses dias e 30 de carreira, isso mesmo, começou atuar em teatro aos 15 e dá murro em ponta de faca desde aquela data. Escolheu um segmento, o do Teatro de Horror e nele se especializou. Fez tudo se espelhando em José Mojica Marins, o popular Zé do Caixão, que acabou virando seu mentor e amigo. Fez e aconteceu aqui por Bauru, ministrou aulas, formou atores, mas não ganhou muito com isso, além de certo reconhecimento. Bateu as asas para Sampa e lá tenta a guinada. Vez ou outra volta para a terrinha, como dessa vez, quando na comemoração das datas redondas e dos Dia das Bruxas. Quer aprontar novamente em cima do único filme que produziu e atuou, o “Asfixia”, um curta metragem de terror. No próximo domingo, 30/10 estará promovendo uma performance, a “Funeral Fúnebre”, uma espécie de cortejo a percorrer Bauru. Ele, como sempre, dentro de caixão de defunto, percorrerá a partir das 15h, avenida Nações Norte, quadra 2 (quase cruzamento com rua Floresta), sempre com paradas de 20 minutos para o velório e depois paradas na praça Rui Barbosa, praça Machado de Mello, praça Portugal, praça da Paz, finalizando tudo no Anfiteatro Vitória Régia, quando talvez o próprio Zé do Caixão esteja a sua espera. Noite caindo, será projetado novamente o “Asfixia” (30 minutos) e depois a venda de DVDs com o filme, por um preço mais do que promocional. Vai ter carro fúnebre, cortejo de carros, gente caracterizada pelas ruas e algum choro, pois velório sem choro não é digno de nota nem consideração. Esse é o Malini, um batalhador, sempre empunhando sua lança contra moinhos e adversidades, mas na lida, sem vergonha de continuar tentando e insistindo, pois faz o que gosta, ao lado de gente que gosta e o entende. Convidar alguém para um velório é algo meio tétrico, mas o CONVITE está feito e quem ficar até o fim pode até presenciar uma espécie de ressurreição do personagem e bater um papo com o ator.

Cena 2: O que virou uma praga nesse país é o tal do STAND-UP no teatro, onde qualquer um (mas qualquer um mesmo) tenta levantar dinheiro fácil com um texto solo num palco qualquer país afora. Muita merda está em curso. Esse garotos do CQC, alguns atores de Malhação, humoristas de quinta categoria e até esportistas, tudo na onda. Para os produtores teatrais é ótimo isso, pois tudo envolve a vinda de uma só pessoa e ninguém mais quer bancar produções grandes. Virou febre. No começo do ano falava com isso com o ilustrador e ativista político Latuff, quando passou por Bauru e lhe disse: “Vamos montar o seu Stand-Up de Esquerda?”. O cara ficou tocado, mas ficamos nisso. Nesse final de semana quem passa por Bauru é Jorge Kajuru, que comenta futebol na TV e quer contar piadas no palco. Esse mais um. Dito isso, escrevinho sobre outra pessoa, o ator CLÁUDIO CUNHA, velho de guerra e tendo incorporado o personagem “O Analista de Bagé”, passando por aqui ano após ano, sempre com uma gostosona ao seu lado e poucas alterações no texto, só no visual da bunda, renovada a cada ano. Atraiu sempre muita gente. Vi uma vez e bastou, mas inovou e está fazendo algo mais do meu agrado, vindo sózinho e tendo o palco todo só para si. O texto da peça é bom, do Luís Fernando Veríssimo e na verve do Cunha, algo bom, além dos 30 anos mambembeando país afora. E digo porque não o critico. Esse cara é um baita de um ator. Eu, com meus 51 anos já o vi em inúmeras pornochanchadas nos meus tempos de rapaz, ótimo no cinema e também na TV. Não é vazio, sem conteúdo e se quiser, pode apresentar um raro momento de humor original e genuíno. O stand-up tem salvação. Será terça, 01/11, 21h, Teatro Municipal de Bauru.

