quarta-feira, 24 de julho de 2024

ALGO DA INTERNET (215)


TUDO PASSA POR BAURU...
MATÉRIA PUBLICADA PELO JORNALISTA JOAQUIM DE CARVALHO PARA O "BRASIL 247"

"Quem é Patrick Brito, que hackeou Bolsonaro, Mourão e fez trabalhos ilegais para a ABIN".

Acima o título da matéria e é claro, só faltava essa, o hacker de Araçatuda, contratado para atuar em Bauru, pelo cunhado da atual mandatária bauruense Suéllen Rosim, fez serviços anteriores e tudo leva a crer que, o contratante bauruense tomou conhecimento do seu trabalho através da rede de informações bolsonaristas, daí, acaba prestando seus serviços aqui na Cidade Sem Limites. Tudo com profunda ligação umbilical.

Existe trechos bem elucidadtórios de como isso se deu. Os serviços prestados e quem, quando e como aciononaram o hacker. Os tentáculos com Bauru são involvidáveis, incontornáveis e bem consistentes. Daí, uma conclusão que ninguém pode desmerecer, a de que um dia, talvez em breve, essa administração irá acabar dentro de um Plantão Policial.


obs.: Continuam os problemas em meu blog, portanto, ainda impossibilitado de escrevinhações mais longas.

terça-feira, 23 de julho de 2024

DICAS (246)

VEM QUE TEM

Sexta da semana passada, o improvável pré-candidato a prefeito de Bauru, envolvendo a sigla petista, Clodoaldo Gazzetta dá entrevista para o programa De Olho da Região, da Top FM, das 7 às 8h da manhã e ocorre ampla participação de militantes petistas o contestando. Rafael Antonio, o condutor do programa para não polemizar no dia, abre espaço para defesa do ponto de vista dos que se posicionavam contrários a indicação. Daí, é feito um convite para alguns daqueles que participaram com intervenções nos comentários para um programa só com essa finalidade. Ocorre nesta data.

OBS.: Estou com problema de visualização do blog. Toda vez que clico seu endereço virtual, aparece por aqui uma mensagem estranha: "Não é possível acessar esse site". Creio ter sido obra de algum vírus ou maldade pura, com algo feito para realmente impedir o acesso. Tentando resolver e, portanto, hoje somente com esta postagem.

segunda-feira, 22 de julho de 2024

FRASES (247)

reencontros

TRAVAR A LUTA EM TODAS AS CIRCUNSTÂNCIAS
Eu me identifico com a lucidez do perdedor. Eu sei que a guerra está perdida e vou morrer rodeado de filhos da puta, de canalhas, de ladrões. Mas é preciso sair e travar a batalha diária da dignidade para defender essas coisas que se considera imprescindíveis. (José Sacristão, Chinchón - Madrid SPAIN 1937)

"E SE NADA DER CERTO, ELA AINDA PODE CANTAR UMA BOA MÚSICA"
Conheço a jornalista Tânia Guerra de tempo idos. Na verdade, desde a última campanha vitoriosa de Tuga Angerami, idos de 2004, quando comandou a dele para a Prefeitura de Bauru. Ela já era uma vitoriosa nas hostes jornalísticas, com aquela inolvidável passagem pela TV Tem Bauru, comandando o que assistíamos no seu jornalismo diário. Na campanha do Tuga foi a comandante in chefe e com absoluto sucesso. Nem gosto de citar quem esteve ao lado dela naquela oportunidade, pois hoje o cara é um dos baluartes do que de pior existe no jornalismo nativo, uma ultradireita perversa e insana. Falo de Alexandre Pittolli. Dele não quero escrever mais nada do que lhe achincalhar, pois é merecedor e com abundância.

Escrevo dela, uma das grandes damas do jornalismo bauruense. Nascida em Piraju, terra também de Izzo Filho, ela já rodou a baiana pela aí, tendo também atuado junto a grupos políticos em Santa Cruz do Rio Pardo e Jaú. Ela atua num segmento político distinto do meu, mas isso não impede de sempre que cruzamos um ao outro, um belo esboço de largo sorriso, enfim, como deve ser as relações de amizade ao longo do tempo. Neste último domingo estava novamente em cancha, desta deita trabalhando na campanha do pré-candidato Raul à prefeito destas plagas. Descia a feira, como numa espécie de cordão abre alas, ou melhor, a comissão de frente do que viria atrás. E toda vez que me vê, já vem dizendo em alto e bom som: "Perazzzzzzzzzzzi".

Foi quando nos cruzamos, ela ao lado de Faria Neto II e Wellington Chateaubriand da Silva, este ex-rádio Veritas, hoje na Top FM. Tinha mais gente conhecida, enfim, em belo time nos bastidores. A rodeamos e ela, me dizia algo a nos preocupar todos com a passagem dos anos. Caiu recentemente, estava enfaixada, porém sem perder o charme, muito menos a compostura. Nem sei se Tânia continia nas hostes da TV Record, o que sei é que, continua esbanjando simpatia, na lida e luta. E por fim, para encerrar essa rasgação de seda, digo que, sempre que posso, não perco suas apresentações musicais. Ela, por aqui, canta vez ou outra lá no Templo Bar e anualmente empresta seu brilho e encantamento no "Nós, Mulheres".

