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segunda-feira, 28 de agosto de 2017

MUSICA (151)


NA MINHA VITROLINHA ROLA WILSON DAS NEVES, ALTAY VELOSO, PAULO CESAR FEITAL E CHICO BUARQUE

1.) WILSON DAS NEVES BATEU ASAS E VOOU

Por tres vezes esteve em Bauru e em todas lá estive, aplaudindo e prestando homenagens a esse imenso mestre de nossa música, baterista de Chico Buarque e de toda uma geração que sabe o que é boa música. Hoje se foi e num texto do professor carioca, Luiz Antonio Simas, algo que neste momento não conseguiria escrever com tamanha sapiência: "Seu Wilson das Neves, que cantou pra subir ontem, era awofakan (mandava sempre um "boru boya" inacreditavelmente malandreado quando nos encontrávamos) e se cuidava. Não há, portanto, nenhuma chance de ter ido fora do combinado. Neste sentido, a música fica, está tudo rigorosamente tranquilo e certamente serão feitos os procedimentos necessários para a grande aventura do mestre - o retorno espetacular e silencioso - aquela que começa exatamente agora para quem tem a mão de Orunmilá, como ele. Suponho que Seu Wilson já não escute mais os nossos recados, mas vislumbre, nesta altura, a imensidão da volta ao mistério. Deve ser do cacete! Ô, sorte! No mais, é cantar e tomar aquela cerveja gelada com serenidade e alegria. Bom dia".

Aqui algumas fotos dos momentos passados por ele aqui em Bauru, para mim, eternamente inesquecíveis. Rola hoje e sempre na minha cansada vitrolinha. Cliquem a seguir para ler o que já escrevinhei dele: http://mafuadohpa.blogspot.com.br/search?q=Wilson+das+neves

2.) “COLHER O SAL DA LIBERDADE, HÁ TEMPO AINDA: DESOBEDECER PRA PACIFICAR” - CARNAVAL 2018
O samba de Altay Veloso e Paulo Cesar Feital para a Mocidade Independente de Padre Miguel, Carnaval de 2018 é desses que vem pra ficar para todo o sempre, marcando época, um assombro, letra com algo que pega a gente do começo ao fim. Fiquei extasiado quando ouvi e faço questão que ouçam e vejam se existe alguma possibilidade de não gostar dessa maravilha. Essa vai se juntar, com toda certeza, aquelas inesquecíveis, para toda vida. Boto aqui na minha vitrolinha para iniciar e me dar ânimo para os trabalhos escrevinhativos do dia. Gamei de paixão e canto a todo instante, mesmo sem ser Mocidade lá no Rio. Impossível ficar indiferente. Numa frase bem colocada, ressaltada no título desse texto, sobre essa necessária resistência a esses cruéis e insanos tempos neoliberais, algo que acredito, poucos sambistas possuem a sapiência de fazê-lo com a devida maestria. Viva efusivo para Altay e Feital!
https://www.youtube.com/watch?v=e_4FUyNsCJE

E por que não um Carnaval libertador?

3.) ESCREVENDO O DIA INTEIRO E OUVINDO CHICO PELAS ONDAS DO COMPUTADOR - "AS CARAVANAS", DE UM CD SAINDO DO FORNO

AH, SE TODOS QUE CANTAM CHICO SACASSEM O QUE ESTÁ A CLAMAR!

https://www.youtube.com/watch?v=6TtjniGQqAc&app=desktop
Chico é Chico, continua sendo Chico e será sempre esse instigante e provocante Chico. Tô com ele e não abro. Ah, se todos fossem iguais ao Chico! Conheço muitos cantantes de hoje, que cantam maravilhosamente bem Chico, mas desdizem o que diz as letras das músicas que saem de suas bocas. Como fico triste vendo gente cantando como poucos, lindas vozes, mas sem conseguir interpretar e jogar para a realidade o que cantam. Cantam uma coisa e pensam outra, fazem outra, estão em outra, pioraram e se perderam nas influências de uma mídia massiva cruel que os conduziram para descaminhos neste bestial mundo neoliberal. Prefiro continuar ouvindo e seguindo junto do que pensa, faz e age o Chico. Sei estar no caminho mais certo da coisa. Toco o barco em frente...


OBS.: Todas as fotos são deste HPA e ilustram tudo, inclusive as duas outras citações musicais. Tristeza quando alguém do quilate do seu Wilson se vai...

