quarta-feira, 26 de novembro de 2025

DIÁRIO DE CUBA (261)


NOVAS FRENTES DO CAIXOTE LITERÁRIO SE ESPALHANDO CIDADE AFORA*
* Este texto faz parte da publicação referente ao dia 25/11/2025, feita um dia após. O faço como extensão de um provável "Diário de Cuba", onde junto algo sobre das dificuldades de se tocar um país na contramão do mundo capitalista, neoliberal e fascista. A resistência cubana tem muito a ver com tudo isso. Me espelharei sempre no que fazem e como resistem por mais de 60 anos, com o Império nos calcanhares, lhes tolhendo a liberdade de existir.

Eu e Rose Barrenha somos do time dos que não sossegam o facho. Ela, às vésperas de uma longa viagem internacional, quando vai passar dois meses na Europa, aos cuidados das neta Giovanna, a abrigando na Itália e arreadores, podia estar cuidando dos detalhes do que virá pela frente, mas não, pelo contrário, faz questão de continuar investindo boa parte de seu tempo em ações comunitárias. A minha e a dela tem a ver com essa questão de ver livros sendo repassados adiante e chegando nas mãos de quem se interessa por leitura. A ideia dela, encampada por mim, quando seguimos abraçados e irmanados juntos na expansão do projeto do CAIXOTE LITERÁRIO continua.

Depois da Emdurb, com a interminável reforma no terminal rodoviário e interrupção distribuição livros aos usuários do local, inauguramos hoje, terça, 25/11, mais um lugar para levar livros para a população. Desta feita, após seus contatos imediatos de todos os graus, Rose e eu estivemos na manhã desta terça implementando mais um caixote lá no movimentado Posto de Saúde do bairro Geisel. Recepcionados pela excelente diretora da unidade, a Débora, também devoradora de livros nas horas vagas, já em funcionamento mais destes lugares, considerados exóticos por alguns, mas de intensa movimentação. Foi colocarmos a caixa de livros sobre o balcão para dar início a muitos se levantando da sala de espera cheia e em busca de algo mais além desse negócio de só batucar celulares.

Rose viaja semana que vem e estarei à frente deste e de outros projetos, todos envolventes neste treco denominado, levar o livro para as mãos das pessoas. O fluxo não pode ser interrompido. Vivemos tempos quando se observa muita gente se desfazendo de suas bibliotecas particulares e assim sendo, continuamos recepcionando livros e os direcionando para ações deste tipo. Num momento quando, no mesmo bairro a antes movimentadíssima biblioteca ramal do Geisel deixa de funcionar junto aos munícipes, mais um Caixote é fincado, ali quase ao lado. Uma porta se fecha e outras irão sempre surgir e despontar no horizonte. Lá no Posto de Saúde do Geisel só mais uma dessas possibilidades. Nos próximos dias, antes dela viajar, mais um destes locais, portanto, quem tiver livros em bom estado e quiser nos repassar, damos nosso jeito, buscamos e o distribuimos pela aí, sempre com aquela esperança de que, a leitura continuará salvando a humanidade deste treco desumanizador querendo se impor sobre nós. Resistir é preciso.

COMO É BOM A GENTE SER LEMBRADO...
Sou um velho contador de histórias. Gosto de procurar pessoas e delas extrair relatos, depoimentos. Guardo a maioria deles. Tiro também fotos e as publico. Escrevo com a mesma intensidade que tiro fotos. Os critérios são os meus. Creio, em muitas vezes acerto. O gostoso disso tudo é que, com o passar dos anos, passei a ser procurado por alguns e não me furto em atender a todos. Ainda mais agora, que tenho mais tempo.
Dias atrás, o telefone toca e por detrás uma jovem estudante da Unesp, 1º Ano de Jornalismo. Elas estão finalizando o seu primeiro trabalho de cunho jornalístico, escolhendo um tema instigante, os grandes assassinatos destas plagas e sem solução. Ficaram com o mais famoso, o da jovem Mara Lucia, ocorrido em 1970 e até hoje, mesmo identificados, seus assassinos, nunca condenados. Outros casos ocorreram por aqui, este só um deles.

