quarta-feira, 6 de agosto de 2008

RETRATOS DE BAURU (32)

WELLINGTON LEITE, O MENINÃO RADIALISTA

O meninão Wellington Leite merece o lugar de destaque que ocupa hoje nas duas melhores rádios FMs de Bauru, a Unesp e a Veritas. Começou não faz muito tempo e se é maior de idade, deve ter completado dia desses. Provou logo cedo a que veio. É um pesquisador da música brasileira de qualidade. Não abre mão da qualidade musical , sendo esse o seu grande diferencial. Voz pausada, sonoridade agradável, soube conquistar uma posição invejável no cenário radiofônico da cidade. Prima pela simplicidade e um jeitão de bom moço, que logo conquista a todos. Faz muito bem feito um trabalho de garimpo musical, primeiro porque faz o que gosta. É a pessoa certa no lugar certo. De manhã sintonizo ele numa e à tarde noutra e, por causa disso, continuo sempre ligado nas novidades da MPB, que ele traz sempre em primeira mão para seus diletos ouvintes. Gente que enaltece e dignifica o microfone, pois se prepara para usá-lo adequadamente. E quem faz isso, e bem feito, merece todo respeito e consideração.
Em tempo: na última foto, vemos a "voz possante dos microfones" ao lado de sua linda mãe e do amigo, poeta Luis Vitor Martinello.

terça-feira, 5 de agosto de 2008

DIÁRIO DE CUBA (07)
UMA CARTA PARA A FOLHA DE SP E OS PRIMEIROS PASSOS NA ILHA
A ilha socialista continua sendo muito mal compreendida. Leio tudo o que me cai às mãos e existem fatos que não podem passar em branco. No Caderno Mais!, da Folha de SP leio algo, escrevendo para o jornal e ombudsman. A carta não foi publicada e a resposta, emitida pelo ouvinte dos leitores foi das mais técnicas: "Obrigado por seus comentários, que estou encaminhando aos editores e à jornalista para que os levem em consideração”.
Reproduzo aqui a carta enviada para o jornal no começo de agosto:“Na matéria de capa do Caderno Mais! (27/07), "Lorca em Cuba", Laura Capriglione, reflete algo a demonstrar uma nova postura no mundo atual, plugado na internet, ao indagar o entrevistado (havia lançado um livro sobre a passagem de Lorca na ilha) em Cuba, com um "como é possível hoje em dia escrever um livro sem a ajuda da internet?". Tudo o que é feito, parece que tem que ter necessariamente a internet como pano de fundo. Isso virou regra e quem foge disso é visto meio como um anormal. Ela pode se dar por satisfeita, pois quebrou a regra, somente tendo a oportunidade de ir entrevistar o escritor em Cuba, e não via internet, como a grande maioria faz hoje, por causa dessa "deficiência" (sic) cubana. Até entrevistas in loco hoje são feitas via internet. Laura quebrou a regra e voltou, dessa forma, a fazer jornalismo (pesquisa, leitura, contato...) como antigamente. Deve ter gostado muito, pois acho até que já devia ter perdido o hábito. E viva Cuba, que nos faz voltar a viver como nos velhos tempos".
Eu quando estive em Cuba sabia muito bem que encontraria um país completamente diferente de qualquer outro. Teria uma enorme decepção se ocorresse o contrário, tudo meio que parecido com o modo capitalista de realizar as coisas. O trato dado a mim quando da revista de minha mochila foi um belo prenúncio do respeito para com o semelhante, algo inimaginável, vindo de alguém aportando de um mundo acostumado com uma polícia que primeiro atira e depois pergunta. Veria muito mais e era exatamente isso o que queria por lá. Confrontar o que vivencio com uma nova possibilidade.Estávamos no primeiro dia, sábado, 08/03, tarde nublada, vento intermitente e forte na orla do Malecón. Fazemos o primeiro câmbio (400 euros dão 545 pesos) e isso duraria um bom tempo. Credenciamos vinte pesos na portaria do hotel para as ligações internacionais e descobrimos que, para nós, turistas o preço é muito maior do que para o cubano (nada mais justo). Controle total nesses gastos, esporádicos dali para frente. Vamos caminhar, aportamos na tão falada sorveteria Copelia (Darcy Rodrigues insistiu muito para que lá estivéssemos).

