quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

RETRATOS DE BAURU (311)


COMO É BOM REENCONTRAR QUEM EXERCITA A BOA PROSA: TIDEI DE LIMA
Quem atravessa a avenida Octávio Brisola nesta foto, manhã de domingo, é o ex-prefeito, ex- deputado federal e ex-secretário estadual Tidei de Lima, após longa conversa com frequentadores da banca da Ilda, na boca entrada do Aeroclube. Veio em busca de jornais, estes já quase não mais possíveis - neste domingo a Folha não veio e vieram 4 Estadão. Alguém dentro do cenário político bauruense onde flui palatável conversa sobre passado, presente e futuro. Participei da refrega e constato: mudaram nós, ou mudaram os políticos. Hoje, nem debate existe mais, tudo implantado descaradamente com maioria conseguida de forma insólita dentro do quadro de vereadores. Antes, período de Tidei na Prefeitura, ocorreu famosa passagem de trem de aprovações de projetos, porém, analisando aquele e o atual, os de ontem foram meras trovoadas diante do tsunami do momento. E ele se vai a pé para sua casa, sem o jornal, depois de longa conversação, principalmente como se dão as ações no Congresso Nacional e na Prefeitura Municipal. Ele sempre foi do time dos bons proseadores destas plagas.


ENCRUZILHADA SEMPRE RENDENDO BONS PAPOS DOMINICAIS - HOJE VOS TRAGO A TURMA DOS CHAPELUDOS

Eu sempre gostei demais da conta de encruzilhadas. Já fiz ao longo da vida alguns bons despachos em algumas delas. Hoje o que ainda faço num destes, o da boca de entrada da Feira do Rolo, ali quando convergem a Gustavo Maciel e a Julio Prestes. O que se passa ali sobre os paralelepípedos do largo onde a feira é montada e o rolo acontece é o que me recarrega nas manhãs dominicais. Assunto pra lá e pra cá, bato cartão lá na Banca do Carioca e depois, antes da despedia, já com algumas comprinhas nas mãos, passo pela encruzilhada e sempre encontro por ali, gente da maior responsa para prolongar a estadia no lugar.

Quando a conversa rende, perco a hora e o almoço de domingo lá em casa acontece mais tarde. Neste último, como nos anteriores, a encruza trouxe gente não só amiga, como boa de prosa. Tiro uma foto para comprovar que o esfrega foi com sapiência e prosopopéia de elevada sustância. De um lado, este que vos fala, sempre em busca de desvendar alguns dos lances mal explicados destas plagas e quando por lá, gente como neste domingo, o jornalista Aurélio Alonso e o advogado Marcos, que como eu não só bate cartão, mas tem conta para ir tomando uma boa cervejinha gelada durante a manhã toda e só pagando no momento da retirada. Eu não perco mais tempo com conversa fiada, destes defendendo o indefensável ou passando o pano para o Trump. Aliás, fujo destes. Já com estes dois, a coisa flui que é uma belezura. Parlamos de tudo, inclusive contra os conhecidos malversadores da terra que um dia já intitulada de Sem Limites. Para alguns, o slogan foi entendido na exatidão da palavra e nunca mais pararam de cravar a estava nos costados de Bauru. São aqueles que, amaldiçoamos na esquina, colocamos seus nomes na boca de tudo quanto é sapo e depois, ficamos a torcer para que um dia a cada deles caia. A gente sabe, um dia vai cair, pois não existe crime assim tão perfeito, ainda mais realizado aqui na terra do sanduíche. Citamos alguns casos onde a peteca está prestes a cair e a lama será espalhada por todos os lados. Tive que sair antes do tempo, pois o fone tocou três vezes e era lá de casa, me chamando para as obrigações com o almoço. Não peguei o fim da prosa e assim sendo, tudo remarcado para ter a devida continuidade neste próximo domingo.

Não adiante instalarem um gravador para registrar de quem falamos, pois acostumados com as mandingas da terrinha, falamos sempre em voz baixa, para não ser captado por radares indevidos. Nós somos da pá virada e conspiramos abertamente contra uns que se instalaram no poder municipal e aprontam até não mais poder. Os fluídos lançados de lá para vê-los enroscados até o talo sempre rendem bons resultados. Nosso santo é forte.

O ZÉ DO RESTAURANTE 15
ZÉ, assim ele gosta de ser chamado, quando muito Seu Zé. Ele é cunhado do Brecha, o do bar lá na rua detrás do cemitério da Saudade. Tempos atrás, saiu do Brecha e fundou o seu bar/restaurante lá detrás da antiga Baurucar. Ficou anos ali e hoje apregoa, já estar na lida e luta envergando a roupa de garçon há mais de 45 anos. Ficou por lá até quando deu e quando pediram o prédio, junto dos filhos, que já comandam seu negócio, enfim, tudo é feito para eles darem continuidade, investiu o que tinha num novo ponto. Este inaugurado nesta semana lá na confluência das ruas Padre João e São Gonçalo, duas quadras atrás do Obeid Hotel. E assim já está funcionando o "Restaurante 15 - Comercial e Marmitex", sem atender com comida por quilo, mas num A la Carte (De acordo com o cardápio), com tudo servido em pratinhos separados ou num PF - Prato feito -, servido dentro de uma caçarola de alumínio. E o principal, tendo o Zé circulando pelas mesas, como faz há décadas, com seu impecável uniforme. Lugares assim, estilo mais que próprio, insistindo num modal à antiga, são um benção dentro do empastelado que se vê vicejando por aí. Vida longa ao ZÉ.

ELES TALVEZ SEJAM OS ÚLTIMOS A REVENDER CARTÕES POSTAIS DE BAURU
Vou trocar a capinha do celular na loja de um casal, velhos conhecidos, localizada na rua Gustavo Maciel, entre a Batista e a Rodrigues Alves. Foram durante anos uma excelente banca de revistas, mas abdicaram de vender revistas e jornais, pois não mais existia público para tanto. Se fixaram em outros quesitos, os que eram antigamente vendidos como adereços na banca. A coisa se inverteu e eles tiveram que ir nessa, pois do contrário já estariam com as portas fechadas. Pois bem, vou trocar a capinha e vejo que revendem Cartões Postais com imagens de Bauru. Talvez sejam os últimos a fazerem isso na cidade. Ouço deles ser de uma pessoa de fora de Bauru, ainda preocupado com este tipo de comércio. Ou seja, quem imprime os tais cartões nem daqui é e, com certeza, deve fazê-lo com imagens de muitas outras cidades. E folheando os cartões, lembro de uma conversa que Sivaldo Camargo me contou anos, atrás, quando circulou com o ator e dramaturgo Antônio Abujamra (1932/2015), pelas ruas da cidade antes de uma apresentação no Teatro Municipal e ele, querendo cartões postais, foi levado exatamente para essa mesma loja e ali ainda tinha cartões. O ator disse ao lojista com seu jeito irônico: "Como pode um comerciante querer sobreviver sem revender cartões postais". Todos pelo visto o fazem, resistindo este e na imagem que posto, a do Aeroclube Bauru, algo que, pela recente decisão, será vendido, passado nos cobres, para ajudar tapar rombo financeiro da atual administração, alavancando a especulação imobiliária na cidade e se bobearem, derrubando também os tais prédios históricos e tombados pelo patrimônio cultural. Em breve, essa imagem vislumbrada no cartão pode ser também coisa do passado, assim como já quase o são as bancas de jornais e revistas.

A HISTÓRIA SE REPETINDO COMO FARSA, NA VERSÃO PELO TRAÇO DE MIGUEL PAIVA

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