terça-feira, 12 de maio de 2026
A ÚLTIMA DE VITÓRIA-ES - ESTE MUNDO É MESMO PEQUENO DEMAIS
O planeta Terra pode ser grande - pelo menos para nós -, mas em alguns momentos, o improvável se repete e acontece novamente. Vivenciei algo um tanto inexplicável nessa última viagem e aqui a conto. Na quarta passada, 06/05, sai de Vitória-ES cedo e de trem aportei em Aimorés-MG. Meu retorno para Vitória se deu às 12h30, pegando um ônibus da Água Branca. No terminal rodoviário, aguardando pelo ônibus, estava num balcão carregando meu celular, quando sou abordado por um cidadão, que se apresentando como Gino, me contou sua longa história. Dizia ter sido assaltado em Sergipe e tentando voltar, pedindo dinheiro de trecho em trecho, até chegar em Curitiba. Contou em detalhes ali na rodoviária e dentro do ônibus, por várias vezes, andar de cima e no de baixo, arrecasdando algo mais para sua viagem. Ouvi e na chegada em Vitória, por volta das 18h, cada qual pro seu lado, eu tendo a certeza dele seguir seu trecho e, provavelmente nunca mais nos encontraríamos.
Ledo engano. Sexta, também de ônibus e pela Água Branca, me despeço de Vitória, 15h40 embarcando para São Paulo. Adentro o ônibus e para minha imensa e incomensurável surpresa me deparo com o Gino dentro do mesmo e, coincidentemente, ocupando justamente a vaga ao meu lado para a viagem. Olho, não o reconheço de bate pronto, mas ao vê-lo a certeza de o conhecer de algum lugar. Era o cara que foi roubado em Sergipe e estava descendo pra sua casa no Paraná. Ele me renova a história e conta ter conseguido pouso, ajudado pela PM e a Prefeitura, continuando desde então na mesma situação, roupas cedidas e fazendo o mesmo discurso, agora no trajeto até São Paulo.
Não o questionei muito. Preferi vir lendo. De uma passageira, comovida, consegue R$ 100 e como ela não tinha dinheiro e ele, sem seu celular, na parada para alimentação, desce com ela e sacam o prometido. Arrecadou um bom valor e me diz ter quase conseguido o valor para chegar em casa em comer algo pelo caminho. Divido meu lanche com ele e confesso, seu discurso bastante convincente. Não sei nada além disso. Novamente nos despedimos na chegada no terminal Tietê e ele, me diz, tentará algo mais faltando, mas deve embarcar no mesmo dia para seu destino final.
Em estradas, histórias como a do Gino Lorenzo, este seu nome - pelo Instagram diz ser localizado como Renzo Pimenta - são muito comuns. Não avaliei a contento para saber da veracidade da mesma. O que chamou a atenção foi a pouca probabilidade de nos encontrarmos novamente, mas tudo se repetindo em duas viagens, com três dias de diferença, destinos diferentes. Casualidades espantosas deste mundoque, mesmo gigante, em alguns momentos, parece um pequeno vilarejo, onde as trombadas uns com os outros são constantes. De lá para cá, não mais o encontrei, porém, como volto para SAmpa na quinta, tudo pode me acontecer e se o ver novamente, daí, para mim será demais da conta.
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