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sábado, 20 de fevereiro de 2021

REGISTROS LADO B (33) e OS QUE FAZEM FALTA e OS QUE SOBRARAM (146)

 NO 33º LADO B, MÍDIA E DEMOCRACIA, COM A HISTÓRIA D’O DEBATE, JORNAL INDEPENDENTE DE SANTA CRUZ DO RIO PARDO, SERGIO E ANDRE FLEURY – A RESISTÊNCIA SE FAZ PRESENTE

Neste sábado, 20/02/2021, dia da inauguração, em plena pandemia, fase vermelha, quando o vírus se espalha de forma avassaladora por Bauru e o Brasil, a novíssima (sic) prefeita da cidade abre um empreendimento novo, só seu e dos seus, negócio particular, uma igreja neopentecostal e convida o mundo para ali estar. Essas hipocrisias latentes, pulsantes e fazendo questão de afrontar, não só o bom senso, mas qualquer regra de civilidade é tratado de forma “normal” por parte significativa da mídia hoje existente, principalmente a hegemônica, massiva. Como o Jornalismo conseguiu chegar neste estágio tão decrépito e sem enrubescer, sem ter suas faces coradas? Existem quem de fato ainda consiga resistir diante de tão avassaladora onda desdizendo de uma Manual de Boa Conduta? Dias atrás, o amigo Garoeiro, professor aposentado da Unesp Bauru, exilado em Natal RN, envia a mim algo propondo “novas formas de luta” e nela, um pedido para que assistisse uma Live, com pedido pessoal: “Jornalistas com coragem de apurar e falar a verdade estão, daqui a pouco, em um debate promovido pelos Estados Gerais da Cultura, lançando luz sobre o processo de desagregação do maior escândalo jurídico do Brasil, a Operação Lava Jato. Marcelo Auler – que se dedica há anos, com imenso sacrifício pessoal, a romper os véus de Curitiba – Cristina Serra, Fátima Lacerda e Altamiro Borges, discutem e esmiúçam as últimas revelações do material apreendido na Operação Spoofing, onde repousam os comprometedores diálogos entre Deltan Dallagnol, Sergio Moro e os procuradores de Curitiba e de Brasília. É imperdível para quem quer ficar em dia, o que não é fácil, com a avalanche de material que sai das cloacas de uma conspiração. Caro Mafuento-Mor, Sequer consegui ir até a metade ... Esbravejar sobre o leite derramado resolve?”.


Eu respondo a ele, ao meu modo e jeito: “Garoeiro - Faço isso diariamente, ininterruptamente e neste sábado, 33º Lado B entrevisto os dois proprietários do jornal Debate, de SCRP, pai e filho, atuação impecável na imprensa regional, sem se vender, produzindo um jornalismo como deve ser feito, muito longe do balcão de ‘secos e molhados’ e atacaremos em conjunto a subida no palanque por jornalistas bauruenses da rádio Velha Klan junto do Véio da Havan e prefeita Suéllen. Eu trago essas pessoas para o debate e escracho publicamente a pouca vergonha em curso. Minha parte faço, por aqui, a gente ao menos demonstra o quanto são pérfidos, vassalos e não valem nada. Igualzinho o que me envia. Assista por favor, será amanhã, sábado, 19h”. Desta forma começo a apresentação de mais um BATE PAPO, dentro dessas conversas semanais, intituladas por mim também como “A importância dos desimportantes”. Sim, o termo é este mesmo, pois os desimportantes deste país, quando abrem a boca, tem muito pra contar e escracham, não deixam pedra sobre pedra sobre a hipocrisia reinante hoje neste país.

Essa dupla que muito me honra de bater esse papo comigo possuem FOLHA CORRIDA de imenso valor. Este pequeno jornal, encravado numa cidade de pouco mais de 60 mil habitantes, distante uns 100 km de Bauru, só para se ter uma ideia, possui hoje mais jornais que a terra “Sem Limites”. Lá o bicho pega e o DEBATE, cria do mentor da coisa, o jornalista Sérgio Fleury, circula há 43 anos infernizando a vida de quem apronta por aquelas bandas. Sabe por que resistiram tanto e continuam nas graças de fiel público leitor? Por conseguir manter a independência, a imparcialidade e assim, entra governo, sai governo, eles não se aliaram a nenhum, estando sempre prontos para fazer a crítica e o elogio, na medida exata, sem envolvimentos e estar no bolso de ninguém. Coisa rara hoje no interior brasileiro. Conta-se nos dedos – dizem que de uma mão – os jornais ainda atuando desta forma e jeito. A imensa maioria é mero balcão de negócios, chapa branca de governos municipais e interesses mais que obscuros. Não é fácil resistir. A dupla, pai e filho, Sérgio pai e André Hunnicutt Fleury Moraes são valorosos por não se desviar de um ideal jornalístico cada vez mais fragmentado. É uma luta, a pela sobrevivência e a de não se deixar pelo “canto da sereia”, aquele que diz compra tudo e todos. Nos 43 anos de existência, o jornal quase fechou a portas, teve que lacrar seu parque gráfico e hoje roda o jornal semanal em Bauru, tudo para conseguir sobreviver, seguir adiante. São muitas histórias, a do ideal nunca abandonado e agora, dois fatos mais que memoráveis, o filho dando continuidade ao trabalho do pai, sem interrupções e a tentativa de alçar novos voos, com o lançamento de um site, com maior abrangência.

Eles contarão isso tudo e muito mais em uma hora de elucidativo bate papo. Nestes 14 anos de blog Mafuá do HPA já escrevi deles algumas vezes e recordo neste momento, com o intuito de aguçar a curiosidade:

- Em 06/08/2010 publiquei: “DEBATE, UM JORNAL LUTANDO PARA NÃO SER FECHADO - A história do semanário “Debate”, de Santa Cruz do Rio Pardo, cidade com 40 mil habitantes a 340 km a oeste de São Paulo, ganhou destaque nacional após denúncias de irregularidades e benesses envolvendo o Judiciário da comarca. (...) A partir daí inicia-se o inferno astral de Sérgio Fleury Moraes (nenhum parentesco com o policial torturador), editor, repórter, diagramador e fotógrafo (já havia sido no início impressor e entregador do jornal), que aos 17 anos, em 1977, funda o “Debate”, sob total influência de ares renovadores inspirados pela já agonizante ditadura militar. Desde o início, recusando as benesses do poder e o convívio amigável com os poderosos, rema contra a maré. No editorial da primeira edição um vaticínio que o persegue desde então, o de que “fazer jornal em cidade pequena é atividade temerária”. E continua sendo, visto os 127 processos (ganhou 123) abertos contra si, obra de um ex-prefeito e a atual situação, onde nenhum secretário municipal pode conceder entrevista direta ao jornal sem passar pelo crivo da Assessoria de Imprensa. Tanto o anterior, como o atual governo municipal são exercidos pelo PSDB. Na sua batalha diária não sofre tréguas, pois enquanto vicejam país afora pequenos jornais totalmente atrelados ao poder municipal, ou vivendo exclusivamente de renda advinda de anúncios públicos, Sérgio insiste no lado oposto. “Sou um jornalista por convicção e um empresário por necessidade. O jornal sou eu, todas as semanas aqui, sem descanso. O segredo da minha independência é que faço quase tudo, menos me meter com a parte financeira e comercial. Não vendo anúncio. Nenhum jornalista do Debate faz isso. Existe um setor interno só para cuidar disso”, conta Sérgio num final de tarde, quase véspera do carnaval, revirando uma montanha de papéis espalhados em sua mesa de trabalho na redação do jornal.


A história do jornal é essa mesma. Sua credibilidade e o selo estampado em sua primeira página, “Século XXI Ano 33 – Uma voz livre em sua defesa” é a mais pura verdade. Continua primando pelo mesmo ideal de luta contra as desigualdades e pela democracia, igualzinho quando o jornal começou a circular. Foi amealhando ao longo desses anos inimigos irreconciliáveis, tudo por causa da postura combativa, de denúncia, investigação e seguidor fiel da verdade factual dos fatos. Nada mais que isso. Como se isso não fosse suficiente para lhe causar todos os problemas a lhe atormentar a vida. (...) Sua rotina não mudou em nada por causa dessas atribulações todas. O jornal vai muito bem, recheado de anúncios e tendo uma tiragem de 8.000 exemplares semanais, sem nenhum anúncio de Prefeitura, os tais editais, que são a única fonte de sobrevivência de muitos interior afora. O nome disso é credibilidade. O descanso da companhia é no dia em que o jornal circula, aos domingos. No máximo, a folga é estendida para parte da segunda-feira, depois tudo volta para a velha e boa rotina de trabalho. Na quinta que antecedia o Carnaval, a cidade quase às escuras por volta da 1h30 da manhã, uma luz continuava acesa no andar superior do prédio do “Debate”, justamente a sala do Sérgio. Sua noite estaria longe de terminar. Perguntado sobre o que poderá acontecer ao jornal na hipótese da decisão lhe ser desfavorável. “Faço minha fezinha toda semana”, me diz olhando para um maço de jogos de loteria recém feitos em cima de sua mesa. E assim ele segue, luz sempre acesa, vigilante e confiante.

