segunda-feira, 26 de janeiro de 2026


AVANTE!, VISITEI A SEDE DO PCP - PARTIDO COMUNISTA PORTUGUÊS

A sede do PCP fica numa das mais movimentadas avenida de Lisbia, a Independência e faz divisa com griffes famosas. O prédio ocupado por eles é o único ponto destoante, diante de tanta oferta de consumo desenfreado, algo a demonstrar o que vem a ser o capitalismo português. Na verdade, os militantes comunistas não estão nem aí para a vizinhança, pois suas preocupações são bem outras. A incessante luta contra este desenfreado avanço da ultra-direita está preocupando não só os partidos comunistas mundo afora, mas todos os possuindo algum bom senso político.
Na estada aqui em Lisboa, descubro o endereço da sede e por essas coincidências da vida, 200 metros do hotel onde estou hospedado. Evidentemente, fui lá conferir a quantas anda o pessoal da lida e luta mas à esquerda, o ainda conseguindo editar o jornal impresso Avante!. Quem me atende é a Ana Guerra, uma senhora comunista de fino trato e que, creio eu, esteja lá pelos seus 60 e poucos anos - como eu. Muito simpática, diz que, no momento em que ali chego, não consegue me levar para conhecer todos os andares, pois ocorrem três reuniões no momento. Permaneço no saguão e me deixa à vontade para vasculhar livros e tudo o mais ali vendido.
Na lanchonete, diz a placa valer para o público em geral, pois a cozinha só funciona para os filiados e funcionários do prédio, por volta de 40 pessoas. Ali acontece uma refeição coletiva diária, ou seja, a comida é feita para o coletivo. Conta do prédio, diz ter ali funcionado um hotel e algumas décadas atrás, o partido somou forças e comprou o espaço. Mostrar que nada foi alterada, nem o balcão de atendimento da entrada. Numa TV ligada um filiado vê TV e o entra-sai é grande, pois como havia me dito, ocorriam três reuniões em andares diferentes. Pergunto das eleições para presidente, diz que o partido obteve 3% dos votos e que na segunda volta, farão o maissensato, somarão forças para não eleger o candidato da ultra-direita.
No saguão vejo três bancas de livros, alguns usados, mas a maioria novos, de militantes e com temas marxistas ou de lutas realizadas mundo afora. No momento, o que mais se vê nas prateleiras são motivos sobre Cuba. Não resisto e trago uma caneca, adesivo, pulseira e pin, tudo por 10 euros. Ana conta da festa do Avante!, famosa por já ter trazido até Chico buarque num dos anos. O evento é anual, ocorre no começo de setembro e movimenta vários países, vindo gente não são do PCdoB, mas também do PT. Conto do amigo bauruense Marcos Resende, que certa vez, se esforçou para que viesse com ele numa dessas festas. Na época, contei os caraminguás e não tive como. Todas são muito animadas e concorrida, um espaço não só de confraternização comunista, mas de união de forças.
Pouco antes de me despedir, diz ter relações cordiais com o Brasil, onde muitos dos seus parentes, se mudaram décadas atrás para Santo André. Pergunto quantos são como ela, comunistas. "Nunca foram, a única comunista na família sou eu", sua resposta. A conversa não pode ser muito encompridada, pois ela, naquele momento cuidado ali da porta, teria que se ausentar e participar de uma das reuniões. Tiro fotos, dou fraterno abraço e volto para as ruas, parando do outro lado da calçada, olhando mais atentamente para o prédio, uns cinco andares, de portas abertas em pleno século XXI, numa demonstração de que, as forças podem ter diminuido ao longo do tempo, porém, pelo que vi e senti da conversa, os comunistas portugueses não desistirão.

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