sexta-feira, 24 de junho de 2011

UM LUGAR POR AÍ (14)

APÓS MAIS DE 40 ANOS, RETORNO NA “ESTÂNCIA HIDROMINERAL DE QUILOMBO”
Da última vez que lá estive fui levado pelo meu pai, num apertado carro, acompanhado da mãe e de outros três irmãos. Devia ter por volta de uns dez anos e algumas coisas consegui me recordar. Um rio, um lago e muito mato em volta. Na quarta, 22/06, instigado por um amigo de Reginópolis, no retorno para Bauru passo por lá, tudo para buscar queijos, que me dizia maravilhosos.

Fui conferir e do trevo da entrada de Iacanga até lá são 11 km, tudo asfaltado, a vicinal Maurílio Biaconcini. A Queijaria Quilombo não é tão fácil de ser encontrada, mas com a indicação recebida, a de estar logo após um bambuzal é certeira. Uma pequena placa afastada da pista diz ser ali, distante uns cem metros da pista o reduto de uma iguaria das mais requisitadas da região. No balcão a proprietária, dona Cidinha, que junto do marido Cláudio Manuel Crepaldi está por ali há 30 anos (um dos filhos é padre aqui em Bauru). Pergunto dos queijos e ela sem pestanejar me dá alguns para provar. “O Bolinha é o cremoso, feito com recheio de iogurte e arredondado. Esse em formato de U é o Quilombo, cuja massa, o fermento é desenvolvido aqui, próprio para churrasco, feijoada, molhos. Está patenteado e dos que mais vendemos. Esse outro, em tiras é para ser comido desfiado e junto de alguma bebida é inigualável”, me disse. Confirmei tudo e sai dali com um pacote, inclusive com outro sabor de alho.

O distrito é pequeno, mas muito acolhedor, pertencendo à cidade de Iacanga. Não passa de uma avenida na continuação da vicinal, uma venda logo na entrada e outra, numa rua lateral, junto à praça da igreja. Um hotel no centro da vilinha, antes com bom movimento, mas hoje fechado. Numa esquina outro imponente comércio, o Apiário Ki-Mel Quilombo, onde sou atendido por um casal, a Gilcimara e o Paulo, os donos do estabelecimento, funcionando ali há exatos 22 anos. É uma variedade de produtos, expostos ali num balcão e contando com as informações do Paulo, o mesmo que põe a mão na massa em todas as fases do processo. Impossível sair dali sem provar algo.

Diante da loja, uma estradinha de terra e uma placa em tamanho grande “Hotel Estância Quilombo e Água Mineral Quilombo – Fonte a 300 metros”. Quem não conhece pode até achar não ter nada de grandioso ali dentro de um portal de pequeno porte, mas ao adentrar o local, muitas surpresas aguardam todos. No comando do local está a sra Laura e a filha Elisa, ambas de descendência japonesa e após o falecimento do patriarca, cuidando de tudo, sem abandonar estar na frente do negócio, inclusive no atendimento aos clientes no hall do hotel. O clima é muito próximo de algo do país de origem, tanto que o próprio cartão de visitas está todo escrito na língua japonesa e a grande maioria dos hóspedes é oriunda da colônia. Quarta, véspera de feriado, alguns ônibus já estão chegando ao local e assim se repete todos os finais de semana. Percebo de um cliente algo a inquietá-lo. É seu celular que não pega no local e o único contato com o mundo externo terá que ser feito pelo telefone do hotel ou o de um orelhão lá no centro do distrito. Ótimo lugar para aproveitar e desfrutar ao máximo das águas medicinais e para um desligamento completo com o mundo externo. As duas coisas juntas devem ser mesmo ótimas, afinal todos podem, mesmo sem acreditar que ainda o consigam fazer, o de viver alguns dias sem fazer uso de um aparelhinho de celular.

Voltar para o mundo em que vivemos é possível de duas maneiras. Na primeira retornando até o trevo de Iacanga e de lá, no meu caso, Bauru. Para os apressadinhos como eu, uma estrada de terra batida, 7 km, corta um caminho e o deixa quase em Arealva. Um pouco de poeira só no cruzamento com outros carros e ali o visual mais encontrado na região, cana plantada por todos os lados. Quero voltar em breve para descansar uns dias e tentar me curar dos malefícios inerentes de quem quer sair da agitação de uma vida cheia de percalços, com um embate após o outro. Quilombo é lugar de muita paz e pelas três dicas conferidas, recomendo.

3 comentários:

Anônimo disse...

Sr. Henrique:

Quilombo é um pouco disso que o sr acabou encontrando pela sua rápida passada por lá. Um lugarzinho quieto, tranquilo e aprazível, gostoso para se morar e descansar. Esses três lugares citados trazem muita gente para cá e os moradores sobrevivem muito bem, sem querer sair daqui. Volte sempre e traga mais pessoas. O pessoal do hotel tem um site: http://www.hotelquilombo.com.br/arquivos/hq_capa.htm

João Silva

Anônimo disse...

oi Henrique! como estão as coisas? dei uma espiadinha no blog depois de muito tempo e li sobre Quilombo....q delicia!!isso fez parte da minha infância tbém...creio q de todos os bauruenses!! como vce disse,ótimo lugar pra se refugiar e fugir do mundo né?e como tô precisando!!!

MA

MEIRE LUZIA DE FREITAS Meiroca disse...

Também estive no Quilombo há mais de 20 anos, pela primeira vez, em companhia de uma prima, interessada nos banhos, para tratar um problema de pele. Na época ainda tinha uma piscina. Voltei mais umas 2 vezes, fazendo o roteiro que você fez, é muito aprazível. Só não consegui tomar o banho, porque somente ligam as caldeiras quando há excursões. A água é boa, sempre compro, em Bauru. Mi