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segunda-feira, 29 de setembro de 2025

MÚSICA (252)


A TRISTEZA ESTAMPADA NUM POSTE
Estaciono o carro hoje pela manhã na rua Julio Prestes, cem metros da feira dominical e um cartaz, colado num poste, me chama a atenção. O rapaz da foto, num anúncio esquisito, desaparecido. Quem me explica o que aconteceu foi o guardador de carros. Estes sabem tudo, pois vivem por ali junto dos, como escrevia Plinio Marcos, perdidos nas "quebradas do mundaréu". O jovem foi encontrado morto pelos lados dos trilhos férreos, perto do Albergue Noturno, todo quebrado e desfigurado. Vivia nas ruas, ninguém o identificou a tempo e acabou sendo enterrado como indigente. Só depois, os cartazes apareceram espalhados por aí, porém seu fim já estava decretado. Disse ser ele um rapaz alegre, gostava de andar fantasiado, não era de fazer mal, porém vivendo nas ruas, como se sabe, acontece de tudo e assim sendo, entrar em erradas algo não muito difícil. Ele, certamente, entrou numa. Seu cartaz continua colado em alguns postes e assim como eu, outros se interessaram pelo destino do garoto. HIstórias assim se repetem com a maior facilidade, me diz o guardador. Acredito, pois viver nas ruas, fácil se deparar com tudo. Tudo mesmo.

BATISTA CONTINUA, AOS 76 ANOS, CAIXEIRO VIAJANTE E SE BENEFICIANDO DAS PASSAGENS GRATUITAS PARA IDOSOS EM ÔNIBUS ESTADUAIS
Hoje eu conheci no terminal rodoviário de Bauru, a pessoa que, acredito eu, mais faz uso das tais duas passagens gratuitas para idosos, isso em toda e qualquer viagem de ônibus estadual dentro do estado de São Paulo. Trata-se de um velho conhecido meu, o BATISTA. Ele, hoje aos 76 anos, aposentado, com uma renda próxima de R$ 2 mil mês, não teve outra alternativa que não a de continuar trabalhando para conseguir uma renda mensal, onde feche suas contas ou ao menos tenha uma vida mais estabilizada.

Batista está nas estradas desde que me conheço por gente, bem mais que 50 anos. Décadas atrás foi um daqueles intrépidos vendedores de assinaturas de revistas, viajando o país inteiro, de cidade em cidade, trabalhando sozinho ou em equipes. Ganhou muito e não reclama nem um pouco disso, mas quando o negócio de assinatura de revistas e jornais começou a definhar, descobriu outro e desta forma continuou estradando, local onde se encontra até hoje. Desde então, continua sua peregrinação, cidade em cidade, agora vendendo mapas variados, mundi, do Brasil e rodoviário e pôsteres do corpo humano.

Fez isso a vida inteira e me confessa: “Não sei mais ficar em casa. A estrada é meu local de trabalho, um dia aqui, outro ali e sempre batendo de porta em porta, conhecendo gente nova e sabendo onde adentro para oferecer mapas”. O vejo com uma mochila às costas e com várias passagens às mãos. Pergunto e ele me explica: “Pela minha idade, não pago mais passagem, mas tenho que conseguir uma das duas gratuitas de cada viagem, pegando-as com cinco dias de antecedência da viagem. Assim sendo, me preparei e cada dia estou numa cidade diferente. Tenho que conseguir a passagem cinco dias antes e estar próximo do guichê da empresa onde quero viajar, no horário previsto. O esforço vale a pena e só assim, sem ter que pagar a passagem, consigo equilibrar minhas contas”.

Dentro de sua mochila, me conta, carrega dentre mapas e os pôsteres, 25 exemplares bem dobrados e assim pega estrada. Sai bem cedo e de uns tempos para cá descobriu que, o horário da manhã é o melhor, pois à tarde, depois do almoço tudo já é com outra pegada. Sua cabeça é bem organizada para em cada dia conseguir as tais passagens, onde só paga a taxa de embarque e tendo que pegar não só para a ida, como para a volta, tudo tem que ser anotado, para não se esquecer e se embaralhar. “Os mapas e pôsteres eu compro diretamente do fabricante, que já me conhece. Pago um lote e devo outro, assim sigo pelas estradas. Consigo um desconto muito bom e não fico sem fazer nada”, conta.

“Tempos atrás eu tinha um sonho, o de ganhar na loteria e um dia poder ajudar o Noroeste a se tornar um grande time. Continuo jogando toda semana e espero poder fazer com que o Noroeste ainda me tenha como presidente. Enquanto não ganho, sigo trabalhando estrada a fora. Hoje não viajei e vim organizar as passagens. Amanhã tenho marcada ida e volta para Marília, depois Botucatu, na quinta Jaú e sexta Araraquara. Os próprios atendentes do guichê me ajudam e me indicam qual horário ainda tem vaga de passagem. Me adequo e dificilmente tenho que pagar do meu bolso. Se tivesse que fazê-lo, não sei se daria para continuar, pois elas estão pela hora da morte. Não reclamo nem um pouco e sei também ser um dos últimos vendedores assim de porta em porta, viajando diariamente. Eu fiz história lá atrás e continuo fazendo, pois quero ser, até quando aguentar, um dos que resistiram ao tempo e continuar sendo uma espécie de caixeiro viajante do século XXI”, conclui seu relato.

Eu, admirado fiquei. Sua história é uma dessas tantas que, ao descobri-las não tenho como me aquietar. Alguém como BATISTA é de uma raridade nos tempos atuais, merecedor de todos os elogios e apupos. Tempos atrás, muitos faziam isso, dentre os quais me incluo, com minhas chancelas, mais de 20 anos estradando. Daqueles tempos, conheço duas pessoas ainda na ativa, Batista com seus mapas e uma hoje senhora, ainda tirando leite de pedra, vendendo ampliação de bibliotecas em cidades. Devem ter outros, mas estes dois me trazem enormes recordações do passado. Sou de um tempo onde, antes do advento do CD, muitos saíam com uma mala cheia de CDs, gravações diversas e vendendo de cidade em cidade. Este merecem ter suas histórias contadas e recontadas, pois foram, de certa forma, desbravadores deste interiorzão véio e sem fronteiras. Alguns poucos resistem e como Batista, tentam se aproveitar de algumas benesses, como essa dos idosos terem passagem estaduais gratuitas. Maravilhosas histórias.

DENISE AMARAL LANÇA O CLIPE "OS SONHOS" E CONFIRMA TUDO AQUILO QUE DIZEM DELA
Algo da festa de hoje: 

Ficar aqui tecendo loas elogiosas para com a cantante Denise Amaral échover no molhado. A cidade inteira reconhece ser ela uma das nossas melhores cantoras. Ela tem cabedal, currículo, décadas de exposição e repertório dos melhores. Hoje fui vê-la no lançamento de seu novo clipe, o "Os Sonhos", nesta noite de segunda, na arena aos fundos do teatro Muninicipal de Bauru. Ela encanta por onde passe, primeira pela sua enorme simpatia e depois, por cantar muito bem. Hoje foi mais um dia de festa para ela, dentre tantas nos últimos tempos.

Com direção e roteiro de Rene Lopez, direção de fotografia de Conrado Dacax e produção de Paulo Maia, o clipe foi possível através de recursos oriundos da Lei PAulo Gustavo, após custosa liberação desses recursos federais, disponibilizados pelo Governo Federal e quase perdidos pela SMC - Secretaria Municipal de Cultura. Do clipe, lindo ver as cenas gravadas na praça Rui Barbosa, numa noite onde o coreto foi totalmente higienizado e até conseguiram levar um piano para lá.

