segunda-feira, 24 de maio de 2021

COMENTÁRIO QUALQUER (214)


OU VAMOS PRA CIMA, TODOS JUNTOS OU SEREMOS ENGOLIDOS – PELA REBELIÃO E NÃO AO CONFORMISMO
Começo escrevendo sobre a Cultura e resvalando em tudo o mais, pois a intenção é mencionar tudo. Não só a Cultura, mas precisa mudar o modelo de gestão pra tudo. Não existe mais condições de trocando o governo, as peças todas são trocadas. Chegam gente nova, outra visão e sem compromisso nenhum com o que estava sendo feito, tudo interrompido e um começar novamente. Seja na Cultura, no DAE, Emdurb, seja o que for. Nas esferas municipal, estadual e federal se faz necessário um copo técnico atuar e ele ter solução de continuidade. Nas agências reguladoras isso já acontece, mas ainda de forma incipiente. Na Anvisa se conseguiu manter um corpo técnico. Mas não dá mais para suportar trocas e esse recomeçar. No casa da Cultura municipal isso é evidente. Troca do secretariado e tudo fica a mercê do que o novo escolhido decide. Tem que ser um corpo técnico, com servidores de carreira, gente da área e não ficar uma coisa totalmente dependente de influência política. O modelo de trocar tudo está esgotado, não serve mais.

E tem mais, se a arte é transformadora ela não pode ficar dependendo do lado que vai as composições políticas e tudo ir se adequando a isso. Teatro, dança, cinema, música, tudo de acordo com o que manda e determina quem chega. Estamos criando uma época da inquisição moderna, não uma arte subversiva e transformadora. O artista não pode ficar passando pano aceitando migalha e conduzir a crítica de acordo com a conveniência. Aquela geração da década de 60, contestadora, contra a Guerra do Vietnã, o movimento hippie, confrontando nas ruas os absurdos da época, tudo aquilo não existiria se a arte fosse condicionada a um governo, atrelada ao sistema vigente. Ao invés de ter perspectiva de classe ficam aí dourando a pílula e num doído corporativismo. Ah, a secretária é do meio artístico, então vamos dar tempo ao tempo, sempre esperando que um milagre aconteça. A gente tem que ter postura, tem momentos da vida que é impossível ficar sambando em cima do muro como se tudo estivesse dentro da normalidade.

Nós estamos diante de um genocídio no Brasil e de um governo municipal que é um QG do bolsonarismo e quem aceita participar desse governo também é fascista. É como se voltássemos para a Alemanha dos anos 30 e encarar o general lá da frente nazista e pegar leve com ele, enfim, ele está só cumprindo ordens, no fundo era um cara gente boa. Pera lá, o cara era nazista, pô. Não dá mais essa conversinha de “alivia pra secretária, a prefeita chegou agora, vamos dar tempo ao tempo, esperar mais um pouco”, como se algo de bom pudesse vir de alguém sendo bolsonarista. Não virá. Desde o início, quando da indicação da secretária, estava na cara que ia dar nisso. Vai ver se ela defendeu a classe artística na Audiência Pública. Aquilo foi uma vergonha, com respostas, vazias, rasas, como era óbvio iria acontecer. Ela, a secretária está ali para isso, ela representa isso que todos estão vendo. Não tem como ela ser diferente e fazer algo diferente do que lhe mandam fazer. E daí, por que uma parte da classe artística fica aliviando? Muito simples, porque se ajoelham por migalhas e ficam esperando. A esperança de ter um projeto ou um edital aprovado. Arte não é isso, arte é subversão, é resistir, confrontar e propor algo novo, diferente, ousar e lutar por isso. Conformismo e usufruir de benesses, só isso, leva ao caos cultural. Esse negócio de permanecer a mercê, puxa saco de quem está no poder é deprimente.

