FUNDAMENTALISMO RELIGIOSO DISCUTIDO EM MATIAS BARBOSA
Matias nem imagina residir ali um contestador no quesito religioso, ou
Não o esperem a querer converter ninguém. Pelo contrário. Como uma pessoa que já não deposita uma inabalável fé no direcionamento da maioria das igrejas pode indicar alguma confiável para alguém? “O protestantismo é individualista, prega hoje o puritanismo. Lutero se aliou aos príncipes e Calvino não, esse veio para transformar o mundo. O cristianismo sempre foi secularizador, faz exaltação, fortaleceu a condição humana. Jesus Cristo é uma pessoa como Buda, Zoroastro e ele mesmo percebeu isso, foi modelo. Mas no Ocidente virou o próprio Deus. Ele se intitulava filho do Homem, não de Deus, isso veio bem depois. Na igreja católica, o papa Leão I, cinco séculos depois de sua morte recontou tudo segundo o pensamernto da igreja vigente, ou seja, os donos do poder escrevem a História e os hereges a continuam”, começa sua aula para uma pequena e
Nada foi seguido à risca, tanto que a seguir já falávamos de uma tal igreja “Deus é Humor”, no interior do Paraná (“justo no Paraná”, faz questão de dizer). Depois se lembra de outra, a do “Papagaio Australiano”, seguida pela minha lembrança da “Maradonista” argentina. É inevitável falarmos da “Universal” e ali foi curto e grosso: “Ela é a igreja católica medieval, a dona da verdade de Jesus, uma manipuladora de tudo e de todos”. Entre risos lhe digo se já teve problemas por aí, quando começa a falar das contradições religiosas nas suas palestras. Fala-me de um, bem leve, um exemplo clássico: “Estava no Canadá e ciente de minha postura, um da congregação que me c
É um pastor sem rebanho e sem igreja para professar seu culto. Quem ouve suas pregações, ou melhor, debate a realidade religiosa são seus alunos na universidade e seus leitores espalhados Brasil e mundo afora. Voltamos para o tema do cristianismo no Brasil: “O catolicismo não conseguiu controlar a religiosidade nacional. Esse seu grande fracasso. Não fez nada de forma intelectualizada e sim, teatral, passa tudo pelas imagens dos seus santos. O Brasil é uma grande religião onde cabe de tudo. Aqui até o futebol é uma religião. O país é um amalgama permanente, uma religião chamada Brasil”. Melhor que tudo é quando usa
Quando perguntado sobre uma provável luz no fim do túnel, diante das barbaridades cometidas em nome de santos e deuses, diz que a "Aliança de Batistas do Brasil", seção Nordeste está com uma perspectiva nova e com um trabalho ecumênico de revisão do conceito de igreja batista vigente hoje em dia. “Tá tudo por ser feito para uma espécie de reivenção do protestantismo no Brasil”, conclui. Matamos saudades de tempos imemoriáveis da igreja no Brasil, com Dom Hélder, Padim, Casaldaliga, cardeal Arns e muitos protestantes, os que resistiram no movimento político contra a ditadura militar. “Isso não é mais possível em quase
Ele mesmo aceitou após insistência de alunos e conhecidos a participação em um grupo de estudos religiosos em Juiz de Fora, com 60 integrantes e uns 20 ativos. Por lá, ecumenismo total, gente de todas as religiões e discussões mensais com temas que surgem no momento. Algo muito lento, enquanto lá fora, proliferam igrejas por todos os cantos. Saio de lá com dois livros de presente. O primeiro, “Os vários rostos do Fundamentalismo”, coletânea de textos do Fórum Ecumênico Brasil,
organizado por ele e a “Matriz Religiosa Brasileira”, de seu amigo, José Bittencourt Filho, discorrendo sobre o tema da religiosidade e mudança social, onde escreveu o prefácio. Do primeiro tiro uma frase que poderia ser o motivador para ter ido ao seu encontro em busca de algumas respostas que ainda não conseguia responder: “Os homens insistem com maior veemência sobre suas certezas quando sua segurança a respeito delas foi abalada. A ortodoxia exarcebada é um método para ocultar a dúvida” (Reinhold Niebuhr). E do segundo, outra a explicar os motivos de querer discutir esse tema constantemente: “A primeira condição para quem quer compreender o crente e a sociedade dos crentes é ter, em um momento de sua vida, participado de uma crença” (Roger Bastide). Saio de lá com uma certeza renovada, a de que com as atuais composições das igrejas, continuarei longe de todas e mais perto de quem estuda o que aconteceu com todas elas. Zwinglio, cujo nome foi tirado de um discípulo de Lutero (o mais contestador), passa a constar da minha pequena lista de diletos autores preferidos.























