"MANITO" ASSOPRANDO FORTE NO ANIVERSÁRIO DE 25 ANOS DO TEMPLO BAR
fiquei sem. Relembrei isso e ouço, que o mesmo ainda está guardado. Não me arrependo, mesmo não encontrando até hoje outra peça de reposição.Do show de ontem (serão três dias em Bauru, 28 a 30/07), mais dois músicos conhecidos do público bauruense, maestro Badê no piano e Lallo, no baixo. Fernando inovou para o evento, tirando o piano do palco e levando-o num esforço danado para o canto onde as apresentações eram feitas antigamente, debaixo das fotos de ambos e praticamente na entrada do banheiro. Foi uma surpresa para os músicos e agradou em cheio aos que lá estiveram. O repertório é velho
conhecido, mesclando de tudo um pouco, jazz, xaxado, MPB e os clássicos, com "New York, New York" (pedido da Ana Bia, ao meu lado). Tocaram além da conta, em três etapas (chegamos antes do começo da segunda e saímos antes de começar a terceira, mais de meia noite e lá vai fumaça), com um descanso para o cigarrinho na calçada e
colocarem as conversas em dia com os amigos presentes. Aproveito para perguntar a Manito onde encontrá-lo em Sampa. "É simples. Toco toda quarta, quinta e sexta na Cantina Maranello, esquina na Tabapuã com a João Cachoeira. Mas, pule setembro, vou operar da hérnia e o médico recomendou que não posso assoprar nada", me diz. Fica a dica para os paulistanos ou bauruenses que por lá passarem.
Na saída, Fernando, mais contente que pinto no lixo, não faz as contas nessas horas, sabe que põe dinheiro do bolso (faz isso há anos). Sorri, pois isso move sua vida e me pergunta: "Volta amanhã, mas traz o De Camargo. Cadê ele? Ele não pode perder essa" (fico de ligar para o Sivaldo). O bar, aos 25 anos, cresce, amplia instalações e vai servir delivery em breve. Já na calçada, conheço Wilson Lacerda, 57 anos, papeando com o Pez (melhor profissional de som
na cidade - em breve um Memória Oral com ele), junto a outros fumantes e pergunto sobre uma conversa que presenciei entre ele e o maestro Badê, sobre seu apelido, Dizzy. "Sou músico, toquei muito tempo piston, hoje o instrumento está lá em casa meio que aposentado, mas viajei muito com o maestro e hoje vim aqui rever essas duas feras. Vim porque a música está no sangue, de vez em quando preciso ouvir de novo isso tudo. O apelido foi dado por Badê, nos tempos que tinha meus 23 anos, assoprava forte e ele me vendo, disse que era o próprio Dizzy Gillespie. O negócio pegou e assim fiquei conhecido", conta. Fui embora com a Ana pouco antes dos músicos voltarem ao palco para a última parte do espetáculo, Dizzy sobe novamente as escadas e eu vou repor meu sono, pois amanhã (que no caso já é hoje, quarta) tem o segundo show deles e um gratuito do Noca da Portela, no SESC.
* O amigo do peito, nesse caso é o Templo Bar, que frequento desde o nascedouro. Fidelidade é isso.



