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segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

INTERVENÇÃO SUPER-HERÓI BAURUENSE (26) e CHARGE ESCOLHIDA A DEDO (49)

DEPOIS DO EXEMPLO DE SÓCRATES, COMO TORCER NO AMADOR BAURUENSE?
Segunda de ressacas múltiplas, primeiro algo que nunca será muito bem digerido, a despedida ontem de um verdadeiro craque, dentro e fora dos gramados, Sócrates. Depois com a vitória corintiana (sic – empatou em zero a zero) no Brasileirão 2011 e quando Guardião, o super-herói bauruense quis reverter tudo para uma festa local, a da decisão do amador local, Liga Bauruense, algo que não conseguiu engolir por mais que mastigasse. Aquilo tudo ficou revirando em sua boca e soltou das suas: “Como ainda torcer para times do Amadorzão de Bauru, todos dominados e comandados por forças outras que não a do futebol, quando até ir aos estádios tornou-se algo perigoso?”. E mais não disse, mais não quis dizer, não torceu por nenhum dos times e preferiu, assim como esse HPA e o criador do desenho do herói, Leandro Gonçalez (http://www.desenhogoncalez.blogspot.com/ ) estar em outras torcidas mais amenas e menos perigosas.

Nessa segunda uma novidade alvissareira aqui pelos lados desse mafuento blog. Duas estréias com a devida pompa. Dois desenhistas de responsa, Fausto Bergocce (http://www.faustocartoon.com.br/ ) , um amigo como poucos, que comigo estará lançando um belíssimo livro, o “Reginópolis – Sua História”, primeiro em Reginópolis no próximo dia 09/12 e depois aqui em Bauru no dia 13/12, no Templo Bar. A segunda estréia é a de Nicolielo (http://www.nicolielo.art.br/ ) , outro amigão, que ajudou a fundar o Jornal da Cidade por aqui, depois ganhou o mundo e hoje, vida ganha, voltou para sua Nova Europa e de lá cutuca o mundo. Ambos aceitaram disponibilizar semanalmente uma charge, a de Fausto saindo diariamente num jornal diário de Guarulhos e a de Nicolielo, num de Araçatuba. Ainda não sei ao certo como as utilizarei, mas sempre fui adepto de ilustrações em meus textos e dessa forma, penso que o melhor é intercalar o traço de ambos a algo que esteja escrevendo. O pontapé inicial está dado hoje aqui junto do Guardião e na semana que vem, bem primeiro precisamos ver se ainda estaremos por aqui na semana que vem e depois, com certeza, o traço dos dois tornará esse espaço mais rico. Fico lisonjeado com a presença de ambos, Fausto um parceiro de todas as horas e Nicolielo, outro, que está alinhavando nesse momento uma grande exposição sua para o SESC Bauru, no início de janeiro. Com Gonçalez, Fausto e Nicolielo esse mafuá deverá ter uma visual mais apurado daqui para frente. Espero que gostem. Só falta agora o HPA começar a concatenar melhor as idéias e escrevinhar a contento.

domingo, 8 de janeiro de 2012

DICAS (87)

CHOVE MUITO E CITO TRÊS COISAS RÁPIDAS NUM FIM DE DOMINGO
1.) A prefeitura de Bauru e a compreensão sobre políticas de inclusão digital: O prefeito descarta R$ 12 milhões do Programa Cidade Digital e disse que não precisa de dinheiro porque a informatização da prefeitura já aconteceu! Mas diz: "O que eu não analisei é que o projeto Cidade Digital poderia sim alcançar, e eu reconheço, é espalhar pela cidade inteira pontos de internet gratuito. Isso está pendente para avaliar”, comentou. O oferecimento de internet gratuita espalhada pela cidade, comentou Agostinho, envolve uma questão de viabilidade. “Tem empresa de provedor estabelecida e somente uma delas tem 200 empregos na cidade no setor. É preciso avaliar se é interessante para o município instalar os pontos e afetar esse mercado”, citou. Mudam-se a roupagem, mas a mentalidade provinciana permanece intacta. O prefeito consegue fazer esse raciocínio gente! 200 empregos pela exclusão de milhares de pessoas de acesso à internet. rs - ESSE COMENTÁRIO EU RECEBI PELO EMAIL DO ANTONIO SARDINHA, MESTRANDO DA UNESP E JORNALISTA.

2.) Olá Henrique, finalmente montamos o blog "os patetas", o Ademar e eu. A idéia é que possamos todos publicar, sem "centralismo democrático", artigos no blog. Assim, vamos passar a senha de acesso para você e mais alguma pessoa.Um forte abraço. TRISTAN DIERCKX http://www.osspatetas.blogspot.com/ (Aqui eu emendo meu comentário - Esse nome, "Os Patetas" foi dado a nós três, eu, Ademar Aleixo e Tristan quando fomos protestar na Câmara de Vereadores de Bauru a posse surreal do atual presidente, Saikai Roberval Pinto e assim fomos chamados pelo vereador Marcelo Borges PSDB. Assumimos o nome e hoje tudo vira um blog).

3.) Nicolielo em “A Arte no Esporte”, esse o nome da exposição que Nicolielo acabou de inaugurar no SESC Bauru, com 20 telas sobre práticas esportivas. "Com a proposta de valorizar o esporte e incentivar sua prática, o chargista e artista plástico Antonio Carlos Nicolielo, conhecido no mundo todo, está em Bauru este mês e em fevereiro para expor 20 telas que retratam 20 modalidades esportivas olímpicas. Saltos, corridas, danças, nados: as telas criadas pelo artista são retratadas de forma bem-humorada e mostram com detalhes e cores marcantes os movimentos de atletas envolvidos em esportes olímpicos. O chargista conta que suas pinturas basearam-se em pesquisas sobre cada prática esportiva. O trabalho foi, na verdade, uma encomenda feita para uma rede de hotéis durante a última edição dos jogos olímpicos", matéria do JC. Esse HPA, foragido de Bauru por dez dias, não pode comparecer, mas irá, com toda certeza, pois além da amizade, reconhece um valor imenso no trabalho artístico do Nico.
obs.: o texto de hoje sai somente com as charges semanais do Fausto e do Nicolielo, cedidas pelos auotres para publicação semanal nesse blog.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

