quinta-feira, 27 de novembro de 2025
“O PENSAMENTO DE DIREITA, HOJE”, O LIVRO DE SIMONE DE BEAUVOIR, ESCRITO EM 1955 E COMO AGE A PERVERSA DIREITA BRASILEIRA HOJE
Não temos um só dia sem tomar conhecimento de uma nova ação perversa da direitona brasileira, hoje, já atuando de forma escancarada fascista. Na ação de hoje, os deputados federais só para prejudicarem Lula, pois foi iniciativa dele, barram no Congresso derrubando os vetos do licenciamento ambiental. Tudo bem, o Senado ainda vai votar, mas o descalabro é absoluto. Não dá mais para confiar em nada advindo dessa maioria bolsonarista, pois estão a fazer tudo, dia após dia, para criar problemas. Perderam qualquer escrúpulo e votam contra o Brasil, de forma descarada e escancarada. Vejo algo parecido aqui em Bauru, quando os vereadores, hoje de 21 representantes, votam cegamente, a tal votação de 17 x 4, em tudo o que Suéllen Rosin apresenta.
Essa ação pérfida da direita não é de hoje. Eu tenho comigo que, a direita nada faz para defender interesses do povo trabalhador e menos favorecido. Disso tenho certeza. Para me certificar localizo no meu Mafuá, um livro lido há muito tempo e que, hoje, o reli de cabo a rabo. Trata-se do “O PENSAMENTO DE DIREITA, HOJE”, escrito em 1955 e publicado no Brasil, pela editora Paz e Terra RJ, 114 páginas em plena ditadura militar, ano de 1972. Li décadas atrás e o grifei, hoje reli e acrescentei mais grifos. Todo rabiscado, quero passar adiante o que Beavouir destacou sobre estes maléficos cidadãos. A edição brasileira é um capítulo do francês “Privilèges” e cujas frases selecionadas dizem como atuavam e continuam a atuar essa putrefata direita:
- A burguesia vive na iminência do cataclismo que a abolirá. (...) “A sociedade necessita de super-homens, porque já não é capaz de dirigir-se, e a civilização do Ocidente está abalada até seus alicerces” (Alexis Carrel, 1950). (...) Ser de direita é temer pelo que existe” (Jules Romains).
- ...a burguesia encarava o fim da Humanidade – isto é, sua própria liquidação como classe – apenas como uma “eventualidade”. É que lhe restava uma esperança: o fscismo. (...) “Foram preciso duas guerras mundiais, os campos de concentração, a bomba atômica, para solapar nossa consciência”, escrevia Jacques Soustelle. “Começamos a fazer a terrível pergunta: será possível que nossa civilização não seja a Civilização? (...) Antes da última guerra, o bruguês pressentia que alguma coisa ia terminar, mas não sabia o que nasceria logo a seguir. Agora a barbárie tem um nome: o comunismo. Esta é a “cara da Medusa”.
- O teórico burguês sabe que o futuro lhe escapa, e já não tenta mais construir: define-se a partir do comunismo, contra ele, de maneira puramente negativa. (...) A direita contemporânea já não sabe mais o que defende: ela se defende contra o comunismo, e isso é tudo.
- Os burgueses não veem nenhum inconveniente em aceita algo: enquanto se trate de permanecer entre privilegiados. Mas justamente, que fique tudo “entre eles”. Eis, porém, que a “barbárie, a selvageria, os famintos e os piolhentos questão em torno” se agitam, atuam, falam, ameaçam. Como negar, ainda, que existem?
- Todo regime progressista combate o analfabetismo; os regimes reacionários – como os de Franco ou Salazar – o favorecem deliberadamente. Tão logo se sente forte, a direita substitui o pensamento pela violência: bem o vimos na Alemanha nazista. (...) A burguesia quer convencer aos outros e a sim mesma que, ao defender seus interesses particulares, tem em vista fins universais. A tarefa confiada aos seus “ideólogos ativos e conceptivos” é inventar uma justiça superior em nome da qual a injustiça seja justificada.
- O mundo inteligível é para eles um orgulhoso refúgio contra a mediocridade da sua condição. (...) O marxismo só se interesse pelo que acontece na terra, e torna a fazê-los descer brutalmente ao plano dos demais homens. (...) O que eles temem é ser ideologicamente liquidados.
- A doutrina de Marx, Engels, Lênin é, sem dúvida, quase desconhecida por aqueles que a combatem, ou creem fazê-lo. (...) Há, pois, uma religião marxista: “a religião da humanidade por conquistar, ou da humanidade por fazer”.
- Este mundo é um mundo de tapeadores e de otários, cenário de agitações destituídas de fim e de sentido. O homem é um animal maléfico e estúpido. Esta é a filosofia dos pensadores de direita. (...) Nada molesta tanto o privilegiado como a existência de outros homens, piolhentos, famélicos, e bárbaros. Entretanto, se o homem não merece mais do que desprezo, não é preciso ter mais escrúpulos: estamos autorizados a vê-lo como um zero.
- Durante muito tempo, a religião fez as vezes de ideologia para os privilegiados. Pervertido pelo pecado original. Cego, culpado, o homem aparece à luz do cristianismo como um antivalor. Não há para ele senão uma salvação: submeter-se à vontade divina. E esta se manifesta através do mundo, tal como é. O privilegiado aceita, sem dúvida, com toda a humildade, o lugar que lhe está reservado neste mundo: Deus o escolheu, e isto basta para fundar o seu direito. Quanto aos deserdados, só a resignação lhes permitirá merecer as compensações celestiais que restabelecem a justiça através da eternidade. (...) A existência do privilegiado vem a ser sagrada; suas posses um direito; seu exercício, um dever. Os privilegiados se chamam “a Elite”; os privilégios são superioridades; seu conjunto é a Civilização. A massa, porém, é nada. E pode-se então afirmar que a desigualdade satisfaz a justiça.
- “O problema da nobreza humana consiste hoje em preservar a atividade dos melhores, e estes se reduzem a uma minoria. (...) As revoluções denotam o fato de que as elites deixam a desejar. (...) Sobretudo para os que tem interesse em manter o status quo, o desespero é um excelente pretexto: o quietismo catastrófico serve à ordem estabelecidas. (...) A massa é, ademais, excluída do mundo do pensamento, como também do mundo dos valores éticos e estéticos.
- Outrora, para o escravagista americano, a ideia de Liberdade envolvia o direito de possuir escravos: para o burguês de hoje, envolve o direito de explorar os proletários. (...) “Com que espírito podemos suportar – nós, os felizes – a miséria do mundo? (...) Com as tintas da ironia, da melancolia, ou iluminada por uma mística, a sabedoria burguesa geralmente propõe esta divisa: aceitar. (...) Nunca se acabará com a injustiça de que este mundo está cheio; a sociedade será sempre, como a natureza, um caos de iniquidades” – escreve Jacques Chardonne. (...) A burguesia quer espelhos para se contemplar: mas exige que sejam espelhos deformantes.
Termino a leitura e me prostro de cabeça baixa. Não está sendo fácil. Os bandidos de direita, aqui no Brasil e aqui em Bauru, constituem-se em maioria. Ou derrotamos estes, ou seremos aniquilados. Isso é histórico. A “direita” de ontem e de hoje se assemelham, tanto na pratica da crueldade, sem dó e piedade para com a “existência de outros homens, piolhentos, famélicos, e bárbaros”. Observem e me digam, com toda a sinceridade: existe algo de aproveitável, de palatável, de benéfico para a população na ação da direita hoje?
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