Hoje, feriado de Corpus Christi, Bauru amanhace com uma notícia parecida sendo divulgada como algo alvissareiro: a prefeita Suéllen Rosim reajusta o vale-alimentação dos servidores municipais para R$ 1 mil reais. Um aumento de 60% no vale-alimentação deve ser louvado e muito pelos servidores, não sem antes entender como tudo foi possibilitado. A prefeita foi encurralada dias atrás e escapou de duas processantes, necessitando de alavancar seus índices de aprovação com um algo extraordinário. Encontrou neste reajuste a forma mais brilhante de virar a página, mudar de assunto e tentar sair em alta, como a boazinha, mãe de todos. O Sindicato da categoria havia solicitado meses atrás reajuste dos atuais R$625,00 e nada conseguiu, mas neste momento, sob alegação de "valorização dos servidores", ela sugere o aumento, que se aprovado, impactará os cofres públicos com aproximadamente R$ 19,1 milhões este ano. De algo não se tem dúvidas, ela aprendeu direitinho a lição de seu mestre e até o superou. De boba não tem nada. Assim tenta ir se safando e conseguindo se escamotear dos deslizes de uma administração claudicante. Joga muito pra galera e consegue seus mirabolantes gols. Estupefatos, os que tentam investigá-la por outros assuntos, muitas vezes se colocam contra os que a enxergam como essa prestimosa cuidadora da cidade. Todo lado tem muito mais que uma só versão.
DESSES ASSUNTOS PARA EXIGIR APURAÇÃO - USO ÔNIBUS CEDIDO PELA CULTURA PARA EXCURSÃO EM POÇOS DE CALDASOntem mais um capítulo, quando o Jornal da Cidade deu em manchete de página inteira, "Câmara vai investigar o uso de ônibus da Educação em viagem - Apesar de afirmar apoio a atividades culturais, Prefeitura de Bauru afirma que está apurando especificamente o fato". Eis o link da matéria: https://www.jcnet.com.br/.../805307-camara-vai-investigar.... Uma denúncia que começou com o Pedro Valentim postando algo que lhe chega às mãos, eu dou continuidade e hoje, após pedido de Código 18, a Prefeitura/Cultura finalmente entrega para as mãos da vereadora Estela Alamgro o calhamaço com várias viagens feitas nos últimos tempos. Dias atrás, para cutucar e não deixar tudo cair no esquecimento, fiz também pedido de uma viagem com comprovada finalidade cultura, negada pela Cultura, sob alegação de "não possuirem ônibus".
Querendo ver como se deu essa viagem para Poços de Caldas, enfim, como foi feita sua solicitação e aprovação, ciente da vereadora já estar em mãos com todo material dessa e de outras viagens, envio a ela pedido de minha lavra: "Estela, eu havia feito uma solicitação em nome do bloco, de forma muito jocosa e irônica, e também necessária, solicitando um ônibus para o sábado passado lá na Cultura. Evidente que foi negado para o Tomate e você conseguiu através do Artigo 18 a documentação dos procedimentos internos de todas as viagens feitas ultimamente. Eu poderia ter acesso a essa específica de Poços de Caldas pra publicar em detalhes como se liberam uma solicitação dessas e uma séria negam? Você me disponibilizaria essa documentação? Queria dar prosseguimento neste assunto". Sua resposta: "Assim que tiver feito minhas avaliações, não vejo problema. Primeiro preciso me debruçar sobre o processo". Li agora a matéria no JC de ontem e agora, aguardo a liberação para também poder escrevinhar a respeito com maior fundamentação.
Estes são os tais fatos onde se deve ir à fundo, pois só pelo que já se sabe, um horror, imagino tomando conhecimento do tal calhamaço em poder da vereadora e de outras tantas viagens. Esse assunto deverá render muito, ou pelo menos, até se chegar ao cerne da questão. Não fosse esse tal de ARTIGO 18, nada teríamos para constatar as irregularidades. O barulho está só começando.
"Meu filho - um simpático e comunicativo jovem de 18 anos que já há algum tempo tomou chá de fermento e passou a me olhar de cima para baixo - vai ciceronear um amigo de São Paulo neste feriadão e me perguntou o que seria interessante mostrar a ele no Centro do Rio.
O impressionante é que, ao mesmo tempo que me vinham à cabeça dezenas de pontos de interesse, logo eu me dava conta: quase nada do que eu me lembrava existe mais. Sim, ainda estão lá o Real Gabinete Português de Leitura, a Casa Cavé, a Colombo, a livraria Folha Seca, a Leiteria Mineira, a Casa Paladino, a belíssima e praticamente desconhecida igreja de São Francisco da Penitência, ao lado do Convento de Santo Antônio, mais outros tantos lugares que honram a memória e o espírito dos cariocas.
Mas, afinal, a imensa maioria dos atrativos da região central carioca sucumbiu à crise que começou a se desenhar em 2016, desembocou no golpe de Temer, amplificou-se com a eleição do inominável e teve como pá de cal a pandemia que ainda estamos atravessando.
A rua da Carioca perdeu a Guitarra de Prata, a Casa Oliveira e o Rei do Queijo, sem contar o Bar Luiz, que fechou de novo. Não temos mais o Bandolim de Ouro, na Marechal Floriano, nem a Casa Dragão, nem a Casa das Velas, nem o Safa-Onça - cujos balconistas vestiam jaleco e bibico de oncinha. Cadê a livraria Da Vinci, a livraria São José, a livraria Cultura? Onde foi parar a Numismática Vieira, da rua do Rosário? A tabacaria Gryphus, em frente ao Mercado das Flores, o portentoso Esch Café da rua do Rosário - cuja filial do Leblon vai muitíssimo bem, obrigado? O cinema Odeon, gente? A Mesbla, a Sloper? O bar Monteiro, da rua da Quitanda, com sua pintura de Nilton Bravo na parede? Perdemos o Bob's da Senador Dantas. Estão fechados o Lidador da rua da Assembleia, com seu histórico whisky bar, o restaurante Mosteiro, na Dom Gerardo, o Ascot, na Miguel Couto, o glorioso e centenário Penafiel, na Senhor dos Passos, último restaurante carioca a honrar a tradição lusitana da comida de panelada.
Não vou nem falar de desaparecimentos mais antigos e também importantes como o do restaurante Oxalá e o do bar Tangará, na Cinelândia, com suas batidas de pitanga, amendoim e tamarindo, ou da ausência dolorida da Simpatia Lotérica, na Rio Branco, com seu inesquecível suco de coco servido no cone de papel.
Só na última meia década, o Centro do Rio de Janeiro perdeu muitos restaurantes, livrarias, camisarias, chapelarias, lanchonetes, joalherias, cinemas, teatros, numismáticas, filatélicas, lojas de artigos religiosos. Para não falar de escritórios e prédios comercias inteiros se esvaziando. Até agências bancárias e farmácias de rede, que se multiplicam hoje pelo resto da cidade como ervas daninhas e sufocam ainda mais o comércio de bairro, apresentam discreta retração no Centro carioca.
As ruas do Centro estão cada vez mais desertas e inóspitas. O Rio de Janeiro está perdendo sua memória e parte da sua identidade cultural.
As razões são muitas, sabemos. Mas precisamos votar certo em outubro. Desesperadamente certo.
Enquanto isso: o que mais vale a pena visitar hoje no Centro do Rio de Janeiro?".
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