UM AMIGO DO PEITO (27) E MÚSICA PARA VIAGENS
NICOLIELO, CADA VEZ MAIS SÓCIA DO HEMINGWAY E DO "VELHO E O MAR"
Nicolielo tem suas charges publicadas no Jornal da Cidade toda segunda, na folga do chargista contratado, o Fernando. Ele envia charges diárias que poderiam ser aproveitadas no Caderno Brasil, para deleite dos amantes do traço e dos quadrinhos. O JC deve ter lá seus motivos para arquivar material tão precioso, jóias raras. Nico possui um traço inigualável e de sua cabeça saem idéias geniais. Essa que aqui publico (clique nela que ela fica grandona) ele me disse ter publicado antes da divulgação da história de que uma neta do Sarney também tinha cargo secreto. Todo artista possui uma premonição, essa é a do Nico, antecipar os fatos. Escrevo do Nico muito por aqui (Memória Oral 10 - 06/11/2007) e dessa vez porque ontem passei lá por Nova Europa, com minha maleta de vendas e cruzo na rua com um senhor de barbas cada vez mais brancas. Era o próprio. Passei no seu covil (ou seria uma espécie de mafuá, tal a semelhança com meu canto), também ateliê de trabalho. Lindo lugar, fonte de muita inspiração, com uns ganchos para armar uma rede no centro da sala, bem junto das telas que pinta incessantemente. Olhei para ele e vislumbrei uma semelhança, pois não parava de me falar da sua diversão atual, as pescarias. Dizia ter comprado um caiaque e de ter se transformado num desbravador dos rios da região. Acopla o barco sob seu resistente Ka (o carro suporta ele, o barco e os peixes, que diz pescar aos montes) e parte para os rios (um no mar, outro nos rios). Abre a tela do computador e mostra umas fotos, tiradas pelo amigo Denis Mendes, outro desenhista de mão cheia, arquiteto de Paraguaçu Paulista, quando foi pescar por lá. A semelhança estava comprovada. Nicolielo é o próprio "O Velho e o Mar" (The Old Man and the Sea), personagem do livro mais conhecido do escritor norte-americano Ernest Hemingway. Lá ele conta a história de um pescador que, depois de 84 dias sem apanhar um só peixe, acaba fisgando um de tamanho descomunal, que lhe oferece inusitada resistência e contra cuja força tem de opor a de seus braços, do seu corpo, e, mais do que tudo, de seu espírito. Ernest Hemingway é um escritor norte-americano, nasceu em 1988 e suicidou-se em 1961. O Velhor e o Mar, foi escrita na época em que Hemingway viveu em Cuba e é uma de suas últimas obras de ficção e também uma das mais famosas. Sintam uma pequena frase retirada do livro: " - O peixe também é meu amigo - disse em voz alta. - Nunca vi ou ouvi falar de um peixe desse tamanho. Mas tenho de matá-lo. É bom saber que não tenho de tentar matar as estrelas. Imagine o que seria se um homem tivesse de tentar matar a lua todos os dias", pensou o velho. "A lua corre depressa. Mas imagine só se um homem tivesse de matar o sol. Nascemos com sorte." Olhem bem para as fotos e tentem adivinhar quem é o Hemingway e quem é o Nicolielo. Eu só acertei porque sei que Nico só anda de bermudas. A outra diferença é a alegria. Nico vive nesse retorno à sua cidade, momentos de rara felicidade, pintando suas telas e vendendo para o mundo, além das charges distribuidos mundo afora. A novidade é que tentarei trazê-lo para Bauru, numa exposição de suas telas no Bar Templo. Aguardem...

MÚSICA PARA VIAGENS - Semana corrida, estrada quase todos os dias, sentida canseira. O alento é a vitrolinha a funcionar no meu carro. Que seria das viagens, nesse meu "road movie" particular, sem meu som ligado em alto e bom calibre? (Tem outra coisa que gosto muito das viagens, mas é segredo). Gastei dois CDs (de tanto tocar) nessa semana, ambos comprados no Submarino, o "Batucando", do Moacyr Luz (Biscoito Fino, 2009) e o "Chutando o Balde", do Nei Lopes (Fina Flor, 2009). Cantarolo a ambos com a mesma caprichada entonação. Ri muito com o "Pala pra trás" (Magnu Sousá e Nei Lopes) : "Lá vem ele outra vez/ De boné tipo inglês/ Mas de pala pra trás/ Quem é esse cara, compadre?/ O que é que ele faz?/ Com a pala na nuca/ Ele é fraco da cuca/ Que estranho ele é/ Ou será que é uma touca/ Muito, muito louca/ O boné do Mané?!/ Vira essa pala pra frente/ Antes que um mal te aconteça!/ Isso é mais um banal lero-lero/ Que os gringos puseram/ Na tua cabeça./ A pala é a maior proteção/ Pros olhos e a visão/ Quando a luz é demais/ A não ser que a sensibilidade/ Em Vossa Majestade/ Venha lá de trás". Uma crítica bem construída desses bonés todos virados para trás que a rapaziada usa desbragadamente nas ruas. No do Moacyr, algo sobre os comes e bebes nos botequins da vida, "Delírio da baixa gastronomia": "Azeite no jiló/ Pimenta fresca no bobó/ A abrideira no balcão de mármore/ Dentro do pirão, uma corvina, um azulão/ E a feijoada desenhando o sábado/ Cosido à brasileira, no domingo e quarta-feira/ E também tem uma camarão na abóbora/ Depois se apaixonar pela batida do lugar:/ -A melhor!/ Garçon de borboleta/ Escrito a giz na tabuleta:/ - Mocotó!/ Frango com quiabo, um cabrito temperado/ É de ajoelhar./ No caldo do ensopado, um lagarto fatiado/ É de fazer chorar..." E por aí afora. O samba desses dois me faz sair do sério. Viajo sem perceber a rudeza da estrada.

sábado, 2 de agosto de 2008

UMA CHARGE ESCOLHIDA A DEDO (7)

NICOLIELO, DE NOVA EUROPA, DEPOIS BAURU, PARA O MUNDO
Meu dileto amigo Nicolielo continua tendo suas charges publicadas aqui em Bauru no Jornal da Cidade, com a sagacidade que lhe é peculiar. Possuidor de um traço "inimitável", que reconheço só de bater os olhos, fazia tempo que queria voltar a falar dele por aqui (publiquei um Memória Oral, quando ocorreu uma exposição sua aqui em Bauru). A oportunidade é essa, pois ele volta a ter expor suas telas, dessa vez no Novotel Jaraguá, em São Paulo, com a "A arte do esporte", todas com temas esportivos, numa homenagem às Olímpiadas que começa dia desses.