No meu diário está a seguinte anotação dessa saída: “Todos temos um primeira impressão do que vemos e se essa é a que fica, vamos a elas. Cuba é um país pobre. O hotel está numa região um tanto degradada, pelo menos a parte externa das edificações não apresentando bom estado. Imagino que por dentro tudo seja diferente (e era, constato depois). Vejo pelas ruas muitos jovens reunidos nas esquinas e imagino a dificuldade deles manterem o ímpeto revolucionário. Não abordei nenhum até agora, mas presenciei alguns deles, todos menores, passando garrafas de mão em mão. Vejo uma senhora pedindo esmola, uma só e alguns ambulantes, principalmente comercializando alimentos caseiros. Nos pés daqueles jovens, tênis importados. Esse o primeiro momento”. Descubro depois estar numa região de concentração da juventude mais influenciada pela propaganda externa, muitos restaurantes para estrangeiros. De cara, noto que a permissividade é total, não batendo com o que lia na imprensa brasileira, sobre proibições e perseguições. Vi e presenciei de tudo. Naquele local, a grande concentração de desgarrados, os que querem sobreviver às custas dos dólares dos estrangeiros e optaram por não mais trabalhar. Uma minoria, tudo consentido.

No meu diário está lá: “Na sorveteria Copelia não entendemos a forma de atendimento. Ela fica no meio da praça principal, muitas filas ao redor. Muita gente, todos esperando pacientemente a sua vez. Não conseguimos ser atendidos a contento. Uma fila não andava e numa outra, fomos ignorados. Acho até que furamos a fila. Vamos voltar e entender melhor. Jantamos um spaghetti defronte o hotel, com uma cerveja Cristal e umTukola (uma cerveja e refrigerante cubanos). Gastamos 6,75 pesos. Parei numa feira de artesanato. Acabei constrangido, pois não queria levar nada. Muitos nos abordam perguntando se fumamos. Não quero me decepcionar e sei que na região em que me encontro a concentração de problemas é muito maior do que no restante da cidade e do país. Tudo o que de ruim existe por lá está meio que concentrado no entorno dos hotéis. No hotel, não consigo“tajetas” para internet. “Não tem tarjeta, senhor. Amanhã”. Sigo duas quadras e vou até o Habana Libre, onde ouço: “Internet só amanhã”. Fico vislumbrado com o Cine Yara, cheio de gente em frente. Tiro fotos e fico a consultar a programação. Filmes do mundo todo passam ali, até dos EUA (bem diferente o Brasil, onde quase só passam dos EUA). Volto ao hotel às 21h30,pois amanhã, domingo, a programação começaria bem cedo”.

Continua...

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

PRECONCEITO CONTRA O SAPO BARBUDO (05)
Eles não desitirão nunca. Porém, o "sapo barbudo" é mesmo de amargar. Abro o jornal e lá está estampado: "Financial Times afirma que o Brasil está em vias de virar uma superpotência". Já estou vendo (ou lendo por tudo quanto é canto), colunas cheias, com textos tentando reverter ou diminuir o feito, com laudas e mais laudas, recheadas de afirmações disso ser proveniente de ações do Governo anterior e fruto de sorte. Se for pela sorte, que deixem o sapo por lá, pois vivemos quase 500 anos sob a batuta de Governos com pouquíssima sorte. Mas isso, nem pensar, batem na madeira (toc toc toc), é golpe e ameaça letal ao estado democrático. Já na vizinha Colômbia pode, pois Uribe está prestes a seguir por esse caminho e os mesmos que criticam aqui, aplaudem lá (hipocrisia pura). Deu para entender? São os mesmos que zoam com os defeitos físicos, cacoetes, pisadas na bola de Lula. Vejam essas que recebi e publico hoje: Parmalat, Slogam Copa 2014 e Cestinha e Cestão. Vale a pena incentivar isso? Critico Lula (e muito), mas não o faço dessa forma rasteira e preconceituosa. Pra começo de conversa, me parecem despeitados e um tanto desnorteados, pois fazem de tudo para que o sapo barbudo caia em desgraça, mas nada têm dado muito certo. A coisa não anda muito boa para os que criticam Lula. Falta-lhes sorte!

