domingo, 3 de agosto de 2014

CENA BAURUENSE (122)


EDUARDO GEBARA CONTINUA TOCANDO O BARCO DE SUA FAMÍLIA SEMPRE “GEBARATEANDO” NOS PREÇOS
Poucos dias antes de viajar fui rever um dos comerciantes mais tradicionais de Bauru. Eduardo GEBARA é de uma família com sobrenome relacionado ao comércio de tecidos finos. Seus ancestrais espalhados país afora, principalmente na cidade do Rio de Janeiro são por demais conhecidos exatamente pelas lojas de tecidos. KHALIL GEBARA faz parte da história desse setor e até hoje é uma forte referência nesse segmento de mercado. Não existe mulher ou mesmo alfaiate que não tenha em algum momento comprado tecidos junto a algumas das tantas lojas com um sobrenome Gebara na fachada. Nós, os brasileiros somos useiros e vezeiros em chamar todos os descendentes de árabes de turcos. Virou hábito misturar tudo. Daí acharmos que os Gebara, assim como todos os ditos “turcos” são todos oriundos de um mesmo lugar. Os Gebaras são libaneses e o pai desse que hoje continua mantendo uma loja especializada em tecidos veio para Bauru nos anos 30 e aqui se estabeleceu já no segmento onde sempre foram especialistas.

Eduardo é um distinto senhor, com quase dois metros de altura e outro tanto de simpatia. Um sujeito falante e que, sabe vender como poucos. Vê-lo em atuação em sua loja, localizada hoje lá nos altos da rua Antonio Alves é receber uma verdadeira aula sobre panos, cortes de tecidos e tudo no seu entorno. Ele vive literalmente num mundo à parte e sabe que, com o passar dos anos, infelizmente o que antes era uma grandiosa loja, hoje continua com a sua aberta, mas muito mais segmentada. Tanto que a sua saiu do centro e foi para outro lugar, para atender um público bem mais específico. Esse metiê de trabalhar com panos é algo bem peculiar, no caso dos Gebara, proveniente do sangue. Primeiro do tino comercial dos libaneses, especialistas no comércio, tendo participado da formação desse país com os famosos mascates, que iam de cidade em cidade, com seus produtos em lombo de burro, caixotes enormes que nem imagino como conseguiam carregar de uma cidade para outras. Alguns dos Gebaras viveram um pouco disso tudo.

Na sala do escritório do Eduardo, nos fundos de sua loja, dominando o lugar uma reprodução de uma extensa e sempre inacabada árvore genealógica, que mostra sua família séculos atrás no Líbano e as várias ramificações mundo afora. No Brasil, primeiro o seu tio, o tal Khalil da vertente carioca e seu pai, na vertente do interior paulista. Ele continua tocando o barco para a frente com estilo e pompa, de um jeito só seu, aprendido ao longo dos anos, algo passado de pai para filhos. Num famoso selo, tipo slogan de todas as lojas com o sobrenome familiar, algo que ele me mostra com um sorriso nos lábios, o PREÇOS GEBARATÍSSIMOS. Sua loja continua atuando em cima de muita pompa, ligada a costura de alta estilo, algo feito sob medida, padrão diferenciado em tudo. O refino dele foi aprendido no meio disso tudo. Um verdadeiro professor quando com uma tesoura na mão. No dia em que lá estive dava dicas básicas para um terno de um amigo e aquilo para mim foi uma aula.

O brasileiro acostumou-se a ver com certa avareza a especialidade dos libaneses pelo comércio. Sim, alguns foram e continuam sendo avarentos, mas não só eles. Isso não desmerece em nada aqueles que verdadeiramente suaram a camisa, deram a volta por cima sobre dificuldades mil e souberam se estabilizar e hoje estão em posições de destaque não só no ramo do início de suas vidas, o comercial, como outros. Eduardo não tem herdeiros e nem sabe o que poderá ocorrer com sua loja no futuro, mas isso não é motivo para não se entregar de corpo e alma ao que faz. Percebo que ele, por ser o que é, autêntico, original e um sujeito de firmes posições, possui uma legião de admiradores e outra de nem tanto. Ele navega bem diante disso tudo e o que conta, no seu caso é saber o que faz e o fazer bem feito. Dentre todos os comerciantes bauruenses, muitos eu não conseguiria escrever um texto elogioso e cheio de bons predicados, com ele isso ocorre naturalmente. Lembro de minha avó e de minha mãe indo buscar tecidos na Batista na loja do pai desse e hoje levo Ana Bia para fazer o mesmo quando necessita de algo diferenciado. Como desmerecer alguém que atravessa décadas e mantém um impecável padrão de qualidade? No seu caso impossível.

4 comentários:

Anônimo disse...

O que precisar em tecidos na Gebara tem do mais comum ao mais sofisticado parabensss
Maria Aparecida Viveiros Marques

Anônimo disse...

Interessante! Será que ele tem umas tricolines escuras para fazer vestidinhos?
Juliana Guido

Anônimo disse...

ELE TEM TODO TIPO DE TECIDO É A MELHOR LOJA DE TECIDOS DO INTERIOR DO ESTADO

AQUI GEBARATÍSSIMO SEMPRE

JOSE LUIZ SCHUBERT

Anônimo disse...

Henrique

Minha mãe e sua amiga que costuravam só compravam na loja da Batista. Todos os meus vestidos de bailes e brincadeiras dançantes da década de 70 foram produzidos com tecidos vendidos por Eduardo e seu primo Rubinho! Boas lembranças!

Sonia Cristina Scaquetti