sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

A FORÇA DA IGREJA PARA CONTER O ÍMPETO POPULAR DE CONTESTAÇÃO
Circulamos, eu e Ana Bia, por estes dias em dois países onde é muito marcante a presença da igreja, aqui no caso europeu a católica, na vida das pessoas. Creio que, a maior quantidade de igrejas por metro quadrado do mundo esteja aqui localizada. Visitei algumas das mais suntuosas nas cidades por onde estive, tanto em Portugal, como na Itália. A maioria delas, as maiores, cobram ingresso para adentrar seus templos. Altares e estátuas reluzentes, cada qual tentand ose mostrar mais impoente que a outra. Tudo isso, construído numa época onde o poder também se manifestava e se mostrava exatamente desta forma, a com a exposição mais reluzente, mais grandiosa. Isso é uma coisa, ultrapassando até o próprio poder da fé. A fé, vejo isso bem nitidamente, teria que ser expressada de forma absoluta, sem reservas ou restrições, pelo povo de forma geral, sem contestação e vejo nisso, já devidamente comprovado, uma forma absoluta de dominação. Isso não me impede de estar aqui, achar tudo lindo, porém, enxergar este outro lado, algo mais do que necessário.

Trouxe para ler aqui na Europa um livro do escritor gaúcho Josué Guimarães - que sempre gostei muito -, ele morando em Portugal na época da Revolução dos Cravos, por volta de 1975, onde relatou como foi a passagem do regime ditadorial de Salazar para o proposto pela Revolução dos Cravos, no livro "Lisboa Urgente - o Portugal de hoje que os brasileiros e os portugueses no Brasil desconhecem", livro impresso em 1975. Na parte sobre religião é muito contundente e aqui compartilho algumas de suas impressões: "De todos os recantos do país acorrem os crentes com o intuito de pagarem à Santa aquilo que julgam ter sido um benefício dela recebido. É uma incalculável multidão de doentes, velhos, deficientes físicos e mentais, inocentes crianças, caquéticos, débeis, cegos, paralíticos, famintos, desempregados. É a transferência do humano para o sobrenatural. Pedem à SAnta porque não adianta pedir ao governo e asswim recorrem à medicina celeste, pedindo a proteção dos céus".

Continua: "Como nas transações comerciais, quanto mais precioso for o bem almejado, mais se precisa dar em penitências e sacrifícios de toda ordem. (...) Os pecados geram as guerras, a guerra vem com a punição aos pecados. Nunca foi dito aos crentes que a guerra bem que poderia não ser a vontade de Deus, mas uma iniciativa do Nazismo ou do fascismo. (...) E a organização mercantil funcionando como uma grande empresa moderna, os dirigentes industriais fabricando velas, imprimindo santinhos, cunhando medalhas e moedas, fabricando crucifixos e imagens, estampando estandartes e flâmulas, montando restaurantes e cafés, confeitarias e bares, pensões e hotéis, estabelecendo linhas de transporte... (...) a figura do homem providencial teve sempre as suas raízes cravadas nesse solo fértil da crendice popular, na alimentação do sobrenatural para contrabalançar o que não lhes era dado no terreno temporal. (...) As desigaldades humanas deixaram de ser o produto dos opressores, mas a vontade de Deus. Cria-se assim,a passividade das massas. Torna-se, assim, o povo dócil. (...)A Companhia de Jesus afirmava também que a instrução do povo era prejudicial à sociedade e à salvação das lamas trabalhadoras".

Entenderam? Vi isso aqui de forma explícita e até, escandalosa. Nas filas nas entradas dos templos mais famosos, o povo ali teleguiado em busca de uma veneração aos seus santos, tudo em busca de não só ver o belo representado pela arte ali exposta, mas também em busca de sua salvação. 