quarta-feira, 25 de julho de 2012

DICAS (96)
UM POUCO DO QUE VAI PELA MINHA CABEÇA
PRA NÃO DIZER QUE DEIXEI DE FALAR DE ELEIÇÕES:
Virei um contestador dessas eleições, pois não vejo ninguém protestando contra o que acredito seja o grande culpado de todos os nossos males:  o REGIME POLÍTICO VIGENTE. Esse capitalismo está cada vez mais cruel, insano e predador, mas todos estão loucos para estarem inseridos nele, de cabo a rabo, de rabo a cabo. A chacota é o que me move, como a que vi o amigo Wander Florêncio distribuindo ontem via facebook, um santinho com a carinha dos três candidatos “farinhas do mesmo saco”, todos com a carinha do MUSSUM. Depois, pelos jornais de hoje, que também deram destaque para o fato, fico sabendo que não foi ele o criador. O quem concordo é que desses três, votaria no Mussum, o original. E foram entrevistar os três e eles todos, provando aquilo que disse, que são mesmo oriundos do "mesmo saco”, disseram a mesma coisa: “Que coisinha linda! Adorei!”.
CADÊ VOCES, QUINTAL DO BRÁS? Deixei hoje no facebook o seguinte recado para o grupo musical: “Amigos do Facebook – Cadê o povo do QUINTAL DO BRAS que todo ano se apresentam na festa de Aniversário da Cidade lá no Vitória Régia. O pessoal da Secretaria Municipal de Cultura, a Cássia e o Chico estão à procura de vocês, pois já ficou como algo oficial tê-los na festa, num espaço reservado para o Samba de Raiz. Não estão encontrando ninguém do grupo para definir se vão ou não encantarem o lugar esse ano. Façam contato pelos fones 32124861 ou 32351088. Esse samba é da melhor qualidade e não pode ficar de fora da parte popular do evento. HPA”.
OLHA A MADÊ NAS PARADAS: “A Cia. de Artes "Celeiro da Arte" estará promovendo nessa próxima sexta feira, 27/07, das 15 às 17 h, na Oficina Cultural "Glauco Pinto de Moraes" um encontro com Madê Corrêa (diretora geral e dramaturga) e Emerson Pollice (Expressão Vocal e Corporal) para a seleção de novos atores e atrizes para um novo musical infantil. Trata-se do espetáculo “EM CADA CANTO EU CONTO UM CONTO" de Madê Corrêa, com sua direção e trabalho de expressão corporal e vocal de Emerson Pollice. Requisitos básicos: ator ou atriz com idade acima de 18 anos, sem restrição de idade, preferência a quem tenha DRT (provisório ou definitivo) que tenha conhecimentos básicos de encenação, improvisação, técnicas de expressão corporal e vocal (saiba dançar o básico e cantar pelo menos Ciranda, Cirandinha...) e técnicas em manipulação de bonecos. Estaremos na Oficina Cultural esperando a todos na sexta feira, dia 27, mas antes gostaríamos que confirmassem presença pelos fones:(14) 8168-5603 ( Madê Corrêa) e (14) 8181- 0184 (Emerson Pollice)”.
E CONTINUANDO VIAJANDO COM WILSON DAS NEVES: O show do último domingo no SESC, 11h30 (que fui com meu pai e lá vi a amiga Audren Victorio com sua mãe) com o baterista WILSON DAS NEVES foi um salutar encontro com muitos músicos de Bauru e região, como o baterista Ralinho, um dos nossos maiores instrumentistas de “baquetas na mãos”. Encantamento que, felizmente, só o SESC ainda nos proporciona. Não me canso de dizer isso. Wilson trouxe junto um amigo compositor, CLÁUDIO JORGE, um que queria muito ter presenciado num show só dele, como suas lindas canções. Tenho dois CDs dele, os “Coisa de Chefe” e “Amigo de Fé”. Do Wilson tinha o “Som Sagrado de Wilson das Neves” e comprei o “Pra Gente Fazer Mais um Samba”. Gravo esses dois últimos para o Ralinho, pois Wilson trouxe somente cinco CDs para vender e eles voaram como o vento no deserto. Deixo mais uma amostra de um som que não envelhece de jeito nenhum, mesmo Wilson tendo completado seus 76 anos. Confiram e me digam se não tenho razão:

domingo, 2 de dezembro de 2012

DROPS – HISTÓRIAS REALMENTE ACONTECIDAS (80)

NEVES E NINO: REENCONTRO QUASE 40 ANOS DEPOIS
Esses dois são da pá virada e desses a mover o moinho sem o auxílio do vento. Fazem e acontecem. Wilson das Neves é baterista, tem 76 anos de idade e quase o mesmo tempo de estrada. Tocou com tudo quanto é cobrão da MPB e um dos que não grava sem ele, figura essêncial em seus discos e shows é Chico Buarque. Uma das baquetas que mais está sintonizada com a batida do samba carioca. De uns tempos para cá, além de bater resolveu cantar e hoje se diz contente com a nova função, a de "canário". Veio para Bauru durante a Virada Cultural e voltou quarta passada compondo a Orquestra Imperial, uma amalucada reunião de músicos, gente que toca com os monstros sagrados da MPB quando em dias de descanso, s[o que não descansam e saem para tocar juntos num agrupamento de quase 20 músicos.
 
Sabendo que Wilson passaria por aqui e passando por Jaú semana passada estive na casa de outro baterista, o Nino, esse com 60 e poucos anos, professor de redação, expert em grego e uma das baquetas mais significativas desse país. Tocou com monstros sagrados, pertenceu ao agrupamento de Dick Farney e chegou a se apresentar para nada menos que Dizzie Gillespie. Teve a carreira interrompida e veio morar em Jaú, de onde não mais saiu, constituiu família e hoje dá aulas de redação, pratica sua capoeira e tem um estúdio divinal nos fundos de sua casa, onde bate forte e doído. Meses atrás perguntaram para o baterista Luiz Chaves, do Zimbo Trio em quem se espelhava e ele de bate pronto: “No Nino”. Toda vez que passo por Jaú perco a linha e o carretel, pois de pasta na mão resolvo dar uma passadinha para cumprimentar o Nino e ele me arrasta para seu estúdio e de lá perco a noção do tempo. Ele começa a bater na bateria nova, importada e sai cada coisa que endoideço, esqueço do trabalho. Faço o convite para ir rever Wilson das Neves.

Pois os dois, que não se viam há quase quarenta anos acabaram por se reencontrar no SESC ao final do Show da Imperial. Wilson foi de uma simpatia com todos, percebendo uma movimentação de gente à sua espera veio ao encontro de todos e foi rodeado pelos músicos locais. Dentre eles Nino e o bate papo ao pé do ouvido, algo intimista, lembranças de tempos vindouros e algo pinçado ao léu, Wilson cedeu sua bateria para Nino tocar num show com Elis Regina, deácadas atrás. Os dois se abraçaram e papearam por longos minutos.