Para ver o Convite em tamanho maior, basta clicar em cima dele e verá mais detalhes. Já para saber mais da vida e obra desse artista do interior, nascido lá em Nova Europa e tendo começados sua carreira de sucesso por aqui, clique no seu site: http://www.nicolielo.art.br/

Quando idealizei escrever algumas linhas sobre essa minha admiração pela arte das charges é por conhecê-los, quase a todos, só de bater os olhos nos traços. Hoje, além de publicar uma do Nico (como os amigos o chamam), quis divulgar algo marcante sobre mais uma expô com seu nome. Podíamos até pensar em trazer também essa para cá. Que acham? Na verdade, precisamos encontrar motivos para trazê-lo de volta para Bauru, mesmo que seja de vez em quando, pois teríamos a oportunidade de voltar a provar a cachaça Nicolielo, de revê-lo, de ver suas obras novas e conversar, que é coisa que ele faz gostosamente.

terça-feira, 6 de novembro de 2007

MEMÓRIA ORAL (10)
Escrevi esse texto em maio desse ano, bem antes do Nicoliélo expor aqui suas charges e algumas obras, lá na galeria do teatro Municipal de Bauru. Nico é uma pessoa muito especial, um grande amigo, que conheci naquele mês e de quem gosto muito. Quando aqui esteve foi muito atencioso para com todos e recebeu o carinho de toda uma cidade. O texto foi para demonstrar o que sentia naquele momento, diante de uma pessoa toda especial, de quem já admirava (e muito) o trabalho. Qualquer dia desses publico também as fotos tiradas no dia da abertura da exposição.

Fiz questão de publicá-lo nesse momento, pois Nico estará expondo suas charges em Paraguaçu Paulista, durante a 3ª Feira de Humor de Paraguaçu Paulista, da qual é também jurado, que começa no dia 15 desse mês. Fica aqui minha singela homenagem a esse grande artista.

ÁGUAS PASSADAS MOVEM MOINHOS OU O BOM FILHO À CASA TORNA

Nova Europa é uma pequena cidade localizada entre Ibitinga e Araraquara. Seu nome advém da imigração européia, principalmente a alemã, possibilitando que a maioria de seus 8000 habitantes possuam uma tez um tanto quanto alourada. Nesse pacato recanto eminentemente agrícola, nasceu, cresceu e partiu uma figura ímpar. Fez a vida toda longe dali e agora retorna, um filho da terra, o chargista político Antonio CarlosNicolielo, ou NICOLIELO. Lá ele passou boa parte da juventude, tendo o primeiro ensaio de partida da cidade, ainda nos anos 60,quando tentou ser beque da Ferroviária de Araraquara. Foi uma curta experiência, pois segundo ele mesmo afirma:
- Era difícil a convivência. Jogador não lê nada e eu queria cada vez ler mais. Não era a mesma praia. Parei, mesmo jogando muito bem.
O retorno não durou quase nada. Logo estava de malas prontas para o lado oposto, Bauru, onde foi estudar Direito. Começou sua atividade profissional por lá, sendo um dos fundadores do Jornal da Cidade, onde publicou sua primeira charge, em 1967. Fez nome em Bauru, mas a cidade acabou ficando pequena demais para ele. Caiu no mundo e não se arrependeu. Foi para a capital e daí em diante não parou mais e não mais saiu de dentro das redações de importantes órgãos da imprensa nativa. Iniciava a trajetória de sucesso, já chargista político dos jornais Diário de São Paulo e Diário da Noite. Foi também ilustrador e capista da revista Visão, ao mesmo tempo em que ilustrava para Status, Folha de São Paulo, Folha da Tarde e da experiência paulista de O Pasquim. Participou de inúmeras exposições, tanto no Brasil, quanto pelo mundo afora. Conviveu com cobras como AloísioByondi, Mário Sérgio Conti, Boris Casoy e todos os do traço. Afirma ter sido um dos poucos chargistas que participava de reuniões de pauta, o que causou ciúmes entre muitos colegas de pena:
- Sempre li muito e meus desenhos exprimiam isso. Quando pegava um texto para ilustrar, nunca me prendi ao óbvio, indo muito além. Saia uma verdadeira interpretação, que o completava. Sempre foi meu diferencial.
O seu sucesso atravessou fronteiras e, assim, foi um dos pioneiros a publicar no fechado mercado editorial norte-americano ao qual envia charges até hoje, pois continua artista contratado do Cartoonist & Writers Syndicate e New York Times Syndicate, que distribuem seus trabalhos para mais de 150 jornais do mundo. Vive disso e aqui no Brasil, do repasse diário de uma charge, que produz sempre até às 18h, com distribuição para mais de 100 jornais, dos quais nem lembra direito o nome. Para chegar nesse patamar atual, a trajetória foi de muita luta, disposição, dedicação e, claro, talento, de quem mergulha de cabeça no que faz. Paralelo a isso, formou as duas filhas, construiu um patrimônio e, separado da esposa, fugiu do rush das cidades grandes, morando por uns tempos em Três Lagoas MS, de onde se mantinha plugado no mundo. Por lá, começou esse negócio de pintura em telas, um filão e dele não se separou mais. Continua a produzir charges, mas, a de telas ganhou boa parte do seu tempo. São as tais "caricatelas", mostrando um artista muito bem focado no seu dia-a-dia.
A criação artística do Nicolielo surge quase totalmente da observação do cotidiano, uma pelada, um casamento caipira, gente em torno de uma mesa de bar e música numa praça. Desde que a galeria paulistana Marcelo Neves, que tem exclusividade sobre suas telas o contratou, ocorre uma nova guinada em sua vida. Foi tudo muito rápido e o retorno definitivo para Nova Europa se deu há exatos três meses, tudo ainda um quanto tanto desarrumado. A casa, bem em cima da agência bancária da NCNB desocupada há anos e o sítio da família (dele e de mais dois irmãos), localizado a "distantes" 400 metros, precisava de gente por perto. Ou seja, aquele carinho, que só o dono sabe dar. Até o alambique da Cachaça Nicoliello havia sido fechado por falta de quem cuidasse. Hoje, circula por tudo o quanto é lado de bicicleta, cria seus bichos, continua viajando muito e quando para na cidade, distribui a preços módicos os restantes 18.000 litros da premiada cachaça:
- Essa é mesmo da boa. Não conheço quem tenha ficado mal bebendo dela. Recebeu até uma premiação tempos atrás.
Seu ritmo atual é o da tranqüilidade, acorda tarde, pois tem o hábito de trabalhar até as 4h, 5h da manhã. "Não me peçam para fazer nada pela manha. É quando durmo". O resto do dia lê muito, de livros a jornais. Possui quase tudo a respeito de quadrinhos e charges, daqui e de fora. Sua biblioteca faz inveja a de muitas cidades. Tranqüilo afirma: "Isso tudo vai acabar ficando por aqui mesmo". A vida não é nada modorrenta, pois virou uma espécie de celebridade, sendo chamado para tudo quanto é tipo de festa. Atualmente traça um esboço para um memorial da cidade e possui ótimo tramite com o poder municipal: "Dia desses o scanner da Prefeitura quebrou e o prefeito pediu para mim um favor. Fiz o trabalho e doei o aparelho, pois tinha acabado de comprar um mais atual".
Do lado de sua casa, o banco conta com 24h de segurança e quando resolve sair para o quintal no meio da noite, sempre acompanhado da inseparável gata de estimação, o vigia do banco torna-se um ótimo papo. Durante o dia, o Projeto Guri ensaia 90 crianças na casa do lado e costumeiramente é convidado a opinar sobre o desempenho dos alunos, como dessa vez, numa apresentação na praça, logo em frente. Enfim, seu tempo está sempre ocupado. Quando ligam da galeria, fala com o futuro cliente, através de uma câmera, acertando no ato os detalhes da tela encomendada. Um luxo que suou muito para conquistar. Vende tudo o que produz, mas sua arte ainda não está muito bem definida. Uns a denominam de näif, mas ele entre risos a define como"näif com griffe", invenção de um amigo artista plástico. A igreja da praça central cheia de gente é o tema da atual tela.
Desfruta disso tudo da melhor maneira possível, tanto que aos 59 anos está prestes avoltar bater uma bolinha com amigos da mesma faixa etária. Não se sente nem um pouco só e faz do calor humano que recebe de todos, o seu recarregador de energias perdidas. Recebe muita gente por lá. Quem já avisou que está prestes a chegar é o amigo Ignácio Loyola Brandão, que no
próximo retorno para sua Araraquara prometeu aportar por lá. Outro que tem viagem agendada é o também escritor, Mário Prata. Quando isso acontece, costuma ceder o quarto da casa (ou vão todos para o sítio), pois perdeu o costume de dormir em colchão. A casa possui vários lugares onde instala suas redes e desde que passou a dormir nelas, não teve mais problemas de coluna:
- Já viste índio com problema de coluna?
Por falar em solidão, toca seu celular e ele corre para o MSM. É a namorada, distante uns 3000 km. Liga a Internet por rádio e esquece da vida. Resolvo sair de fininho, levando comigo 4 litros da tal cachaça.
Por Henrique Perazzi de Aquino – Bauru SP - escrito em 27/05/2007