- Em 24/07/2010 publiquei: “LIBERDADE DE IMPRENSA E UMA CONTRIBUIÇÃO DESTE MAFUÁ EM "CARTA CAPITAL" – (...) Diante de tudo isso, durante a semana recebo um email e uma ligação telefônica de Sergio Lirio, redator chefe da revista semanal Carta Capital (http://www.cartacapital.com.br/ ) me perguntando se poderiam aproveitar parte de um texto e minhas fotos, publicados aqui neste mafuá e repassadas a eles, sobre a situação do jornal DEBATE, de Santa Cruz do Rio Pardo e, conseqüentemente, do jornalista Sérgio Fleury, tentando escapar de injusta multa de R$ 600 mil reais impingida pelo juiz daquela comarca. O fato é do conhecimento público e havia atualizado a situação do semanário. Autorização passada, hoje, sábado, 24/07, vou correndo às bancas em busca da revista e estampado na capa, algo que aprovo totalmente, “Censura: um fantasma apenas – Por que a liberdade de imprensa não está sob risco no Brasil”. Em risco estamos nós, leitores quando lemos e acreditamos em matérias a nos querer ludibriar. Na página 20, o começo da reportagem, assinada por Sergio Lirio, “Fantasmas à solta – A crescente oferta de notícias e opinião desmente a tese de que a liberdade de imprensa corre riscos”. Na matéria, algo muito claro, as entidades de classe dos patrões, ANJ, ABERT e ANER não estão interessados em jornalistas perseguidos, mas só nas “várias tentativas do governo de regulamentar a atividade em nome do controle social”, que ninguém sabe direito o que é. (...) Da matéria, duas conclusões: existe uma cultura no Brasil de que as autoridades são intocáveis e a de que a censura judicial é pior do que a exercida na ditadura. Esse trecho da matéria nasceu de um texto parido aqui neste mafuá (vou transformá-lo num Memória Oral em agosto). A revista Carta Capital está nas bancas a partir de hoje, inclusive com foto feita por mim de Fleury, quando estive com ele da última vez, em fevereiro, pouco antes do carnaval e com publicação autorizada. Novamente, sinto-me orgulhoso. Esse mafuá comprova novamente sua serventia”.

- Em 18/10/2018 publiquei: “A LUTA CONTINUA – Quase fechado pela Lei de Imprensa, jornal Debate, de SCRP enfrenta novos desafios para manter suas portas abertas - As boas histórias de resistência nesses anos mais que duros eu colho pelas andanças que ainda faço pela aí. Essa eu espalhei para publicações em variados órgãos da imprensa independente, livre e atuando dentro da verdade factual dos fatos. Quem bravamente resiste tem que ser valorizado, e esse Sergio, desse Debate é um alento para quem ainda pratica o jornalismo na sua essência. Quem ainda não conhece, não sabe o que está perdendo por ainda não ter batidos os olhos na experiência inusitada desse jornal semanal de Santa Cruz do Rio Pardo, um baluarte no que faz e de como é feito. Conheçam a história lendo meu relato a seguir:

O jornal semanal Debate, da pequena Santa Cruz do Rio Pardo (46 mil habitantes), interior de São Paulo já foi notícia num passado recente, após sofrer sérias perseguições pelo Judiciário local. (...) Com o país de pernas para o ar, uma crise institucionalizada e agravada com o golpe de 2016, além de outra, a da mídia impressa, Debate sobrevive com 7 mil exemplares semanais, quando já chegou a picos de 10 mil. Um selo em sua página 2 registra a continuidade da perseguição: “Perseguição – Enquanto você estiver vendo este selo, processos judiciais ameaçam o DEBATE”. (...) O parque gráfico está fechado, juntando poeira, tudo penhorado na referida ação e as edições agora são rodadas na vizinha Bauru (no Jornal da Cidade), distante 100 km. Do prédio só a redação funciona de fato. “Infelizmente hoje é mais barato terceirizar do que rodar aqui. O maior concorrente da imprensa hoje se chama facebook, bom na essência, mas usado ao contrário na maioria das vezes. A minha mágica é fazer o que sempre fiz, um jornalismo verdadeiro, não mentir. Aqui candidato não banca o jornal, algo usual na imprensa interiorana paulista. O que nos banca é a credibilidade, o produto honesto. O povo vê que o publicado nas páginas do jornal é verdade, mesmo isso contrariando muitos interesses. Isso me causa problemas, mas me sustentou até hoje”. Aos 58 anos, o jornal segue vivo, dois cadernos, 20 páginas no total, quase exclusivamente com matérias locais e regionais. Sai no início da semana e hoje conta com dois jornalistas.

Sergio e outro contratado, o que o faz permanecer acordado na base de remédios por três dias da semana. “Aqui sou editor, jornalista, diagramador, fotógrafo, motorista e revisor. De quinta a domingo o bicho pega e o resultado é, mesmo com todos os percalços, a cidade se interessando pelo produto impresso. Já cansei de ser rotulado de comunista, ‘o vermelhinho’. Isso não me afeta, pois a receptividade sendo boa, tudo demonstra ser esse o caminho correto. Vivemos uma época onde as pessoas se manifestam menos, existe um temor maior em se expor e o jornal cumpre a ampliada missão de ser a voz também desses”. Vê-lo na lida diária, labutando contra as adversidades e conseguindo lançar a cada semana um novo produto, cheio de novidades e provocando interesses diversos, isso o move. Hoje, mesmo ciente de o jornal ser ele, enxerga com esperança um dos seus filhos, 17 anos, ainda no ensino médio, já o estar ajudando em atividades internas (“Ele já batuca uns textos, tem tino)”.

De tudo, a boa conversa se dará logo mais. Por favor, não perca, pois este mafuento continua insistindo nas tais velhas e também nas “novas formas de luta”. Mostrar o que é feito corajosamente, sem amarras faz parte desse processo. É o que resta continuar fazendo, enquanto forças houver.

EIS O LINK DA ENTREVISTA, DURAÇÃO DE 1H11, UMA LIÇÃO DO VERDADEIRO JORNALISMO E CUTUCANDO OS QUE SE DESVIAM E PRODUZEM DA PROFISSÃO UM BALCÃO DE NEGÓCIOS: https://www.facebook.com/henrique.perazzideaquino/videos/4282512155112094


E PARA ENCERRAR A NOITE ALGO MAIS DO “DEBATE”


HPA SEMANALMENTE n'O DEBATE de SANTA CRUZ DO RIO PARDO - Eis meu artigo de estréia no site deles, debatenews.com.br. Assistam logo mais 19h conversa com Sergio e André Moraes, no 33º Lado B, sobre a história do Debate e o Jornalismo no mundo de hoje.

BAURU, QG FUNDAMENTALISTA PAULISTA PRÓ BOLSONARO

Bauru já teve até prefeitos comunistas, mas isso é coisa do passado. De uns tempos para cá, o povo daqui, que já teve também fama de votar perfilados com candidatos mais à esquerda, acabou aderindo com a nova onda avassaladora tomando conta do país e desde então, pende pro lado mais conservador. Não foge em algo ocorrendo país afora, mas quando ocorre no prórpio quintal, onde existia alguma esperança de algo diferente, daí já é demais. Desalento pra dedéu. Bauru bateu mais de 75% dos votos pró Bolsonaro no último pleito presidencial e agora na última eleição, leva para o 2º Turno dois candidatos neoliberais, ambos bolsonaristas, pouquíssimas diferenças. O roto e o esfarrapado.