Na noite de hoje, os dois lá no palco, ela e Paulo Maia, cantaram por quase uma hora, atendendo pedidos do público e para mim, sem que houvesse pedido, cantou uma do Aldir Blanc e a última, essa sim solicitada por mim, Wilson das Neves, com a imortal O Samba é meu Dom. Ouví-la um luxo. Depois o clipe sendo mostrado pela primeira vez. Tudo perfeito. Infelizmente tive que sair mais cedo e não participei do debate final, porém sair mais que satisfeito, pois assim ocorre toda vez que presencio ela cantando e encantando. Hoje mais um destes dias.

domingo, 29 de março de 2020

COMENDO PELAS BEIRADAS (85)


DIANTE DAS EVIDÊNCIAS, DE COMO TENTEI VERGAR UM BOLSOMÍNION – EM PARTES, CREIO TER CONSEGUIDO, GRAÇAS AO CORONAVÍRUS...
Jorge Santus é policial militar reformado, atuou por muito tempo na Rota em Bauru e hoje, além de tentar agrupar pela internet os interesses bolsonaristas, conseguiu um prédio na rua Bandeirantes (entre as ruas Araújo Leite e a Antonio Alves) e ali reúne peças para a criação de um Museu Militar. Sua linha de pensamento e ideias não possuem nenhuma aproximação com as minhas, longe disso e vez ou outra lá me meto no meio dos seus posts, levo bordoadas por todos os lados. Desta feita, ele arrefeceu e me ouviram com mais atenção. Dias atrás, ele foi um dos incentivadores da carreata na cidade, essa dos carros de alto valor, esses todos sem sair dos veículos, deixando os motoqueiros e outros menos aventurados se expondo uns aos lados dos outros ao ar livre.

Postou ontem pela manhã, sábado, 28/03: “Não estamos todos no mesmo barco, uns em iates, canoas, eu segurando num tronco. São vidas, como vamos sair desta enrascada?”. Minha intromissão: “Você, como eu, não estamos segurando num tronco, temos condições de permanecer quietinhos, como sei que está, pois fala da boca pra fora, mas não tem coragem de seguir cegamente o louco do bolsonaro, pois quer continuar vivendo quando tudo isso passar. Siga as instruções, meu caro, não saia de casa, sei que de bobo não tem nada. Quem faz loucuras, pode penar feio nos próximos dias. Se cuide!”. Ele me responde assim: “Henrique, assim como é os deveres da paixão, louca que bate no peito sinto minha Alma vibrar ,como um encanto patriótico”. Meio sem entender o que estava respondendo, retruquei: “ Jorge, quiete o facho. Daqui um tempo a gente sai do resguardo, sem loucuras e querer incentivar os outros a fazerem o que a gente mesmo não faz. Temos que brigar é para que os sem renda, que não é o nosso caso, possam receber um mínimo do Governo Federal, obrigação governamental e assim todos passaremos por essa fase de propagação do vírus. Fazer o contrário é se suicidar e sei que tu está quietinho aí no seu canto, como a maioria dos sensatos”. Não me respondeu nada no post e os que antes me xingavam de tudo quanto é nome também não se manifestaram, melhor, recebi favoráveis curtidas. Todos quietos, contidos e refletindo.

Passadas algumas horas ele posta aquilo que havia me respondido dentro de um quadro, em algo com meu nome, ou seja, diretamente para minha pessoa: “Henrique Perazzi de Aquino, assim como é os deveres da paixão, louca que bate no peito sinto minha Alma vibrar, como um encanto patriótico”. Postei o primeiro comentário no post: “Jorjão, tu é bolsonaro, mas não é louco, sei disso. Defende o doido, mas não segue piamente o que o descerebrado propaga. Deve estar, você, a esposa e filhos quietinhos em casa, como qualquer pessoa sensata. Fica apregoando de sair nas ruas, mas no fundo os conselhos médicos e de especialistas estão acima da maluquice proposta pela insanidade de alguém que não pensa nas pessoas e sim, nas leis de mercado. Quietinho no seu canto, esperneando, mas sem arriscar a pele. A luta agora, nós com condições de permanecer em casa é demonstrar como os sem condições, os autônomos, sem renda possam começar a receber a renda mínima que irão pagar no período, pois assim, todos nos salvaremos e lá na frente, continuaremos a nos digladiar. Agora é momento de baixar a guarda, pensar com a razão e não fazer loucura, pois ter a vida interrompida por causa de um político fora do juízo, sei que é coisa que não fará. Isso mesmo, deixe seu peito bater forte, grite, mas permaneça quietinho aí na sua casa, junto aos seus e ajudemos de onde nos encontramos os que não possuem a mesma condição que a nossa. Incentivá-los a ir pras ruas nesse momento é colocá-los em risco. Tome tento...”.

Ele veio com algo assim, sem me responder, mas demonstrando seu lado: “Queremos um novo Brasil cheio de orgulho patriótico que cuide dos seus símbolos, que alcancem os mais necessitados, e preserve nossos Histórias cheia de Heróis”. Respondi na mesma linha anterior: “ Isso eu sempre fiz e quis, luto por isso, por outro viés, defendendo que o que é nosso aqui permaneça e não seja entregue a preço de banana aos estranjas, como propaga seu mentor. Mas o momento exige outra postura, a de cada um no seu bunker, buscando a sobrevivência, pois se arriscar a morrer por seguir um insano é coisa que não fará. Quero te ver lutando para que os menos favorecidos, que não é o nosso caso, recebam essa Renda Mínima, primordial para o sustento de todos eles nesse período extraordinário, depois voltamos para nossas contendas. Salvar vidas é mais importante agora do que esgrimar contigo. Não seja maluco de ficar saindo por aí, pois tudo indica, a coisa irá piorar e mesmo sendo essa fortaleza, até as rochas estão fenecendo quando se descuidam”. Ele e os seus, que tanto me agrediam em posts anteriores se aquietaram e um desses, Celso Furuya me responde assim, como se o fizesse por todos: “ Henrique, pela 1a vez aplaudirei seu comentário, pois deixou de lado sua posição extremista e se pronunciou como cidadão. Acho que é isto que está faltando pra nós para que este País realmente se desenvolva. Parar de torcer para que o outro erre por ego. Espero que esta catástrofe sirva de alguma coisa, principalmente humanidade. Como diz musica de Beto Guedes: "Vamos precisar de todo mundo/ Pra banir do mundo a opressão/ Para construir a vida nova/ Vamos precisar de muito amor/ A felicidade mora ao lado/ E quem não é tolo pode ver". Abçsss”.

Consegui plantar algo? Veremos nos próximos capítulos... De uma coisa tenho a mais absoluta certeza, Jorjão esperneia, grita, se esfalfela pelo Bozo, mas os seus estão todos bem quietinhos dentro de sua casa.

NOVIDADE NO CASO COHAB - TODOS LIVRES E IMPUNES: "Ô, SORTE!"
Sim, esse é o entendimento de recente decisão judicial. Por quinze longos anos a barafunda seguiu impune e na maior tranquilidade dentro do prédio da Cohab Bauru. Durante esse tempo, alguns já cientes, outros não, porém aplausos de todos os lados para quem lá estava na direção daquela instituição, que num primeiro momento construia casas, conjuntos habitacionais e depois, com o passar dos anos, só administrava os já existentes e manipulava tudo o mais, como já é sabido até pelas pedras do reino mineral.

Dia 17/01/2020 o GAECO, a polícia investigativa, encontra 1 milhão e seiscentos mil reais dentro da casa do presidente da Cohab. O escândalo estava instaurado e a partir daí, pelo que se imaginava, cabeças rolariam. Passado esse tempo todo, hoje 29/03, só o presidente foi inquerido, continua em liberdade e nenhum nome foi aventado como participante do milionário desfalque. Além de nenhum outro pomposo nome ser revelado, algo mais, para surpresa da galera desponta no horizonte. Resolução do CNJ - Conselho Nacional de Justiça, acatada pelo STJ - Superior Tribunal de Justiça, desde agora não mais pode ocorrer prisões. Não existe mais preventiva. O cara, digo, o presidente afastado da Cohab possui uma sorte sei lá de onde, algo inigualável no mundo. Tudo suspenso até segunda ordem, ou seja, a tranquilidade volta a reinar nas hostes do até então preocupado ex-presidente. Suas preocupações a partir de agora devem estar somente centralizadas em não contrair o vírus Covid-19, pois no mais, tudo devidamente resolvido. Tiveram muitos outros casos, cito um, o de traficante de drogas com transcrição do que está na decisão. Mamão no mel para tudo e todos.

Isso me faz lembrar o grito que o grande baterista brasileiro, recentemente falecido, Wilson das Neves, um que acompanhou Chico Buarque até quando as forças estiveram ao seu lado, dizia quando diante de alguma saída miraculosa para azar, problemas, saldo devedor, percalços, turbulências da vida e a volta por cima: "Ô, sorte!!!". 

Eis Wilson gritando dentro da música "Se me chamar, ô sorte", o refrão "Ô, sorte!", letra dele e do também sambista de primeira linha, Cláudio Jorge: https://www.youtube.com/watch?v=Ul795lTxNpc. 