Canta bem, assim como é seu trabalho de bastidor em qualquer campanha política onde esteja envolvida. Não disse isso a ela, mas aqui escrevo e queria que ela lesse: "Cara Tânia, boa sorte e se nada der lá muito certo, para ti será fácil, pegue o microfone, peça pra subir um dó maior e cante, encantando a todos, minimizando os percalços". A música, quando executada com a sapiência, repertório de quem sabe o que faz, sempre nos alivia a alma e enche a todos de muita esperança. Enfim, quem "canta seus males espanta". Assim se deu a trombada com esta divina dama no asfalto da feira dominical. Muito bom ir revendo as pessoas dessa forma e jeito, sem nada marcado, meras trombadas e onde fluem boas lembranças.

ANGEL, O ZELADOR DO PRÉDIO ONDE ESTIVE ABRIGADO POR UNS DIAS NA CAPITAL ARGENTINA
Angel é pessoa das mais simples. Cuida do prédio lá nos altos da avenida Corrientes, depois da Callao, há mais de 30 anos. "Exatos 34 anos", me diz. Discreto, de poucas palavras, é uma espécie de sombra a te acompanhar no desconhecido território onde atua, com o simples intuito de tudo dar certo. Dando para nós, para ele também. Uma espécie de parceiro, desses que se pode contar em momentos aflitivos. Profundo conhecedor da região da Corrientes, boca de entrada do bairro do Once, o do comércio popular do país, foi conquistado pelo grupo de brasileiros e vice-versa, soubemos o cativar e esteve ao nosso lado em todos os intantes.

Na quarta passada à noite, os intrépidos e inquietos brasileiros resolveram fazer uma feijoada para abrigar e receber o pessoal da universidade, além de professores de outras nações, Colômbia, Paraguai, Uruguai, Chile, Brasil e, claro, Argentina. Angel foi o tal do anjo, retaguarda antes, durante e depois, quando chegou com sua vasilha e recolheu tudo, pois gostou tanto do que fizemos, queria ter um pouco mais, pelo menos por alguns dias em sua geladeira. Virou o parceiro, aquele que, pelo menos uma vez durante a viagem é o alguém a lhe arientar para fazer a coisa certa. Ou seja, todos precisam de um Angel - não seria anjo? - em suas vidas.

Vive num pequeno quartinho aos fundos do prédio, muito modesto, porém altivo e soberano, espécie de rei sem cetro do pedaço. Não se mete em nada onde não é chamado, mas observa e sabe de tudo. Convive ali ao seu lado com um destes elevadores pantográficos, com mais de cem anos de pleno funcionamento e sabe, além de tudo o mais, como não deixá-lo parar. Me diz ser eles muito mais simples do que os modernos e que, ao longo do tempo, o funcionamento de sua engrenagem está toda concentrada dentro de sua memória. Quanto mais a semana ia transcorrendo, mais íamos nos paorximando dele e na despedida, deixa seu contato e pede para que o adicionemos, pois não quer perder o contato com gente tão amável. Angel é destes que, encerra a discussão quando chega algum perto de mim querendo dizer que os argentinos são grossos e arredios. Gente chata existe em todo o lugar, assim como, a maioria sempre possui esse jeitão "angel' de tocar a vida.

MUITA SAUDADE DE LUIZ CARLOS DA VILA
https://www.facebook.com/100050300305410/videos/1131261454606247/
Ontem estaria completando, se vivo fosse, 75 anos.
Tenho tudo dele aqui no Mafuá.
Lembranças dele em Bairu, no único ano em que o Fampop de Avaré acabou sendo realizada por aqui, abrigado pelo então secretário de Cultura Elson Reis, sendo realizada num insólito lugar, o imenso barracão nas Nações, hoje abrigando a Elma Chips.
Seu samba, sempre foi a fina flor deste gênero musical e eu, sempre serei seu eterno fã.

domingo, 21 de julho de 2024

DIÁRIO DE CUBA (246)