domingo, 3 de agosto de 2008

CENA BAURUENSE (1)
JAIR
Se já gostava de Jair Rodrigues, passo a gostar muito mais a partir desse fim de semana. Tive uma rara oportunidade de estar ao seu lado em alguns momentos, no belo show aqui em Bauru, na comemoração dos 112 anos de Bauru e pude conferir o seu jeito de ser. A mesma espontâneidade demonstrada nos shows ocorre nos bastidores. Pessoa simples, carismática e autêntica, de personalidade forte, sincero e atento. Te ouve e fica a conversar, sem grandes cerimônias, quando o tema lhe é interessante. Quando badalado, não menospreza ninguém, mas sabe muito bem dividir o gesto sincero do fugaz. No show, algumas atitudes de rara vivacidade. Na primeira, abandona o palco e adentra o meio da multidão (mais de 10 mil pessoas) e só recebe carinhos (ele sabe o que faz); na segunda , convida ao palco um casal para dançar com ele no palco. A moça dá, literalmente um show, de ginga, requebro e molejo, além da simpatia ("simpatia é quase amor", me diz Aldir Blanc). Ali uma demonstração de que a interação placo e platéia é mais do que necessária. Teve mais. Usou, num certo momento, a linguagem da rapaziada e afirmou ser um dos precursores do rap nacional, com o "deixa isso pra lá, vem pra cá, eu não estou fazendo nada..." (e não é a mais pura verdade?). Para gostar mais, só mesmo ouvindo as letras do seu último CD, "Jair Rodrigues em Branco e Preto" (com a participação do Quinteto em Branco e Preto), num lindo trabalho da Trama Musical, mostrando a sensibilidade de um repertório voltado para o lado social, com lindos sambas, como "Como um ladrão", "Migração", "Caridade" e "Quem falou?", além de outros (destaco um samba lindo ao lado de Germano Mathias). Se já era fã, me tornei entusiasta. A festa no Vitória Régia foi um presentão para Bauru, sem nenhum senão. Só elogios. O show do Jair vale mais do que toda a programação da Expo 2008 e o acerto maior foi procurar atender a todos os gostos musicais e não um só. Foram maravilhosos os shows de rock do Turco, o samba do Grupo Elite, o pop do Mister Up, o sertanejo do Manos Country, o choro do Noz Moscada, culminando com a diversidade do Jair (cantamos todas, pois sabíamos todas). Sai de lá em estado de graça.

sábado, 2 de agosto de 2008

UMA CHARGE ESCOLHIDA A DEDO (7)

NICOLIELO, DE NOVA EUROPA, DEPOIS BAURU, PARA O MUNDO
Meu dileto amigo Nicolielo continua tendo suas charges publicadas aqui em Bauru no Jornal da Cidade, com a sagacidade que lhe é peculiar. Possuidor de um traço "inimitável", que reconheço só de bater os olhos, fazia tempo que queria voltar a falar dele por aqui (publiquei um Memória Oral, quando ocorreu uma exposição sua aqui em Bauru). A oportunidade é essa, pois ele volta a ter expor suas telas, dessa vez no Novotel Jaraguá, em São Paulo, com a "A arte do esporte", todas com temas esportivos, numa homenagem às Olímpiadas que começa dia desses.

Para ver o Convite em tamanho maior, basta clicar em cima dele e verá mais detalhes. Já para saber mais da vida e obra desse artista do interior, nascido lá em Nova Europa e tendo começados sua carreira de sucesso por aqui, clique no seu site: http://www.nicolielo.art.br/

Quando idealizei escrever algumas linhas sobre essa minha admiração pela arte das charges é por conhecê-los, quase a todos, só de bater os olhos nos traços. Hoje, além de publicar uma do Nico (como os amigos o chamam), quis divulgar algo marcante sobre mais uma expô com seu nome. Podíamos até pensar em trazer também essa para cá. Que acham? Na verdade, precisamos encontrar motivos para trazê-lo de volta para Bauru, mesmo que seja de vez em quando, pois teríamos a oportunidade de voltar a provar a cachaça Nicolielo, de revê-lo, de ver suas obras novas e conversar, que é coisa que ele faz gostosamente.