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

ALGO DA INTERNET (27)

O QUE VAI ROLANDO NA MINHA CAIXA DE E-MAILS
Fausto Bergocce, o famoso cartunista saído aqui de pertinho, Reginópolis para o mundo, estará na região no final do mês para lançamento de uma exposição de caricaturas, só com pessoas do seu pedação caipira, sua cidade natal, que ele não cansa de divulgar, como uma espécie de embaixador não oficial reginopolitano. Da última vez que passou por aqui deixou uma linda caricatura minha, que estou emoldurando e fixando aqui no mafuá. Ontem ao abrir minha caixa de e-mails outra surpresa. Acalentamos um plano (ou seria sonho?) de viajar juntos no final do ano, com um roteiro passando por Peru e Colômbia. Coisa de mochileiro. Ele já verifica custos e me envia uma charge sobre o tema, só para colocar mais lenha na fogueira. Não vai ser fácil, pois o Marcos Paulo me instiga para voltarmos à Cuba e Fausto quer caminhar pelos Andes. Toparia ambos roteiros, porém algo me inquieta: teria recursos para tanto? Ao trabalho, incessante e sem tréguas, do contrário... Adesões são bem vindas.

O presidente Lula e sua esposa, Marisa ficaram alguns dias em férias num reduto baiano, tranquilos e fazendo o que todos gostamos de fazer no pleno gozo desses dias: nada. E por que não poderia fazê-lo, afinal todos somos merecedores de uns dias de descanso? Paparazzi são um inferno nesses dias e lá estavam de forma incessante em busca de uma foto do presidente nos seus momentos de intimidade. Conseguiram uma e fizeram "merda" com a sua exposição. Lula e Marisa a caminho da praia, ele carregando na cabeça um isopor (foto do jornal O Globo RJ). Choveram protestos e até um indignado fazendo suposições do conteúdo da tal caixa. No título da matéria algo besta: " A farofa do Lula". Eu me atrevo a dizer, cervejinha gelada e da boa. Agora, digo mais, o que temos a ver com isso? Nada e é dessa forma que devemos encarar a questão. Não deixam o homem descansar em paz nem nesses dias. E agora começam a pipocar e-mails preconceituosos num velho estilo detestável por qualquer gente sensata.

Essa eu dei risada, apesar da coisa ser séria. Era mais ou menos assim: "outro dia, entrei num supermercado para comprar orégano e adquiri uma embalagem (saquinho) do produto, contendo 3g , ao preço de R$ 1,99 . Normalmente esse tipo de produto é vendido nos supermercados em embalagens que variam de 3g a 10g . Cheguei em casa e resolvi fazer os cáculos e constatei que estava pagando proporcionalmente, $ 663,33 pelo kg do produto. Será que uma especiaria vale tudo isso ?? VEJAM O ABSURDO: Você sabe o que custa quase R$ 13.575,00 o litro? Resposta: TINTA DE IMPRESSORA ! VOCÊ JÁ TINHA FEITO O CÁLCULO? Veja o que estão fazendo conosco! Aí, veio a "Grande Sacada" dos fabricantes: oferecer impressoras cada vez mais e mais baratas, e cartuchos cada vez mais e mais caros . Uma HP DJ3845 é vendida, nas principais lojas, por aproximadamente R$170,00. A reposição dos dois cartuchos (10 ml o preto e 8 ml o colorido), fica em torno de R $ 130,00. Os fabricantes fingem que nem é com eles; dizem que é caro por ser "tecnologia de ponta". Para piorar, de uns tempos para cá passaram a DIMINUIR a quantidade de tinta (mantendo o preço). Um cartucho HP, com míseros 10 ml de tinta, custa R$ 55,99. Isso dá R$ 5,59 por mililitro. Veja só: R$ 13.575,00 por um litro de tinta colorida. Ou seja, um assalto!". Achei mais do que justo e não havia reparado nisso.