DIA DO AMIGO

FEIRANDO COM ELE, CLAUDIO LAGO
Feirar de verdade não é para qualquer um. Eu sou do time que feiro todos os domingos possíveis. Meu lugar começa sempre pela Feira do Rolo e junto da barraca de livros e discos do Carioca, nosso livreiro de Vassouras RJ. Enquanto muitos passam por lá em busca de verduras e legumes eu o faço em busca de livros, conhecimentos também provenientes de muita conversação. Este o meu lugar nesta insólita cidade. Outro, muitas vezes andando junto comigo é este da foto, Claudio Lago, aqui aportando algumas décadas atrás, proveniente de Águas de Santa Bárbara e chegando patra trabalhar no Banco do Brasil, onde fez história, ajudando a revolucionar o sindicalismo local. Lago é tão rueiro como este escriba. Isso de gostar da rua é perceptível pela continuidade e assuduidade da pessoa num só lugar. Nós, eu e ele, gostamos dessa muvuca. Batemos cartão. Sim, hoje o período é pré-eleitoral e muitos, pouco vistos no restante do ano, agora por lá aportam. Porém, existem aqueles que comparecem para dar continuidade a algo já ocorrendo ao longo do tempo. Temos todos nossos lugares. Lago gosta muito de bater cartão no Pequeno's Bar, reduto na rua Gustavo Maciel, quadra 5, propriedade de um ex-bancário - dito por mim como o "bancário que virou suco". Este lugar de congraçamento humano é também conhecido como Senadinho, nome oriundo das muitas conversações ali possibilitadas, de todas as matizes, gostos e preferência. Sabe aquilo de você ser adversário de uma pessoa politicamente, mas não abdicar de uma conversa. Pois bem, isso ainda é possível nos dias de hoje e ali no Senadinho é a mola mestra. Vejo em todos os domingos uma diversidade quase impossível de se repetir em outros lugares, tal a consolidação da bestialidade de tudo e todos hoje serem considerados inimigos. Lago é conversador por natureza e o acompanho em algumas de suas andanças. Sua linha de raciocínio e de pensamento é inflexível, daí a respeitabilidade, confiabilidade e também respeito adquirido. São poucos os, hoje em dia, no qual você diz uma coisa hoje pela manhã e ela se repete na boca da mesma pessoa à tarde. Quando você possui uma postura em todos os momentos de sua vida, isso perceptível pelos à sua volta, o respeito se dá naturalmente, algo icnondicional. Com este meu amigo isso se dá naturalmente, sem puxação de saco. Aprendi a admirá-lo na convivência e no trato com o dia a dia, com as pessoas e as situações de conflito onde nos encontramos. Ele pensa muito antes de falar, até por saber muito bem o papel por ele desempanhado dentro deste conglomerado denominado Bauru. Neste domingo, defronte a Banca do Carioca, coloquei em sua cabeça um chapéu de couro nordestino. Chico, o dono da banca de utilidades e futilidades, bem ao lado da do CArioca, me diz o preço, R$ 150 reais. Rimos e lhe digo para cobrar só pela utilização na foto. Ele, também rindo, nos diz: "Daí é R$ 200". Na feira tudo vale uma boa história. Eu e Claudio Lago estamos sempre rodeados de pessoas, pois somos já quase locais. Tanto faz se estamos acompanhados ou não, porém, sempre muito bem observados, como um vigia do lugar, fazendo questão sempre de repetir a mim nos esbarrões e reencontros: "Estou sempre te acompanhando por aqui. Você é uma das pessoas com as quais gosto de ser e estar". Como não gostar de estar aqui. Lago também desfruta deste sentimento de muitos. Daí, eis uma de nossas paixões, vir discutir bocadinho da cidade exatamente neste local, junto de populares, feirantes, malandros, gaiatos, farofeitos, gente de toda espécie e laia, tudo junto e misturado. Enfim, o povo bauruense e brasileiro está aqui muito bem representado e nós dois enfurnados, embrulhados e misturados. Aqui a gente se recarrega para tudo o mais.


NA FEIRA, CONVERSAS SÃO POSSÍVEIS, REALIZADAS ABERTAMENTE
Dialogar, e muito, algo mais do que necessário. A conversação, como se sabe, deve ocorrer não somente com quem pensa igual a ti, mas ao ampliá-la, um outro leque de possibilidades. Longe de um querer aderir ao outro, muitas vezes ideias e linhas de conduta diferentes, mas algum provável entendimento, bem dentro do processo civilizatório a que estamos inseridos. Por que deve-se fugir destes diálogos? Não devem e assim ocorre com pessoas irmanadas de algo em comum, conversando a gente pode até não se entender, mas no mínimo, respeitar. Quando nem isso acontece, passar ao largo faz parte do processo. Dos dispostos a conversar, por quer não, quando do encontro fortuito, inesperado, um leque de possibilidades. Na feira dominical da Rua Gustavo Maciel isso é sempre possível, ainda mais neste período eleitoral, quando quem tem garrafa vazia para vender as expõe abertamente em público, em busca de algum reconhecimento. Quem tem medo fica em casa e não coloca a cara à tapa. Quem não tem medo de expor seu ponto de vista sair e enfrenta tudo o mais que vier pela frente. Quando me deparo com a conversação travada neste domingo entre Claudio Lago do PT e o pré-candidato Raul, novamente colocando seu nome na disputa pra Prefeitura, vejo nisso algo de bom. A divergência se atrai quando um tenta mostrar ao outro pontos de vista e opiniões, que quando ouvidos e assimiladas, podem não só gerar mudanças de rumo, entendimentos outros. Ruim mesmo é o fechamento de questão, sem ao menos se dar ao luxo de ouvir o oponente. Não que um vá se deixar levar pelo que outro traz em seu embornal, mas parar e olhar um nos olhos do outro, dialogando de forma mais do que amistosa, isso é o mínimo que se pede, algo mais do viver em conjunto. Eu possuo meu ponto de vista disso tudo que vejo acontecendo bem debaixo de minha janela e busco a melhor solução possível, dentro de tudo o que fui assimilando ao longo de minha vida. Outros o fizeram por outros caminhos e na feira, uma possibilidade de papear, abertamente e sem firulas. Bem diferente de ver gente apregoando estar na disputa pelo incentivo de outro, este a disputar o mesmo lugar e vaga. Cada qual no seu trajeto, sua trilha, sem misturar as bolas, sem querer alterar o jogo, ampliar e distorcer nada. Convivência salutar e elementar. O sol da manhã dominical sob nossas moeliras possui o dom de acalentar esperanças. E tem quem se utilize de fotos como essa para outros entendimentos, esses muito improváveis. O que ali transparece é um encontro, uma conversa, nada mais. Salutar isso.
URGENTE
Eis a fisionomia preocupada do presidente do PT Bauru, Claudio Lago, envergando a gloriosa camisa do líder do Brasileirão, a Estrela Solitária, ao tomar conhecimento que também teve sua vida investigada pelo hacker de Araçatuba. Eu, como militante petista, me vejo na obrigação de constatar a sua importância diante dos fatos concretos hoje divulgados pelo site Contraponto: pelo visto o cunhado da incomPefeita Suéllen Rosin, contratante do hacker, se preocupa com o papel desempenhado pelo agora investigado, tendo este papel fundamental nas denuncias das irregularidades cometidas e em curso na administração municipal. Daí, o mesmo teria imenso papel representando o PT como seu pré-candidato a prefeito. Os investigados pelo hacker demonstram algo contundente neste sentido.