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

MEMÓRIA ORAL (43)
Esse texto é inédito aqui no blog, mas saiu publicado na revista Carta Capital, há exatos um ano, num pedido do amigo Mino Carta, para que enviasse algo sobre o famoso sanduíche, a certificação anunciada em nível nacional e a festa na cidade. Produzi isso aí. O texto foi reproduzido em vários lugares e num deles, no site do Vivendo Bauru, Renato Cardoso, seu idealizador, mantém ele até hoje, numa janela sobre o sanduíche. Lá, ele me cita como jornalista da Carta Capital, o que não é verdade (se Mino ler aquilo, me puxa a orelha). Sou leitor da revista e amigo de Mino, desde sua vinda aqui para uma palestra. Hoje, o texto sai aqui, para comemorar os 112 anos de Bauru:

BAURU DOCG* (*Denominação de origem controlada e garantida)
A história do famoso sanduíche, que leva o nome da cidade de Bauru é mais ou menos do conhecimento de todos. Sua comercialização está difundida pelos mais diferentes pontos comerciais, Brasil afora. Cardápios de restaurantes e letreiros internos de bares, por tudo quanto é canto oferecem o sanduíche. São tantas as mudanças que poucos conhecem como se faz o bauru original. Os puristas afirmam que o prato deve ser preparado com pão francês sem miolo, queijo derretido em banho-maria, rodelas de tomate, fatias de rosbife e de pepino em conserva.

O bauru foi criado na lanchonete do Ponto Chic, fundada em 1922. Em pouco tempo, a receita espalhou-se pelo Brasil e exterior. Hoje, o sanduíche pode ser apreciado em lanchonetes da Europa. A cidade homônima, envaidecida agradece, retribuindo à sua maneira tamanha benesse. Bauru, a cidade, a 350 quilômetros da capital paulista, berço do criador, Casemiro Pinto Neto, o reverencia anualmente numa festa de grande apelo popular, a Festa do Sanduíche Bauru. Ela ocorre simultaneamente com o aniversário da cidade, em 1º de Agosto, de 111 anos.

Uma grande tenda foi montada no parque Vitória Régia, o cartão-postal da cidade. Em dois dias, foram vendidos mais de 8000 lanches, elaborados a partir da receita original. Debaixo da lona, seis barracas, cada uma de uma instituição social, recebiam o lanche previamente preparado por uma cozinha piloto, Tudo "de acordo com os bons costumes do lugar". Um deleite, vendido por 5 reais. A festa teve o encerramento antecipado, pois o estoque de baurus se esgotou antes do previsto.
Quem ri de orelha a orelha é Helerson Balderramas, presidente do Comtur (Conselho Municipal de Turismo), que conseguiu tirar do papel uma antiga aspiração, acalentada há quatro anos: a de criar uma certificação para os estabelecimentos que revendem o bauru da receita original. "A idéia foi resgatar o modo de preparo e os ingredientes básicos, sempre respeitando o diferencial de cada estabelecimento. A certificação veio para preservar a identidade do sanduíche e sua tradição, credenciando os estabelecimentos que respeitem a forma correta de prepará-lo", afirma, orgulhoso, Balderramas.

A certificação foi sendo amadurecida nos últimos anos, até ganhar forma. E virou uma jogada de marketing não só para estimular a venda do sanduíche, mas para promover a cidade do interior paulista. Os cinco primeiros estabelecimentos a receberem a Certificação são as três lojas do Ponto Chic, em São Paulo e os bauruenses, Skinão Bar, que há 34 anos preserva a receita e Bar Aeroporto, há 14 anos no Aeroclube. "Tinha que estar por aqui, pois o Ponto Chic é a mais famosa cara do bauru, não dando para dissociar um do outro. Somos uma espécie de embaixada do bauru e de Bauru em São Paulo. Volto sempre que me convidam e nesse ano trouxe um presente para o museu e a cidade, uma placa contando nossa trajetória", conta José Carlos Alves de Souza, o proprietário do lendário Ponto Chic.

Marquinhos Sanches, filho do Zé do Skinão, que garantiu a venda do original na cidade por décadas, estava radiante: "A certificação, para nós, que há mais de 30 anos servimos o verdadeiro bauru, só credencia mais o serviço". Também certificado, Fernando Improta, diz que o lanche é o carro-chefe no Bar Aeroporto: "Por lá passam muitos aviadores que se assustam, pois o bauru não é o misto-quente que eles comem em outras cidades". Todos passaram pela avaliação do Comtur e receberam o Selo de Autenticidade, cobiçado por muitos outros estabelecimentos. Um comerciante de Feira de Santana BA, saiu dizendo: "Vim pensando em conseguir uma espécie de franquia e vi que a coisa não girava por aí. Contagiei-me ainda mais". Todo o processo de certificação devenecessariamente ser iniciado pelo site http://www.sanduiche.baurusp.com.br/. Para obter o certificado, o solicitante enfrenta cinco etapas, inclusive a visita in loco de uma comissão avaliadora do sanduíche. O certificado é publicado no Diário Oficial.

