sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

DOCUMENTOS DO FUNDO DO BAÚ (214)


É SÓ A GENTE ESMORECER E SE PREOCUPAR COM OUTRAS COISAS E ELES JÁ VÃO PASSANDO A BOIADA - O AEROCLUBE ESTÁ BATENDO ASAS
Não existe isso de dar um tempo para os que hoje ocupam o poder, deixando-os sem fiscalização para livre atuação, pois no descuído, quando estamos prestando atenção em outros assuntos, eis que, a boiada vai passando e quando nos damos conta, já foi, daí já é tarde.

Neste exato momento, não existe como não estar muito plugado com o que pode acontecer com o planeta num todo, pois após o sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro, as incertezas se ampliaram e o mundo está de pernas para o ar. Muita especulação e apreensão. Não existe como deixar de estar plugado em tudo o que se escreve e é falado sobre o tema. Neste mundo atual, com essa invasão desmedida e amalucada da IA - Inteligência Artificial -, está muito difícil sacar assim de cara o quem é mentira e o que é verdade. Tudo se mistura na cabeça de quem tenta se atualizar. Eu mesmo já cai no conto da IA, quando li um texto favorável a minha linha de pensamento, fiquei topo pimpão e o compartilhei. Quando me dei conta, alertado, deletei. Todos estamos correndo o mesmo risco. Pior que tudo é quando amalucados, cientes de que algo é feito sob efeito da IA e contém uma deslavada mentira, fake-news, mas assim mesmo publica e insiste em ficar afirmando como fato consumado. Na verdade, todos sabemos, o mundo está mais doente do que se imagina.

Eu cá do meu canto, confesso ter me desligado dos fatos locais, os daqui da nossa Bauru. Sei que dias atrás a alcaide está apresentando algo, espécie de "bomba preparada", lançada exatamente neste momento, quando todos estão meio que dispersos, preocupados com o Trump e desatentos com as coisas de Bauru. A alcaide, denominada por mim como incomPrefeita foi ao TJ - Tribunal de Justiça - propondo o fim das Procuradorias próprias no DAE - Departamento de Água e Esgoto - e na Funprev - Fundação de Previdência do Servidor Público Municipal. Parece pouco, mas ela, com essa medida quer eliminar que estes órgãos possuam independência para intervir e até barrar ações que, porventura, ela venha ou esteja fazendo. Quer eliminar obstáculos e isso não ocorre por acaso. Quando um administrador propõe algo assim, evidentemente que não é para diminuir custos administrativos, mas pensando em, como já escrevi, eliminar as tais pedras que porventura possam estar cruzando seu caminho.

Diante do momento, o fato está passando meio que desapercebido. No linguajar popular, o dito pela Rádio Peão, isso é o mesmo que passar a boiada, o termo criado por amigo ideológico da alcaide, um ex-ministro de Bolsonaro, que fazia questão de, quando o povo estava distraído, ir passando, ou seja, aprovando os projetos polêmicos, todos contrários aos interesses populares. Este um fato, mas tem outro, este ainda sendo calculado o valor do montante envolvido, que foi a liberação pela Justiça para a Prefeitura, que se diz proprietária de toda área envolvendo o Aeroclube de Bauru. Isso sim está passando desapercebido. Observa-se claramente que a alcaide está em busca de fazer dinheiro, ou seja, vendendo o que tem e o que não tem. A área do Aeroclube é valiosíssima e sempre esteve sob interesse explícito da especulação imobiliária, que quer passar aquilo tudo nos cobres. Parece que conseguiram, mesmo que ainda não totalmente definido. Sabe-se que a Prefeitura ganhou a causa e o Aeroclube poderá ser comercializado, mas como tem algo ainda pendente, quem investir nisso, pode perder tudo lá na frente.

Essa informação quem me passa é um conhecido advogado, conhecedor profundo dessa ação e me diz textualmente: "Tem muita coisa errada neste percurso. Atas que não foram devidamente assinadas e assim sendo, merecedoras de ações, mesmo após a definição favorável pela venda da área. Tudo deverá ser contestado e quem investiu altas somas, pode sim, lá na frente, vir a perder tudo. Portanto, creio, temo que, o apressado pode comer cru nesta questão. E tem muita gente contrária a venda da área onde se encontra o Aeroclube. O que querem é encher aquilo tudo de espigões".