Essa última tirada no final da tarde, todos em torno de uma roda de amigos, comendo um peixe assado e levo a eles a notícia: Claudio Lago também foi investigado pelo tal do hacker, contratado pelo cunhado da atual alcaide bauruense, a fundamentalista Suéllen Rosim e ainda não muito bem esclarecido, para quais interesses. Depois de vários vereadores, um jornalista, agora também o atual presidente do PT Bauru. Muito interessante o entendimento feito dos motivos dele ter tido sua vida investigada.

Essa a Bauru, às vésperas de mais uma eleição municipal. Como se vê, a Cidade Sanduíche é recheada de nuances ainda sob certa névoa. 

E daí, o que virá pela frente???

sábado, 20 de julho de 2024

BAURU POR AÍ (229)


VOLTAR
Tudo tem começo, meio e fim. Pois bem, minha curta viagem pras terras argentinas chega ao fim. Foram oito intensos dias, vividos ao meu modo e jeito. Enquanto Ana Bia num Congresso Acadêmico, que neste ano não participei, estive nas calles fazendo o mais gosto por onde esteja, bater perna, ver e conhecer lugares e pessoas. Já conheço quase todos os museus portenhos e neste ano, os deixei de lado, pois queria ruar muito. O tempo sempre é curto demais da conta pra quem quer circular. A metrópole diante de si e você podendo escolher, de suas tantas possibilidades, algumas a lhe preencher o tempo. E em alguns casos, mesmo com agenda pré-concebida, tudo acontece ao contrário, pois o inusitado se apresenta e daí, o roteiro vai pras cucuias e algo novo se apresenta, se impõe e tudo de novo diante de si.

Redescobri por alguns dias algo dos detalhes nunca antes observado numa cidade grande. A observando em seus mais mínimos detalhes, algo sempre surpreende e desta feita, impossível não destacar a miséria humana se ampliando e ocupando espaços urbanos, em algo muito doloroso, primeiro para quem nele está inserido e depois, para quem não veio somente em busca de atrações turísticas e sim, também em tentar entender deste momento conflitivo por que passa o país hermano e tão querido por mim. Não escondo de ninguém, possuo imensa admiração por tudo o que representou pra Argentina, gente como Che, Perón, os Kirchner, tanto Nestor como Cristina e agora, a esperança sendo depositada em Axel Kicillof, o administrador peronista da província de BA e, talvez - tomara - seu futuro presidente.

Na cidade, o antagonismo está presente e lantente. De um lado, uma prefeitura e o governo federal, ambos odiosos, nojentos e asquerosos, representando o retrocesso ultra-direitista e por outro, algo novo, sério, competente e com compromisso popular, representado por Axel e tentando fazer na província, sendo bloqueado em quase tudo por Milei. Um não faz e por outro lado, impede o outro de fazer, dificulta seu caminhar. E quem padece mais é o povo, cada vez com sua renda mais reduzida, encurralado por uma repressão progressiva, com policiais armados por todos os lugares, prontos para reprimir qualquer tipo de manifestação - dois se encontram presos sem justificativa para tanto - e não atendendo em nada suas necessidades básicas. O povo passa fome, evidente isso nas expressões dos empobrecidos cidadãos, enquanto Milei, não governa, mas viaja de um país a outro, só eventos da ultra-direita, sem um programa que pense em solucionar o triste momento.