De uma noite com muito calor, do encontro o que mais se sobressaia era as camisas de ambos, suadas e coladas ao corpo. Ambos, de uma geração meia que perdida para nós, calças sociais e camisas de manga longa, mesmo no inebriante calor e algo mais em comum,  dois monstros sagrados das baquetas. Ter a possibilidade de poder registrar o reencontro foi algo que guardarei comigo como de grande felicidade por ter sido agraciado e conhecer pessoas com dons além do natural, que os diferenciam e os tornam pessoas além da conta. O som de Wilson eu curto pela internet, nos poucos shows e pelos seus CDs, já Nino, privo de sua amizade e encho seus picuás toda vez que passo por Jaú. São o suprassumo de tudo o que gosto em matéria de boa música. Pelas fotos dá para sentir como foi o show e o reencontro.

PERGUNTA DE FINAL DE DOMINGO: Ontem, 01/12 o Oeste de Itápolis, time de uma modesta cidade, 30 mil habitantes, distantes 100 km de Bauru ganhou em casa o título de campeão da série C do Brasileirão, em feito inédito, ganhou o direito de disputar a série B ano que vem e comprovando algo a se repetir por anos e anos: o profissionalismo com que os dirigentes do Oeste tocam o futebol. Como seria isso? O que fazem de diferente? Qual o segredo? Devemos todos perguntar isso e muito mais para o dirigente, o bauruense Mauro Guerra, manager do Oeste: Onde é que você acerta, que todos os outros erram? Tem receita esse negócio?

sábado, 1 de dezembro de 2012

UMA MÚSICA (93)

A PRAÇA TAHRIR - O ‘DIA EM QUE O MORRO DESCER’ E UMA LIÇÃO NUNCA TIRADA, AMBAS LEMBRADAS EM DOIS SHOWS
Dois maravilhosos e inesquecíveis shows ocorreram em Bauru nessa semana, ambos no mesmo lugar, palco do SESC. Ambos tendo como epicento dois senhores de certa idade, quarta, com a Orquestra Imperial e o foco em WILSON DAS NEVES e ontem, sexta, com a Família SERGIO RICARDO. No primeiro caso, 76 anos e no segundo 80 anos, esses os protagonistas. Algo mais vi em comum entre ambos, cantam sobre as agruras desse povo varonil e não se curvam e nem se intimidam em acertar o alvo sobre o ontem, hoje e amanhã. Essa a parte mais saborosa do show, além é claro da possibilidade de vê-los e constatar estarem antenadíssimos com seus pais.

Relembro duas músicas deles, como exemplo do que escrevo. Wilson das Neves é um baterista como poucos e agora também “canário”, pois resolvendo cantar, além de compor, produz algo de incomensurável valor. Dentre seus muitos sambas a rolar na minha vitrolinha, ressalto o “O DIA EM QUE MORRO DESCER E NÃO FOR CARNAVAL” (dele  e de Paulo Cesar Pinheiro). Sintam a força da letra: “O dia em que o morro descer e não for carnaval / ninguém vai ficar pra assistir o desfile final / na entrada rajada de fogos pra quem nunca viu / vai ser de escopeta, metralha, granada e fuzil / (é a guerra civil) ./  No dia em que o morro descer e não for carnaval / não vai nem dar tempo de ter o ensaio geral / e cada uma ala da escola será uma quadrilha / a evolução já vai ser de guerrilha / e a alegoria um tremendo arsenal / o tema do enredo vai ser a cidade partida / no dia em que o couro comer na avenida / se o morro descer e não for carnaval ./ O povo virá de cortiço, alagado e favela / mostrando a miséria sobre a passarela / sem a fantasia que sai no jornal / vai ser uma única escola, uma só bateria / quem vai ser jurado? Ninguém gostaria / que desfile assim não vai ter nada igual ./ Não tem órgão oficial, nem governo, nem Liga / nem autoridade que compre essa briga / ninguém sabe a força desse pessoal / melhor é o Poder devolver à esse povo a alegria / senão todo mundo vai sambar no dia / em que o morro descer e não for carnaval”. Vejam ela cantada clicando a seguir: http://www.youtube.com/watch?v=mr0ZUETRnJk

Depois de entender o que Wilson profetiza, vou assistir a outro ícone, o Sergião, com letras de muita resistência e vê-lo ao lado dos filhos, cantando e encantando foi para endoidecer gente sã. Quase no final do show, ele mesmo diz que a música que mais o marcou (até mais do que o fato de ter quebrado certa vez um violão no palco) foi a feita para trilha do filme de Glauber Rocha, a “DEUS E O DIABO NA TERRA DOS SOL” (dele e do Glauber). Muitos já a devem conhecer (e se ainda não a conhecem, sempre é tempo) e destaco da saga do matador de cangaceiro, o seu fim, com uma frase das que me fazem pensar e repensar muito dos procedimentos desse país a cada vez que a escuto. É isso: "
Tá contada a minha estória/ Verdade e imaginação/ Espero que o sinhô/ Tenha tirado uma lição/ Que assim mal dividido/ Esse mundo anda errado/ Que a terra é do homem/ Num é de Deus nem do Diabo (bis)”. Vejam ela cantada a seguir: http://www.youtube.com/watch?v=ITdt15O3_dE
 Quer coisa mais linda que essa?