A crítica não pode ficar só pautada na Cultura. Então quer dizer que se a Secretaria de Cultura pautar o meu projeto eu fecho os olhos para tudo o que de errado existe, não critico nada e tudo bem. A arte não pode se calar quando vê o cerrado sendo destruído, quando as APAs estão sendo sufocadas, quando a especulação imobiliária detona com patrimônios, tudo em prol de grana. Por causa de um projeto aprovado vozes se calam. Veja o Roger Waters, ele agenda show, mas não se cala de se pronunciar a favor da Palestina, contra o fascismo, contra as ditaduras. Veio aqui no Brasil e se posicionou contra o governo local. A artista tem que ter coragem, combater e não se vergar e muito menos se entregar. Compra briga por onde vai e agora se posicionando a favor da nova Constituinte chilena. Muitos podem querer dizer, mas ele é rico, ele pode. Respondo dizendo que ele não foi rico a vida toda e que sempre pautou sua carreira dessa mesma forma, postura firme, resoluta, inquebrantável, como a arte deve ser. E tem tanto artista rico que não fala coisa nenhuma, ou seja, a questão não ´s ser rico ou não, a questão é ter postura. O artista te quem escolher, a arte é transformadora, subversiva ou ela é simplesmente um edital. A arte com edital a gente fica quieto e sem edital a gente bota a boca no trombone e critica o poder público. Isso não é arte. Tem muito artista que faz qualquer coisa, não se importa nem um pouco se tem genocídio ou não e por causa de um mero edital, pra ele está tudo bem. Tendo o edital morreu a crítica. Isso está errado, isso não é perspectiva de classe, isso tem nome, isso é corporativismo.

Tudo que se faz tem que ter como ponto de partida a perspectiva de classe social, nunca a luta individual, mas coletiva, por um todo. Aqui eu não falo somente de classe artística, mas de todas as classe, porque evidente, a classe artística também está inserida numa classe social. Tudo só tem sentido se formos olhar pelo todo. Quando as pessoas passaram a tocar suas vidas de boca fechada, contidas, tudo se apequenou, piorou e quanto mais gente luta individualmente, mais estamos enfraquecidos. Aceitar tudo passivamente, sempre rastejando, isso enfraquece uma classe, uma categoria. O valor é conquistado na luta, no confronto e não na resignação, aceitando tudo de mão beijada e deixando de ir à luta. Quem se acomoda por causa de um edital e deixa de lutar por algo diferente do que lhe dão só por essa forma, é um fraco. Cuspo esse desabafo de uma só talagada, sem correções, reflexões despontando na cabeça e sendo despejadas no papel. Creio não ter desferido muitos despropósitos, pois tento ainda viver dentro de uma realidade, cruel e doentia, mas querendo sobreviver, sair do marasmo e buscar algo novo, fora desses esquemas mais que viciados. Ou todos juntos passamos a combater isso tudo, esse esquemão doentio, ou vamos todos adoecer e nos transformar em algo igual ou até pior que eles.

A BAURU DO FUTURO APÓS EXECUÇÃO DÍVIDA DA COHAB
O processo que deverá enterrar a Cohab-Bauru puxando a Prefeitura para o mesmo abismo é o de nº 0012357-66.2018.8.26.0071, na Sexta Vara Cível, juiz André Luís Bicalho Buchignani, fase final de cumprimento de sentença. Ou seja: tudo o que foi levantado durante a tramitação, a montanha de dinheiro que a Cohab deve para a Construtora LR tem de ser paga.

Com a repercussão da Operação João de Barro, agora que o Gaeco e o Juiz Fábio Bonini decidiram abrir todo o esgoto da "gestão" Gasparini Júnior, com medo de ganhar mas não conseguir levar, a LR pediu ao juiz André Luís urgentíssimas penhoras de todos os bens da Cohab em Bauru e em outras cidades.

Que assim decidiu: A tese da fraude de execução (fs. 2.360, item 17 e seguintes) também não comporta acolhimento. Em síntese, alega a exequente, ter havido fraude de execução porque a devedora teve vultosa quantia desviada por seus Diretores. Logo, não se trata de alienação de bem prevista no artigo 792 do Código de Processo Civil. De qualquer forma, não basta ao exequente requerer o reconhecimento da fraude, sendo mister a indicação do terceiro adquirente para os fins do artigo 792, §4º, do Código de Processo Civil. 6.4). Por fim, incabível a transferência à custódia (fs. 2.361) deste Juízo dos valores apreendidos na persecução penal, dado que tal montante nem sequer não foi penhorado. Vale dizer, para que haja tal transferência, antes deve a parte executada demonstrar a existência do numerário lá depositado e requer a substituição da penhora que garante esta execução pela penhora no rosto daqueles autos.

Diante disso, a grande expectativa para evitar o desastre total era a decisão do STJ na ação rescisória que a Cohab Bauru impetrou em 2018 e na qual já havia obtido sucesso parcial porque o ministro relator, Benedito Gonçalves mandou suspender o processo da bilionária dívida para a LR da Sexta Vara, em medida liminar.