Optei por rever pessoas queridas, todas envolvidas na resistência. Queria ter ido para o Uruguai, tentar uma entrevista com Mujica, mas ele, muito deonte, está muito reservado. Fiquei e depois, a intenção era ir ver se conseguia uma boa matéria com a bauruense foragida, a protegida e mantida pela ultra-direita brasileira, que fugiu e montou em La Plata, um abrigo para outros igual a ela. Uma casa abrigo para foragidos da lei brasileira, todos bolsonaristas e com mais de 15 anos a cumprir nos costados. Aguardei contato com Adham Marim, lá morador e estudante de Medicina na escola pública. Não consegui e permaneci pela grande metrópole, a observar as modificações visíveis desde a chegada de Milei ao poder.

Nem tudo o que observei pude transcrever por aqui, mas meu livrinho de anotações voltou cheio, de fatos, dados e muitos contatos. Muitos estavam dispostos a conversar e o fizeram, mas também pediram anonimato, pois o país está perigoso e se na Feira de Santelmo, não se vê mais fileteados com a marca peronista, isso se deve ao medo de que, isso ocorrendo, perseguição ocorra. Nos eventos, muitos pedem para falar de tudo, menos de política. Na maioria das vezes, uma esperança coletiva, "vai passar". "Tomara não demore", complementava. Aprendi algo com outro brasileiro por aqui, a de deixá-los falar sobre sua situação e opinar pouco, pois não vivenciando o dia a dia, passo algo do meu entendimento e talvez, desta forma, queira impor meu ponto de vista. Exercitei isso na sua plenitude e o resultado, pretendo colocar no papel nos próximos dias - quando me sobrar tempo.

Acompanhei o que rolava em Bauru como pude, em fragmentos. Vejo que as UPAs continuam uma catástrofe, matando muito gente e sem ainda ser responsabilizada essa inócua administração suellista. Ouvi daqui uma entrevista com Gazzetta na Top FM, manhã de sexta, investido como pré-candidato tendo o PT como referência. Não dá pra engolir. Evidente ter ocorrido, no mínimo um golpe e ele, o pré-candidato ter participado de toda trama. Impossível querer se safar como ingênuo, tendo somente colocado seu nome e este ter sido referendado. Essa história ainda vai render muito e estes meandros, o dos acordos espúrios virão à tona. Se o mesmo não cair em si, não refletir na besteira sendo feita, irá se perpetuar como mais um golpista, diante de outros execrados ao longo de nossa historiografia. Bauru padece de algo novo e evidente, nada virá com um PT dominado por uma só pessoa, tendo até sua direção na macro agindo em prol dos interesses dela e não do todo. Participo do Fora Gazzetta, pois sei dos malefícios embutidos quando da escolha de seu nome. Volto ciente de que, muita água passará por debaixo dessa ponte. Na próxima quarta, 24/7, das 7 às 8h da manhã, o locutor Rafael Antonio abriu espaço na TOP FM, para este grupo, do qual faço parte, possa explicar sua versão dos fatos sobre a punhalada que o PT levou pelas costas. E assim, vou retornando aos poucos para a vida bauruense.

Cheguei de volta no sábado à noite e diante da porta de entrada de minha casa, duas revistas semanais e todos os jornais da semana ali acumulados e a espera de leitura. Passo o domingo desfazendo malas, lendo isto tudo, me inteirando das conversações em curso, tento perambular pela Feira do Rolo, pois ninguém é de ferro e me posicionando aqui e acolá, como sempre fiz. Continuo pela aí e para reflexão final, algo retirado de um pensamento de Oscar Wilde, já antecipando pedido de perdão pelo atrevimento, "eu posso resistir a tudo, menos à tentação". Agora mesmo sou tentado a deixar de lado a escrita e ir correndo pra "calles" desta minha querida aldeia.

sexta-feira, 19 de julho de 2024

DOCUMENTOS DO FUNDO DO BAÚ (195)

CURTAS HISTÓRIAS DO LADO DE CÁ DO MUNDO

01 - O ENGRAXATE DA CORRIENTES

Eu bem vi uns três engraxates aqui espalhadois pela grande Buenos Aires. Deve ter mais. Vivemos tempos onde o sapato engraxado virou artigo de luxo, tal o tipo de pisante destes tempos, preferenciamente tênis, inclusive com senhores da terceira idade. Eu praticamente aboli o sapato e daria prejuízo certo para os ainda a insistir nessa honrasa profissão. Lembro das história do seu Cláudio Amantini, que começou nela nos áures tempos dos anos 50 da Estação da NOB e praça Machado de Mello. Já tivemos muitos em Bauru e, pasmem, outro dia me deparei com um menino com uma caixa lá perto da praça Rui Barbosa e depois tentei reencontrá-lo, pelo inusitado nos tempos atuais, mas não mais o localizei.

O daqui, não resisti, ele atendia um senhor. Tiro a foto, ele percebe e vou puxar conversa. Conta que, deve ser o último na Corrientes, daí aínda lhe sobram alguns clientes, como o senhor na foto. São "gatos pingados", mas ainda, a fonte de sua renda. Chegou a me mostrar onde guarda seus apetrechos, com chave e cadeado, servindo também para alguns amigos guardarem outros objetos no seu apertado espaço debaixo da cadeira. Trata-se, como se vê, uma profissão em extinção, porém, guarda lembranças inenarráveis. "Eu ganho pouco, mas tenho praticamente clientes fixos, muitos passando aqui, por não mais conseguirem engraxar seus sapatos e sabendo que ainda atuo, deixam os seus aqui comigo", conta. Permaneço alguns instantes o observando antes de voltar a caminhar pelas ruas da cidade grande, hoje meu objetivo.