Os dois shows me fizeram pensar na mesma coisa, no que está ocorrendo hoje novamente lá no Egito, quando dessa vez, o presidente recém eleito, Mohamed Morsi, o substituto do ditador Mubarak, imita o deposto e coloca o país em risco de uma guerra civil, pois num decreto aumenta seus poderes e quer comandar o país com braço de ferro. Foi o bastante para o povo tomar novamente a Praça Tahrir e de lá não sair. Exigem o retorno à normalidade. Adoro ver esses momentos onde o povo em plena gravidez, enfrenta seus tiranos no tal do "descer o morro". Nas músicas lembradas, algo sobre o que pode acontecer quando o mesmo se repetir por aqui e depois algo como uma lição, que por mais que seja enunciada, não existe meio dessa elite aprender, pois insiste em continuar pregando e exercendo a desigualdade como forma de agir. Por enquanto fiquemos somente nas músicas, que cantarolo ouvindo em CDs aqui no meu mafuá. Aguardo o algo mais...

domingo, 14 de dezembro de 2014

UMA MÚSICA (116)


A MÚSICA BRASILEIRA É MEU DOM - VIVA JOÃO BIANO E O BATUQUE DO MONOBLOCO!

Difícil o lugar por onde ande e tendo algo onde possa colocar o bloco na rua e ir presenciar ao vivo e a cores algo dessa nossa maravilhosa MPB, tenha absoluta certeza, lá estarei. Em Natal RN, junto de Ana Bia Andrade por uma semana, ela num Congresso de Design e eu nas andanças e lambanças, cerquei desde que pisei os pés na cidade um show. A Prefeitura daquela cidade (que nem sei o partido, viu!) está patrocinando uma intensa festividade de Natal (olha a redundância) com shows de varios astros da MPB, todos gratuitos e num dos lugares mais nobres da cidade, a ARENA DAS DUNAS, o palco potiguar da Copa do Mundo. O pontapé inicial desses shows ocorreu na última sexta, 13/12 e quem lá esteve foi a Banda MONOBLOCO, capitaneada pelo Pedro Luís, o do grupo A Parede, excelente estudioso das entranhas do samba e do melhor de nossa música.

Queria estar e estive por vários motivos. Primeiro pela qualidade do Monobloco, um dos melhores grupos de percussão do país. Viajam país afora com 17 pessoas tocando tudo no palco e na ao todo são 23. Sabem lá o que é bancar algo com 23 pessoas viajando por aí? Poucos são os produtores que ainda fazem isso. Os que ainda bancam é por um único motivo, o grupo tem que ser realmente bom demais, pois os custos são sempre muito altos. O outro motivo está escancarado dentro de minhas predileções. Um dos cronners da banda é o bauruense JOÃO BIANO, um dos cantores que encantou lindamente Bauru e quando a cidade ficou pequena bateu asas e foi ser gauche na vida. Saiu com a desculpa de que estaria trabalhando no SESC e numa das unidades da cidade maravilhosa (hoje na do Flamengo), mas na verdade foi para cair de boca no estrelato. João Biano é uma estrela, canta demais da conta e às vésperas de lançar seu primeiro CD, conseguiu alto auspicioso. Sabe lá os senhores é que um caipira bauruense chegar assim na cidade encantada do Rio de Janeiro, transpirando musica por todos os poros e já de cara conseguir uma vaga no seleto grupo de músicos do Monobloco? Isso, com toda certeza não é pouca coisa.

Biano conseguiu e por única e exclusiva competência. Ali só tem cobra, gente criada no mundo da música, sambistas do maior quilate e referência. Cada um vindo de uma escola diferente. O Monobloco é uma espécie de universidade da percussão, uma reunião única e divinal de tudo o que existe de melhor no mundo do batuque. Pois esse dileto bauruense chega fresquinho no Rio e entra no grupo. Está lá, o mais novo integrante do grupo já completando dois anos de intensa participação. Nem o tratam como um novato, pois percebe-se o respeito de todos os demais. O fato é que o baita negão bauruense canta muito, tem um suingue só dele, uma mistura de um monte de gente boa, todos decisivos na sua formação. Biano é cria de sambistas inesquecíveis e imortais. Tem muito de Jamelão, Candeia, Cartola, Paulinho da Viola, João Nogueira, Tim Maia, Zé Ketti, Wilson das Neves, Martinho da Vila, Noel Rosa e tantos outros. É uma mistura de tudo isso e muito mais. Biano canta tudo isso sem ler a letra, canta porque sempre o fez, conhecedor de causa.

Queria muito ver esse show, até para rever o Biano não em Bauru, mas na estrada. Ana acabou não indo por causa das obrigações lá no Congresso e naquela noite fui com dois de seus alunos, a Laís Akemi Margadona e Thomas Honda. Foi uma oportunidade única. O Monobloco bateu demais, encantou a platéia, que lotava o gramado do estadádio, todo coberto com placas e boa parte do estádio. Tocaram vários clássicos de variados ritmos brasileiros. Teve até uma seleta seleção de funks. Mas é no samba que eles são mesmo do balacobaco. Acredito que ninguém saiu de lá triste ou falando algo depreciativo do show e do grupo ali no palco, Num momento virei para os dois ao meu lado e disse: "Eles fazem lá em cima uma bagunça muito maior do que a feita aqui embaixo". Sabe algo magnetizante? O Monobloco é magnetizante. Deles só eleogios, para tudo e todos. Estão atingindo as raias da perfeição.

