sexta-feira, 29 de agosto de 2025


HOJE A RESENHA SERÁ DA ESTRADA, INDO COM A SANGUE RUBRO PRA ARARAS...
O Noroeste jogaria partida decisiva dentro da Copa Paulista, já na fase mata-mata contra o União São João de Araras. No primeiro jogo, ganhou em Bauru por 1 x 0 e na noite dessa sexta, 28/08, 19h, a partida eliminatória. Faço contato com o Pavanelo, o manager da torcida organizada Sangue Rubro e depois de longo tempo sem embarcar em excursões para ver jogos fora do glorioso e centenário Esporte Clube Noroeste, lá vou eu. Por meros R$ 50 reais, convido mais um, meu amigo Cláudio Lago e vamos juntos presenciar a partida e sermos TESTEMUNHA OCULAR DESSA HISTÓRIA.
Pavanelo, torcedor símbolo noroestino, com 71 anos completado dias atrás é expert nessas viagens. Está envolvido nelas faz décadas, já tendo visitado todos os estádios paulistas a envolver times de suas quatro divisões. Sabe conduzir o público torcedor nestes dias. Usa do bom relacionamento com as várias gerações ali dentro de um ônibus, 60 lugares, somente cinco não ocupados. O jogo é as 19h e a saída se deu no horário combinado, 15h30. A ida se daria seguindo por Jaú, Brotas, alcançando a rodovia Washington Luiz e logo a seguir Araras, algo em torno de duas horas de viagem. Porém, o motorista observa sinal vermelho no trecho, sinalizando obras no trecho, daí vamos por LEnçõis, São Manoel, Sta Maria da Serra e só depois Araras, trecho mais deserto, pistas sem duplicidade e, portanto, no mínimo meia hora há mais no percurso.
Ninguém gosta de chegar atrasado, ou seja, com a partida em endamento, mas neste caso inevitável. Foram menos de cinco minutos e no estádio, localizado num dos cantos da cidade, tendo que atravessá-la por inteiro, um só guichê. O ônibus para bem defronte o lado destinado aos visitantes e dentro do estádio, um dos lados do campo inteiro para os noroestinos. O jogo começa e tomamos logo um gol. Com este resultado, a contenda ao final estaria empatada e iria para os pênaltis. Jogávamos nada diferente do que ocorreu nos últimos tempos, quando melhoramos no decorrer da competição. Existia forte crença da real possibilidade de passar de fase.
Tudo foi desmontado com um caso inédito no futebol. Lá pelos 15 minutos de jogo, o juiz marca um pênalti contra o Noroeste. Da confusão, pois jogadores norestino alegavam impedimento, antes da falta cometida pelo goleiro, o último homem. Quando ouve o bandeirinha, o juiz volta atrás e anula o pênalti e a expulsão do goleiro. A confusão se inverteu e os jogadores do União ameaçaram abandonar o jogo. O tempo foi passando e mais de meia hora de interrupção. Nisso, pelo que se soube depois, muita pressão no entorno do árbitro, ele vê imagens lhe mostradas por alguém do staff do União e resolve novamente marcar o pênalti e confirmar expulsão do goleiro.
A confusão se inverte e quem queria abandonar o jogo eram os noroestinos. Isso, na soma do tempo, foram mais de 45' de interrumpção, num vai e vem nunca visto até então numa partida de futebol. A longevidade confirma a ineficácia e despreparo de um juiz sem pulso para tomar decisões e, certamente, a tomando após pressões e um VAR dos mais inusitados, pois via a cena do gol através do celular de outrem, externo à arbitragem, quando toma a decisão. Por fim, o Noroeste resolve voltar ao jogo, munido por não possibilidade de ter problemas até em futuros campeonatos, como a Série AI de 2026.
Na continuidade, o pênalti é batido, 2 x 0 e com dez em campo, joga todo o restante do 1º Tempo, melhor que o União. Perde gols e no 2º Tempo, mais cansado, segue martelando, porém, sem comnseguir marcar e levar jogo aos pênaltis. Toma o terceiro gol, num gol defensável e o jogo se arrasta ao seu final, com placar de 3 x 0. É a desclassificação, porém, algo deverá ocorrer nas hostes dos tribunais da FPF - Federação Paulista de Futebol, que já afastou o trio de arbitragem e os próximos passos serão resolvidos após a leitura do borderô do jogo, feito pelo árbitro. Este o resumo do que se viu, ineditismo de um pênalti ser marcado e desmarcado algumas veszes, ora gerando revolta num lado e noutro. Deverá ser motivo de chacota pelos telejornais nacionais esportivos.
Por outro lado, ressalto a proteção absoluta aos torcedores visitantes, bom local para assistir o jogo e daí, fico vagando por estes, buscando o sentimento de cada um, gravado em imagens de quem veio de longe, aproximadamente 200 km, tudo para presenciar uma partida de futebol. Essa paixão é algo inebriante dentro do espectro futebolístico. Duas torcidas noroestinas estiveram presentes, a Sangue rubro com um ônibus e a Falange Vermelha, com três carros lotado de torcedores, fora alguns outros, também de carro e outros, morando na região. Circular por estes e ir observando suas expressões, coletando diálogos é ir construindo mais um capítulo da magnitude só alcançada pela paixão futebolística. Da maioria dos lá presentes, não peçam para fazer o mesmo por motivos políticos ou mesmo, religiosos. A motivação ali é toda gerada pelo futebol. Ela faz com que, num certo momento, os integrantes da torcida, tirem suas camisetas, mesmo numa noite fria e entoando hinos criados para levantar o ânimo, a girem no ar e cantem em alto e bom som, pulando freneticamente ao som do batuque da charanga - ou seria banda - da Sangue.
Isso foi só um detalhe dentre tantos outros. Só o fato de alguém sair de casa, no meio de uma terça, embarcar com destino 200 km adiante, presenciar um jogo dentro de uma Copa Pauliusta, nada expressiva, leva a crer em como o futebol consegue realmente guiar e conduzir muitos para um só objetivo, movido pela força que este esporte consegue mover. O que se viu em Araras, quando acompanhei a Sangue é o mesmo que move torcedores indo presenciar seus times do coração, em deslocamentos incomensuráveis, distâncias enormes, tudo para presenciar in loco o seu time do coração jogando.
Dentro do ônibus, a ida o congraçamento, os reencontros e conversas cheias de esperança e na volta, com embarque já por volta das 23h, muito de cansaço. Nem ocorreu parada num posto de combustível na estrada e quando a maioria se deu conta, estpavamos nas portas de Bauru. Conversas houveram, poucas e ao fundo da embarcação, quem não parou um só minuto, foram os integrantes da charanga e ala mais jovem da torcida, num papo alto, entre risos, cantorias e provocações a uní-los em torno deste amor noroestino. Achegada se deu por volta da 1h20 da manhã, com o Noroeste tendo permitido todos guardarem seus veículos dentro do estacionamento do estádio, curta despedida e cada um seguindo seu rumo. O ocorrido nesta noite gerará, com toda certeza, muita conversa, infindáveis discussões, se arrastando ao longo da próxima semana. Infelizmente, para o Noroeste, o campeonato terminou e jogo oficial mesmo agora só em janeiro de 2026, com o início da série AI do Paulista.

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