sábado, 14 de março de 2026


UMA HISTORINHA MINHA COM O JC, PASSADA NOS CORREDORES DA UNIMED BAURU
A historinha ocorreu na última segunda, quando estive na Unimed para exames de rotina - tudo ainda quase em perfeito estado por aqui. Da abordagem nasceu o texto, transformado em carta enviada para a redação do jornal, AC/ Diretor de Redação, o jornalista João Jabbour. Na carta, conto outra passagem, a da renovação de minha assinatura do jornal, que assinava por décadas. Creio que, a missiva não teria problemas nenhum em ser publicada, enfim, não renovo minha assinatura, mas explicíto continuar comprando o jornal. Como não foi publicada na edição semana do JC, nas poucas bancas no dia de hoje, publico eu pelos meus meios e condições. HPA

TUDO POR CAUSA DO JORNAL DA CIDADE
Primeiro, um registro e acredito ser muito pertinente fazê-lo. Minha assinatura do JC está findando. Recebo telefonema advindo do jornal e postergo a decisão. Faço neste momento. Não renovarei minha assinatura, porém, não interrompo a leitura semanal. Acabo de me compromissar com a jornaleira Ilda Rugai, da Banca Aeroporto, a toda semana comprar lá a edição semanal do JC. Fortaleço a querida jornaleira e não deixo de ler o JC, mesmo contrariado com muito do contido em sua linha editorial. Não imaginam a alegria de por lá passar todo dia, nas diárias caminhadas e encontrá-la com suas portas abertas, irradiando simpatia. O jornaleiro precisa ser valorizado e assim dou meu quinhão.
E por fim, a história me fazendo escrevinhar e tornar pública mais uma historinha envolvendo o JC. Envio cartas para a Tribuna do Leitor desde os cueiros. Perdi a noção de quando tudo começou. Sei que lá se vão décadas. O jornal pode não corresponder às minhas expectativas, mas nunca deixou de publicar minhas missivas. Não me canso de apregoar, escrevendo dentro da minha linha de pensamento, jornalões como a Folha SP, Estadão e O Globo não me publicariam. O JC o faz.
Estava na segunda, 09/03 na UNIMED Bauru, aguardando atendimento, quando meu nome é anunciado pelo alto falante. Me encaminho para a sala do exame e percebo um senhor ter ficado um tanto incomodado. Olhou diretamente para mim, praticamente se levantou da cadeira. Achei, o meu nome poderia ter lhe remetido para alguma lembrança.Na saída, passo diante dele e ao apertar o botão do elevador, sou tocado pelas costas.
Era ele. Se dirige a mim de forma muito cordial. "Desculpe te abordar, mas não queria perder a oportunidade. Te leio regularmente pela seção de cartas do JC. Quando ouvi seu nome, me veio na mente os belos textos lidos e te esperei retornar de seu exame. Te admiro muito".
Quase cai das pernas. Iniciamos uma boa conversa. Perco o elevador e ele me diz ser de outra cidade, mora em Bauru há uns dez anos e gosta muito de jornais. Sente a falta do jornal diário e vê nas cartas, um posicionamento divergente do que lê, podendo confrontar melhor escritos e chegar na sua conclusão dos fatos. Ganho um aperto de mão e um abraço.
Ganhei o dia, o mês e o ano. Ser reconhecido desta forma nas ruas e pela simples menção de seu nome é um alto grau da consideração humana. Quem escreve, sente algo como prescreveu o dirigente corintiano Vicente Matheus, "quem entra na chuva é pra se queimar". Tem quem goste muito e tem quem odeie. O mesmo sentimento eu percebo nas ruas, quando saio, por exemplo, como naquele dia, com uma camiseta com a estampa do Maradona, com boina e charuto, ou mesmo com uma do Che Guevara ou até do presidente Lula. Uns viram a cara e outros se aproximam e puxam conversa. Tenho adorado sair com elas, pois propiciam conversas e isso, confesso, me abastece.
Enfim, meus escritos que fiz ao longo do tempo no JC, possuem o mesmo condão, ou atraem ou afastam. Pelo afago recebido, percebi, tem quem goste e isso me encheu de grata alegria.
HENRIQUE PERAZZI DE AQUINO - jornalista e historiador (www.mafuadohpa.blogspot.com).