Publiquei dias atrás uma carta enviada para o Jornal da Cidade sobre o paradeiro dos chargistas do jornal, o Fernando (que voltou hoje, vi lá uma nova charge dele) e do Nicolielo, meu querido amigo, sosia do Hemingway e um dos mais vibrantes traços brasileiros. Lá de Nova Europa, seu esconderijo, ao lado do alambique da família, fica sabendo de minha carta e me envia uma resposta: "Sim, sai definitivamente, sem me falarem nada. Daí, telefonei para o financeiro, porque não estavam me pagando e disseram que, a partir do dia 30 de novembro, não precisaria mandar mais trabalhos. Abraços, Nicolielo. PS- Vou aí nesse fim de mês para acertarmos a exposição lá no Templo. Abraços". Foi só e isso sai aqui sem mágoas ou ressentimentos, ciclos se encerram. Eu continuarei navegando pelo traço do véio Nico, no site do Luciano Pires, http://www.lucianopires.com.br/. Lá é só procurar numa lista imensa de colunistas, um com o nome de Nicolielas. Pronto, as charges do maestro vão surgir diante de nossos olhos. E em breve uma exposição dos seus trabalhos lá no Templo, do amigo Fernando.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

FRASE (85)

HOJE É O DIA DO LANÇAMENTO DO LIVRO AQUI EM BAURU
Hoje, 13/12 é um dia de duplo significado para mim. Primeiro porque hoje faz exatos seis meses que perdi minha mãe, Eni. Acordei pensando nela e em tudo o que a vida me proporcionou nesses 51 anos vividos. E hoje, 19h30, no Templo Bar aqui em Bauru o lançamento do meu primeiro livro. Logo de cara fui agraciado com uma parceria com Fausto Bergocce, um amigo que conheci dos tempos em que atuava na Cultura Municipal aqui em Bauru e dele muito me apeguei. Minha mãe estará, certamente, junto de nós todos, feliz da vida com esse filho problemático e cheio de sonhos ainda não realizados. Dias atrás, eu e o Fausto fomo mais do que agraciados com um texto enviado pelo amigo NICOLIELO, direto de Nova Europa, com uma homenagem a essa dupla a lançar um livro sobre Reginópolis:

Reginópolis, a História.
Nunca vi coisa tão bem feita. O Fausto fez melhor varredura que o Google. Tirou o pincel e a tinta da miséria. Tem gato, tem cachorro e papagaio. O povo simples e trabalhador que fizeram a cidade lavaram a alma do Fausto, que lá nasceu. Foi pincelando gente e casas. Os detalhes de ruas e estradinhas que levam a sítios onde a modorra boa também é história. Como galinhas em quintais durante tardes quentes, Fausto ciscou e catou imagens do povo que fez Reginópolis. Não escapou ninguém e nenhum canto simples, comum em todas as cidades interioranas.
E o Henrique foi escrevendo a vida desse povo baseado em dados e documentos envolvido pelas cores faustinas.
Toda cidade deveria ter um Fausto e importar um Henrique.
Se falta alguma coisa para alguém bater palmas, aqui está o livro.
Nicolielo

Fiquei em estado de graça total. Radiante da vida. Nicolileo havia também juntamente com o Fausto liberado a publicação aqui no blog de uma de suas charges por semana. Hoje reproduzo aqui, a dele e de Fausto, pois nem sei bem no que ficar escrevendo. Encerro isso tudo falando de outro poeta e um parceiro num livro também saindo da gráfica, é o de Vitor Martinello e Wellington Leite. Dois amigos, que tiveram a idéia de juntar pequenas frases, poesias curtas do poeta e fazer um rebuliço gráfico, tudo para facilitar ou incentivar a leitura para os mais jovens. Daí despontou o “Para o Sol dia de Chuva é Feriado!”. O convite está publicado aqui ao lado, com as indicações todas de local, data e horário. Dois livros, quatro mãos em cada e muita emoção pela frente. Hoje não consigo produzir mais nada além disso, pois nem sei bem como proceder num dia desses. Sou marinheiro de primeira viagem e conto com a sorte. Na foto de capa do Caderno Cultura de hoje, numa matéria linda do JC, “Uma viagem por Reginópolis”, uma foto da dupla empunhando o livro e chegamos a seguinte conclusão: “Estamos parecendo Zumbis. Não temos mais conserto, porém assim como sardinha de balcão, continuamos em exposição” (toc toc toc). Mamãe estará comigo, como sempre.

Comecei com a frase do Nico e termino com a poesia do Vitor: “E como eu palmilhasse vagamente/ uma estrada de Bauru, pedregosa, / e no fecho da tarde um sino rouco. (...)/ se misturasse ao som de meus sapatos/ que era pausado e seco; e aves pairassem/ no céu de chumbo, e suas formas pretas/ lentamente se fossem diluindo/ na escuridão maior, vinda dos montes/ e de meu próprio ser desenganado (...) a máquina do mundo se entreabriu/ para quem de a romper já se esquivava/ e só de o ter pensado se carpia”.
OBS.: Esse vídeo postado abaixo foi gravado na última segunda, 12/12, Teatro Municipal em homenagem à Chico Buarque, sendo a última apresentação, grupo todo reunido no palco para cantar "A Banda":

terça-feira, 23 de agosto de 2011

BAURU POR AÍ (56)

A OVELHA NEGRA DE BAURU, SACADA BRILHANTE DE RITA LEE
Sábado à noite, 20/08, eu e Ana fomos assistir ao show de Rita Lee e Roberto de Carvalho no Espaço Bauru. Sempre gostei de Rita, de sua irreverência e uma postura sempre digna. Lá, num espaço tumultuado, reencontro duas pessoas queridas, a jornalista Camila Turtelli e minha amiga pipoqueira Inês Faneco. Debaixo de uma tenda, ao lado do trailler de batatas um papo agradável com Camila. Confesso preferir locais onde o show possui um horário pré-determinado para começar. Nesses assim, um imenso salão e bandas fazem shows de abertura. Vim para ver a Rita e a demora é sempre desestimulante, porém suportável quando o esperado chega e arrasa. Foi o que aconteceu com a paulistana Rita, 65 anos no lombo, 34 de casamento com o guitarrista carioca Roberto e mãe de três filhos. A “titia”, como ela não se importa de ser chamada se renova e acerta em cheio a cada novo show.

Esse atual, o “ETC” teve de tudo um pouco, pois Rita tem repertório em várias linhas e atendendo todos os gostos. O cenário foi impecável com um recurso pouco visto ainda por aqui, a introdução de imenso painel nos fundos do palco, chamado por eles de vídeo-cenário, onde eram refletidas de forma sincronizada imagens estáticas e em movimento de Rita em vários momentos de sua vida e carreira. Produção impecável e um artista cujo nome merece ser citado, Daniel Todeschi, que produziu algo especial para cada música. Tudo perfeito e muito bonito. Ficou realmente lindo. Minhas fotos todas publicadas aqui são uma reverência a isso.