A jovem é LETÍCIA AGUILAR e com ela, sua colega e amiga, SOFIA LAGRECA, neta da grande amiga, a grande dama viva do nosso teatro Dulce Lagreca. As recebo aqui no meu Mafuá, entre livros e algum pó, pois estava a arrumar estantes. Conversamos muito sobre Bauru, principalmente de ontem. Precisamente sobre Mara Lucia falo pouco, pois sei o que já publiquei no meu blog. Ao longo dos anos, conversei muito com o pai dela, pelo menos durante o tempo em que manteve alguns sebos na cidade. Acabei de ler o livro escrito pelos memorialistas de Santa Cruz, muito bom por sinal, todo baseado nas investigações policiais.

Minha contribuição foi sobre se tinha alguma lembrança da época, a comoção na cidade. O que posso me lembrar de algo quando tinha 11 anos? Pouca coisa. Digo que, o que mais senti, no caso, as proibições de meus pais de permanecer mais tempo nas ruas, pois na época vivíamos nas ruas, intermináveis brincadeiras. E quando passando pela casa onde ela morava e a que foi assassinada, me diziam: "Foi aqui". No mais, muito tempo depois, o que li por aí e até do seu túmulo, muito visitado, até com pedidos de milagres. Aproveitei para falarmos de outros, o dos jornalistas Montenegro e Benedito Requena - até do Pelezinho. Enfim, mudamos também de assunto e parlamos muito sobre Bauru.

Fiz o que gosto, conversei, contei algo, ouvi outro tanto e assim, como estava separando livros e os organizando, achei mais de uma dezena de repetidos, pedindo para cada uma escolher dois dentre estes. Sairam com mimos deste velho bardo e dentre estes, como fazem jornalismo, um deles foi o escrito pelo Carlito Maia, "Vale o Escrito", com suas crônicas e tiradas. Delirei quando uma delas o escolheu. Disse o que sabia do Carlito, estimulando-a para a leitura. Pelo visto saíram contentes e confesso, contente fiquei, enfim, lá se foram algumas horas de incentivo para quem está começando nessa profissão. Elas precisam ter muito estímulo para não cairem na vala comum da prática hoje do jornalismo de cadeira, o que escreve sem ir atrás da fonte, do fato e de não sair defronte do computador. Tomara tenha ajudado em alguma coisa.

HPA NO "CONVERSA DIÁRIA" NA TV CANAL BRASIL TV PREVE BAURU - Eis algo mais deste briguento mafuento, irriquieto cidadão, que vez ou outra é convidado para externar o que vai pela sua cabeça. Esse programa, o Conversa Diária é constituído de gravações curtas, 30 minutos cada, onde gente daqui conta algo de sua trajetória, de forma rápida, leve e sensível. A cada dia um novo personagem, uma nova história, abordagem diferente de como tocar a vida, com a batuta de Mara Carvalho. Ela faz pela TV, o que de certa forma faço com meu Lado B - A Importância dos Desimportantes. Isso de contar histórias, revelar e apresentar pessoas e suas particularidades é instigante, provocador e também gratificante. Diante da minha história ali contada, provocada pelas perguntas da entrevistadora/jornalista, me coloco no lugar de tantos outros que ali estiveram. Para mim, muito mais do que uma informação préconcebida, eis uma forma de se mostar e de ser visto, ao estilo "conversando a gente se entende", ou seja, quem tem algo a mostar que o faça nestes 30 minutos. No Lado B são aproximadamente 60 minutos, uma hora. Cada qual, possui sua importância e é dela que extraio algo deste néctar para continuar tocando o barco adiante. No link abaixo a minha história e vasculhando o site da TV, a de tantos outros, assim como eu, já passamos de mais de 100. E continuamos, enfim, parar por que?
A antiga TV Preve, hoje Canal Brasil TV: 
https://www.youtube.com/watch?v=TIMoizha-PQ

JUSTIFICATIVA HISTÓRICA, RIR PRA NÃO CHORAR - HAGAR QUE O DIGA...
Diante dois golpistas de hoje com a mesma esfarrada desculpa, vemos como a vida imita a arte, deslavadamente, descaradamente e despudoradamente.

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