Por aqui todos já sabem, Suéllen Rosim não almejava ser prefeita, nem estava – creio ainda não estar – preparada para tanto. No máximo, ser mais conhecida e alavancar sua futura candidatura para deputada. Na falta de uma alternativa robusta, Bauru anda saindo perdendo faz tempo e desta feita, o estrago foi feio. A lua de mel do povo para com a prefeita só não despencou de vez passados esses quase 60 dias da novíssima (sic) administração, pois ela ainda consegue se segurar num discurso moralista, fundamentalista e aliada as tais “forças vivas” da cidade, o aglomerado que dá as cartas por debaixo dos panos e em alguns momentos abertamente, sem escrúpulos e intermediários, passando até por cima do mandatário (a) eleito.

Em Bauru quem dá as cartas não é a prefeita e sim, o coronel Walace Sampaio, presidente do SinComércio local, um senhor de fala mansa, porém dura e incisiva. “Em Bauru o Comércio não fecha”, proclamou e assim está ocorrendo, sem tirar nem por. O governador decreta fase vermelha na cidade, mas tudo continua aberto, flexibilizado e mantido por um conluio englobando a prefeita, vereadores, Judiciário, mídia e parte da população, ludibriada e levada como massa de manobra. Walace no timão. Suéllen não quis confrontar com estes, se aliou, até porque todos são bolsonaristas. Ela é a única prefeita no estado de São Paulo pelo Patriota, o futuro partido onde Bolsonaro vai se abrigar se o seu não vingar. Ela esteve em Brasília dias atrás, não em busca de recursos, mas consolidar Bauru como reduto de resistência (sic) bolsonarista no interior paulista. Voltou de lá cheia de pose e não desceu mais dos saltos. Peita o governador e se abre pro capiroto.


A cidade está abandonada, pois desde que assumiu não pensa em outra coisa, fazer mais e mais seu nome, aproveitando o vento a favor. Reclamações começam a pipocar e neste momento suas preocupações são outras. Na noite de quinta, 18/2, deu um show gospel numa igreja lotada e sábado, 20/2, um carro de som percorre a cidade avisando e convidando todos para a abertura de seu mais novo empreendimento, não em nome do serviço público, mas do privado, uma igreja, propriedade coletiva dela, seus pais, genros. Convidados de fora estão chegando na cidade neste exato momento, quiçá até o próprio Bolsonaro possa aparecer e a tal fase vermelha pode até vingar na cidade, mas pelo que se ouve por aqui, um acordo foi selado e o Covid-19, variante antiga ou nova, terão que esperar e só aportar na cidade após a noitada de arromba.

Do tal QG – Quartel General bolsonarista, quem perde é a cidade num todo, pois até a presente data, desde a chegada deste ao Governo Federal nada chegou de grana viva diretamente. Muitos já se recordam com saudades dos tempos do PT no poder, década de muitos investimentos. De agora em diante, algo idêntico ao modal do mentor, ódio nas relações, confronto o tempo todo, mas quase nada de realizações. Uma cidade abandonada, relações deterioradas, muito jogo de cena e Bauru que se dane. Dizem que ela não sabe mesmo “prefeitar” e que seu negócio neste segmento será curto, pois já na primeira oportunidade quer ir “deputar” em Brasília ou até mesmo, se conseguir se manter sem percalços, um salto maior, candidata a governadora e com apoio de Brasília. Muitos holofotes pro lado dela, pouquíssimos para Bauru. Jogo duro, pesado, feio, nojento e pérfido. Eis o preço pelas escolhas feitas pelos eleitores desta aldeia. Padecer parece ser a sina do bauruense.

Henrique Perazzi de Aquino, jornalista e professor de História.

sábado, 24 de julho de 2010

UMA FRASE (54)

LIBERDADE DE IMPRENSA E UMA CONTRIBUIÇÃO DESTE MAFUÁ EM "CARTA CAPITAL"
A imprensa brasileira é useira e vezeira em se achar perseguida, em situação de risco e que o atual governo federal molesta a liberdade de imprensa e a de expressão. Pura balela, pois isso não existe no país(provem o contrário). O que os representantes do PIG (não sabem o que é isso? - são eles, sempre eles) estão preocupados é com as cutucadas do governo petista na preocupante concentração de poder econômico de alguns poucos grupos jornalísticos. Nos últimos dias, na falta de outro assunto para cutucar e prejudicar Dilma, a revista “Veja”, edição 2173, 14/07, saiu com uma foto de uma hidra de cinco cabeças e uma manchete, “O monstro do radicalismo – A fera petista que Lula domou agora desafia a candidata Dilma”. Fui ler o editorial e lá uma pérola, com o título de “O ímpeto liberticida” e no corpo do texto: “o mais espantoso é a permanência petista de uma visão de mundo distorcida e perigosa, em especial no que se refere a um dos pilares consagrados da democracia – a liberdade de expressão”. Medo, puro medo da perda de privilégios e de ser impedida de cometer os atuais abusos. Na seqüência, dias depois, o candidato Serra participa de entrevistas na TV estatal paulista, a Cultura e responde contrariado a perguntas sobre os pedágios. Resultado, Gabriel Priolli, diretor da emissora é demitido e Heródoto Barbeiro, apresentador do Roda Vida é duramente advertido. Quer dizer, o que a “veja” e o “tucanato” reclama dos “petistas” eles já praticam e a dita “imprensa livre” não se manifesta. É essa a liberdade professada por essa corja.

Diante de tudo isso, durante a semana recebo um email e uma ligação telefônica de Sergio Lirio, redator chefe da revista semanal Carta Capital (http://www.cartacapital.com.br/ ) me perguntando se poderiam aproveitar parte de um texto e minhas fotos, publicados aqui neste mafuá e repassadas a eles, sobre a situação do jornal DEBATE, de Santa Cruz do Rio Pardo e, conseqüentemente, do jornalista Sérgio Fleury, tentando escapar de injusta multa de R$ 600 mil reais impingida pelo juiz daquela comarca. O fato é do conhecimento público e havia atualizado a situação do semanário. Autorização passada, hoje, sábado, 24/07, vou correndo às bancas em busca da revista e estampado na capa, algo que aprovo totalmente, “Censura: um fantasma apenas – Por que a liberdade de imprensa não está sob risco no Brasil”. Em risco estamos nós, leitores quando lemos e acreditamos em matérias a nos querer ludibriar. Na página 20, o começo da reportagem, assinada por Sergio Lirio, “Fantasmas à solta – A crescente oferta de notícias e opinião desmente a tese de que a liberdade de imprensa corre riscos”. Na matéria, algo muito claro, as entidades de classe dos patrões, ANJ, ABERT e ANER não estão interessados em jornalistas perseguidos, mas só nas “várias tentativas do governo de regulamentar a atividade em nome do controle social”, que ninguém sabe direito o que é. O relatado por mim e transcrito no texto de Lirio é sobre a censura judicial. Leia abaixo na íntegra o texto sobre o caso do Debate:

“O mais deletério, por atingir um pequeno jornal de uma pequena cidade desprovida de concorrência na área de comunicação, talvez seja o do jornalista Sergio Fleury. Fundador do semanário O Debate em Santa Cruz do Rio Pardo, cidade paulista de 40 mil habitantes, Fleury tem sido sistematicamente perseguido pelo juiz Antonio José Magdalena, alvo de reportagens do jornal por uso indevido de verbas públicas. Por vingança, Magdalena transformou Fleury em corréu em um processo no qual ele figurava inicialmente como testemunha. O caso: Debate havia publicado entre aspas acusações de um político contra outro e que já haviam sido feitas no horário eleitoral gratuito. Multado em 2 mil salários mínimos, Fleury conseguiu reduzir a pena pela metade. Mesmo assim, para um a publicação de 7 mil exemplares, é um fardo insuportável: quase 600 mil reais. Estranho ainda é o fato de a multa ter sido decidida em 1999, mas a execução pelo juiz só ter sido ordenada em novembro passado. Em conseqüência, o jornalista tenta anular a cobrança com base no novo Código Civil, que reduziu de 20 para 3 anos a prescrição de sentenças de indenização”.

