segunda-feira, 15 de junho de 2026

AMIGOS DO PEITO (255)


ELA VAI CONTAR A HISTÓRIA DO DEBATE E DO JORNALISTA SERGIO FLEURY, VIVA DIVA FERNANDES
Eu conheço a escritora DIVA FERNANDES há alguns - muitos - anos e por detrás de seus escritos um me tocou, a contada em seu livro sobre a contaminação provocada pela fábrica de baterias Ajax em Bauru, causando danos irreversíveis para uma população residindo nas proximidades da fábrica. A partir do que li no "Marcas do Chumbo - A história do menino David", passei a gostar mais dela, pois nem todos possuem a coragem de se enveredar por histórias e relatos envolvendo os tais "donos do poder" de uma localidade. Diva foi a fundo e não me canso de dizer a ela, mesmo o filme já tendo rendido um belo documentário, tem tudo, é um roteiro pronto para se transformar nuim longa metragem, talvez como foi feito com o caso do Césio em Goiás. 

Diva é uma pessoa muito simples, metódica e trabalha em sua casa, dentro do seu ambiente e habitat. Ali em seu modesto computador faz a maioria de suas pesquisas. As demais a faz com os documentos que vai arrebanhando e sentada em sua ampla mesa, papéis espalhados, vai alinhavando seus escritos, como o faz neste momento contando uma outra rica história, dessas que não pdoem ser perder e merecem ser, não só contadas, mas passadas adiante. Ela é natural de Espírito Santo do Turvo, uma pequena cidade, antes distrito, enconstada em Santa Cruz do Rio Pardo e dali, aprendeu a gostar do que ia vendo publicado num jornal, que já foi quinzenal, semanal e até diário, o DEBATE, obra, criação e só possível por causa de verve de um bravo guerreiro, o jornalista Sérgio Fleury - nunca op confunda com o policial torturador com o mesmo nome. 

Fui visitá-la na semana passada, junto de outra guerreira, Rose Maria Barrenha, a que toca a Casa de Frida de uma forma muito especial e divinal, sendo, fazendo e acontecendo. Estivemos lá numa tarde, tomamos café e comemos de um bolo, receita sua, feita sem leite, algo que, só mesmo provando. Falamos de tudo um pouco e em especial, o motivo que ali nos levou, reviver algo deste hebdomadário onde um dia escrevemos. Eu e ela tivemos coluna, com ampla liberdade de escrever o que queríamos e assim fomos até os últimos dias do bravo e único atuando amplamente dentro do jargão da liberdade factual dos fatos. Eu ainda guardo alguns poucos exemplares e muitos dos textos de minha lavra ali publicados. 

Essa história quem está predisposta a contar é a desbravadora Diva. Eu, de minha parte, só posso incentivá-la e farei a minha parte, dando uma longa entrevista, contando o que sei, o vivenciado por mim e o que representou este jornal dentro do cabedal do que foi a produção de um jornal totalmente independente, sem amarras, sem estar atrelado a poderes constitu´pidos, ou seja, tudo o quer publicava era fruto de apuração do jornalista, que atuou sem medo de ferir suscetibilidades locais. Repito sempre, o Debate foi único no que fez. Vislumbro muito poucos existindo dentro do rigor jornalístico que o Sergião - como o chamávamos - impôs para sua publicação. Essa história é mais que rica, do começo ao fim e ser revivida me traz, além da vontade de colaborar, a de ver vingar o quanto antes, pois tudo o quer ali foi feito precisa ser mostrado, contado e usado como exemplo para todos nós, os viventes deste mundo, onde os poderosos nos querem cada cada vez mais calados e contido.

Diva sabe estar diante de algo único e exatamente por causa disso, precisa ser muito meticulosa, cuidadosa e saber retratar cada detalhe. Fico sabendo e fico louco para ouvir, os depoimentos, muitas horas que possui gravado com o próprio Sérgio, ele contando como se deu a história do jornal. O Debate e Sérgio tornaram-se referência nacional quando da denúncia do caso do juiz local, que foi favorecido por benesses da Prefeitura local. Foi processado e quase foi obrigado a fechar as portas do jornal, com uma condenação de alto valor. O caso virou assunto nacional e com isso, a comprovação do que sei e sinto ser necessário escrever sobre o Sérgião, ele nunca arrefeceu na forma como praticava o jornalismo. Enfrentou essa e outras paradas e ao contar isso tudo, todos ficarão sabendo dos motivos de o tê-lo como um dos maiores que vi atuando. 

"Muito em breve, vamos juntos, passear por esta História que revela mais que um Jornal, um legado de vida!  Agora você é tudo o que a fé pode tocar... e tudo o que minha caneta souber escrever ... Escrevendo este Livro sobre a História do Jornal Debate/Sérgio Fleury de Santa Cruz do Rio Pardo, procuro dimensionar a grandeza da comunicação irreverente, porém, responsável e formadora de cidadania. Sempre uma voz livre na sua defesa", Diva escreve e publica em suas redes sociais. Diz a mim e a Rose, no dia da visita em sua casa, já ter gravado com muita gente e aguarda o meu depoimento com ansiedade. Devo fazê-lo nesta semana e enquanto isso não acontece, rememora aqui comigo mesmo, de como o conheci, chegando a ver a gráfica do jornal em pleno funcionamento. A minha participação foi mínima, pois sempre que posia, fazia questão de escrever sobre a importância do DEBATE no cenário e no contexto  do mundo político regional, quiçá nacional.

Estive com o Sérgio pouco antes do julgamento final, que o livrou de pagar o absurdo porposto pelos seus acusadores, algo que o levaria não só a falência, mas a ter que encerrar a publicação. Enviei texto meu para a revista Carta Capital, não publicado, mas aproveitado em um texto, onde versavam sobre o papel do jornalismo nos tempos atuais. Um dos maiores orgulhos que carrego comigo foi o fato dele, toda vez que se reencontrava comigo diaia: "Quando saiu a matéria na Carta Capital, instigada por ti, aquilo foi decisivo para a tomada de decisão definitiva da Justiça. Devo isso a ti". Sabe-se lá o que é ouvir isso? Isso, não só me toca profundamente, como me faz entender o que move pessoas como ele, quiçá também este HPA, em continuar esgrimando contra os tais vendilhões do templo, estes tantos que hoje infestam e açoitam o erário público. Sergião foi imparcial até onde deu, porém sempre atuou na defesa de quem sabe, faz  e exerce sem máculas suas funções. Daí, nunca o vi tendo nenhuma atitude conservadora. Foi um jornalista livre, algo raro no interior paulista e assim o DEBATE seguiu até seus último suspiro.

Eu fico emocionado só ter a oportunidade de contar algo, conversar a respeito com a Diva, ou com quem quer que seja. Eu acompanho muito o jornalismo brasileiro e hoje mesmo, recebo uma ligação de uma pessoa tentando me vender uma assinatura do Estadão. Sei tratar-se de uma funcionária e assim sendo, não posso desrespeitá-la no que faz. "Desculpe, sei que é seu trabalho, mas aqui em casa, deixei de ler o Estadão faz tempo. Ele não entra aqui nem de graça. Sua linha editorial é um horror dentro do que entendo como jornalismo", disse. A moça, acostumada a ouvir algo assim, educadamente desligou. Não existe mais como contemporizar com quem continua e sempre praticou um jornalismo tendencioso e excludente, a favorecer interesses de minorias. Isso, sabemos todos, não é exclusividade do Estadão. Lembro essa história só para recolocar e encerrar este já longo texto, relembrando mais uma vez a importância existente dentro do que foi a trajetória do DEBATE e do seu idealizado, o jornalista Sérgio Fleury. Diva está diante de um tema dos mais instigantes e se estiver realmente disposta, pode produzir algo mais que histórico. Diva e Sérgio foram amigos uma vida inteira e isso, por si só, não é requisito para a produção de um refinado e bem depurado texto. Ela sabe disso e deve dormir pouco e mal, quando diante de tanto material já recolhido, está agora diante de sentar e colocar tudo no papel. Aguardo os resultados com sofreguidão, pois tenho a mais absoluta certeza: não existe nada igual a história do DEBATE. Tudo graças ao jornalismo praticado, a forma realimente libertária, dentro do que se discute muito e se pratica pouco, a verdadeira liberdade de expressão, sem amarrações e com muita responsabilidade.

Eis o Sergião numa entrevista para uma rádio de sua cidade: 
https://www.facebook.com/reel/401056985951475 e um pouco também de Diva nessa conversa quando do lançamento do seu famoso livro: https://www.facebook.com/reel/883722516527123. E, por fim, texto meu publicado n'O Alfinete, de Pirajuí, sobre como entendia o DEABATE.

O QUE RESTA DE ALGO SALUTAR NO CENTRO DA CIDADE: BANCA DO ADILSON
Passar diante da Banca do Adilson, ali na rua Treze de Maio, quase esquina com a Primeiro de Agosto e não dar uma paradinha para confabular com seu proprietário é quase um acinte. Hoje, ele me segura pelo braço e me leva até a lateral da banca, onde está pintado a data de sua abertura, 1980 e me questiona: "Você que escreve de tudo, datas lá de tempos antigos, leve em consideração a quanto tempo estou com a banca funcionando neste lugar". Eu sempre levei sua importância em elevada consideração, tanto ser ele um dos três personagens bauruenses, motivadores de meu mestrado em Comunicação, quando versei sobre tipo populares na cidade, ele, o Carioca da Banca na Feira do Rolo e a nosso eterna pipoqueira Maria Inês Faneco.

Tempos atrás o denominei de "GPS do Centro da Cidade", pois toda e qualquer informação, até sobre imóveis para alugar, os fechados e acontecimentos variados ali acontecidos, tudo precisa necessariamente passar pelo balcão dessa banca, local de muita conversa, essas indo além de tudo o que ali é comercializado e está relacionado na tal lateral adesivada. Adilson Chamorro mostra fotos de quando começou, jovem, magrinho e pena insistência/persistência, segue no local, rodeado não só de clientes, mas de amigos. Na verdade, volta sempre para casa recheado de novas histórias, muitas confidências e fatos escabrosos e inusitados acontecidos nas redondezas e que, por fim, chegam ao seu conhecimento.

Hoje, como não poderia deixar de ser, a coqueluche do seu dia a dia são as tais figurinhas da Copa do Mundo, os álbuns da Panini. Seu diferencial é vender o pacotinho aberto. O que vem a ser isso? Ele abre, seleciona, deixa tudo catalogado e o cliente chega, escolhe a quantidade e leva dentro de um pacotinho, só que aberto. "Nessa fase da coleção, passados já algum tempo de venda, poucos compram pacotes fechados e quem coleciona, está querendo mesmo completar seu álbum. E daí, em locais como o meu, isso é possível. Nessa época, com a Copa do Mundo rolando, o grande motivador de locais como o meu, são as figurinhas", conta. Além disso, Adilson guarda registros de sua trajetória, em envelopes debaixo do balcão e os mostra para diletos consdierados. Como do tempo quando, no governo Izzo, teve a barraca recolhida por mais de um mês, até conseguir recuperar o ponto e desde então, ali permanece, para alegria de tudo o mais no centro da cidade. Ou seja, o centro não seria o mesmo sem a sua presença e ele também, não saberia o que fazer da vida sem a sua rotina ali no local. Um não vive sem o outro.

São personagens como Adilson, o que me faz parar o carro e antes mesmo de querer ir fazer o que me trouxe ao centro, dar uma parada, assuntar o que anda rolando, quais as novidades permeando a vida do centro e só a partir daí, devidamente cerregado - ou recarregado - de preciosas informações, se faz possível ir fazer tudo o mais. Vê-lo ali, tendo ao fundo um painel com exemplares antigos da revista Playboy, caixas com cédulas e moedas antigas e até peças de antiguidade, dão um toque mais do que especial em querer continuar circulando na região. No pouco que ali fiquei, dois vieram lhe oferecer moedas antigas e peças diferenciadas, dessas que a pessoa guarda uma vida toda e quando o calo aperta, pensa em fazer um dinheirinho com ela para cumprir algum compromisso urgente. Ou seja, muito do que ocorre no centro, passa pela famosa e funcionando já há muitas décadas na esquina famosa. Adilson resiste bravamente à passagem do tempo.

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