em Bauru a alcaide está decretando o fim do seu Plano Diretor
EU BAURU O SENSATO É SABER COMO OCUPAR OS SEUS VAZIOS URBANOS E NÃO QUERER INVADIR ÁREA VERDE - PARA SUÉLLEN ROSIN O PLANO DIRETOR ATENDE OS INTERESSES DA ESPECULAÇÃO IMOBILIÁRIA E NÃO OS DA CIDADE - Leiam texto do Fernando Redondo
A Prefeitura de Bauru Sanciona o Maior Negócio Imobiliário de sua História
Parece que a Prefeitura de Bauru, em sua revisão do Plano Diretor, decidiu encenar uma tragicomédia em três atos. No primeiro, gasta-se uma pequena fortuna pública para bancar um diagnóstico técnico de alto nível da FIPE. No segundo, ignora-se solenemente todas as conclusões desse estudo. No terceiro, entrega-se a cidade, de bandeja, ao setor que verdadeiramente comandou a ópera: o imobiliário e os donos de terra. O que chega à Câmara Municipal não é um projeto de cidade, mas uma licença monumental para a especulação, assinada, carimbada e recheada de benesses pela gestão Suéllen Rosim.
O roteiro é tão previsível quanto vergonhoso. A Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), contratada com dinheiro público, apresentou um diagnóstico lúcido: Bauru já tem estoque de vazios urbanos e a projeção é de estagnação do crescimento populacional. Em linguagem de gente: a cidade não precisa se espalhar mais; precisa usar melhor o que já tem.
Qual foi a resposta da “santa e tecnocrática” administração? Aplaudir o estudo e fazer exatamente o oposto. A minuta propõe a inclusão de mais 55 milhões de metros quadrados no perímetro urbano, sendo a maior parte – pasmem – sobre a Área de Proteção Ambiental (APA) do Rio Batalha. É o triunfo da ganância sobre a razão, da especulação sobre a sustentabilidade. Enquanto a cidade sofre com restrição hídrica na região Oeste, o governo libera a urbanização do manancial. A justificativa? Criar uma “Zona de Interesse Ambiental” com lotes mínimos de 400m². É a maquiagem verde para um crime urbanístico: tentar vender a liquidação da proteção ambiental como um “zoneamento criterioso”.
Quem são os arquitetos desta obra-prima da rendição? A coordenação tem nomes e sobrenomes que contam a história real. Lideram o processo Rafaela Foganholi (Secretária de Aprovação de Projetos), Fabiane Trevisan (coordenadora da revisão), Pedro Rodrigues (gerente de planejamento), Sanae Kuko (coordenadora de políticas de zoneamento) e Letícia Floriano (gerente de aprovação de projetos). Mas a cartilha parece ter sido ditada por outros dois personagens emblemáticos: Paulo Garbelotti e, principalmente, Tábata Ribeiro. Esta, uma figura que fez o caminho inverso ao do serviço público: veio diretamente de construtoras para comandar a Secretaria Municipal de Habitação. Não é conflito de interesses; é a fusão completa entre o interesse público e o privado. A nomeação de Tábata Ribeiro não é um detalhe biográfico; é a declaração de princípios desta gestão. É o lobista profissional sendo premiado com a chave do galinheiro.
O capítulo da outorga onerosa, porém, é onde o cinismo atinge seu ápice doutoral. O direito básico de construir (Coeficiente de Aproveitamento) salta de 1 para 3 sem custo algum. Traduzindo: os incorporadores poderão triplicar o tamanho de seus empreendimentos sem pagar um centavo à cidade pela valorização que causam. A cobrança só começa após esse patamar generoso. É o presente de grego definitivo: criam-se regras para parecer moderno, mas esvaziam-se financeiramente para servir. Enquanto isso, a proposta extingue a doação obrigatória de áreas públicas para 90% dos loteamentos, aqueles com até 20 mil m². Menos parques, menos equipamentos, mais lucro privado.
O resumo é este: a prefeita Suéllen Rosim, cercada por técnicos que assinam embaixo e por ex-construtores que ditam as regras, entrega um pacote de bondades históricas aos donos de terra e incorporadores. Expande a cidade para áreas ambientalmente frágeis contra todos os estudos, e subsidia a construção privada com a renúncia fiscal da outorga. É a privatização do planejamento urbano. O plano que chega à Câmara não é para regular o mercado, mas para servi-lo. Resta saber se os vereadores, muitos da base da prefeita, terão a coragem de interromper este espetáculo de rendição ou se serão meros figurantes na consolidação da Bauru dos Especuladores. As fichas já estão na mesa. A cidade aguarda para ver quem, afinal, a representa.
FERNANDO REDONDO / Jornalismo Independente

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