No caso bauruense, vai ter sorte assim lá nas barrancas do imponderável. Todos liberados, eis a decisão. Dizer o que? Gritar pra que? Nem esperneio mais, pois enclausurado entre quatro paredes, quero mais é continuar vivo.

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

MUSICA (151)


NA MINHA VITROLINHA ROLA WILSON DAS NEVES, ALTAY VELOSO, PAULO CESAR FEITAL E CHICO BUARQUE

1.) WILSON DAS NEVES BATEU ASAS E VOOU

Por tres vezes esteve em Bauru e em todas lá estive, aplaudindo e prestando homenagens a esse imenso mestre de nossa música, baterista de Chico Buarque e de toda uma geração que sabe o que é boa música. Hoje se foi e num texto do professor carioca, Luiz Antonio Simas, algo que neste momento não conseguiria escrever com tamanha sapiência: "Seu Wilson das Neves, que cantou pra subir ontem, era awofakan (mandava sempre um "boru boya" inacreditavelmente malandreado quando nos encontrávamos) e se cuidava. Não há, portanto, nenhuma chance de ter ido fora do combinado. Neste sentido, a música fica, está tudo rigorosamente tranquilo e certamente serão feitos os procedimentos necessários para a grande aventura do mestre - o retorno espetacular e silencioso - aquela que começa exatamente agora para quem tem a mão de Orunmilá, como ele. Suponho que Seu Wilson já não escute mais os nossos recados, mas vislumbre, nesta altura, a imensidão da volta ao mistério. Deve ser do cacete! Ô, sorte! No mais, é cantar e tomar aquela cerveja gelada com serenidade e alegria. Bom dia".

Aqui algumas fotos dos momentos passados por ele aqui em Bauru, para mim, eternamente inesquecíveis. Rola hoje e sempre na minha cansada vitrolinha. Cliquem a seguir para ler o que já escrevinhei dele: http://mafuadohpa.blogspot.com.br/search?q=Wilson+das+neves

2.) “COLHER O SAL DA LIBERDADE, HÁ TEMPO AINDA: DESOBEDECER PRA PACIFICAR” - CARNAVAL 2018
O samba de Altay Veloso e Paulo Cesar Feital para a Mocidade Independente de Padre Miguel, Carnaval de 2018 é desses que vem pra ficar para todo o sempre, marcando época, um assombro, letra com algo que pega a gente do começo ao fim. Fiquei extasiado quando ouvi e faço questão que ouçam e vejam se existe alguma possibilidade de não gostar dessa maravilha. Essa vai se juntar, com toda certeza, aquelas inesquecíveis, para toda vida. Boto aqui na minha vitrolinha para iniciar e me dar ânimo para os trabalhos escrevinhativos do dia. Gamei de paixão e canto a todo instante, mesmo sem ser Mocidade lá no Rio. Impossível ficar indiferente. Numa frase bem colocada, ressaltada no título desse texto, sobre essa necessária resistência a esses cruéis e insanos tempos neoliberais, algo que acredito, poucos sambistas possuem a sapiência de fazê-lo com a devida maestria. Viva efusivo para Altay e Feital!
https://www.youtube.com/watch?v=e_4FUyNsCJE

E por que não um Carnaval libertador?

3.) ESCREVENDO O DIA INTEIRO E OUVINDO CHICO PELAS ONDAS DO COMPUTADOR - "AS CARAVANAS", DE UM CD SAINDO DO FORNO

AH, SE TODOS QUE CANTAM CHICO SACASSEM O QUE ESTÁ A CLAMAR!

https://www.youtube.com/watch?v=6TtjniGQqAc&app=desktop
Chico é Chico, continua sendo Chico e será sempre esse instigante e provocante Chico. Tô com ele e não abro. Ah, se todos fossem iguais ao Chico! Conheço muitos cantantes de hoje, que cantam maravilhosamente bem Chico, mas desdizem o que diz as letras das músicas que saem de suas bocas. Como fico triste vendo gente cantando como poucos, lindas vozes, mas sem conseguir interpretar e jogar para a realidade o que cantam. Cantam uma coisa e pensam outra, fazem outra, estão em outra, pioraram e se perderam nas influências de uma mídia massiva cruel que os conduziram para descaminhos neste bestial mundo neoliberal. Prefiro continuar ouvindo e seguindo junto do que pensa, faz e age o Chico. Sei estar no caminho mais certo da coisa. Toco o barco em frente...


OBS.: Todas as fotos são deste HPA e ilustram tudo, inclusive as duas outras citações musicais. Tristeza quando alguém do quilate do seu Wilson se vai...

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

PALANQUE - USE SEU MEGAFONE (75)


FOTOS COM VESTIMENTA NAZISTA EM BAURU E AS REPERCUSSÕES – QUAL O CONTEXTO?!?!?*

* Primeiro as três fotos do post da PKC e na sequência as quatro demais, em tamanho menos e divulgadas pela aluna Fabiana (clique em cima de todas para vê-las em tamanho ampliado).

1 – Primeiro vi três fotos com o símbolo nazista nas redes sociais e com o seguinte texto:
“Glamorização do nazismo no estande de História da Feira de Profissões da USC aqui em Bauru. Falta de noção em cadeia, PKC

2 – Especulei sobre o que seria aquilo e na sequência postei nas redes sociais o seguinte texto:
UMA DESNECESSÁRIA LOUVAÇÃO AO NAZISMO
O fato ocorreu em Bauru, dentro do recinto de uma de nossas maiores universidades (a segunda na cidade) e justamente no estande levando o nome do Curso de História, na Feira das Profissões da USC - Universidade do Sagrado Coração. Cursei História na então USC, recém saída da denominação FAFIL e numa turma que repudiaria isso de forma veemente, ou seja, se fossemos para utilizar roupas e insignias nazistas, o faríamos queimando-as em praça pública. Não vi até agora, algumas horas depois da publicação das fotos no facebook pela PKC ninguém da USC vir a público explicar dos motivos disso. Algo nesse sentido sendo exposto entre sorrisos e poses para fotos, exatamente num momento quando alguns pedem a volta do regime militar, outros tascam palavrões horrorosos contra meros opositores e num estande de um curso de História uma louvação totalmente desnecessária é para coçar o cocuruto e cobrar uma resposta mais do que esclarecedora. O que motivou isso? Qual a intenção?

Que diram disso nossos professores Lidia Possas, Terezinha Zanloqui, João Francisco Tidei de Lima, Saletinha e tantos outros. Repico essas fotos compartilhadas da internet para apreciação de gente que comigo estudou na USC e assim como eu, devem estar se perguntando: Será que o curso hoje está num grau de espetacularização dessa forma e jeito ? Vejam isso meus amigos Sonia Mazzi, Sonia Maria Mozer, Sonia Aparecida Fardin, Fabíola Soares, Fábio Paride Pallotta, Márcia Regina Nava Sobreira, Rui Dom Quixote, Duílio Duka, Wilson Tuim, Neli Maria Fonseca Viotto, Reginaldo Tech, Juarez Xavier, Dino Magnoni, José Laranjeira, Célio José Losnak, Sérgio Losnak, Alex Sanches, Narciso do Tempo, Roque Ferreira, Luis Henrique Rafael, Paulo Neves, Oscar Fernandes da Cunha, Cláudio Lago, Lázaro Carneiro, Luiz Henrique Carneiro, Luiza Conceição Quinezi e outros.

Enfim, qual a explicação???

3 – Momentos depois, Alexandre Criscione, aluno da USC publica isso:

"Carta de repúdio de alunos do 4º ano de R.I ao estande do curso de História na Feira de Profissões
Nós, alunos do 4º ano de Relações Internacionais da USC, muito nos surpreendemos com o estande do curso de História na Feira de Profissões da Universidade hoje, dia 16 de Setembro.

Ao querer apresentar a alunos do último ano do Ensino Médio fatos sobre a Segunda Guerra Mundial cometeram o grave erro de enaltecer os regimes totalitários responsáveis pelo início do conflito, utilizando as vestimentas e os símbolos representantes de tais grupos, dentre os quais a suástica nazista. Não suficiente, o estande também apresentava discursos do ditador Adolf Hitler.