02 - O CATADOR DE RECICLADOS DO ONCE

Eles, os catadores de reciclados, assim como no Brasil, estão por toda a parte aqui na grande Buenos Aires. A diferença é que os de Bauru, na maioria dos dias do ano, trabalham com altas temperaturas e os daqui, como nessa semana, em muito baixas. Neste da foto, passo ao seu lado quando estava à procura de livros, nas imediações do Once, o bairro daqui correspondendo no Brasil ao Saara carioca ou à 25 de Março paulistana. O vejo com um saco de pão duro às mãos e vez ou outra, dando uma paradinha no serviço, enfiando a mão no saco e mastigando enquanto labuta. Não tem como continuar a fazer o que me movia pela cidade, catar cadernos, pois tarado por estes, estava diante uma imensa papelaria e iria vasculhar umas novidades. Vi vários iguais a ele, mas este o vejo com o saco de pão pendurado na lateral e a cena me faz parar ali no meio da rua.

Ele percebe, me aproximo, digo se posso fotografá-lo e começamos a travar uma rápida conversa. Falo do saco de pão e sua resposta: "Foi o que consegui hoje. Tem dias que consigo algo melhor. Em alguns dos lugares onde recolho papelão, me dão o que comer e carrego sempre aqui do lado. Hoje não consegui nada além do pão e isso aqui é um serviço bem pesado. Com ele sustento a mim e mais duas pessoas. Elas estão por aí, catando papéis que os comerciantes colocam na beirada da calçada. Não dá pra boberar, pois se o fizer, outros levam os papéis e assim consigo menos no dia. Até para parar e conversar, acabo perdendo alguma porta e de recolher algo". Abro a carteira e lhe dou algo, nos despedimos e ciente de que, as histórias destes, tanto de lá, como de cá são as mesmas. O explorador de lá e o mesmo de cá. E a amargura da vida deste aqui é idêntica ao de todos os a executar o mesmo serviço Brasil afora. Me fui pensando em onde dorme o simpático catador argentino? Terá abrigo e qual a distância que irá percorrer puxando o carrinho até conseguir pesar e vender o que recolheu?

03 - O TAXISTA ACABOU VIRANDO UBER E TAXI AO MESMO TEMPO

Não é novidade por aqui e ainda o é no Brasil. Muitos taxistas aderiram ao sistema Uber e trabalham em ambos os serviços. Circulamos por aqui muito de Uber e por três vezes, quem se apresentadiante de nós é um carro com as cores de táxi. Para um deles digo que, no Brasil os taxistas ainda são reticentes e não aderiram ao sistema Uber. Ele me responde que, aqui também, porém usa um argumento muito forte para me dizer, não ter havido mais jeito: "Se o inimigo é muito poderoso, chega um momento e não existe mais como resistir". Disse trabalhar para ambas as bandeiras. Quando lhe estendem a mão chega como táxi e quando lhe chamam pelo aplicativo, chega como Uber. Assim toca sua vida, rodando pelas ruas de Buenos Aires.

Seu argumento me faz pensar em como é mesmo muito difícil fazer o enfrentamento com certos grupos poderosos, alguns asquerosos e, como neste caso, chegando com muita força, impondo um serviço e praticamente aniquilando, dificultando ao máximo ao outro. Particularmente, impossível gostar do sistema de Uber, não pela praticidade oferecida, que é ótima, atendimento em cima da pinta, preços muito melhores que os dos táxis, porém, sabe-se, são perversos em relação aos direitos trabalhistas, oprimem e impõem um sistema opressor, onde quem nele atua, possui poucos direitos. Alguns estão sendo conquistados pouco a pouco, com muita luta, como o direito a ter seu veículo consertado em caso de algum acidente, onde o veículo esteja totalmente impedido de circular por um tempo. Ou seja, só mesmo com muita organização, luta, perseverança para enfrentar os tentáculos de quem chega com tanto poder. Isso se reflete em tudo o mais nestes tempos.

04 - A ÍNDIA QUE VEIO PRA CIDADE GRANDE E FOI VENDER ROUPA NAS CALÇADAS

Também fui as comprar aqui no Once, o bairro com essa finalidade aqui em Buenos Aires. Gente do país inteiro aqui aporta e compra, atacado e varejo, com grande circulação diária de pessoas. Vejo também toda a colônia de negros africanos, pela beirada das calçadas, vendendo principalmente roupas e óculos. Dominam esse nicho do mercado. São grandões e falam entre si em seus idiomas. Estes são os negros que hoje vejo pela Argentina. Sei, por ler que, a participação do negro na história do país foi importante, mas sempre reduzida, oprimida, assim como a do indígena. Estes são bem visíveisd dentro da cultura argentina, pois isso permanece no traço, no visual que vemos pelas ruas. O argentino nato, quer queiram ou não os brancos, possui um traço indígena marcante, bem evidente e isso se mostra calaramente nas ruas.