Agora escrevo do nosso Biano. Voto a escrever, esse baita negão está demais da conta. Por onde passe está conseguindo angariar fãs devotos e gente maravilhada com seu trabalho. Todos os três intérpetes são bons, desde o chefão Pedro, mas Biano está se saindo melhor que a encomenda, superandpo expectativas e aquela pessoa generosa, carinhosa, atenciosa que todos que o conhecem sempre reconheceram e o elogiaram por causa disso tudo. Está integradíssimo com o grupo, suando à cântaros, afinal lá dois tipos de calor, o natural de uma cidade tropical e o da platéia, que o fez ensopar a camiseta do bloco. Era isso, mas teve mais. Depois no show, ao me ver ali embaixo, terminando me indicou para ir vê-lo num dos cantos já fora do palco. Fui e ele disse aos seguranças, "ele está comigo", deixando não só eu, como a Laís e o Thomas irmos todos conhecer as entranhas do estádio e os camarins do grupo. Fomos e recepcionados com mais calor humano. Sai de lá maravilhado por ter a oportunidade de rever João Biano num momento irradiando o que melhor sabe fazer, cantar e bem.

Anos atrás escrevi no meu blog que Biano estava pronto para ganhar o mundo e fazer um baita sucesso. Isso já ocorreu e daqui para frente ele só vai angariar sucesso em cima de sucesso. Estou maravilhado pelo crescimento desse artista, que tive a felicidade de ver em várias apresentações em Bauru. Quem não se lembra dele no Opinião, lá no TemploBar Bauru, junto da Denise Amaral, da Regina Mancebo, daAudren Ruth, do Norberto De Souza Motta, do Marco Belinasi tudo dirigido pelo competente Sivaldo Camargo? Ali ele cantou de tudo e j[á era grande, junto do Monte de Bossa e outros grupos. Hoje então, está tinindo. Uma das coisas que mais gosto é ir fazendo isso, escrevendo de quem gosto, ir observando o crescimento dos que fazem por merecer, dos batalhadores, desbravadores e gente da mais fina estirpe. Biano é tudo isso e muito mais, daí merecedor de todos os meus rasgados elogios. Deixo para encerrar esse texto uma seguestão para o Elson Reis, nosso Secretário Municipal da Cultura e para o prefeito Rodrigo Agostinho, que nesse ano trouxeram o Move Over, grupo bauruense que ganhou fama no país todo e para o próximo ano, que tal levar o Monobloco e tendo o Biano lá em cima do palco mostrando para a cidade toda que o seu talento está tomando conta do país? Fica a dica. De tudo, algo muito simples: Biano é merecedor de todos os elogios, pois é bom demais. E tenho dito.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

MEMÓRIA ORAL (108)

MÚSICA BRASILEIRA PARA PORTENHOS
Algo estranho no ar, no dial de uma rádio da capital portenha. Em Buenos Aires, a FM Urquiza (http://www.fmurquiza.com/ ) mantém há exatos 20 anos, comemorados em 06/08/2011, um programa idealizado por um apaixonado pela música latina, em especial a brasileira. Seu nome, José Luis Ajzenmesser, 63 anos e a irradiar todas as terças e sextas, das 16 às 20h, o La Guagua (http://www.laguagua.com.ar/ ). Dentro deste algo inédito por lá: um cantinho só para música brasileira, sempre das 18h às 20h. Um feito e tanto, comemorado com a devida pompa, principalmente no Brasil, entre seus já cativos ouvintes e fervorosos fãs.

Sua coleção de discos suplanta a de famosos colecionadores nacionais e ocupa boa parte da sala e todo um quarto do seu apartamento. Material catalogado, tem de tudo e conhece cada detalhe da maioria deles. Diante de um fã brasileiro de João Bosco pergunta: “Tens tudo dele?”. Diante da resposta positiva, instiga: “Terias este?” e mostra um gravado em 2009 na Suécia. Não faz isso por pedantismo, longe disso. Chega ao ponto de ter-se magoado quando João esteve numa apresentação na cidade e colocado no meio de outros artistas, precedendo a canadense Diane Krall, foi apupado por um público que não o conhecia. Anos depois o cantor voltou à cidade e recebeu de José Luis pessoalmente uma espécie de desculpas. E continua tocando João de forma desmedida no programa.

“A Urquiza toca o que as outras rádios deixaram de mostrar ao ouvinte buenarista já faz tempo. Por aqui, jazz, blues e clássicos de hoje e ontem. Isso é raro de se ouvir aqui e no meu caso, faço mais, apresento a eles a música brasileira. Música e entrevistas, pois pesquiso, vou ao Brasil para entrevistas e quando os músicos vem aqui, passam pelo programa ou os persigo por onde estejam”, diz o entusiasta radialista.

O interesse começou na juventude, quando escutava João Gilberto, Simonal, Miltinho e coisas da Bossa Nova. “Nessa época as rádios argentinas difundiam música do mundo todo, desde jazz, francesa e brasileira. Com 12, 13 anos, comecei a comprar discos e não parei mais. Numa época o fiz só com música negra, por causa da percussão e o interesse pela brasileira veio daí. Sempre gostei da batida. Com 17 anos trabalhei como disc jockey em festas privadas, me formei em Arquitetura, mas nunca abandonei o gosto musical. Em todas minhas viagens sempre comprava muitos discos. Nos anos 90 dei meus primeiros passos dentro de uma rádio, daí não parei mais”, relata José Luis, falando um quase fluente português, influência do antigo gosto musical e da esposa, Mônica, que morou no Brasil muitos anos e hoje dá aulas da língua do país “hermano” para argentinos.