Mas, para mim, além disso tudo, gostei muito do visual e dela cantando (vestia uma camiseta com a cara de Janis Joplin), algo mais aconteceu no show e me tocou profundamente. Ela reverenciou Bauru e com uma lembrança de ter estado no show/festival na cidade, relembrando o momento em que Tim Maia imortalizou o termo “bauretes”. Já contei algo sobre isso aqui, extraído da biografia escrita por Nelson Motta e pode ser lido clicando a seguir: http://mafuadohpa.blogspot.com/search?q=bauretes . Tem gente que detesta essas lembranças, mas imortalizar isso não denigre em nada Bauru, aliás, enaltece. O que denigre são outras posturas e procedimentos.

Mas Rita não ficou só nisso e fez um verdadeiro discurso com fundo musical, antes de cantar a sua OVELHA NEGRA. Fez questão de falar de quando ganhou um livro sobre a biografia de dona Eny Cesarino, a da famosa Casa da Eny, “a casa mais famosa de prostituição do Brasil”, relembra Rita. Aquilo me tocou profundamente, pois tinha visto no mesmo dia, numa página inteira de um dos nossos jornais, fotos e mais fotos de uma eleição a homenagear pessoas no “Destaque do Ano da ACIB 2011”. Fui rever os nomes todos dos homenageados e me certifico de que nunca dona Eny será devidamente homenageada nessa cidade, mesmo tendo sido uma de suas mais importantes beneméritas. Poucos por aqui teriam peito (sic) para homenagear Dona Eny pelos seus atos e ações fora do bordel (e não foram poucas).

Eu, que tenho uma mãe com o mesmo nome da famosa prostituta, Eni (o de minha mãe com “i”), confesso gostar de ambas. E hoje, como escrevo da Eny, a com “y”, adorei a lembrança mais do que oportuna de Rita. Ela, a do prostíbulo, foi mesmo a nossa OVELHA NEGRA, adorada por muitos e rejeitada por outros tantos. Gravei a Rita e se puderem ouvir um pouquinho de sua fala entenderão o que digo e da importância de fazermos algo para eternizar de vez o nome e a importância que essa cafetina teve para essa cidade. Não devemos nunca nos esquecer disso. A fala é mais ampla e nela Rita conta um pouco de sua vida. Tai pra quem quiser assistir.



OUTRA COISA: Hoje, 23/08, abertura da exposição Festa Baile no TEMPLO BAR, composta por 20 telas com temática voltada à dança e uma linguagem única do artista Antonio Carlos NICOLIELO. Nascido em Nova Europa SP, em 11 de fevereiro de 1948, iniciou sua atividade profissional em Bauru, onde estudou direito, trabalhando como repórter, redator e chargista político dos jornais Folha do Povo, Jornal da Cidade e Diário de Bauru, além de outras grandes passagens como Diretor de Arte do Banco Noroeste, Editor de arte da Revista do Banco Noroeste, capista e ilustrador das revistas Visão, Veja, Status entre outras. Também publicou três livros e teve participação especial em três títulos internacionais. Participou de importantes mostras de arte ao longo de sua carreira como Salon International of Caricature of Montreal, International Biennal of Cartuns of Gabrovo, Ano Internacional da Criança – mostra individual no MASP e Galeria de Arte Lagard. Em Bauru foi brilhantemente relembrado numa exposição na Galeria do Teatro no ano de 2007. Clicando a seguir, tudo o que esse mafuento escrevinhador já publicou sobre Nico e sua obra: http://mafuadohpa.blogspot.com/search?q=nicolielo


segunda-feira, 5 de março de 2012

PALANQUE – USE SEU MEGAFONE (19)

TRÊS HISTÓRIAS: MENDIGOS E O SAMU, RODEIOS EM BAURU E O FIM DO BOM DIA JAÚ
1.) Vítor Gregório postou ontem no facebook DIREITOS HUMANOS o seguinte texto: “Ontem o Samu de SP mostrou seu descaso com a população. Na ponta da minha vila havia um homem em situação de rua que chorava de dor na perna e pedia para alguém ligar para a ambulância para ajudá-lo. A perna dele estava inchada e ele disse que foi agredido com uma marretada. Ligamos às 18h e eles não chegavam, então mobilizamos a vizinhança para ligar para o Samu pois eles estavam demorando de mais. Ligamos para o 190 e o 193 para ajudar mas eles só encaminhavam para o SAMU, que dizia que estava mandado uma ambulância que nunca chegava. Uma viatura da PM passou em frente, mas alegou que não podia assistir e foi embora. Quando deu 00h30 liguei para os Direitos Humanos para denunciar essa discriminação do Estado com o homem em situação de rua. Fui muito bem atendido pelo disque 100 e mandaram a denúncia com urgência . O SAMU ligou as 6h00 perguntando se ainda queria o pedido de socorro e dizemos que sim, mas de novo não veio a ambulância. Agora ligaram e disseram que não podiam ajudar o homem porque ele não estava mais no local. Estou muito decepcionado com o descaso do serviço publico e agradeço o disque denuncia dos Direitos Humanos por ouvir nossa queixa e levar nossa causa em frente”. MINHA ÓBVIA CONCLUSÃO: Demorou, pois com certeza ao ligarem foi dito tratar-se de um mendigo e assim sendo, como todos sabem, o carro devia ter sido lavado há pouco tempo e não queriam sujá-lo novamente. E, dessa forma, foram adiando, para que alguém fizesse o serviço sujo antes deles. Nem a polícia quis por suas mãos e muito menos os moradores, que ficaram ao lado do homem, mas ninguém o colocou no próprio carrinho e o levou até um decente atendimento. Esse é o Brasil, onde não existe discriminação, racismo, indiferença, etc. Depois fico sabendo que quando transportamos alguém nessa situação e algo dê errado, problemas eternos com a Justiça. Daí a necessidade do serviço público executar esse serviço.