O Nazismo foi responsável pelo genocídio e perseguições à negros, judeus, homossexuais, e todas as minorias étnicas que não condiziam com a suposta raça ariana. É inadmissível que um curso de História, sendo seus estudantes e coordenação conhecedores de todas as mazelas praticadas por esse regime, possa não ter a sensibilidade de percepção ao contexto atual, onde partidos neonazistas voltaram a participar de eleições na Europa, o que traz reflexos até mesmo nas ruas do Brasil.

Como exemplo, citemos: somente esse ano foram mortos 85 LGBT’s. No ano anterior, 312. Há um mês atrás seis imigrantes haitianos foram baleados em frente a Paróquia Nacional da Paz. Anteontem (14/09) um senegalês foi queimado vivo nas ruas de Santa Maria, RS.

Toda e qualquer menção ou veiculação de símbolos nazista no Brasil é crime previsto no Artigo 20 do Código Penal:

Art. 20. Praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional.
§ 1º Fabricar, comercializar, distribuir ou veicular símbolos, emblemas, ornamentos distintivos ou propaganda que utilizem a cruz suástica ou gamada para fins de divulgação do Nazismo.

Apesar de haver representação também dos Judeus (um dos grupos que foram perseguidos, torturados e assassinados) a falta de sensibilidade se denota quando temos a certeza de que o cenário ideal seria apenas o de representações dos oprimidos, sem precisar conter as vestimentas nazistas e fascistas, que eram maioria. Este curso de Humanas perdeu uma oportunidade ímpar de mostrar a jovens em formação a única parte que não deve ser esquecida: a morte de mais de dez milhões de pessoas derivada do ódio político, do racismo, da xenofobia e da homofobia.


Nós repudiamos veementemente essa exibição do curso de História, e aconselhamos a Universidade do Sagrado Coração a fazer o mesmo, além de exigir um pedido de retratação por parte da coordenação do curso.

Assinam a carta:
Matteo Netto/ Alexandre Criscione/ Ana Lívia Rodrigues/ Thaís Helena Tambara/ Natalie Alves/ Júlia Lourenção/ Débora Ani Marchi/ Mariana Marcelino Florenzano/ Julia Concuruto Reche/ Lilian Lacerda/ Isabela Andreatta/ Matheus S. Contreira/ Gabriel Cara".

4 – A repercussão bomba em comentários e os alunos de História da USC assim se manifestam somente hoje pela manhã, após uma acalorada discussão, em texto repassado por Fabiana Ferreira Rocha:
“Diante de toda polêmica que as publicações de imagens do stand de História da feira das profissões 2015 na USC geraram, sentimo-nos na obrigação de esclarecermos e explanarmos o ocorrido. Primeiramente, o mal, muitas vezes, está nos olhos de quem o vê. Apenas fotos de representações nazistas e fascistas foram divulgadas, omitindo as demais representações de judeus, soldados americanos, brasileiros, japoneses, entre outros personagens da Segunda Guerra Mundial e principalmente, a distribuição de pombas e pedidos de paz. O contexto completo foi omitido, ou seja, podemos apontar essas postagens como tendenciosas e de contexto fragmentado. Nosso stand foi cuidadosamente planejado e estudado, a fim de contarmos a história do final de uma guerra, ou seja, algo que ocorreu, e ao negarmos e tratarmos tal tema como “tabu” compactuamos com a omissão de fatos. A informação e o conhecimento devem ser difundidos, só assim, as gerações que se distanciaram temporalmente desses fatos, poderão compreender seus impactos na história e no cotidiano de nossa sociedade.


O que não foi divulgado, infelizmente, foram as intervenções do stand como, por exemplo, a participação de descendente de judeus, afrodescendentes e homossexuais, nossos colegas e amigos de estudos e trabalhos, distribuindo pombas da paz e cartas de judeus e soldados da guerra endereçadas a suas famílias, defendendo a igualdade e a paz entre os homens. As alunas e alunos usando fardas e suásticas apenas ilustravam o contexto de guerra, como atrizes encenando em um filme ou documentário e, em momento algum exaltaram ou atribuíram qualidades positivas ao regime nazista. No entanto, como historiadores, temos a noção de que não devemos, em hipótese alguma, cometermos anacronismos, agindo sempre de maneira apenas a compartilhar os conhecimentos adquiridos através do estudo de diversas fontes. As acusações infundadas apenas confirmam que essas pessoas não estiveram presentes em nosso stand, pois nossa monitoria clamava pela paz, pela igualdade e pelo direito de expressão, direito esse que nos é tolhido de maneira tão anacrônica e punitiva ao lermos comentários que chegam a incentivar a violência contra nossos colegas, acusando-nos de glamourização do nazismo e até de apologia aos regimes nazifascistas.



Ressaltamos que em momento algum fizemos apologia ao regime nazista, nossas caracterizações eram meramente ilustrativas. As suásticas e outros símbolos nazistas já foram inclusive, retratados por escolas de samba, novelas, filmes, como forma de difusão da história e não vemos razões lógicas para críticas tão severas, afinal, estamos democratizando informações e fazendo com que os ventos de tempos sofridos não soprem no nosso presente.

Os estudantes de história da Universidade do Sagrado Coração representam uma geração preocupada com a história da humanidade, com a cidadania, a politização e a liberdade de expressão de todos, repudiando qualquer julgamento prévio sem consulta de fontes, tampouco discursos de ódio ou incitações à violência. Continuamos levando a mensagem proposta na feira, de PAZ ENTRE TODOS OS POVOS, e liberdade para todas manifestações culturais, politicas, sociais, e de caráter qualitativo. Não apoiamos ou compactuamos com qualquer forma de segregação ou discurso preconceituoso, muito menos com qualquer apologia ou incentivo às práticas nazifascistas.

Pedimos encarecidamente a todos que comentaram e compartilharam imagens de graduandos participantes da feira, que leiam essa manifestação com atenção e considerem nossa boa intenção. Que o conteúdo do nosso trabalho seja exposto de maneira completa. Precisamos falar, Maria da Penha falou sobre as agressões que sofreu, e mesmo julgada por muitos diante de um contexto considerado tabu, deu origem a uma lei de proteção às mulheres. É falando sobre o nazismo que impediremos um novo holocausto e foi falando sobre isso, que compartilhamos conhecimento histórico com diversos jovens. É sempre através da fala, da expressão, que conquistamos os feitos mais dignos e fundamentais para nossa segurança e bem estar e principalmente, para que os oprimidos e minorias tenham suas vozes ouvidas.


A aqueles que visitaram nosso stand e conheceram de perto nosso trabalho, por favor, compartilhem esta manifestação para que qualquer mal entendido seja sanado e nosso trabalho seja divulgado devidamente como foi realizado. Que a História seja sempre difundida e compartilhada como forma de conhecimento, pois um povo que desconhece seu passado não se prepara para o futuro.

Luz e paz a todos!
Alunos de História responsáveis pelo stand de História na Feira da Profissões – USC, 2015”.

5 – Muito mais foi dito e todos os comentários feitos pelas Redes Sociais serão postados nos Comentários desse post, facilitando o real entendimento de tudo o que ocorreu.
HPA.

sábado, 22 de agosto de 2015

MEMÓRIA ORAL (185)


SEIS HISTÓRIAS AQUI REUNIDAS, AS TAIS QUE VOU PRODUZINDO COMO LADO B DE BAURU


1.) LELO, O BARBEIRO DA VILA INDEPENDÊNCIA E SUA TRÁGICA MORTE
Viajei quase duas semanas entre o final de julho e começo de agosto e muita coisa não tomei conhecimento no dia exato do acontecimento dos fatos. Com uma pilha de jornais guardados aqui em casa, anteontem comecei a folhear os exemplares do Jornal da Cidade desses dias de ausência. De tudo o que folheei, um texto fiz questão de recortar e guardar, aliás dois textos jornalísticos e junto deles ressaltar também o registro fotográfico. Sentida e dolorosa matéria, triste demais a história, dessas de estragar o dia, mês e ano. Mais um caso da bestial violência que nos assola e com um fim dos mais trágicos, muito doloroso. Conheci essa pessoa e ele um digno Lado B de Bauru, merecedor de todo destaque desse mundo.

