sábado, 9 de maio de 2026


NA DESPEDIDA DE VITÓRIA-ES, 7 DIAS GASTANDO SOLA DE SAPATO, TERMINO TUDO NA PRAIA DO CANTO, MANHÃ DE SEXTA
O rescaldo eu faço a seguir e de dentro de um ônibus do ainda Expresso de Prata - hoje já nem sei mais se os chamo de Piracicabana ou mesmo de Reunidas. No terminal paulistano da Barra Funda e no de Bauru já está tudo interligado, funcionários compartilhados. Ontem, lá em Vitória, numa linda papelaria, falava com o proprietário, com um caderno da Tilibra nas mãos: "Essa empresa já foi de uma família bauruense, hoje é de um grupo norte-americano". Ele, ciente do fato: "Sim, a família fica com muito dinheiro e os americanos com o negócio". No final, tudo se funde, se diversifica, até mesmo se espande e na maioria das vezes termina em mãos do capitalismo ianque. Inevitável, eu mero rastaquera, melhor relaxar e gozar. É o que faço, com a devida galhardia.

Rodei Vitória-ES e adjacências com a devida galhardia. Ao final, depois de tantas histórias, Ana Bia trabalhando duro dentro da UFES o dia todo, vou molhar pela primeira vez os pés numa praia e o faço pertinho do hotel, na Praia do Canto. Como me disse um amigo: "Sim, faça isso e deixe por lá, peça para o mar levar tudo o que é enconsto que está grudado em ti". Fiz isso com muita fé. Deve ter lá seus resultados positivos, tanto que, vez ou outra baixo lá no Pai Lulinha em busca de proteção extra-curricular. O mar faz bem em todos os sentidos, indo daquela brisa indescritível de Vitória até as benesses do sol no corpo humano. Termino de ler mais um livro nas areias e enquanto contemplo o infinito, diante de mim um casal se amando, ele a filmando adentrando o mar. Uma pena ter ido só, pois Ana, recém operada não pode ainda tomar sol. Fui por mim e por ela. 

Trago sempre boas novas dessas minhas andanças. Gosto demais da conta de colocar o bloco na rua, ou seja, conhecer novas paragens, principalmente pessoas. Inquieto, ou "henriquieto", como dizem, observo e escrevinho, publicando a seguir. Gostaria muito de poder exercitar isso de "historiador das insignificâncias" com maior empenho e dedicação. Veremos o que ainda consigo com meus próximos passos. No momento, aposentado que sou, acompanho a alma gêmea em suas incursões profissionais. Extraio dessas viagens o melhor que posso. Tudo para mim pode gerar histórias, relatos sensíveis de como encaro, vejo e toco a vida. Um luxo ainda poder continuar rodando pela aí, aproveitando a vida por aqui mesmo, enquanto boçais invadem, neste momento, o Paraguai, em busca de um paraíso fiscal, onde possam exercitar diabolicamente um modus operandis escravocrata. Eu continuo, por onde passe, remando contra essa maré. 

Conheci cinco sebos em Vitória e em pelo menos quatro deles, vi vicejar algo libertário, num estado e cidade considerados conservadores. Existe hoje um intenso trabalho de recuperação do país, tomado pela insana linha de pensamento e ação bolsonarista, fascista e retrógrada. Circulo, constato onde nos encralacramos e dialogo com os propondo uma libertação destes grilhões fundamentalistas. O mesmo que acontece neste momento em Bauru, acontece em Vitória e em boa parte deste país continente. Chegamos num estado pérfido de considerar a perda de direitos um ganho, um avanço e quem luta por direitos, o atraso. Converso por onde passo para ver o que ainda pode ser feito para sairmos todos deste estado de lavagem cerebral. Excercito na prática um trabalho de formiguinha, com resultados poucos praticos, pois do outro lado, avançam pelas redes sociais, propagando a mentira como prática usual. 

Andei de trem, num país onde este modal foi destruído. Tínhamos malhar férreas espalhadas país afora e a maioria foi desmantelada criminosamente. Hoje, pasmem, quem mantém uma é a Vale, antiga estatal Vale do Rio Doce, num longo trecho de passageiros. Circulei por lá, assim como perambulei pelo centro velho da cidade, que me dizem: "Antes, por aqui, vicejava nosso melhor comércio, mas depois do advento shopping center, o abandono prosperou". As edificações continuam em pé, descaracterizadas e depauperadas. As encaro com a mesma tristeza com que cirlulo pelos lados da Estação na NOB em Bauru. Como seria bom ver administrações públicas se dedicando a restaurar estes locais, mas isso não corre nem aqui, nem ali. Cenário que, enquanto perdurar, decrepitude visual mais que estabelecida. Preferi circular por estes lugares que, andar por pontos turísticos - assim mesmo, acabei conhecendo vários.

Muiuto me impressionou a reformulação proposta pelos atuais administradores na orla marítima. Está em plena construção um imenso cordão, dizem com aproximadamente 17 km, de concreto, largura de uns 10 metros, onde a população vai poder circular por áreas até então degradadas e de difícil acesso. Uma obra imensa, linda. Andei por ela, vendo ao lado barcos de pescadores em estado de quase abandono. De um boçal ouço que, estes terão que ser retirados do local, pois o visual destes não é bom para o turismo. Este deserviço de higienização da população pobre, sacando-a e a despejando longe é algo feito descaradamente em nossa história. Pelo visto, aqui se repitirá. Enquanto ouvia pescadores, comi peixes em seus locais e isso me reconfortou, pois resistem. Existe um país resistindo por todos os lugares. Perdendo, mas resistindo, esgrimando até o último momento.

Na despedida, nessa segunda vez em Vitória-ES, saio com a cabeça borbulhando, querendo escrevinhar muito sobre tudo o que vi. Vou fazendo dentro do possível. Tenho muitos planos na cabeça, alguns preciso finalizar o mais rápido possível, até para não abrcar muitos e, por fim, não concretizar nenhum. Sim, foi um passeio, uma trégua e dela tirei o melhor proveito possível. Ana trabalhou pesado, dei minha contribuição para realizar a contento sua missão e no retorno, o faço ruminando, com a cabeça fervilhando. Saio de Vitória, via terrestre, por ônibus, sexta, 15h40, chegando em Sampa, no sábado, 8h. Li muito e 9h30 embarco pelo que restou do Prata para Bauru, chegando 14h30. Foi uma semana e tanto. Ana, que voltou de avião, já em casa quando abro a porta do apartamento onde moramos.

ORGULHO DESSA BAURUENSE NA CHINA, PALOMA VIOTTO, FILHA DA AMIGA NELI
"Paloma agora é cientificamente MESTRE pela Universiidade de Hubei....acabou agora a defesa e foi aprovada... Deus obrigado, obrigado. Obrigado", Neli Maria Fonseca Viotto, a mãe.

Ganhou bolsa na China, foi só, estudou não só o mandarim e hoje, a comprovação de ter se tornado CIDADÃ DO MUNDO. Dificilmente voltará para o Brasil, tendo um mundo inteiro diante de si e vivendo - e entendendo - no país que hoje, quer queiram ou não, é a maior potência tecnológica do planeta. Deve estar muito mais sábia do que quando saiu daqui e pelo sorriso, feliz da vida. Paloma sempre foi DEZ.
HPA, fã de carteirinha, desde os tempos quando estudou com meu filho, Henrique Aquino, amigos eternos.

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