Da matéria, duas conclusões: existe uma cultura no Brasil de que as autoridades são intocáveis e a de que a censura judicial é pior do que a exercida na ditadura. Esse trecho da matéria nasceu de um texto parido aqui neste mafuá (vou transformá-lo num Memória Oral em agosto). A revista Carta Capital está nas bancas a partir de hoje, inclusive com foto feita por mim de Fleury, quando estive com ele da última vez, em fevereiro, pouco antes do carnaval e com publicação autorizada. Novamente, sinto-me orgulhoso. Esse mafuá comprova novamente sua serventia.

segunda-feira, 15 de junho de 2026

AMIGOS DO PEITO (255)


ELA VAI CONTAR A HISTÓRIA DO DEBATE E DO JORNALISTA SERGIO FLEURY, VIVA DIVA FERNANDES
Eu conheço a escritora DIVA FERNANDES há alguns - muitos - anos e por detrás de seus escritos um me tocou, a contada em seu livro sobre a contaminação provocada pela fábrica de baterias Ajax em Bauru, causando danos irreversíveis para uma população residindo nas proximidades da fábrica. A partir do que li no "Marcas do Chumbo - A história do menino David", passei a gostar mais dela, pois nem todos possuem a coragem de se enveredar por histórias e relatos envolvendo os tais "donos do poder" de uma localidade. Diva foi a fundo e não me canso de dizer a ela, mesmo o filme já tendo rendido um belo documentário, tem tudo, é um roteiro pronto para se transformar nuim longa metragem, talvez como foi feito com o caso do Césio em Goiás. 

Diva é uma pessoa muito simples, metódica e trabalha em sua casa, dentro do seu ambiente e habitat. Ali em seu modesto computador faz a maioria de suas pesquisas. As demais a faz com os documentos que vai arrebanhando e sentada em sua ampla mesa, papéis espalhados, vai alinhavando seus escritos, como o faz neste momento contando uma outra rica história, dessas que não pdoem ser perder e merecem ser, não só contadas, mas passadas adiante. Ela é natural de Espírito Santo do Turvo, uma pequena cidade, antes distrito, enconstada em Santa Cruz do Rio Pardo e dali, aprendeu a gostar do que ia vendo publicado num jornal, que já foi quinzenal, semanal e até diário, o DEBATE, obra, criação e só possível por causa de verve de um bravo guerreiro, o jornalista Sérgio Fleury - nunca op confunda com o policial torturador com o mesmo nome. 

Fui visitá-la na semana passada, junto de outra guerreira, Rose Maria Barrenha, a que toca a Casa de Frida de uma forma muito especial e divinal, sendo, fazendo e acontecendo. Estivemos lá numa tarde, tomamos café e comemos de um bolo, receita sua, feita sem leite, algo que, só mesmo provando. Falamos de tudo um pouco e em especial, o motivo que ali nos levou, reviver algo deste hebdomadário onde um dia escrevemos. Eu e ela tivemos coluna, com ampla liberdade de escrever o que queríamos e assim fomos até os últimos dias do bravo e único atuando amplamente dentro do jargão da liberdade factual dos fatos. Eu ainda guardo alguns poucos exemplares e muitos dos textos de minha lavra ali publicados. 

Essa história quem está predisposta a contar é a desbravadora Diva. Eu, de minha parte, só posso incentivá-la e farei a minha parte, dando uma longa entrevista, contando o que sei, o vivenciado por mim e o que representou este jornal dentro do cabedal do que foi a produção de um jornal totalmente independente, sem amarras, sem estar atrelado a poderes constitu´pidos, ou seja, tudo o quer publicava era fruto de apuração do jornalista, que atuou sem medo de ferir suscetibilidades locais. Repito sempre, o Debate foi único no que fez. Vislumbro muito poucos existindo dentro do rigor jornalístico que o Sergião - como o chamávamos - impôs para sua publicação. Essa história é mais que rica, do começo ao fim e ser revivida me traz, além da vontade de colaborar, a de ver vingar o quanto antes, pois tudo o quer ali foi feito precisa ser mostrado, contado e usado como exemplo para todos nós, os viventes deste mundo, onde os poderosos nos querem cada cada vez mais calados e contido.

Diva sabe estar diante de algo único e exatamente por causa disso, precisa ser muito meticulosa, cuidadosa e saber retratar cada detalhe. Fico sabendo e fico louco para ouvir, os depoimentos, muitas horas que possui gravado com o próprio Sérgio, ele contando como se deu a história do jornal. O Debate e Sérgio tornaram-se referência nacional quando da denúncia do caso do juiz local, que foi favorecido por benesses da Prefeitura local. Foi processado e quase foi obrigado a fechar as portas do jornal, com uma condenação de alto valor. O caso virou assunto nacional e com isso, a comprovação do que sei e sinto ser necessário escrever sobre o Sérgião, ele nunca arrefeceu na forma como praticava o jornalismo. Enfrentou essa e outras paradas e ao contar isso tudo, todos ficarão sabendo dos motivos de o tê-lo como um dos maiores que vi atuando. 

"Muito em breve, vamos juntos, passear por esta História que revela mais que um Jornal, um legado de vida!  Agora você é tudo o que a fé pode tocar... e tudo o que minha caneta souber escrever ... Escrevendo este Livro sobre a História do Jornal Debate/Sérgio Fleury de Santa Cruz do Rio Pardo, procuro dimensionar a grandeza da comunicação irreverente, porém, responsável e formadora de cidadania. Sempre uma voz livre na sua defesa", Diva escreve e publica em suas redes sociais. Diz a mim e a Rose, no dia da visita em sua casa, já ter gravado com muita gente e aguarda o meu depoimento com ansiedade. Devo fazê-lo nesta semana e enquanto isso não acontece, rememora aqui comigo mesmo, de como o conheci, chegando a ver a gráfica do jornal em pleno funcionamento. A minha participação foi mínima, pois sempre que posia, fazia questão de escrever sobre a importância do DEBATE no cenário e no contexto  do mundo político regional, quiçá nacional.

Estive com o Sérgio pouco antes do julgamento final, que o livrou de pagar o absurdo porposto pelos seus acusadores, algo que o levaria não só a falência, mas a ter que encerrar a publicação. Enviei texto meu para a revista Carta Capital, não publicado, mas aproveitado em um texto, onde versavam sobre o papel do jornalismo nos tempos atuais. Um dos maiores orgulhos que carrego comigo foi o fato dele, toda vez que se reencontrava comigo diaia: "Quando saiu a matéria na Carta Capital, instigada por ti, aquilo foi decisivo para a tomada de decisão definitiva da Justiça. Devo isso a ti". Sabe-se lá o que é ouvir isso? Isso, não só me toca profundamente, como me faz entender o que move pessoas como ele, quiçá também este HPA, em continuar esgrimando contra os tais vendilhões do templo, estes tantos que hoje infestam e açoitam o erário público. Sergião foi imparcial até onde deu, porém sempre atuou na defesa de quem sabe, faz  e exerce sem máculas suas funções. Daí, nunca o vi tendo nenhuma atitude conservadora. Foi um jornalista livre, algo raro no interior paulista e assim o DEBATE seguiu até seus último suspiro.

Eu fico emocionado só ter a oportunidade de contar algo, conversar a respeito com a Diva, ou com quem quer que seja. Eu acompanho muito o jornalismo brasileiro e hoje mesmo, recebo uma ligação de uma pessoa tentando me vender uma assinatura do Estadão. Sei tratar-se de uma funcionária e assim sendo, não posso desrespeitá-la no que faz. "Desculpe, sei que é seu trabalho, mas aqui em casa, deixei de ler o Estadão faz tempo. Ele não entra aqui nem de graça. Sua linha editorial é um horror dentro do que entendo como jornalismo", disse. A moça, acostumada a ouvir algo assim, educadamente desligou. Não existe mais como contemporizar com quem continua e sempre praticou um jornalismo tendencioso e excludente, a favorecer interesses de minorias. Isso, sabemos todos, não é exclusividade do Estadão. Lembro essa história só para recolocar e encerrar este já longo texto, relembrando mais uma vez a importância existente dentro do que foi a trajetória do DEBATE e do seu idealizado, o jornalista Sérgio Fleury. Diva está diante de um tema dos mais instigantes e se estiver realmente disposta, pode produzir algo mais que histórico. Diva e Sérgio foram amigos uma vida inteira e isso, por si só, não é requisito para a produção de um refinado e bem depurado texto. Ela sabe disso e deve dormir pouco e mal, quando diante de tanto material já recolhido, está agora diante de sentar e colocar tudo no papel. Aguardo os resultados com sofreguidão, pois tenho a mais absoluta certeza: não existe nada igual a história do DEBATE. Tudo graças ao jornalismo praticado, a forma realimente libertária, dentro do que se discute muito e se pratica pouco, a verdadeira liberdade de expressão, sem amarrações e com muita responsabilidade.

Eis o Sergião numa entrevista para uma rádio de sua cidade: 
https://www.facebook.com/reel/401056985951475 e um pouco também de Diva nessa conversa quando do lançamento do seu famoso livro: https://www.facebook.com/reel/883722516527123. E, por fim, texto meu publicado n'O Alfinete, de Pirajuí, sobre como entendia o DEABATE.