ALGO MAIS: Hoje, sexta, 28/10, meu amigo Vinagre está à frente do 8º “Dia Internacional da Animação”, uma mostra de curtas nacionais e internacionais, acontecendo em centenas de cidades do Brasil e 30 países. Entrada gratuita, no SESC em vários horários e tendo como patrocinador o Cine Clube Aldire Pereira Guedes e com 60 botons de brinde para os participantes. Veja mais no: http://www.diadaanimacao.com.br/ E por fim, o terceiro vídeo do Tributo ao Manito:

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quinta-feira, 27 de outubro de 2011

FRASES DE UM LIVRO LIDO (53)

OS DEZ MANDAMENTOS DA TERRA DOS PAPAGAIOS - ÚTEIS NO PASSADO, PRESENTE E FUTURO
Depois dos enfrentamentos quando da aprovação da AFUNDAÇÃO REGIONAL DE SAÚDE, com o que estamos prevendo que vá acontecer com o DAE sendo preparado para a privatização, com gente insistindo em ampliar a invasão desmedida do Cerrado, com uma Câmara de Vereadores que abre e encerra CEIs ao bel prazer (tudo para contentar alguns vereadores do bico dourado), com dinheiro da Educação sendo gasto de última hora só para não ser devolvido, com comunistas fazendo negócios igualzinho aos capitalistas, etc e etc, lembrei de um livro lido já faz bem uns dez anos e esquecido aqui numa estante do mafuá. Trata-se do “TERRA PAPAGALLI”, do José Roberto Torero e Marcus Aurelius Pimenta (Edit. Companhia das Letras, 1997, 200 páginas). O livro é divertidíssimo e, ao mesmo tempo, profundo e esclarecedor daqueles primeiros momentos da invenção do BRASIL. Retrata bem aquelas primeiras causas, motivadoras das atuais conseqüências enfrentadas hoje. Através da vida cheia de lacunas do personagem histórico de Cosme Fernandes, um degradado português que veio para cá junto com Cabral, um saboroso texto. O interessante são os mandamentos estabelecidos para bem viver no Brasil, então Terra Papagalli ou Terra dos Papagaios. E o texto, imaginem, cabe para os tempos atuais. São Dez esses Mandamentos e é o que destaco do livro:

“1. É preciso saber dar presentes com generosidade e sem parcimônia, porque os gentios que lá vivem encantam-se com qualquer coisa, trocando sua amizade por um guizo e sua alma por umas contas.
2. Quando aparecer alguma dificuldade, mesmo que seja de simples solução, é preciso fazer alarde, espetáculo e pompa, pois nesta terra mais vale o colorido do vidro que a virtude do remédio.
3. As gentes da Terra dos Papagaios são muito crentes e de fácil convencimento. Por isso, têm em alta conta os feiticeiros, os falsos profetas e vai a coisa a tanto que não há patranheiro que lá não enriqueça e prospere. E assim é, senhor, que por serem tão crédulos aqueles gentios, pode-se-lhes mentir sem parcimônia nem medo de castigo.
4. É aquela terra onde tudo está à venda e não há nada que não se possa comprar, seja água ou madeira, cocos ou macacos. Mas o que mais lá se vende são homens, que trocam-se por qualquer mercadoria e são comprados com as mais diversas moedas.
5. Desde o primeiro, são os funcionários daquela terra um tanto madraços e preguiçosos, e, se na frente de seus superiores parecem retos, quando esses lhes dão as costas, revelam-se muito astutos e só nos atendem se lhes damos algo em troca. Portanto, senhor conde, se fordes para lá não se esqueça de ser generoso com eles, pois lá as portas não são abertas com chaves de ferro, mas com moedas de prata.
6. Naquela terra de barganhas fazem muito sucesso e não há quem resista a um pequeno regalo. Por isso, é preciso dar sempre um afago aos que podem comprar, pois entre dois mercadores, naquela terra não se escolhe o mais honesto, mas o que oferece mais mimos.
7. Naquele pedaço de mundo, senhor conde, não se deve confiar em ninguém, pois se no sábado nos juram eterna fidelidade, no domingo nos enfiam uma espada pela garganta. A verdade é que lá tudo se rege pela conveniência, e sendo preciso, troca-se de bandeira como as mulheres trocam de pano em dia de regra.
8. Na terra que se chama dos Papagaios, cada um cuida de si e Deus que cuide de todos, pois pouco se faz por um irmão, nada por um primo e menos coisa nenhuma por um amigo, de modo que cada um só quer saber do seu nariz e, se alguém faz algo por outrem, é a troco de paga ou medo.
9. Naquelas paragens, quando se alevantam alguns, o melhor modo de quietá-los é dar-lhes emprego ou título, porque os daquela terra muito prezam serem chamados de senhores e não há um que troque honradez por honraria.
10. E o resumo de meu entendimento é que naquela terra de fomes tantas e lei tão pouca, quem não come é comido”.