Conseguiu juntar toda a influência musical na montagem do La Guagua, aliás, o nome veio dessa miscelânea musical. O termo refere-se a um ônibus no Caribe, onde cabe de tudo um pouco, cada passageiro representando algo distinto, igual ao programa. A diferença, segundo ele, é na seleção do que entra no seu ônibus musical. “Essa rádio, esse tipo de programação se perdeu. A forma de expressão já não é a mesma nem aqui, nem no Brasil. Resisto e agrado inovando, tocando e trazendo o músico para falar de sua vida e trabalho. Veja os nomes, Wilson das Neves, Chico Batera, Joyce, Dori Caymmi, Guinga, Paulinho da Viola, Mônica Salmaso, Paulo Moura e tantos outros já passaram pelo programa”.

O profundo conhecimento da música brasileira é derivado de muita pesquisa, um trabalho incessante e constante. Trata-se de um investigador e ele não é modesto, afirmando que seu trabalho é o mesmo do já foi feito um dia por Villa Lobos, Garoto, Jacob do Bandolim e Radamés Gnattali. “Rui Castro foi muito importante para mim. O conheço há uns dez anos e me ensinou a conhecer as origens da Bossa Nova como movimento de samba. Ela não é jazz, é puro samba. Na última visita ao Brasil levamos Tito Madi a um piano bar no Leblon e ele, mesmo em recuperação de um AVC, cantou e até tocou. Foi um dos mais empolgantes programas que já apresentei”, relata emocionado.

Mas não é fácil a vida do La Guagua, contando com poucos patrocinadores. Uma sobrevivência difícil e espinhosa, pois segundo ele: “Os apoios na Argentina são raros. O produto que tenho não é para todo mundo, portanto, de pouca venda. É um programa de música popular não popularizada. É uma música que existiu, ainda existe, mas ninguém divulga. O dial hoje é autoritário, de mão única. O gosto existe, o bom e o mau gosto e o ouvinte não consegue mais conhecer e gostar de música, pois hoje não consegue comparar, tendo poucas possibilidades de escutar a verdadeira. O que toca na Argentina é pago, como vocês dizem, pelo jabá. E me dizem ser um utópata, um doente de utopias, pois persigo o que não posso alcançar”. Mesmo descrente, os ouvintes surgem de todos os lados, tanto nos telefonemas durante o programa, como nas cartas e CDs recebidos diariamente em sua casa, oriundos de todos os cantos do continente. Uma clara demonstração de que, mesmo sem nenhuma pesquisa de audiência, ela deve ser grande e a baixa potência da emissora, de no máximo uns 30, 40 quarteirões, nenhum impeditivo, pois a grande repercussão, ele sabe, é a oriunda via internet.

José Luis paga para manter seu programa no ar e assim sendo impõe algo: “Você quer me escutar, fique. Não quer mude o dial. Se não quer tem todo o direito de dar uma volta no ponteiro, mas eu sei que não irão encontrar quase mais nada”. A melhor denominação para o programa é tratá-lo como se fosse um oásis, pois viceja numa espécie de deserto. “Um deserto sem água e o que irradio uma gota na imensidão do oceano. É o mesmo que ir ao mar e urinar. O que isso agrega ao mar? Nada, esse o La Guaga, mas eu vou em frente, não existe outro caminho”, conclui. Alguns iguais a ele tentam nesse momento ampliar o intercâmbio cultural entre os países latinos, projetos desconhecidos de sonhadoras pessoas e fazem algo por um simples motivo, tudo pela música e para a música. Reconhecidamente, utópatas.
OBS.: Essa entrevista foi gravada em Buenos Aires nos dias 28 e 29/07/2011, respectivamente, na residência do radialista e estúdio da FM Urquiza.

segunda-feira, 29 de setembro de 2025

MÚSICA (252)


A TRISTEZA ESTAMPADA NUM POSTE
Estaciono o carro hoje pela manhã na rua Julio Prestes, cem metros da feira dominical e um cartaz, colado num poste, me chama a atenção. O rapaz da foto, num anúncio esquisito, desaparecido. Quem me explica o que aconteceu foi o guardador de carros. Estes sabem tudo, pois vivem por ali junto dos, como escrevia Plinio Marcos, perdidos nas "quebradas do mundaréu". O jovem foi encontrado morto pelos lados dos trilhos férreos, perto do Albergue Noturno, todo quebrado e desfigurado. Vivia nas ruas, ninguém o identificou a tempo e acabou sendo enterrado como indigente. Só depois, os cartazes apareceram espalhados por aí, porém seu fim já estava decretado. Disse ser ele um rapaz alegre, gostava de andar fantasiado, não era de fazer mal, porém vivendo nas ruas, como se sabe, acontece de tudo e assim sendo, entrar em erradas algo não muito difícil. Ele, certamente, entrou numa. Seu cartaz continua colado em alguns postes e assim como eu, outros se interessaram pelo destino do garoto. HIstórias assim se repetem com a maior facilidade, me diz o guardador. Acredito, pois viver nas ruas, fácil se deparar com tudo. Tudo mesmo.

BATISTA CONTINUA, AOS 76 ANOS, CAIXEIRO VIAJANTE E SE BENEFICIANDO DAS PASSAGENS GRATUITAS PARA IDOSOS EM ÔNIBUS ESTADUAIS
Hoje eu conheci no terminal rodoviário de Bauru, a pessoa que, acredito eu, mais faz uso das tais duas passagens gratuitas para idosos, isso em toda e qualquer viagem de ônibus estadual dentro do estado de São Paulo. Trata-se de um velho conhecido meu, o BATISTA. Ele, hoje aos 76 anos, aposentado, com uma renda próxima de R$ 2 mil mês, não teve outra alternativa que não a de continuar trabalhando para conseguir uma renda mensal, onde feche suas contas ou ao menos tenha uma vida mais estabilizada.