Paralelo à certificação e à festa, o secretário municipal de Cultura, José Augusto Ribeiro Vinagre, acompanha, com muita atenção, outra documentação, a enviada ao IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), com o pedido de reconhecimento como bem imaterial e patrimônio cultural do país. "Inicialmente pedimos o registro, mas ele não é patente de origem. O que importa são os rituais valorizados e, se possível preservados. É isso que buscamos preservar", afirmaVinagre.
Também de olho na difusão da marca e na atração de turistas para o município, o supermercadista Jad Zogheib tornou-se um dos idealizadores do Projeto Bauruzinho, que revende camisetas e bonés, com renda revertida para entidades assistenciais. Zogheib circula pela festa a planejar novos saltos. "Criamos um personagem, o Bauruzinho, de grande poder de convencimento. A marca lembra a cidade e essa fusão é benéfica para todos. Os dois Baurus são ótimos filões", explica o comerciante.

No documento recebido do IPHAN, assinado por Ciane Feitosa Soares consta que "tal como o cachorro-quente, de origem alemã, o hambúrguer, criação americana, situa-se o bauru. E em oposição aos sanduíches e refrigerantes americanos, o bauru é muitas vezes associado ao guaraná, no sentido da valorização dos produtos nacionais. É uma expressão do multiculturalismo nas megacidades".
Durante a festa, o músico Bitenka entoava "Parabéns, meu Bauru/ És grande cidade/ Parabéns, meu bauru/Confiabilidade", misturando os dois Baurus, em algo já feito lá atrás por Cazuza e João Rebouças, na música Garota de Bauru, quando dizia que "A garota de Bauru/ Não é um sanduíche/ A garota de Bauru/ Não é um personagem triste". Não escapou a lembrança de um deputado carioca, a conclamar tempos atrás: "Valorizemos nossos produtos nacionais.Vamos comer a broa de milho, o bauru, o pão de queijo...". O bauru agora é grife.
UM COMENTÁRIO QUALQUER (17)
Hoje, 01/Agosto, Bauru completa 112 anos, feriado municipal em plena sexta-feira. Folheio os dois jornais locais, ouço as rádios e espio a TV. Em todos, muito de Bauru. Aliás, por todos os poros. Que ótimo, mas o melhor disso tudo (para mim, viu!), o que mais me tocou foi uma poesia publicada no JC, domingo passado e seu autor, um velho conhecido, Lázaro Carneiro. É essa Bauru que faz minha cabeça. Com a permissão do autor, reproduzo aqui a poesia:


MINHA CIDADE
Produzi muito pouco ao longo de minha existência
Só para a sobrevivência,
quase nada acumulei
O pouco que construí deixarei quando eu partir
ao filho que tanto amei
Nesta cidade tão linda
deixarei em cada esquina um pouco de minha vida
Deixo rastros nas calçadas
nas casas assobradadas
minhas mãos estão tangidas
Em cada palmo de rua, cada edifício erigido
estou deixando imprimido
as marcas de um lutador,
deixo também ao meu filho
nas avenidas iluminadas alem de minhas pegadas,
gotas do meu suor,
canos e tubos escondidos
fios e cabos estendidos
fiz tudo com muito amor.
Deixo bem localizadas,
escolas conceituadas para ensinar a juventude
Trabalhei de forma incansável
não atingi o desejável apenas fiz o que pude
Para deixá-la mais bela
plantei flores nas vielas, arborizei ruas e praças
Que perfumam nossas vidas
tem sombra fresca que abriga o bauruense que passa
Como uma estrada longa e esguia
os trilhos das ferrovias
trouxeram estórias e sonhos
Pois deixo em cada dormente
meu passado e meu presente
e seu futuro risonho
Deixo ponte sobre os rios
viadutos e desvios para encurtar seu caminho
Alem de muita esperança
deixo saudade e lembrança pra nunca se sentir sozinho
Pois talvez nas madrugadas
ao voltar de uma balada pelas ruas sem ninguém
Si ouvir uma gargalhada
ou outra coisa inesperada meu filho lembre-se de mim
Pois sou eu já na eternidade admirando a cidade
Que ajudei a construir . ...