2.) Rodeios no Mary Dota. Nessa semana acontece mais um e sempre por iniciativa da Prefeitura Municipal. Nem gosto muito de comentar sobre esse assunto, pois em primeiro lugar acho que quando um órgão público pode contratar shows e eventos tem por necessidade ser diferente de tudo o que se apresenta como ruim. Se ele age da mesma forma e incentiva o ruim, peca já aí. Quando o ruim, o lastimável cultural é bancado por particulares, vai quem quer. Quando o poder público banca tudo, nem tenho o que comentar, só a lamentar. Imaginem algo diferenciado com a população desse bairro sendo incentivada a participar de manifestações culturais de reconhecido valor. Todos ganhariam. Lastimável, só isso. Talvez faltem mais toques para uma mudança de direcionamento. Marta Caputo ontem pelo facebook bota a boca no mundo e reproduz isso: “A NATURAE VITAE visa atraves da AÇÃO JUDICIAL - PROC. 071.01.2011.008869-6/000000-000 - NUMERO DE ORDEM 261/2011 com trâmite pela 2o Vara da Fazenda Pública em BAURU - Busca acabar com o Rodeio dentro de bairro residencial (Mary Dota)”. Insistir no ruim é também ser ruim.

3.) Abro meus e-mails hoje e num deles, recado de um jauense: “Bom dia!!! (...) Aproveito para pedir que voce procure saber o que houve com o Bom Dia Jaú que parece ter deixado de circular. Sem mais, Luiz Carlos”. Me acho na obrigação de reproduzir aqui alguns emails trocados desde o último dia da circulação do jornal, dia 18/02. Em 25/02 recebi do Paulo Grange, o último editor do Bom Dia Jaú o seguinte: “Oi Henrique. Tudo bem? Não sei se continua enviando seus textos para o BD Jaú. Só escrevo para avisá-lo que, segundo me informaram os últimos funcionários que lá resistiram à batalha sem salários, a última edição foi publicada no sábado dia 18.... Infelizmente não temos mais o jornal na cidade... não sei se volta... todo mundo parou sem receber salários.. sem telefone na redação.... sem carro para fazer matérias...o jornal faliu na verdade sem pagar as contas e a equipe..o pessoal recebeu 15 dias de dezembro e só...e o diretor do jornal nem sequer compareceu na redação para dar justificativas...fui editor até o dia 7 de janeiro... sem receber parei... o diagramador e os repórteres, por serem registrados, tiveram um pouco mais de paciência e ficaram mais uma semana e pouco. É isso...abraços do Paulo”. No mesmo dia respondi a ele da seguinte forma: “Paulo - Coincidências da vida. Ontem ao dar uma espiada no site do jornal pela internet, folheei algumas edições e vi que suprimindo espaços, deixaram de publicar até a seção Formador de Opinião em algumas edições. Acreditei que estivesse funcionando e enviei para oemail da redação uma solicitação de informação vendo se podia continuar enviando textos, pois há duas semanas não o fazia. Ninguém me respondeu e hoje vc me dá os motivos. Fico triste, pois foi melancólico o desenlace. Tendo mais novidades, repercuta para mim. O caso do BD Jaú foi de absoluta falta de grana. Imaginaram uma coisa, uma ajuda que não veio e o que tinham, como não era muito para sustentar um jornal e os anunciantes não pintaram, aliado ao bater de frente com a Prefeitura (necessário, diga-se de passagem), o maior anunciante da cidade, tudo veio a findar-se antes do tempo. Um belo projeto que esvaiu-se e deixará saudade, pois acredito ser mais do que necessário um jornal diferente em Jaú, com uma visão menos conservadora do que os existentes, menos ligado à estrutura de poder existente. Me envie novidades. HPA”. Paulo responde a seguir dando as explicações definitivas: “Oi Henrique. Quando sai do jornal quem "tocou" foi o diagramador, que suprimiu Formador de Opinião e Nossa opinião, afinal não tinha quem escrevesse. Ele deu uma improvisada para o jornal circular mais um pouco. Cada repórter ficou fazendo uma matéria por dia e o resto era completado com notícia da rede bom dia... Assim o jornal circulou... uma pena. Faltou dinheiro sim... mas faltou administração...”. Suprimi alguns trechos, pois tenho comigo que todos os envolvidos tiveram vontade em acertar, proposituras de algo novo, mas quando confrontados com a realidade dos fatos, desvios ocorreram e o projeto não vingou. Uma pena!
OBS.: As quatro charges, duas superiores do Fausto Bergocce (www.faustocartoon.com.br) e duas inferiores do Nicolielo (www.nicolielo.art.br) são cedidas graciosamente por seus autores para esse mafuento espaço. Não dizem respeito propriamente aos textos nas quais estão inseridas, mas sim, todas elas a temas do momento. A eles o meu agradecimento e reconhecimento, além de amigos, meus "reis" do traço.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

PRECONCEITO AO SAPO BARBUDO (45) e CARTAS (79)

COMPLEXO DE VIRA-LATA (OU MALDADE MESMO): EM CUBA E NA PETROBRAS
1.) Na primeira visita oficial a Cuba, a presidenta Dilma Rousseff defendeu uma parceria “estratégica e duradoura” para acelerar o desenvolvimento cubano. “Não é possível fazer da política de direitos humanos só uma arma de combate político-ideológico. O mundo precisa se convencer de que é algo que todos os países do mundo tem de se responsabilizar, inclusive o nosso. Quem atira a primeira pedra tem telhado de vidro. Nós, no Brasil, temos os nossos. Então, eu concordo em falar de direitos humanos dentro de uma perspectiva multilateral. Acho que esse é um compromisso de todos os povos civilizados. Há, necessariamente, muitos aspectos a serem considerados. De fato, é algo que nós temos de melhorar no mundo, de uma maneira geral. Nós não podemos achar que direitos humanos é uma pedra que você joga só de um lado para o outro. Ela serve para nós também”, eis a fala de Dilma. Gostei e serve como uma cala-boca para toda a grande e pequena imprensa aqui do Brasil, que insiste em tentar fazer perguntas impertinentes sobre esse tema, todas de via única somente aos cubanos. E os presos políticos de Cuba? Sim, e os de quem sugere a pergunta, como os de Guantanamo. Ou que nome poderíamos dar para aquilo? Geraldo Alckimin também desrespeita os Direitos Humanos quando patrocina atrocidades no Pinheirinho e no interior das cadeias paulistas. O Irã não pode ter a bomba atômica, mas Israel pode continuar ameaçando todos seus vizinhos árabes. O que é necessário de uma vez por todas é essa parcela que cobra as coisas só de um lado, sem enxergarem o próprio rabo, deixarem de ser hipócritas. A ira contra Cuba é conhecida. Lá, uma pequena e diminuta ilha caribenha, pobre e com ínfimos recursos, porém com mais qualidade de vida, mais saúde, educação, lazer para a população e tudo a custo zero, nada de iniciativa privada. Quem banca tudo é o Estado, sem cobrar, sem auferir lucros. Isso o inadmissível.