Batista está nas estradas desde que me conheço por gente, bem mais que 50 anos. Décadas atrás foi um daqueles intrépidos vendedores de assinaturas de revistas, viajando o país inteiro, de cidade em cidade, trabalhando sozinho ou em equipes. Ganhou muito e não reclama nem um pouco disso, mas quando o negócio de assinatura de revistas e jornais começou a definhar, descobriu outro e desta forma continuou estradando, local onde se encontra até hoje. Desde então, continua sua peregrinação, cidade em cidade, agora vendendo mapas variados, mundi, do Brasil e rodoviário e pôsteres do corpo humano.

Fez isso a vida inteira e me confessa: “Não sei mais ficar em casa. A estrada é meu local de trabalho, um dia aqui, outro ali e sempre batendo de porta em porta, conhecendo gente nova e sabendo onde adentro para oferecer mapas”. O vejo com uma mochila às costas e com várias passagens às mãos. Pergunto e ele me explica: “Pela minha idade, não pago mais passagem, mas tenho que conseguir uma das duas gratuitas de cada viagem, pegando-as com cinco dias de antecedência da viagem. Assim sendo, me preparei e cada dia estou numa cidade diferente. Tenho que conseguir a passagem cinco dias antes e estar próximo do guichê da empresa onde quero viajar, no horário previsto. O esforço vale a pena e só assim, sem ter que pagar a passagem, consigo equilibrar minhas contas”.

Dentro de sua mochila, me conta, carrega dentre mapas e os pôsteres, 25 exemplares bem dobrados e assim pega estrada. Sai bem cedo e de uns tempos para cá descobriu que, o horário da manhã é o melhor, pois à tarde, depois do almoço tudo já é com outra pegada. Sua cabeça é bem organizada para em cada dia conseguir as tais passagens, onde só paga a taxa de embarque e tendo que pegar não só para a ida, como para a volta, tudo tem que ser anotado, para não se esquecer e se embaralhar. “Os mapas e pôsteres eu compro diretamente do fabricante, que já me conhece. Pago um lote e devo outro, assim sigo pelas estradas. Consigo um desconto muito bom e não fico sem fazer nada”, conta.

“Tempos atrás eu tinha um sonho, o de ganhar na loteria e um dia poder ajudar o Noroeste a se tornar um grande time. Continuo jogando toda semana e espero poder fazer com que o Noroeste ainda me tenha como presidente. Enquanto não ganho, sigo trabalhando estrada a fora. Hoje não viajei e vim organizar as passagens. Amanhã tenho marcada ida e volta para Marília, depois Botucatu, na quinta Jaú e sexta Araraquara. Os próprios atendentes do guichê me ajudam e me indicam qual horário ainda tem vaga de passagem. Me adequo e dificilmente tenho que pagar do meu bolso. Se tivesse que fazê-lo, não sei se daria para continuar, pois elas estão pela hora da morte. Não reclamo nem um pouco e sei também ser um dos últimos vendedores assim de porta em porta, viajando diariamente. Eu fiz história lá atrás e continuo fazendo, pois quero ser, até quando aguentar, um dos que resistiram ao tempo e continuar sendo uma espécie de caixeiro viajante do século XXI”, conclui seu relato.

Eu, admirado fiquei. Sua história é uma dessas tantas que, ao descobri-las não tenho como me aquietar. Alguém como BATISTA é de uma raridade nos tempos atuais, merecedor de todos os elogios e apupos. Tempos atrás, muitos faziam isso, dentre os quais me incluo, com minhas chancelas, mais de 20 anos estradando. Daqueles tempos, conheço duas pessoas ainda na ativa, Batista com seus mapas e uma hoje senhora, ainda tirando leite de pedra, vendendo ampliação de bibliotecas em cidades. Devem ter outros, mas estes dois me trazem enormes recordações do passado. Sou de um tempo onde, antes do advento do CD, muitos saíam com uma mala cheia de CDs, gravações diversas e vendendo de cidade em cidade. Este merecem ter suas histórias contadas e recontadas, pois foram, de certa forma, desbravadores deste interiorzão véio e sem fronteiras. Alguns poucos resistem e como Batista, tentam se aproveitar de algumas benesses, como essa dos idosos terem passagem estaduais gratuitas. Maravilhosas histórias.

DENISE AMARAL LANÇA O CLIPE "OS SONHOS" E CONFIRMA TUDO AQUILO QUE DIZEM DELA
Algo da festa de hoje: 

Ficar aqui tecendo loas elogiosas para com a cantante Denise Amaral échover no molhado. A cidade inteira reconhece ser ela uma das nossas melhores cantoras. Ela tem cabedal, currículo, décadas de exposição e repertório dos melhores. Hoje fui vê-la no lançamento de seu novo clipe, o "Os Sonhos", nesta noite de segunda, na arena aos fundos do teatro Muninicipal de Bauru. Ela encanta por onde passe, primeira pela sua enorme simpatia e depois, por cantar muito bem. Hoje foi mais um dia de festa para ela, dentre tantas nos últimos tempos.

Com direção e roteiro de Rene Lopez, direção de fotografia de Conrado Dacax e produção de Paulo Maia, o clipe foi possível através de recursos oriundos da Lei PAulo Gustavo, após custosa liberação desses recursos federais, disponibilizados pelo Governo Federal e quase perdidos pela SMC - Secretaria Municipal de Cultura. Do clipe, lindo ver as cenas gravadas na praça Rui Barbosa, numa noite onde o coreto foi totalmente higienizado e até conseguiram levar um piano para lá.