É isso. Enquanto estamos preocupados com as Havaíanas, depois com o fingimento da queda do capiroto em sua cela, onde cumpre pena de 27 anos e, o mais sério, com o mundo podendo adentrar algo parecido com uma nova guerra mundial, aqui em Bauru, movimentações ocorrem e se bobear nem tomamos conhecimento de seu teor. Está na hora de, além dos nossos olhos estar bem atentos para o que ocorre no mundo, continuar muito atentos em como está se dando o desenrolar de intrincados nós da vida política local. DAE, Funprev perdendo autonomia e Aeroclube batendo asas. E vem mais por aí.

outra coisa
1.) QUINO É HOMEM DO TRAÇO E FEZ ESTE CARTUM EM 1984
Quino é argentino, rei do traço, criador da impagável e inesquecível Mafalda. Ele não produz charges e ssim, cartuns. Termino neste momento, madrugada de sexta, a leitura de seu livro editado em Portugal, "Mundo Quino", meu segundo no ano, pela Publicações Dom Quixote Portugal e ali, algo mais para ser entendido em cada imagem vislumbrada. É um livro só de imagens, mas dessas que você se depara e fica ali pensando um bocado de tempo, antes de conseguir virar a página. Escolho de suas 88 páginas, essa a expressar o sentimento que ele teve dos Estados Unidos. A edição que leio é de 1992, mas sua primeira foi lançada em 1984. O sentimento que o mundo inteiro declara hoje sobre a perda das liberdades individuais do povo norte-americano é algo observável e palatável em toda sua história. A tal da democracia lá deles só existe da boca pra fora e para inglês ver. Qualquer pessoa que ousa pensar e agir diferente dos ditames do capitalismo exercido pelo Estado sofre as consequências. Uso um só exemplo na afirmação aqui feita, Muhammad Ali, o astro do boxe, eternamente perserguido por enxergar que o inimigo dele não estava fora do seu país, mais ali dentro, personificado no branco que o perseguia. E daí, quando convocado, como poderia ele querer lutar por um país que o perseguia nas ruas. A liberdade da famosa estátua deve permanecer o tempo inteiro ruborizada diante de repetidas e constantes ameças. Quino, foi somente um dos que enxergaram isso e as passou para o papel. Seu cartum foi visto e entendido por mim em segundos, permanecendo com a página aberta mais de meia hora, nessa reflexão que não terminará com estes meus escritos.


2.) DITADURA MESMO É OS ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA
"Chamar a Venezuela de “ditadura” virou hábito automático. Já chamar os Estados Unidos de Estado sanguinário ainda soa heresia.
Mas basta inverter o critério moral: quem mata, com que frequência e com que naturalidade?
Nem vamos falar dos frequentes atos terroristas (opa, das “operações”) dos EUA no mundo “não-branco”. Vejamos o que são hoje os EUA nas entranhas. Lá, agentes do Estado caçam armados imigrantes em bairros civis; disparam contra motoristas desarmados; matam crianças, pobres e negros em abordagens de rotina; e raramente são punidos.
A morte virou efeito colateral aceitável da governança trumpista na terra da “liberdade”…
Já a Venezuela não bombardeia ninguém. Nunca sequestrou ou assassinou o presidente de outra nação. Pelo contrário. Quando Manaus morria sufocada sem oxigênio, negado por Jair e Pazzuelo, quem salvou a população não foram os EUA, foi a Venezuela de Maduro… Na Venezuela, com todos os seus problemas, não há caça a imigrantes, nem execuções administrativas, nem civis mortos “por engano” no cotidiano. A violência estatal deve existir - é o que diz a propaganda -, mas se existe é política e concentrada, não difusa e banalizada.
Temos aqui um paradoxo: de um lado uma democracia formal, mas que mata rotineiramente cidadãos e imigrantes, de outro lado um regime que dizem ser autoritário, que supostamente deve controlar, reprimir - mas que não governa pela banalização da morte.
Talvez o erro esteja no vocabulário. Talvez “ditadura” não seja quem restringe eleições, mas quem naturaliza o direito de matar. Se esse for o critério, a resposta incomoda - e diz mais sobre o que chamamos de “Ocidente” do que sobre Caracas. E seremos obrigados a admitir, apesar do JN e do Fantástico (o show da vida): EUA têm um governo ditatorial e sanguinário."
Texto do Sergio Alarcon

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