Uma CARTA minha para a Tribuna do Leitor, do JC (publicada edição de hoje) após ver charge do Fernando, publicada na edição de 01/02/12: “A CHARGE DO FERNANDO SOBRE CUBA - Toda vez que Cuba encontra-se em evidência, como agora com a visita da presidente Dilma, a imprensa brasileira segue o que lhe dita os norte-americanos e questiona sobre Direitos Humanos, entre outros temas correlatos. A melhor resposta foi a própria presidente quem deu quando respondendo a jornalistas disse: “E Guantánamo? E nós, nossas delegacias? Querem discutir o tema, ou tudo ou nada”. Por aqui desrespeito muito maior aos Direitos Humanos que em Cuba. Por lá nunca um governador teria um intervenção tão desastrosa como a do Alckmin no Pinheirinho. Por lá não se urinam nos detentos como fazem os militares dos EUA mundo afora. Militares cubanos percorreram o mundo, mas nunca se viu algo parecido com o que os norte-americanos fizeram no Afeganistão ou Iraque. Cuba não saqueia os países, ela estabelece relações com o intuito de que eles se libertem. Por tudo isso credito de uma infelicidade atroz a charge do Fernando dessa quarta, 01/02, na página 2 do Jornal da Cidade. Seu traço é bom, a maioria de suas abordagens me satisfaz, mas nessa demonstrou em primeiro lugar desconhecimento histórico, pois quem lhe disse que na ilha não existe eleição? Faltou-lhe informação. E quem lhe disse que Fidel está gagá? Talvez mais lúcido que nós todos juntos, isso sim. Fernando continua com crédito junto a mim, pois sei da dificuldade de encontrar o bom tema, renovado a cada dia, mas dessa vez, não tenho como deixar de demonstrar meu desagravo. O mesmo se aplica ao estardalhaço pelo já punido responsável pela Casa da Moeda com conta no exterior e nada sobre as de Serra, sem punição, e da filha, que ameaça concorrer novamente em pleitos, sem que isso lhe cause empecilhos. Fico sem entender”. Em tempo: A charge do Nicolielo vai na mesma linha do pensamento único a dominar o mundo.

2.) Defendo a Petrobras de ataques gratuitos e desnecessários. Em sua maioria feita por arrivistas, gente que não conhece patavina sobre o assunto, mas quer meter o bedelho pelo simples motivo de ser contra o atual governo federal. São da turma dos que torcem contra em todo e qualquer assunto. Ontem na seção de cartas do BD Bauru algo assim na CARTA de Paulo Panossian: “A Petrobras valia em 2007, R$ 429 bilhões. Agora vale R$ 291 bilhões. Se juntarmos a isso a corrupção (R$ 85 bilhões por ano), estamos jogando pelo ralo mais de um trilhão”. Não me seguro com algo dessa lavra. Existe hoje uma parcela da imprensa brasileira fazendo de tudo para encontrar falhas nas ações da estatal, principalmente nas bacias petrolíferas. Vimos isso quando da ação da norte-americana Enron, que fez e aconteceu nos erros e tudo fizeram para inocentá-la. Nessa não deu, mas as estocadas continuam. Leio sobre a desvalorização de suas ações, feitas por analistas de mercado e repudio isso de forma simples. As ações caíram, mas esses analistas se limitam a isso e não informam que a empresa sofreu um processo de capitalização nunca visto, com o aumento de participação da União no seu controle. É isso que eles não querem. Mas é assim que ele deve ser, pois a Petrobras não deve ser destinada somente a ter valor de mercado. Não existe como ela existir, sendo o que é, sem ter uma política nacional que sirva ao país, afinal ela é controlada pela União e a ela deve prestar reverência. Os que a criticam, embolam vários assuntos no mesmo tema é com o intuito de menosprezando seu desempenho e sua importância para o país, tornar mais fácil o caminho para que ela deixe de pertencer ao país. Esses não dão importância nenhuma para a contribuição que ela dá ao país, pensam somente que a medida do desempenho da estatal é o que representa para os acionistas e ela é muito mais que isso.

Uma CARTA minha para A Voz e a Vez do Leitor, do BD após ler a missiva do Paulo Panossian: “PETROBRAS - O jornalista Paulo Panossian externou meia-verdade ontem na seção dos leitores do BD. A Petrobras saiu da lista das privatizadas por FHC por pura sorte, quando já recebia denominação de Petrobrax. Até 2015, investirá 224 bilhões de dólares, sendo constituída por músicos de primeira grandeza, seus funcionários. Ela possui uma política nacional que serve ao país, controlada pela União e um dos orgulhos da nação. Ela não joga nada no ralo e sim, possui balanço mais do que positivo, maior símbolo disso é o pré-sal. Causa inveja nos que a querem submissa e a serviço da iniciativa privada. Faltam informações justas, sobram bazófias e injurias”.

Escrevo um pouco mais e sobre um caso de corrupção. Leio horrores sobre o caso do cara lá da Casa da Moeda que descobriram com conta no exterior. De imediato foi afastado e sua situação sendo investigada (a atitude que deveria e foi feita). Estardalhaço total. Já do José Serra, ex-candidato a Presidente da República e de sua filha, também com contas no exterior, valores vultosos circulando por elas, sem comprovação de renda suficiente para tê-los, não leio nada, quase todos calados (o caso do livro A Privataria Tucana). Essa a grande hipocrisia nacional, que não me canso de denunciar. Enquanto quiserem culpabilizar um dos lados e não o outro, continuarão todos sendo SANTOS DO PAU OCO.

Encerro sugerindo uma reflexão profunda sobre os destinos da América Latina, lendo a entrevista do Assessor para Assuntos Internacionais de Lula e agora de Dilma, Marco Aurélio Garcia, dia 30/01/12, para o diário argentino Página 12, sobre relações comerciais entre os países do Cone Sul. Cliquem a seguir e divirtam-se: http://www.pagina12.com.ar/diario/elpais/1-186527-2012-01-30.html
OBS FINAL: A tira superior é do REP, Página 12 edição de hoje, a do FERNANDO é do JC de ontem, as do NICOLIELO e do FAUSTO são as que publico aqui semanalmente, com autorização dos autores. SOBRE NOSSO ATÁVICO COMPLEXO DE VIRA-LATAS (termo criado por Nelson Rodrigues), NÃO ACREDITO SER NECESSÁRIO MAIORES EXPLICAÇÕES.