Nas andanças pelo bairro mais comercial desta cidade, num momento junto com Neiva, nos deparamos com uma senhora baixinha, andando em andrajos, toda enrolada em seus panos, alguns típicos do traje dos Andes e parada, estática num local, com aquele olhar fixo em algo no nada, talvez buscando entender onde veio parar e o que estaria fazendo num lugar como este. Ela marcou minha tarde e sua imagem não me sai da cabeça. Num livro aqui na residência Airbnb onde estamos, leio sobre os povos indígenas daqui e como foram tratados ao longo da história. Os mapuches até hoje padecem e muito. Muito mais neste desGoverno de Javier Milei, quando cada vez mais encurralados e, como vi na figura da senhora na rua, sem eira nem beira, sem rumo certo, perdidos e pior, sem esperança. Triste demais a cena da senhora que vimos na ida de nossas comprinhas e na volta ela no mesmo lugar, em pé, sem se mover. Insuportável situação.

05 - A LOJA DE PRODUTOS GAUCHESCOS E PAMPEIROS

quinta-feira, 18 de julho de 2024

AMIGOS DO PEITO (227)


ABUELAS TODA QUINTA NA PRAÇA DE MAIO, DEFRONTE CASA ROSADA, CORAÇÃO DE BUENOS AIRES
Andei muito por Buenos Aires hoje. Aliás, peguei o dia para gastar sola de sapatos. E gastei. Dentre o que mais observei, os letreiros espalhados pelas ruas, algo me impressionou, a quantidade de placas indicando sindicato de trabalhadores. São milhares nesta imensa metrópole. As centrais sindicais por aqui são fortes e atuantes. Até bem pouco atrás, não existia um só dia em que não ocorresse várias manifestações pelas ruas. Hoje elas continuam a ocorrer, só que em menor intensidade, até porque Javier Milei, o atual presidente está intimidando os manifestantes com prisões arbitrárias e foras da lei. Numa grande manifestação ocorrida quando da aprovação da Lei de Bases, o arbítrio numa só lei, vários foram detidos simplesmente por estar nas ruas e dois deles continuam até hoje no cárcere, sem algo que justifique tal ação.

Os tempos não estão nada fácil para quem ousa se manifestar aqui pela Argentina, porém vejo clara e nítida resistência, brotando mais e mais. O atual desGoverno, que não paga nada, inclusive a universidade pública está prestes a fechar as portas por insuficiência de recursos, mas os gastos com armas e tudo o que diz respeito a ampliação da repressão está sendo feito em grande escala. Os argentinos possuem isso no sangue e estão, mesmo na mais completa adversidade, minandio pouco a pouco o inapetente Milei e os seus bárbaros de plantão. Mesmo o país muito contido e calado, pois nunca havia presenciado tanta gente de cabeça baixa, quietos, talvez ainda vendo como farão para dar cabo do opressor.

Observo isso, sinto isso no ar e com este espírito vou pra praça de Maio, a da Casa Rosada e lá, toda quinta, desde o final da ditadira militar, quando milhares de crianças desapareçam junto com seus país, estes mortos. As crianças foram espalhadas, a maioria sendo adotadas por militares. Suas famílias originais reclamaram desde sempre seus filhos. Na maioria quem o fez foram os avós, as abuelas e o local onde ficou marcado como o do grito delas é o centro da praça principal da cidade, onde o presidente lá do alto de sua janela observa tudo. As avós nunca mais pararam de se reunir, gritar em alto e bom som e como hoje, vão repetindo os nomes dos seus desaparecidos e todos repetem em alto e com som, PRESENTE. Uma cena para arrepiar. Coragem nunca lhes faltaram.

Muitos já tentaram calar suas vozes, mas nenhum consegue, pois elas representam algo dessa resistência popular, na sua forma mais singela e soberana. Tive o prazer de estar presente em algumas dessas quintas, hoje mais uma. O ato delas é um lamento, um grito, algo como, a reação possível delas, que sem armas, usam as que possuem, seus corpos, gritando o nome dos seus desaparecidos. A ditadura se foi, muitos netos foram descobertos e essa história, a as descobertas e reaproximação com seus verdadeiros familiares é tocante. Porém, a luta continua e hoje, com Milei no poder, algo já foi tentado para minimizar o ato defronte o Palácio Presidencial. As avós são irreditíveis. O povo argentino as apóia e com elas segue na luta por dias melhores. Elas representam muito dentro da historiografia de luta e resistência deste país.

Estar aqui é um orgulho. Vivo intensamente o momento e o registro com algumas poucas fotos.

TODA QUINTA, DESDE O FIM DA DITADURA ARGENTINA, ABUELAS CIRCULAM NO CENTRO DA PRAÇA DE MAIO EXIGINDO SEUS FILHOS E NETOS - MUITA EMOÇÃO ACOMPANHANDO O ATO
Estar em Buenos Aires, poder circular ainda livremente pela cidade, ainda sem ser barrado, como Milei já propõe, inclusive a entrada na Casa Rosada só de jornalistas e pessoas a dizer AMÉM, aceitando suas condições, é algo bem ditatorial, ao estilo de um desGoverno, sem propostas para o país, com muita repressão e licenciosidade ultra-direitista. Por outro lado, na praça, bem defronte o palácio, a resistência acontece e de forma contundente, sem interrupções. Toda quinta, elas, as avós da Praça de Maio ali estão e não só marcam presença, mas atuam politicamente, num momento onde tudo o que venha a ser demarcado como oposição sofre perseguições. As abuelas resistem...

EU E AS ALPARGATAS ARGENTINAS, ANTIGA HISTÓRIA DE AMOR
Até alguns anos atrás o domínio era da PAEZ alpargatas con diseño, famosas por aqui e a dominar o mercado de alpargatas mundial. Acabei comprando uma vez e hoje não tiro mais dos pés. É meu pisante preferido, algo inseparável. Todo retorno para cá, comprava mais algumas. Em princípio fáceis de encontrar, pela cidade de Buenos Aires inteira. Depois, foram rareando, mas ainda ssim, conseguia alguns endereços. De uma hora para outra sumiram do mercado e fui saber que, a marca foi vendida para empresários portugueses e, assim sendo, não mais fabricada no país. Num dos locais onde comprava todo ano era uma pequena loja no Caminito e ano passado, encontrei ainda algumas da Paez, as últimas existentes e já uma nova marca a substituí-la, a NIPA. A qualidade é praticamente a mesma e assim sendo, já tenho algumas com essa bandeira. Ano passado fui pela primeira vez em Portugal e na cidade de Lisboa, achei uma loja da PAEZ. Trouxe uma, com algo diferente das que comprava na Argentina, ou seja, a fabricação portuguesa alterou alguns detalhes. Neste ano, cliente da loja do Caminito fui lá e não vendem mais. Desolado, pesquisei pelo google e encontrei um endereço na calle Armenia. Fui lá e comprei duas, poucas unidades e alguma explicação do Pato, o comunicativo faz tudo da loja e fábrica. Diz tudo estar em plena transformação e talvez, pintando no mercado algo novo, uma nova marca, algo além da NIPA, mas englobando a sapiência adquirida em fazer alpargatas, numa nova concepção. Pediu para acreditar que, em breve, algo novo estará disponível e em vários pontos, com a mesma agilidade com que encontrava as das PAEZ no passado. Trouxe o cartão com o contato do Pato, feliz da vida com duas para o dia-a-dia , ou seja, pisantes garantidos para mais um ano e assim sendo, sigo, calçando o que me faz bem, sempre uma boa alpargata nos pés.

HOJE SE FOI UM BAITA AMIGO, DANIEL CARBONE, 65 ANOS
Daniel é meu amigo dos tempos de adolescente. Tenho lembranças de quando íamos juntos, caminhando pela beirada do rio Bauru, adentravámos a estação da NOB, atravessávamos toda a esplanada de trens e íamos parar na Escolinha da Rede, onde estudávamos. Ele estava alguns anos na minha frente, não éramos da mesma classe, mas a prosa nas idas e vindas juntos foram para mim algo engrandecedor dentro daquele meu período de vida. Ele morava na rua São Gonçalo, algumas quadras acima do rio e eu do outro lado da margem. Marcavámos e o encontro se dava na ponte, assim seguíamos até a Escolinha.

Hoje revivi isso tudo, pois logo pela manhã sua esposa, a Maria Carbone através do whats dele me comunica seu falecimento. Foi um choque. Ultimamente conversava pouco com ele, pois ele se foi de Bauru ainda jovem, deixando para trás um emprego na Rede Globo, quando foi cinegrafista, tudo para fazer vingar outro sonho, o de ganhar o mundo numa outra estação. Desde então, voltava sempre pra cá, pois seu irmão até hoje está com um escritório de contabilidade ali perto do Senai. Fui algumas vezes para lá, me hospedando em sua casa, sempre cheia de pássaros - como gostava de pássaros. A intimidade concebida quando jovem perdurou e entre eu e ele sempre revelações que a gente leva para túmulo. Quantos sonhos dividimos juntos, nas conversas e planos, alguns realizados, outros interrompidos e deixados para trás.

Pois o danado se foi hoje, aos 65 anos, um só há mais que eu. Quando a notícia chegou, parei na rua onde estava, me enconstei numa árvore e fiquei a pensar nele e no nosso tempo de juventude, algo já se esvaindo até da memória. Estou muito triste. Fiquei devendo algumas visitas em sua casa, sempre adiadas e nunca realizadas. Com ele se vai junto parte de uma fase de minha vida, quando dividíamos sonhos em comum e trocavámos figurinhas juntos, as conversas tão próximas e tendo como pano de fundo, sempre a esperança, o sonho de construir algo sólido. Ele chegou lá, foi professor uma vida inteira, escola pública, depois com sua loja de rações para animais e tudo o mais na cidade que o recebeu, São Bernardo do Campo. Cá estou neste momento olhando lá para trás e relembrando o grande amigo que hoje se foi.