Entretanto, dia 19 de maio, quarta-feira passada, saiu o julgamento de mérito daquela ação rescisória no STF e a Cohab perdeu, por unanimidade. Basta entrar no portal do STJ e consultar: Ação Rescisória 6.243-SP para conhecer a certidão do julgamento final.
E, daí?

Daí que o juiz André Luís da 6ª Vara ao descartar, por ora, uma penhora ampla, geral e irrestrita de Cohab e Prefeitura, que está junto no processo, disse que a execução do valor da dívida bilionária "já estava assegurada".

Que é o que, infelizmente, o povo da cidade de Bauru está para ver começar a acontecer, mesmo que a mídia dos donos da Sem Limites continue insistindo em esconder os fatos. Enfim, se já está RUIM, tudo pode PIORAR e até mesmo se tornar um HORROR.
Bauru por um fio...

COLATINA FAZENDO ESCOLA
Em foto de Diomara Dias, no Núcleo Eldorado, o vice prefeito Orlando Dias, com enxada nas mãos, tenta resolver o problema das ruas com entulhos acumulados ("Dr Orlando, aqui hoje vice prefeito aqui ajudando Zeladoria", legenda dela), deixando de lado a Saúde, sua pasta no mandato e a persistente falta de vagas hospitalares na cidade, algo mais do que acumulado e sem aparente solução, algo que, pelo visto, nem enxadada resolve. Seria mera imitação do prefeito de Colatina, o que finge fazer?

2 comentários:

Anônimo disse...

Sobre pessoas que se colocam em cima do muro , não se manifestam por migalhas ou aqueles que se omitem e aos isentos. Vejamos o que diria Dante Alighieri:
Logo que entrei ouvi gritos terríveis, suspiros e prantos que ecoavam pela escuridão sem estrelas. Os lamentos eram tão intensos que não me contive e chorei. Gritos de mágoa, lutas, queixas iradas em diversas línguas formavam um tumulto que tinha o som de uma ventania. Eu, com a cabeça já tomada de horror, perguntei:
- Mestre, quem são essas pessoas que sofrem tanto?
- Este é o destino daquelas almas que não procuraram fazer o bem divino, mas também não procuraram fazer o mal. - respondeu o Mestre. - Misturam-se com aquele coro de anjos que não foram nem fiéis nem infiéis ao seu Deus. Tanto o Céu como o inferno os rejeitam.
- Mestre - continuei -, a que pena tão terrível estão esses coitados submetidos para que se lamentem tanto?
- Em poucas palavras: Estes espíritos não têm esperança de morte nem de salvação. O mundo não se lembrará deles, a misericórdia e a justiça ignoram-nos. Deixa-os. Olha, e passa.
E então olhei e vi que as almas formavam uma grande multidão, correndo atrás de uma bandeira que nunca parava. Estavam todas nuas, expostas a picadas de enxames de vespas que as feriam em todo o corpo. O sangue escorria, junto com as lágrimas até os pés, onde vermes doentes ainda os roíam.
MARIA CRISTINA ZANIN

Garoeiro disse...

Caríssima Maria Zanin,
Obrigado! Dante Alighieri, naquele seu corretíssimo INFERNO, da Divina Comédia, condena, sobretudo, aos indiferentes, essa turminha que nunca sai de cima do muro ...
Precisamos aprender a odiar os indiferentes!

Leia, comigo, Antonio Gramsci:

“Odeio os indiferentes também porque me irrita o seu choramingar de eternos inocentes. Pergunto a qualquer um desses como cumpriu a tarefa que a vida propôs e propõe cotidianamente, daquilo que realizou e especialmente daquilo que não realizou. Sinto que posso ser inexorável, que não preciso desperdiçar minha piedade ou compartilhar minhas lágrimas. Sou resistente, vivo, sinto na virilidade da minha consciência pulsar a atividade da cidade futura que estou ajudando a construir. Nela a cadeia social não pesa sobre poucos, cada acontecimento não é devido ao acaso, à fatalidade, mas é obra inteligente dos cidadãos.
Não há ninguém na janela contemplando enquanto os poucos se sacrificam, se esvaem em sacrifício; aquele que permanece de plantão na janela para aproveitar do pouco que a atividade dos poucos alcança ou para desafogar a própria desilusão vituperando o sacrificado desfalece sem conseguir o que pretende.
Vivo, tomo partido. Por isso odeio quem não o faz, odeio os indiferentes.”