quinta-feira, 7 de outubro de 2010

CENA BAURUENSE (70)

COM ESSES AQUI UMA NOITE NUNCA É IGUAL A OUTRA, MUITO MENOS MODORRENTA E ENFADONHA
Boêmia é algo irresistível, o oposto de balada (feito só para azaração e pegação, repugnante). Numa trégua da campanha dilmista, aportei ontem no Templo Bar juntamente da mana Helena Aquino e de um amigo conhecido ontem mesmo, o profissional de marcenaria Manoel Padial e Sérvio Túlio, ambos agudences de boa cepa e este último, um quase carioca do Leblon, quando lá morou por mais de 20 anos. O motivo era algo inadiável para quem gosta da boa música. Em Bauru, sinal de boa música no meio da semana, isso tem nome, Templo Bar. Ontem o motivo foi desses acontecimentos que só mesmo o Fernando para nos propiciar com a maestria que lhe é peculiar. Por meros R$ 10 de couvert (quando se paga isso em Sampa e Rio para bons shows? Nunca, respondo) assistimos o lançamento do CD “Grupo 3 x 4 – volume 1”, com nada menos que Issac Ferraz (voz e violão), Toninho (bateria) e Luizão (teclado), com participações especialíssimas de Denise Amaral (vocal – cada dia melhor que o anterior), Pichú Borelli (contrabaixo), Paulinho Laranjeira (pandeiro) e Derico (sopros e falações múltiplas e variadas).

Ambiente mais aconchegante impossível. Querendo chover lá fora e lá dentro o pau comendo solto. Música de altíssima qualidade e com gente do ramo, todos com anos de estrada e com um repertório escolhido a dedo. Uma cervejinha gelada sobre a mesa (na nossa era a Original) e um amontoado de gente ligada ao meio musical, preenchendo todos os espaços vazios daquele sacrosanto recanto de muita devoção aos deuses da música. Foi de lavar a alma. Ainda mais porque os eventos por lá são sempre divididos ao meio, com uma meia hora de intervalo. Nesse espaço de tempo acontece de tudo e os mais altos papos são cirurgicamente costurados. Só para entenderem como a noite foi mesmo boa, o pessoal fez seu Zé da Viola sair do seu Redentor e vir de ônibus presenciar aquela reunião musical. No cotovelo do balcão de entrada, num certo momento lá estavam o percussionista Tiãozinho, o diretor musical Sivaldo Camargo, o performático Norba e o baterista Ralinho. Entre tantos que me passaram batido, abracei por lá, além de todos que estiveram no palco e os já citados, Marquinhos Belinatti e Regina Mancebo, Denise, Macbeth e o profissional indispensável do som, Pês. Para sentirem um pouco do que foi a noite, parem tudo, se desplugem do mundo e vejam Denise Amaral arrasar com “Rebento”, deixando todos os garanhões do lugar de queixo mais do que caído. Não existe melhor lugar para se recarregar de agruras pós 1º turno eleitoral do que esse Templo (nesse fundamentalismo não tem vez). Tô com pilha nova para reiniciar a contenda.
E como o Templo não para, recebo via email um daqueles simpáticos recadinhos da amiga Audren (outra voz inenarrável) convidando para hoje, quinta, voltar lá. Querer eu quero, mas o bolso furou e o corpo pede descanso. Sintam como ela procede para arregimentar público: “Nesta quinta-feira (07/10), a partir de 21h, no Templo Bar grandes sambas e choros. Eu sinceramente acho que vale a pena! Ainda mais hoje que é comemorado o dia do Compositor, vale a pena sair de casa para ouvir melodias com letras trabalhadas com grande qualidade! Cartola, Nelson Cavaquinho, Noel Rosa, Pixinguinha, Sergio Bittencourt, Lupicínio Rodrigues, Ary Barroso, Pixinguinha. E os choros então? E tudo interpretado por músicos da melhor qualidade! Querem saber quem são: Badê (piano e acordeon), Paulo Villaça (violão sete cordas) Ivan Bulhões (clarinete), Paulinho Negri ( percussão)! E eu? Audren, cantando junto! Pode isso? Tô morrendo de medo! Tô achando que esse grupo deveria chamar: "AS FERAS e a formiguinha" . Esse nome não explica tudo? Por favor apareçam! Bjs - Audren”.
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