sexta-feira, 26 de junho de 2026



"A GENTE CORRE ATRÁS DA HISTÓRIA", NO MEU CASO DE HISTÓRIAS DE VIDA
 
A frase não é minha, é do jornalista Jamil Chade, mas muito bem poderia ter sido escrita por mim, um que, mesmo diante de todas suas restrições, anda à cata de histórias. Saio para as ruas em busca delas e em cada curva da esquina, vendo algo novo, penso em como transformar o presenciando num relato. Jamil faz isso em outra escala, num outro patamar, conseguindo viajar mundo afora e incursionando por lugares inauditos, tudo em busca de boas histórias. Eu, mais modesto, tento fazer o mesmo e em cada incursão nas ruas, observo e reúno algo aqui, outro acolá e na junção de tudo, construo um roteiro e escrevo, dou a minha versão dos fatos.

Contar histórias é deixar algo registrado, algo que, retratando a história dos ditos insignificantes deste mundo é única. Procuro me identificar com algo que, pode parecer pequeno, porém, quando descrito e passado adiante, ganha outra importância, pois estará eternizado. Luiz Antonio Simas, um dos historiadores brasileiros que leio neste momento, se disse certa feita e incorporei também para mim o termo de "Historiador das Insignificâncias". Talvez pudesse produzir muito mais e, espero assim fazê-lo, pois no que me resta de tempo de vida, quero aproveitá-la deste jeito e maneira, retratando pequenas histórias, pequenos grãos de areia dentro do contexto maior, mas também construtores de um tempo.

O que me estimula é ouvir algo é já querer retratar. Hoje pela manhã estava ouvindo um destes hoje contadores de histórias e algo me chamou a atenção. A do cidadão, desses que rala muito no dia a dia e acha que com seu trabalho de formiguinha um dia alcançará a fortuna. Ele querendo mostrar não existir milagres dentro do capitalismo, conta algo, que na verdade é uma estória, mas vale para ilustrar da dureza desta vida. O cara tinha somente dez reais e sem alternativas, compra maçãs e sai vendendo. Por sorte, naquele dia vende todas e consegue arrecadar R$ 40 reais. Com este dinheiro compra mais e mais maçãs e continua vendendo. De uma hora para outra o descobrem rico, fruto de uma herança. E lhe perguntam: mas e as maçãs? Aquilo era para sobreviver. Nunca ficaria rico com aquelas vendas, dando só para tocar a vida. A lição é que, por mais esforço, sem que algo ocorra, um golpe, ou de sorte ou uma maracutaia, impossível se tornar rico.

Essa é uma. Outras conto em outros posts.

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