UM LIVRO BAURUENSE A REVERENCIAR A TROCA DE CORRESPONDÊNCIA ENTRE AS PESSOAS, ALGO EM DESUSO NOS TEMPOS ATUAIS
Eu sou do time dos escrevedores de cartas, principalmente à mão. Não mais as envio pelo Correios como dantes. Hoje as faço pelas vias internéticas, desde o velho e-mail ou mesmo o whattshap. Escrevo bem menos que antes, mas não perco a mania. E diante disso me cai às mãos um livro da jornalista bauruense MARILUCI GENOVEZ, que tanto li nos seus tempos de Jornal da Cidade/ Diário de Bauru e até hoje trombo pela cidade, em esporádicos encontros. Estava num clínica médica e aguardando atendimento, quando me deparei com o esquecido livrinho numa pilha ali colocada, exatamente para distrair pacientes antes de adentrar o consultório. Estava esquecido numa pilha e ao vê-lo, folheio e não resisto, trago comigo. Sim, confesso, sou um larápio de livros. Há quem diga que, quem rouba livros rouba qualquer outra coisa. Não sei, o que sei é que livros me atraem e não resisto. Tenho muitos deles aqui comigo nessa condição. O de Marulici, "PRESENTE DE ANIVERSÁRIO", edição única da editora paulistana Lua Nova, foi publicado em 1987 e tem 68 páginas, o meu 3º já lido neste mês. Foi aprimeira e acho que única inserção dela no campo do romance. Nem sei se tem outro livro. Gostaria de ler algum com seus principais trabalhos jornalísticos.

Mas, o que me interessou neste? Já quando dei a folheada no consultório, o tema da escrevinhação e troca de cartas, ainda feita via Correios, me chamou a atenção. Queria ver até onde foi e com o tempo ali sentado antes do atendimento era insuficiente, o trouxe comigo. Duvido alguém já tenha dado pela falta. Eu me deliciei e isso é o que vale neste mundo. Eu leio, diferentemente destes bestas adesivos e outdoors espalhados pela cidade pregando um bestial "Leia a Bíblia". O gostoso mesmo é ler de tudo um pouco. Quem lê um livro só - ainda mais a bíblia - se torna um ser reduzido, metódico e chato, meio que sem assunto. O negócio é diversificar, muito e sempre. Quando passei o livro da Mariluci na frente dos demais pensei nisso, em ver onde ela queria ir com isso de alguém conhecer outra pessoa através de um anúncio de revista, a busca pelo sexo fácil e depois, com a intensificação da escrevinhação, abrir outras possibilidades.

Quem lê e escreve muito está sempre aberto a oportunidades variadas e múltiplas. No prefácio ela já destaca do "romantismo gratificante através das cartas e o ato nobre de se enviar respostas", da "força da sedução pelos argumentos de uma escrita" e por tratar-se de um "meio de comunicação eficiente, capaz de manter viva a chama do relacionamento, do amor". O livro é despretencioso, porém, envolvente. A pegada me seduziu e o li quase de uma só sentada. Pelas poucas frases colhidas da leitura do breve romance, algo de como a autora encara isso de, na troca de correspondência, despontar algo entre duas pessoas:
- "Aliás, não acredito em amizade de homem e mulher. No fundo, um dos dois está com más (ou boas) intenções a respeito do outro".
- "A árida missão de escrever fascina Sandra. É por este caminho que quer alcançar o mundo das artes,acabando por dominar a das letras, talvez o mais complicado ramo das artes".
- "Sandra era testemunha da sensação de intimidade criada pela carta, entre o emissor e o destinatário, estreitando a distância, alimentando o relacionamento num grau de proximidade que aumenta a influência de ação e afetividade dos partícipes".
- "Mesmo que este contato não leve a nada, Sandra está bem por João Guilherme acontecer em seu caminho. Precisa de algo forte e diferente para voltar a acreditar nas pessoas, amá-las e perdoar... (...) Apenas um enredo para uma história, com um final indeterminado, confiado ao futuro".
- "...as vezes vale mais a pena sonhar do que estar diante da realidade. (...) Embora para muitas pessoas, escrever cartas ou bilhetes seja um ato impraticável, para Sandra sempre foi um lazer. E ela gostaria de passar às outras pessoas a gostosa prática desse tipo de comunicação. Como a convivência entre dois desconhecidos, pode crescer, tomar forma e enriquecer com a troca de informação".
- "Pessoa inteligente não é aquela que detém a informação, que sabe tudo. É antes de mais nada a que sabe encontrar a fonte de informação, a que sabe perguntare não sente vergonha em fazê-lo".

Para os curiosos, escrevo que, Sandra e João Guilherme, após longa troca de cartas, com a devida demora pela chegada via Correios, acabaram por se encontrar e, pelo visto, num primeiro instante, se deram bem. Se acasalaram e irão ver o que acontecerá depois disso. Ainda do livro, uma dedicatória para uma amiga, datada de 1988, um papel dentro, de quando Mariluci foi candidata a vereadora em Bauru, também no ano de 1988 e por fim sua linda foto na contracapa - ah, como éramos todos belos e pujantes na flor da idade. Enfim, um livro que passei na frente de outros tantos e me trouxe mais algum aprendizado. Livro tem que acrescentar e não subtrair. O texto de Mariluci acrescenta e isso é ótimo. 

Nenhum comentário: