domingo, 25 de janeiro de 2026


ANDANÇAS POR LISBOA
1.) A IMPORTÂNCIA E IMPONÊNCIA DE UM CINEMA DE RUA: O SÃO JORGE DE LISBOA
Eu sempre adorei cinemas de rua. Convivi com muitos destes em Bauru. O Cine Bauru, São Paulo, Capri e Vila Rica não me saem da memória, depois o Bauru I e II, todos fechados, alguns derrubados, outros adaptados. Triste sina a dos cinemas de rua. Em Bauru não sobrou nenhum para contar a história. Em algumas cidades brasileiras uns poucos resistem. Ouço repetirem como uma espécie de mantra que o tempo destes já se foi e que o negócio hoje é o cinema de shoppings. Frequento eles, afinal não existe outra opção. Porém, quando vejo um de rua, babo na fronha e morro de amores.
Circulando numa dessas noites aqui por Lisboa, avenida da Liberdade, com um jardim com muito verde em toda sua extensão, num dos lados a imponente edificação do Cine São Jorge. Uma belezura ver a quantidade de gente, não só o rodeando, mas ali em suas entranhas. Com uma programação sempre cheia, até com um pequeno jornal informativo, ele continua cheio, imponente, vigoroso e com um gás renovador. Um velhinho adaptado aos novos tempos, cheio de vida e esbanjando o que falta aos brasileiros.

Acabamos pelas circunstâncias não assistindo nenhum dos seus filmes em cartaz, mas circulando pelo ambiente lotado, na noite de sábado, captamos muito do espírito provocado pelos frequentadores do cinema. A conversa que víamos fluindo pelos cantos e ocupando todos os espaço é revitalizante. "Inaugurado a 24 de fevereiro de 1950 na Avenida da Liberdade, o Cinema São Jorge é um ícone cultural de Lisboa, projetado pelo arquiteto Fernando Silva. Distinguido pelo Prémio Valmor, destacou-se pela modernidade e grande capacidade, sendo adquirido pela Câmara Municipal de Lisboa em 2001. Hoje, após requalificações, é um espaço multifacetado com três salas, focando-se em festivais, cinema português e eventos culturais", leio a respeito e fico mais encantado.

Um antigo cinema adquirido pela Câmara Municipal da cidade e disponibilizado, ou seja, só com a intenção de sua continuidade como expoente cultural. Algo inimaginável dentro de muitas administrações públicas brasileiras, notadamente nas fundamentalistas como a bauruense de Suéllen Rosin. Leio aqui que, a Câmara o comprou em 2001, evitando a sua degradação e garantindo a sua vocação cultural. Quando alguém com mentalidade bolsonarista faria algo de idêntico teor? Respondo: nunca. Lugares assim são mágicos, mantendo em seu estatuto de sala de referência na capital, a celebração a sétima arte e acolhendo produções nacionais e internacionais. Algo assim no Brasil, só em grandes capitais. Pelo interior, restam os cinemas de shoppings. Nele, felizmente, assisti numa desprestigiada sessão, o celebrado "O Agente Secreto".

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