SABE O QUE MAIS GOSTEI DE VER NA PRAÇA PRINCIPAL DE ENTRADA DO VATICANO?
Conto a seguir. A estátua de trabalhadores/migrantes na Praça de São Pedro, no Vaticano, é o monumento "Angels Unawares" (Anjos Inconscientes), inaugurada em 2019 pelo Papa Francisco. Criada pelo artista canadiano Timothy Schmalz, esta obra de bronze de seis metros retrata um barco com refugiados e migrantes de várias épocas e culturas. Representa a hospitalidade, a luta de migrantes e refugiados fugindo de guerras e perseguições. Está situada na Praça de São Pedro, perto da Colunata de Bernini e inclui 140 pessoas e asas de anjo no centro, sugerindo uma presença divina entre os necessitados. Foi a primeira obra de arte instalada na praça em cerca de 400 anos. Adicionalmente, existe outra escultura de Timothy Schmalz, intitulada "Seja Acolhedor" (Angels Unawares), colocada em abril de 2025 perto dos chuveiros dos pobres na Colunata, representando um migrante sentado, convidando à empatia.
Podem dizer o que quiserem do papa argentino Francisco, mas dentre todos, pelo menos ao meu ver, foi o mais sensível de todos. o atual pode ter tido no passado um trabalho junto a comunidades carentes, mas já não se fala mais dele. De Francisco, pelos seus atos contínuos, falava-se dele o tempo todo. Inquietava os poderosos de plantão. Foi único. Essa escultura, algo como uma imposição dele ali no coração da praça - mesmo que num canto -, representa a sua linha de pensamento e ação elevada a algo físico, possibilitado materialmente. Sua representação nos tempos atuais é mais do que significativa e suplanta essas questões religiosas todas. Essa massa de imigrantes ali representada é algo mais do que presente no mundo atual e passando batida, ignorada pela maioria dos mortais, porém, eles estão aqui, convivendo bem junto de nós e neles, na fisionomia ali vista, a dor e o sofrimento humano dos que padecem nos mais diferentes lugares deste planeta, necessitando de deslocamentos constantes para tentar continuar sobrevivendo. Fiquei muito tocado com o que senti ao rodeá-la.
Pisar no Coliseum é estar diante da história na sua acepção. O Império Romano perdurou por um tempo maior do que a duração do que hoje vemos no decaído Império Norte-Americano, que já está em frangalhos e se segurando pela força, pois o poderio econômico já se foi. Impérios podem durar muito tempo, mas um dia caem. Os motivos são variados e múltiplos, mas não se sustentam uma vida inteira. Este imenso conglomerado onde os gladiadores se esfalfavam no palco dos acontecimentos, nada mais é do que essas atuais Arenas esportivas, lugar onde se joga futebol e acontecem imensos shows. O pão e o circo continuam acontecendo nestes lugares. O nome de Arena, evidentemente, oriundo deste Coliseum, talvez a primeira grande arena que se tem notícia na história. Hoje são muitas e o que acontece no seu interior não se difere muito da original.
Isso mesmo, passa um filme sobre a cabeça de quem se põe a pensar sobre instigante assunto. A relação é clara, direta e reta. Isso posto, fiquei a matutar muito durante e após o passeio no local. Qualquer Império necessita também de um lugar específico para proporcionar à sua população um pouco de distração, onde ela é engambelada para a continuidade do incessante e macabro escambo, rapinagem. Claro, um lugar como este não ocorre somente este tipo de procedimento em suas apresentações, mas isso fica evidente. Ouvi por lá de uma guia explicando para seus atentos ouvintes que, os gladiadores souberam com o tempo ir construindo os resultados, fazendo um rodízio de perdedores e ganhadores entre eles, até como questão de pura sobrevivência. Fosse tudo levado a ferro e fogo, creio eu, nada teria como resultado essa intempestiva ação do ser humano por aqui. O saber ir contornando as situações também faz parte do jogo.
Roma é a exposição e amostragem do que foi este tal de Império Romano. Muito disso foi salvo e está exposto, não como chaga, mas também como amostragem para não permitir que os mesmos erros se repitam. Porém, eles constantemente voltam a ocorrer, pois o ser humano não aprende e gosta de avançar devagar os degraus de um mundo mais justo. Na Roma antiga a perpetuação da força e de como os ditadores de então, exerciam seu poder sem dó e piedade. E o que vemos hoje, por exemplo, nas ações do insano e doentio Donald Trump não é a repetição de todos os mesmos erros do passado? Não aprendeu nada. No Império Romano a queda ocorreu, pois estavam já passando de todos os limites, no nazismo Hitler fez o mesmo e não tinha limites. Trump começa a exercitar este poder sem limites, que para mim é a exposição de sua decadência, os esperneio final, que pode durar ainda ainda algumas dezenas de anos, mas não durará muito tempo. Depois disso, outros impérios virão. A História é a repetição disso.
Finalizo enaltecendo a possibilidade que estou tendo de colocar os olhos sobre tudo isso, ou seja, olhar com meus próprios olhos como tudo isso foi possível, a grandiosidade do que vejo e nas condições materiais daquela época. Isso nos faz soltar fumacinhas da cabeça. E se os romanos levantaram tudo isso sem as condições materiais de hoje, só com o poderio da força escravagista, imagina agora quem detém o poder do mundo, com condições imensamente melhores. Este mundo só não avança para o bem, porque existe este disvirtuamento da mente humana, não trabalhando para o bem comum, mas para a acumulação de riquezas e pensando em construção de algo pessoal, pouco coletivo. De todos os grandes imperadores do passado, quem atuou mesmo pensando no coletivo, no bem estar de todos? Não esquentem a moringa, pois a resposta é nenhum. Eu cá estou, no meio do que restou daquele império, andando entre escombros, perambulando depós de séculos da ocorrência fatal, o desfecho e vivenciando in loco a decadência lenta e gradual de outro, o dos EUA. Este Coliseum é um dos símbolos máximos do que foi o Império Romano e voltando para nosso tempo, qual seria o símbolo máximo do que ainda representa o poderio dos EUA sobre o planeta? Não creio seja a Estátua da Liberdade. Pensando a respeito.

Nenhum comentário:
Postar um comentário