Será preciso escrever algo mais para complementar o que quis dizer com tudo isso?
PS.: a ilustração acima é do poeta e músico João Nicodemos (bauruense, hoje no sertão nordestino) e foi sacada dos seus site/blog:www.poemasdonicodemos.blogspot.com/, http://www.youtube.com/user/jotanikos1 e www.artedenicodemos.blogspot.com/. Abaixo o segundo vídeo do Tributo ao Manito (acima mais duas fotos), dessa vez com uma canja do Nino no vocal:

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quarta-feira, 26 de outubro de 2011

DOCUMENTOS DO FUNDO DO BAÚ (29)

COMO FOI O TRIBUTO AO MANITO NO TEATRO MUNICIPAL
Quando decidi criar esse blog o fiz para dar vazão a uma escrevinhação avassaladora de minha parte e para disponibilizar algo que fiz durante toda minha vida. Publiquei meu primeiro texto aqui em 2007 e muita coisa mudou depois daquilo. Ainda atuava na SMC e a partir de 2008, sai e continuei tocando minha vida, sempre fazendo o que gosto e da forma como gosto. Sou polêmico em algumas vezes e na maioria, bato o pé pelas minhas convicções, construída ao longo de 51 anos de existência. Quem freqüenta esse blog já me conhece muito bem. Criei sessões, onde vou postando textos a demonstrar isso. Com o passar dos anos, passei a ter uma dedicação um pouco mais incisiva no blog, com a publicação de um texto por dia. Achava que isso não me traria tantos problemas, pois era só juntar e publicá-lo aqui. Mas a coisa não é bem assim, isso tudo requer pesquisa, em alguns casos horas em cima de um assunto. É o caso de alguma coisa que participo num dia e no outro quero ver o texto já no blog. Paro muita coisa que faço para preparar isso. E gosto do que faço, mesmo sabendo que a repercussão seja pífia. Em outros momentos, existe algo que quero muito escrever, mas não me sobra espaço e postergo, os dias passam e quando me deparo já foi quase um mês do ocorrido e nada escrevi sobre o assunto. Hoje algo assim.

No dia 04/10, uma terça, participei no Teatro Municipal de Bauru de um raro encontro musical, o TRIBUTO AO MANITO, evento para angariar fundos para despesas pós-morte do músico. Ali naquele dia fui agraciado com algo do qual não esperava e muito me alegrou, pois demonstra a quanto tempo circulo pelas boas manifestações culturais na cidade. Num telão no fundo do palco, enquanto todo o evento aconteceu, uma gravação de um show realizado no Templo Bar no ano de 1989, quando de um reencontro dos Incríveis. Esse encontro ocorreu em Bauru porque Manito morava aqui e porque Fernando sempre facilitou esses encontros em sua casa. Eu estava lá, junto de minha primeira esposa, a Wilma (já falecida), da irmã Erci, junto do cunhado Paulo Afonso. No palco ocorria um revezamento dos mais intensos, com muitos músicos bauruenses prestando sua solidariedade e não conseguia desgrudar os olhos das vezes em que apareci aos olhos de todos. “Envelheci mais continuo em exposição”, a frase de uma letra de música do Aldir Blanc me é das mais significativas nesse momento. Registro isso não para exaltação de nada, mas somente para confirmar o que esse blog tem como proposta, uma amostragem de que Bauru produz muita coisa de bom culturalmente e estou inserido nelas. Participo ativamente de muita coisa que rola na cidade e sou criterioso. Não me verão escrevendo aqui de eventos e shows pelos quais não gosto e não boto fé. Sim, sou bastante seletivo em tudo que faço, ainda mais no quesito cultural. Eclético, mas seletivo.

