Participar ativamente de uma campanha, como o faço neste momento é, em primeirto lugar, uma correria. Estou enfurnado nesta e dos pés à cabeça. Primeiro e a causa maior, por Lula, sendo ele a única alternativa para não permitir que o país cai nas mãos da ultra-direita fascista, uma que hoje, descaradamente e com, pasmem, algum apoio popular, entregará o país de mão beijada oara os interesses norte-americanos. Isso me fez sair da zona de conforto e estar nas ruas. Hoje, existe essas duas frentes, a virtual e essa, a de estar nas ruas e ter contato com as pessoas. Tento atuar das duas formas, mas nessa reta final, cai de boca e cumpro uma agenda de compromissos intensa pelas ruas.
E isso me move. Nesta quarta, 30/9, último dia de setembro, passei a tarde toda no Calçadão da Batista, o local de maior movimento das ruas de Bauru. Com uma banca montada na Esquina da Resistência, quase confluência com a rua Treze de Maio, ali o quartel general deste grupo político, o Núcleo de Base DNA Petista Bauru. Eu, Claudio Lago e Valquiria Correa ali estivemos, nos revezando com outras pessoas e além de entregar panfletos, conversando com quem ainda estiver disposto a fazê-lo. Creio que, o maior desafio deste momento é conseguir ainda estabelecer um diálogo com as pessoas. Certo que, vivemos tempos onde as verdades estão fundamentadas por informações repassadas dentro de grupos, visando interesses bem estabelecidos e principalmente no grupo bolsonarista, está cada vez mais difícil conseguir uma brecha para um diálogo. Isso da pessoa já chegar com a cabeça feita e não estar disposta a dialogar é muito complicado. Tem muita agressividade quando este vê se aproximando deles alguém com uma camiseta vermelha e ainda por cima, se dizendo petista. Com o restante da população, a parcela também conservadora, ainda existe um diálogo, porém, com quem já chega de cabeça feita, só mesmo diante de algo muito grandioso.
E assim passei boa tarde da tarde, envolvido com essa tentativa de relacionamento e também, como historiador e sempre muito interessado nas relações humanas, aproveitando de mais essa oportunidade para observar pessoas e situações. E elas se apresentam a cada instante diante de nossos olhos, basta estar nas ruas. Você passa a conhecer aquela pessoa que, sobe e desce o Calçadão, falando sózinha, várias vezes ao dia, rindo e não aceitando nenhuma abordagem, tipo a de ser interrompida no seu transe. O senhor que teve a casa incendiada e hoje mora nas ruas, circula pelo local e quando o abordei, perguntando, "foi o senhor que teve a casa incendiada?", ele se vira para mim e diz, "eu não, vocês está me confundindo com outra pessoa". E não quer conversa. Evidentemente precisa de ajuda, pois está perdido, bem vestido, mas dormindo pelas calçadas da vida. Tudo é uma sucessão de histórias e me envolvo nelas junto ao que faço, a campanha política.
Tive grandes decepções advindas destes contatos, mas ao mesmo tempo, enormes felicidades, pois em alguns caos, onde você acha que não vai ter retorno nenhum, em alguns caos, a pessoa te surpreende, te olha nos olhos e se abre. Tem muita gente assim, louca pra encontrar alguém com quem possa se abrir e colocar coisas pra fora. Teve um que, diante da foto do Lula surtou, disse um monte de impropérios. Ouvi tudo e quando comecei a argumentar, ele percebeu que permanecer ali surtado, de nada adiantaria e sem argumentos, também me ouviu. Da agressividade, passou a ser mais tolerante e quando se foi, creio eu, deixei sua convulsionada cabeça lateada de indagações, dessas que, pelo menos quando estiver com a cabeça deitada num travesseiro vai ter que fazer. No Calçadão a gente vê de tudo e mais um pouco. A região vem sofrendo muito, com muita queda de frequência humana, porém, basta meio dia ali para sentir como pulsa aquilo tudo.
Na tarde de quarta, decidi deixar o local por pelo menos uma hora e ir vivenciar algo em outro lugar, a famosa missa das quartas à tarde, no Santuário de Nossa Senhora Aparecida. Depois de toda polêmica com a santa, fui conhecer um dos cultos mais movimentados por lá. Não abordei ninguém, só vi e ouvi. Uma só pessoa, conhecida de outras paragens, devoto declarado, me vendo por ali, me disse: "O católico sentiu o baque. Muita gente aqui é anti-PT e esquerda e nem sabe direito dos motivos, mas estão esperando um toque da igreja. Perceberam que, tem um outro lado e com alguns jogando contra a sua igreja. Estão muito balançados". Deixei folhetos em todos os carros estacionados ali e defronte o Poupatempo. Fosse o público neopentecostal, certamente, falariam abertamente aos seus dos púlpitos, mas os católicos estão sendo mais contidos, porém, estão num momento crucial. Vão ter que se posicionar e será difícil apoiar quem não gosta deles. Uma contradição deixando-os em estado de alerta.
No final da tarde, a troupe do DNA foi montar sua banca bem defronte a feira noturna do parque Vitória Régia. O que mais querem os que nos abordavam eram os adesivos de Lula. Tem um monte de gente disposta a ir votar com eles colados em suas vestes. Ali permanecemos até quase 21h e histórias foram se sucedendo, uma atrás de outra. Revi gente querida, como o Xerox, o garçom principal do restaurante Convívio, ali pertinho e este vasculhando discos, LPs na Banca do Carioca. Vê-los juntos me deixa enormemente feliz, pois frequento ambos os lugares e quando nós todos num mesmo lugar, tods vindos de lugares diferentes, isso é o maravilhamento da vida. A campanha feita pelo DNA é muito disso, observação e conversa. Quando tudo isso terminar, terei muita coisa juntada dentro de minha cachola e na junção de tudo o mais que tenho buscado ao longo da vida, alguma explicação para tentar decifrar isso dos descaminhos e encaminhamentos do ser humanos nestes tempos.
Eu passaria um longo tempo, contando aqui algo de muitos contatos ali estabelecidos. Talvez seja o maior npumero de candidatos gravitando por Bauru por metro quadrado. Quase todos por ali estiveram e vê-los cada um com sua estratégia de abordagem e expectativa de serem reconhecidos, das aproximações e rejeições. Senti isso tudso também na pele e vi como isso ia se repetindo com todos os demais. Por fim, quase no final da festa, reunimos gente querida ao nosso lado, festejamos todos juntos esse reencontro, rimos e nos preocupamos, enfim, todos estamos um pouco tensos e apreensivos. Deu para perceber, além da apreensão, existe toda uma forte esperança de vitória, enfim, a Bauru desta campanha, mesmo continuando muito conservadora, já não é tão agressiva como o foi no pleito anterior. No anterior tinham muitos querendo nos prender, neste alguns ostensivos com suas carinhas de malvados, mas na maioria uma já convivência sem atribulações extras. Assim tocamos o barco em frente, com o DNA tendo optado pela chapa já conhecida de Lula, finalziando com João Paulo Cunha para deputado federal e Simão Pedro para estadual. Saí de lá muito cansado, dormi logo a seguir e no dia seguinte, novamente agenda cheia. A rua me chama e nela reúno os temas, assuntos para minhas longas conversações. Até a vitória.
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| Eu, o advogado Gilberto Truijo e seu filho, Pedrão, num reencontro na feira. |
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| Eu, Valquiria Correa e Alexandre Gasparotti, este lutando também por um Sinserm novamente verdadeiramente combativo. |
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| Eu, Claudio Lago, Luzia Siscar, Heloísa Leal e o advogado Laércio, nas necessárias conversações. |








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