DIRCEU BENTO, 78 anos era barbeiro até dias atrás. Figura conhecida na cidade, seu LELO, como o conheciam, manteve por muitos anos uma cadeira de barbeiro num salão que funcionou na quadra dois da rua Virgilio Malta. Um bonachão e como a jornalista Marcele Tonelli, na matéria do JC acertadamente o descreveu: “atendeu de coronel a faxineiro”. Quando o salão no centro fechou levou tudo para sua própria casa, na vila Independência e ali deu continuidade, com cadeira e espelho transportados para sua sala. Ali atendia seus clientes, dentro do seu próprio lar. Grandalhão, muito conhecido na região, pessoa tranquila, sem nunca ter se desentendido com ninguém, foi brutalmente agredido num assalto e muito machucado, amparado pelos seus, tentava dar à volta por cima. O efeito das pancadas, não somente as visíveis, mas muito mais as internos, o afetaram muito e não resistiu, veio a falecer dias atrás. Dessa bestial violência não existe nem mais o que dizer, cada vez mais e mais atingindo pessoas totalmente desprotegidas e indefesas. Um péssimo sinal da degeneração desse nosso modelo de vida capitalista. O ter, o querer ter, o fazer tudo para ter, ter e cada vez mais, ter e ter. Isso na cabeça de gente à margem dessa possibilidade, resulta em violências hediondas, inexplicáveis. Dessa vez foi com seu Lelo e na mesma semana em que foi agredido, outro tanto também o foram, nessa roda viva sem parada. O que parou, infelizmente foi ele, de viver. Quanta boa história passou pelas suas mãos, pela sua cadeira. Na foto cedida a mim pelo Alex Mita, do JC, que esteve em sua casa e o viu com vida, o retrato triste do registro que não sai mais da cabeça da gente.

2.) JOÃO DO ESPETU'S BAR SE FOI AOS 39 ANOS
É muito mais triste ver gente partindo desta e encerrando seu ciclo nesse mundo mais cedo do que o previsto. 39 anos é tempo curto demais da conta para uma existência humana. Merecemos mais, ainda mais para mim que, só acreditando nessa forma de vida e nada mais. Nesse final de semana mais um que se foi, alguém que esteve próximo durante algum tempo, sempre na labuta, resistindo com seu pequeno comércio a uma avalanche de condições adversas. Resistiu, tropicou, bateu de quina, levantou, sacudiu a poeira e tentava a cada recomeço dar mais uma volta por cima. Nessa última, a lamentável doença, a mais implacável de todas, o levou de forma tão rápida que nem tempo de uma despedida tivemos. Escrevo dele.

JOÃO VIANA NETO é simplesmente o JOÃO, não mais um dentre tantos joões, mas o João contador, que sabia fazer a escrevinhação contábil e dessa forma ganhava sua vida. Um João que tentou abrir outras frentes de trabalho, certa vez com um lavacar, depois arrendado, depois um bar, ali junto aos seus outros negócios, na Marcondes, entre a Araújo e a Antonio Alves. Bolou o nome, Espetu’s Bar” e tentou enquanto pode levantar algo numa área degradada, difícil e cheia de vazios noturnos. Por um tempo fez sucesso, depois definhou. Ria junto de tudo o que acontecia ali nas mesas, cantava junto da música ali propiciada e dessa forma tocava sua vida. Era um sujeito de bem com a vida, fruto de algo construído ao longo do tempo, iniciado em algo inesquecível, as aulas de teatro junto de Celina e depois, Paulo Neves. Elas o tornaram mais humano, sensível e cordial. Nunca o vi bravo, mesmo diante daqueles momentos onde a situação exige aspereza. João sabia navegar com seu barquinho. Vivendo dentro de uma família evangélica, soube conciliar a devoção de uns, com o que lhe vinha à mente, viver a vida de uma forma mais ousada, procurando não causar admoestações nem de um lado nem de outro. Era o que sempre foi, sincero consigo mesmo, suas ideias e nos gestos, a melhor forma que possuía para se expressar. O câncer o levou de forma abrupta, cruel e rápida. Para mim, fica na lembrança o João do Espetu’s, um cara que não queria nada além de ser feliz, sem grandes arroubos, fazendo de sua vida algo onde ia irradiando amizades por tudo quanto é lado. Fui um desses.

3.) HERNANI TROUXE PARA BAURU A TELEVISÃO PARANORMAL
Queria lembrar uma velha história de uma pessoa que conheci muitos anos atrás em Bauru, talvez coisa de uns vinte anos, daí para mais. Um paranormal, ou melhor, um grande estudioso do tema. Cheguei até ele pelo motivo de meu ofício da época, as chancelas. Por intermédio delas viajei boa parte desse país, peripécias a merecerem um livro. Essa história que aqui relato hoje aconteceu aqui mesmo em Bauru e desde o primeiro momento em que conheci esse senhor foi impossível não nascer ali um interesse grandioso pelo tema em que ele esteve envolvido sua vida quase toda. Voltei várias vezes em sua casa, transformada em Instituto e depois, acabei perdendo o contato. Para saber dele é muito fácil, basta clicar seu nome no google e aqui escrevo o que sei.

HERNANI GUIMARÃES ANDRADE era engenheiro, mas ficou muito conhecido país afora por causa de outra especialidade, pelo fato de ter sido um grande parapsicólogo espírita brasileiro. Nasceu em 1913 em Araguari e veio a falecer em Bauru em 2003. Morava na avenida Nossa Senhora de Fátima, lá no meio do coração do Jardim América e lá também funcionava a sua cria, o IBPP – Instituto Brasileiro de Pesquisas Psicobiofísicas. Mas o que seria isso? A grossíssimo modo ele conversava com os mortos (ou seus espíritos) pelos aparelhos de TV, numa sintonia com o além. O charlatanismo você detecta logo de cara, o que não era o caso desse professor. Um estudioso do tema e que acabou aportando em Bauru, acredito que por causa da filha que para cá veio e o trouxe junto. Ele demonstrava cientificamente, segundo sua concepção, a existência da reencarnação, as tais ações paranormais, trabalhando com experiências com campos magnéticos. Um assunto magnetizante. Escreveu mais de vinte livros sobre o tema, uma sumidade nesse quesito, consultado por gente do mundo todo e aqui tão pertinho da gente. Não divulgava muito seu trabalho por aqui, pois 99% do que produzia era para consumo longe daqui. No youtube tem muita coisa dele, mas escolhi essa com uma entrevista muito da interessante: https://www.youtube.com/watch?v=PCzK1MO5bPY. Um aparelho que ele construiu para testar sua hipótese espírita. Simples, voz pausada, olhar meio que distante, viveu seus últimos anos aqui na cidade e nem sei se isso ficou devidamente registrado nos anais de nossa História. Ganhei na época um livro dele e o procurei muito aqui pelo meu bagunçado mafuá, mas deve ter se perdido ao longo do tempo. Fico com a lembrança de uma doce pessoa, acreditando muito no que movia sua vida.

4.) LUIZ E SEU REDUTOR DE DISTÂNCIAS, UMA MOTORIZADA BICICLETA
Um facilitador para o seu dia a dia, encurtador de caminhos que o leva de um lugar ao outro da cidade, em busca de trabalho ou mesmo a execução dos mesmos. Quer algo melhor que isso para diminuir as distâncias de quem labuta, sua a camisa sem poder escolher o que fazer e como fazer? Esse aqui retratado hoje me contou das economias feitas, do que deixou de consumir por um tempo, tudo para poder adquirir uma peça, uma bicicleta motorizada e com ela atravessar Bauru. Quando ouvir isso, saquei logo da máquina e tirei uma bela foto dele e do seu meio de locomoção. Ambos enfeitam esse meu texto de hoje.

MANOEL LUIZ RODRIGUES , 44 anos é diarista, trabalha por conta própria e dessa forma sustenta sua família. Com pequenos serviços acertados aqui e ali, faz pequenos reparos em residências, desde a limpeza de calhas, telhados, alguma coisa de pedreiro, encanador e limpeza generalizadas, até de terrenos. Sua rotina não escolhe lugar para trabalhar e tudo depende do que for acertado, daí se desloca e executa. Até bem pouco tempo seguia para os locais de trabalho pedalando uma bicicleta, hoje continua com uma, mas com um pouco mais de conforto. Investiu um pouco em si mesmo, economizou e juntando R$ 1 mil reais comprou uma bicicleta motorizada. Agora se cansa menos e reduz os espaços entre sua residência, nos altos do bairro Bela Vista e onde precisa ir. “Outro dia estava lá no Tangarás e sem nenhum tipo de problema. Gasto dois litros por semana e não estou com ela ligada a todo instante. Pedalo também bastante e assim economizo mais ainda”, me diz. Sabe por ouvir dizer que, mais dia menos dia, terá que passar por regulamentação das motorizadas, mas diz estar se preparando para isso, pois não existe como não reconhecer que desde sua chegada, sua vida foi um tanto facilitada. Jeitão simples demais, fala mansa, poucas palavras, Luiz, segue por aí, ele e sua “magrela”, tomando desde então o maior cuidado, para que nada de ruim lhe aconteça, pois diz ter gastado mais do que podia na sua aquisição.

