terça-feira, 19 de maio de 2026

DOCUMENTOS DO FUNDO DO BAÚ (218)


A ESTAÇÃO DE LAVRAS-MG, NADA DIFERENTE DA DE BAURU - A TRABALHEIRA QUE LULA TERÁ NA RECUPERAÇÃO DA MALHA FERROVIÁRIA BRASILEIRA
Quem circula pelo entorno da estação ferroviária de Lavras-MG, nota que ali já foi, num passado distante, o foco do progresso da cidade. Muitas edificações imponentes continuam resistindo ao tempo, em pé, porém deterioradas, muitas abandonadas e ao léu, como a própria estação, hoje lacrada com paredes de concreto, para inviabilizar sua ocupação por moradores em situação de rua. O teto da mesma está em petição de miséria e hoje, existe uma passagem de pedestres ligando dois bairros, única movimentação existente na antiga plataforma, que um dia já foi muito movimentada.

De um lado, uma antiga vila ferroviária, ainda com remanescentes ferroviários ocupando algumas casas e um antigo armazém, em pior estado que a estação. Do lado da praça, algo ainda denota o que foi um dia a pujança do trem para a cidade. Bem no centro, uma locomotiva exposta como atrativo, com os dizeres, "essa um dia circulou por aqui". Num dos bancos, a inscrição de ter sido doado pelos ferroviários e no outro extremo, um Memorial da Ferrovia, que durante um tempo se manteve aberto, recebendo público e ali com atividades variadas. Fez parte do sonho de ver recuperado o trecho, talvez como atração turística, de Lavras até Varginha. Faltou insistência, persistência e vontade política. O que funciona mesmo é uma oficina do VLT, o pessoal que roda de uma cidade a outra na manutenção do trecho, tudo para propiciar viagem sem percalços para o trem ainda circulando, cinco vezes por dia, todos de carga, transportando minérios.

No mais, abandono generalizado. Na chegada, me vendo só e olhando para todos os lados, um senhor se aproxima e diz não ser muito recomendável seguir pelos trilhos, pois posso ser abordado e passar por situações de risco. Sigo o conselho e me mantenho em lugares ainda com algum movimento. Circulo e rememoro o que ouço com a história do ocorrido em Bauru, o maior entroncamento ferroviário do interior paulista. Tivemos tudo, inclusive, não só uma oficina, mas uma fábrica de trens, onde no auge mais de 4 mil pessoas trabalaram. Tudo se perdeu com a privatização e a opção governamental pelo modal de transporte rodoviário.

Hoje, o presidente Lula esboça uma reação e contando com a colaboração da China, pretende dar um pontapé inicial em vários projetos, alguns já em andamento. Para qualquer ferroviário, ver isso é muito triste, pois já tivemos uma malha férrea cortando o país de um lado a outro e tudo foi destruído. Refazer demanda um custo muito elevado e uma trabalheira de décadas. O que vejo com meus próprios olhos aqui em Lavras é muito idêntico com a situação de Bauru e da imensa maioria de lugares por onde o trem já circulou, porém, criminosamente a dilapidação. Olho para os barracões e mesmo em ruínas, percebe-se como foram grandes e atenderam a uma demanda grande de serviços, sendo o propulsor do progresso da maioria das cidades cortadas pelas ferrovias.

Por sorte, quando estava me retirando do lugar, vejo um senhor com uma camiseta com estampa de um trem VLP e nos costados, algo de um Encontro Ferroviário, com a inscrição de seu nome, Tarley Freitas. O abordo e voltamos conversando até o centro, algo em torno de 1,5 km de caminhada, quando me diz ter se aposentado como operador rodo-ferroviário do VLT, hoje com 70 anos, 26 anos como ferroviário e aposentado já há uns dez anos. Como a maioria dos que já vivenciaram a pujança do passado, bate sempre uma tristeza em relembrar como tudo foi se consolidando. "Tudo começou no governo do Juscelino, que preferiu o modal rodoviário, depois a pá de cal foi com o FHC, o privatizador. Depois disso, tudo se perdeu e o que viu aqui em Lavras, deve se repetir na sua Bauru e por todo o Brasil. Vejo Lula, ao lado dos chineses, querendo recomeçar e não tem como não ficar puto da vida, pois já tivemos uma das melhores malhas férreas do mundo", conta.

Ouço suas histórias, principalmente as mais tocantes, de como era a região da estação, muito próxima de onde reside e o que é hoje. Chegou a residir numa das casas de colônia, mas com a privatização, a insegurança tornou a moradia lá muito perigosa. Continua residindo nas imediações e confessa sentir uma renovada dor a cada dia, quando passa por dentro da praça, na sua caminhada para ir ao centro da cidade. Para não dizer estar totalmente indiferente à questão ferroviária nos dias atuais, como exposto na sua camiseta, participa anualmente de um Encontro Ferroviário, onde junto com tantos outros, matam saudade e rememoram o que foi um dia ver o trem rodando por todos os cantos, levando gente de um lugar a outro e em condições muito melhores do que faz o ônibus.


A HISTÓRIA DA DESTRUIÇÃO DO MAIOR CONGLOMERADO FERROVIÁRIO DA AMÉRICA LATINA E A TRABALHEIRA QUE O PRESIDENTE LULA TERÁ PARA IR REFAZENDO O QUE JÁ TIVEMOS NO PASSADO
A ESPERA ACABOU…
Hoje, às 18H, estreia oficialmente o documentário:
O TEMPO DO TREM – A HISTÓRIA DA NOSSA RFFSA
Uma viagem emocionante pelos trilhos da memória ferroviária brasileira.
Foram meses de pesquisa, roteiro, edição e dedicação para contar uma história que jamais deveria ser esquecida:
a história da RFFSA, dos ferroviários, das locomotivas e do Brasil que cresceu ao som do apito do trem.
Você vai ver:
• imagens históricas
• estações ferroviárias
• histórias emocionantes
• os tempos de ouro da ferrovia
• e o abandono que marcou gerações
Esse documentário não é apenas sobre trens…
É sobre memória.
É sobre famílias.
É sobre o Brasil.
ESTREIA HOJE ÀS 18H
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Não percam essa estreia especial do canal Além dos Trilhos.
Assista Agora - https://youtu.be/NF-VqA5lLso
E se a ferrovia fez parte da sua vida…
esse documentário vai tocar seu coração.
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