Na noite de hoje, os dois lá no palco, ela e Paulo Maia, cantaram por quase uma hora, atendendo pedidos do público e para mim, sem que houvesse pedido, cantou uma do Aldir Blanc e a última, essa sim solicitada por mim, Wilson das Neves, com a imortal O Samba é meu Dom. Ouví-la um luxo. Depois o clipe sendo mostrado pela primeira vez. Tudo perfeito. Infelizmente tive que sair mais cedo e não participei do debate final, porém sair mais que satisfeito, pois assim ocorre toda vez que presencio ela cantando e encantando. Hoje mais um destes dias.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

COMENTÁRIO QUALQUER (105) 

HOJE TEM DE TUDO: BELCHIOR, FELA, GHIRARDELLO, BANDA IMPERIAL E ARENA

1.) DEIXEM O BELCHIOR EM PAZ – Publicado na coluna semanal do Ricardo Fela, Bom
Dia Bauru, 22/11/2012 – cliquem a seguir para ler o texto na íntegra:
http://www.redebomdia.com.br/blog/detalhe/14755/Deixem+o+Belchior+em+paz . Esse texto
está do jeitinho como trato o assunto. Em cima da pinta, sem tirar nem por. Dias desses fui taxado aqui no blog de “bêbado” só porque postei uma foto minha comemorando uma vitória do Norusca (com os olhinhos revirados). Antes um pouco, fui também chamado de “vagabundo, desocupado”, por uns que não tendo argumentos para debater fizeram o mesmo que o deputado Pedro Tobias costuma fazer com seus detratores quando acuado, o acusa de tudo e mais um pouco. Fez isso certa vez com meu amigo Duílio Duka, chamando-o de “ter várias esposas”, como se isso fosse argumento para rebater críticas sobre sua atuação. Aqui no blog o que não falta são alguns de vez em sempre tentarem me sacanear com acusações do tipo, “seu comunista”, como se isso fosse algo pejorativo. Para mim é elogio é dos bons. Fiz questão de postar o texto do Fela só para demonstrar que o bom mesmo é discutirmos coisas sérias, fundamentadas e quando alguém sai do prumo e caio nessa de besteirar sobre a vida pessoal de alguém, o melhor mesmo é jogá-lo para escanteio. Belchior continuará sendo um dos meus ídolos e ainda mais agora, sabendo que não perdeu o velho estilo de levar a vida como um bom “rapaz latino-americano”.

2.) UMA HOMENAGEM - Atuei por quatro anos presidindo o CODEPAC (2005 a 2008) em Bauru e sucedi a NILSON GHIRARDELLO, então professor de  Arquitetura da Unesp e também dirigindo um Núcleo de Documentação da extinta RFFSA, parceria da universidade com a ferrovia, em espaço acoplado ao Museu Ferroviário (hoje tudo já é acervo do Museu). Ali algo único na história da ferrovia, toda a documentação funcional dos ferroviários ligados à Noroeste do Brasil. Aprendi a gostar dele e da forma franca como trabalha. Ontem fui junto de Ana Bia dar um abraço quando de sua posse no Guilhermão, quando estava galgando mais um degrau em sua carreira acadêmica. É agora DIRETOR DA FAAC, a Faculdade de Artes e Comunicações da Unesp Bauru. No seu discurso cita Confúcio e Shakespeare e seu vice, o professor CARBONE cita Fernando Pessoa e Nietzsche. Outra professora cita Peter Burke e Eduardo Galeano e enfatiza que a universidade ganha muito quando pluralista e a desmerecer o pensamento único (essa excrecência que praticamente obriga todos a seguir no mesmo caminho como manada), além de ser o palco de congraçamento e não de disputas e concorrências. Vibrei com as citações (quem cita isso tudo e da forma como foi feita só pode ter uma bela atuação) e vislumbro algo de grande valia na gestão do amigo Nilson. Na foto a mesa com ele numa das pontas. 

3.) DICA PARA AMANHÃ – Quem perder é a mulher do padre! Quarta, 28/11, 21h, pela bagatela de R$ 10 reais quem toca amanhã no SESC é a ORQUESTRA IMPERIAL, um ajuntamento dos mais ecléticos e que a princípio poderia considerar insólito e quase impossível, tal a diversidade de músicos. Vou para lá requebrar num dos ritmos mais bailantes do planeta e para presenciar algo que incentivei durante a semana. Um dos que retorna à Bauru é o baterista Wilson das Neves, sumidade no que faz, 70 e lá vai fumaça de idade e quase os mesmos anos de estrada. Ele tocou quando na mocidade, no Rio de Janeiro, com o Nino, o baterista hoje radicado em Jaú e quero estar presente no momento em que ambos se reencontrarem mais de quatro décadas depois.

4.) MAIS UM DE DIREITA - Leio que a ARENA, o partido de direita, que englobava tudo o que era favorável ao nefasto regime militar pode estar voltando e nas mãos de alguns jovens. Li, reli e não entendi direito, afinal, de direita já existem muitos, pois o PSDB, o DEM, parte do PMDB, do PSB, do PDT, do PPS e até do próprio PC do B e do PT estão afinados com o neoliberalismo e jogando todas suas fichas na economia de mercado. E qual a novidade? Nenhuma, só fogo de palha e coisa de quem aposta no retrocesso desse país. Ao invés de lutarmos para sair o mais rápido possível desse regime excludente e conservador, eis que desponta algo bem com a cara do Tea Party norte-americano. Laerte, meu chargista sempre de plantão produziu algo que é a pá de cal para quem prega linha mais dura do que a que vivemos.