5.)
BONELLI É UMA DAS CARAS DE UM SESC PARA MIM ESCOLA MUSICAL
Tenho saborosas e muito instrutivas passagens pelo SESC Bauru. Ele está enfurnado em minha vida desde áureos tempos. Lembro de inesquecíveis shows e eventos em décadas passadas. Sou de um tempo em que o SESC fornecia um caderninho impresso com a programação musical do show, capa em papel grafite e todas as letras. Tenho alguns desses guardados até hoje. João Bosco, se não me engano, o primeiro. Devo boa parte de minha formação musical a eles, pois por lá passaram toda uma geração de ótimos e dignos representantes das melhores vertentes musicais brasileiras. Fui sócio por pouco tempo e alguns antigos funcionários nunca mais me sairão da cabeça. Esse aqui um deles. Basta vê-lo para enxergar o SESC na minha frente.

ROBERTO BONELLI, nasceu no ano de 1949, portanto, está hoje com exatos 66 anos e tenham a certeza de que a maior e mais saborosa parte deles foram passados lá no SESC. Aliás, ele deve ter acompanhado a construção do prédio. O conheci por lá desde os primeiros shows e eventos que por lá estive, acredito que nos anos 80. E lá se vão mais de quarenta anos. Hoje sei que ele é um profissional da área de Esportes, professor de Educação Física, mas nas vezes em que o vi por lá, sempre o achei uma espécie de gerente de luxo, sempre à nossa disposição, simpático e uma daquelas pessoas que nos introduzia num mundo mágico e ao lado dos grandes personagens do cenário musical brasileiro. Leio que por lá atuou de 1972 a 2006, quando se aposentou. Época de ouro do SESC, sua chegada e consolidação na cidade. Os de minha geração, os que convivem com Cultura (com C maiúsculo) conhecem o Bonelli e sabem o que quero dizer quando reafirmo isso. Outros existiram e me recordo de alguns nesses anos, mas fazendo uma reverência a ele, faço a todos (as) os demais. Até hoje o vejo circulando por lá (essa foto foi de anos atrás num show com Wilson das Neves, Zé da Velha e Silvério Pontes), talvez também na categoria de frequentador, mas assim como eu, atento ao que foi, é e será aquele respeitado conglomerado. Tivemos tempos melhores, sem desmerecer o momento atual, mas lembrar do passado lá vivido e de tamanha importância em minha vida, impossível não vir à tona a fisionomia de gente como o Bonelli.

6.) AOS 94 SEU OSVALDO ANDA DE CIRCULAR E SÓZINHO PELA CIDADE
Não é todo dia que você tromba na rua com um senhor andando sozinho pelas ruas e com 94 anos de idade. Quando me deparei com esse ali na rua Primeiro de Agosto, quase cruzamento da Gustavo Maciel, parei tudo e fui bater papo. Esperava encontrar um senhor reclamão da vida, todo cheio de dores, remédios a cada hora do dia, não enxergando muito bem e nem ouvindo, mas dentro desse estereótipo todo, acabei dando com os burros n’água, pois ali na frente um exemplo de tudo isso exatamente ao contrário. A história eu conto abaixo e a dele um grande exemplo de adentrar a longevidade e com tudo em cima.

OSVALDO OLIVEIRA está na ponta dos cascos e aos 94 anos circula sozinho pelas ruas da cidade. Desce de onde mora, no jardim Carolina, ali pertinho do Redentor de ônibus circular e no centro da cidade, faz e acontece. Vista boa, ouvidos idem, quando o encontrei me espantei, pois havia caído algo no chão e ele sem dobrar os joelhos abaixou o corpo e pescou sem maiores problemas o pedaço de papel. Rindo, diz que isso tudo são reflexos de uma vida bem vivida. Perdeu a esposa Elisa quase uma década atrás, dos tempos quando morava ali na vila Falcão e anos depois conheceu alguém que cuida muito bem dele, trinta anos mais jovem, com quem divide as atribulações do dia a dia. “Não quero dar trabalho para ninguém e dessa forma me virei e cá estou”, diz. Com uma bolsa aberta nas mãos, pergunto se não tem medo de alguém enfiar a mão ali dentro e levar tudo. Sempre rindo diz só carregar papéis velhos e a carrega exatamente para isso, dar umas bolsadas em quem tenta se aproximar. O fato é um só, seu Osvaldo está com a saúde em dia, filhos todos criados, Oswaldo Luiz, Terezinha e Murilo, netos e bisnetos bem encaminhados, curte a vida, após uma inteira de muito trabalho. Hoje seu negócio é desfrutar das benesses da vida. O que faz muito bem.

quinta-feira, 23 de abril de 2015

ALGO DA INTERNET (100) e O PRIMEIRO A RIR DAS ÚLTIMAS (02)

PEQUENAS HISTÓRIAS QUE RENDEM UM MONTÃO

1.) A FORÇA DOS SEM NOÇÃO...

Abro o JORNAL DA CIDADE de ontem (22/04) e estampado num anúncio de página inteira uma verdadeira aberração pela qual todos e todas devemos nos organizar e lutar. Tem alguém por aqui financiando e bancando anúncios favoráveis a terceirização e precarização da mão de obra e pagando os tubos pelos anúncios tentando vender, principalmente para o trabalhador, de que a terceirização é boa para ele, quando o que ocorre é exatamente o contrário. O pouco que já existe de serviço terceirizado está tornando o mundo do trabalho algo bestial, onde o empregador faz o que quer do empregado e nem lhe garante mais mínimos direitos. Não existirá mais nenhum tipo de estabilidade, muito menos um piso mínimo por categoria, sendo tudo liberado ao empregador, que também não terá mais obrigatoriedade nenhuma com seu funcionário, pois ele estará sob o tacão de um empregador coletivo, com contratos temporários. A primeira consequência é a perda salarial. Quem estará por detrás de anúncios tão tacanhos, uma vez que até a insensibilidade do presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha está sendo vergada após intensa manifestação? A mobilização da classe trabalhadora, toda ela, precisa ocorrer e se manifestar contra isso. Gostaria imensamente de saber quem banca isso, se a FIESP ou seja lá quem for, pois precisam ser demarcados como inimigos declarados do trabalhador. Uma vergonha continuarmos calados diante de coisas desse tipo, pois a mudança será brutal, não só para o bolso do trabalhador, mas para toda sua vida. O que está ocorrendo é exatamente que, o empregador está buscando conseguir maior lucratividade no seu negócio, mas a custa de lesar os direitos adquiridos do trabalhador. Algo dos mais nefastos e a merecer repúdio coletivo. Esse meu posicionamento, independente de sigla partidária ou posicionamento político. Pela defesa imediata das leis trabalhistas vigentes e não pela sua supressão. O que voce pensa a respeito???

2.) OS ADVOGADOS CONTRA A DITADURA, FILME DE SILVIO TENDLER NO CANAL BRASIL
Tem advogado que eu corto volta sem pestanejar, mas tem outros pelos quais me derreto todo. Sento até nos bares da vida, conto segredos e me abro todo. Mas da maioria confesso, desconfio. Quando vejo aquela turba lá diante do prédio da Polícia Federal em Curitiba, com os melhores ternos desse país e futricando para ver qual será a melhor maneira de soltar e de não deixar que os maiores vendilhões desse país não fiquem muito tempo em cana ou nem sejam presos, desconfio mais ainda. Os maiores vendilhões, explico, são os sonegadores da classe mais abastada desse país que estão a escapar, alguns empreiteiros, os tais da Receita Federal cujo escândalo é maior do que o do Lava Jato e também os que botaram dinheiro no HSBC e sonegaram pra dedeu. Do resto, sei que já se danaram e não haverá advogado que lhes salvarão a pele. Mas tenho muita lembrança de uma pá de advogados que lutaram bravamente contra a Ditadura Militar e colocaram a cara para bater, enfrentaram o dragão com o peito e a coragem. Algumas dessas belas histórias, o cineasta Silvio Tendler filmou num documentário intitulado, “Os advogados contra a Ditadura”.