O QUE RESTA DE ALGO SALUTAR NO CENTRO DA CIDADE: BANCA DO ADILSON
Passar diante da Banca do Adilson, ali na rua Treze de Maio, quase esquina com a Primeiro de Agosto e não dar uma paradinha para confabular com seu proprietário é quase um acinte. Hoje, ele me segura pelo braço e me leva até a lateral da banca, onde está pintado a data de sua abertura, 1980 e me questiona: "Você que escreve de tudo, datas lá de tempos antigos, leve em consideração a quanto tempo estou com a banca funcionando neste lugar". Eu sempre levei sua importância em elevada consideração, tanto ser ele um dos três personagens bauruenses, motivadores de meu mestrado em Comunicação, quando versei sobre tipo populares na cidade, ele, o Carioca da Banca na Feira do Rolo e a nosso eterna pipoqueira Maria Inês Faneco.

Tempos atrás o denominei de "GPS do Centro da Cidade", pois toda e qualquer informação, até sobre imóveis para alugar, os fechados e acontecimentos variados ali acontecidos, tudo precisa necessariamente passar pelo balcão dessa banca, local de muita conversa, essas indo além de tudo o que ali é comercializado e está relacionado na tal lateral adesivada. Adilson Chamorro mostra fotos de quando começou, jovem, magrinho e pena insistência/persistência, segue no local, rodeado não só de clientes, mas de amigos. Na verdade, volta sempre para casa recheado de novas histórias, muitas confidências e fatos escabrosos e inusitados acontecidos nas redondezas e que, por fim, chegam ao seu conhecimento.

Hoje, como não poderia deixar de ser, a coqueluche do seu dia a dia são as tais figurinhas da Copa do Mundo, os álbuns da Panini. Seu diferencial é vender o pacotinho aberto. O que vem a ser isso? Ele abre, seleciona, deixa tudo catalogado e o cliente chega, escolhe a quantidade e leva dentro de um pacotinho, só que aberto. "Nessa fase da coleção, passados já algum tempo de venda, poucos compram pacotes fechados e quem coleciona, está querendo mesmo completar seu álbum. E daí, em locais como o meu, isso é possível. Nessa época, com a Copa do Mundo rolando, o grande motivador de locais como o meu, são as figurinhas", conta. Além disso, Adilson guarda registros de sua trajetória, em envelopes debaixo do balcão e os mostra para diletos consdierados. Como do tempo quando, no governo Izzo, teve a barraca recolhida por mais de um mês, até conseguir recuperar o ponto e desde então, ali permanece, para alegria de tudo o mais no centro da cidade. Ou seja, o centro não seria o mesmo sem a sua presença e ele também, não saberia o que fazer da vida sem a sua rotina ali no local. Um não vive sem o outro.

São personagens como Adilson, o que me faz parar o carro e antes mesmo de querer ir fazer o que me trouxe ao centro, dar uma parada, assuntar o que anda rolando, quais as novidades permeando a vida do centro e só a partir daí, devidamente cerregado - ou recarregado - de preciosas informações, se faz possível ir fazer tudo o mais. Vê-lo ali, tendo ao fundo um painel com exemplares antigos da revista Playboy, caixas com cédulas e moedas antigas e até peças de antiguidade, dão um toque mais do que especial em querer continuar circulando na região. No pouco que ali fiquei, dois vieram lhe oferecer moedas antigas e peças diferenciadas, dessas que a pessoa guarda uma vida toda e quando o calo aperta, pensa em fazer um dinheirinho com ela para cumprir algum compromisso urgente. Ou seja, muito do que ocorre no centro, passa pela famosa e funcionando já há muitas décadas na esquina famosa. Adilson resiste bravamente à passagem do tempo.

domingo, 8 de agosto de 2010

UMA CARTA (51) E UM ELOGIO/ RECONHECIMENTO AO MAFUÁ

CARTA MINHA EM "CARTA CAPITAL" E UMA PALAVRINHA DE SÉRGIO, DO "DEBATE"
A última edição de Carta Capital (nº 608) está nas bancas e com ela uma carta de minha lavra, versando sobre o editorial de Mino Carta na edição anterior. Ele demonstrava ali o desconforto pelas cobranças dos anúncios governistas pipocarem na revista (estão em todas elas, de forma igualitária) e os poucos da iniciativa privada. De difamação em difamação, Mino explode e eu envio carta de apoio ao que a revista representa para mim e para a defesa da verdade factual dos fatos. Leiam abaixo a íntegra da carta e a parte em vermelho que não saiu na revista, mas sai aqui (eu cutuquei na veia, a revista preferiu não ir tão longe):

"Do editorial de Mino, “O bom das calúnias”, uma lembrança de outro, de 17/08/2002, “O preço e o prazer da independência”, quando fui citado nominalmente, exatamente por contar a reduzida quantidade de anunciantes da revista. Mino foi preciso, naquele momento, ao afirmar que CC “vive em estado de austeridade desde o lançamento. Sobrevivemos com um mínimo de honra e um máximo de coragem. A coragem é indispensável. Mesmo porque não faltam as provas de que pagamos pelo não engajamento na mais antiga profissão do mundo (sem menosprezo às profissionais do ofício). Resistir é preciso. CC sabe que a dimensão e as potencialidades do país transcende as mazelas do poder contingente, a incompetência e a ferocidade de sua elite, a hipocrisia dos falsos capitalistas e a resignação dos miseráveis”. Vivíamos anos de FHC e os anúncios governistas rareavam.

Hoje, distribuídos parcimoniosamente entre os órgãos da imprensa, os vejo na revista e rareiam os da iniciativa privada. Espiando a novela da tarde na TV, a Sinhá Moça, um coronel, vivido por Osmar Prado, escravista juramentado, tenta a todo custo, com seu poder, encurralar um outro, republicano, forçando os sob seu domínio a não mais fazer negócio com o inimigo (sim, assim ele os enxerga), levando-o à bancarrota. Não estaria o mesmo acontecendo agora? Usando o medo como argumento, neoliberais de plantão, na surdina, insuflam os de sua influência, para que não se atrevam a aparecer nas páginas do semanário que faz pregação contra a “elite retrógrada, feroz, pretensamente branca”. Vendo a novela, vejo também a repetição de algo sempre revivido em nossa história".

Ontem, com problemas no computador (eles são frequentes, não?), abro meus emeleios numa lan house e lá algo a me emocionar. O Sergio Fleury, editor e dono do Debate, semanário de Santa Cruz do Rio Pardo, responde ao apoio dado à causa do seu jornal, quando texto sobre o caso saiu na Carta Capital, dias antes da decisão judicial. A relação com a decisão judicial não existe, mas valeu pelo reconhecimento que esse mafuá recebe. Continuo a batucar por aqui o meu pandeiro (meio fora do tom, sempre na correria) e por causa de cartas como a recebida vou continuando a escrevinhação. Estou em estado de graça:

"Henrique:
Você já deve saber pela imprensa, mas VENCEMOS aquela ação do juiz. Foram 15 anos de muita luta, decepções e incertezas sobre a continuidade do jornal. E ela veio. Gostaria muito de agradecer-lhe, pois a matéria na "Carta Capital" possivelmente foi preponderante para o resultado do julgamento. Veja só: o caso começou a ser julgado no dia 27 de julho, quando o relator e o revisor votaram CONTRA o jornal. Só faltava o voto do 3º juiz, que pediu vistas e adiou o caso para a última terça-feira, 3. Na
melhor das hipóteses, eu perderia por 2x1. Definitivamente, a coisa iria por água abaixo. Era realmente o fim. Retomado o julgamento, este juiz deu um voto tão brilhante (imagino!) que mudou o posicionamento dos demais. O resultado final foi 3x0, votação unânime! Ainda cabe recurso, mas acho muito difícil reverter esta decisão.

Por tudo isso, gostaria de dar-lhe um abraço qualquer dia. Eu sequer o conhecia há alguns meses, mas acredito que sua convicção a favor da liberdade de imprensa foi fundamental para reverter o jogo. E isto aos 45 minutos do segundo tempo!!!