Do evento a reverenciar Manito, tudo de bom. Muitos artistas locais fizeram questão de lá estar e isso foi ótimo, pois demonstra uma união mais do que possível. Convidados para a apresentação, o casal Nota dez, Tuba e Léa começaram tímidos e foram se soltando. Não quero ficar aqui citando os nomes de todos os que estiveram no palco, pois com certeza acabaria por me esquecer de alguns e todos foram importantes para o brilho daquela noite. Todos deram o seu quinhão em algo mais do que inesquecível e tudo foi devidamente registrado pelas câmeras do Xico Coffani, que assim como no show dos Incríveis em 89, gravou tudo desse. Os músicos fizeram questão de relembrar um pouquinho de tudo o que Manito tocou e isso ficou evidenciado na interpretação de cada um. Eu, ao meu modo, meia-boca, diriam alguns (e confirmado por mim), gravei algo e a partir de hoje irei reproduzindo aqui no blog. São trechos de algumas das apresentações, bem ecléticas e de alguns dos nomes ligados ao segmento de MPB em Bauru. Quase na parte final, algo a emocionar a todos, quando sobe ao palco a esposa do Manito, Lucinha e lendo um texto ou improvisando outro, rasga o verbo, com algo sentido, vindo do fundo da alma e exposto, expelido para fora com uma carga de sentimento excessiva, deixando a todos boquiabertos. Aquilo era Manito na exatidão do termo. Manito viverá na lembrança de todos e todas. E a partir de hoje por aqui um cadinho de um povo que sempre gostou muito dele, ficou próximo e aprendeu muito com essa convivência, fazendo questão de dar vazão não só ali naquele palco, mas na seqüência da carreira de todos. Poderia escrever muito mais do que presenciei naquele inesquecível dia, mas de texto encerro aqui e como as fotos e os vídeos expressam melhor algo vislumbrado no palco do teatro, elas continuarão sendo expostas aqui indefinidamente. A cada manhã, algo mais...

Clicando no link a seguir a primeira parte do show de 1989: http://www.youtube.com/watch?v=lDnZdCxGX2U

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terça-feira, 25 de outubro de 2011

RETRATOS DE BAURU (111)

ARCÔNCIO, UM COMUNISTA COMO NOS VELHOS TEMPOS
A saraivada contra o comunismo é a pauta da semana, tudo fruto da ação de maus militantes (sic). Se os de hoje deixaram de ser e desonram a sigla, uns poucos resistem, com o mesmo ideal de antanho. Sobreviventes de uma geração onde ser comunista representava a esquerda do século passado e uma vida de retidão. ARCÔNCIO PEREIRA DA SILVA, 96 anos completados no último dia 16 de setembro é um desses bravos a dignificar um passado que não deve (e nem pode) ser esquecido. Sofreu o “pão que o diabo amassou” por causa da defesa da ideologia que tornava seus membros diferentes, voltados para as questões populares, alvo da ação implacável do lado contrário. Esse ferroviário e militante marxista nasceu em 1915, em Viçosa AL e assim como muitos veio cedo para o “Sul Maravilha”. Das andanças aportou em Bauru para trabalhar na Cia Paulista e logo a seguir começou a militar no “partidão” (por volta de 1940). A escolha lhe endureceu a vida e a caminhada. Enfrentou tudo a fórceps, sem arredar pé de suas convicções. Preso várias vezes, demitido outras tantas, fez bicos para sobreviver e só há pouco tempo foi devidamente anistiado. A comunicação seu advogado já lhe deu, mas a grana ainda não chegou e ele aguarda esse dia ansioso, pois sonha com a casa própria. Hoje mora com a esposa Zuleica, numa casinha alugada na Nova Bauru, ao lado da vila São Paulo, depois de quase dois anos residindo em São José do Rio Preto, recuperado de problemas de saúde que quase lhe tirou a audição. Se perguntarem para esse retinto senhor, sócio nº 1 da Associação dos Aposentados de Bauru se o comunismo morreu, ele com certeza apontará todos os males causados pelo capitalismo e lhe mostrará a solução: “Assim como eu, muito vivo”. Arcôncio é aroeira pura, um a dignificar a causa de uma luta, uma que não abandonará enquanto viver. Reclamar mesmo só do isolamento e da falta dos amigos para conversas. Seu telefone para aqueles dispostos a ouvirem belas reflexões sobre quase um centenário de história é (14) 3203.6410.

Obs: Enquanto o ministro dos Esportes Orlando Silva (PC do B) se explica em Brasília, leio algo mais sobre a ideologia a pregar o aniquilamento da exploração do homem pelo homem. Na revista "Mundo Estranho" (edição 116), na matéria "Conspirações Animadas", uma página inteira com: “Os Smurfs pregavam o comunismo?” (cliquem nelas para ampliação). Algo para reflexão. Ela muito bem ilustra o mundo buscado pelo velho revolucionário de Bauru, ainda querendo transformar tudo isso em algo mais palatável e sonhando com o dia que lhe conseguirá receber o que lhe devem e terá sua casa própria (continua aguardando). Esperar cansa... Nesse momento, mais escárnio do que com a revista "Veja", cujos procedimentos todos já conhecemos, possuo com os que possibilitam uma reportagem como essa, devido a procedimentos nem um pouco inerentes à causa que dizem lutar e e defender.