Sábado passado, 18/04, o Canal Brasil estará apresentando a primeira parte às 20h e vale a pena todos sentarmos diante da TV e nos ligarmos no que os bons exemplos tem para nos apresentar para os dias futuros. Queria que principalmente os que acham que essa Judicialização do país é a coisa mais normal do mundo pudessem assistir. Repasso também a dica para meus bons amigos advogados, uns que estão aí na luta contra muito dessa bestialidade humana em profusão nos dias de hoje. É um filme para todos nós. Quem não tiver saco para assistir em episódios (hoje só primeiro), achei no google o filme inteiro. Clique a seguir e assistam:https://www.youtube.com/watch?v=fhRJxeFfbYM

3.) OS EXPERIENTES E OS ATRAVESSADORES DO SAMBA
Eu não sou muito dado com a programação da TV Globo. Tenho me desligado o máximo possível e confesso, não tenho me arrependido. Até com o Caco Barcellos, que tanto admirei no passado hoje procuro manter distância. Do jornalismo, impossível levar algo a sério. Fujo e vou ler algo nessas horas. Credibilidade deles foi pras cucuias faz tempo. Mas ontem sentei e assisti um programa lá deles inteiro e sem soltar a respiração, extasiado. Foi o segundo episódio de uma minissérie, com cenas e atores mais velhos e histórias diferentes em cada episódio. Ontem falaram de samba e com atores velhos sambistas. Quando vi numa chamada o Wilson das Neves e o Germano Mathias (tem mais o Goulart de Andrade e o vozeirão do Zé Maria) gelei e disse comigo mesmo: Isso aí só pode ser coisa muito boa, pois esses não entram em barco furado. Estava deitado e lendo na cama quando Ana me alerta: “Vai começar”. O episódio chamava-se “Os Atravessadores do Samba”. Eis a sinopse: “Eles possuem mais de 40 anos de carreira, mas há quem diga que só agora eles estão no auge. A chegada de Celeste (Bibba Chuqui) agitou os 'Atravessadores do Samba' e trouxe mais agito aos velhos sambistas que já não tocavam como antes. No entanto, não foi só um número maior de público que a cantora conquistou... Sensual e talentosa, ela mexeu com os sambistas e provocou mudanças no grupo. Reveja o que aconteceu no segundo episódio de Os Experientes”. Vejam isso, pequenas cenas: http://gshow.globo.com/…/musica-e-sabedoria-reveja-as-emoco… A direção é do Fernando Meirelles e a ela me rendo, de queixo caído. Gostei demais. O primeiro episódio, semana passada, foi também muito bom e mostrou uma velhinha sendo assaltada quando diante de um terminal de banco, na entrda de uma agência bancária. Assistam inteiro aqui:https://www.youtube.com/watch?v=w9wQiG3OHP8. Quem conseguir ver pelo google o episódio 2, esse dos sambistas postem aqui para todos assistirem por inteiro, pois não consegui. É o que consegui assistir da tal TV Globo, uma fazendo 50 anos por esses dias. No mais, ando desligando o aparelho.

O PRIMEIRO A RIR DAS ÚLTIMAS (02)
DIA 24 E ALGO DO ADEMIR ELIAS E DA AUDREN VICTORIO – ELES ME TORTURAM COM O CARNÊ DO IPTU NA MÃO (E NA VOZ)
Meus amigos aprontam comigo. Dois deles e suas vozes (muito bonitas, por sinal) me instigam com algo me fazendo perder os últimos fios de cabelo no cocorutcho e também o sono. Por causa deles nem durmo mais direito. A voz deles não me sai mais da cabeça (e dos ouvidos). Ligo a rádio e lá estão os dois, ADEMIR ELIAS e AUDREN VICTORIO, com suas vozes a me lembrar de algo no próximo dia 24/04. Nesse dia vence a primeira parcela ou o pagamento à vista com desconto dos carnês do IPTU. Justo nesse mês onde o bicho pega por aqui e justo eles dois com suas vozes ficam me lembrando a todo instante, bastando ligar o rádio e ouvir a propaganda da Prefeitura Municipal. Ambos foram convidados a serem os mais novos garotos propagandas da cidade e estão incomodando esse (quase) inadimplente munícipe. Suas vozes são cheias de charme, convencimento e percebo eles com certo ar de galhofa para com esse desprovido amigo. Já penso em excomunga-los, pois estão me torturando. Tenho sonhado com eles me cobrando e não me deixando esquecer que o dia 24 está batendo na minha porta. Acho que vou pedir emprestado uma parte do dinheirinho que ganharam lá de cachê com a gravação para me auxiliarem no pagamento, afinal, preciso muito ajudar a Prefeitura a continuar com seus compromissos em dia. Posso contar com vocês dois ou vou ter que cruzar os pauzinhos pelo que fizeram comigo nesses dias? Afinal, amigo é pra essas coisas. Não posso olhar para os carnês em cima da mesa que já lembro dos dois e numa sonora risada. Que faço?

domingo, 14 de dezembro de 2014

UMA MÚSICA (116)


A MÚSICA BRASILEIRA É MEU DOM - VIVA JOÃO BIANO E O BATUQUE DO MONOBLOCO!

Difícil o lugar por onde ande e tendo algo onde possa colocar o bloco na rua e ir presenciar ao vivo e a cores algo dessa nossa maravilhosa MPB, tenha absoluta certeza, lá estarei. Em Natal RN, junto de Ana Bia Andrade por uma semana, ela num Congresso de Design e eu nas andanças e lambanças, cerquei desde que pisei os pés na cidade um show. A Prefeitura daquela cidade (que nem sei o partido, viu!) está patrocinando uma intensa festividade de Natal (olha a redundância) com shows de varios astros da MPB, todos gratuitos e num dos lugares mais nobres da cidade, a ARENA DAS DUNAS, o palco potiguar da Copa do Mundo. O pontapé inicial desses shows ocorreu na última sexta, 13/12 e quem lá esteve foi a Banda MONOBLOCO, capitaneada pelo Pedro Luís, o do grupo A Parede, excelente estudioso das entranhas do samba e do melhor de nossa música.

Queria estar e estive por vários motivos. Primeiro pela qualidade do Monobloco, um dos melhores grupos de percussão do país. Viajam país afora com 17 pessoas tocando tudo no palco e na ao todo são 23. Sabem lá o que é bancar algo com 23 pessoas viajando por aí? Poucos são os produtores que ainda fazem isso. Os que ainda bancam é por um único motivo, o grupo tem que ser realmente bom demais, pois os custos são sempre muito altos. O outro motivo está escancarado dentro de minhas predileções. Um dos cronners da banda é o bauruense JOÃO BIANO, um dos cantores que encantou lindamente Bauru e quando a cidade ficou pequena bateu asas e foi ser gauche na vida. Saiu com a desculpa de que estaria trabalhando no SESC e numa das unidades da cidade maravilhosa (hoje na do Flamengo), mas na verdade foi para cair de boca no estrelato. João Biano é uma estrela, canta demais da conta e às vésperas de lançar seu primeiro CD, conseguiu alto auspicioso. Sabe lá os senhores é que um caipira bauruense chegar assim na cidade encantada do Rio de Janeiro, transpirando musica por todos os poros e já de cara conseguir uma vaga no seleto grupo de músicos do Monobloco? Isso, com toda certeza não é pouca coisa.

Biano conseguiu e por única e exclusiva competência. Ali só tem cobra, gente criada no mundo da música, sambistas do maior quilate e referência. Cada um vindo de uma escola diferente. O Monobloco é uma espécie de universidade da percussão, uma reunião única e divinal de tudo o que existe de melhor no mundo do batuque. Pois esse dileto bauruense chega fresquinho no Rio e entra no grupo. Está lá, o mais novo integrante do grupo já completando dois anos de intensa participação. Nem o tratam como um novato, pois percebe-se o respeito de todos os demais. O fato é que o baita negão bauruense canta muito, tem um suingue só dele, uma mistura de um monte de gente boa, todos decisivos na sua formação. Biano é cria de sambistas inesquecíveis e imortais. Tem muito de Jamelão, Candeia, Cartola, Paulinho da Viola, João Nogueira, Tim Maia, Zé Ketti, Wilson das Neves, Martinho da Vila, Noel Rosa e tantos outros. É uma mistura de tudo isso e muito mais. Biano canta tudo isso sem ler a letra, canta porque sempre o fez, conhecedor de causa.

