quinta-feira, 23 de julho de 2026

MEMÓRIA ORAL (334)


ABERTURA DA EXPOSIÇÃO "CONSTELAÇÃO CELESTINA, DE WAGNER CELESTINO, 50 ANOS FOTOGRAFANDO A VELHA GUARDA E O SAMBA PAULISTANO - SÓ PODIA SER NO SESC

Para quem acha que Bauru se encontra fora do circuito das grandes exposições acontecendo por aí, precisa conhecer o trabalho deste paulistano, hoje residindo em Bauru e depois dela, a "CONSTELAÇÃO CELESTINA" rodar por duas unidades do Sesc paulistano, aporta no Sesc Bauru com grande pompa. Wagner Celestino, já passou dos 70 anos e durante 50 anos percorreu todos os cantos do samba paulistano, produzindo belos registros, agora eternizados num livro e nessa exposição, que além de tudo, escancara um registro mais do que histórico, a das entranhas da Grande São Paulo.
Uma exposição como essa só poderia acontecer mesmo no SESC, pois aqui em Bauru, mesmo ainda estando de portas abertas uma Galeria de Arte, mantida pela SMC - Secretaria Municipal de Cultura, quase nada por lá acontece e por pouco não se transformou tempos atrás em salinhas para abrigar cargos em comissão e nada de bom. Se a Cultura de fato é necas de catibiriba por lá, no SESC ela viceja e só confirma ser este o grande espaço cultural não só da cidade, como regional. O que acontece por lá neste momento é mais que grandioso, é incomensurável. Eu confesso aqui minha burrice cultural paulistana, pois até botar os pés no SESC hoje não conhecia nada deste divinal fotógrafo, tipógrafo uma vida inteira, aposentado neste ofício e há um ano e meio residindo em Bauru, sem que ninguém soubesse ou tomasse conhecimento. Ele é um tanto tímido, reservado, mas quando boto os olhos em suas fotos, vejo que com uma câmara na mão, o cara é bamba, batuta, desses que fez das ruas da cidade grande seu habitat.
Eu o conheci naquele momento e o cerco, iniciando uma conversação sem fim ali no recinto da exposição. Fui sugando o que pude e ele abrindo seu coração. A grandiosidade de seus registros reside muito na continuidade, pois quando começou, não mais parou e o reconhecimento vem com exposições como essas. Hoje é fácil fotografar e registar acontecimentos pela aí, mas quando começou a labuta era braba e mesmo assim, insistiu, persistiu e não mais parou. Circular pelos corredores da exposição e ver o resultado em cada foto é para embasbacar curiosos e desatentos. Não há quem não se sinta atraido e absorvido pelo ali exposto. Toda a nata das quebradas do samba paulistano estão ali registrados e também alguns de outras paragens, como dona Ivone Lara e Zé Keti, quando perambularam pela noite paulistana.
Eu já fiquei amigo dele assim de bate pronto. Trocamos telefones e vamos estabelecer contato, pois se o cara fez tudo isso lá em Sampa e hoje reside por aqui, nada como incentivá-lo para que, após quebrar o gelo, adentrar o palco bauruense, ser introduzido com algumas pessoas de responsa por aqui, como as professoras Marizilda e Ana Bia, do Design Unesp e mais o Ivo Presidente, do Coletivo Samba, ali presentes, para dar um pontapé inicial nos registros na cidade. Melhor que tudo, Wagner é dos nossos, um ser que não só circula nestes lugares todos, onde o samba acontece e a vida pulsa de forma acelerada, mas entende tudo e possui um posicionamento dos mais relevantes sobre os rumos deste país.
Enalteço sempre o papel do SESC - ah, se os próceres da Cultura pública bauruense possuissem um pequeno interesse em propagar o que flui das entranhas desta cidade - e depois, ciente de aqui ser um celeiro de gente altaneira e com produção efervecente, porém contida, mas quando pipoca algo novo, talvez
 uma fagulha nova para que não desistam e coloquem todos seus blocos na rua. Eu me maravilho quando vislumbro algo com essa magnitude, tanto que, já alinhavei com o Wagner de introduzí-lo pela aí, para que conhecendo um bocadinho mais de nossas entranhas, comece o quanto antes a produzir material, criação se sua verve criativa, enaltecendo também algo em curso nestas plagas. Aproveitemos a estada do Wagner junto a nós e com uma a mais se juntando ao time dos reais realizadores desta aldeia, avancemos o sinal, ultrapassando barreiras, impedimentos, não se importando com admoestações, mas se impondo e mostrando para os que insistem em permanecer inertes que, os realizadores irão passar por cima e escancarar a existência de uma fina flor, ainda oculta, porém pronra pra desabrochar. O Wagner está ser juntando ao time dos que fazem e acontecem por aqui. Vamos acolhê-lo com a devida pompa e reconhecimento, pois o danado já deu mostras de que veio pra cá e não quer ficar parado. Parado mesmo na questão Cultura nesta cidade, só os hoje lá encastelados como dirigentes públicos, muitos comissionados, temporários e nada propondo de qualitativo. Visitem a exposição lá no SESC, a "Constelação Constantina" e contatem se é ou não pra ficar comovido com o ali mostrado. E o homem está agora morando por aqui...

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