Um forte abraço.
Saiba que aqui você tem um amigo e admirador.
Sérgio Fleury - Debate"
EM TEMPO: Hoje Dia dos Pais, reverencio o meu, que aos 82 anos, completados no último dia 06/08, continua firme e forte, mesmo com uma diabetes a lhe espezinhar a vida. Aroeira pura e da melhor cepa.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

PRECONCEITO AO SAPO BARBUDO (39)

VEREADOR CASSADO POR INCOMODAR OS DEMAIS – AQUI PERTINHO DE BAURU
Uma notícia despertou minha atenção ontem na TV e no JC: “CÂMARA CASSA VEREADOR POR OFENSAS”(leia aqui: http://www.jcnet.com.br/editorias_noticias.php?codigo=214064 ). Vi a matéria na TV TEM e fui ler o texto do jornal. Trata-se do vereador Rui Sérgio dos Reis PV, de Santa Cruz do Rio Pardo e a matéria destaca que o motivo foi por “ofensas aos companheiros de legislativo, prefeita do município e autoridades do Judiciário. Por sete votos a um, o parlamentar foi acusado de decoro parlamentar”. Na alegação do agora ex-vereador o motivo foi outro: “Estava incomodando os políticos”. Ele chegou a acusar os demais vereadores de “cúmplices de supostos atos ilegais do Poder Executivo”. Disse mais: “Sou o maior inimigo desse governo municipal. Estou tranqüilo não participo de cabide de emprego. Se você não pode fazer crítica, então virou ditadura. Isso é uma afronta à Constituição. Aqui há muita promiscuidade entre as autoridades”.

O texto todo está aí em cima e mais alguma coisa pode ser encontrada na internet. Escrevo dos motivos disso me chamar a atenção. O tal vereador encontrava-se isolado em suas denúncias e dessa forma, tudo o que falava, não contava com apoio dos demais colegas vereadores. Isso ocorre muito Brasil afora e em dezenas de outros casos, na continuidade, os demais acabam dando um jeito de defenestrar a “ovelha negra”. Seria isso? Quase certeza. Não quis me posicionar sem conhecer a versão de um amigão lá de Santa Cruz do Rio Pardo. Sérgio Fleury Moraes é jornalista de uma linhagem das mais vigorosas, dono do semanário, O DEBATE (http://www2.uol.com.br/debate/1585/index.htm ), já mereceu textos aqui no Mafuá por causa também de uma perseguição, no caso dele judicial, que por pouco não lhe fecha o jornal. Leia sobre isso aqui: http://mafuadohpa.blogspot.com/search?q=sergio+fleury%2C+debate

Eis sua versão: “Caro Henrique: O Rui Reis é (era) o vereador mais atuante da Câmara. Praticamente era o único que fiscalizava a fundo a administração tucana. No entanto, pecava muitas vezes pela verborragia. Ao invés de criticar, chegou a xingar pessoas em rádios e na tribuna. Mas a imunidade parlamentar existe para isso mesmo, pois o vereador, no calor das discussões, comete invariavelmente impropérios e, portanto, é protegido pelo manto da imunidade. Daí que, ao meu ver, ele deverá recuperar o mandato na Justiça - não local, pois também criticou juízes e promotores, mas em instâncias superiores. O julgamento foi, de fato, de "cartas marcadas". Ele era primário e, portanto, deveria, por exemplo, receber uma pena menor (advertência, suspensão temporária do mandato etc.). O fato é que Rui fez muitos inimigos na Câmara. Há dois anos denunciou que um vereador meteu a mão no dinheiro da Câmara numa prestação irregular de contas de viagens. O tucano devolveu parte do dinheiro e só escapou de ser suspenso por 15 dias por comiseração dos colegas, já que é paraplégico. Por trás do processo de cassação do Rui está, obviamente, o ex-prefeito Adilson Mira (PSDB), outro alvo de denúncias por parte do vereador. O Rui era o único vereador que remetia denúncias contra políticos ao TCE e MP. Qualquer dúvida, me contate novamente. Um forte abraço. Sérgio”.

Tudo isso me faz pensar em algo a me instigar o cerebelo. Seria esse o motivo de alguns políticos Brasil afora terem um ousado discurso sem mandato e quando lá chegam o amenizam? Não seria receio de perdê-lo? Quantos não passam pelo mesmo problema? Eis a questão, diria Shakespeare.

Obs.: Outra manchete, também de ontem mereceria minha opinião, a “APÓS DOIS ANOS, SEM-TERRA VOLTAM A OCUPAR FAZENDA DE LARANJA DA CUTRALE”, essa em Borebi, onde escrevi um Memória Oral, com o que acho daquela cidade (leia aqui minha opinião: http://mafuadohpa.blogspot.com/search?q=borebi . Hoje ao abrir os jornais, nova manchete: “JUSTIÇA CONCEDE À CUTRALE REINTEGRAÇÃO DE POSSE DE FAZENDA”. E eu pergunto: Mas o Incra não declarou que a terra pertence ao Estado?

terça-feira, 7 de abril de 2026

DOCUMENTOS DO FUNDO DO BAÚ (217)


AGUARDEM UM BOCADINHO MAIS, POIS HOJE TERÃO UM TEXTÃO COMPRIDO, QUE AINDA NEM COMECEI A ESCREVER, MAS PUBLICO AINDA HOJE
Hoje, como sabem é Dia do Jornalista. Quero escrever algo mais depurado sobre o tema e para tanto quero envolver três pessoas, três grandes jornalistas, que gosto muito, Lúcio flávio Pinto, o criador do Jornal Pessoal, de Belém do Pará, cujas duas últimas edições da revista piauí dedica ampla matéria, assinada por João Moreira Salles. Não quis escrever antes de terminar os dois longos textos. Depois, o meu grande amigo Sérgio Fleury, do Jornal Debate, de Santa Cruz do Rio Pardo e por fim, de outro amigo, que hoje reconheço como um dos últimos jornalistas desta aldeia bauruense a praticar o jornalismo, indo na fonte, para depois produzir o texto, o intrépido e hoje aposentado Aurélio Alonso. Nem sei como irei começar, mas devo parir isso tudo antes de dormir. E, é claro, dedico tudo o que escrevo, sempre e sempre, para Mino Carta, o dono da CartaCapital, este, o cara que um dia profetizou como seria minha vida. Diante de tanto escrevinhar sobre o que via, como iria poder ainda querer pedir emprego e dar aulas pela aí, daí, como Mino, criei meu próprio emprego e sai a vender chancelas país afora, tornando-se num caixeiro viajante, até o momento de minha aposentadoria. Primeiro vou tratar dos gatos, depois sento e escrevo. Quem tiver saco que leia...

DIA DO JORNALISTA, TRÊS GRANDES JORNALISTAS LEMBRADOS: LÚCIO, SÉRGIO E AURÉLIO
LÚCIO FLÁVIO, MATÉRIA NA PIAUÍ
Que dizer de um jornalista lá do Norte do país, quando num certo momento de sua trajetória escreve uma matéria inconstestável sobre os desmandos em sua cidade, Belém PA, a apresenta para a diretora do jornal, essa endossa, mas diz não poder publicar, pois envolvem dois dos maiores empresários da cidade e anunciantes do jornal? E a partir daí, ele a comunica estará criando seu próprio jornal, o JORNAL PESSOAL, escrito e dirigido por uma só pessoa, LÚCIO FLÁVIO PINTO, onde pudesse publicar tudo o que escrevia. Desde então, setembro de 1987, durante 32 anos, quinzenal e sempre com 8 páginas, revolcionou a imprensa brasileira. Praticou ao longo deste tempo, um jornalismo sem mêdo, dentro da mais absoluta verdade factual dos fatos, com 34 processos nos costados, algumas surras, mas nunca se desviando de mexer com interesses tão grandiosos. Além do destemido jornalista por destrás do feito, alguém que nunca se intimidou diante de personagens dos mais poderosos, sempre publicou o que a maioria dos demais não tinha coragem de fazê-lo. Isso de transmitir textos sem retoques, tornando-se indispensável. Sabe algo único, tipo o que se lia ali não era mais encontrado em nenhum outro lugar? 

Sua importância, destacada por mim neste momento, no Dia do Jornalista deve-se a um único motivo: diante da direta omissão dos demais veículos de comunicação em produzir a exatidão dos fatos, por variados motivos, o Jornal Pessoal o fazia. Na revista Piauí, edição de março e abril/2026, duas matérias sequênciais, escritas por João Moreira Salles, nos apresentando sua singuralidade: "No interior do Brasil - e, em certa medida, também nos grandes centros -, a informação era rigidamente controlada pelos veículos, dependentes das verbas públicas e das empresas locais. A dificuldade para você publicar algo crítico era tremenda. Essa não, essa não". Isso cai para uma luva para um tipo de jornalismo, que predominou e ainda predomina pela imensa maioria do praticado até hoje no Brasil. Cito o bauruense Jornal da Cidade como exemplo clássico. Quando um jornal, tendo um dono como o sr Alcides Franciscato iria publicar tudo sem um filtro? Nunca. O filtro existe até hoje e reparo, isso não é exclusividade do nosso JC, pois o percentual a fugir disso é muito pequeno.

Quem como, Lucio Flávio ousou criar seu próprio jornal, padeceu muito. As histórias são exemplares. Conto logo mais a de alguém com a mesma fibra, num órgão aqui de perto de Bauru, Santa Cruz do Rio Pardo. Antes saliento algo mais, quem age dessa forma, se torna famoso, pela coragem e altivez, mas corre muitos riscos, não só de morte, mas de falência. Outro grande mérito do Jornal Pessoal é o fato de toda grande investigação jornalística feita na região do Pará e da Amazônia ter passado ou ser atribuída a ele. Isso também ocorreu com o jornal semanal O Debate, de Santa Cruz, do também corajoso jornalista Sérgio Fleury. Vejo o mesmo tipo de reação, tanto para um, como para o outro: se é importante e condiz com a verdade foi ali publicado. Fleury padeceu muito nas mãos de quem não queria ver notícias verdadeiras publicadas. Praticamente faliu diante de um processo absurdo, movido por um juiz, não aceitando a verdade dos fatos. Seu caso virou notícia nacional e o desenlace se transformou em outro grande momento do jornalismo brasileiro. Estes dois representam algo dos mais grandiosos no quesito coragem. Além de tudo, vejo nos dois, algo ainda mais salutar, o de ter levado para o "texto escrito a voz e a situação dos subalternos. Por trás destes trabalhos existe uma viva concepção de História".
SÉRGIO FLEURY, D'O DEBATE


Certa feita Lucio Flávio disse: "Não fiz o Jornal Pessoal para que meu nome ficasse no alto da página. O jornal surgiu para publicar o que nenhum órgão de imprensa queria divulgar". Lucio e Sergio são exemplos latentes. Tivemos outros. Não me esqueço de Mino Carta e suas batalhas todas, como a resistência com que ele e o economista Luiz Gonzaga Belluzzo conseguiram levar adiante o projeto de uma revista de circulação nacional, praticamente sem anunciantes e sem se vergar a interesses mesquinhos, mera "quitanda, tratada como banana". Quando a memória se volta para estes dois, lembro de outro aqui da região, o jornalista Aurélio Alonso, que trabalhou n'O Debate e se aposentou no Jornal da Cidade, sempre correndo atrás de notícias e matérias in loco, ou seja, sem estar com a bunda sentada numa confortável cadeira com ar refrigerado. Na matéria da Piauí, algo onde estes três nunca estiveram: "Existem profissões cujo exercício leva à formulação da dúvida: Será que sou um covarde.(...) Mais dia, menos dia, o teste virá, e o repórter - sobretudo aquele que está na linha de frente - terá que dar sua resposta".

Lembro das matérias do Aurélio, principalmente no Caderno Interior, indo em variadas cidades, em busca de algo novo para relatar. Quando da reformulação do jornal, o que primeiro cortaram foi isso do jornalismo ir atrás da notícia. Hoje, o que mais se vê são as notícias sendo levadas até a cadeira do jornalista e dali ele produzindo seu texto. "Brigar sempre, o tempo todo, exaure. (...) Precisar se defender, sexagenário e septuagenário, em diferentes instâncias e contra os mais diferentes tipos de adversários, destrói. (...) Essa dedicação missionariamente, consistia, num projeto que exigia sacrifícios. Ao recusar anúncios, patrocínio ou o apoio de qualquer mecenas, o projeto encarnava a opção total pela pobreza". Lucio e Sergio encarnaram isso na exatidão da palvara e Aurélio, a exerceu ciente de que, para dizer a verdade o tempo todo, estaria não só comprando inimigos, como se afastando de convescotes. Daí, para comemorar mais um DIA DO JORNALISTA, faço questão de repetir aqui frase dita pelo Lucio Flávio: "Jornalista herói é aquele que não teve tempo de avaliar o risco, ou de fugir". Estes três não fugiram do pau, ou melhor, guardadas as devidas proporções, enfrentaram o touro à unha. Nunca foram imprudentes e, parece, souberam avaliar os riscos. 
AURÉLIO EM ATUAÇÃO

Estes três sabem muito de uma regra básica dentro do mundo jornalístico, quando diante de poderosos, contrariados por textos revelando seus escândalos: "Na região amazônica, existem três etapas para calar a boca de um jornalista. Primeiro, pede-se que ele pare - às vezes, com um processo. Em seguida, aparece o dinheiro, a tentativa de corromper. Por fim, vem a ameaça, o ato físico". O independência, como mais do que sabido, sempre têm um custo alto. Em primeiro lugar significa empobrecimento. Seguir nessa linha é olhar para a trajetória destes três aqui citados, todos ótimos jornalistas, dos que envergam e não quebram, porém, todos pobres. Os que enricaram, a maioria se vendeu. Abdicaram da riqueza em busca da perseguição da verdade dos fatos. Olho para o que construíram e constato, até não conseguiram realizar sonhos de conquistas econômicas, chegaram muito cansados ao final da jornada, mas irão para a História, pois não se deixaram levar pelo canto da sereia. Muito das verdades que tomamos conhecimento ao logo do tempo se deve à pessoas e escritos por gente como estes três. A eles minhas mais honrosas homenagens no dia de hoje.

pós publicação
Uma repercussão, vinda do jornalista RENÉ RUSCHEL, da Carta Capital: "meu caro. Andava sumido e senti sua falta. Parabéns pelo texto em homenagem aos jornalistas citados. Só para acrescentar uma frase do primeiro editor e fundador do jornal francês Le Monde, Hubert Beuve-Méry, que trazia como lema na redação e lembrava sempre aos colegas que "o papel do jornalista é buscar a verdade custe o que custar. Notadamente se custar". Aquilo que o Mino Carta chamava de "verdade factual". Abs". 

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

PALANQUE – USE SEU MEGAFONE (48)


DITADORES E TORTURADORES NÃO PODEM SER NOMES DE RUAS
Rodovia Castello Branco, elevado Costa e Silva, rua Dr. Sergio Fleury, avenida Presidente Médici e por aí vai. O Brasil é uma das poucas democracias do mundo que não só deixa tiranos impunes, como os homenageia em praça pública. Boa iniciativa para a Comissão da Verdade seria propor a mudança imediata de tais nomes. Lembrei desse texto hoje ao receber via internética uma foto de um belo encontro ocorrido quarta passada em Montevidéu, entre o autor desse escrito, o militante, cartunista e professor (bauruense) Gilberto Maringoni e o Fausto Bergocce (reginopolense - foto deles ao lado). Bateu uma saudade de ambos e fui resgatar o texto, motivo para um acalorado debate. E aqui em Bauru, hem? Vamos ao texto:

Uma Comissão da Verdade de verdade poderia começar seus trabalhos propondo ao Congresso Nacional uma lei simples: proibir em todo o território nacional que logradouros públicos sejam batizados com nomes de pessoas que enxovalharam a democracia e os bons costumes. E alterar as denominações existentes. Em São Paulo, a situação é vergonhosa. A principal rodovia do estado chama-se Castello Branco. De tão naturalizada está a questão, que poucos param para pensar no seguinte: aquele foi o chefe da conspiração que acabou com a democracia no Brasil, em 1964. A homenagem foi feita por Roberto de Abreu Sodré, governador biônico, que inaugurou a via em 1967. Estávamos em plena ditadura e seria natural que um serviçal do regime quisesse adular seus superiores.

A via não representa uma exceção. A cidade comporta ainda o elevado (?) Costa e Silva, em homenagem ao segundo governante da ditadura. O idealizador foi outro funcionário do regime, Paulo Salim Maluf, nos idos de 1969. O mesmo Maluf mimoseou, em 1982, quando governador, o famigerado Caveirinha, alcunha que imortalizou o general Milton Tavares de Souza, falecido no ano anterior. Caveirinha foi chefe do Centro de Informação do Exército (CIE) e suas grandes obras foram a implantação dos DOI-CODI e da Operação Bandeirantes (Oban), órgãos responsáveis pelo assassinato de inúmeros oponentes do regime. Foi também um dos planejadores da repressão à guerrilha do Araguaia (1972-76).

Ernesto Geisel, ditador entre 1974 e 1979, é o nome de um conjunto habitacional em Bauru. Emilio Garrastazu Médici, o comandante da fase mais repressiva da ditadura, nomeia dezenas de ruas, escolas e praças pelo Brasil. Presidente Figueiredo é uma cidade no Amazonas. Diadema abriga uma Escola Estadual Filinto Muller, temido chefe da Polícia Política do Rio de Janeiro entre 1933 e 1942. Imortalizou-se por ter comandado a operação que resultou na deportação de Olga Benario à Alemanha, em 1936. Mas nada supera a inacreditável rua Dr. Sergio Fleury, na Vila Leopoldina, na capital. Os nomes dos funcionários mais ou menos graduados da ditadura podem ser localizados com uma rápida olhada no Google. Castello, Costa e Silva, Médici e Figueiredo emprestam seus nomes a centenas de ruas, avenidas, estradas, escolas e edifícios públicos espalhados pelo Brasil.

Manter tais denominações significa conservar viva a memória de gente que deve ser colocada em seu justo lugar na História: o daqueles que perpetraram crimes contra a democracia e a cidadania, prejudicaram o país e contribuíram para o atraso em vários campos de atividade. Na Itália não existe rua, monumento ou edifício público com o nome de Benito Mussolini ou de outro funcionário graduado do regime fascista. A decisão faz parte de uma luta ideológica que visa extirpar as marcas da intolerância, da brutalidade e da xenofobia que marcaram a vida do país entre 1924 e 1944. Tampouco há na Alemanha uma avenida Adolf Hitler, um aeroporto Herman Göering (que foi ás da aviação na I Guerra Mundial), um viaduto Joseph Goebbels ou coisas que o valham. Aliás, evitou-se durante décadas batizar crianças com o nome Adolf, por motivos mais ou menos óbvios. Argentina, Chile e Uruguai também não fazem rapapés à memória de responsáveis pelos anos de terror institucionalizado. A cidade de Puerto Stroessner, no Paraguai, teve seu nome mudado para Ciudad Del Este, assim que o ditador foi deposto, em 1989.

No Brasil, como os zumbis da ditadura não apenas assombram, mas aparentemente intimidam o poder democrático, as mudanças não acontecem. Estão aí, fagueiros e lampeiros na vida nacional, figuras como José Sarney, Marco Maciel, Paulo Maluf e outras, crias da ditadura e cheios de autoridade na vida pública. E os pijamas do Clube Militar volta e meia fazem ordem unida para enaltecer os anos de chumbo. Banir os nomes de gente dessa laia dos logradouros públicos é um bom passo para se consolidar a democracia.
Gilberto Maringoni, jornalista e cartunista, é doutor em História pela Universidade de São Paulo (USP) e autor de “A Venezuela que se inventa – poder, petróleo e intriga nos tempos de Chávez” (Editora Fundação Perseu Abramo).

sábado, 31 de dezembro de 2022

BEIRA DE ESTRADA (161)


ANO NO CHEGOU E COM ELE LULA LÁ

A POSSE DE LULA, O DEBATE DO SÉRGIÃO E É CLARO, PELÉ*
* Meu 90 artigo para o DEBATE, intrépido semanário de Santa Cruz do Rio Pardo, bardo da resistência e reduto de bom jornalismo, ainda pelavia virtual:

Eu queria escrever este último artigo do ano sobre a posse do presidente Lula e das novas possibilidades do Brasil, todas altamente positivas, mas no meio do caminho, morre o rei do futebol, o quase bauruense Pelé e também não posso deixar de escrevinhar algo dele, mas também queria muito enaltecer a resistência do querido jornalista Sérgio Moraes Fleury, aí do DEBATE, que mesmo na adversidade, reúne forças e solta o jornal ao estilo do que via muito nos carnavais de antanho, principalmente na cidade do Rio de Janeiro, com o Bloco do Eu Sozinho.

Esse bloco se resume numa só pessoa, ela se apronta toda e vai pras ruas, ela toda fantasiada e sem mais ninguém a acompanha-la. O Sergio hoje é isso e muito mais e Santa Cruz precisa reconhecer esse seu esforço, tudo para que a informação flua e continue sendo distribuída jornalisticamente da forma mais simples, usual e necessária, dentro da verdade factual dos fatos. Enxergo muito disso também em Lula, que conseguiu vergar o capiroto e todas as perversidades e armadilhas ardilmente preparadas para ele. Outro não conseguiria, principalmente neste momento.

No momento vivido pelo Brasil qualquer outro, sem este dom do diálogo, da perseverança e de, aceitando as desculpas de todos que o traíram, ter a sapiência e entendimento de que, não daria para virar essa página da história brasileira impondo algo, sem muita conversa, entendimento mútuo. Lula voltou exatamente por reunir esses predicados. Sei que, mais dia menos dia, vai conseguir convencer boa parte destes que hoje o enxergam desqualificadamente.

Assim como ele tem este dom, o Sergio tem dentro de si isso do DEBATE e da necessidade deste projeto continuar semanalmente encantando seus leitores. Eu me vejo encantado pelas suas histórias com os personagens daí, onde em cada edição, pelo menos um é retratado. Esse o encantamento maior de um jornal, as histórias de vida embutidas dentro de uma cidade. Muitos jornais abdicaram destes relatos e perdem muito no conceito aceitação, pois todo leito gosta dessas histórias, muitas idênticas as dele. O Sergio é especialista nisso.

E por fim, Pelé. Quinta, dia de sua morte, parei com tudo desde o momento em que recebi a notícia, liguei a TV e fiquei admirado com a a reunião de possibilidades em torno desta pessoa. Ele tinha o dom de saber jogar bem bola e através dela ganhou o mundo e o mundo passou a admirá-lo. Bauru é hoje falada mundo afora, por causa dele, de sua insólita passagem pela cidade, dos 3 aos 16 anos. Quando saiu daqui, saiu pronto, chegou ao Santos e se encaixou como uma luva. O resto todo mundo sabe.

Por aqui, alguns regateiam sobre Pelé não reconhecer Bauru. Balela. Bauru é que não valorizou Pelé. Se alguém tinha que fazer algo por ele era Bauru e não o contrário. Ele penou bastante por aqui, primeiro como engraxate e mesmo famoso, com o racismo impedindo-o de entrar em clubes onde imperavam os tais “forças vivas” da cidade. Em Três Corações, onde só nasceu tem estátua na entrada da cidade e museu em praça pública. Por aqui, no lugar onde jogou bola, o BAC, hoje um supermercado e alguns ladrilhos na parede lembrando o feito. Já para o discutível astronauta Marcos Pontes, reverencias mil. Um é negro, o outro é branco. Não quero, pelo menos neste momento, lembrar nada do Edson, só do Pelé. Este foi inigualável.
Henrique Perazzi de Aquino, jornalista e professor de História (www.mafuadohpa.blogspot.com)

A TODOS AQUI ME VENDO...
Estou longe de casa, muito longe, mais precisamente em Luziânia, cercanias de Brasília DF. Viajei com grupo de intrépjdos brasileiros apostando suas fichas neste novo Brasil desabrochando com o raiar do novo ano. Por aqui, 800 brasileiros reunidos e amanhã cedo indo participar da posse de Luís Inácio Lula da Silva, em seu terceiro mandato presidencial. Esse meu gesto de me apartar de minha família, deixar a ceia familiar, a esposa em Bauru e eu aqui, demonstra o quanto de importância existe neste raiar de um novo dia. Aos 62 anos, esgrimo como posso e cá estou, cheio de esperanca, crendo na reconstrução brasileira. Eu sei, terei muito o que fazer neste próximo ano. Começo agora,neste gesto. Prossigo amanhã já vivenciando o Ano Novo. A luta continua. FELIZ ENTRADAS (E SAÍDAS) PARA TUDO, TODAS E TODOS.
HPA - Luziânia DF, 22h52, sábado, 31 de dezembro de 2022

PARTIMOS BRASÍLIA, POSSE DE LULA

ÚLTIMA PARADA, 100 KM DA CHEGADA NA GRANDE BRASÍLIA - VIEMOS DE LONGE PRA PRESENCIAR A POSSE DE LULA

CHEGAMOS, JÁ INSTALADOS E RECARREGANDO BATERIAS PARA O DIA DE AMANHÃ - NOS PREPARATIVOS PRA A POSSE DO LULA