Queria muito ver esse show, até para rever o Biano não em Bauru, mas na estrada. Ana acabou não indo por causa das obrigações lá no Congresso e naquela noite fui com dois de seus alunos, a Laís Akemi Margadona e Thomas Honda. Foi uma oportunidade única. O Monobloco bateu demais, encantou a platéia, que lotava o gramado do estadádio, todo coberto com placas e boa parte do estádio. Tocaram vários clássicos de variados ritmos brasileiros. Teve até uma seleta seleção de funks. Mas é no samba que eles são mesmo do balacobaco. Acredito que ninguém saiu de lá triste ou falando algo depreciativo do show e do grupo ali no palco, Num momento virei para os dois ao meu lado e disse: "Eles fazem lá em cima uma bagunça muito maior do que a feita aqui embaixo". Sabe algo magnetizante? O Monobloco é magnetizante. Deles só eleogios, para tudo e todos. Estão atingindo as raias da perfeição.

Agora escrevo do nosso Biano. Voto a escrever, esse baita negão está demais da conta. Por onde passe está conseguindo angariar fãs devotos e gente maravilhada com seu trabalho. Todos os três intérpetes são bons, desde o chefão Pedro, mas Biano está se saindo melhor que a encomenda, superandpo expectativas e aquela pessoa generosa, carinhosa, atenciosa que todos que o conhecem sempre reconheceram e o elogiaram por causa disso tudo. Está integradíssimo com o grupo, suando à cântaros, afinal lá dois tipos de calor, o natural de uma cidade tropical e o da platéia, que o fez ensopar a camiseta do bloco. Era isso, mas teve mais. Depois no show, ao me ver ali embaixo, terminando me indicou para ir vê-lo num dos cantos já fora do palco. Fui e ele disse aos seguranças, "ele está comigo", deixando não só eu, como a Laís e o Thomas irmos todos conhecer as entranhas do estádio e os camarins do grupo. Fomos e recepcionados com mais calor humano. Sai de lá maravilhado por ter a oportunidade de rever João Biano num momento irradiando o que melhor sabe fazer, cantar e bem.

Anos atrás escrevi no meu blog que Biano estava pronto para ganhar o mundo e fazer um baita sucesso. Isso já ocorreu e daqui para frente ele só vai angariar sucesso em cima de sucesso. Estou maravilhado pelo crescimento desse artista, que tive a felicidade de ver em várias apresentações em Bauru. Quem não se lembra dele no Opinião, lá no TemploBar Bauru, junto da Denise Amaral, da Regina Mancebo, daAudren Ruth, do Norberto De Souza Motta, do Marco Belinasi tudo dirigido pelo competente Sivaldo Camargo? Ali ele cantou de tudo e j[á era grande, junto do Monte de Bossa e outros grupos. Hoje então, está tinindo. Uma das coisas que mais gosto é ir fazendo isso, escrevendo de quem gosto, ir observando o crescimento dos que fazem por merecer, dos batalhadores, desbravadores e gente da mais fina estirpe. Biano é tudo isso e muito mais, daí merecedor de todos os meus rasgados elogios. Deixo para encerrar esse texto uma seguestão para o Elson Reis, nosso Secretário Municipal da Cultura e para o prefeito Rodrigo Agostinho, que nesse ano trouxeram o Move Over, grupo bauruense que ganhou fama no país todo e para o próximo ano, que tal levar o Monobloco e tendo o Biano lá em cima do palco mostrando para a cidade toda que o seu talento está tomando conta do país? Fica a dica. De tudo, algo muito simples: Biano é merecedor de todos os elogios, pois é bom demais. E tenho dito.

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

OS QUE FAZEM FALTA e OS QUE SOBRARAM (64)


QUEM SERIAM OS CARVANISTAS DE BAURU - NÃO SE PREOCUPE, NADA VAI DAR CERTO!

Antes de desligar meu computador e dar uma espairecida, queria escrever uma coisinha. Senti muito a perda ontem do HUGO CARVANA. Toda vez que o vejo relembro de cara do seu filme, “Vai trabalhar vagabundo”, um épico dentro do cinema brasileiro. Impossível não ver nele figuras como Antonio Pedro, Paulo Betti, Maurício do Valle, Tonico Pereira, Wilson Grey (o ator que mais participou de filmes no Brasil nos anos 70 ao começo dos 90) e Paulo Cesar Pereio. Acho até que todos eles são meio que irmãos no meio cinematográfico. Carvana encarna algo de uma geração diferenciada, uma malemolência vivenciada nas ruas, boêmia explícita e declarada. Quando um cara assim vai embora eu adoeço assim do nada. Quando o via com seus problemas de saúde, ele e todos os dessa lista que ainda estão tentando sobreviver, acabo me colocando na mesma situação que eles, dores aqui e ali, causadas pelas intempéries todas de uma vida meio desregulada. Está faltando gente desregulada nesse mundo, gente vivendo marginalmente, não só os que fingem viver assim, mas os que vivem de fato, gostam disso e retratam isso nas suas ações. Carvana foi grande no que fez. Olho para Bauru hoje e vejo tão poucos com essa característica. Assim de bate pronto, tento lembrar alguns na Bauru de hoje: Silvio Selva, Paulo Neves, Sivaldo Camargo, Marcos Comunista Paulo, José Laranjeira, Emiliano... Quem mais mesmo? Ajudem a lembrar mais nomes de carvanistas juramentados por essas bandas..
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ESSE É O MEU SENADOR E ME REPRESENTA MUITO BEM. Imagina que teremos outro senador cantando BOB DYLAN tão bem e tão atuante. Fiquei sabendo que dentro do partido queriam que ele respondesse aos ataques de Serra e do Kassab, que usasse das mesmas armas agressivas contra os adversários e ele em nenhum momento aceitou. Preferiu manter a sua campanha dentro da maior lisura possível. Só com propostas. Como deixar de gostar de um sujeito assim? Trocá-lo por Serra é pura sacanagem depaulista quatrocentão e ressentido. VIVA SUPLICY!!!
https://www.youtube.com/watch?v=s6ZokrJyRwc&feature=youtu.be


O MEU MODO DE "CARVANALIZAR" MINHAS RELAÇÕES...
Escrevi um curto texto ontem antes de desligar essa máquina de fazer doido e ir ler um pouco antes de nanar. O resultado das eleições ainda estava entalado na garganta e escrevi sobre o que achava da morte do HUGO CARVANA. Quero continuar. Só mais um pouco. Sei que o Carvana enquanto pessoa humana pode ter deixado a desejar em alguns momentos. Mas quem é tão perfeito assim?, pergunto eu. Ninguém, respondo. Quero distância dos perfeitos, pois diante de um mundo cada vez mais nebuloso, votando cada vez mais tendo em vista dogmas e preconceitos, opção declarada e escancarada pelo lado mais conservador, privilegiando a propriedade privada e seus asseclas ao invés de uma vida livre, leve e solta, quero mais é “carvanalizar” minha vida. O que quis dizer com isso? Nem eu sei ao certo. Sei é que prefiro continuar andando pelas vicinais, fugindo dos pedágios, bebendo em botequins imundos, andando com gente suspeita, devendo na praça, fugindo dos credores, desdizendo dos poderosos de plantão, abominando as convenções, repudiando os clubes de serviço, protelando andar na linha, regateando com os donos da verdade, latindo para as vaquinhas de presépio, ironizando com o convencionalmente aceito pela maioria, digladiando com o stabelichiment e assim por diante.
A geração pela qual Carnava fez parte tinha um pouco disso (e todos estão morrendo) e me espelhei em muito do que fizeram para tocar meu barco. Entre erros e acertos, quem mais erra no frigir dos ovos é o merecedor dos meus efusivos aplausos. E mais, confesso: Estarei de pavio mais curto nessa baboseira que virá pela frente nesses dias de segundo turno. Veio com algo babão, repetitivo (insoso, inodoro e insípido), perderei logo a paciência, pois ela já ultrapassou os limites do tolerável. No mais eu até deixo passar a mão na minha bunda, mas desde que com muita licenciosidade e sem discursinho babo ovo. Acho que nem eu sei direito o que quis dizer com tudo isso, mas dito está e assim será publicado.

No avatar abaixo, a reprodução de uma antiga foto minha, dos meus 13 anos, mostrando a língua para o mundo, montagem feita pela também "carvanista" Tatiana Calmon: