TODOS PRECISAMOS CONTINUAR ACREDITANDO NAS FORMAS DE FISCALIZAÇÃO EXISTENTES, MAS...
Daí me volto para a capa da última edição da melhor revista brasileira destes nossos tempos, a CartaCapital e nela uma capa sobre o montante de sucessão de acontecimentos lamentáveis nos últimos desGovernos estaduais no Rio de Janeiro, culminando com uma situação mais do que insustentável. Na principal matéria da edição desta semana, uma ampla reportagem e uma só conclusão, o estado do Rio só terá solução com uma força-tarefa externa, num pente fino de cabo a rabo e daí, com tudo exposto, a possibilidade de reverter o quadro atual.
Sabe onde junto uma coisa com a outra? Simples. Em Bauru, nestes últimos meses estão aprovando tudo o que a alcaide tem proposto com novos empréstimos, cada vez mais altos, para finalidades cuja dinheirama até se faz necessário, mas não existe nenhum planejamento para sua utilização de forma plausível. A Câmara está aprovando tudo e já se fala de um futuro dos mais problemáticos, com provável insolvência financeira num curto espaço de tempo. Isso ocorrendo, supostamente com fiscalização dos nobres vereadores e também da Justiça, em todas suas instâncias. Entendo que, quando uma Câmara está aparelhada e vota cegamente pelos interesses de uma administração, se faz necessário a intervenção imediata da Justiça, até para restabelecer algo dentro de padrões normais.No Rio, mesmo com Alerj e Justiça, o lamentável está em curso e o Rio mais que falido. Em Bauru, pelo montante do proposto e sendo aprovado, a cidade adentrando um terreno dos mais perigosos. Alguém precisa fiscalizar e se enfronhar com mais afinco nos montantes sendo emprestados, na sua real utilização e no que existe de condições de efetivo pagamento pela cidade, com as receitas e despesas atuais. Eu não gostaria de ver minha cidade, daqui há muito pouco tempo, na mesma situação do estado do Rio de Janeiro, hoje clamando por uma força-tarefa de salvamento. O administrador público precisa ter limites de atuação e isso precisa ficar bem claro, evidente, explícito. Quando passa de alguns limites toleráveis, precisa ser contido e enquadrado. Ninguém pode tudo e quando tudo ocorre "sem limites" - esse foi o slogan da cidade até bem pouco tempo -, o perigo é eminente. O sinal de alerta por aqui já deveria estar ligado há muito tempo, mas pelo visto, este está sendo desmerecido. Como diz o ditado, arrependimento mata.
Por João GuatóOs relatórios da Receita Federal e do Banco Central não são exatamente literatura, mas, vez ou outra, entregam enredos mais interessantes que muito romance premiado. Ali, entre números e transações, aparece o Banco Master, sob comando de Daniel Vorcaro, como eixo de uma engrenagem que movimenta recursos em direção a políticos, ex-ministros e veículos de comunicação. No meio desse circuito, surge Michel Temer. Não como figurante, mas como personagem central de um sistema que parece funcionar com precisão quase técnica: o dinheiro sai, encontra destino e cumpre sua função.
E qual é essa função? A pergunta soa retórica, mas incomoda. Quando um ex-presidente como Michel Temer aparece entre beneficiários de uma rede de pagamentos, não se trata apenas de um nome qualquer numa planilha. Trata-se de alguém que conhece profundamente os caminhos do poder, os atalhos institucionais e, sobretudo, o valor estratégico de estar bem posicionado. Temer não é um acidente nesse roteiro. É, no mínimo, um indicativo de que o fluxo financeiro não circula ao acaso, mas acompanha interesses muito bem definidos.
Do outro lado dessa engrenagem está o portal Metrópoles. Um veículo de comunicação que, segundo os documentos, também figura entre os beneficiários. E aí a pergunta muda de tom: a serviço de quem está a informação? Porque quando o dinheiro entra pela porta dos fundos, a independência editorial costuma sair pela frente, sem fazer barulho. O site, que pertence ao grupo liderado pelo empresário Luiz Estevão, não é apenas um observador da realidade — pode estar, conforme os indícios, inserido nela de maneira bem mais ativa do que gostaria de admitir.
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| Em Bauru, no Brasil e no mundo... |
No fim, o quadro se fecha com uma harmonia perturbadora. Daniel Vorcaro articula, o Banco Master executa, Michel Temer representa o peso político da operação e o Metrópoles ocupa o espaço narrativo. E o público? Continua consumindo informação como quem acredita estar diante de fatos crus, quando, na verdade, pode estar apenas assistindo a mais um capítulo de um velho roteiro brasileiro: aquele onde dinheiro, poder e notícia caminham juntos — não por coincidência, mas por conveniência.
CONCLUSÃO DESTE MAFUENTO HPA: E como fazer chegar isso tudo para o povo, o ainda e sempre ludibriado, que confia e segue fielmente quem lhe crava a estaca nos costados? Essa missão quase impossível cabe a nós, os lúcidos, os ainda com os olhos bem abrtos e atentos. Se nem nós fizermos nada para impedir o avanço dessa barafunda informativa desvirtuada, com certeza, nada mais nos restará fazer do que enfiar a viola num saco e aceitar a derrota. Só viraremos essa mesa, reverteremos o quadro de informação desqualificada e mentirosa siando pras ruas, arregaçando as mangas das camisas e, ciente de estarmos numa guerra, irmos pra luta. Não nos resta outra saída e escapatória.






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