INSTIGADO PELOS AMIGOS, PEGUEI O TREM DA VALE, VITÓRIA-ES ATÉ AIMORÉS-MG
Amigos são maravilhosos, sempre cheios de ideias. Quando disse a eles estaria em Vitória-ES, dois destes me instigaram a pegar um ônibus até Belo Horizonte e de lá, pegasse um dos únicos trens de passageiros rodando nos trilhos brasileiros, o bancado pela Vale do Rio Doce, saindo de BH, parando em 27 estações, dia inteiro sobre trilhos, findando o percurso na capital capixaba. São eles, o Orlando Alves e Aurélio Fernandes Alonso. Teve mais um, que não me lembro agora. Enfim, me martelando a ideia.
Não deu certo de vir por BH, mas hoje, quarta, 6/5, Ana Bia Andrade com o dia todo encralacrado lá nos afazeres profissionais na UFES - Universidade Federal do Espírito Santo, escapo da possibilidade de passar o dia na praia e venho rever das maravilhas de passar o dia entre trilhos. O trem sai 7h e 6h45, os portões se fecham na estação de Pedro Nolasco. Sai do hotel sem café da manhã e logo me aboleto no trem. Meu destino é curto, cinco estações à frente, Aimorés, a cidade onde está encravado o Instituto Terra, do Sebastião Salgado. Chego lá as 10h30 e 16h30 volto, chegando 20h30 em Vitória. Muita expecativa e só por sentir esse balancinho do trens nas juntas já estou todo remexido, por dentro e por fora.
Queria ver o mesmo ocorrendo em Bauru com a composição férrea da Maria Fumaça nos trilhos bauruenses, através do projeto Ferrovia para Todos, mas como tivemos administrações inoperantes no comando da Prefeitura Municipal e hoje, uma fundamentalista e fascista, necas de trem. Nem o Museu Ferroviário está aberto, uma vergonha institucional. Abriu as portas excepcionalmente, fingindo estar ativo, no Dia do Ferroviário, mas já voltou para sua rotina adormecida em berço esplêndido. Enquanto isso, o trem de passageiros da Vale demonstra tudo ser possível, bastando querer e ir atrás. Quando não se quer, melhor recolher e guardar peças da locomotiva, para que não a depenem por completo. Um dia será dado nome a todos esses bois. Este dia chegará, tomara em breve.
Sigo com o trem capixaba/mineiro e sonhando com o turístico bauruense e a reativação do modal férreo de passageiros no país, algo já proposto e sendo reativado por Lula, com apoio e retaguarda chinês. Quero ainda estar bem vivo pra ver expostos em praça pública os que causaram a derrocada da ferrovia no país, um deles ainda ovacionado em Bauru como prócer de progresso, Alcides Franciscato. Chego em Aimorés-MG logo mais e depois, noutro texto conto mais da saga vivenciada neste inesquecível dia.
A CONVERSA PROPICIADA APÓS LEITURA DE PLACA NA PORTA DE UM SUPERMERCADO CAPIXABA
No domingo passado quando ameacei ir ao mercado, a recepcionista do hotel me alertou: "Vai nada. Somos o primeiro estado do Brasil a aderir, ou a voltar a barrar o trabalho nos supermercados aos domingos. Nenhum aqui mais abre neste dia".
Hoje, voltando de Aimorés, na rodoviária de João Neiva, ao lado um supermercado e o cartaz colado na entrada, bem aos olhos de todos: "Por determinação do sindicato não funcionaremos mais aos domingos". Sim, pode ser motivado pela luta sindical, mas pela forma como está posto, até parece terem encontrado um culpado, quando na verdade foi uma conquista, um avanço na luta pela consideração aos direitos trabalhistas.
Sentado ao meu lado no ônibus, um senhor de 75 anos, motorista aposentado de ônibus e falamos sobre o assunto. O instigo a emitir sua opiniäo e ele diz: "Eu não sou contra. Tá uma dureza pra patrão hoje respeitar direito do trabalhador. Se deixarem por eles, não dão nem mais folga nenhuma. A escala deles já é trabalhar seis dias e só folgar um. Se o Governo não impuser o cumprimento da lei desta forma, hoje o patrão não respeita. Tem seis dias para fazer compras. É só se adequar".
Falamos de tudo um pouco. Por coincidência, estivemos no mesmo trem pela manhä e voltamos no mesmo ônibus pra Vitória-ES. Deu pra conversar muito. Destaco só este tema, mas rimos muito. Um senhor que trabalhou a vida inteira de carteira assinada e hoje quando observa o que querem fazer com aquilo, conquistado a duras penas no seu tempo e hoje vai se perdendo, impossível se manter indiferente. "Não tem jeito. Eu voto só em quem quer manter nossos direitos. O trabalhador não pode se deixar enganar", diz. Daí vira pra mim, com aquela sapiência conquistada depois de décadas de muita labuta e conclui: "Não preciso nem te dizer em quem temos que votar, né!".

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